Notas iniciais
*Leva surra* MEUS AMORES! ♥ SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM! ME DESCULPEM! ME DESCULPEM! ME DESCULPEM POR SUMIR POR DOIS FUCKING ANOS! ME DESCULPEM! EU JURO QUE EXPLICO TUDO NAS NOTAS FINAIS! SEM ENROLAÇÃO, VAMOS AO CAPÍTULO, PORQUE PUTA QUE PARIU! PAROU NO SEGREDO DO UNDY!

Aquele tempo só dificultava as coisas. A chuva caia pesada junto com fortes rajadas de vento e raios. Apenas olhar aquela cena pela janela já fazia Undertaker se arrepiar dos pés a cabeça. Apesar de decidido, sentia um embrulho em seu estomago e suas mãos tremiam pela ação que estava prestes a tomar. Contara seu plano para Elyza que, mesmo não conseguindo conter as lágrimas, o apoiou com todas as forças que tinha.

Sabia que agora era somente uma questão de tempo até que alguém descobrisse. O problema era que não sabia quem havia roubado suas cartas e descoberto sobre o encontro, o que tornava a situação ainda mais delicada. Lembrou-se dos avisos que Alan havia lhe dado, mais de uma vez, para que tivesse o máximo de cuidado. Mesmo assim, as coisas deram errado, e agora seu segredo corria risco. Se os pais descobrissem não fazia ideia do que poderiam fazer com ele ou com Arthur. Na verdade o que mais lhe amedrontava era a ideia de não poder proteger o outro como prometera a ele.

Recordou-se da primeira vez em que esteve com o mais jovem. Este tremia de medo que fossem pegos, mas bastaram apenas algumas palavras do grisalho para que o outro confiasse nele plenamente daquele dia em diante. “Eu sempre vou te proteger”. Foi o que ele dissera a Arthur, não podia quebrar aquela promessa, pois ele acreditava piamente naquilo, e se não fosse por Undertaker jamais estaria correndo riscos agora. A única coisa que importava na sua vida era a segurança de Arthur.

De repente vira uma carruagem se aproximar pela rua, parando bem em frente a sua casa. Dela desceu o Sr. Griffiths. Perguntou-se o que o homem poderia querer ali tal hora, mas deixou de importar-se quando minutos depois um dos empregados bateu em sua porta informando que sua presença era solicitada na sala de visitas. Para não haverem desconfianças, desceu até o primeiro andar e foi até o local, encontrando lá seus pais e a visita que chegara à pouco.

—Me chamaram? – Perguntou, já que os três, a principio, pareciam estar o ignorando.

—Sabe por que o Sr. Griffiths está aqui? – Pergunta seu pai sem lhe direcionar o olhar.

—Para uma visita casual? – Chuta, com um pouco de deboche na voz.

—Quem dera, Sr. Craven. – Responde o homem – Infelizmente minha vinda até aqui é por uma razão muito mais preocupante.

Nesse momento, o grisalho sentiu uma pontada gélida em seu peito, fazendo-o engolir em seco. Não! Não podia ser isso! Não podia ter sido ele! Aquilo não estava acontecendo! Obviamente não conseguiu disfarçar como queria sua expressão de choque, mas conseguiu se recuperar rapidamente, na esperança que nenhum deles tivesse percebido sua falha.

—Jura? E o que isso poderia ter a ver comi...

—NÃO SE FAÇA DE IDIOTA! – Berra seu pai, levantando-se da poltrona onde estava e pondo-se de pé encarando com pura raiva o rosto do garoto.

Undertaker chegou a se assustar com a súbita mudança na atitude de seu pai. O grisalho infelizmente conhecia aquele olhar. Não lhe restava nenhuma dúvida agora. Ele sabia seu segredo.

—Há quanto tempo está fazendo essas merdas bem debaixo do meu nariz?! – O pai de Undy gritava enfurecido, só faltava espumar pela boca, enquanto isso, Griffiths apenas observava tudo com uma cara de paisagem, embora, Undertaker soubesse que se ele pudesse estaria sorrindo com deleite.

—Maldito... foi você... – Undertaker ignorou por completo o surto de seu progenitor, dirigindo suas palavras ao outro Shinigami ali presente – Você me delat-

O grisalho não teve nem ao menos tempo de terminar o que dizia, pois o punho de seu pai se encontrara com sua face de forma nada fraca, chegando a derruba-lo no chão.

—RESPONDA QUANDO EU FALO COM VOCÊ, SEU INFELIZ! – Ele gritava com o filho.

Undy estava em choque no chão, e leva uma mão ao rosto no local ferido e que agora latejava de dor. Tinha plena consciência de que seu pai jamais aceitaria sua opção sexual, mas nunca imaginara que ele se descontrolaria a ponto de agredi-lo daquela forma. Logo, a mãe do grisalho e a irmã dele se fazem presentes na sala.

—VOCÊ ENLOUQUECEU?! – Grita a mãe do grisalho, passando pelo marido e indo até o filho que ainda estava no chão – O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO COM O NOSSO...

—ESSA COISA NÃO É MEU FILHO! – Ele ainda berrava, cada vez mais cheio de fúria – ESSE ESTRUPICIO É GAY! VOCÊ SABIA DISSO?!

A mãe de Undertaker se cala, e desvia o olhar do marido para o garoto.

—Filho... m-me diga que isso não é verdade... Me diga que isso é uma mentira! – Ela fala em um tom pedinte.

O grisalho apenas a olha, sem ter o que dizer, e a mulher acaba confirmando o que lhe foi dito. Ela se afasta bruscamente de Undertaker, o olhando com descrença. Ele chama pela mãe que apenas se afasta mais dele, sem lhe dar ouvidos.

—Faça o que quiser... – Ela diz baixo para o marido ao passar por ele, pegando Elyza pelo braço e a levando para fora da sala com ela, apesar dos protestos da garota.

Não que Undertaker nunca tivesse sido golpeado pelo pai antes, mas ele nunca, NUNCA em sua vida havia apanhado tanto antes. Fora a surra do século, senão do milênio, banhada de ofensas e xingamentos. O grisalho sentia-se completamente humilhado, derrotado... um lixo total. A dor física não se comparava a dor emocional que estava lhe atingindo, a pior parte de tudo fora quando no ápice do ódio, seu maldito pai lhe acertara o rosto com sua foice da morte. A dor fora absurda naquele instante, não sabia se havia ou não perdido o olho, só sabia que este doía e ele não conseguia abri-lo para enxergar. Havia prometido a si próprio que não iria derramar uma única lágrima, que não demonstraria fraqueza, mas depois daquele corte não conseguira evitar e algumas lágrimas de dor lhe escaparam. Undertaker tinha plena certeza de que aquilo deixaria uma cicatriz, o garoto não conseguiu registrar maiores detalhes das ações de seu pai contra si, pois após aquele golpe desferido contra sua face ele bloqueara o mundo ao seu redor. Sabia que era atingido, mas não conseguia mais sentir dor, não ouvia mais as palavras insensíveis proferidas por seu progenitor, e nem sequer escutava mais os gritos de sua irmã na sala ao lado que implorava para que aquela loucura se encerrasse... Agora ele estava destruído por dentro e por fora.

Undertaker não se lembrava de quanto tempo ficou a mercê daquele desgraçado, e lembrava-se menos ainda de como e quando foi que conseguira se arrastar novamente escadas acima e ir para seu quarto. Não teria condições de sair naquele estado. Fizera o percurso por conta própria, isso sabia, pois os pais dele proibiram Elyza de ajuda-lo ou sequer falar com ele. Malditos... malditos, malditos! Era isso que seus pais eram! A vontade que tinha era de manda-los para as profundezas do inferno, tudo que o grisalho sentia agora por sua família era simplesmente o mais incrível, forte e puro ódio que existe nesse mundo.

Undertaker apesar da exaustão, mal conseguira dormir naquele resto de noite, seus pensamentos e a dor física não lhe permitiram descansar. Seu plano fracassara completamente! E Arthur?! Não o tirara de seus pensamentos, como o menor estava? Já havia sido descoberto? Conseguira ele ir até o ponto de encontro combinado? Se sim, será que ele pensava que o grisalho lhe abandonara? Talvez... apenas talvez... ele tivesse percebido que algo dera errado e tivesse seguido com a fuga. Embora Undertaker tivesse plena certeza de que Arthur jamais o deixaria para trás, ele ainda tinha um fino fio de esperança de que seu amor tivesse ido embora. Seria o melhor para Arthur naquele momento, e eles poderiam se reencontrar depois. Era cedo, o sol ainda não havia se erguido e estava sem forças, mas como o amor de sua vida vinha em primeiro lugar, Undertaker tratou de tentar mexer-se e sair dali antes que percebessem sua falta. Não iria mais levar coisa alguma consigo, iria sair dali apenas com seu corpo e o desejo de sair daquele inferno com seu namorado. Ele tenta se erguer, mas seus músculos pareciam ser atravessados por facas e ele vai ao chão, contendo um gemido doloroso. Undy se arrasta até o banheiro de seu quarto, antes de sair, precisava conferir algo

“Eu... estou horrível...” – Foi exatamente isso que se passou pela mente do grisalho quando ele conseguiu ver seu reflexo no espelho. Aquele corte atravessava seu rosto por completo, a pele ao redor estava vermelha e bem inchada, sem mencionar o fato de que ainda sangrava levemente em alguns lugares. Fora por muito pouco que não ficara cego do olho esquerdo. Seu rosto ainda estava sujo de sangue. Mas aquilo era o de menos, o que Arthur iria pensar? Será que ele ainda iria gostar de Undertaker mesmo com aquela marca tão feia em sua face?

Ele resolve deixar estes pensamentos para depois a prioridade agora era seguir com seu plano, porém, antes que qualquer outra ação por sua parte pudesse ser tomada a sua porta é escancarada com força absurda, mais um pouco e as dobradiças não teriam resistido. Ele não consegue evitar e se sobressalta com o estrondo, não contava com ninguém desperto, e ele sente seu coração bater rápido e nervoso ao ver a figura de seu pai na entrada do quarto.

—Passa pra sala. – Seu progenitor praticamente rosna, ameaçador.

—Não sou obrigado a nada. – Responde rude, de forma grossa e mal humorada. Não tinha que baixar a cabeça para aquele lixo de homem.

Praticamente cuspindo fogo, ele vai até o filho em um piscar de olhos e o agarra pelas madeixas brancas, arrastando-o sem o mínimo de cuidado para fora do quarto. Undertaker apenas conseguia esbravejar e xingar, não tinha forças para revidar, mas mesmo assim seguia tentando livrar-se. Em pouco tempo Undertaker percebe que estavam do lado de fora, na frente da casa. O grisalho estranha isso, porque eles estavam lá? Nisso, seu pai lhe joga ao chão, logo a sua frente. Fraco, o de cabelos platinados nem ao menos consegue por os braços a sua frente para evitar colidir diretamente com o solo ainda molhado por causa da chuva. Undy se apoia no chão e ergue seu tronco, vendo logo a frente uma carruagem parada, e havia duas pessoas junto a ela, olhando para ele.

—Podem leva-lo! – Diz o progenitor de Undertaker.

—N-Nani?! – O grisalho se manifesta ao ouvir a fala do pai, e os dois homens que estavam junto a carruagem vão erguê-lo do chão e começam a leva-lo para a dita cuja.

—ME SOLTA CARALHO! ME SOLTA! O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO?! – Gritava enquanto se debatia de todas as formas possíveis para impedir o que quer que estivessem fazendo até conseguir uma resposta – PARA ONDE ESTÃO ME LEVANDO?! RESPONDAM!

—Você vai para um reformatório. – Foi tudo que o mais velho lhe disse.

—REFORMATÓRIO?! VOCÊ ESTÁ LOUCO?! NÃO VOU MUDAR EM UM REFORMATÓRIO SE É ISSO QUE PENSA!

—Então prepare-se para passar um bom tempo por lá. – Responde ele.

—SEU DEGRAÇADO MALDITO! – Undertaker estava enfurecido, ódio puro corria em suas veias naquela hora – VOCÊ ME PAGA! ME PAGA!

Nisso, a mãe do grisalho e a irmã vem correndo para fora, vendo o que estava acontecendo. Elyza tenta correr até o irmão e ajuda-lo, mas sua mãe lhe segura. Undertaker vê aquilo e tenta se livrar, se Elyza ficasse sozinha, quem iria cuidar dela naquele inferno?

—UNDY! UNDY! – A morena berrava e se debatendo consegue se soltar da mãe e ir na direção do irmão.

O percurso de Elyza, no entanto, é interrompido pelo pai dos dois jovens que a segura bruscamente e a puxa quase a derrubando no chão, erguendo a mão para lhe acertar o rosto. Undy não permitiria que ele acertasse a morena, o grisalho se livra com brusquidez e mais rápido do que sabia que poderia se mover se põe entre o pai e a irmã.

—NÃO TOCA NELA!

—Sai da frente moleque!

—Eu... e-eu vou pro reformatório, e sem reclamar, mas não faça nada com ela... – Undertaker praticamente assina sua rendição, por mais que detestasse faze-lo, mas não queria que nada acontecesse com Elyza.

—U-Undy...! – Elyza tenta convencê-lo do contrário, mas ele não cede a seu pedido – Você não pode fazer isso!

—Gomen, mas já fiz, irmã. – Undertaker desculpa-se, voltando então a olhar para o desgraçado que estava ali, só a observar os dois – Me deixa me despedir dela em paz.

O Sr. Craven se afasta, dizendo-lhes que eles tinham apenas um minuto. E nem um segundo a mais. As lágrimas não puderam ser contidas por nenhum dos dois irmãos. Aquela fora uma das coisas mais difíceis que Undertaker já fizera, despedir-se daquela forma de sua querida irmã era doloroso demais, e antes de ser separado dela, ele lhe jura, sussurrando junto ao ouvido da mais nova que um dia ele iria tira-la de lá. O de madeixas platinadas é posto na carruagem, e pela pequena janela que havia na parte traseira (a única janela que havia ali na verdade) ele vê sua irmã, sua casa e seus pais ficando para trás... se distanciando. Em meio a tudo aquilo, novamente, Arthur vem a seus pensamentos. Como iria poder reencontra-lo agora? E como ele estaria? Considerando os pais deste, ele deveria estar passando por bons bocados caso ele também já tivesse sido delatado. Undertaker havia quebrado sua promessa, não conseguiu protege-lo.

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Os dias passam, e logo eles viram semanas. Undertaker só podia mandar cartas caso recebesse uma, no caso, ele só poderia responder as que recebia, não podia enviar nenhuma outra. Estava literalmente isolado do mundo exterior por conta daqueles altos muros de cimento. Estava com o braço enfaixado, e um pouco manco, sem falar no curativo atravessando seu rosto e um olho roxo. Naquele reformatório estava a escória da escória dos delinquentes juvenis, e brigas eram constantes ali. Sempre violentas e fazendo vitimas graves, e como era de se esperar, os ‘novatos’ sofriam mais. Undertaker nunca esteve tão alerta na vida, não podia andar sozinho, e também não tinha com quem ficar lá dentro. Qualquer uma das opções lhe renderia uma boa surra. As únicas cartas que recebera desde o dia em que chegara eram as de Elyza, que quase não conseguia sair de casa para envia-las, pois os pais deles estavam sempre a espreita. Ela conseguira reunir um pouco de informações para passar a Undertaker. Sim, Arthur foi descoberto também, ele não saia de casa, e ao o que parecia seus pais iriam manda-lo para um lugar distante para “se curar”. Porém, não sofrera castigo tão severo como o de madeixas platinadas. Arthur iria partir em uma semana.

Aquilo não podia ser! Se Arthur fosse embora, ele e o grisalho nunca mais iriam se ver de novo! Tinha que fazer algo! Precisava fazer algo! E este algo era com certeza fugir! Era uma ideia idiota? Sim, e muito! Mas não havia outra escolha. Undertaker conseguiu reunir alguns dos novatos e um ou dois outros mais velhos para realizarem uma fuga. Por cinco dias, eles analisaram todas as possibilidades e bolaram todos os planos possíveis, e na madrugada do sexto dia, dia anterior a partida de Arthur, eles iniciaram a fuga. Para a infelicidade de todos os seis envolvidos, eles foram pegos antes que a fuga fosse concluída. O castigo não tardou a vir, mas antes eles foram todos enviados para a coordenadoria. Os fugitivos foram mandados em seguida para seus dormitórios novamente, desta vez escoltados, e os monitores ficaram vigiando as portas dos mesmos. Todos voltaram para seus dormitórios, doloridos e pensando em como elaborar a próxima tentativa de fuga... menos Undertaker, este voltou calado, de cabeça baixa, e quase tendo que ser arrastado. No tempo em que ficara na coordenadoria, chegou uma nova carta para ele. Era de Elyza, dando a noticia mais devastadora que Undertaker poderia ter recebido: Arthur havia tirado a própria vida antes que o levassem. Não é necessário dizer que o grisalho desmoronou naquele instante, sentia como se seu coração tivesse sido arrancado com uma lamina coberta de sal de forma extremamente lenta. Agora um vazio absurdo pareceu se instalar dentro de seu peito. Quando parou finalmente de chorar, não sentia mais nada. Undertaker tinha quebrado. A fuga... nada mais importava... tudo que lhe importava e que lhe era querido e amado se fora. O único motivo que tinha para fugir era Arthur, e agora ele estava morto... Undy não iria nem poder se despedir dele... nem ver seu rosto uma última vez, mesmo que fosse com os olhos fechados, mergulhado em um sono eterno dentro do caixão, ele não poderia vê-lo.

Se o grisalho iria passar agora o resto de sua vida ali naquele buraco, não ligava.

Nada mais importava para ele.

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Ronald fecha o livro. Estava chocado, e estava sendo difícil para ele absorver toda aquela grande quantidade de informações que foram despejadas para si através das páginas que Elyza escrevera. Aquele livro que Irene lhe entregara, o que lhe dissera para ler, a história que ele contava... era na verdade o passado de seu colega de quarto que Elyza registrara da melhor forma que pode. O shinigami loiro não conseguia acreditar que o grisalho passara por tudo aquilo, agora sabia também o por que dele nunca querer falar sobre seu passado ou sobre qualquer outra coisa de sua vida. Doía. Doía demais. Ronald queria agora e muito ver seu colega de quarto. Se sentia extremamente mal por ele.

X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X

Grell tinha lágrimas correndo dos olhos e abraçava o namorado com força. O ruivo estava tremulo, e soluçava em meio ao choro. Queria dar para o maior todo o amor e carinho que podia depois de ter escutado aquela história tão horrenda.

—C-Como eles puderam...? – Grell se perguntava – Como um pai pode ser tão cruel com o próprio filho?! E-Eu não consigo acreditar que eles fizeram algo assim tão horrível com você, Undy.

—Acredite, eles fizeram – O grisalho fala com raiva eminente em sua voz, ele leva uma mão aos cabelos de Grell, fazendo-lhe uma caricia – Nee, não chore, Grell. Por favor.

Grell se afasta um pouco de Undy, olhando o rosto dele, vendo que ele permanecia com uma expressão fria, sem um pingo de emoção, e não derramara uma lágrima sequer.

—Undy... você não está chorando...? – Grell acaba perguntando alto, porém, a intenção era que aquela frase ficasse apenas em seu pensamento. Mas agora não havia como botar as palavras de volta para dentro da boca.

—Não. – O grisalho responde simplesmente – Eu prometi... não, eu jurei que nunca mais iria chorar por causa do que eles fizeram a mim, ou qualquer outro assunto relacionado aos meus pais.

Grell volta a abraça-lo.

—Eu... E-Eu posso perguntar mais uma coisa? – O ruivo pergunta hesitante, tendo consentimento do namorado – Como... quando você saiu do reformatório? Quanto tempo você ficou lá?

O mais alto segue afagando os cabelos de Grell, e respira fundo antes de dar uma resposta.

—Eu fiquei três anos lá. – O de madeixas platinadas o responde – Apesar de ser um lixo de lugar, estudávamos lá. E assim que eu me “formei”, um dia meus pais aparecerem e me buscaram. Eles disseram que eu já estava “melhor da minha doença”, e eu fiquei dois meses em casa... então eu entrei para a U.S.

Grell esbugalha os olhos. Eles estavam no segundo ano de universidade, isso significava que fora a pouquíssimo tempo que Undertaker saíra do reformatório. A ferida ainda era bastante recente, e Grell havia mexido nela.

—M-Me desculpe... me desculpe por tê-lo feito relembrar de tudo isso! Eu não deveria ter insistido, eu...

—Grell, está tudo bem. Já passou. — Undertaker lhe toma o rosto com as duas mãos – Na verdade, eu até me sinto melhor depois de falar sobre isso com você.

Grell lhe olha nos olhos, vendo que Undertaker estava de fato sendo sincero.

—S-Sério? – Grell lhe questiona, secando as lágrimas.

—Sim, – Undertaker sorri minimamente – pois agora não tenho absolutamente mais nada a esconder da pessoa que eu amo.

Grell cora violentamente com aquilo. Undertaker sempre o fazia ficar daquele jeito, era quase inexplicável.

—Eu te amo, Undy... te amo muito mesmo. – Grell lhe dá um breve beijo nos lábios.

—Eu também te amo, Grell. Mais do que você pode imaginar. – O de madeixas platinadas lhe responde, iniciando um novo e carinhoso beijo.

Undertaker esperava que agora aquele assunto morresse definitivamente, assim, ele poderia enterra-lo para sempre, e nunca mais precisaria falar sobre aquilo novamente em sua vida. Afinal já não importava mais, tudo que lhe importava agora estava em seus braços. E Undertaker iria proteger aquele ruivo a todo o custo.

Notas finais
Amores, aconteceu muita merda. Muita mesmo. Eu me mudei, comecei a faculdade, deu treta, muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuita treta, e briga pra cá e briga pra lá, MAS aqui está o capítulo. Eu disse que não ia abandonar U.S.! Não abandono U.S. nem fodendo! Me perdoem... mas depois desse capítulo, a fic vai dar outra pausa *apanha* CALMA! Essa vai ser menos longa! É que assim, eu quero escrever U.S. toda... toda mesmo! Até o fim... só que isso vai custar um pouco. Daí quando ela estiver 100% pronta, eu vou postar tudo de uma vez. Me desculpem pela demora absurda. Espero que gostem do capítulo, se é que tem alguém que ainda estava esperando a atualização.