Notas iniciais
MEUS AMORES!!!! Aqui está mais um cap de Shinigami University, espero que gostem :3 Não estou com muita criatividade para notas, então não tenho nada a declarar. Obrigada a todos que ainda estão acompanhando e aos que começaram a acompanhar. :) Boa leitura.

Os meses se passavam tão rápido quanto um piscar de olhos, e quando todos se deram conta outono se fazia presente. Era final de tarde de domingo, do contrário dos outros fins de semana, o campus estava praticamente vazio, pois todos teriam uma importante prova na segunda-feira, então poucos não encontravam-se em casa, entre estes, estavam Grell e Undertaker. Sempre que tinham a oportunidade de ficarem juntos no campus remoto, eles não a desperdiçavam. Hoje decidiram ir até o lago atrás do campo de jogos, um lugar maravilhoso, mas que normalmente não era frequentado por ambos, pois sempre haviam dezenas de casais namorando ali. Já estavam próximos a pequena ponte que cruzava o lago, aquela tarde tinha um “clima” quase perfeito para os românticos. Os últimos raios de sol que recusavam se esconder iluminavam a água a frente deles, refletindo uma luz cristalina na grama e nas árvores próximas, isso fazia tudo parecer um belíssimo quadro.

–É realmente muito bonito, não acha? – Perguntou Undy tentando iniciar uma conversa, já que o ruivo parecia estar distante com seus pensamentos.

–Oh, sim é lindo. – Respondeu enquanto sentava-se na grama embaixo da sombra de uma das árvores, e também admirava a paisagem. Mas logo voltou a afastar a cabeça dali.

Undertaker aguentou a situação até onde sua curiosidade conseguiu, pois acreditava saber o motivo de Grell estar tão pensativo. E queria muito conversar a respeito com ele, não poderia simplesmente deixar tal coisa de lado depois que vira a cena tão claramente. Decidiu arriscar-se e tentar introduzir o assunto outra vez.

–O que houve? Você está tão quieto. Aconteceu alguma coisa? – Indagou esperando que o namorado dissesse que sim, e lhe contasse corretamente o que grisalho presenciara na sexta-feira durante uma das aulas práticas que Grell fazia. No entanto, a conversa acabou tomando um rumo bem diferente.

–Não tem vergonha de ser assim? – Questionou de supetão o ruivo, referindo-se a orientação que os dois levavam, apesar de um pouco encabulado — Nunca pensou em tentar mudar?

Achou estranha tal pergunta, depois de meses juntos Grell vinha lhe perguntar isso? Justo ele que não gostava de falar sobre tal assunto tão “abertamente”. Para o menor era realmente desconfortável falar nisso, mas por algum motivo, que nem ele sabia ao certo, a dias já sentia uma forte necessidade de indagar ao grisalho tal coisa.

–Eu não vou mentir pra você, a alguns anos eu sentia muita vergonha. – Confessou ele o mais sincero possível – Mas depois, eu acabei percebendo que não há como mudar quem somos. E existem somente duas opções que podem ser tomadas, negar e iludir a si mesmo, ou aceitar-se e tentar ser feliz, apesar de não ser fácil.

–Mas... esse nosso... "amor"... — Disse o ruivo referindo-se a palavra como se fosse algo grotesco — Ele não é... errado?

–Não fale assim Grell. – Pediu Undy pondo uma mão em seu queixo e erguendo a cabeça do ruivo até que conseguisse ver seus olhos – Não diga dessa forma, como se o que sentimos fosse algo repulsivo. Eu acredito que o amor é um sentimento para qualquer um, independente de onde você o encontre, o que vale verdadeiramente é senti-lo. Pergunte a si mesmo, “Será que amar é algo tão errado assim? Será que é errado só por que você ama diferente?”.

Nunca havia pensado dessa forma, apesar de ser algo extremamente simples. Procurara por uma resposta como essa por muito tempo, e questionara-se durante mais tempo ainda se tudo o que ele sentia, ou o que ele era, poderia ser “aceitável”.

–Tem razão, – Concordou o ruivo sorrindo meigamente para ele – amor é amor, não importa de que forma ele se manifeste.

Sorrindo de volta Undertaker passou uma das mãos suavemente pelo rosto de Grell, que acabou por fechar os olhos. E segurando a mandíbula do ruivo aproximou-o para um beijo. A cada instante este intensificava-se mais, e ambos estavam muito envolvidos pelo mover dos lábios um do outro. Mas tal momento se perdeu quando o grisalho subiu suas mãos pelos braços de Grell e este acabou gemendo de dor, assim que a destra de Undy chegou próximo ao seu ombro. Olhou nos orbes verdes do namorado e então recordou-se sobre o que vira na sexta-feira, e o que queria conversar com o ruivo.

–O que houve aqui? – Indagou Undertaker arregaçando a manga da camiseta de Grell e vendo um grande hematoma ali.

–Não foi nada... – Respondeu tentando evitar o máximo falar sobre o assunto – me machuquei na aula, só isso.

–Tem certeza que não foi outra coisa? – Perguntou tentando induzir o ruivo confessar, apesar de ele já saber o que acontecera.

–S-sim... por que eu mentiria? – Indagou ficando nervoso.

–Talvez você não saiba, mas andam havendo alguns boatos envolvendo um colega seu e você. – Contou o grisalho, fazendo involuntariamente Grell arregalar os olhou temendo o que Undy vira – É verdade que anda brigando com esse cara?

Acabou dando-se por vencido, odiava ter que mentir para Undertaker, mas não queria incomoda-lo com outras coisas, além do mais não precisava de ninguém para defende-lo, e tinha certeza que era melhor o namorado não saber sobre quais eram as intenções de seu colega de classe, ou as coisas ficariam muito ruins.

–Desculpe por mentir – Falou antes de tudo – É só que... esse idiota, vive perturbando todo mundo... nada de mais.

–Mas parece que ele tem uma adoração especial por você – Respondeu o grisalho da forma calma de sempre, porém um pouco sério demais – Pois não me diga que aquele roxo que você tinha no peito não fora esse babaca que fizera.

–Foi... mas... deixe isso pra lá. – Disse fazendo pouco caso do fato.

–Como assim?! Ele não pode continuar fazendo isso com você! – Indignou-se Undertaker.

–Não vou mais brigar não se preocupe, já estamos entendidos. – Disse tentando transmitir convicção.

–Se você diz... – Concordou ainda com certa dúvida, ficaria de olho nas aulas práticas de seu namorado a partir de agora.

Apesar de tudo que vinha acontecendo, Grell notou claramente que o grisalho estava triste já faziam-se semanas. Primeiro achou que poderia ser algo relacionado a sua família, mas logo descartou a hipótese, pois sabendo que Undy não mantinha contado com ninguém fora da universidade aquilo era pouco provável. Perguntou ao namorado o que o incomodava varias vezes, mas este apenas lhe respondeu que não havia nenhum problema. Porém, a verdade era que, a revelação de Alan naquela noite, lhe perturbava por demasiado. Ficara extremamente chocado com o que o de cabelos castanhos falara, não podia acreditar que algo tão horrível poderia estar acontecendo com alguém como Alan.

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Aquilo só podia ser maldição de Ronald, tinha certeza que era. Tinha total controle sobre seus sentimentos, portanto aquilo era impossível, não? Quer dizer, quem pode amar outra pessoa sem nem ao menos conhecê-la? Eram poucas as vezes que cruzava com o mais novo, fora a vez que evitou que este caísse da escada, porem aquilo não era motivo para estar apaixonado. Não é que quisesse negar tais sentimentos, mas o problema era que não acreditava em amor a primeira vista, ainda mais sendo por um homem. Entretanto Eric não conseguia tirar o colega da cabeça, quando dava-se conta estava pensando nele e suspirando. Considerava a possibilidade de tudo não passar de uma confusão afetiva, pois desde o começo do semestre a única coisa que os outros monitores faziam era falar bem de Alan, talvez estivesse sendo contagiado por essa atmosfera de admiração que cercava o jovem. Mas sabia que só havia uma forma de descobrir o que sentia, e esta era conversar com seu colega e pesar seus sentimentos. Todavia isso não era uma tarefa fácil, pois já tentara outras vezes, mas o de cabelos castanhos sempre o rejeitava. Perguntava-se se era possível que este estivesse evitando-o, se sim, qual seria o motivo? Alan parecia tão diferente da primeira vez que o vira, e do que contavam os outros monitores. Era como se fizesse questão de trata-lo mal.

Naquela tarde haveria uma reunião para discutir sobre as reformas intermináveis no dormitório dos monitores e nomear o novo monitor chefe, então era pra lá que dirigia-se no exato momento. O local de encontro era no auditório, um dos últimos prédios do campus, e sem demora visualizou Alan na entrada do prédio. Aproximou-se devagar para que o mais novo não o reconhecesse.

–Então, como vão as coisas? – Perguntou o loiro pondo um dos braços sobre os ombros do outro com sua maneira irreverente.

Se não fosse pela proximidade, Alan não se importaria de ficar junto ao colega. Entretanto após aquele incidente com a exagerada ex-namorada do loiro, e de tudo que acontecera naquela noite em Londres, ficou muito decepcionado com Eric, sem contar que este era muito desleixado no trabalho.

–Conhecendo você achei que não viria ... – Respondeu ele ríspido, tentando afastar-se do outro.

Apesar de doer-lhe um pouco ser grosso com o colega, não via outra forma de afasta-se dele, pois do contrário, mesmo com todos os defeitos que o loiro carregava, Alan gostaria muito de se envolver com ele. Pois suas qualidades o encantavam, além de bonito era muito engraçado, inteligente e apesar do mesmo não valer para suas companheiras, era fiel aos amigos que tinha. Para piorarem as coisas, ultimamente vivia encontrando com o mais velho a todo lugar que ia, e este sempre tentava começar uma conversa com Alan.

–Nossa, me acha tão irresponsável assim?! – Falou o loiro fazendo-se de ofendido.

–Alguém que traz seus problemas pessoais para o local de trabalho e prefere que outra pessoa os resolva com certeza é irresponsável – Respondeu o de cabelos castanhos recordando o episodio da histérica Kartchesca.

–Você é muito mal humorado. Isso é falta de sexo, sabia? – Comentou o maior deixando o outro vermelho – Relaxa, só estou brincando. É que coisas ruins acontecem quando se é muito dedicado por aqui.

–Como assim? – Indagou, Alan sem saber sobre o que o colega falava.

–Espero que não seja você, mas as chances são altas... – Confirmou ele sem esclarecer nada.

Como foram uns dos últimos a entrarem no auditório, não haviam mais cadeiras juntas, o que fez Alan ser grato a sorte que tinha. Acabaram cada um indo para um lado, e logo o diretor se fez presente no palco, agradecendo a presença de todos. Anunciou que as reformas estavam próximas do fim, e que logo tudo voltaria ao normal. Ninguém estava muito interessado, afinal, como sempre, tudo não passava de promessas que demoravam-se a se cumprir.

Eric não escutara nem uma palavra se quer do que o reitor havia dito, a única coisa em sua mente era bolar um plano para conseguir se aproximar de Alan, que parecia ser inacessível para ele. Tinha que mudar sua abordagem, porém já fizera isso e não funcionou. Devia considerar esse caso de amor impossível, pois aparentemente o único sentimento que o mais jovem tinha por ele era desprezo. Mas naquele dia que o amparara conseguiu ver em seu olhar um sutil interesse, teria esse se apagado? Talvez nunca existido? Ou estaria escondido? Eram muitas as perguntas, mas assim que escutou o diretor comentar que anunciaria o próximo líder dos monitores concentrou-se nele.

–Sem mais delongas, tenho a honra e o orgulho de declarar quem foi o grande vencedor! – Disse ele alegremente. Para o reitor era um alivio nomear um líder, pois com as férias de inverno se aproximando, ele era o primeiro a deixar a academia, e precisava de alguém além do vice-diretor para gerenciar o a universidade. Em resumo era uma grande dor de cabeça para aquele que era o escolhido.

–Cavalheiros, o novo líder de vocês será o Sr. Alan Humphries! Por favor, suba até aqui!

–O QUE?! EU?! – Gritou o jovem, apesar de não ser ouvido em meio aos aplausos de todos.

Aquilo era sacanagem, logo ele que não podia se estressar era nomeado chefe?! Tinha que conversar com o diretor para que este mudasse sua decisão. Para não faltar com educação em frente a todos, seguiu até o palco, ainda que a contra gosto. Agora entendia o que Eric queria dizer em relação a seu esforço desnecessário no trabalho. Quando se pôs ao lado do reitor, este saudou-o calorosamente e o impediu de falar qualquer coisa, já pondo o broche que representava sua nova categoria em sua roupa. Viu que o superior fazia os movimentos com pressa para que ele não tivesse a mínima chance de desistir do titulo. Imaginava quantos outros monitores já não haviam aceitado aquele pepino.

–Meus parabéns Sr. Humphries. – Cumprimentou o mais velho sorrindo, porém ainda com pressa – Agora és oficialmente o líder dos monitores. Será ótimo ter o Sr no comando de tudo por aqui.

–Ahn... é uma honra ser nomeado, mas... – Antes de conseguir concluir a frase o diretor o sobrepôs.

–Tenho certeza de que fará um excelente trabalho. – Respondeu ele – Agora, por que não diz algumas palavras aos seus colegas?

–Acontece que eu não...

–Ora vamos, sem timidez – Disse o superior cortando-o novamente.

Após muito insistir o novo líder deu uma breve palavra a todos. Logo que o reitor considerou a reunião encerrada todos deixaram o auditório, exceto Alan que insistiu em tentar conversar com o superior outra vez, este falava com o Sr Griffiths.

–Diretor, – Intrometeu-se, afastando-o do idoso – não é que eu não esteja grato, ou honrado pela nomeação, mas o Sr foi informado quando entrei sobre as minhas condições, não sei se tenho capacidade suficiente para assumir esse posto.

–Eu estou plenamente ciente sobre tudo. – Confirmou o reitor esfregando as mãos – Entretanto, tenho certeza de que você é o mais indicado para o cargo. Também posso lhe afirmar que há poucos desafios como chefe, não existe motivo para se preocupar.

Dito isso, o superior destinou sua atenção ao mais velho outra vez e saiu junto a ele. Deixando Alan refletindo sobre como seria esse novo desafio que conseguira, afinal, todo o trabalho que já tinha como monitor lhe era desgastante, e agora que seria duplicado, ou até mesmo triplicado, perguntava a si mesmo quanto tempo mais conseguiria aguentar.

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Como odiava aquele Mendigo, sempre atrapalhando sua vida. Se já não bastasse quando Grell levava-o até sua casa era pior ainda quando os dois saiam juntos, pois ficavam horas fora e o ruivo deixava de fazer suas obrigações em decorrência disso. Um exemplo era aquele momento em que William dirigia-se até a secretaria para pedir o calendário das aulas para o próximo semestre, tarefa que era de seu colega. Sim, era um motivo ridículo para estar furioso, mas era esse tipo de coisa que acabava tirando-o do sério.

Quando abriu as portas da sala deparou-se com um bando de mulheres histéricas discutindo e gritando entre si, tentando arrancar a força um papel que estava nas mãos de uma delas. Aproximou-se do balcão esperando ser atendido, no entanto nenhuma delas lhe destinou a atenção, continuaram com aquele escândalo ridículo.

–VOCÊ VAI ESTRAGAR, ME DEVOLVE! – Berrou uma delas.

–NÃO, EU VI PRIMEIRO! – Respondeu a que tinha o papel em mãos.

–FODAM-SE EU SOU A ENCARREGANDA, ENTÃO É MINHA! – Gritou outra.

–JÁ CHEGA! VOLTEM AO TRABALHO AGORA E ME DEEM ISSO! – Exclamou Anna arrancando o disputado objeto das mãos de uma de suas colegas.

–Aposto que ela vai ficar pra ela... – Resmungou uma das garotas que disputava a tapas o tal papel.

–Eu ouvi isso! – Gritou para a outra, enquanto o grupo se dispersava – Desculpe pelo inconveniente, o que quer?

–Quero o calendário do próximo semestre. – Informou o moreno que até a pouco observava a degradante cena.

–Lamento, mas ainda não está pronto. Estamos organizando-o nesse momento.

–Oh, claro. É evidente. – Respondeu debochado para a moça.

–Precisamos arrumar os arquivos dos alunos primeiro Sr. E é isso que as meninas estão fazendo – Respondeu ela retribuindo com a mesma dose de sarcasmo.

–Não vão terminar o trabalho nunca se não pararem de brigar entre si.

–Bem, admito que temos problemas, mas apenas uma coisa gera discussões por aqui – Declarou meio que em desabafo.

–E o que seria? – Indagou agora um pouco curioso.

–Ele – Falou suspirando e mostrando a William uma foto de Undertaker.

Era inacreditável, até indiretamente o grisalho dava um jeito de atrapalhar sua vida! Isso só podia ser carma.

–Eu não acredito! – Gritou ele indignado – Vocês não tem nada melhor pra fazer do que ficar brigando por causa disso?!

–Olha lá como você fala! Eu não sou doente como elas! – Defendeu-se a morena ficando irritada outra vez – Na verdade nem dou atenção a ele.

–Não da atenção por que ele não quis você! – Intrometeu-se uma das funcionárias que passava por ali.

–Ao menos tenho um pingo de dignidade, diferente de você, que se ele estalasse os dedos estaria de joelhos. – Respondeu Anna petulante.

–Como se você fosse muito diferente não é mesmo querida?! – Retrucou a outra, e em poucos segundos todas já estavam reunidas brigando de novo.

Sem aguentar mais daquela baboseira deixou o lugar, ainda mais irritado do que antes. Odiava Undertaker, por tudo, até mesmo por coisas que nem sabia. Jurava que algum dia o tiraria do pódio para sempre, arrancando o sorriso que o grisalho levava no rosto, e faria isso sem medir consequências.

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Já era madrugada quando o seu período de ronda acabou, e iniciava o dos outros monitores. Recém chegara no seu dormitório e havia alguém batendo na porta. Estava muito cansado, só queria tomar um banho e ir deitar-se. Tamanha não foi sua surpresa ao ver quem o interrompera, era Eric, e este trazia consigo uma garrafa de vinho e duas taças.

–Tudo bem? Está ocupado?

–N-não, o que esta fazendo aqui? – Indagou o mais jovem.

–Ora, vim para comemorarmos a sua promoção – Riu ele, entrando no quarto sem pedir licença. Sabia que se perguntasse o menor não permitiria.

–Pera ai, o que pensa que está fazendo?! – Enfureceu-se, tentou segurar o loiro por um dos braços, mas foi em vão, este já estava instalado.

Dado o fato do ambiente não ser muito espaçoso e conter apenas um armário, uma cama e uma porta que dava acesso a um pequeno lavabo, o mais velho teve de acomodar-se no chão, recostando as costas contra a parte de madeira da cama esperando Alan se juntar a ele.

–Olha já está muito tarde, e estou exausto. Então, se puder ir embora...

–Qual é?! Vim até aqui para parabeniza-lo e você quer me expulsar?! – Queixou-se o maior, fingindo estar magoado.

–Hump, que eu saiba é proibido esse tipo de bebida na academia. – Rebateu o de cabelos castanhos encarando-o bravo.

– É só uma taça, não vai ter problema. – Respondeu Eric já abrindo a garrafa e servindo uma das taças.

O mais jovem não tinha a mínima intenção de concordar com a oferta, mas sabia que só conseguiria se livrar do colega se o acompanhasse, então fechou a porta e sentou-se ao seu lado.

–Apenas uma taça... – Avisou Alan.

Não era comum para o mais jovem beber, porém quando o fazia, não conseguia mais bancar o carrancudo, e acabou conversando e rindo muito junto ao outro. Uma, duas, três, já era a quarta vez que Eric reenchia a delicada louça. Conversavam sobre seus trabalhos como ceifadores, de como a vida eterna podia ser solitária.

–Existe alguém especial pra você? – Questionou curioso, enrolara até aquele momento para perguntar.

–Não existe, nem nunca existirá. – Respondeu ele perdendo o tom divertido de antes.

–Por que não? – Indagou aproximando-se sem que o menor percebesse, este estava com os olhos fechados e a cabeça recostada sob o colchão.

–Não quero sofrer com despedidas, muito menos que qualquer um sofra por minha causa. – Disse permanecendo na mesma posição que estava antes.

O que ele podia estar querendo dizer com aquilo? Devia ter tido algum amor mal sucedido no passado. Eric nunca se apaixonou de verdade por ninguém, e era por isso que o que sentia por Alan o instigava tanto, queria saber se aquilo poderia realmente ser amor. Aproveitando-se de que o menor estava com os olhos fechados pôs seu rosto bem a frente do menor focando sua atenção a boca dele, tão próxima, tão delicada e macia. Tinha a chance que precisava e não iria desperdiça-la. Assim que o jovem sentiu a respiração quente do loiro contra sua pele abriu os olhos, deu-se conta da proximidade que se encontravam e tentou afasta-lo o mais rápido que pode, mas antes que conseguisse este o beijou intensamente. Por mais que tentasse resistir o maior o impedia de fugir segurando seus pulsos, conquistando Alan a cada movimento que seus lábios faziam. A cada segundo que passava uma onda de calor atravessava todo o corpo do de cabelos castanhos, sentia seu rosto incendiar ao mesmo tempo em que uma sensação de frio depositava-se em sua barriga e aos poucos conforme cedia ao maior também pode sentir a língua quente dele invadir sua boca e entrar em contato com a sua. Há muitos anos não desfrutava de um beijo tão saboroso quanto aquele, todos os outros que tivera antes nunca conseguiriam se comparar ao de Alan. E ao invés de se satisfazer com aquilo, parecia que quanto mais o beijava mais sedento ficava, ansiava por muito mais do que apenas a boca do jovem. Quando achou que o de cabelos castanhos não fosse mais lutar soltou seus pulsos e passou a usar suas mãos para abrir as roupas do mesmo. Em uma das brevíssimas pausas que faziam para retomar o ar os lábios do loiro desviaram da boca do menor e foram ao seu queixo seguindo todo o desenho de sua mandíbula e descendo por seu pescoço com deliciosos beijos que causavam calafrios dos pés a cabeça do monitor. Depois que a camisa estava totalmente desabotoada uma das mãos de Eric deslizou por todo o tronco do outro parando na fivela de seu cinto, que mesmo antes de ser aberto já era possível sentir o volume que as calças continham. Sorriu devido ao fato e prosseguiu, no entanto o jovem não gostou nem um pouco, e não estava disposto a continuar, mesmo tendo chegado até ali.

–P-pare...pare... – Falou baixo tentando afastar a mão de Eric de onde ela estava.

Tentou investir sob os lábios do menor novamente para convencê-lo, mas não funcionou desta vez, Alan empurrou-o para longe, e com certa dificuldade pôs-se de pé.

–Vá embora! – Disse secamente, voltando a tratar o loiro como sempre.

Não iria desistir tão fácil, ainda mais agora. Levantou-se e sem dizer nada agarrou o outro de novo, mas este não estava para brincadeira, e já não estava mais caído no feitiço de minutos atrás, então de forma agressiva repeliu o maior.

–VÁ EMBORA! – Repetiu, gritando, sem se importar se alguém os escutaria.

–Alan eu... – Queria dizer a ele o que sentia, mas o menor não lhe deu chance.

–AGORA! – Exigiu, não queria escutar nada vindo do loiro.

Vendo que não havia outro jeito apenas deu as costas ao de cabelos castanhos e deixou o quarto.

Não faria isso, não se deixaria envolver por ninguém, pois seria pior do que qualquer catástrofe. Seu tempo não era suficiente para se dar ao luxo de permitir que isso acontecesse. Estava convencido da ideia de que nascera sozinho, e de que assim também morreria.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado desse capítulo. Se gostaram, deixem uma review para essa autora carente. Beijos e até próximo Domingo meus divos