Shinigami University
16 Capítulo 16
Notas iniciais
As férias haviam chegado ao fim, e com isso todos os estudantes já estavam de volta a universidade para o inicio de mais um ano letivo. Contavam como haviam passado o período do verão, a maioria deles viajara com a família, com os amigos ou namorados(as), enfim encontravam-se extremamente eufóricos. No entanto, grande parte disso devia-se ao fato de estarem muito empolhados com as novas matérias, pois o segundo ano era quando os jovens eram introduzidos nas aulas práticas e levados ao mundo mortal para aprenderem exatamente como deveriam recolher as almas. Outra mudança que estava ocorrendo era a chegada de novos monitores, que eram ex-alunos da academia.
Até o final da primeira semana os universitários já estavam cansados das aulas práticas que estavam tendo, estas eram mais da metade das cadeiras que estudavam, sendo elas muito rigorosas. Mas ao ver de Grell isso não era o maior dos problemas, e sim, as garotas que simplesmente não deixavam de caçar Undertaker onde quer que este estivesse. A situação estava muito pior do que no ano passado, parecia que a promessa de começo das aulas das ordinárias era agarrar o grisalho de qualquer forma. Sabia que o namorado não dava a mínima para nenhuma delas, mas mesmo assim tinha ciúmes. O que achava muito justo já que Undy olhava de uma forma assassina para qualquer um que se aproximava do ruivo, homens ou mulheres. E como Grell também era atraente, este por vezes não passava despercebido por alguns, que arrependiam-se amargamente quando iam tentar a sorte com ele e Undertaker estava por perto. Mesmo com estes problemas de casal, eles nunca se desentendiam, eram o complemento um do outro perfeitos até nas suas imperfeições.
Voltavam para casa de Undertaker no final daquela tarde, o ruivo e seu namorado. Como não havia quase ninguém por perto caminhavam juntos com Grell segurando a cintura do grisalho, e este com um dos braços sobre os ombros do menor. Apreciavam a companhia um do outro e desfrutavam o momento em silêncio. Tudo estava bem até que Undertaker escutou seu nome ser chamado, por uma voz estranhamente familiar, a qual não ouvia a muito tempo. Grell sempre alerta, separou-se do namorado no mesmo instante e logo viu quem gritara. Avistou um rapaz magro da mesma altura que ele de cabelos castanhos que se aproximava deles. Em poucos segundos o grisalho o reconheceu.
–Alan? – Indagou Undy com um pequeno sorriso, também indo até ele e abraçando-o.
“-ALAN?! QUEM DIABOS É ESSE CARA?!” – Pensou o ruivo enquanto encarava o namorado já fervendo de ciúmes.
–Meu Deus! Há quantos anos?! – Falou o de cabelos castanhos – Olha só pra você, está ótimo!
“-SIM, ELE ESTÁ MUITO BEM, E É MEU!”
–Puxa, não achei que fosse encontra-lo justo aqui. – Disse Undertaker contente em rever o velho amigo.
–Também não sabia que você havia saído... bem... daquele lugar. – Falou o estranho ficando sério.
Neste momento o grisalho olhou para o namorado discretamente por sobre o ombro, querendo saber se este ouvira a última coisa que Alan dissera, torcia para que não. Do contrário tinha certeza que ele lhe questionaria a respeito, e isso era algo que Undertaker não gostaria de contar. O ruivo não deixou de notar a espiadela do outro, e sabia que este escondia alguma coisa.
–Pois é. Ahm... este é meu namorado, Grell. – Apresentou Undy, ao velho amigo.
Ficou extremamente surpreso ao escutar Undertaker assumi-lo daquela forma, mesmo sendo a um conhecido, pois haviam combinado que não diriam a ninguém, mesmo estas pessoas sendo próximas a eles. Encarava o grisalho e o de cabelos castanhos espantado, sem saber como proceder em uma situação como aquela, e como estava “treinado” a negar, por impulso, foi o que fez.
–Esta tudo bem, eu e Alan somos amigos há muitos anos, e ele também é gay. – Explicou Undy ao ruivo, que por um lado tranquilizou-se, mas em com compensação pelo outro, imaginou se eles não haviam tido algum envolvimento no passado.
–Como vai? – Perguntou apertando a mão do outro.
–Tudo bem, é um prazer conhece-lo. – Respondeu o mais velho gentilmente.
As coisas não podiam ser piores, além de amigo de infância de Undertaker o rapaz era gay, o que aumentava ainda mais o ciúmes de Grell. O grisalho já havia lhe dito uma vez que antes dele, tivera outros três parceiros, seria Alan um deles? Apesar de ter comentado, nunca contara por que seus outros relacionamentos não deram certo, quem poderia lhe garantir que depois de terminarem eles não continuaram próximos? Normalmente as separações não eram amigáveis, mas conhecendo a personalidade calma, e gentil de Undertaker, haviam possibilidades de sua teoria estar correta.
–Então, o que está fazendo aqui? – Indagou o mais alto a Alan tirando Grell de seus devaneios.
–Estou de licença na central, e como a universidade já havia me convidado para ser monitor esse ano, acabei aceitando. – Contou o shinigami alegremente – Além do mais, estava com saudades da minha época aqui na academia.
–Que ótimo! Já sabe qual vai ser sua área? – Perguntou Undertaker igualmente animado.
–Ahm... da residência 40 a 55. – Falou conferindo em um pedaço de papel.
–Bem, então saiba que será nosso monitor, eu moro na 40 e ele na 54. – Comentou o grisalho com certa pretensão.
–Isso não vai prestar... – Riu Alan – Tenho que ir, nos vemos mais tarde. Tchau, foi um prazer Grell.
–Vá até lá em casa hoje para conversarmos melhor. – Sugeriu Undy acenando para o amigo.
Após se despediram, cada um seguiu seu caminho. Mesmo o ruivo estando quieto como antes estava diferente, Undy via que agora ele estava com a cara fechada, e até já imaginava o porque, mas ao invés de retratar-se preferiu provoca-lo um pouco mais, adorava vê-lo bravo por causa de ciúmes.
–O que achou do Alan? – Perguntou segurando o riso e tentando permanecer sério.
Ele nada disse, apenas deu de ombros. Não encarava o outro nos olhos, seu dia já fora ruim o suficiente para ainda ter que lidar com esse sujeito que aparecera do nada para enchê-lo de dúvidas se metendo entre ele e seu namorado.
–Vocês parecem íntimos demais. – Resmungou ainda emburrado.
Perdeu o equilíbrio quando Undertaker o empurrou para o meio das árvores e moitas que haviam ali e acabou caindo. Sem demora o grisalho sentou em seu colo e impediu-o de se levantar largando o peso de seu tronco sobre o do outro, que estava olhando para os lados nervoso, com medo de que alguém os visse daquela maneira. Undy beijou-o profundamente deixando o ruivo sem ar, sempre que os lábios do grisalho estavam junto aos seus sentia-se tão leve a ponto de flutuar.
–Você fica uma graça quando está zangado. – Cochichou no ouvido de Grell enquanto ainda segurava seus pulsos, e passava a lamber seu pescoço – Sempre consegue me fazer perder a razão.
–Undy... alguém pode nós ver. – Respondeu ainda tentando lutar contra o desejo que também sentia pelo outro.
–Por você eu assumo qualquer risco. – Contrariou ao começar a desabotoar a camisa do ruivo puxando-a com os dentes e beijando cada parte desnuda que ficasse a seu alcance. Até que ao chegar no peito de Grell mais precisamente em seu mamilo direito o grisalho parou o que fazia e franziu o cenho. Como o outro já estava entregue, apenas reparou quando Undertaker demorou para continuar com as caricias e abriu os olhos para ver o que estava acontecendo.
–O que houve? Tem alguém vindo? – Perguntou erguendo a cabeça para olhar Undy, até que enxergou o que o grisalho encontrara.
–O que é isso? – Indagou ele referindo-se a uma marca ao redor do mamilo do ruivo. A principio achava ser um chupão, mas depois que o examinou com mais atenção percebeu que tratava-se de um hematoma, provavelmente causado por uma colisão ou algo do tipo, porém estranhou o local.
–É...é um roxo... – Falou gaguejando um pouco, como pudera esquecer que com certeza o que havia ocorrido deixaria uma marca?! Tinha que arrumar um jeito de explicar-se antes que Undertaker descobrisse a verdade – Eu me machuquei na aula prática hoje...não consegui segurar um halter e ele caiu no meu peito.
–Hum... como foi que... – Antes que continuasse ouviu vozes, que apesar de ainda estarem um pouco longe, não demorariam a chegar. Então levantou-se e ajudou o outro a fazer no mesmo – Anda, vamos terminar isso em casa.
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Estava contente em ter a oportunidade de voltar a academia, Alan formara-se ali a quatro anos atrás e atualmente trabalhava na seção de despacho. Era um funcionário exemplar, muito querido por todos e sempre pronto a ajudar. Mas devido a motivos pessoais teve de se afastar da central por algum tempo. Agora que encontrara Undertaker tinha certeza de que tomara a decisão certa ao pedir licença, a oito anos não o vira mais. Fora muito bom para ele reencontrar o velho amigo, e o melhor de tudo era que este estava melhor, até já conseguira um namorado. Lembrou-se dos desagradáveis momentos que teve de ver o grisalho enfrentar, e no lugar dele, Alan achava que não teria conseguido superar tudo que este passara.
Conheciam-se desde a infância, e apesar de ser um pouco mais velho que Undertaker, sempre foram amigos, mas sua relação nunca passara disso. Depois de Elyza, o de cabelos castanhos era melhor amigo de Undy, conhecera todos os namorados dele, inclusive o último, Arthur, por quem Undertaker era perdidamente apaixonado. Alan avisara a ele inúmeras vezes que deveria ter repensado sua decisão naquela noite, mas o grisalho estava confiante demais de que tudo daria certo, no final, muito se enganara. Sacudiu a cabeça tentando deixar tudo aquilo de lado, afinal não importava mais passado era passado, agora as coisas estavam bem, ao menos para Undy, e era só o que importava.
Seguia a caminho do prédio dos monitores onde iria terminar de desfazer suas malas. Subia as escadas com alguém em seu encalço, porém não se prestou a ver seu rosto. Quando encontrou-se em um dos últimos degraus seu pé acabou escorregando e perdeu o equilíbrio pendendo para trás, estava pronto para o impacto que atingiria suas costas, mas antes que isto acontecesse sentiu-se ser amparado por um par de gentis braços que o seguraram por trás. Ainda sustentado pela pessoa misteriosa virou a cabeça para seu lado esquerdo com a intenção de ver quem era, e no momento em que o fez, ficou admirado com o sujeito que o ajudara. Seu salvador era muito bonito, tinha um ralo cavanhaque, um rosto com traços fortes e cabelos loiros, onde em um lado de sua cabeça tinha os fios trançados colados ao couro cabeludo.
–Tudo bem? – Perguntou ele um pouco preocupado sem soltar Alan, que ainda estava sem reação.
–S-sim, e-eu tropecei. – Justificou-se, um pouco envergonhado de seu atrapalho.
–Tenha cuidado, teria sido uma queda feia. – Falou ajudando o outro a ficar de pé.
–Obrigado... – Agradeceu estendendo a mão ao loiro para cumprimenta-lo de maneira adequada desta vez – Meu nome é Alan Humphries. Sou um dos novos monitores.
–Eric Slingby, também sou um dos novos. Na verdade, é a segunda vez que estou sendo chamado para ser monitor aqui.
–Oh, se formou já faz algum tempo então? – Indagou curioso enquanto subiam o restante dos degraus. De fato não lembrava-se deste homem na sua turma de formandos.
–Sim, já fazem sete anos, mas sempre é bom estar por aqui. – Comentou com um pequeno sorriso — Bem, foi bom te conhecer. Tenho que ir, preciso verificar minha qual é a minha área antes do horário da ronda. Boa sorte, novato.
Seguira na direção oposta a que ficava o dormitório do mais jovem, e este ficara parado apenas admirando o incrível homem que conhecera. Seria incrível poder ter um relacionamento com alguém de tão bela aparência, não sabia qual era sua personalidade, mas parecia ser uma boa pessoa. Porém, logo recordou-se que além de sua timidez, tinha outro problema, o qual o impedia de envolver-se com qualquer um, pois convenceu a si mesmo de que devido as circunstâncias em que se encontrava seria melhor ficar sozinho.
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Grell estava sentado no sofá do quarto de Undertaker enquanto esperava este terminar seu banho, já que não puderam concluir o que haviam começado quando estavam nos jardins, graças à presença de Ronald, que segundo o grisalho andava muito “caseiro” ultimamente. Pensava no que o namorado descobrira em seu peito, e sabia que este não acreditara na história que inventou, no entanto não conseguiu pensar em nada melhor naquele momento. Tinha que dar um jeito na situação antes que ela se agravasse, na verdade, não entendia por que aquilo estava acontecendo. No início decidira que não tomaria nenhuma atitude, mas isso fora no começo da semana, quando ainda acreditava que nada de mais grave fosse acontecer, diferente do que se sucedera naquela sexta-feira. Tinha centenas de ideias na cabeça quando Undertaker abriu a porta do banheiro, saindo de lá apenas com uma toalha enrolada na cintura e seus longos cabelos molhados grudados em seu corpo. Grell deu um pequeno sorriso e olhou para o outro lado, fazendo de conta que o que vira não o deixou impressionado. Não aguentava mais a vontade de retomar as coisas de onde pararam, então seguiu até o sofá e agarrou o ruivo dando-lhe uns amassos. Primeiro, movia apenas a ponta da sua língua na boca dele, até que ambas adentraram nas bocas alheias. Realizavam movimentos circulares, sempre com uma tentando ficar no topo da outra. Grell tocava tudo, os ombros, o peito, a cintura, o pescoço, e os braços do grisalho, explorando lentamente o corpo dele. Os sussurros dados por Undy no ouvido do namorado causavam neste um arrepio gostoso próximo a sua orelha fazendo-o encolher-se um pouco.
–Você é tão bonito, tão sexy... – Dizia com luxúria.
Queria fazer Undertaker sentir os mesmos calafrios, então beijava e lambia seu pescoço, soprando a região logo em seguida sentindo este tremer, sorrindo com o resultado. As provocações eram parte constante entre os flertes dos dois, era como se fosse uma competição para ver quem se rendia primeiro, embora Grell normalmente perdesse, o grisalho adorava quando ele participava. Undy garantiu sua vitória quando pressionou de leve o machucado do ruivo, conseguindo um sôfrego gemido por parte dele, que apesar de sentir um pouco de dor, parecia gostar. Não era a primeira vez que Undertaker observava que seu parceiro tinha um pouco de tendência ao masoquismo, mas como não tinha coragem de machuca-lo, nunca aprofundara suas experiências. Agora, lambia com certa força o hematoma de Grell, que enfiara os dedos entre os fios brancos do namorado incentivando-o a continuar apesar do incomodo que sentia, e não evitou um pequeno grito quando Undy deu um chupão no local. Por um momento pensara que tivesse exagerado e olhou para o ruivo, que segurou sua mandíbula e puxou-o para seus lábios mais uma vez. Estavam a milhares de quilômetros daquele lugar, até que a porta se abriu e Ronald entrou. Só tiveram tempo de separarem as bocas, e ficarem em uma posição extremamente “esquisita”, onde Grell estava sentado com as pernas esticadas no restante do sofá e Underetaker seminu deitado sobre ele.
–Ronald... há uma explicação, não é o que parece. – Falou o grisalho quase a beira do pânico.
Grell não sabia onde esconderia o rosto que provavelmente estava da mesma cor de seus cabelos. Agora tudo estava perdido, não havia o que dizer ao loiro, pois este não era tão idiota assim a ponto de não perceber o que os dois estavam fazendo, ou pretendiam fazer.
–Tá, tá que seja... – Respondeu ele sem dar a mínima importância ao que acabara de ver – Aqui, peguei nossa correspondência hoje, esta é sua... e ESTA... – Destacou um envelope erguendo-o no ar – é pra mim!
Bateu a porta e foi embora sem dizer mais nada, animado como se houvesse ganhado um prêmio milionário. Os dois ficaram paralisados por alguns segundos enquanto processavam o ocorrido. O choque fora tão grande que qualquer vontade que tivessem se foi. Continuavam em silêncio até que o grisalho voltou à realidade.
–Essa foi por pouco. – Disse a Grell, que concordou com a cabeça ainda meio atônito – Mas foi divertido! Agora, vamos ver a correspondência.
Estava esperançoso de que fosse de Elyza que já fazia algumas semanas que não lhe mandava nada. No entanto, assim que leu os nomes “Sr. e Sra. Crevan” no verso do envelope fez cara de nojo para a carta. Tal expressão foi notada pelo ruivo que sempre tivera curiosidade em saber quem eram os correspondentes do namorado. Não entendia por que o grisalho nem ao menos quebrava o lacre do envelope e sempre jogava tudo fora no mesmo instante, coisa que não fora diferente naquele momento.
–Ahm... quem era o remetente? – Indagou, imaginando se o outro não ficaria zangado por ele estar se metendo na vida particular dele.
–Meus pais... – Respondeu com desprezo.
Conhecia Undertaker melhor do que ninguém, ou pelo menos achava que sim. Nunca pensou que o grisalho seria tão insensível o ponto de joga-las fora sem nem conferir o conteúdo. Sabia como os relacionamentos entre pessoas “eles” para com seus pais podiam ser ruins, e arrependia-se muito do que acontecera entre ele e sua própria família, por isso não queria que o namorado também cometesse o mesmo erro.
–Por que você não as lê? – Perguntou com um tom um pouco indignado – É evidente que vocês não se dão bem, mas não deveria dar mais valor a eles? Afinal de contas são seus pais.
–Hum...eles nunca foram, nem nunca serão nada pra mim. Se as coisas dependessem da minha vontade já poderiam estar mortos. – Disse sem olhar para Grell, que ficara pasmo com o rancor que Undy carregava.
–Não diga isso. Às vezes por mais que não pareça... eles te amam... – Rebateu o ruivo tentando conscientizar o outro.
–Queria mesmo que isso fosse verdade, – Falou encarando as esmeraldas do namorado – mas já cansei de me iludir com essa ideia. Meus pais eles...
Conseguiria finalmente fazer Undertaker contar a ele que tantos mistérios guardava? Embora o ruivo não fosse muito diferente dele e também escondesse seu passado. Se não fosse por esse fato, com certeza já teria tocado mais vezes no assunto e insistido bem mais. Decidira que se o grisalho se abrisse com ele sobre sua família, faria o mesmo. Dera alguns instantes para que o outro tomasse sua decisão, e quando este estava prestes a lhe dar uma resposta, Ronald entra.
–Ei, Und. Tem um cara lá em baixo querendo falar com você. – Comunicou o loiro ainda um tanto apressado como momentos atrás – Ele disse que se chama Alan.
–Diga que o Undertaker não está! – Bufou o ruivo ficando emburrado de novo.
Fazia pouco mais de uma hora que haviam se encontrado com esse sujeito, e agora ele estava ali outra vez?! O que poderia querer? Assim que voltaram para casa, Undy explicara ao ruivo que os dois eram e sempre foram apenas amigos, e que não havia por que Grell se preocupar. Acreditava nas palavras do namorado, mas como saberia que as intenções do de cabelos castanhos não eram diferentes? E como a todo o momento o grisalho ficava provocando-o, este acabava ficando um pouco inseguro.
–Eu já estou indo. – Disse Undertaker, enquanto procurava por uma roupa, e Ronald deixava o aposento.
–Bem, eu não vou ficar aqui segurando vela. – Resmungou o outro levantando-se e terminando de se arrumar saindo do quarto.
–Espera, você só não fica por que não quer. – Disse impedindo o ruivo de ir embora prensando-o contra a porta atacando seus lábios com algumas mordidinhas e beijos – Já lhe disse que não tem motivos para implicar com o Alan, somos apenas amigos.
Via que Grell estava de birra, e que apenas fazia-se de difícil em seus braços para receber ainda mais atenção, esgueirando-se manhosamente de seus beijos e caricias. Mas depois de algum tempo juntos o grisalho aprendeu quais eram os “pontos fracos” que o namorado tinha, e um deles eram as palavras. O ruivo amava quando recebia elogios e palavras carinhosas sussurradas sensualmente ao pé do seu ouvido, apesar de ficar envergonhado certas vezes.
–Você não tem ideia de quanto eu lhe desejo. – Falava entre beijos e chupões no pescoço e mandíbula do ruivo que apertava-o com força contra seu corpo – É tanta vontade que mal cabe dentro de mim.
–Nós podemos resolver isso mais tarde. – Respondeu Grell logo em seguida beijando-o o mais profundamente possível, sem deixar nem um milímetro do interior da boca de Undy sem passar sua língua.
Fora sofrido para os dois pararem o que faziam e deixarem o quarto, mas acabaram tendo que descer. Encontraram Ronald na cozinha, com a mesa coberta por uma grande quantidade de folhas amassadas ao redor dele, este nunca encontrara tanta dificuldade em responder a uma simples carta. Mais alguns passos e viram Alan sentado no sofá esperando por Undy. O mais velho logo arrependeu-se de ter pedido ao loiro que fosse chama-lo, pois este não lhe informara que o grisalho estava na companhia de Grell, e assim que estavam próximos tratou de desculpar-se, afinal sempre fora muito educado.
–Lamento ter interrompido qualquer coisa. – Retratou-se olhando para o ruivo, pois desde o inicio sentira que ele não aceitou-o muito bem, sem saber que com aquilo só pioraria as coisas.
Um forte rubor tingiu as bochechas de Grell, que não querendo ser estúpido com o amigo do namorado optou por calar-se, já que Undertaker não corrigiu-o sobre seu pensamento. Tanto para o grisalho quanto para o de cabelos castanhos era perfeitamente natural falarem sobre sexo entre eles. Mas o ruivo sentia-se desconfortável de tocar no assunto até mesmo com Undy, e normalmente evitava fazer qualquer comentário ao namorado para que esse não iniciasse a conversa. O outro não entendia por que Grell ainda tinha tanta vergonha, principalmente depois de todas coisas que já haviam feito. Isso acima de tudo era um problema para o grisalho, que por muitas vezes tinha que adivinhar o que o parceiro realmente gostava que eles fizessem na cama, pois ele não abria a boca para dizer absolutamente nada, apenas para gemer.
–Não tem problema, além do mais, foi eu quem o convidei. – Respondeu Undy como sempre, amigável – Mas diga, já achou alguém de interessante por ai?
–Não, mal me organizei... – Mentiu o mais velho.
–Alan, eu te conheço a 11 anos, não minta pra mim. Está estampado na sua cara. – Retrucou sorrindo um pouco maroto.
De fato, Undertaker conhecia o monitor muito bem, por que apesar de outros não repararem, o grisalho conseguia ver uma espécie de “aura” que envolvia o amigo quando este encontrava alguém que despertava seu interesse. Principalmente por que conversar sobre homens sempre fora um assunto que tomou grande parte das horas que já haviam passado juntos.
–Você não mudou nada... – Fingiu queixar-se sobre as conclusões precipitadas que o amigo tirava – É, talvez sim, talvez não...
–Siga-o, – Aconselhou o grisalho sem nem ao menos saber de quem se tratava – veja quais são os lugares que ele vai, se já tem algum amigo, o que ele gosta de fazer e comece a se aproximar aos poucos, você pode começar hoje mesmo!
–Isso não é meio maníaco? – Indagou Grell que até agora permanecera apenas escutando tudo.
–Por que você acha que estamos namorando agora? – Disse Undy sorrindo irônico.
–Obrigado pelos conselhos, mas não vou precisar, não pretendo ter nenhum relacionamento — Falou o monitor um pouco abalado.
–O que?! Mas qual o motivo?! Logo você que sempre foi tão... afetivo! – Respondeu o grisalho, estranhando muito o comportamento do de cabelo castanhos.
–Isso é conversa para uma outra hora... – Comentou ele ainda com a expressão deprimida. – Nos falamos em breve. Eu tenho que ir, faltam 15 minutos para o começo do patrulhamento.
–Tenha certeza de que vou lhe cobrar esse assunto. – Avisou o grisalho ao despedir-se do mais velho que já ia em direção a porta quando Undy se pronunciou novamente.
–Ah, Alan, posso pedir uma coisa? – Questionou o grisalho fazendo-se de interesseiro enquanto passava o braço sobre os ombros do ruivo e aproximava-o de si – Grell pode passar a noite aqui? Tenho planos pra hoje.
Antes que o de cabelos castanhos respondesse, Undertaker levou um beliscão logo abaixo das costelas. Grell odiava que o namorado expusesse a relação deles assim, o que ultimamente vinha acontecendo de forma corriqueira, e sabia por que, tinha certeza de que o grisalho queria que ele falasse mais sobre as coisas que o deixavam desconfortável, por isso dava-lhe indiretas o tempo todo.
–Ah, claro. – Concordou ele – Vou assinar dizendo que você estava na sua residência. Até.
Assim que Alan saiu o ruivo começou a xinga-lo. Mas Undertaker pediu para que este fizesse silêncio e olhou para Ronald que continuava absolvido com todos aqueles papéis amassados. Antes que o loiro terminasse o que fazia, enquanto estava distraído, Undy levou Grell para o quarto outra vez, para que este não fosse visto.
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Já havia passado do horário do toque de recolher, mas Ronald pouco se importava com aquilo. Finalmente conseguira terminar o texto, e estava a caminho do prédio das correspondências, que ficaria aberto somente por mais alguns minutos, tinha que enviar a carta ainda hoje. Tudo ocorria nos conformes até que do nada surge um dos monitores e o repreende, sendo obrigado a parar.
–Ei, você ai! – Chamou o mais velho – O que está fazendo aqui?
–Ahh merda. Fala ai cara... – Disse o loiro tentando ser simpático para livrar-se do problema.
–O toque de recolher foi a mais de meia hora, o que ainda está fazendo aqui? – Perguntou Eric sério.
–Só estava indo deixar uma correspondência, e... – Sem conseguir terminar a frase fora interrompido pelo outro.
–Teve o dia todo para fazer isso, e escolhe o único momento que sabe que não é permitido? – Ralhou o monitor – Levante os braços para mim revista-lo.
–O QUE?! – Berrou o loiro indignado, achava aquilo uma completa idiotice – Pra que?!
–Anda logo moleque!
Apesar de ainda estar a contra gosto, virou-se e pôs ambas as mãos atrás da cabeça enquanto Eric revistava os bolsos do loiro, no qual um deles achou a carta que este levava.
–Hump, o que é isso? – Perguntou ele desdobrando o papel e lendo o conteúdo.
–Ei! – Berrou Ronald tentando tomar as folhas de volta – Isso pessoal, me devolve!!!
O monitor já gargalhava apenas ao ler as primeiras linhas, e foi quando o mais novo conseguiu arrancar a carta das mãos do outro, ficando com um pouco de vergonha pela reação que o loiro tivera.
–Qual é a graça?! – Perguntou indignado – Acha que pode ficar pegando objetos dos alunos apenas por que é superior?!
–Olha só garoto, eu estaria lhe fazendo um favor se confiscasse essa sua carta. – Respondeu ainda rindo alto.
–Uff, é, alguém como você deve entender muito de mulheres. – Debochou Ronald – Saiba que até hoje não houve uma garota se quer que não tenha se entregado a mim.
–Crianças... acha mesmo que pode conquistar qualquer uma? – Indagou o Eric de forma desafiadora.
Confiante o loiro confirmou com a cabeça, e permaneceu encarando o monitor de forma petulante.
–Pois bem, como hoje estou de bom humor vamos fazer uma aposta. – Disse ele, cruzando os braços e olhando com certa superioridade para o jovem – Vou te levar para Londres e quero ver se consegue realmente ganhar as garotas.
–Por que eu faria isso?! – Rebateu Ronald achando a proposta ridícula – O que vou receber em troca?
–Se vencer, eu o deixo entregar a carta quando voltarmos.
–Eu não sou idiota, o prédio da correspondência fecha em 10 minutos. Quando eu vencesse e retornasse não me adiantara de mais nada.
–Garoto eu sou monitor, – Lembrou-o o mais velho da informação – SE você ganhar, assim que chegarmos eu abro a sala e deixo sua carta lá. Do contrário, pode me entregar ela, voltar para casa, e ir para suspensão amanhã. Você decide.
Praticamente sem alternativas Ronald acabou aceitando o desafio, do qual tinha certeza de que iria se sair muito bem. Não importava onde fossem, mulheres era sempre iguais para ele, se conseguia se dar bem com uma, com o resto não seria diferente. No entanto, não seria o único a ter “trabalho” iria impor alguns termos quanto a aposta.
–Eu topo. – Concordou ele – Mas você também terá que participar, já que se acha tão bom com as damas quero ver se isso é realmente verdade.
–Se acha que pode me alcançar. – Falou o monitor dando de ombros.
Continuaram ali estabelecendo outras regras, logo que ambas as partes concordaram com tudo, Eric pegou sua foice e abriu um portal no ar, empurrando o universitário para dentro e passando em seguida. Mal sabia ele que havia alguém os observando, e antes de o vórtice se fechasse, tal individuo também o atravessou.
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