Shinigami University
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Definitivamente não esperava por aquilo, era raríssimo esquecer-se de levar tal objeto com ele, e justo na noite que seu colega viajara sua memória lhe faltou. Tentou de várias maneiras encontrar outra forma de entrar na casa, mas não obteve sucesso. William estava extremamente irritado, como Grell pode sair e deixa-lo trancado do lado de fora?! E naquele gelo! O outro não fizera de propósito, (ou talvez sim) simplesmente tinha o costume de trancar a porta ao sair e não viu que o moreno estava sem as chaves. Negava-se a derrubar a porta outra vez, não queria de forma alguma voltar para a detenção.
A neve começava a engrossar, e William viu-se obrigado a ir pedir ajuda, era impossível passar a noite na rua naquelas condições. Porém, haviam alguns problemas, como o fato de já ser mais de meia noite e por tanto todos os prédios da instituição estavam fechados. Outro, por que como aquele fora o último dia de aula, mais de 80% dos universitários, monitores e professores já haviam deixado o campus, não restando muitos lugares onde poderia pedir socorro. Uma das últimas coisas que queria era ter que ir até a residência de Undertaker e Ronald, pedir abrigo para o grisalho, mas então recordou-se de que este havia viajado com Grell e decidiu ir até lá, pois a cada minuto a nevasca tornava-se mais rigorosa.
Agora sim as coisas estavam começando a deixa-lo preocupado. A única vez que precisava da ajuda daquele loiro imbecil ele não estava em casa. Encontrou um bilhete com um aviso de que ambos, tanto ele quanto Undy saíram. William estava sem opções, e a situação não estava nem um pouco a seu favor, fora até o prédio dos monitores encontrando-o igualmente trancado. O que faria agora?! Só sabia de uma coisa: Nunca mais iria jogar pedra, papel e tesoura para decidir quem guardaria as pás! Foi quando uma luz surgiu em sua mente e lembrou-se de uma pessoa com que podia contar.
A residência de Diana não ficava longe dali e ela provavelmente não negaria que ele dormisse lá. Pelo que havia conversado com a garota, ela parecia ter comentado que iria passar a temporada na academia e o moreno esperava fielmente que sua colega não tivesse mudado de ideia. Pois já fazia algum tempo desde que conversara com a de cabelos rosados pela última vez, já que esta estava furiosa com o rapaz por ele ter esquecido o encontro deles no dia posterior ao que fora raptado. Explicara a moça inúmeras vezes o ocorrido, mas nem teria dito nada se a mesma não fosse lhe cobrar. Afinal quando voltou a universidade nem lembrava-se de ter marcado algum compromisso com ela. Enfim chegara ao lado direito do campus onde ficavam as residências femininas. A casa de Diana era uma das primeiras, e assim que pôs os olhos nela viu que todas as luzes já estavam apagadas. Congelando de frio foi até a porta e bateu com força, se a jovem estava dormindo esperava conseguir acorda-la com o som. Parou por alguns segundos para escutar se algum movimento era feito do lado de dentro, mas apenas o silêncio fez-se presente.
–Merda! Ela também deve ter ido viajar. – Comentou o moreno consigo mesmo.
O clima se intensificou ainda mais, não havia para onde William pudesse ir. Não viu outra alternativa, tinha que encontrar uma forma de entrar naquela casa antes que fosse soterrado pela neve. Era completamente inviável fazer o caminho de volta no escuro naquelas condições. Procurou por uma chave reserva nos locais mais óbvios da varanda, mas não encontrou nada, a única opção que lhe restou foi dar a volta na casa e rezar para que conseguisse acesso pela porta dos fundos ou pela janela do porão. Analisou a mesma e viu que seria impossível passar por ali, não tinha outro jeito teria que sacrificar uma vidraça da lavanderia. Tateou o chão em busca de uma pedra grande que provavelmente estaria ao redor dos canteiros e assim que encontrou um tamanho certo, sem cerimonias jogou-a contra a janela, quebrando-a em milhares de pedaços. Entrou o mais rápido que pode para se proteger do frio, pois já não estava mais aguentando. Uma vez que viu-se protegido da neve parou para escutar o ambiente mais uma vez, e novamente não ouvira nada. Será possível que não havia ninguém na casa? Como não tinha certeza sobre isso achou melhor evitar mais barulhos, então pé por pé foi até a sala de estar. Tudo quieto. Tirava suas roupas cobertas de gelo e jogava-as no sofá quando foi atingido pelas costas por alguma coisa. Com o primeiro golpe, o moreno foi ao chão enquanto o agressor continuava batendo no rapaz enquanto gritava:
–MORRE! MORRE, DESGRAÇADO! MORRE! – Berrava uma voz feminina de forma histérica.
–AI! AI! PARA! SOU EU! – Dizia ele tentando proteger sua cabeça dos ferozes ataques – SOU EU, WILLIAM!
No mesmo instante os golpes cessaram, e ele pode notar que a pessoa que o batia afastou-se. quando considerou seguro, atreveu-se a olhar para a escuridão e procurar quem fora a maluca que o atacara. Segundos depois uma vela fora acesa revelando a presença de Diana, que olhava para o moreno espantada.
–WIRU! O-O que está fazendo aqui?! – Perguntou ainda alterada – Quer me matar de susto?!
–Desculpe Diana, é que fiquei trancado fora de casa e não podia ficar na rua. – Explicou ele tentando ficar em pé – Você não atendeu a porta, então fui obrigado a entrar pela janela.
–A quanto tempo você está aqui fora? – Indagou ela, curiosa.
–Ahm...sei lá a uns dez minutos por que?
–E-então não era você?! – Disse ela levando as mãos a cabeça e pegando a vassoura do chão – Oh meu Deus, nós precisamos sair daqui!
–O QUE?! ficou maluca? Não dá, está tendo uma nevasca! – Replicou soltando-se das mãos da garota que o arrastavam até a porta.
–Você não entende... é... é que... tem alguma coisa nessa casa! – Falou a de cabelos rosa, cochichando a última parte.
–Como assim? – Questionou ele sem entender a moça – Do que você está falando?
–William, eu juro pra você que desde que a minha amiga saiu os barulhos aumentaram, – Contou parecendo preocupada – já os escutávamos antes, mas agora... e-eu não estou louca, tenho certeza de que há algo aqui!
–Diana, seja racional. O que pode haver aqui? – Questionou sem dar muito interesse ao fato – Que sons tem ouvido?
–Passos, arranhões na minha porta, barulhos na fornalha, sussurros... É HORRIVEL EU NÃO AGUENTO MAIS! VAMOS SAIR DAQUI AGORA!
–Estamos presos. Não tem como sair. – Disse o moreno apontando para a janela, que estava com a neve alcançando o parapeito.
–EU NÃO VOU PASSAR NEM MAIS UM MINUTO AQUI! PREFIRO MORRER CONGELADA!
–TÁ MALUCA?! Aposto que estes barulhos devem ser no máximo ratos – Declarou ele.
–Você não viu o que eu vi! Ratos não deixam pegadas de pessoas no chão!
–O que? Que pegadas? – Perguntou cansado, a única coisa que queria era dormir tranquilamente naquela noite, e agora Diana estava com essas loucuras!
–Venha comigo, eu vou te mostrar. – Disse ela subindo as escadas, com William acompanhando-a em seguida.
Subiram as escadas até o corredor onde eram os quartos. Foi então que o moreno viu diversas pegadas, pareciam terem sido feitas pelos pés de alguém que estava molhado, que iam do final das escadas, atravessavam o corredor e paravam na frente do quarto da garota.
–Viu? Ainda acha que estou louca? – Indagou ela achando que havia-o convencido.
–Se precisar de mim estarei dormindo no sofá. – Falou descendo os degraus outra vez sem se importar com nada daquilo – Boa noite.
–E-espere! – Exclamou segurando o braço do moreno – S-será que ao menos pode dormir aqui em cima? – Pediu ela de forma meiga.
–Se as pegadas estão nesse andar por que eu iria querer dormir aqui?!
–FAÇA ISSO OU ME VEJA CONGELAR LÁ FORA! – Berrou Diana com raiva da insensibilidade do rapaz.
–Certo, mas não acho que sua colega vá gostar que eu durma no quarto dela – Replicou ele já mal humorado.
–E quem disse que você vai dormir lá?
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Nervosismo era a palavra que mais conseguia definir Ronald naquele momento. Sentia como se seu coração fosse sair pela boca, ainda não conseguia acreditar que depois de seis longos meses finalmente a veria novamente. Mesmo o lugar onde a garota combinara com ele ser um tanto inusitado, uma cabana no meio da floresta afastada da única e pequena cidade que havia nos arredores, não pensou duas vezes antes de confirmar.
Era muito azar uma nevasca surgir justo naquele momento. O cocheiro recusou-se a entrar na mata naquelas condições o que fez o loiro ter que percorrer o restante do caminho a pé. Fora duro chegar até a estalagem, pois mesmo esta aparentando estar próxima estava a mais de um quilometro. Correu o mais rápido que pode com uma mala nas mãos enquanto afundava os pés na densa camada de gelo. Tinha que se apressar, pois do contrario perderia o lugar de vista caso a neve engrossasse. Mesmo correndo um pouco atrapalhado pela quantidade de neve que prendia seus pés nos buracos que estes faziam a cada pisão, conseguiu chegar até a porta da hospedagem. O loiro nem bateu, apenas estrou, estava morrendo de frio. As poucas pessoas que ali estavam, provavelmente funcionários, olharam para ele um pouco espantados por chegar daquela forma. Porém, passado o susto inicial ajudaram Ronald com as malas e com seu casaco que estava coberto de neve. E antes que ele conseguisse ir até a pequena recepção perguntar sobre sua acompanhante uma das funcionarias gritou:
–Srta, seu convidado chegou!
Em questão de segundos o estrondo de uma porta sendo escancarada foi ouvido e em seguida, passos apressados vinham pelo corredor depressa.
–Boa sorte... – Cochichou a funcionaria que chamara pela moça, que logo estava no topo da escada procurando pelo loiro.
–Ronald! Finalmente! – Exclamou ela contente.
–Estava louco pra te ver, Elyza.
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Não considerava-se rico, mesmo seus pais sendo, entretanto nunca vira uma casa que se comparasse a sua, pelo menos não havia visto até estar em frente a de Grell. Não chegava a ser uma mansão como a casa que vivera a vários anos trás, mas era tão deslumbrante como. Mesmo sem poder cuidar muito os detalhes, por causa da neve que cobria boa parte da paisagem, ficara admirado. Quando entraram na casa não pode ver grande coisa, já as janelas estavam fechadas e a eletricidade desligada. Achou aquilo um pouco estranho, pois mesmo que os pais de Grell tivessem viajado recentemente o lugar parecia estar fechado a meses. Entretanto não deu mais atenção a tal pensamento assim que o ruivo acendeu as luzes e Undy viu-se numa grande sala de estar. Nesta, havia uma mesa de jantar de madeira repleta de entalhos feitos a mão com seis cadeiras combinando, um caríssimo lustre de cristais no centro do teto, além de uma refinada lareira, feita de mármore, onde ao redor dela estavam dispostos sofás e poltronas. Aquele deveria ser o lugar onde os convidados sentavam-se para conversarem.
Vendo que o grisalho encontrava-se distraído, Grell aproveitou a oportunidade para subir e “arrumar” as coisas. Depois que olhou cada canto da sala onde estava Undertaker passou para o outro cômodo, que ficava do outro lado do corredor. A primeira porta era uma espécie de escritório e biblioteca, que parecia completamente abandonado. Começou a procurar por algum quadro ou fotografia que mostrasse o ruivo junto a família, no entanto não encontrou nenhum em que estivessem pai, mãe e filho. Teriam seus pais tirado as fotos de Grell quando descobriram sobre a sexualidade do menor? Tal coisa acontecera na casa de Undertaker, mas o ruivo parecia manter uma convivência harmônica com seus entes, então, por quê?
–Undy, vamos deitar? – Perguntou Grell, surpreendendo o grisalho que se perdera em suas teorias – Estou muito cansado.
–Ahh claro... – Respondeu acompanhando o namorado que subia as escadas até o segundo andar.
Undertaker sabia que deveria estar cansado, e estava, mas isso fora antes de entrar naquela casa e depara-se com essas coisas estranhas, tudo estava arrumado demais, porém coberto de pó ao mesmo tempo. Outro detalhe que reparou foi o de que não havia nenhum espelho pela casa, nem mesmo no quarto de Grell. Esta também era a única que estava aberta no segundo andar, tinha muita vontade de olhar as outras salas, mas teria que deixar isso para amanhã, seria muito indelicado de sua parte fazer aquilo.
Eram quase 6:00 da manhã quando foram se deitar. O ruivo ainda revirava sua mala em busca de seu pijama, mas estava tão acabado que acabou indo deitar apenas de cueca.
–Vai ficar doente se não vestir nada – Disse o grisalho aconchegando-se na cama.
–Eu não consegui encontrar – Justificou-se o menor – Devo ter esquecido na universidade com toda a correria.
–Nesse caso, pode deixar que eu vou te manter aquecido – Sussurrou Undertaker enquanto abraçava o ruivo por trás trazendo-o para bem perto de si.
Gostaria de ter respondido, mas o calor dos braços do maior em torno de si juntamente com o sono já tomavam conta de Grell, este limitou-se a sorrir ao mesmo tempo que entrelaçava seus dedos aos de Undy.
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