[Cenário: Em algum lugar estranho, cujo céu é roxo e o chão é marrom.]

[Aoba se encontra em um lugar misterioso.]

Aoba: Onde estou? O que estou fazendo aqui?

[Aoba então corre e vê várias pessoas de pele azul acusando ele de ser um demônio.]

Pessoa 1: Demônio!

Pessoa 2: Seu demônio!

Pessoa 3: Advogado do diabo!

Pessoa 4: Miserável!

[Aoba então corre e corre quando ele acaba encontrando Haruka. Ele então dá um abraço nela.]

Aoba: Haruka! Oh Haruka! Ainda bem que você está viva! Achava que ia te perder novamente!

[No entanto, Haruka empurra Aoba, jogando-o no chão.]

Aoba: Haruka?

Haruka: Porque... Porque fez isso... Porque você me salvou?

Aoba: Mas... Haruka-san!

Haruka: Eu sinto muito... Mas eu não vou trair meus ideais...

[Haruka então pega uma faca e se suicida. Aoba então vê o corpo caído de sua irmã. Aí ele acaba tendo a visão de um homem muito grande que é careca e tem uma barba, além de se vestir de preto.]

Aoba: Me... Meretíssimo!?

Juiz: Aoba Matsunaga! Você é o pior advogado de toda a historia do mundo, e por isso você deve pagar pelos seus crimes!

Aoba: Mas o que foi que eu fiz de errado? Eu sou apenas um advogado de defesa!

Juiz: Silêncio! Você não é mais digno de seu nome!

[O juiz então pega o seu martelo e esmaga Aoba com ele. O cenário então fica preto.]

Aoba: (Eu lembro... Do dia em que eu me tornei advogado. A este ponto... Todos os meus clientes eram pessoas decentes que só foram acusadas por estarem nos lugares errados nas horas erradas... Mas agora... Eu me sinto algemado... Pela culpa que estou carregando. Este sonho simboliza agora o momento em que eu estou. Eu sou Aoba Matsunaga, e hoje... Meu objetivo é defender um cliente... Um assassino miserável que destruiu a vida de uma família e dois delinquentes. Por favor... Haruka... Sobreviva. Gostaria de poder ver seu rosto mais uma vez... Mesmo que eu tenha que sacrificar minha própria dignidade.)

[Cenário: Tribunal de Tóquio, sala de espera.]

[Aoba está apreensivo pois ele sabe que ele precisa defender Unami se ele quiser salvar Haruka. Para piorar, ele ainda vai ter que lidar com o fato de que uma de suas testemunhas são seus ex-clientes Kogoro e Reiji.]

Aoba: (Calma... Calma... Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo legal... Droga... O que eu posso fazer? Por um lado, eu não posso defender alguém como Unami, considerando que ele foi de fato o responsável pela morte de Sugawara-san. Mas por outro lado, eu preciso salvar minha irmã e ela está nas mãos dele... Estou perdido... Não me sinto muito bem...)

[Aoba então tem várias lembranças de Haruka.]

Haruka: Aoba-san...

[O flashback acaba.]

Aoba: (Apesar de tudo, Haruka sempre me motivou a seguir em frente. Não tem como eu escolher desistir agora. Preciso lutar por ela, e não posso deixar que Unami se safe.)

[Unami então chega para ver Aoba.]

Unami: E então, como estão os preparativos?

Aoba: Está tudo bem. É só uma questão de tempo para que o caso comece.

Unami: Ótimo. Lembre-se da nossa proposta. Eu saio, ela sai e todos ganham.

Aoba: Todos menos Kogoro e Reiji.

Unami: Ainda está do lado daqueles delinquentes?

Aoba: Você é o pior criminoso que eu já conheci.

Unami: Obrigado. E é por isso que todos tem meu respeito.

Aoba: (Tolo... Nem que seja nos meus últimos momentos... Eu irei revelar toda a verdade...)

Unami: Você tem todas as evidências que podem me ajudar?

Aoba: Sim. Sem exceções.

Unami: Excelente.

Aoba: (Unami... Você vai pagar por isso...)

Unami: Mais alguma coisa?

Aoba: Haruka... Ela está bem?

Unami: Sim. Meu assassino pessoal está cuidando bem dela.

Aoba: Tomara que sim.

Unami: Ele, por incrível que pareça, possui seu próprio senso de honra. Nunca teria coragem de machucar pessoas inocentes.

Aoba: (Hipócrita maldito...)

Unami: Aliás... Ela só irá sofrer se você não cumprir o que prometeu.

Aoba: Eu sei...

Unami: Tomara que continue assim.

Aoba: (Desta vez eu vou ter que lidar com a promotora Saeko Tomohisa. Estou ciente que ela é rigorosa, mas é isso que eu mereço por entrar como o advogado do diabo... Hmph, diabo é uma palavra tão leve em comparação com um cara como ele... Mas não sou blasfemo o suficiente para admitir... Agora tudo o que resta é garantir que Haruka continue sã e salva... Mas como posso fazer isso?)

Oficial: Estão todos prontos? O julgamento já vai começar!

Unami: Está ouvindo? Está na hora do grande evento.

Aoba: Certo... Vamos lá.

[Aoba e Unami vão para a sala do julgamento.]

Aoba: (Meu primeiro julgamento em Tóquio acabou em fracasso... Resultando em duas pessoas inocentes indo para a prisão. Agora, meu segundo julgamento... Terão estas mesmas pessoas dispostas a soltar comentários venenosos contra mim. Pra piorar, minha oponente é a promotora Saeko, e Haruka está nas mãos do clã Sakuma. Preciso fazer o que for possível para escapar... Não posso desistir... Não agora.)

[Cenário: Tribunal de Tóquio, sala 2]

[Todos se preparam para o julgamento de Unami. O juiz, que é o mesmo do julgamento de Kogoro e Reiji, inicia sua declaração.]

Juiz: A corte está em sessão para o julgamento de Unami Sakuma.

Aoba: Aoba Matsunaga, advogado de defesa, a seu serviço.

Saeko: Saeko Tomohisa, advogada de acusação, a seu dispor.

[Saeko olha para Aoba.]

Saeko: Ora ora, se não é o miserável que foi o responsável por ter culpado dois delinquentes. Devia ter vergonha de si mesmo, especialmente já que é você que vai defender um bandido.

Aoba: Mereço toda esta culpa, e estou disposto a sofrer futuras punições.

Saeko: Está tirando uma com a minha cara?

Aoba: Não é minha intenção. Mas admito que sou um mísero idiota que está defendendo um bandido.

Juiz: Bem, vamos começar o julgamento de imediato. Saeko, sua declaração.

Saeko: Certo. A vítima da vez são duas pessoas. Membros de seu próprio clã. Um deles é Zenshin, que assumiu o papel de Zenshin Minazuki, irmão de Kogoro. Outro é Chisao, que assumiu o papel de Chisao Takahashi, irmão de Reiji.

Juiz: Espere um instante... Uma dupla de irmãos que fingem ser irmãos de outras pessoas?

Saeko: Esta é a ideia principal da vingança de Unami. Quando os cientistas analisaram o sangue de cada uma das vítimas, foi confirmado que os dois tem o mesmo DNA. Isso significa que eles tem o mesmo parentesco.

Juiz: DNA... O que é isso?

Saeko: Ácido desoxirribonucleico. Serve para armazenar as informações genéticas de todos os seres vivos, incluindo nós humanos.

Aoba: (Mas que mulher esperta... Ela deve ter feito algum doutorado em biologia.)

Saeko: Mas vamos ao que interessa. A questão é que Unami chegou a adotar duas pessoas que carregam traços de seus DNAs. Minha maior aproximação, considerando a idade das vítimas, são que eles são de fato irmãos.

[Saeko então pega uma pasta com vários documentos.]

Saeko: Esta é a autópsia dos dois irmãos.

[O juiz pega a pasta.]

Saeko: Inclusive eu até tenho algumas evidências.

[Saeko pega um saco no qual contém uma adaga.]

Saeko: Esta adaga foi usada para o assassinato de Chisao.

[Saeko pega outro saco no qual tem uma bala.]

Saeko: E esta bala foi tirada do coração de Zenshin. Inclusive...

[Saeko pega mais um saco no qual contém uma espingarda.]

Saeko: Esta bala pertence a esta espingarda.

Juiz: Mas esta pistola tem um tamanho gigante!

Saeko: Exatamente. Inclusive esta é a sua arma favorita na qual Unami usa para se livrar de todos os seus adversários.

Juiz: Surpreendente. Estupefato. A corte irá considera-las como evidências.

Saeko: Então, Aoba, o que você diz? Ainda tem certeza que seu cliente é inocente? Ou quer que eu comece do começo? Você escolhe.

Aoba: (Saeko começou com o pé direito. Ela decidiu enviar todas as peças de imediato... Deste jeito eu não vou conseguir salvá-la... O que vou fazer?)

Juiz: Alguma coisa a dizer, Advogado Matsunaga?

Aoba: (Pensa, Aoba, Pensa! Com essas informações, eu vou... Espere!)

[Aoba então aponta para Saeko.]

Aoba: Protesto!

[Aoba bate na mesa.]

Aoba: Eu sugiro que a gente resolva esta situação com um depoimento!

Saeko: Depoimento?

Juiz: Mas a Tomohisa-san disse que ela já mostrou todos os itens que incriminam Unami. Inclusive ele até tem um motivo pra isso.

Aoba: A questão é... Unami matou mesmo os dois irmãos?

Saeko: É claro que sim!

Aoba: Pois então vamos resolver isso... Com um depoimento... Permissão para a corte real para que eu chame Unami Sakuma!

Juiz: Unami? Seu próprio réu?

Aoba: Se ele realmente matou Zenshin e Chisao, isso é algo que devemos resolver com ele.

Saeko: (Aoba... O que você está planejando?)

Juiz: Se é assim. Permissão para um depoimento concedido. Unami Sakuma, vá para o banco das testemunhas.

[Unami vai para o banco das testemunhas.]

Saeko: Não preciso que você se introduza propriamente. Já sabemos muito bem de sua existência, patriarca.

Unami: Diga o que quiser. Eu jamais vou voltar para a prisão.

Saeko: Todas as evidências estão contra você. O que tem a dizer em sua defesa?

Unami: Tudo conversa fiada para me difamar. Eu sou um mafioso honrado e minhas intenções foram mais conectadas com o submundo do crime.

Aoba: Unami... Eu queria poder perguntar uma coisa... Você realmente matou seus próprios filhos?

[Unami não diz nada.]

Juiz: Se eu fosse você, eu confessaria tudo de imediato.

Unami: Quer que eu fale tudo mesmo?

Aoba: Por favor... Queria poder saber se você está dizendo toda a verdade.

Unami: Está bem... Mas não esperem que eu enfeite tudo com açúcar. O que eu digo virá da minha própria boca.

Saeko: Feliz agora? Seu comparsa vai finalmente confessar o crime.

Aoba: Hmph. Tudo o que eu quero é a verdade e nada mais.

Juiz: Com tudo pronto, você pode preparar o seu depoimento.

[Unami dá um sorrisinho malicioso. Aoba e Saeko se encaram enquanto o patriarca faz seu depoimento.]

Unami: Mandei Zenshin e Chisao para atuarem como os irmãos de Kogoro e Reiji. Apesar de sucederem em pegar os dois criminosos, eles falharam em sua missão. Sendo assim, eu tive que matar meus subordinados de imediato. Usei a minha espingarda para matar Zenshin, e a adaga pra matar Chisao.

Juiz: Você realmente tem um coração impuro. Matar seus dois filhos adotivos por um mísero fracasso... Francamente, você é frio.

Unami: Faço parte do submundo do crime. Pragmatismo é a lei.

Saeko: Viu só? Unami revelou que ele é o assassino. Agora tudo o que resta é o juiz bater o martelo e levar o patriarca pra prisão. Francamente, o que você tem na cabeça ao pensar nisso.

Aoba: Eu ainda tenho outra missão. Revelar a verdade e procurar uma brecha em seu depoimento. Unami... Tem certeza que o que você disse é verdade?

Unami: Diga o que quiser. O que disse está dito.

Aoba: Ótimo. Meretíssimo...

Juiz: Nenhuma objeção a este ponto... Aoba, tente encontrar alguma mentira no depoimento no réu... Isto é, se você achar, é claro.

Aoba: Certo.

[Aoba encara Unami.]

Aoba: (Agora é a minha vez... Preciso achar um jeito de tirar a verdade do Unami sem que ele descubra tudo.)

[Aoba e Saeko se encaram.]

Aoba: Como Zenshin e Chisao foram capazes de atuar como duas versões de Kogoro e Reiji?

Unami: Meus subordinados são experts na arte da análise. Eles observam cada movimento e anotam em um bloco.

Juiz: Então vocês são biólogos?

Saeko: “Stalkers” é a palavra que define o clã Sakuma como um todo.

Unami: Você até que é espertinha, promotora.

Saeko: Maldito...

Unami: Fale o que quiser. Sou um mafioso, nada vai mudar.

Aoba: Bem, continuando... Como Zenshin e Chisao falharam em sua missão?

Unami: Kogoro e Reiji são espertos o suficiente para não caírem na lábia deles. Inclusive eu matei os dois para garantir que eles não me denunciem.

Aoba: Mas se este for mesmo o caso, não era para os alvos serem o próprio Kogoro e Reiji?

Unami: Poderia ter matado eles de imediato, mas preferia que eles sofressem.

Saeko: Sádico...

Unami: Como eu disse, eu sou o patriarca da família Sakuma.

Juiz: Nunca é a melhor desculpa como atitudes como estas. Vamos continuar.

Aoba: Você não acha que matar seus subordinados é uma perda de vidas humanas?

Unami: E daí? A cada cinco subordinados que eu mato, eu contrato mais dez.

Aoba: Pera... Dez!?

Saeko: Melhor que você não esteja blefando, Patriarca Sakuma! Sua carreira como criminoso está em risco.

Unami: Porque vocês se importam tanto comigo?

[Aoba fica em silêncio.]

Unami: Tudo o que eu fiz faz parte da minha conduta de membro da Yakuza. Matar Zenshin e Chisao é algo que devo fazer, afinal, eles são mafiosos, como eu.

Juiz: Não posso ajudar exceto que você tem um ponto.

Saeko: Agora... Se me permite... Você usou todas as evidências para matar seus próprios comparsas?

[Unami não diz nada.]

Juiz: Todo o seu silêncio será usado contra você, patriarca.

Unami: Sobre isso...

Aoba: Tem certeza que você matou os dois com suas respectivas armas?

Unami: São as minhas palavras. Aliás, foram Zenshin e Chisao que falharam comigo.

Saeko: Então você admite. Seu depravado...

Unami: Mas eles mereceram. O clã Sakuma não admite falhas. Apenas sucessos. Sempre foi assim e vai continuar sendo.

Aoba: (Tenho a impressão de que alguma coisa está errada... Ele está mesmo dizendo a verdade?)

Juiz: Temo que a este ponto a análise já está completa. Então, Aoba o que você descobriu. Acha mesmo que encontrou algum erro no depoimento dele?

Aoba: (Unami admite que matou Zenshin e Chisao... Mas algo no depoimento dele não se encaixa direito... Será que...?)

[Aoba tem um momento de descoberta. Então ele bate na mesa e aponta para Unami.]

Aoba: Protesto! Unami... Queria perguntar uma coisa, não que você se importe com isso.

Unami: O que deseja? Pode falar.

Aoba: Tem certeza que você matou todos os seus dois subordinados?

Unami: De fato. Zenshin e Chisao são decepções, tanto como filhos tanto como subordinados. Por isso que decidi tirar a vida deles.

Saeko: Viu só? Unami confirmou tudo o que eu pensava. Ele matou seus comparsas logo após seu plano de incriminar Kogoro e Reiji ter falhado. E então, Aoba. O que você tem a dizer sobre isso?

Aoba: Eu não posso admitir exceto que Unami está certo ao matar Zenshin. No entanto... Eu temo que ele esteja errado em relação ao outro subordinado.

Juiz: Você quis dizer... Chisao?

Aoba: Exatamente. Se Unami matou Zenshin com sua espingarda... Porque ele não fez a mesma coisa com Chisao?

[Aoba bate na mesa.]

Aoba: Unami Sakuma! Você está mentindo para a corte japonesa!

Unami: O quê?

Saeko: O quê?

Juiz: O quê?

[Todos os membros do júri ficam surpresos com a revelação. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem! Ordem no tribunal! Aoba Matsunaga, qual o significado disso?

Aoba: Foi o que eu disse. Unami clama que matou Zenshin e Chisao, mas a adaga não deixa explícita se ela fora usada pelo patriarca. Saeko, você disse que a espingarda é a arma favorita dele, não disse? Então como você teve a audácia de dizer que Unami usou um simples objeto cortante contra um de seus subordinados?

Saeko: Hmph.

Aoba: (Ela parece estar calma. Será que ela está planejando alguma coisa?)

Juiz: E então, Saeko. O que você tem a dizer sobre isso?

Aoba: (Devo esperar o pior... Ela vai fazer de tudo para que eu falhe em minha missão. E então Haruka...)

Saeko: O que Aoba diz faz sentido. Mas há um fator que implique que Unami usou a adaga para matar Chisao. Primeiro... É possível que quando o patriarca atirou em Zenshin, ele usou a sua última bala para mata-lo. Com isso, ele usou o objeto para assassinar Chisao logo depois do evento.

Juiz: Um ponto interessante. É possível que Unami tenha de fato usado a adaga como último recurso.

Aoba: No entanto... Eu gostaria que esta faca fosse analisada com mais cuidado. Se as digitais forem as mesmas de Unami, isso significa que o patriarca de fato matou Chisao.

Juiz: Pedido aceito. Vou garantir que a faca seja analisada profundamente. Oficiais!

[Vários oficiais de justiça chegam a sala do julgamento. Eles levam o saco com a adaga para que eles possam fazer análises completas. Depois disso, eles saem.]

Juiz: Unami, se você estiver mentindo para a corte, está ciente das consequências que vai sofrer.

Unami: Eu não vou ser o único.

[Unami dá uma olhada em Aoba, que está com medo.]

Aoba: (Mas que droga! O que vou fazer?)

Juiz: Sendo assim, parece que vamos precisar analisar este caso mais a fundo. Unami.

Unami: Hmph.

Juiz: Não sabemos se você realmente matou Chisao, no entanto, você mesmo confessou que matou Zenshin e a bala em seu coração contou toda a verdade. Além disso, você fez toda esta mísera armação para incriminar dois delinquentes inocentes.

Unami: Inocentes? Foram eles a razão porque eu estou aqui. Eles começaram toda esta tramóia quando eles destruiram minha chance de poder fazer dinheiro.

Saeko: Você quis dizer... Extorsão. De acordo com alguns de seus ex-subordinados, eles disseram que você ia construir um casino, e usá-lo como um meio de roubar dinheiro de seus clientes, assim eles estariam em dívidas constantes e iriam recorrer ao clã Sakuma para se manterem firmes. E tudo isso para que você se tivesse uma grande posição no mísero submundo do crime. Estou certa ou errada?

Unami: Espertinha... Você e os tiras fazem bem o seu dever de casa.

Juiz: Kogoro e Reiji podem ser uma anomalia a sociedade como um todo, mas comparado com o submundo do crime e principalmente com você, eles são os menores males.

Unami: Tudo mentira. Tudo narrativa romantizada.

Aoba: (Quer apostar? A este ponto seu castelo de cartas está caindo.)

Saeko: A promotoria deseja chamar uma testemunha. Detetive Ichiro Kubikiri.

Aoba: (Ai! Tô frito!)

Juiz: Sim. Chamem Ichiro Kubikiri para a sala do julgamento.

[Ichiro chega no tribunal. Ele já começa com os olhos focados na Saeko, muito para o desespero da promotora.]

Ichiro: Saeko-chan!

[Aoba também não parece muito feliz com a reação de Saeko.]

Ichiro: É sempre tão bom poder ver você de novo...

Aoba: (Lá vem ele querando flertar de novo...)

Ichiro: Seus olhos, seu corpo, seu cabelo... Tudo em você é um encanto,

Juiz: Nome e ocupação!

[O detetive fica surpreso pela reação do juiz.]

Ichiro: Ichiro Kubikiri, sou um detetive! Ao seu dispor, Meretíssimo!

Aoba: (Quando a situação é tão ruim que até o juiz tem que resolver isso, significa que isso é só o começo da desgraça...)

Saeko: Detetive Ichiro Kubikiri, diga me o que aconteceu no dia em que o patriarca Unami assassinou Zenshin Minazuki.

Ichiro: Pera, ele matou um tal de Kenshin Mikazuki?

[Aoba e Saeko colocam a mão no rosto.]

Aoba e Saeko: (Mas que otário...)

Juiz: Resumindo, o réu é acusado pela morte de Zenshin Minazuki, que também fez parte de sua gangue. O que você sabe sobre o caso?

Ichiro: Ora, um monte de coisas. Deixe tudo comigo, Meretissimo.

[Aoba e Saeko se encaram enquanto Ichiro faz seu depoimento.]

Ichiro: Meu dever primário, como detetive, é provar a inocência de Kogoro e Reiji. Não me chegou a mente o fato de que havia uma conspiração por trás disso. O que Unami planejava era tomar a cidade de Tóquio para si. Unami matou Zenshin porque ele tinha medo de que alguém revelasse o plano para a polícia.

Juiz: Então Unami matou sua figura de filho para impedir que ele revelasse suas verdadeiras intenções para a polícia, certo?

Unami: Ele poderia ter matado todos os seus outros subordinados, mas ele escolheu matar Zenshin por ele ser o seu servo mais perigoso.

Juiz: A questão é que Zenshin foi praticamente o músculo de toda a operação, juntamente com seu recém revelado irmão Chisao.

Juiz: Oh sim... Chisao... Quem é ele?

Saeko: Chisao Takahashi. Ele é o irmão de Zenshin que também fez parte da trama para incriminar Kogoro e Reiji. Enquanto Zenshin assumia o papel de delinquente da Rekka, Chisao atuava como o delinquente da Hyouki.

Ichiro: Praticamente, os dois irmãos trabalhavam juntos na trama.

Juiz: Um triste fim para dois irmãos que podiam ter vivido uma vida boa. Não sabemos se um deles se suicidou, mas estamos cientes que outro foi morto pelo seu próprio pai.

Aoba: (Será que podemos cortar o drama e irmos direto para o interrogatório?)

Juiz: Pode começar o seu interrogatório.

[Aoba e Saeko se encaram.]

Aoba: Kogoro e Reiji... Eles foram acusados de assassinato no julgamento em que eles foram réus, certo?

Ichiro: Exatamente. Só agora que revelaram que eles foram incriminados. Felizmente, eu consegui todas as informações antes que a situação piorasse ainda mais.

Aoba: (Sorte a sua.)

Juiz: Então você estava mantendo as informações sob sigilo enquanto procurava um jeito de descobrir a conspiração do clã Sakuma, certo?

Ichiro: Exatamente.

Aoba: Sobre isso... Você descobriu a conspiração por acidente logo depois de se encontrar com Kogoro e Reiji, certo?

Ichiro: Pode se dizer que eu peguei o faro dela uma vez que fui chamado por alguém para resolver o mistério.

Saeko: E quem seria este alguém?

Ichiro: Um estudante do Colégio Rekka. Atsushi Nagano, mas ele não está interessado em dar algum depoimento.

Aoba: (Isso não vai ser bom.)

Saeko: Ainda assim, você fez mal em deixar o caso pra si ao invés de leva-lo pela polícia. Se você não tivesse falado sobre a conspiração...

Ichiro: Como eu disse... Eu não tinha nenhuma intenção de investigar algum jogo até o momento em que fui chamado para investigar Kogoro e Reiji. Há uma razão porque sou um detetive privado.

Juiz: Não vamos precisar nos preocupar com isso agora. Vamos ao assunto principal. Pode continuar, Matsunaga.

Aoba: Como pode ter certeza que Unami queria tomar a capital?

Ichiro: Todos os documentos investigados deixaram claro que a Unami queria tomar Tóquio. As razões, no entanto estão em aberto.

Saeko: Significa que Unami queria se tornar basicamente o novo prefeito da cidade. Mas claro que ele não é algum idiota para pegar o prefeito de imediato, a menos que ele queira lidar com a polícia.

Aoba: (Até que o bastardo é um bocado esperto... Espere um instante...)

Juiz: Aoba, você tem alguma coisa a dizer sobre isso?

Aoba: Nada de mais.

Saeko: Hmph. Você está apenas me dando a chance de dar o bote. Está ciente do que vai acontecer se você falhar neste julgamento?

[Aoba fica com medo. Ichiro observa o advogado.]

Ichiro: (Parece que sua máscara de confidência está prestes a se quebrar... Tomara que a polícia tenha conseguido encontra-la...)

Juiz: Alguma coisa a dizer?

Aoba: Como eu disse, nada. Vamos continuar.

Juiz: Excelente. Vamos continuar analisando o depoimento.

Aoba: Ichiro-san... Você acha mesmo que Zenshin teria a chance de denunciar seu próprio chefe para a polícia?

Ichiro: Veja bem... Unami não é muito bom com subordinados. Ele não tem paciência para lidar com falhas.

Saeko: Além disso, Zenshin e Chisao são jovens, enquanto os outros mafiosos estão na faixa dos 30 e dos 40 anos. Isso faz com que eles fossem mais capazes de se rebelar contra o patriarca.

Ichiro: Pra não dizer nada sobre a fachada em si...

Juiz: Então vocês estão implicando que Unami pode não ter uma boa razão para matar Zenshin ao falhar na sua missão de arruinar a reputação de Kogoro e Reiji.

Ichiro: O fato de que Zenshin estava fingindo ser alguém que ele não é de verdade deixa bem claro isso. Sim, você pode lamentar que ele é uma vítima das circunstâncias, mas ele fez tudo pelo seu mestre sem restrições.

Saeko: Exatamente. Zenshin pagou o preço com sua própria vida. E agora é a vez do Unami.

Aoba: (Espere um instante... Um dos testemunhos de Ichiro está errado! Talvez seja a hora de contraatacar!)

[Aoba então aponta para Ichiro.]

Aoba: Protesto!

[Aoba bate na mesa.]

Aoba: Detetive Ichiro... Sua teoria em relação ao Unami até que faz sentido. Sinto pena que ela tem uma brecha.

Ichiro: Brecha?

Aoba: Como advogado, tenho que admitir que você é um excelente detetive... Pena que não vale nada se comparado com minhas habilidades de caçar erros.

Ichiro: Como assim?

Aoba: Vamos prestar atenção em uma certa sentença no que Ichiro falou em relação a Unami. De acordo com o detetive, o que Unami planejava era tomar a cidade de Tóquio para si. No entanto, eu tenho uma evidência de que ele tinha outro motivo para tomar a capital, e não era por puro egoísmo!

[Todos no tribunal ficam surpresos com as palavras de Aoba e começam a discutir. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem, ordem no tribunal! Aoba, qual o significado deste absurdo que você disse?

[Aoba então mostra alguns documentos, juntamente com uma carta.]

Aoba: Unami não queria tomar a cidade de Tóquio para inflar seu ego, pelo menos não como objetivo primário. O que ele realmente queria era poder acumular uma grande quantidade de dinheiro. Dinheiro para poder pagar uma dívida quase interminável.

Ichiro: What!?

Saeko: Protesto! Unami nunca teria a coragem de fazer uma coisa deste tipo!

Aoba: Os documentos negam isso. Logo depois de Unami ter sido preso depois de lutar contra Kogoro e Reiji, vários membros da Yakuza leais a ele o libertaram. No entanto, o verdadeiro responsável que organizou toda esta trama devia algo em troca para Unami... Basicamente, 100 bilhões de ienes.

Ichiro: O quê!? 100 bilhões!?

Saeko: Então, tudo o que ele fez foi...

[Todos no tribunal discutem sobre o assunto envolvendo Unami e sua dívida de 100 bilhões de ienes. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem! Ordem! Ordem! 100 bilhões de ienes pela sua liberdade!? Isso é insano!

Aoba: Não apenas isso. O responsável em questão é Jonouchi Ayashige.

Saeko: Ayashige...

Aoba: De acordo com algumas informações que eu consegui, Jonouchi Ayashige é o atual líder do submundo do crime japonês, com inclusive o clã Ayashige sendo o atual clã central da Yakuza. Era por isso que Unami queria tomar a cidade, para poder tirar o dinheiro dela e dar para o patriarca do clã.

Ichiro: Mas isso é...

Aoba: Ficou boquiaberto agora, Ichiro?

Ichiro: Me-me-me-me-me-me-me... Pelo chapéu de Sherlock Holmes! Ninguém me disse que Unami estava endividado.

Saeko: Inclusive do atual líder do submundo do crime... Fascinante.

Aoba: (Parece que é o suficiente para que o julgamento continue. Com isso é só uma questão de tempo para que Haruka esteja salva...)

Saeko: Entretanto... Você está subestimando as capacidades do seu próprio cliente.

Aoba: Mas como assim?

Saeko: Acha mesmo que Unami iria dar todo este dinheiro para Ayashige?

[Aoba fica calado.]

Saeko: Matsunaga, Matsunaga, Matsunaga... Você foi um tolo em pensar que o patriarca de uma família teria a oportunidade perfeita para que possa pagar uma grande quantidade de dinheiro.

Juiz: O que você tem a dizer sobre isso, Saeko?

Saeko: Você pode até estar certo sobre o fato de que Unami queria dinheiro para pagar as dívidas de Ayashige, no entanto... É certo de que Unami tem outros planos com o dinheiro da cidade. Ele não está ligando tanto para a dívida em si, ele tá mais interessado em passar a perna no seu rival.

Aoba: Então você está dizendo?

Saeko: Exatamente o que você está pensando. Unami não se importa com Jonouchi-san. Ao invés disso, ele quer tomar o lugar dele como líder do submundo do crime. Devia ter pensado nisso antes de chegar a esta conclusão.

Juiz: Hmmm... Tenho que admitir que Saeko tem um bom ponto. Unami querer tomar a posição de líder do submundo do crime é algo que faz bastante sentido. Especialmente considerando tudo o que ele fez a este ponto.

Ichiro: Bela tentativa, mas é por isso que eu amo a Saeko-chan. Ela é mais detetive do que eu!

Aoba: (Tô morto!)

[Todos no tribunal discutem.]

Aoba: (Quando eu estava prestes a revelar a verdade, Saeko decide jogar todas as fezes no ventilador! Eu tô encrencado!)

[Aoba tem um flashback com Haruka.]

Aoba narrador: E se eu não fizer nada a respeito... Haruka vai...

[O flashback acaba.]

Aoba: (Não. Eu preciso manter a calma. Tem que ter um jeito de dar a volta por cima, mesmo que eu tenha que arriscar a vida da minha irmã...)

Saeko: Então chegamos a conclusão de que Unami queria o dinheiro para tomar a posição de líder do submundo do crime contra o clã Ayashige, certo?

Aoba: Eu ainda mantenho os meus ideais. Leia os documentos direito. Não tem como Unami querer trair Ayashige numa situação como esta!

Saeko: Porque você não pergunta ao seu cliente? Ele pelo menos sabe o que está fazendo, não sabe? Hmph. Ele vai preferir te esfaquear a contar todos os seus segredos a você.

Aoba: (A pior parte é que ela tem razão sobre isso.)

Saeko: Bem, com isso, eu encerro meu depoimento.

Juiz: Hmph. Mas que decepção. Unami decidindo esfaquear o responsável que te salvou? Ele não é apenas insano, ele é um ingrato. Mesmo que este responsável seja um mafioso.

Aoba: Mas... Meretíssimo.

Juiz: Temo que esta parte da historia está concluída. Ichiro, considere-se dispensado por enquanto.

Ichiro: Com prazer, meretíssimo.

[Ichiro então sai do tribunal com um sorriso.]

Ichiro: (Ótimo, agora tudo o que resta é continuar a missão de resgate.)

[Aoba observa Ichiro sair.]

Juiz: Então a este ponto não podemos negar que Unami é de fato o culpado. Considerando que ele buscou dinheiro para esfaquear o próprio líder do submundo do crime faz dele uma ameaça a sociedade japonesa. Uma sentença rigorosa será providenciada contra ele.

Aoba: (Estou em perigo... O que vou fazer agora!? Se Unami for declarado culpado de imediato, Haruka vai morrer!)

Saeko: (Aoba não parece estar bem... O que será que ele está escondendo? Talvez seja o Unami... Ele não escolheu Aoba para ser seu advogado a toa...)

Aoba: (Pense Aoba, pense! Você não tem o dever de defender alguém como Unami, mas ele tem a Haruka como refém, e não posso deixar que ela morra! Ela é a minha irmã!)

Juiz: Bem, vamos continuar nosso julgamento.

[De repente, um oficial de justiça chega.]

Oficial de Justiça: Meretíssimo!

[O oficial chega com um documento.]

Juiz: Alguma emergência?

Oficial de Justiça: Dê uma olhada neste documento. É da faca que foi usada para matar a vítima de nome Chisao Takahashi.

[O juiz lê o documento.]

Juiz: Obrigado pela informação. Está dispensado.

Oficial de Justiça: Certo. Com licença.

[O oficial de justiça sai.]

Aoba: E então, alguma notícia?

Juiz: Ao que tudo indica parece que este documento fala que Chisao não foi morto por Unami. O sangue e as impressões digitais carregam o mesmo ácido desoxirribonucleico, o que significa que Unami se matou. Morto por suicídio.

[Todos no tribunal discutem.]

Aoba: (Perfeito. Pelo menos isso pode abafar um pouco a reputação do Unami enquanto Ichiro tenta procurar Haruka.)

[O juiz bate o martelo várias vezes.]

Juiz: Ordem! Ordem! Ordem! Ordem no tribunal! Eu não vou tolerar nenhuma balbúrdia neste julgamento! O suicídio de Chisao não é brincadeira. É um assunto sério.

Saeko: Meretíssimo... Me permita falar... Sobre o suicídio de Chisao.

Juiz: Permissão pra falar concedida.

Saeko: Chisao usou sua faca para se suicidar, porém isso não significa que Unami não foi o responsável pela morte da vítima.

Aoba: (Oh-oh.)

Saeko: O suicídio deixa claro a capacidade de Unami de controlar todos os membros do Clã Sakuma através do medo. Suicídio é uma das respostas mais comuns para um subordinado que falhou em seus objetivos.

Juiz: Hmmm...

Saeko: Aoba pode estar certo que Unami não matou Chisao, mas foi ele que causou sua morte de forma indireta. O delinquente tinha medo de ser considerado uma decepção pelo patriarca, e foi por isso que ele escolheu tirar sua própria vida a sofrer mais abusos. Eu não tenho o dever de julgar Chisao como um covarde, mas ele é um delinquente que viveu sobre pressão. Mesmo que Chisao tenha cometido vários crimes, ele fez isso em nome do Clã Sakuma.

Aoba: (Não dá pra ficar pior...)

Saeko: A promotoria acusa Unami de indiretamente ser o responsável pela morte de Chisao!

Aoba: (Que droga!)

[Todos no tribunal discutem.]

Saeko: Achou mesmo que você ia se safar com esta análise? Você deu mais razões para que Unami seja mais culpado.

Aoba: Estou fazendo isso por causa da verdade. Quero descobrir mais e mais sobre o que realmente aconteceu naquele caso.

Saeko: Tá mais para querer varrer todos os crimes debaixo do tapete. Pergunta... Quais são suas verdadeiras intenções por trás do seu desejo de descobrir a verdade?

[Aoba não diz nada.]

Juiz: Aoba, responda a pergunta da promotora. Você realmente deseja procurar a verdade neste julgamento?

[Aoba ainda está em silêncio.]

Saeko: Responda imediatamente! O que você está tramando?

Aoba: Salvar uma pessoa muito especial pra mim. E pra fazer isso, eu preciso procurar toda a verdade.

Saeko: Hmph. Mas que idiota.

[Aoba não diz mais nada.]

Saeko: Meretíssimo, você pode ter a oportunidade de bater o martelo e mandar os oficiais levar Unami para a prisão. Não temos mais nada a dizer.

Aoba: Espere! Não termine este julgamento! Ainda temos questões que não foram resolvidas!

[O juiz balança a cabeça pra esquerda e pra direita.]

Juiz: Temo que nós não temos uma outra opção. Unami já cometeu vários crimes o suficiente para ser declarado culpado. A morte de Zenshin e Chisao já é um caso perdido por si só.

Aoba: (Haruka... Eu sinto muito...)

Juiz: Então, mais alguma coisa a dizer?

Saeko: Sim. Eu gostaria de chamar mais uma testemunha.

Juiz: (Pera... O quê? De imediato?)

Saeko: Exatamente. Os réus do caso anterior, Kogoro Minazuki e Reiji Takahashi.

Juiz: Mas eles não tem nada a ver com o caso de hoje.

Saeko: Mas vamos dar a eles a verdadeira justiça que eles merecem. Considere isso como um ato de redenção, e o último prego no caixão do patriarca.

Aoba: (Melhor do que perder minha irmã de imediato.)

Juiz: Ótimo. Pode chamar as testemunhas.

Saeko: Agora é a vez de vocês. Apresentem-se e ponham um fim nesta saga de tramas e delinquentes!

[Kogoro e Reiji entram no tribunal nada felizes. Kogoro aparece de cara emburrada na corte dando um mau-olhado para a audiência, e todos ficam surpresos. Reiji também aparece e dá um gesto obsceno. Os dois chegam até o juiz e vão para uma conversa.]

Juiz: Bem, acho que não preciso saber quem vocês são.

Saeko: Estes são Kogoro Minazuki e Reiji Takahashi, delinquentes que são banchos dos colégios Rekka e Hyouki respectivamente. Eles estão aqui como minhas testemunhas.

[Kogoro olha para Aoba com maus olhos.]

Aoba: (É o que eu mereço...)

Saeko: Kogoro, Reiji, é verdade que vocês acabaram entrando em uma conspiração após serem incidentalmente acusados pela morte de Kaoru Sugawara.

Kogoro: Sim. E não fomos os responsáveis pela morte daquele homem, muito pelo contrário. O responsável aqui foi aquele filho de uma jumenta!

[Kogoro aponta para Unami.]

Reiji: Nosso único crime que cometemos foi fugir da prisão em uma tentativa de provar nossa inocência. E até aí, deu tudo certo.

Aoba: (É sério isso, caras?)

Juiz: Então vocês tentaram provar sua inocência por si mesmos, certo?

Kogoro: Sim. Não foi fácil, mas conseguimos.

Saeko: Kogoro, Reiji. Eu me sinto feliz com o fato de que vocês estão revivendo uma antiga memória do passado. No entanto, o caso agora é outro. O réu, Unami Sakuma, tramou contra Tóquio tentando conquistá-la, e no processo matou Zenshin, que usou o seu sobrenome para te manipular. Kogoro, você testemunhou o assassinato de Zenshin, certo?

Kogoro: Sim, promotora.

Saeko: Meretíssimo, a testemunha tem algo a dizer.

Juiz: Ordem aceita. Kogoro Minazuki, diga o seu testemunho.

Reiji: (Mesmo que ele diga todos os detalhes da luta que teve, Kogoro tem sorte de estar protegido pela promotora. Agora o problema...)

[Reiji olha para Aoba.]

Reiji: (É como ele vai se dar bem em relação a este cara...)

Aoba: (Bem, lá vamos nós. Me desculpe Kogoro, mas eu vou ter que cortar o seu barato...)

[Kogoro começa a falar o seu testemunho. Aoba e Saeko se encaram.]

Kogoro: Quando eu e Reiji fomos para a mansão do patriarca, nós nos encontramos com Zenshin. Nós lutamos contra ele em uma tentativa de impedir que ele e Unami conquistassem a capital. Quando Zenshin não estava mais sendo capaz de lutar, Unami apareceu e o matou a sangue frio. Depois disso, fomos lutar contra o patriarca sem dó nem piedade.

Juiz: Então vocês lutaram contra o Zenshin, mas não o mataram.

Kogoro: Exato. Somos delinquentes, mas somos honrados o suficientes para não meter bala em nossos inimigos. Agora em relação ao Unami, ele atirou no garoto sem dó nem piedade.

Saeko: A bala foi encontrada no coração de Zenshin. O testemunho de Kogoro deixou claro que Unami matou seu próprio subordinado após este falar em sua missão. E a este ponto, não preciso dizer mais nada. Unami é o culpado pela morte tanto do Zenshin, do Chisao e do Sugawara.

Aoba: (Tô frito, tô morto e tô enterrado vivo!)

Reiji: Fico feliz que a Saeko nos mandou aqui para revelar toda a verdade. Unami merece muito pagar por todos os seus crimes.

Kogoro: Especialmente pelo crime de falsas acusações contra a gente. Está vendo, seu maldito? Se não fosse por você, nós não estaríamos nesta cilada!

[Kogoro aponta o dedo para Aoba.]

Aoba: (E estes são meus carrascos pessoais...)

[Todos no tribunal discutem. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem! Ordem no tribunal! Kogoro, você tem certeza que viu Zenshin ser morto?

Kogoro: Não estávamos nesta mansão a toa. Queríamos procurar Unami e impedir que mais pessoas inocentes sejam afetados pelo seu plano de vingança... Que nem Tsubame e Ayane foram.

Aoba: (Tsubame e Ayane?)

Saeko: De acordo com os médicos, Tsubame e Ayane também foram baleadas. As balas que foram tiradas de seus corpos são iguais as que foram usadas para matar Zenshin.

Juiz: Oh, mas isso é um caso sério. Dá pra ver que elas eram vítimas de um homem cuja obsessão por poder é quase ilimitado.

Saeko: De fato, eu não posso negar que Unami foi longe demais. O fato de que ele quase matou duas jovens adultas deixa claro que o patriarca tem todos os motivos para ser preso. Três pessoas mortas em seu nome... Um suicídio... Uma armação. Não podemos nos precipitar. Unami deve pagar pelos seus crimes aqui e agora. Meretíssimo.

Juiz: Bem, parece que está na hora de declarar o veredito... Mas antes, eu vou precisar que Aoba comece a analisar o testemunho.

Saeko: Mas Kogoro revelou a verdade!

Juiz: Porém ele tem o direito de ser interrogado. Ele realmente viu Zenshin morrer nas mãos de Kogoro?

Aoba: (Pera... O juiz está me dando a oportunidade para interrogar Kogoro?)

Juiz: Então, Aoba, podemos começar o interrogatório?

Aoba: A qualquer momento.

Juiz: Ótimo. Que comece o interrogatório. Vamos ver se Kogoro está escondendo alguma coisa.

Aoba: (Vai ser uma oportunidade perfeita para salvar Haruka. Agora é ver como eu vou conseguir tirar informações de um delinquente como o Kogoro...)

[Aoba e Saeko se encaram.]

Aoba: Pergunta... A este ponto, Chisao já estava morto?

Kogoro: Exatamente. Ele se suicidou para que ele não fosse punido pelo patriarca. Eu podia diz que seu suicídio foi merecido, mas considerando atuais revelações...

Juiz: Se refere ao fato de Zenshin e Chisao serem relacionados?

Kogoro: Exatamente. Zenshin e Chisao... Foram adotados pelo mesmo homem... E usados para um mísero objetivo de vingança.

Saeko: Em outras palavras, incriminar você e o Reiji.

Kogoro: A esse ponto eu e Zenshin éramos inimigos. Eu deixei claro que não tinha um irmão. É triste, mas infelizmente essa é a verdade.

Juiz: Uma pena. Mas vamos continuar com o resto do assunto.

Aoba: Você e Reiji lutaram contra Zenshin, certo?

Kogoro: Sim. Foi uma batalha muito arriscada. A princípio foi um mano a mano, mas eu e Reiji decidimos tomar o controle da situação juntos.

Aoba: (Aposto que envolveu vários hematomas...)

Kogoro: Se tem uma coisa que eu e Reiji não nos arrependemos, é de nossa luta contra Zenshin. Lutar contra ele foi essencial para impedir que Unami consiga conquistar o Japão.

Juiz: Compreensível, mas ainda assim algo que não deve passar batido. Vocês não deviam agir como vigilantes. Isso é trabalho de um policial.

Kogoro: Você tá falando igual ao diretor do meu colégio.

Juiz: O que você disse?

Aoba: (Ele realmente tem uma língua afiada. Melhor impedí-lo enquanto é tempo.)

Saeko: Vamos continuar nossa análise. Isso é algo que devemos resolver com palavras, não com violência.

Aoba: (Falou e disse...)

[Aoba se recompõe.]

Aoba: Você testemunhou Unami usando a espingarda para matar Zenshin?

Kogoro: Mas é claro, por quê?

Aoba: É que eu tenho várias dúvidas em relação ao seu conflito.

Kogoro: Eu nunca fui com a cara do mafioso desde o dia em que ele atacou o pai de um amigo meu, mas quando ele se aproveitou de Zenshin e Chisao para me culpar pela morte de Sugawara, decidi que ele já passou dos limites.

Juiz: Você e Unami devem ter sido inimigos por um longo período de tempo.

Kogoro: Na verdade não. Foram só duas vezes.

Aoba: Dois?

Saeko: Pouco, mas o suficiente para despertar a fúria de um estudante.

Aoba: Podemos continuar?

[Kogoro não diz nada.]

Aoba: Acho que não preciso dizer como tudo isso terminou.

Kogoro: Não mesmo. Mas vamos dizer que Unami teve o que mereceu por matar Zenshin, ordenar a morte de Sugawara e atirar nas minhas amigas.

Juiz: Tudo isso!?

Saeko: O que Kogoro fez foi selvagem, mas a este ponto Unami já estava em uma situação deplorável.

Aoba: (Agora eu estou começando a entender tudo... Mas ainda assim, eu preciso jogar toda a verdade para cima do delinquente... Tomara que ele esteja preparado.)

Juiz: Com isso parece que a análise do testemunho do Kogoro-san já está concluiído. Não temos mais nada a escavar.

Saeko: Está vendo? Esta é a natureza de Unami Sakuma. Um parasita opressor que deseja obter mais e mais, e não cansa até que ele tenha tudo o que quer. Se depender de suas escolhas, ele até tem a audácia de querer tomar os céus. E então, o que você tem a dizer sobre isso?

Aoba: Isso não faz diferença. Até porque a este ponto, Kogoro ainda não sabe sobre a verdade por trás do plano de vingança de Unami.

Saeko: Pra que ele precisa saber?

Aoba: Para que ele esteja ciente... De que Unami não tinha a intenção de tomar Tóquio por nada.

Kogoro: O quê?

Aoba: Kogoro, você já se perguntou porque Unami queria tomar a cidade de Tóquio?

[Kogoro fica confuso.]

Saeko: Ainda com esta conversa mole?

Juiz: Eu temo que esta sua teoria a este ponto já está...

Kogoro: Com licença... Advogado-san... Mas o que foi que você disse... Sobre o maldito do Unami?

Aoba: Hmmm?

Kogoro: Você acha que Unami tem mesmo um motivo para tomar a cidade de Tóquio!? Escute aqui, aquele desgraçado tinha todos os motivos para acabar com a minha vida! Foi ele que armou contra mim usando dois delinquentes para me incriminar! E além disso... Ele matou uma pessoa... Que realmente podia ter sido meu irmão. Acha mesmo... Que Unami tinha uma razão pra fazer isso?

Aoba: (Se tudo der certo, Ichiro terá tempo o suficiente para salvar Haruka...)

Juiz: Tomara que você tenha uma boa explicação pra tudo isso, Aoba.

Aoba: Certo. Kogoro... Reiji. O verdadeiro motivo para que Unami queria tomar a cidade de Tóquio para si... Foi para que ele pagasse uma dívida para o atual líder do submundo do crime. Uma dívida de 100 bilhões de ienes, ainda por cima.

Kogoro: O quê?

[Aoba bate na mesa.]

Kogoro: E então, Kogoro?

[Aoba aponta o dedo para Kogoro.]

Aoba: Esta é a explicação que você queria?

Kogoro: O quêeeeeeeeeeeeeeeeeee!?

[Todos no tribunal discutem. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem! Ordem! Ordem no tribunal!

Kogoro: Mas isso é um absurdo! Nunca que eu esperaria Unami, de todas as pessoas, estar envolvido em dívidas.

Aoba: Honestamente... Nem eu.

Kogoro: Você só pode estar brincando... Um patriarca querendo conquistar a cidade por dinheiro, e ainda por cima para pagar outro patriarca?

Saeko: No entanto... Não chega a ser tão surpreendente... Se Unami fosse capaz de usar toda a sua influência para se livrar do atual líder do submundo.

Juiz: De fato. A dívida de 100 bilhões de ienes é algo que deve ser estudado com muita cautela, especialmente em relação ao atual relacionamento entre o Clã Sakuma e o Clã Ayashige.

Kogoro: Mas ainda assim... Nunca me chegou a mente... Que Unami estava endividado...

Aoba: (Kogoro não me parece estar bem da cabeça. Será que é por causa da verdadeira natureza dos objetivos de Unami?)

Kogoro: Ainda assim... Não me levem a mal. Eu não tenho o direito de me simpatizar com ele nesta situação. O que tá feito ta feito. Unami é um criminoso que preferiu jogar sujo a ter um emprego legítimo. Ele é um tolo. Um tolo miserável.

Juiz: Então esta é sua declaração?

Kogoro: Sim.

Saeko: Como era de se esperar de um delinquente.

Aoba: (Haruka... Por favor... Tomara que você ainda esteja viva...)

Juiz: Agradeço muito pelo seu depoimento. Kogoro, Reiji, vocês podem se retirar.

Reiji: Mas e quanto ao assassinato de Sugawara!?

Kogoro: Quero dizer, não fomos nós que matamos ele.

Saeko: A promotoria permite que eles possam explicar tudo.

Juiz: Permissão concedida.

Kogoro: Eu e Reiji fomos presos pela morte de Sugawara, e nós mesmo fugimos da Tenchi Souzou para poder encontrar os verdadeiros culpados da cena do crime.

Reiji: Francamente, nunca pensamos que isso ia acabar em uma conspiração onde um patriarca queria pagar as suas dívidas ao mesmo tempo que ele queria se vingar da gente.

Kogoro: Pra não falar que toda esta armação foi bem elaborada.

Saeko: Se me permite dizer, recebi informações sobre alguns responsáveis que estiveram por trás da morte de Sugawara.

Juiz: Me permita dizer.

Saeko: Um deles é Yomogi Okkotsu. Soa familiar?

Juiz: Oh... Ele é o empresário que denunciou Kogoro e Reiji como os assassinos de Kaoru Sugawara. Se não fosse por ele, o caso não teria sido resolvido!

Saeko: Acontece que o empresário em questão é um impostor. Um farsante.

Aoba: O quê!?

Saeko: Yomogi é, na realidade, um homem rico que trabalha para o Clã Sakuma e posa como empresário para levar seus alvos para a Yakuza para que eles lhe sirvam de escravos.

Juiz: Mas isso é um absurdo!

Saeko: Ele pode ter ajudado Unami a garantir que Kogoro e Reiji não saiam deste tribunal como culpados.

Juiz: E onde ele está agora?

Saeko: Infelizmente ele foi dado como morto, de acordo com o detetive Ichiro. Inclusive ele mencionou que o assassino veio de terras estrangeiras. Mais precisamente, de Hong Kong.

Aoba: (Hong Kong...)

Saeko: Ichiro me deu informações muito especiais em relação ao assassino em questão. Começando com isso aqui.

[Saeko dá para o juiz um cartão. O cartão é de cor preta e tem o desenho de uma lótus vermelha. Aoba reconhece o formato, e tem um flashback no qual Touma/Sanshiro lhe deu um cartão de cor branca com o desenho de uma lótus verde.]

Juiz: Este cartão é muito interessante. Ele pertence a alguém?

Saeko: A um assassino vindo de Hong Kong... Cujo nome é Li Yun Hong.

Juiz: Assassino... Pera, você disse assassino!?

Saeko: Exatamente.

Aoba: (Li Yun Hong...)

Saeko: Eu irei tentar falar com ele para ver se ele vai se apresentar ao tribunal. Se este for o caso... Isso pode explicar muita coisa.

Aoba: (Um assassino de Hong Kong...)

[Aoba tem um flashback de Touma.]

Aoba narrador: É aquele mesmo desgraçado que pegou a Haruka...

[O flashback acaba.]

Saeko: Se me permite, Meretíssimo. Um intervalo de uma hora é o suficiente para que o assassino chegue até aqui para um interrogatório.

Juiz: Então está decidido. Mas tem certeza disso? Você disse que o assassino em questão é de Hong Kong.

Saeko: Ele está aqui no Japão... Armando alguma coisa. Ele está ciente de que seu cliente está em uma enrascada...

Aoba: (Isso significa que Haruka não está muito longe... Essa é a oportunidade perfeita para tentar salvá-la.)

Juiz: Bem, já está decidido. A corte terá um intervalo de uma hora para que Li Yun Hong chegue para um depoimento. Caso encerrado.

[O juiz bate o martelo.]

Aoba: (Ufa. Ainda bem que Unami não foi declarado culpado de imediato, mas ainda assim estou começando a ter calafrios...)

[Quando Aoba e Saeko estão saindo, Kogoro e Reiji começam a perceber alguma coisa errada no advogado.]

Kogoro: Reiji-san, você viu isso?

Reiji: Sim. Parece que o advogado de defesa esta nervoso. O que você acha que aconteceu com ele?

Kogoro: Eu não faço ideia. Vamos dar uma olhada.

[Cenário: Tribunal de Tóquio, sala de espera.]

[Aoba está apreensivo pois está ciente de que ele vai ter que lidar com o assassino Li Yun Hong. Ele se surpreende ao ver Jun.]

Jun: Aoba-kun!

[Jun abraça Aoba.]

Jun: Eu estava preocupado com você, e pensei que você ia perder o caso.

Aoba: Psiu... Tem gente olhando.

[Aoba aponta para Unami.]

Jun: Eu sinto muito!

Aoba: (Certas coisas nunca mudam...)

Jun: Aoba, eu tenho que te contar! No caminho para o tribunal eu me encontrei com vários policiais. Parecia que tava tendo uma blitz ou algo do tipo!

Aoba: Melhor não falar sobre isso. Pelo menos não aqui.

Jun: Oh...

Aoba: Olha, eu tô numa enrascada. A próxima testemunha é o mesmo responsável que raptou a Haruka. A esta altura do campeonato, Unami está fazendo de tudo para que eu dê a ele o veredito de inocente.

Jun: Sei. Mas você não pode fazer isso! Se ele for declarado inocente, sua reputação de bom advogado vai pro ralo!

Aoba: Ele já está no ralo faz muito tempo.

Jun: Gostaria de fazer algo por você!

Aoba: Melhor que você não piore as coisas. Um passo em falso e...

Jun: Mas não podemos deixar que Unami saia daqui impune!

Aoba: Eu sei disso!

[Sem que Jun e Aoba saibam, Kogoro e Reiji estão espiando os dois discutindo.]

Kogoro: (Parece que o Aoba está realmente encrencado.)

Reiji: (Considerando a última vez que ele tentou defender a gente... Ele tem todas as razões para estar nesta situação.)

Droga! O que eu tenho que fazer agora... Se eu não fizer alguma coisa logo...

Jun: Calma. Calma. Vai dar tudo certo. Você só precisa ficar calmo e disser o que tem que ser dito.

Aoba: Falar é fácil. Não é você o advogado.

Jun: Tch... Mas a questão é que você precisa se acalmar. Você não pode se irritar a toa. Lembre-se. É a vida de sua irmã que está em risco. Aliás, é apenas uma hora de intervalo. Uma boa oportunidade para que você se acalme.

Aoba: Obrigado.

Jun: Bem, eu tenho que ir agora. Vou aproveitar este intervalo para comprar alguns onigiris. Até mais.

[Jun então sai.]

Aoba: Até logo.

Unami: E então, o barulhento saiu?

Aoba: Sim.

Unami: Parece que conseguiram pegar o rastro dos meus homens. Estou cercado.

Aoba: A polícia realmente sabe das coisas.

Unami: Hmph. Você sabe o que vai acontecer se os tiras descobrirem o meu plano...

Aoba: Qualquer um pode detectar o rastro da Yakuza. Agora eles sabem de tudo sobre os seus planos.

Unami: Seu desgraçado.

Aoba: Não se preocupe. Você ainda não recebeu seu veredito, portanto você pode ficar calmo.

[Unami fica enfurecido.]

Unami: Diga o que quiser, mas eu tenho outros planos. Você não vai se safar dessa.

Aoba: (Tirou as palavras da minha boca...)

[Unami fica calado.]

Aoba: (Não se preocupe Haruka, estou quase terminando o caso. Agora você precisa ficar calma e continuar viva.)

[Kogoro e Reiji continuam observando Aoba e Unami conversando.]

Kogoro: Então é isso que está acontecendo.

Reiji: Unami está fazendo a irmã da Aoba de refém? Que absurdo!

Kogoro: Gostaria de dizer a mesma coisa.

Reiji: Por que a gente não vai falar todo o assunto para a Saeko-san?

Kogoro: Tá maluco? Se ela souber disso, o Unami vai ferrá-la do mesmo jeito que ele fez com a gente!

Reiji: Fala da Haruka ou da Saeko?

Kogoro: (Depois eu é que sou o idiota...)

[Minutos mais tarde, Aoba ainda está na sala.]

Aoba: (Daqui a alguns minutos será a segunda parte do julgamento, e a esse ponto Haruka já está correndo um grave risco... Preciso manter a calma e confiar no Ichiro, mas eu também preciso evitar maiores problemas. Tudo o que resta agora é tentar se equilibrar.)

????: Aoba-kun...

Aoba: Akeno?

[Aoba tem uma visão de Akeno.]

Akeno: O tempo está correndo. Você precisa revelar toda a verdade para o tribunal.

Aoba: Mas como posso fazer isso? A este ponto?

Akeno: Ichiro está fazendo de tudo para que Haruka esteja sã e salva. Além disso, quem você irá enfrentar neste julgamento é um assassino muito perigoso.

Aoba: Sei.

Akeno: Portanto, esteja preparado. Mais do que nunca você precisa acreditar em si mesmo e usar todas as suas armas para dar o ataque final.

Aoba: Mas como...

Akeno: Não vai ser o juiz que vai fazer a declaração final. Vai ser você. Lembre-se... Este julgamento... Não irá apenas decidir o destino de Unami... Mas o destino de toda a Tóquio.

Aoba: Akeno.

Akeno: Agora vá... E faça o que deve ser feito.

[Akeno então desaparece.]

Aoba: Akeno-san... Você tem razão... Eu vou continuar lutando...

[Aoba então acaba se encontrando com Jun.]

Aoba: Jun?

Jun: E aí Aoba-san, tudo beleza?

[Aoba vê que ele está com um bolinho com cobertura de chocolate.]

Aoba: Mas o que é isso?

Jun: Um bolinho. Tava na promoção. Eu fui comprar onigiris pra comer, mas quando eu vi que os bolinhos estava na promoção, eu me lembrei de você então eu fui compra-lo pra ver se você não entre no tribunal de barriga vazia.

Aoba: Obrigado.

[Aoba come o bolinho.]

Jun: E então, você está preparado?

Aoba: Eu não sei...

Jun: Relaxa... Tente manter a calma que tudo vai dar certo.

Aoba: Mas é a vida da minha irmã que está em risco!

Jun: Agora que você me fez lembrar dela... Bem. Lembre-se do seu verdadeiro objetivo... Que é levar aquele criminoso para a cadeia, mas só depois de encontrarem a Haruka, tudo bem?

[Aoba não diz nada.]

Jun: Temo que a este ponto estamos mortos... Mas lembre-se que você fez o melhor que pode. A Haruka... Ela confia em você. Ela não deixaria que você fosse capaz de arranjar para que um criminoso como Unami conseguisse sair impune.

[Aoba se lembra do que Haruka disse quando eles estavam se falando no telefone.]

Haruka: Eu sei! Eu não me importo! Se eu descobrir que você ganhou o caso, eu nunca vou te perdoar! Eu... Eu sinto muito...

[O flashback acaba.]

Aoba: Tem toda a razão.

Jun: Boa sorte, Aniki! Você vai conseguir.

Aoba: Beleza.

[O smartphone de Aoba toca.]

Jun: Parece que alguém quer falar com você.

[Aoba liga o smartphone.]

Aoba: Olá?

????: Aoba-san, tenho boas e más notícias!

Aoba: A má primeiro, Ichiro.

Ichiro: O assassino conseguiu escapar com a Haruka.

Aoba: Droga!

Ichiro: Mas tenho uma boa notícia. Conseguimos encontrar o esconderijo.

Aoba: E aí?

Ichiro: Parece que Haruka ficou lá por um longo período de tempo e só agora que ela fugiu. Mas eu tenho uma melhor... A polícia está seguindo a trilha dos mafiosos, pra não falar que o assassino irá finalmente entrar no tribunal.

Aoba: Sei disso.

Ichiro: O problema é que ele vai fazer de tudo para que Unami não seja declarado culpado. Ele vai mentir. Esteja ciente disso.

Aoba: Valeu.

Ichiro: Bem, não tenho nada a dizer exceto boa sorte. Mas vou continuar procurando pela Haruka-san.

Aoba: Obrigado.

Ichiro: Até mais. E lembre-se... Mantenha a calma e não se estresse.

[O smartphone se desliga.]

Aoba: (O assassino conseguiu escapar, mas não por muito tempo. Preciso revelar toda a verdade para o tribunal de imediato.)

Jun: E aí?

Aoba: Estou salvo... Por enquanto.

Jun: Preciso ir agora. Vou para o tribunal como um convidado de honra.

[Jun então sai.]

Jun: Diga a Haruka que eu mandei um oi. Tchau!

Aoba: Até mais.

[Aoba olha pra Jun.]

Aoba: (Bem, vamos que vamos. Estou nervoso, mas sei que vai dar tudo certo... Ou não.)

Policial: O intervalo já está acabando. Já estão prontos?

Unami: É hora de ir. Lembre-se... Você sabe o que vai dizer para as pessoas no tribunal, não vai?

[Aoba não diz nada.]

Unami: Não importa o que eles façam, você nunca vai ver sua irmã novamente.

Aoba: Fale o que quiser, mas eu confio nos meus entes queridos. A Haruka vai sobreviver! Eu sei disso.

Unami: Belas palavras, mas eventualmente elas serão palavras vazias.

Aoba: Maldito...

Unami: Hahahaha... Vamos. Para o tribunal.

[Aoba e Unami vão para o tribunal.]

Aoba: (Haruka...)

[Cenário: Tribunal de Tóquio, sala 2]

[O julgamento de Unami continua.]

Juiz: A corte repõe o julgamento de Unami Sakuma. Estão todos prontos?

Aoba: Melhor do que nunca.

Saeko: Vamos acabar com esta farsa.

Juiz: E então, o que sabemos?

Saeko: Aoba clama que o patriarca tem uma dívida de 100 bilhões de ienes para a família Ayashige. Porém não foi deixado claro se ele quis mesmo cumprí-la.

Juiz: Sim. E ainda temos implicações de que Unami queria esfaquear Jouichiro.

Saeko: Mas uma coisa é certa. Unami tem como meta poder assumir a posição de chefe supremo do submundo do crime.

Aoba: (Se bem que algo deste tipo existe...)

Juiz: Então, como é que está a testemunha?

Saeko: Se preparando para o depoimento. Ela vai nos dar todas as respostas para ver se Unami é mesmo inocente... Embora considerando tudo, a testemunha vai preferir mentir na cara dura a soltar o verbo de imediato.

Aoba: (Mas é por uma boa causa. A vida da minha irmã está em risco.)

Saeko: Como vocês devem saber, a existência de um assassino dentro do Clã Sakuma foi confirmado através deste cartão.

[Saeko mostra o cartão de Li Yun Hong para o tribunal mais uma vez.]

Saeko: Até porque, este cartão não é um cartão de visitas qualquer. Ele é um cartão de visitas de um infame assassino profissional das terras do leste.

Juiz: Chinês? Mas quem iria mandar um assassino estrangeiro para ajudar em seu trabalho sujo?

Saeko: Quem, se não um patriarca?

Aoba: (Haruka... Haruka...)

Saeko: Como eu disse antes, o dono deste cartão é Li Yun Hong, de Hong Kong. Ele é conhecido por ser um dos mais infames assassinos de Hong Kong, inclusive ele é bem respeitado por todo o submundo do crime.

Juiz: Por todo o submundo do crime?

Saeko: Exatamente. Uma pessoa como Li Yun Hong está disposta a fazer qualquer negócio com qualquer tipo de criminoso... Especialmente um como Unami, patriarca do clâ Sakuma.

[Todos na audiência ficam surpresos com um assassino profissional sendo envolvido em uma conspiração. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem no tribunal! Então, como tava dizendo...

Saeko: A súbita aparição de Li Yun Hong em Tóquio, especialmente durante o dia em que o clã Sakuma estava tentando tomar conta da capital, prova exatamente que Unami foi o responsável pela morte de Zenshin.

Aoba: Não! Isso é mentira!

Saeko: Infelizmente esta é a verdade. Aoba Matsunaga.... Seu cliente é um mafioso. Um perigoso patriarca. Uma ameaça até para o próprio submundo do crime. Você viu o que ele fez com Kogoro e Reiji, não fez?

[Aoba não diz nada.]

Juiz: Isso é sério. A este ponto eu não tenho outra escolha exceto dar o veredito de imediato.

Aoba: (Agora é tudo ou nada. Vamos lá!)

Juiz: Mas antes vamos ter uma palavrinha com a testemunha. O tal assassino de Hong Kong, Li Yun Hong. Saeko.

Saeko: A promotoria chama uma testemunha. Li Yun Hong, apresente-se para a corte imediatamente.

[Uma misteriosa garota aparece na corte. Ela tem longos cabelos pretos trançados, olhos roxos e se veste como uma empregada, com um longo vestido preto e um avental branco.]

Aoba: (Este é Li Yun Hong? Pelo que eu saiba, ele tinha uma voz de homem.)

Saeko: Eu não faço ideia do que você está fazendo aqui, no entanto, diga o seu nome e ocupação.

Garota de cabelos pretos: Meu nome é Mei Ling. Trabalho como empregada, mas hoje eu falo por Li Yun Hong.

Juiz: Oh... Li Yun Hong... Li Yun Hong!? Fala do assassino profissional!?

Mei: Sim. O lendário assassino de Hong Kong. Um demônio sem remorso, mas leal ao seu cliente.

Saeko: Então seu patrão decidiu mandar você para que você falasse por ele, certo? Hmph. Tem sorte de ser apenas uma mera empregada.

Mei: Não me subestime. Eu não pareço forte, mas sou capaz de lutar contra 100 de vocês.

Aoba: (Então Yun Hong mandou Mei para o tribunal enquanto ele está ocupado mantendo Haruka em cativeiro... Isso não vai ser nada bom.)

Saeko: Preocupado?

Aoba: Não muito.

Saeko: Mei é o tipo de pessoa que você não gostaria de irritar. Então a menos que você não queira ter a cabeça no lugar, se comporte enquanto ela estiver falando.

Aoba: Tudo bem. Não tenho segundas intenções com ela...

[Aoba olha para o teto.]

Aoba: (Queria que a Haruka estivesse aqui... Ela pelo menos me dava conforto...)

Saeko: Mei Ling. Então o assassino te mandou aqui para falar por ele, certo? Você está ciente de que seu possível cliente está aqui esperando veredito, então diga o que você sabe sobre o que aconteceu nos últimos dias.

Mei: Diga o que quiser. Yun-sama foi de grande ajuda em uma conspiração contra Tóquio, então eu sei de tudo o que ele sabe.

Aoba: (Ótimo... Então vamos lá.)

Juiz: Então se você não tem nada a dizer, comece o seu testemunho.

Mei: Certo.

[Aoba e Saeko se encaram.]

Mei: Mestre Yun veio de Hong Kong ao Japão para uma tarefa — Ajudar um homem ambicioso em uma conspiração. Quando ele chegou a cidade, tudo já estava como planejado. O plano não deu certo, mas meu cliente teve uma casualidade em mãos – Zenshin Minazuki. Uma pena que ele falhou em submeter a capital para o submundo do crime.

Juiz: Você não parece ter papas na língua, aliás, você trabalha para um criminoso.

Mei: E sim, um dos maiores criminosos de Hong Kong.

Saeko: Vê? O que ela diz é verdade. Unami matou Zenshin após este ter falhado em tomar Tóquio para si. E então Aoba, alguma declaração?

Aoba: (O que tenho que fazer? A esse ponto ela falou toda a verdade! Exceto...)

Juiz: Advogado, o que você tem a dizer?

Aoba: Mei pode ter dito tudo o que sabe, mas é meu dever como advogado interroga-la. Aliás, ela não mencionou o nome do seu cliente em nenhum momento. Quem sabe ela esteja escondendo alguma coisa?

Mei: Diga o que quiser, mas estou ciente de que tudo o que eu falei vem do próprio Yun Hong. Ele nunca mentiria para seu mestre.

Aoba: (Mas ele mentiria para a corte como a cobra que ele é...)

Juiz: Então, se você estiver preparado, pode começar com o interrogatório.

Aoba: Certo.

[Aoba e Saeko se encaram mais uma vez.]

Aoba: O homem em questão é Unami Sakuma?

Mei: Mestre Yun não gosta de mandar informações desnecessárias, exceto em ocasiões especiais.

Saeko: Atreva se a negar quem foi o mandante e você irá encarar a justiça japonesa! Mesmo que você possa ser capaz de enfrentar 100 homens.

Mei: Não vou dizer o nome do mandante. Foi uma ordem direta do mestre.

Aoba: (Pelo menos eu não irei me preocupar em com o fato de que minha vida está por um fio.)

Juiz: Então você é leal ao assassino a ponto de não querer dizer quem é o responsável.

Mei: Isso mesmo.

Juiz: Vamos continuar as análises.

Aoba: Yun Hong... Ele chegou ao Japão antes ou após o assassinato de Sugawara?

Mei: Sugawara?

Juiz: Talvez você não saiba, mas Sugawara foi a vítima que fora morta por Zenshin e Chisao.

Mei: Oh, os irmãos de Kogoro e Reiji.

Saeko: Em um senso... Exceto que não.

Aoba: Sabe de alguma coisa sobre isso?

Mei: Infelizmente não.

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Saeko: Talvez você não esteja ciente de que o mandante tinha outros planos para o seu mestre.

Mei: Eu também sou uma assassina. Fazemos trabalhos separados. Porém não vou hesitar em matá-lo se tudo der errado.

Aoba: Sempre soube que ladrões eram desonrosos, mas não deste tipo.

Saeko: Também não irei hesitar em levar você a justiça se você estiver mentindo.

Mei: Lembrem-se... Não fui eu que matei as vítimas.

Juiz: Mas mesmo assim, isso te faz uma cúmplice.

Saeko: Vamos continuar com o assunto. Esta conversinha me da nojo.

Aoba: Quem é Zenshin de que você fala?

Mei: O irmão falecido de Kogoro Minazuki, delinquente da Rekka abandonado pela sua própria família.

Saeko: Aoba, porque você perguntou algo deste tipo?

Aoba: Talvez porque ela esteja fora do loop?

[O juiz balança a cabeça pra cima e pra baixo.]

Juiz: Mesmo considerando quem Zenshin é de verdade, Unami foi o responsável pela sua morte.

Aoba: (Ou talvez Mei não saiba de nada sobre quem Unami é de verdade...)

Saeko: (Mei-san, você pode falar mais em relação aos planos do seu cliente para Tóquio?)

[Mei não diz nada.]

Aoba: Mei-san... Você sabe de mais alguma coisa sobre o plano de seu cliente?

Mei: Eu só estou aqui representando o mestre. Não sei de muita coisa sobre o plano do cliente, exceto que ele deseja tomar a capital.

Saeko: Só pra deixar claro... Seu cliente queria tomar Tóquio para si?

[Mei não diz nada.]

Juiz: Mei Ling, fale tudo o que você sabe sobre o plano de seu cliente.

Mei: O que ele deseja é tomar a cidade. Isso é tudo que posso dizer.

Aoba: Mei-san... O plano envolvia dinheiro?

Mei: Sim. 100 bilhões de ienes. Ele pretendia usar o dinheiro para alguma coisa, talvez vender a cidade para o mercado negro?

Aoba: (Eu sabia...)

Saeko: Nunca pensei que você fosse tão fácil de ser convencida. Surpreendente para alguém deste tipo.

Mei: Eu só fiz isso porque estou no tribunal. Esta é a verdade que o mestre quer que eu diga para a corte japonesa.

Juiz: Mas ainda assim, se encaixa perfeitamente com a teoria do Aoba. Mei-san, permita que você adicione isso em seu depoimento.

Mei: Sim, Meretíssimo.

[Mei para um pouco e explica tudo para a corte.]

Mei: O que o cliente do mestre Yun desejava são 100 bilhões de ienes.

Aoba: Um momento! Mei, seu mestre tinha intenções a mais em relação ao dinheiro?

Mei: Nada que me foi dito. Você pode me explicar a razão?

Aoba: (Espere um instante... Mei não sabe de nada sobre o dinheiro?)

Mei: O que meu mestre disse é que o cliente queria dinheiro. Ele não falou nada sobre suas intenções para ele.

Saeko: Talvez ele tenha planejado omitir estas informações para que Mei consiga convencer o tribunal de que Unami seja inocente. E até agora estamos jogando o jogo dele.

Juiz: Tem toda a razão, promotora.

Mei: Jogo?

Aoba: Mei-san... Você quer mesmo que eu fale sobre o dinheiro usado pelo cliente do seu mestre?

Mei: O que você sabe sobre ele?

Aoba: Bem, acontece que... Seu cliente... Está com grandes dívidas. Uma dívida de 100 bilhões de ienes.

Mei: Como assim?

Aoba: Antes de seu mestre ter chegado ao Japão, seu cliente foi preso. Eventualmente ele acabou sendo liberto por um dos clãs do submundo do crime. Mas tudo tem um preço... 100 bilhões de ienes é a divida que deve ser paga em dinheiro.

Mei: Uma dívida em dinheiro?

Aoba: Conhece o clã Ayashige?

Mei: É um dos maiores clãs do submundo do crime, pelo menos no Japão.

Aoba: Seu cliente quer o dinheiro para pagar uma dívida ao seu salvador. Foi por isso que ele criou todo este plano. Sua vingança contra Kogoro e Reiji era secundária a tudo.

Mei: Então está dizendo...

Saeko: Protesto! Mas tem uma outra camada nesta historia. Em questão ao clã Ayashige.

Juiz: Exatamente. Unami deseja os 100 bilhões de ienes... Mas ele também não pretende cumprir sua promessa.

Saeko: Ele tem como intenção poder esfaquear seu rival, e tomar a posição dele de líder do submundo do crime. Esta é a natureza de seu cliente. Um mafioso que não deseja nada exceto tirar tudo o que os outros tem e toma-los para si mesmo.

Mei: Então...

Aoba: Se este for mesmo o caso, qual sua opinião em relação a isso?

Mei: Como era de se esperar de um criminoso miserável. No entanto... Desde que o cliente não tenha a intenção de jogar meu mestre na sarjeta, estou em bons termos.

Saeko: Lealdade condicional... Você e seu mestre parecem ter um senso de honra venenoso.

Mei: Mas é assim que o meu mestre trabalha. Inclusive ele mesmo não é exceção a regra.

Juiz: Fico surpreso ao perceber que até mesmo uma bandida como você tem um código de honra.

Mei: É uma lei no submundo do crime. Mas tem uma outra que eu gostaria de mencionar aqui. Não somos amigos e não somos parceiros. Um passo em falso, e você fica pra trás.

Aoba: (Uau. Ainda bem que me formei em advocacia e não em criminalidade.)

Saeko: Foi um prazer ver você aqui, mas infelizmente nós gostaríamos de ver o verdadeiro Li Yun Hong em pessoa.

Mei: Ele não pode vir. Está ocupado.

Aoba: (Oh oh...)

Saeko: Como assim ocupado?

Mei: Acontece que ele está cuidando de alguns detalhes especiais, e por isso ele me pediu para que eu falasse por ele.

Saeko: Que detalhes especiais?

Mei: Infelizmente é algo que eu não posso contar. Meu mestre disse que eu não posso revelar nada em relação a seus outros deveres fora do ramo de assassinato.

Aoba: (Ou seja... Ela não vai contar nada sobre o rapto de Haruka. Vai começar a mentirada.)

[Todas as pessoas no tribunal discutem. O juiz bate o martelo.]

Juiz: Ordem! Ordem no tribunal! Mei-san, tem certeza que você não deseja contar nada sobre seu mestre?

Mei: Não é meu dever delatar o trabalho dele. Só falar sobre o assunto de hoje, que se refere aos objetivos do meu cliente.

Saeko: Mas e se este trabalho envolve o cliente?

[Mei não diz nada.]

Aoba: (Agora as coisas vão começar a piorar. Um passo em falso e Haruka irá morrer com certeza. No entanto... Este é o ponto onde eu devo finalmente revelar tudo. Não posso deixar que esta oportunidade escape... É tudo ou nada. Revelar o que Unami fez irá causar um tumulto no tribunal... Mas também a este ponto Ichiro já deve ter encontrado Haruka. Eu não depositei minha confidência nele a toa. Melhor eu assumir as rédeas de imediato. É agora ou nunca!)

Juiz: E então, você tem algo mais a dizer?

Mei: Infelizmente, não. Eu já disse tudo o que podia ser dito. Em relação ao meu mestre e ao meu cliente.

[Saeko fica surpresa.]

Mei: Eu não me importo com o veredito. Apenas... continuem com o seu julgamento. Como que meu cliente vai terminar é um caso a parte. No entanto, eu deixo claro uma coisa... Meu cliente é inocente, e os verdadeiros réus estão envenenando vocês com suas palavras.

Saeko: Os verdadeiros réus?

Aoba: (Ela deve estar falando de Kogoro e Reiji... Não me surpreende... Unami está manipulando Yun Hong para suas próprias razões.)

Juiz: Você tem certeza disso?

Mei: É a palavra do mestre Yun e de seu cliente.

[Todos no tribunal ficam surpresos e discutem.]

Mei: Agora é hora de ir. Eu me despeço.

Aoba: Um momento!

[O juiz e Saeko ficam surpresos com a atitude de Kogoro.]

Aoba: Mei-san, eu gostaria que você me falasse uma coisa. Em relação aos objetivos de seu mestre.

Mei: Hmm?

Aoba: Li Yun Hong... Ele está envolvido em um negócio sujo?

Mei: A que ponto você que chegar?

Saeko: Aoba, o julgamento está quase acabando. Você tem alguma pergunta para tirar da boca dela?

Aoba: Tudo o que eu desejo é descobrir e revelar a verdade. Nada mais importa. E é por isso que eu tenho algo de especial a dizer.

Juiz: Então fale. Somos todos ouvidos.

Mei: É. Pode dizer. Contando que não seja algum truque seu.

Aoba: Truque nenhum.

Saeko: Hmph.

Aoba: O seu cliente, como você sabe, ele faz parte do submundo do crime. Ele pode fazer de tudo para que ele possa conseguir o que quer. Incluindo sequestro.

Juiz: O quê!?

[Todos no julgamento discutem.]

Aoba: Exatamente. A razão porque Li Yun Hong não veio para o julgamento e te mandou aqui... É porque ele estava ocupado cuidando de uma certa refém.

Mei: Refém?

Saeko: (Mas claro... Isso explica muita coisa! Não é a toa que Aoba estaria neste julgamento defendendo alguém como Unami. A questão é... Quem Aoba deseja tanto salvar para ele chegar até aqui?)

Juiz: Você deve ao tribunal várias explicações, advogado Matsunaga. Começando por este tal sequestro.

Aoba: Um dia antes do julgamento começar, Li Yun Hong sequestrou uma jovem. E não era uma jovem qualquer. A jovem é relacionada a um advogado.

Saeko: Este advogado... E você?

[Aoba não diz nada.]

Saeko: Você tem uma irmã chamada Haruka Matsunaga. Foi por isso que você entrou no caso. Por causa do sequestro.

[Aoba ainda não diz nada.]

Saeko: Se eu não estiver desconfiada, você só está ajudando Unami porque se você não fizer o que ele manda... Yun Hong irá matá-la. É isso, não é?

[Aoba continua não dizendo nada.]

Juiz: Advogado Matsunaga! O que você tem a dizer sobre isso!?

[Aoba fica em silêncio.]

Mei: Já disse o que você precisava dizer?

[Aoba continua calado, e as pessoas do julgamento discutem. Jun, que está no auditório, fica preocupado com ele.]

Jun: (Aoba-kun...)

[Miku, Sebastian e Kazuma também observam o julgamento.]

Miku: (O que você está fazendo.)

Saeko: Aoba...

Juiz: Aoba Matsunaga! O que você tem a dizer sobre isso?

Aoba: Esta é a verdade que vocês procuram. Unami não é apenas um bandido, ele é um manipulador, chantageador que está disposto a sequestrar pessoas para manipular seus alvos. Esta é a sua verdadeira natureza.

Mei: Então é isso.

Saeko: Isso não é o suficiente. Foi Li Yun Hong que sequestrou sua irmã Haruka?

Aoba: Sim.

Saeko: Sabia...

[Todos, com exceção do próprio Aoba, ficam surpresos com a resposta.]

Juiz: Ora ora... Isso explica muita coisa. Toda esta indignação.

Saeko: Não precisa explicar mais nada. Já sabemos de tudo.

Aoba: Sim. E não mereço nenhuma simpatia por isso. O que foi feito foi feito. E mais uma vez... Eu defendi um cliente que não é o que parece ser.

Saeko: Compreensível.

Juiz: Parece que o veredito já foi finalmente decidido. Não preciso dizer qual será o destino do patriarca Unami Sakuma. Mei, você está dispensada.

Mei: Com muito prazer.

[Mei sai da sala.]

Juiz: Tragam o réu de imediato.

[Alguns minutos se passam. Unami está na sala do julgamento, dando um sorrisinho malicioso.]

Juiz: Parece que nós finalmente chegamos a uma importante conclusão. Unami Sakuma, eu não posso ajudar mas tenho que admitir que você não é um mafioso. Você é um assassino, um miserável e uma fera sem escrúpulos.

Unami: Diga o que quiser, mas pelo menos eu venci este caso. Não importa quantas vezes vocês tentem me jogar na prisão, eu vou sempre fugir e garantir que o Clã Sakuma se tornará o maior clã de todo o submundo do crime, nem que eu tenha que usar todos os meus métodos para conseguir o que quer.

Juiz: Infelizmente você não vai escapar desta vez.

Unami: Quer apostar?

Saeko: Hmph. Nós já sabemos de tudo sobre os seus planos.

Aoba: Exatamente. Você não vai escapar.

Unami: Tem certeza?

Saeko: Todos sabem da verdade sobre você. Inclusive de como você colocou Aoba como advogado de defesa.

[Unami começa a se enfurecer.]

Juiz: Você chegou a um nível tão baixo que eu me pergunto se você realmente queria ir ao Makai com estas suas boas intenções.

Unami: Maldito...

Saeko: Você foi audacioso o suficiente para contratar um assassino para poder chantagear Aoba para que assim você consiga seu veredito de inocente. Inclusive até com ameaça de morte.

Unami: Hahahahaha... Quem se importa? Já está acabado. Eu posso até ir para a prisão, mas aquela maldita refém já está no Makai a este ponto.

[Aoba fica surpreso.]

Saeko: Tem certeza? Você pode não saber a este ponto, mas a polícia conseguiu encontrar a refém. Inclusive um certo detetive já está no rastro de seu cão de guarda.

Unami: Hahahahahaha! E daí? Eu venci! Eu já tenho tudo o que eu quero. Minha liberdade! Minha própria liberdade!

Aoba: (Ele já está ficando maluco... Parece que ele está perdendo a razão.)

Unami: Vocês achavam mesmo que iam se livrar de mim? Unami Sakuma, o futuro líder do submundo do crime? Aquele que irá se tornar o novo governante de Tóquio?

Saeko: Diga o que quiser, mas seu destino já está selado. Você está preso, e desta vez em prisão perpétua.

Unami: Tudo mentira! Tudo mentira! Igual as minhas acusações! Não fui eu que matei o Sugawara! Não fui eu que matei o Zenshin! Foram Kogoro e Reiji! Kogoro e Reiji! Aqueles delinquentes!

Juiz: Não adianta mais mentir, Unami. Você é o culpado de tudo. Nem mesmo as verdades ditas pelo Aoba podem te ajudar.

Aoba: Inclusive, eu queria poder contar uma última coisa.

Unami: Heh.

Aoba: Em relação a sua dívida de 100 bilhões de ienes que você tem com a família Ayashige... Você realmente queria pagar tudo isso ou você segundas intenções?

Saeko: Responda as acusações! Você tinha como objetivo esfaquear Ayashige e destrona-lo de sua posição de líder do submundo do crime?

[Unami não diz nada.]

Juiz: Então, o que você tem a dizer sobre isso?

[Unami então começa a rir.]

Unami: Haha... Hahahahaha... Hahahahahahahahahahaha!

[Todos no julgamento ficam surpresos.]

Unami: Acha que eu me importo com esta cidade agora!? Eu não ligo mais pra ela. Ayashige? Esta família de gente que se diz os grandes gênios do crime? São um bando de parasitas privilegiados que gostam de mandar em todas as famílias criminosas! Li Yun Hong? Apenas um fracassado que mandei apenas porque ele é um miserável que faz qualquer coisa por dinheiro! Eu até poderia me livrar dele quando ele concluir sua missão! Até a justiça de vocês que se diz justa é defeituosa, cheia de júris egoístas que não se importam com as outras pessoas e suas opiniões são rasas e imperfeitas! Olhem só! Um circo de malucos! Ahahahahahahahahaha!

[Unami então começa a bater palmas. O som das palmas fica tão alto que Unami nem consegue ouvir direito o som do público.]

Unami: Isso! Continuem! Quero ouvir mais de suas palhaçadas!

Aoba: Parece que ele pirou de vez.

Saeko: Nem me fale...

Unami: Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei! Eu ganhei!

[Unami bate palmas o mais rápido possível.]

Unami: Olhem pra mim! Eu sou Unami Sakuma! Patriarca do Clã Sakuma, e líder do submundo do crime!

[Unami então desmaia logo após se alto proclamar líder do submundo do crime. Depois disso, todos discutem no tribunal.]

Aoba: (Pelos céus...)

Saeko: (Grrr...)

Juiz: Esse é um réu que... Possui enormes problemas mentais.

[Alguns minutos mais tarde, o julgamento recomeça, mas desta vez com Kogoro e Reiji acompanhados de Unami.]

Juiz: Com todos os negócios resolvidos, eu não posso ajudar exceto dizer que o réu da vez é um homem difícil de lidar. Mas fico feliz que este caso está encerrado.

Unami: Que... Que droga.

Kogoro: Parece que o feitiço virou contra o feiticeiro.

Reiji: Tomara que sua prisão seja bem mais misericordiosa...

Unami: Maldição... Derrotado não apenas por dois delinquentes japoneses, mas também por um mísero advogado de defesa.

Saeko: Além disso, eu recebi uma notícia dos policiais... Eles conseguiram encontrar a refém... E ela está sã e salva.

Unami: Que droga.

Aoba: Bem, agora aproveite a chance para voltar para a prisão... E desta vez você não irá sobreviver a sua sentença.

Saeko: Exatamente. Sua sentença será muito mais rigorosa do que na sua última cadeia. E então, o que você tem a dizer sobre isso?

Unami: Vocês são um bando de bastardos auto-proclamados. Um dia eu vou escapar da prisão e me vingar de todos vocês!

Kogoro: Bem, boa sorte com isso.

Reiji: Vai precisar.

[Unami se irrita.]

Juiz: Parece que com todas as coisas resolvidas, eu estou pronto para dar o veredito.

[Aoba e Saeko se encaram.]

Juiz: A corte declara Unami Sakuma, patriarca do clâ Sakuma... Culpado.

[Kogoro e Reiji, ao ouvirem o veredito de Unami, pulam de alegria.]

Kogoro e Reiji: Yay! Conseguimos! Estamos salvos!

Unami: Droga... Que droga... Eu... Eu...

[Vários policiais chegam para levar Unami a prisão.]

Kogoro: Já vai tarde, patriarca otário.

Reiji: E mais uma vez ele é derrotado pela justiça.

[Aoba fica triste mas depois dá um sorriso e põe o punho pra cima...]

Aoba: (Haruka... Eu finalmente te salvei...)

[Saeko olha para Aoba.]

Saeko (Mesmo após a derrota ele está sorrindo... Parece que ele realmente tem um senso de honra.)

Ichiro: Saeko-chan...

[Saeko se assusta ao ver Ichiro.]

Ichiro: Foi muito bem saber que você deu um jeito naquele advogado de defesa espertinho. E então, como forma de comemoração, você gostaria de jantar comigo?

[Saeko coloca a mão no rosto do detetive.]

Saeko: Escute aqui, nem daqui a cem, repito, cem anos, vou ficar com alguém tão idiota como você!

Ichiro: Quanta agressividade... Eu adoro mulheres deste tipo!

[Saeko coloca a mão no seu próprio rosto como forma de indignação. Aoba vai se encontrar com a promotora.]

Aoba: Fico muito feliz pela sua vitória, Saeko-san.

Saeko: Sua vitória? Mas eu não fiz nada de especial. Só fiz a mesma coisa que eu faço todo dia.

Aoba: Mas desta vez, você conseguiu me superar. Não está orgulhosa disso?

[Saeko não diz nada.]

Ichiro: Oe, para de fuxicar a minha namorada!

Aoba: Mas nós não somos namorados! Ela é apenas minha rival no mundo da advocacia.

Saeko: Sim, e você de fato não é o meu namorado.

Ichiro: Acha mesmo?

Aoba: Tomara que você continue assim.

Saeko: Hmph. Você me deixou vencer. Não adianta me enganar... Você sabia que seu cliente é um mafioso e já cometeu um crime antes. Foi por isso que perdeu de propósito.

Aoba: Perder também faz parte da vida...

[Aoba olha para Kogoro e Reiji, que estão felizes com o fato deles terem provado sua inocência.]

Aoba: (Eu posso ter perdido o caso de hoje, mas foi por uma boa causa... Não queria que estes dois voltassem a sofrer novamente... Haruka... Muito obrigado.)

[Cenário: Tribunal de Tóquio, sala de espera.]

[Aoba reencontra Kogoro e Reiji, que a primeira vista não parecem estar muito felizes.]

Aoba: Vocês vão dar uma bronca em mim, não vão?

[Kogoro segura Aoba pela camisa.]

Aoba: (Já sei qual é a resposta.)

[Enfurecido, Kogoro encara Aoba, mas eventualmente ele o solta.]

Kogoro: Ainda bem que você fez a coisa certa. Mas mesmo assim, você perdeu.

Reiji: Depois dizem que você é um bom advogado de defesa.

Aoba: Me desculpem por tudo o que aconteceu. Honestamente eu...

Kogoro: Não precisa dizer mais nada.

Reiji: Você cometeu um erro... Mas tudo bem, não foi nada muito perigoso.

Kogoro: Mas da próxima vez, não se associe com um mafioso.

Reiji: É... Os membros da Yakuza são parada dura.

Aoba: Hahaha...

[Aoba fecha os olhos e dá um sorriso.]

????: Aoba-kun!

[Aoba, ao ouvir alguém dizer o seu nome, abre os olhos e vê Haruka viva.]

Haruka: Aoba-kun, é bom te ver!

[Haruka abraça Aoba.]

Haruka: Oh Aoba, eu estava tão preocupada com você... Eu achava que você ia deixar aquele mafioso horroroso vencer...

Aoba: É... Eu também pensei a mesma coisa.

Haruka: Ichiro veio como aqueles heróis mascarados. Lutou contra aquele bandido doido e salvou meu pescoço! Ele é tão heroico...

Aoba: É...

Haruka: Bem que eu gostaria de falar com ele... Ele é muito charmoso.

Aoba: Eu não acho que ele esteja tão interessado em você...

[Haruka fica enfurecida.]

Aoba: (Também não é culpa minha ele ser tão interessado na promotora Saeko.)

Haruka: Mas mesmo assim, eu fico feliz com o fato de finalmente termos salvo o Kogoro e o Reiji. Agora eles podem aproveitar seus dias de liberdade.

Aoba: Sim. Eles vão.

[Haruka e Aoba observam Kogoro e Reiji.]

?????: Kogoro-san!

[Kogoro e Reiji encontram Tsubame e Ayane, que entraram na sala de espera após receberem alta no hospital.]

Reiji: Tsubame... Ayane...

[Tsubame abraça Kogoro e Ayane abraça Reiji.]

Tsubame: Estávamos preocupadas com a gente. Eu achava que vocês não iam sair dessa...

Kogoro: Eu também.

[Os dois casais se soltam.]

Reiji: Parece que conseguiram pegar alta.

Tsubame: Sim. E fiquei sabendo que a promotora Saeko conseguiu salvar vocês.

Kogoro: Não apenas ela... O Aoba contribuiu com isso.

Ayane: Aoba? Mas ele é advogado de defesa.

Reiji: Hmph. Ele foi a única pessoa que não apenas revelou as intenções de Unami, como também mostrou sua verdadeira face ao cúmplice.

Kogoro: Nunca pensei que os dois teriam ideologias diferentes...

Tsubame: Bem, o mundo é cheio de pessoas diferentes.

Atsushi: Kogoro-san!

[Kogoro então ouve mais uma voz, que desta vez é de seu amigo Atsushi, que o abraça bem forte.]

Atsushi: Kogoro-san! Graças aos céus! Eu achava que você iria ser declarado culpado de novo!

Kogoro: Bem... Acontece que...

Reiji: (Se eu tivesse um iene toda a vez que eu visse alguém abraçando uma pessoa e diz que estava preocupada comigo, a esse ponto eu já teria 3.)

[Reiji dá uma olhada em Kogoro sendo abraçado por Atsushi.]

Reiji: (Ainda bem que tudo acabou bem no final das contas... Agora nós podemos descansar em paz.)

[Atsushi solta Kogoro.

Aoba: Esperem, cadê a Saeko-san?

[Cenário: Tribunal de Tóquio, fachada.]

[Aoba encontra Saeko, que está olhando a estrada.]

Aoba: Saeko-san!

[Aoba corre pra ver sua rival. Ela está calada, observando as pessoas.]

Saeko: Aoba?

[Saeko observa Aoba.]

Saeko: Tem que ser muito audacioso para se atrever a me ver de novo.

Aoba: Olha, eu...

Saeko: Eu não preciso de que você sinta pena de mim. Eu não mereço.

Aoba: Mas você venceu.

Saeko: Graças a você.

[Aoba fica surpreso.]

Saeko: Você foi a única pessoa que escolheu trair seu próprio cliente para salvar a vida de suas vítimas. Porque você fez isso?

Aoba: Porque meu desejo, como advogado, nunca foi vencer na vida... Mas descobrir a verdade.

Saeko: A verdade...

Aoba: Uma das razões porque eu quis ser advogado...

[Aoba tem um flashback do dia em que ele foi acusado de matar um colega de classe.]

Aoba narrador: Porque uma vez eu já fui incriminado... E não queria que a mesma coisa acontecesse com outras pessoas.

[Aoba também se lembra do momento em que ele esteve em um julgamento no qual ele era o réu e sua ex-namorada é uma de suas testemunhas.]

Aoba narrador: Inclusive eu até perdi uma pessoa importante naquele momento.

[O flashback acaba.]

Aoba: Você pode achar que eu vivi uma vida de felicidade, mas eu também sofri para chegar até aqui. Você nunca esteve feliz com o fato de que eu era apenas um mero sortudo... Mas na verdade você nunca soube o que fiz quando estive fora de Tóquio... Inclusive, no meu primeiro caso, eu perdi... Tudo porque não fui capaz de salvar meus clientes.

Saeko: Hmph. Você tem um grande fardo a carregar... Mas não é nada comparado com o que eu sofri.

Aoba: O quê?

Saeko: Vingança... Parecer durona na frente de seus rivais, além de ser ofuscada pelos meus irmãos. Meu pai era rigoroso, e exigia perfeição. Porém o tempo foi passando e eu me perguntava... O que estava fazendo com a minha vida? Será que tinha jeito de me recuperar. Inclusive quando eu olhei pra você... Nem parecia que você quis defender seu cliente. Você queria...

Aoba: Eu sei quem são meus clientes de verdade.

[Saeko não diz nada.]

Aoba: Pergunta... O que você pretende fazer da vida?

Saeko: Continuar assumindo a carreira de advogada de acusação. Mas também... Quero saber mais sobre o que é descobrir a verdade que você tanto procura.

Aoba: Entendo. No fim das contas não somos muito diferentes.

Saeko: Huh?

Aoba: Nós usamos de todos os métodos possíveis pra vencer, seja para culpar ou inocentar o réu... A diferença porém... Está na nossa posição.

Saeko: Entendo o seu ponto. Você sabia que sua irmã estava em perigo e mesmo assim queria defender Unami até que alguém podia salvá-la...

Aoba: Sim.

Saeko: Mas ainda assim.

Aoba: Nunca vou me perdoar por isso. Eu cometi um erro em tentar defender Unami. Eu sou um tolo.

Saeko: Parabéns por admitir.

[Aoba dá um sorriso. Saeko também dá um sorriso e ambos vão olhar o céu.]

?????: Saeko-chan!

[Saeko então vê que Ichiro está atrás dela, junto com Haruka, Kogoro, Reiji, Tsubame, Ayane e Atsushi.]

Saeko: Era só o que me faltava...

Haruka: E então, Onii-chan! Está flertando com a promotorinha?

Aoba: O quê!? Isso não é nenhum encontro! Só estamos tendo uma conversa!

Ichiro: Uma conversa entre duas pessoas. Um homem e uma mulher.

Aoba: Bem, eu tenho amigos do sexo oposto! Inclusive uma delas foi minha falecida mentora.

Kogoro: É impressão minha ou essa historia é muito familiar?

Reiji: Bem, é aquela historia. Duas pessoas do sexo oposto que dizem ser amigos mas no fim das contas são mais do que isso.

Atsushi: Friends?

Ayane: Hahahaha... Muito enganado.

Haruka: E então, que tal comemorarmos com uma ida ao cinema? Vai ter um filme dos guerreiros pilotos de corrida, os Turbo Warriors contra os Royal Rulers! Vai ser legal pilotos lutando contra aristocratas!

Aoba: Bem, eu...

Reiji: Na verdade eu não me interesso muito por Tokusatsus...

Ayane: Por favor! Vai ser a gente no cineminha assistindo um filme juntos.

Kogoro: Bem, talvez não seja uma péssima ideia. Quero aproveitar meus dias de liberdade com meus amigos.

Haruka: Então vamos aproveitar enquanto é tempo!

Aoba: E então, Ichiro-san, Saeko-san, vocês vão?

Ichiro: Mas é claro! Uma recompensa perfeita para um longo dia de trabalho. Assistir um filme de ação com espiões e agentes secretos!

Reiji: Na verdade... É um tokusatsu. É um gênero de ação, porém mais focado em super-heróis.

Ichiro: Mas tem espiões?

Saeko: Eu não sou do tipo que assiste coisa de criancinha.

Haruka: Mas tokusatsu não é só para criancinha! É para todo mundo!

Aoba: (Pelo menos os crianções...)

Saeko: No entanto, eu vou dar uma chance, até porque eu preciso relaxar um pouco. Amanhã é outro dia o que significa que eu vou trabalhar muito.

Ichiro: É, parece que é unânime. Se todo mundo vai para o cinema, eu também vou.

Haruka: E então, vamos nessa?

[Todos, com exceção de Saeko, que é séria demais para se animar, gritam “Sim”.]

????: Um momento!

[Jun então corre para ver Aoba, Haruka e todo mundo.]

Jun: Oe, vocês não podem ir para o cinema sem mim. Afinal fui eu que ajudei no caso!

Saeko: Quem é ele?

Aoba: Amigo de infância. Longa historia.

Haruka: Ele pode parecer espertinho mas na verdade é um tremendo idiota.

Jun: Eu sou um gênio!

Ichiro: Bem, vamos dar um pulinho no cinema?

[Todo mundo então vai para o tribunal ir para o cinema. Com Unami finalmente preso, Kogoro e Reiji agora estão livres para seguirem suas próprias vidas.]

[Cenário: Colégio Rekka, pátio]

[Dias depois, Kogoro está contando uma historia para vários estudantes.]

Kogoro: E foi assim que eu e Reiji conseguimos fugir do Tenchi Souzou, exploramos toda a cidade de Tóquio em busca do verdadeiro criminoso e provamos a nossa inocência. E então, o que vocês acharam?

[Os estudantes ficam discutindo em relação a historia que Kogoro contou.]

Estudante de cabelos pretos e olhos castanhos: Onii-chan, você tem certeza disso?

Estudante de cabelos e olhos azuis: Isso tudo realmente aconteceu?

Kogoro: Bem, claro que tinha muito mais do que isso, mas esse é o ponto.

Estudante de cabelos alaranjados e olhos verdes: É verdade que vocês enfrentaram rufiões não-japoneses?

Kogoro: Bem, eles são australianos... E honestamente ninguém me falou que tinha um chinês.

Estudante de cabelos vermelhos e olhos cinzentos: E o chinês, ele lutou Kung Fu? Shaolin? Jeet Kune Do?

Kogoro: Uhh... Eu não lutei contra o chinês... E pra falar a verdade ele veio de...

Estudante de verdes e olhos pretos: E aí, o que aconteceu depois?

Estudante de cinzentos e olhos pretos: Conta pra gente, nós queremos saber!

Estudantes: É, conta vai!

[Os estudantes então convencem Kogoro a contar tudo o que realmente aconteceu em relação ao crime que fez com que Kogoro e Reiji fossem jogados na Tenchi Souzou a ponto de tentarem sair do reformatório. Atrás deles estão Tsubame e Atsushi, que estão tendo uma conversa.]

Tsubame: Vai ser difícil convencê-los de que ele está dizendo a verdade.

Atsushi: É... Vai ser mesmo.

Tsubame: Bem... Então, como é que vai ser você e o Ichiro a partir de hoje?

Atsushi: Ainda estamos quites. A missão dele acabou e a partir deste hoje eu fiz uma resolução pra mim mesmo.

Tsubame: Resolução?

Atsushi: Decidi que não vou gastar mais dinheiro por um ano. Contratar alguém como Ichiro custou muito na minha mesada.

Tsubame: Mas no fim das contas deu tudo certo. Unami está preso, Kogoro e Reiji são inocentes, e é só uma questão de tempo que os comparsas do patriarca estejam todos atrás das grades.

Atsushi: Mas e quanto a Yakuza?

Tsubame: Não são todos que são culpados, só vão prender os que estão mais envolvidos com o crime. Que infelizmente não é a maioria.

Atsushi: Então a máfia está a solta?

[Tsubame não diz nada. Ela então olha para Kogoro, que ainda conta sua historia de coragem e superação.]

Tsubame: (Já faz muito tempo desde o dia em que ele e Reiji se envolveram naquele crime... Agora eles estão em paz... Tomara que continue assim...)

[Tsubame e Atsushi continuam observando Kogoro contando sua historia.]

[Cenário: Colégio Rekka, 2º ano B]

[Dentro do colégio, Kogoro ainda continua contando sua historia... Muito para o desespero do professor e de seus colegas.]

Tsubame: (Ele ainda não superou isso!?)

[Cenário: Colégio Rekka, fachada.]

[Kogoro continua contando sua aventura para Atsushi e pra Tsubame enquanto os três saem do colégio.]

Tsubame: (Pelo visto, não.)

[Cenário: Jiraiya Goketsu, cozinha.]

[Kogoro então conta toda a sua aventura para Jiraiya.]

Jiraiya: (Esse Kogoro... Aonde os pés dele irão leva-lo amanhã?)

[Cenário: Jiraiya Goketsu, fachada.]

[Cai a noite, com uma bela visão do Jiraiya Goketsu.]

Narrador: E assim, a jornada de Kogoro e Reiji para tentarem provar sua inocência finalmente chega ao seu fim. Agora os delinquentes estão livres para poderem viver suas próprias vidas. Com Unami finalmente preso, Tóquio agora pode continuar segura. Mas agora a pergunta é... Será que Kogoro e Reiji finalmente estão livres de seus problemas?

[Cenário: Em algum lugar de Hong Kong]

[Li Yun Hong caminha pela cidade quando ele acaba se encontrando com alguém familiar.]

Li Yun Hong: Nǐ zài zhèlǐ zuò shénme!?

????: Bùyòng dānxīn. Wǒ lái zhèlǐ shì wèile zuò yībǐ jiāoyì.

Li Yun Hong: Jiāoyì? Nǐ de yìtú shì shénme?

????: Rúguǒ wǒ gàosù nǐ... Guānyú bèipàn nǐ de rén zěnme bàn?

[Li Yun Hong se irrita.]

????: Bié dānxīn... Tā yǐjīng bùzàile. Dànshì... Tā de jìngzhēng duìshǒu jiù zài zhèlǐ, tā jiāng jiéshù tā de kāishǐ.

[O personagem em questão se revela com um homem de longos cabelos ruivos usando um óculos escuros vestindo uma longa jaqueta verde. Ele tira os óculos, revelando seus olhos verde-claros. A tela então fica escura, implicando que ele será um dos futuros inimigos de Kogoro e Reiji, especialmente considerando que ele é “familiar” com eles.]

[Fim]

Notas finais
Dicionário: Ni zài zhèli zuò shénme!? - Mas o que você está fazendo aqui? Bùyòng dānxīn. Wo lái zhèli shì wèile zuò yībi jiāoyì. - Não se preocupe... Eu só estou aqui para um negócio. Jiāoyì? Ni de yìtú shì shénme? - Negócio? Quais são suas intenções? Rúguo wo gàosù ni... Guānyú bèipàn ni de rén zěnme bàn? - E se eu te contar... Sobre o homem que te traiu? Bié dānxīn... Tā yijīng bùzàile. Dànshì... Tā de jìngzhēng duìshou jiù zài zhèlǐ, tā jiāng jiéshù tā de kāishǐ. - Não se preocupe... Ele não está mais aqui... Mas seu rival está... E ele vai terminar o que ele começou.
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