Notas iniciais
BOA NOITE MEUS AMORES! (Consegui meu pc de volta!) Bem, aqui estamos nós com p capítulo 18 de Shinigami University! :'D Esse capítulo vai ser super especial, espero que gostem dele tanto quanto eu gostei de escreve-lo. Boa Leitura!

Como todos os outros dias letivos o relógio de William deu o sinal as 06:30 da manhã. Este, não importa em que instituição estudasse, sempre considerava-se o aluno mais esforçado e inteligente de toda a academia. De fato aquilo não era mentira, pois a única preocupação que nutria era com seus estudos. Na verdade, não recordava-se de fazer algo em toda sua vida que não fosse estudar, ou estar envolvido com outra coisa que não estivesse relacionada a tal. A última vez que se divertiu fora em uma festa de aniversário de um velho amigo que tivera antes de entrar para a universidade. A única pessoa que lamentou deixar para trás na época quando foi embora, fora uma incrível garota que conhecera na comemoração, depois dela nunca encontrara alguém igual. Mas agora não tinha mais tempo para pensar no passado. Desligou o aparelho que emitia um som alto, e levantou-se da cama, tinha que chamar Grell e fazer seu desjejum.

Odiava se atrasar para seus compromissos, no entanto, acreditou que levou mais tempo do que imaginara para ficar pronto naquela manhã. Pois quando batera na porta do ruivo e ele não lhe deu resposta, Will abriu-a e viu que o colega não estava ali. Desceu para conferir se talvez ele estivesse tomando café, mas não. Então a única coisa que pode concluir era que este já havia se aprontado e ido sem ele, o que estranhou, mas não importou-se.

Seguiu com sua rotina normalmente, falaria com Grell no primeiro período já que o teriam juntos, era a única cadeira em que seus horários coincidiam. Apesar de por algum motivo não conseguir tirar aquela garota de sua mente desde o momento que acordou, foi para aula, precisava ocupar a cabeça.

Chegando lá mais uma vez não encontrou o ruivo, apenas Ronald, que estava com uma aparência horrível, parecendo que não dormira a noite toda. Sentou-se ao lado do loiro que assustou-se, já que mantinha os olhos fechados, e estava cochilando sobre a mesa. Trocaram um breve comprimento, e voltaram a ficar em silêncio até que Ronald pronunciou-se:

–O Grell também não veio? – Observou ele sem levantar a cabeça de onde estava.

–O que? Como assim também? – Indagou o moreno sem entender onde o outro queria chegar.

–Não é nada, é só que nem o Grell e nem o Und vieram hoje. – Explicou sem dar importância ao fato.

Foi então que a fixa de William caiu, os dois eram realmente muito próximos, e sempre estavam juntos, poderia ser o que estava pensando?! Não, isso era impossível, o ruivo não era homossexual, muito menos Undertaker, que ideia idiota pensou consigo mesmo, porém não conseguiu risca-la de sua lista de possibilidades, por isso resolveu questionar Ronald um pouco mais.

–Você viu seu amigo hoje de manhã? – Perguntou lembrando o que acontecera com ele mais cedo.

–Eu não cheguei a vê-lo, por que ele não quis sair do quarto, disse que não estava se sentindo bem e que não viria hoje.

Antes que pudesse indagar algo mais o professor se fez presente, e todos ficaram quietos no mesmo instante. Agora William reforçara a interrogação em sua mente, será que os dois estavam realmente juntos?

–Parece que seremos só eu e você hoje. – Cochichou o loiro.

Depois de todas as aulas da manhã, os universitários dirigiram-se até a cantina, que naquele dia em especial estava lotada. William e Ronald estavam na fila que se formava desde a entrada do lugar. Ambos, assim como todos os outros já estavam impacientes, se demorassem mais teriam de voltar para as aulas sem almoço, pois não teriam tempo de comer.

–Mas e ai? – Questionou Ronald ao amigo enquanto esperavam – Ainda não arrumou uma namorada?

–Não.

–E não vai?

–Não.

–Por quê?

–Ninguém que valha a pena.

–Deve haver ao menos uma garota que lhe chame a atenção aqui na academia.

–Na verdade, sim, há uma. – Respondeu ele desta vez olhando para Ronald – O nome dela é Matemática.

Revirando os olhou Ronald recostou-se contra uma parede que havia ali. Desistiu de conversar com o amigo, estava ficando irritado e sua barriga roncava.

–Qual é?! Assim não dá! – Reclamou o loiro olhando para frente, vendo se a fila se movia, no entanto ninguém dava um passo se quer – Isso só pode ser por causa da reforma no prédio dos monitores, eles devem ter vindo almoçar aqui também.

–Onde vai? – Perguntou Will ao ver o outro sair de onde estava. Ele também estava irritado, porém, mantinha a postura.

–Vou ver se consigo uma mesa. – Respondeu Ronald – Não adianta de nada conseguirmos chegar ao Buffet e não termos onde nos sentar. Fique ai, não deixe ninguém passar na frente, eu já volto.

O moreno não respondeu, apenas continuou parado. Apesar de não ser algo comum para ele, estava cansado, só queria que aquele dia acabasse, e pudesse ir para casa. O sentimento sobre a tal pessoa que lhe veio na cabaça desde que acordara ainda permanecia fixo. Outra coisa que não o deixava em paz era o caso de Grell, onde ele poderia estar agora? Será que já havia voltado para casa? E Undertaker, estaria realmente doente? Era muita coincidência ambos faltarem no mesmo dia. Estava distraído pensando em tudo isso quando Ronald chamou-o:

–Ei, vem comigo, consegui um lugar na frente. – Anunciou ele contente puxando o moreno.

O cheiro da comida estava delicioso, dava água na boca. Assim que chegaram onde Ronald conseguira o “furo” não demorou nada para alcançarem o Buffet, e só enquanto se serviam foi que William lembrou-se de perguntar ao outro:

–Quem te deu lugar na fila? – Questionou, sem se importar muito se tal coisa era errada ou não, estava faminto.

–Umas garotas. A propósito, vamos dividir a mesa com elas. E acho que você vai gostar de uma delas – Disse marotamente cutucando o moreno.

–Já lhe disse que não tenho interesse em garotas. – Respondeu secamente.

–Homens, então? – Indagou provocando-o, recebendo um olhar congelante de volta.

–Muito menos...

–Você é assexual? – Insistiu.

–Cala a boca, Ronald. Qual é a mesa? – Perguntou ao terminar de se servir.

–É aquela lá. – Indicou seguindo em frente pelo Buffet.

Esgueirando-se o máximo que podia da multidão ao seu redor, conseguiu chegar até a mesa, que se não fosse pelos materiais das jovens sobre as cadeiras provavelmente já estariam ocupadas. Todas eram muito bonitas, especialmente a longos cabelos cor de rosa, mas nada que lhe despertasse o interesse. Assim que viram o moreno uma delas tirou seus pertences do assento, e ele acomodou-se. Nunca se quer falara com nenhuma das três, o que deixou o clima um pouco pesado. Até que uma delas tentou iniciar uma conversa.

–Então, você é? – Perguntou de forma gentil a que estava sentada ao lado do moreno.

–William. – Respondeu com a mesma carranca de sempre deixando a moça um pouco constrangida.

–Spears? – Indagou a de cabelos compridos sorrindo – Eu lhe conheço, você é o aluno destaque de todas as aulas.

Ficou surpreso pela jovem ter mencionado seu nome ao invés do de Undertaker, afinal muitos o consideravam melhor do que o moreno. Mas antes que pudesse responder, Ronald chegou a mesa e sentou na cadeira que restava, interrompendo a “conversa”.

–E ai meninas? Valeu por guardarem um lugar pra gente. – Agradeceu galanteador como sempre.

–Não tem de que. – Respondeu a loira que ainda se pronunciara com um charme desnecessário para ele.

–Então, sobre o que estavam falando? Ah, antes de tudo esse é meu amigo William. Will, estas são Evelyn, Margareth e Diana. – Falou apresentando respectivamente a loira, a de cabelos levemente roxo e a de madeixas rosa.

–Prazer em conhecê-las. – Murmurou em seu tom seco.

–Ele é sempre assim, você acaba acostumando. – Disse Ronald de forma descontraída.

Como de costume, assuntos sem importância foram trazidos à mesa, mas William preferiu não manifestar sua opinião sobre nenhum dos tópicos, só queria terminar seu almoço e voltar para a sala de aula neste momento. Nunca vira como conseguiam falar tantas bobagens em uma única frase, nada que realmente tivesse alguma contribuição intelectual para ninguém. Até que para sua sorte tocaram no assunto das primeiras provas que estavam se aproximando.

–Estou achando muito difícil as aulas de cálculo esse ano. – Comentou a com mexas purpuras.

–Concordo. – Falou Ronald.

–Eu não! – Disseram William e Diana ao mesmo tempo.

–É muito simples, a maioria dos problemas basta aplicar a fórmula. – Explicou a jovem.

–De fato, e os gráficos chegam a ser triviais. – Confirmou o moreno interagindo pela primeira vez, durante todo o tempo que esteve sentando ali.

–Tão fácil quanto às leis de Newton. – Rebateu ela rindo.

–Sim. Ou Pitágoras! – Continuou William começando a ficar entusiasmado com a moça.

Em poucos minutos apenas os dois conversavam falando sobre inúmeras teorias, cálculos, e experiências, debatendo arduamente cada uma delas. Nem davam importância aos outros três que os acompanhavam, estavam totalmente envolvidos com a conversa entre deles. O moreno nunca imaginara que a jovem pudesse ser tão inteligente, jamais encontrara alguém assim como ele.

–Do que eles estão falando? – Indagou Margareth cochichando.

–Nem sei se ainda estão falando nossa língua. – Disse Ronald, até olhar para seu relógio e ver a hora.

Sem que William pudesse se despedir o loiro arrastou-o consigo, pois a aula começaria em menos de cinco minutos. Sem conseguir livrar suas roupas das mãos do amigo, o outro viu-se sendo arrastado até a sala, coisa que acreditava que nunca precisaria que ninguém fizesse com ele. Apenas livrou-se de Ronald quando já estavam na frente da porta da sala. Ao ver a expressão no rosto do loiro, este sorria de uma maneira um pouco debochada, e Will sabia exatamente o porquê, mas não daria o braço a torcer.

–O que foi? Por que está me olhando com essa cara? – Indagou ele terminando de arrumar suas roupas que haviam ficado amarrotadas.

–Nada, é só que eu nunca tinha visto o Sr. Spears se atrasar para uma aula por causa de uma garota. – Riu ele enquanto entravam.

–Eu não estou atrasado. – Teimou o moreno.

–Não está por que eu te trouxe até aqui. – Rebateu – Eu não lhe disse que ia gostar dela?

–Ela era a garota que você disse que estava interessada em mim? – Questionou de fato um pouco curioso, coisa que não deixou de ser notada pelo colega – Eu nunca havia reparado nela nas aulas.

–Isso é por que você só olha para o professor e para os livros! – Disse Ronald revirando os olhos – Eu sabia que iria se interessar por ela.

–Não estou interessado em ninguém, apenas achei estranho nunca tê-la visto antes. – Rebateu William deixando o loiro falando sozinho assim que o mestre pôs os pés na sala.

–Hum... é claro que não... – Respondeu o loiro para ele mesmo.

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As aulas da tarde já haviam sido encerradas, porém, o loiro não tinha vontade de voltar para casa. Ria consigo mesmo, mal podia esperar para ver a cara de William no outro dia. Porém o que mais o preocupava naquele momento era conseguir responder a nova carta que tinha em mãos. Era a segunda que recebia, e devida a demora para obter uma resposta chegou a ficar tenso, pensando se havia escrito algo de errado na anterior que a moça não se agradara. Negava a verdade para si mesmo, dizendo que continuava sendo o mesmo “espirito livre” de sempre, porém isso não era verdade. Não tinha mais vontade de encontrar-se com outras meninas muito menos em correr atrás delas. Conversava com as que ainda o procuravam por pura educação, pois não tinha o mínimo interesse. Lia atentamente cada palavra registrada naquelas folhas e sorria de felicidade tanto por dentro quanto por fora. Era extremamente visível a expressão de apaixonado que o loiro carregava no rosto. Apenas desviou sua atenção das páginas ao sentir um tapa ser dado em sua nuca.

–E ai garanhão? – Disse o monitor loiro sentando-se ao seu lado – Como vai sua namorada?

–Quem dera... – Respondeu ele imaginando a moça de uma forma bem sensual.

–Pelo menos feche a boca para não inundar o lugar.

–Ora qual é o seu problema hoje? – Perguntou meio petulante – Levou um fora de quem?

–Não foi exatamente um fora... – Respondeu meio a contra gosto, ainda não acreditava no que aconteceu.

–Claro que não, dá pra ver pela sua cara que foi um sucesso! – Riu o estudante – Conta ai o que houve? Quem é a garota?

–Pois então... – Começou meio sem jeito, não sabia quais palavras usar – é que não é uma garota... é um cara...

Quando o monitor olhou para Ronald este o encarava um pouco espantado, sem acreditar no que escutara. O loiro não era preconceituoso, apenas não conseguia imaginar que Eric pudesse gostar de homens. Depois de conversarem tanto sobre mulheres e essas coisas ele simplesmente não achava possível.

–Pare de me olhar desse jeito, inferno! – Berrou ao levantar-se do banco onde estavam e se pôr de costas ao amigo.

–Cara! Por que não me contou que você é bi?! – Exclamou o loiro.

–Cala boca Ronald! – Crispou ele, agora encarando o mais novo outra vez – Se eu quisesse que o campus inteiro soubesse eu já teria anunciado.

–Desculpa, mas por que não me disse nada? Depois da nossa aposta, e das conversas sobre garotas, achei estranho você me dizer isso agora.

–Não é bem assim. Na verdade, não me interesso por homens, apenas um em especial tem me chamado muito a atenção ultimamente. – Explicou ele também sem entender o porquê.

Nunca havia despertado desejo algum por alguém do mesmo sexo no monitor, entretanto, desde que tivera aquele casual encontro com um certo colega o rosto dele ficou gravado fortemente em sua cabeça, e lhe sobressaltava a todo o momento. Hoje após aceitar para si mesmo o fato, resolveu procura-lo. Estava muito esperançoso que as coisas pudessem dar certo, porém nada saiu como planejara. Do contrário que imaginou, Alan foi extremamente frio com ele e apesar do que todos os outros monitores diziam sobre ele ser simpático, não foi a impressão que teve.

–Tá, mas quem é o cara? – Perguntou Ronald agora curioso – É um aluno? Ou monitor?

–É um monitor... – Confirmou com um pequeno sorriso formando-se em seus lábios ao imaginar novamente as feições do de cabelos castanhos.

–HAHAHAHAHA – Riu alto o mais novo – E depois você vem dizer que sou eu quem está caindo de amores por ai, não é?

–Isso não é amor! – Respondeu prontamente, porém, sem ter certeza do que sentia – É... atração...

–Sei... Certo, deixa eu pensar quem pode ser. Não conheço os monitores, assim é um pouco mais difícil de adivinhar... – Falou o mais novo – Ah diga logo o nome!

–Você deve conhecê-lo, é o... – Antes que conseguisse revelar ao amigo Eric ouviu seu nome sendo chamado freneticamente.

Um outro monitor se aproximava dele a passos largos e um pouco ofegante.

–Você precisa vir comigo agora! – Disse seu colega com uma expressão um pouco preocupada – É urgente! Não sabemos mais o que fazer.

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–EU EXIGO VÊ-LO AGORA!!!! – Berrava a morena histericamente fazendo um enorme fiasco no saguão principal.

–Lamento moça, mas não tem autorização para entrar, apenas funcionários e alunos – explicava o monitor que era coberto pelos altos gritos da mulher.

–VOCÊ NÃO SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO! EU SOU KARTCHESCA RAMIREZ CARTAGENA E QUERO FALAR COM O SR. SLINGBY NESSE INSTANTE!!!

Antes mesmo que Eric chegasse a entrada da recepção já conseguia ouvir ao longe a irritante voz daquela maluca que era simplesmente inconfundível e lhe dava até pesadelos. O que faria?! Aquilo era uma vergonha, se aquela psicotica continuasse fazendo aquele escândalo seria a pior humilhação que já tivera na vida, tinha que se livrar dela sem que esta o visse. Ainda bolava um plano quando viu Alan chegando e perguntando para outro funcionário qual era o motivo de tanto barulho. Viu que este explicava ao menor o que estava acontecendo e que em certo momento da conversa, apontou para o loiro. Se achava que tinha visto a pior cara de Alan naquela manhã quando levou o fora, estava muito enganado, pois o mais jovem o encarou com reprovação e desgosto, além de fúria. Assim que ouviu o suficiente atravessou o corredor que escondia Eric e foi direto falar com ele.

–O que está esperando?! – Ralhou ele – Vá logo dar um jeito nisso!

–Tá maluco cara?! Olha pra essa mulher, você acha que eu vou ir até lá? Nem morto! – Respondeu ele. Não tinha medo de morena, mas era desagradável demais ter que lidar com ela outra vez, já fora complicado romper com esta, que não aceitou o fim do relacionamento, e agora o perseguia freneticamente.

–Por favor, deixe de ser covarde e livre-se dela antes que o diretor apareça por aqui! – Disse Alan tentando empurrar o colega até a entrada do saguão.

–Não! – Negou-se livrando-se das mãos do de cabelos castanhos e recuando de volta para seu “esconderijo” – Mande ela embora você! Me deve uma, esqueceu?

–O que?! Desde quando?! – Indagou indignado.

–Quando eu lhe segurei na escada – Respondeu seriamente, sorrindo em seguida.

O menor arregalou um pouco os olhos ao recordar-se do ocorrido e acabou ficando um pouco corado. De fato, havia se esquecido deste breve encontro que tiveram que acabou deixando-o em “divida” com o loiro. Bufou sem acreditar que seria ele a ter que resolver a situação. Afinal, ninguém inclusive Eric queria falar com aquela maluca.

–Onde foi que arrumou essa demente? – Perguntou Alan imaginando o que poderia fazer.

–Por ai. Nunca sai com uma mulher tão burra. – Comentou o mais velho lembrando-se dos encontros que teve com a jovem.

Assim que disse isso o mais novo teve uma ideia, poderia parecer ridícula, mas em um momento como aquele tudo parecia ser aceitável. Deixou Eric e dirigiu-se até onde a morena estava sendo retida por outros monitores.

–Boa tarde, como vai? – Disse o de cabelos castanhos tentando ser amigável.

–USTED NO ME VENHA COM DESCULPAS, QUIERO VER ERIC AGORA! – Gritou ela sem nem ao menos ouvir o que o monitor tinha a dizer.

–A senhorita não sabe? – Perguntou ele fazendo-se de inocente.

–NÃO SEI O QUE? – questionou ainda aos berros.

–Lamento informar mas o Sr. Slingby faleceu a alguns dias – Falou com pesar.

Todos que estavam próximos escutando se entreolharam, imaginando se a estratégia que seu colega estava usando daria certo. Logo os presentes encararam o rosto da morena que permanecia com a mesma irritação de antes, mas que logo caiu em prantos. Agora desejavam que ela tivesse continuado gritando, pois o choro era ainda mais insuportável.

–Acalme-se – disse Alan dando apoio a jovem – vai ficar tudo bem.

–COMO ISSO FOI ACONTECER? – perguntou chorando alto.

–Ahm... ele... foi fazer a colheita de inverno e... morreu afogado em uma plantação de arroz. – Inventou, esse era um dos motivos pelo qual odiava mentir, nunca conseguia contar uma história convincente. Ninguém, inclusive ele achou que a moça fosse acreditar, porém, para a surpresa de todos, esta continuou chorando, sem desconfiar o mínimo do estranho óbito.

–Eu o amava tanto! – Falou ainda com lágrimas escorrendo.

–E saiba que ele também a amava. – Confirmou Alan tentando reconfortar a jovem – Eric sempre falava de você. Não é mesmo? – Disse pedindo apoio dos colegas.

Os monitores de prontidão afirmaram a veracidade da informação, fazendo a mulher sorrir um pouco.

–O que ele dizia sobre mim? – Perguntou ao de cabelos castanhos.

–E-ele já comentou que pretendia pedir a senhorita em casamento – Mentiu para anima-la.

–Jura?! – Indagou agora sorrindo de felicidade, como se o loiro realmente estivesse “vivo”.

–Claro, ele falava constantemente: “Assim, que eu sair da academia vou pedir a mão da minha amada...” – por um momento a memória de Alan falhou e este esqueceu-se do nome da jovem, que o encarava esperando que dissesse seu nome.

–KARTCHESCA! – Pronunciou outro monitor que estava ali enquanto fingia um espirro.

–Kartchesca. – Completou o de cabelos castanhos.

–Oh, eu seria noiva! – Fala alegremente – Tenho que contar a minha família!

–M-mas ele morreu. – Relembrou-a do fato.

–Não importa! Quem ama de verdade jamais deixará a outra pessoa, mesmo em sua morte. – Conclui ela antes de se despedir de todos e ir embora.

Assim que tiveram certeza de que a jovem estava longe e não poderia mais escuta-los chamaram por Eric informando que a maluca já havia ido embora. Embora a maioria dos monitores tenha achado tudo extremamente engraçado, principalmente Eric, o mesmo não podia ser dito de Alan, apesar da jovem não ser muito inteligente, as últimas palavras que disse antes de partir mexeram com o de cabelos castanhos, talvez ela estivesse certa, talvez os mortos nunca os deixassem, ele mais do que todos tinha certeza de que fantasmas eram além de perseguidores, vingativos.

–Parabéns, e obrigado pela ajuda. – Disse o loiro tirando-o de seus devaneios enquanto colocava uma das mãos em seu ombro – Por isso vou lhe dar um conselho, não demonstre muito trabalho por aqui novato.

–Eu não precisaria ter feito nada se você não fosse conquistador barato. – Respondeu afastando a mão do colega, deixando todos que antes riam em silêncio, para em seguida ir embora.

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Desde que chegara, no final da tarde, tentava terminar suas tarefas. Como sempre gostava de atribuir a culpa a algo ou alguém quando uma determinada coisa que fazia não dava certo, a vítima da vez fora Grell, que ainda não aparecera em casa. Estava prestes a ir até o prédio dos monitores para pedir que o procurassem, pois o fato de este não estar presente o incomodava, sem contar que estava começando a ficar preocupado. De inicio não dera atenção aos boatos que ouvira durante as aulas práticas, pois nunca se importara com picuinhas, principalmente com aquelas que ele nunca vira com os próprios olhos, pois as pessoas inventavam de tudo. Entretanto, levando em conta esse misterioso desaparecimento do ruivo, não deixou de lado a possibilidade das histórias serem verídicas e este poder estar na enfermaria. Quando não aguentou mais aquela ansiedade em seu peito direcionou-se a porta, faria o que achava ser mais conveniente. Assim que abriu-a deu de cara com Diana, que devido ao susto emitiu um pequeno grito.

–Ah! W-william... – Disse um pouco constrangida, ainda com a mão esticada, onde estava prestes a bater na porta.

–Diana! – Surpreendeu-se também ficando um pouco corado – O-o que faz aqui?

–Desculpe, mas por acaso esqueceu-se do nosso encontro? – Perguntou confusa.

–ENCONTRO?! – Rebateu o moreno extremamente perdido, sem fazer ideia sobre o que a jovem falava.

–Sim. Seu amigo, Ronald, me disse que você havia me convidado para estudar hoje aqui na sua casa. – Contou a moça, sem desconfiar das intenções do loiro.

DESGRAÇADO, ELE ME PAGA POR ISSO!!! – Pensou William tentando não demonstrar sua raiva, pois não queria ser indelicado com a de cabelos cor-de-rosa. Afinal, simpatizara com ela. Sua vontade era de executar Ronald, porém, não podia fazer nada agora, a não ser convidar a garota a entrar para estudarem.

–Ahm bem... creio que podemos terminar o dever juntos. – Disse ele mostrando onde estavam seus livros e materiais.

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Sem demora Diana já vira onde Will havia errado em seus cálculos e tratou de ajuda-lo. Continuaram com os estudos até que perceberam que já estava prestes a escurecer. Compartilharam de pouco mais de 2 horas juntos, um desfrutando da companhia do outro. Se o objetivo do loiro era deixar William desconfortável, o moreno teria o maior prazer em informar ao colega que passara um tempo muito agradável com a jovem, e que não haviam feito nada de mais. Quando terminaram a lição já estava próximo do toque de recolher começar.

–O tempo passou muito rápido. – Comentou o moreno ao admirar o relógio – Foi muito bom estudarmos juntos, mas acho que agora é melhor você ir para não se encrencar.

Erguia-se do sofá onde estavam para ir em direção à porta e acompanhar a jovem, no entanto antes que conseguisse fazer isso Diana segurou seu pulso e pediu que ele se sentasse.

–Ahm... antes de eu ir, tenho que lhe perguntar uma coisa... – Falou ela parecendo um pouco acanhada – Consegue resolver este problema?

Conta Diana

–O que é isso? – Perguntou olhando para o cálculo que a jovem escrevera em seu caderno.

–Eu fiz especialmente para você. – Disse ela ficando um pouco vermelha, e desviando o olhar.

Apesar de achar aquilo um pouco estranho não iria recusar o desafio. Afinal Diana não era mais inteligente do que ele, e se a de cabelos cor-de-rosa, conseguira criar a conta, Will sentia-se na obrigação de conseguir calcula-la.

Quase uma hora depois o moreno já estava prestes a ter uma crise histérica, pois tentara todos os jeitos que conhecia para encontrar a resposta, e nem sequer chegara perto. Estava muito frustrado.

–Como se resolve isso?! – Exclamou William atônito.

No mesmo instante que o moreno fez a pergunta a jovem arrancou o caderno que estava nas mãos dele e sentou-se em seu colo com uma perna de cada lado do seu corpo. Will ficou ainda mais perplexo do que antes, o que raios ela estava fazendo?! Não queria admitir para si mesmo, mas tal contato estava deixando-o “desconfortável”, afinal, fazia mais de um ano que não tinha nenhuma relação. A última vez de que se lembrava, fora com a tal garota que tanto pensara de manhã.

–Achei que não fosse perguntar... – Respondeu ela. Apesar de não saber se daria certo esse tipo de abordagem, Diana não viu outra opção – Quer saber a resposta correta?

Sem dizer mais nada, apenas afirmou positivamente com a cabeça.

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I should be over all the butterflies, but I'm into you. And, baby, even on our worst nights.
I'm into you. Let 'em wonder how we got this far. ‘Cause I don't really need to wonder at all. Yeah, after all this time, I'm still into you.
– Cantarolava alegremente no caminho de volta para casa naquela noite. Sem se importar se corria o risco de ser ouvido por algum dos monitores que já faziam suas rondas. Uma felicidade tomava conta dele naquele momento, porque não sabia, apenas sentia-se o shinigami mais feliz que já existira. Ter a imagem de Grell sorrindo para ele daquela forma doce e amorosa era tudo que poderia querer. Apesar de não terem saído de casa, passaram um dia maravilhoso juntos, e isso valeu-lhe de uma alegria enorme.

A noite estava maravilhosa, com o céu repleto de estrelas, e uma lua crescente completando o harmonioso conjunto. Nada poderia estragar aquele momento perfeito, pois apesar de encontrar-se sozinho fazia-se completo. Por muito pouco não acabou passando sem perceber a presença de Alan, que estava sentado em um banco de costas para o caminho que o grisalho percorria. Ainda era cedo para ele ter terminado a patrulha, o que será que fazia ali? Notara desde o primeiro momento que se viram na academia que o mais velho estava diferente daquele que conhecia. Aproximou-se devagar de onde o monitor estava para então lhe chamar a atenção.

–Alan, o que está fazendo aqui? – Perguntou sentando-se ao lado do de cabelos castanhos já que este nem ao menos se dera o trabalho de encarar Undy.

–Eu é quem devia estar lhe fazendo essa pergunta, não? – Retrucou o menor sorrindo brevemente.

–Estava acompanhando Grell. – Responde o grisalho, vendo claramente que o amigo estava com algum problema – Esta tudo bem? Talvez tenha sido impressão minha, mas você parece muito estranho.

O outro nada disse, apenas continuou encarando o vazio com um olhar perdido, pensando em como contar a Undertaker. Suspirou profundamente, esperando encontrar a força que precisava naquele ar. Segurou-o um pouco em seus pulmões para então expira-lo, ao mesmo tempo em que fechava os olhos e virava-se de frente para o mais jovem.

Quando Alan voltou a abrir as pálpebras o grisalho viu que ele tinha um olhar de profunda tristeza e medo em suas íris. Undy reconhecia isso por que recordava-se das próprias quando as via refletidas no espelho a alguns anos atrás. Sem conseguir mais aguentar aquela situação repetiu a pergunta ao amigo.

–O que está acontecendo?

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Não fazia ideia de que horas eram, só sabia que precisava tomar um pouco de água urgentemente. Descia os degraus em silêncio, feliz como nunca. Assim que pôs os pés na cozinha e deparou-se com Grell um fortíssimo rubor lhe subiu a face. Por outro lado o ruivo não entendia o que estava acontecendo. Primeiro por que William nunca iria desfilar pela casa sem camisa, e por que ele estava tão vermelho?

–GRELL!!! – Berrou ele admirado como se o outro fosse uma aparição fantasmagórica – O-o que está fazendo aqui?!

–Ahm... se você esqueceu, eu moro aqui... – Respondeu um pouco debochado.

Mas logo tal expressão deixou seu rosto quando viu uma jovem descendo as escadas. Esta vestia apenas a camisa do amigo, e estava incrivelmente entusiasmada. No momento em que os três encontraram-se juntos no ambiente se entreolharam constrangidos com a cena em que se encontravam.

–E-e-eu acho melhor eu ir embora... – Falou a moça subindo as escadas correndo.

Sem conseguir impedir Diana, William continua parado onde estava a frente de Grell que estava boquiaberto. Quando encarou o ruivo, viu um sorriso meio debochado e um olhar malicioso estampados no seu rosto.

–O que foi, Sutcliff? – Perguntou um pouco irritado pela maneira que o ruivo olhava para ele.

–Ora, eu não disse nada... – Respondeu fazendo-se de inocente – Só da próxima vez que estiver acompanhado me avise que eu volto mais tarde. – Terminou deixando uma risada escapar.

Não acreditava que logo William quem sempre desprezava qualquer companhia, e que sempre colocava a lógica antes de qualquer desejo ou necessidade, acabaria rendendo-se a um sexo casual com uma “estranha”, pois tinha certeza de que o moreno nunca havia se quer conversado intimamente com a moça. Era muito engraçado vê-lo rendido a suas vontades daquela forma, afinal Grell jurou que jamais o encontraria assim.

–Não aconteceu nada! – Tentou negar, obviamente em vão.

–Claro que não, você está suado, sem camisa e uma garota seminua saiu do seu quarto, mas definitivamente você não fez nada.

–AHH Cala a boca! Aliás, onde VOCÊ esteve o dia todo?! Estava com o Mendigo não é?

–Não, Undertaker está doente. Eu estava por ai com o Ronald. – Mentiu como havia combinado com o grisalho.

–Mentira! Eu é quem passei o dia todo com aquela vitrola. Anda, desembucha! Onde se meteu?! – Exigiu saber o moreno como se fosse a mãe de Grell.

–Eu não lhe devo satis... – Antes que terminasse de se justificar Diana reapareceu no pé da escada, desta vez, devidamente arrumada. Estava logo atrás de William, com intuito de despedir-se do mesmo.

–Bem, então até breve... – Disse a jovem rapidamente, indo em direção a porta, mal dando adeus ao ruivo.

Quando estava para ir embora, Will chamou por ela, que de prontidão virou-se.

–Você não me disse qual era o resultado... – Falou o moreno ainda com a questão em sua mente.

Apesar de um pouco decepcionada, pois esperava que o moreno lhe dissesse algo ao menos um pouco romântico, não se negou em dizer a ele. Afinal concordaram que ela apenas lhe diria se o desenvolvimento do calculo continuasse na cama.

–Apague a parte superior dele e vai descobrir. – Respondeu, deixando a residência em seguida.

–Que raios isso quer dizer? Do que vocês estavam falando? – Indagou Grell sem entender nada.

Em menos de três segundos, o moreno entendeu o que ela quis dizer e subiu as escadas correndo, sendo acompanhado pelo amigo que não resistiu à curiosidade. William entrou em disparada em seu quarto, apanhou um pedaço de papel e um lápis, e reescreveu a expressão que Diana havia proposto a ele mais cedo, só que desta vez cobrindo a parte de cima da palavra no sentido horizontal.

ILOVeYoU

Já recebera estas palavras de outras vezes, mas com a de cabelos rosados fora diferente, afinal, ninguém nunca o derrotara em uma questão lógica antes (com exceção de Undertaker). Sorriu consigo mesmo, ainda não acreditava que havia sido enganado por aquela garota.

Apesar de não ter feito nada o dia todo, Grell estava cansado e sem vontade de tentar entender o que Will estava enxergando de tão especial naquilo, então foi para o seu próprio dormitório. Entretanto quando chegou lá as coisas não estavam da forma como havia as deixado, principalmente sua cama. Esta estava completamente revirada, como se alguém tivesse...

–WILLIAM!!!!! EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ TRANSOU NA MINHA CAMA!!!!! – Berrou o ruivo extremamente irritado – COMO VOU DORMIR AQUI AGORA?!

–Eu não queria sujar a minha. Vire o colchão. – Respondeu fazendo pouco caso do assunto e fechando sua porta antes que fosse morto pelo colega.

Notas finais
WIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIRUUUU! XD Por essa ninguém esperava não, é? kkkkkkkkk Pobre Grell... deve ter tido uma noite complicada pra dormir KKKKKK ok... parei. :) Espero que tenham gostado desse capítulo para dar uma "quebra" em nosso enredo principal, agradeço a todos os leitores, e a todos os cometários da fic (Passamos dos 50! :3 ) e principalmente pelas 3 maravilhosas recomendações. :) Até próximo Domingo :3