Shinigami University
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Estava de volta à universidade, seu retorno demorou mais que o tempo previsto, mas isso não importava, por que sabia que algumas pessoas ficariam realmente felizes em tê-lo ali. E por mais narcisista que fosse, Ronald Knox, estava certo. Porém antes de conferir as garotas, iria até em casa deixar as malas. Tinha consciência de que Undertaker passaria o verão todo no campus, e como este sempre mantinha o lugar em ordem, estava contente de chegar e não ter que fazer nada.
Tamanha não fora sua surpresa ao abrir a porta e encontrar o interior da residência um total chiqueiro. O QUE DIABOS ACONTECERA?! Jamais seu colega deixara uma bagunça tão grande. Haviam roupas, embalagens e restos de comidas e bebidas, poeira, pilhas gigantes de louças sujas, sem contar um cheiro horrível. Algo sério deveria ter acontecido com ele para a casa estar daquela forma. Correu rapidamente até o dormitório do amigo para ver se ele estava lá. Sem cerimônias entrou no quarto e encontrou-o deitado, mas assim que a porta foi escancarada com força este acabou acordando. Diferente do restante da residência aquele era o único cômodo que parecia encontrar-se limpo.
–Ronald? – Perguntou ainda sonolento – Que bom que voltou. – Anunciou sinceramente.
–Undertaker! O que aconteceu? Achei que não estivesse vivo pelo cheiro que há na casa.
–Cheiro? Que cheiro? – Perguntou ele esfregando os olhos.
–Você não sentiu? Parece que alguém morreu no andar de baixo! – Exclamou o loiro.
–Eu não sei, não devo ter sentido por que já fazem alguns dias que não saio daqui. Desde que acabou a comida.
–O QUE?! Você não foi até a cantina para comprar mais?! – Perguntou escandalizado pela forma como estava o grisalho – O que houve com você?
–Todos foram embora! E eu tive que ficar aqui sozinho, SOZINHO RONALD!
–O William e o Grell não iam ficar?
–O Grell foi pra casa há 12 dias, 9 horas e 54 minutos. – Respondeu olhando em seu relógio – E o Will me trancou para fora da casa deles.
–Não sabia que você era tão ávido por companhia, se não teria voltado antes. – Declarou o loiro com um pouco de pena do amigo – Ponha uma roupa, vamos dar uma volta pra você renovar os ares e comprar alguma coisa pra comermos.
Sem delongas o grisalho se levantou e começou a procurar algo para vestir. Enquanto, Ronald olhava o ambiente que estava perfeitamente organizado, procurando por alguma sujeira, mas não encontrou nada.
–Por que as únicas coisas limpas nesta casa são você e o seu quarto? – Perguntou o loiro sem entender a “lógica” do amigo.
–Por que eu iria querer ficar imundo? Ou dormir no meio da sujeira? – Questionou o outro de volta.
–Bem, por que se todo o resto está sujo e você não se importou...
–Sujeira e falta de higiene me lembram de maus momentos na minha vida... – respondeu Undertaker secamente.
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Depois que os dois se alimentaram e Undertaker saiu de seu estado de inanição, ficaram o resto da tarde passeando pelo campus. Ronald procurou por toda a parte, mas nenhum sinal de nenhuma garota se quer. Aquilo não podia ser verdade, quem iria lhe dar atenção agora?! Foi então que lhe ocorreu a brilhante ideia de checar sua correspondência, sempre haviam dezenas de cartas e recados de diversas moças, era a única maneira de acalmar seu ego. Sugeriu a ideia ao amigo, que sem pensar duas vezes negou-se estritamente em por seus pés naquele prédio, não queria correr o risco de encontrar aquela maníaca sexual. Como também faziam dias que não conferia suas cartas pediu ao loiro que pegasse-as, com certeza este não teria problema em convencer qualquer uma das atendentes. Decidiu que iria para casa para começar a pô-la em ordem, o que levaria muito tempo. Antes de sair com Ronald, quando descera ao primeiro andar não achava que a situação pudesse ser tão crítica, no entanto mudara de opinião quando olhou para baixo e não conseguiu ver as tabuas do chão.
Ao entrar deu uma boa olhada no ambiente e lembrou-se da última vez que vira a residência daquela maneira, fora no dia em que o loiro dera a festa de “final de ano”. A primeira noite que teve Grell em seus braços. Suspirou de felicidade e pesar ao mesmo tempo, o que o ruivo poderia estar fazendo naquele momento?
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Papéis, papéis por toda a parte! Montanhas deles espalhados sobre a mesa de jantar. Grell não sabia por onde começar, toda vez que terminava de assinar uma das folhas de documentos, apareciam outras dez iguais com ainda mais exigências. As quais boa parte, eram informações fora de seu conhecimento, dados requeridos que ele nem fazia ideia que existiam e muito menos onde os encontraria. Faltavam-lhe informações e arquivos, sem contar que a cada momento eram exigidas mais e mais vias destas infinitas papeladas. Sua cabeça latejava, e os olhos lacrimejavam de tanta dor, mal conseguia ler o que diziam os documentos, muito menos pensar a respeito deles. James, ao invés de vir ajuda-lo, a cada dia trazia folhas em abundância que nem o próprio sabia a quem seriam destinadas. Grell estava à beira de ter um colapso, enquanto encontrava-se sentado olhando para aquele mar de páginas brancas a sua frente, quando o mais velho bateu na porta. Sabendo de quem se tratava o ruivo foi rapidamente abri-la, mas apenas ficar com ainda mais ódio, pois o Sr. Petterson estava ali apenas para lhe entregar outra pilha de papéis. Este era um homem dedicado, colocava seu dever acima de tudo, mas era extremamente antipático. Não via a hora de pegar os documentos com Grell e encerrar o assunto de uma vez por todas.
–Terminou os outros? – Perguntou frívolo – Sabe que são urgentes. Pegue, – Disse ele entregando os novos ao rapaz – preciso que faça estes aqui até amanha também.
James já estava dando as costas para ir embora como sempre, mas foi então que o ruivo explodiu.
–QUEM SABE AO CONTRÁRIO DE VOCÊ VIR AQUI APENAS ME ENTREGAR ESSE MONTE DE MERDA, PRA VARIAR, VOCÊ PODIA ME AJUDAR A PREENCHÊ-LAS!!! – Berrou ele para quem quisesse ouvir, fazendo a atenção do outro finalmente voltar-se a ele.
Apesar do moreno estar fervendo de raiva, sabia que o garoto estava certo. A contra gosto entrou na casa, e seguiu-o até onde este estava tentando executar sua tarefa. Quando viu a mesa abarrotada foi que se deu conta da quantidade de coisas que havia simplesmente descarregado no jovem, não era pra menos que este estivesse estressado. Tudo tinha de estar pronto em três dias, até o aniversário de Grell.
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Depois de quase duas horas Ronald voltou para casa, que apesar dos esforços de Undy ainda não estava nem perto de poder ser classificada como habitável. O loiro pulou sobre as pilhas de lixo e chegou até o grisalho que recolhia as embalagens espalhadas.
–Puxa, achei que a esta hora já estaria tudo pronto. – Reclamou ele olhando ao redor.
O outro nada disse, apenas fuzilou o amigo com o olhar e continuou sua tarefa.
–Por que demorou tanto? Tinha alguma coisa pra mim?
–Ahh, graças aos céus encontrei umas garotas pelo caminho. Sim, tinha isso aqui. – Disse Ronald entregando os envelopes ao colega.
Este passou por todos rapidamente na esperança de que alguma das cartas fosse de Grell, mas não, eram todas de seus pais. Será que o ruivo esquecera-se da promessa que fizera? De que escreveria todos os dias, ou pior, já havia esquecido Undertaker? O grisalho sacudiu a cabeça para afastar tal ideia, e estava pronto para rasgar a todas as correspondências, quando uma delas caiu no chão. Ao apanha-la viu que não era uma carta qualquer de sua família, e sim de Elyza! Tratou de abrir rapidamente o envelope, ficara entusiasmado, já havia semanas que não se falavam. Lia avidamente o texto, até que ao chegar nas linhas finais uma felicidade gigantesca estourou em seu peito.
–AHH cara... – Resmungou o loiro com uma outra carta na mão – o meu tio foi preso de novo.
Ronald reparou na alegria contagiante que emanava de Undy e não pode deixar de questiona-lo.
–Boas noticias? – Perguntou animado pelo outro.
–Ótimas! – Respondeu com um sorriso que ia de um lado ao outro de seu rosto – Minha irmã vem nos visitar.
–Jura? Quando?
–Ahn... hoje... droga... ANDA LOGO, ME AJUDE A LIMPAR ESSE LUGAR!!!
Como Elyza poderia chegar a qualquer momento no campus, os dois tentaram arrumar a casa o mais rápido possível. A cada minuto que se passava a ansiedade de Undertaker crescia mais e mais, já fazia quase um ano que não via sua querida irmã, mal podia esperar sua chegada. Passaram um tempo juntos antes do grisalho entrar na universidade, quando voltara a casa de seus pais para passar as férias. Amava Elyza mais que tudo, pois esta sempre estivera ao seu lado em todos os momentos, bons ou ruins, e isto fora uma das coisas que mais sentira falta durante os quatro anos que ficara afastado de casa. Desde pequenos sempre foram a companhia um do outro, ela também fora a primeira a saber sobre seu segredo. Que hoje em dia Undy acreditava que “mexera” demais com a irmãzinha. Pois esta se tornara um tanto quanto obsessiva quando o assunto tratava-se de homossexualidade (Fujoshi), mas mesmo com esse estranho fetiche jamais deixou de ama-la, era a única da família com quem ainda mantinha contato. Finalmente tudo estava pronto, ambos não conseguiam acreditar que já era noite, e apenas agora terminaram as arrumações, faltavam somente pequenos detalhes, assim Ronald jogou-se no sofá exausto.
–AHH eu estou morto. – Disse o loiro extremamente cansado – Não consigo dar nem mais um passo.
–Você passou a maior parte do tempo dispensando as garotas que batiam na porta. – Exclamou o outro.
–E você acha que isso não cansa?! – Indagou Ronald indignado.
Sem dar muita importância ao que o colega dissera, juntou uma pilha de roupas que estavam ali, e levou-as para os fundos. Assim que o grisalho deixou a sala, novamente bateram na porta, fazendo o loiro se lamentar por ter que levantar e atende-la. Resmungava a cada passo, mas logo que abriu a porta deparou-se com uma das, se não a mais, bonita das garotas que já vira. Esta tinha o rosto perfeito, sua pele era pálida como a lua, e o cabelo negro que lhe caia em cachos sobre os ombros, dava ainda mais destaque as feições angelicais da jovem, sem mencionar as curvas que ela possuía. Estava de queixo caído admirando-a. Quando a moça sorriu, ele foi aos céus e voltou em questão de segundos, tentava dizer algo a ela, mas as palavras não saiam, estavam presas em sua garganta.
–E-E-Elyza?! – Perguntou Ronald tremendamente surpreso, não achara que a irmã de Undy pudesse ser assim tão bela.
–AAAHHHHH!!!! – Gritou a morena histericamente fazendo o loiro voltar ao seu estado normal – GRELL! É VOCÊ?! Estou tão feliz em conhecê-lo! – A jovem abraçou-o com força, como se o conhecesse desde a infância e não o visse há anos.
–E-eu não sou... – Tentou dizer Ronald, mas fora interrompido pela enérgica garota.
–Pensei que Undy tivesse dito que você era ruivo! Pintou o cabelo não foi?! Minha nossa temos tanto o que conversar, eu quero saber TUDO! Você é muito mais bonito do que eu imaginei.
–Eu não... ahh que é isso, nem sou tão bonito assim. – Respondeu o outro convencido.
Novamente a morena abraçou-o forte, e extremamente radiante. Neste momento Undy retornou a sala e viu a cena, que sinceramente não o agradou nem um pouco. Era exageradamente super protetor, apesar da moça não ser mais inocente e nem uma criança há muito tempo.
–Elyza! O que você está fazendo? – Perguntou o grisalho.
–Undy!!! Só estava cumprimentando o Grell — Disse ela ainda agarrada ao loiro.
–Esse não é o Grell.
–Sou sim... – Respondeu Ronald tentando manter a morena junto a si.
–Oh! Lamento... – Desculpou-se a garota afastando-se de Ronald, e ficando envergonhada.
Antes que conseguisse dizer algo a morena, esta correu até o irmão e pulou em seu colo abraçando-o com toda a força que tinha, recebendo o mesmo por parte dele.
–Senti tanto a sua falta... – Sussurrou ainda agarrada ao mais velho.
–Eu também Lyz. – Respondeu retribuindo o carinho pela amada ente.
Ao se separarem Undertaker vira que Elyza estava com lágrimas em seus olhos, se recordou de como havia sido a terrível última despedida que tivera com ela, e sabia que a morena lembrara-se da mesma coisa ao abraça-lo. Malditos, até um ato carinhoso como aquele conseguiram arruinar na vida dos dois.
–Bem, acho que são dispensáveis apresentações, mas em todo caso. Ronald, está é minha irmã Elyza, que eu havia lhe dito. Lyz este é meu colega de quarto, Ronald. – Completou o grisalho ressaltando qual era o relacionamento que havia entre eles.
–Ahh claro... é um prazer conhece-lo. – Disse ela sorrindo.
–O prazer é todo meu. – Respondeu ele galanteador, olhando-a dos pés a cabeça sedutoramente.
–Pena que ela veio passar um tempo comigo, não com você. – Intrometeu-se Undertaker fuzilando o loiro com o olhar.
–Não seja grosseiro Undy. – Retrucou a jovem.
–É Undy, não seja grosseiro. – Provocou Ronald – Agora, Elyza, posso lhe ajudar com as malas? – Perguntou apontando para as bagagens que estavam na porta.
–Na verdade, — Dizia ela – Essas malas aqui são presentes para Maninho.
–EU TE AMO! –Exclamou o grisalho, voltando a abraçar a irmã com força, porém, ela se desvencilhou rapidamente dele.
–Aham, claro. Eu também te amo. – Disse Elyza passando pelos dois e entrando na casa, olhando ao redor, como se estivesse procurando por algo incrivelmente precioso – Cadê o Grell? Onde o Grell está? Ele está aqui, não está? ME DIGA QUE ELE ESTÁ AQUI!
Undertaker suspirou tristemente, lembrando da distância que o separava do ser que tanto amava.
–Na verdade ele... – Tentou dizer Undy.
–GRELL! – Chamou a moça, começando a olhar pelos cômodos da casa – GRELL! ONDE VOCÊ ESTÁ?!
Ronald cutucou o outro discretamente, chamando-lhe a atenção.
–Qual é o problema dela? – Perguntou tentando ser o mais delicado possível, sendo que aquela se tratava da irmã de Undertaker.
–É que... ela... – O grisalho pensava em uma desculpa – ela tem uma queda por ruivos.
–ONDE ELE ESTÁ?! – Gritou histericamente depois de olhar por toda parte, assustando ao loiro, já Undy estava acostumado com os ataques que ela tinha constantemente quando o assunto era seu namorado.
–Lyz, desculpe não ter te avisado, mas ele viajou já faz algum tempo – Falou enquanto se aproximava calmamente da irmã e levava-a até o sofá.
–O QUE?! E VOCÊ NÃO ACHOU QUE SERIA NO MINIMO INTERESSANTE TER ME DITO ISSO! – Respondeu tentando esganar o grisalho.
Como sentira saudades daquela maluca doentia. A cada vez que se encontravam as esquisitices dela superavam limites, e pelo que parecia estava mais fissurada em gays do que nunca. Jogou-a no sofá, e atacou a barriga da morena fazendo cócegas, e como era muito sensível sentia-as em todo lugar. Undertaker era rápido e ela não resistiu por muito tempo, logo já havia perdido a força dos braços e ria descontroladamente, e o mais velho só parou quando ela não tinha mais ar.
–Está calma agora? Ou vamos ter que continuar? – Perguntou o grisalho rindo. Elyza apenas concordou e ele soltou seus pulsos – Ótimo, vamos ver meus presentes agora!
Antes que a morena tivesse tempo de pedir para Ronald lhe alcançar as bolsas este já tomara a iniciativa e entregava as malas a jovem. O mais alto sabia exatamente qual era o plano do colega, e não permitiria aquilo nem sob seu cadáver. Levantou-se e foi em direção ao loiro pondo um braço em seu pescoço fingindo serem grandes companheiros e levou-o para a cozinha. Este já sabendo sob o que se tratava tentou livrar-se de fininho, mas as coisas não funcionaram.
–O que pensa que está fazendo? – Indagou o grisalho, fuzilando o outro com o olhar.
–O que?! Eu?! Nada! – Respondeu com um tom meio irônico – Só quis ser gentil.
–Pode ser gentil ficando no seu quarto. Estamos tentando ter um momento em fraterno se não se importa.
–É claro que não me importo, – Disse ele sorrindo enquanto caminhava pela cozinha, abrindo a janela e jogando as facas que encontrava fora – só não se esqueça de manda-la para o meu quarto depois.
Mal terminara a sentença e Undertaker já encontrava-se com as mãos em seu pescoço, e jogando-o contra a parede impedindo que o loiro escapasse.
–Estou avisando Ronald. Nunca lhe impedi de transar com absolutamente ninguém, mas agora é sério, fique longe da minha irmã. – Avisou o grisalho, furioso como jamais o vira antes – Não preciso de nenhuma faca para mata-lo.
–Calma, só estava brincando. – Disse o loiro, apesar de isso não ser verdade. Estava decidido a “experimentar” a garota de qualquer maneira, mas obviamente sem que o outro soubesse.
Tirou as mãos do colega e ambos voltaram à sala. Undertaker realmente gostava de Ronald, mas ninguém, definitivamente ninguém, iria aproximar-se da morena enquanto ele estivesse por perto, principalmente o amigo mulherengo. Durante o ano, perdera as contas de quantas garotas já haviam passado pela cama do loiro, e não queria que Elyza fosse apenas mais uma delas.
–Undy, – Disse a jovem assim que os avistou – será que posso passar a noite aqui? Não tinha a intensão, mas a carruagem atrasou... não sabia que chegaria tão tarde.
Antes que respondesse Ronald tomou a tarefa para si.
–Não precisa pedir duas vezes. – Permitiu ele, animado, e afastando-se um pouco do grisalho – Meu quarto fica subindo a escada à esquerda.
–Felizmente ela não vai precisar da informação. – Completou o mais velho – Por que a Lyz vai dormir comigo.
–Isso é incesto cara! – Exclamou Ronald irônico, e antes que fosse morto resolveu ir embora – Já sei, já sei, estou indo. Foi um prazer conhece-la. – Falou mandando-lhe um beijo.
Undertaker revirou os olhos e juntou-se a irmã que ria sozinha da situação. Imaginara o que Undy não devia ter passado dividindo a casa com uma figura daquelas. Apesar de não vê-lo há alguns anos, com exceção do último verão, ele não havia mudado nada desde que fora embora, o que a deixara muito aliviada. Sem que ninguém soubesse exceto seu irmão, era escritora amadora de romances nos quais Undertaker era sempre sua fonte de inspiração para o que quer que fizesse. Sofrera de saudade e tristeza devido a tudo que acontecera por muito tempo, e as coisas ficaram ainda piores quando teve de dar a horrível noticia da morte de um amigo muito próximo ao grisalho. Sabia o que poderia acontecer com o irmão assim que ele se fosse, por isso registrou absolutamente tudo em um caderno, para entregar a este quando retornasse, caso ele não se lembrasse mais.
–Ele parece ser legal. – Comentou a morena – Mas ainda bem que não é ele seu namorado.
–Por quê? Qual o problema? – Indagou o outro sem entender, enquanto tentava espiar as malas da irmã em busca de seus presentes.
–Nenhum, mas é que gostei dele. – Falou maliciosamente encarando o grisalho.
–Ele não serve pra você. Tenha cuidado, ele nunca usa a cabeça de cima. – Disse como se fosse o pai da garota.
–Você sempre se preocupa demais comigo, até parece que não me conhecesse. – Respondeu sem tirar o tom de malicia da voz – Mas deixe isso pra lá. É o seguinte, tenho três coisas pra você. Uma boa, uma ruim e uma muito boa. Qual você quer primeiro?
–Ahm... a boa.
–Maninho você acaba de ganhar... os seus biscoitos favoritos! – Exclamou entanto retirava um grande jarro de dentro da bolsa.
–ELYZA!!! EU TE AMO!!! Não acredito que se lembrou de trazer! – Falou ao mesmo tempo que atacava os biscoitos, faziam meses desde que os comera pela última vez. Ninguém sabia fazer aqueles biscoitos como ela – Certo, agora quero a ruim.
–Antes de lhe entregar, quero que saiba que não trouxe isso com a intensão de te trazer más lembranças. Apenas achei que seria melhor ficar com você, querendo ou não é a sua história – Dito isso entregou ao irmão o caderno onde havia feito os relatos.
–Eu discordo, – Disse apanhando o diário de capa azul das mãos da garota – pode ser que isso seja parte de mim, mas eu recomecei do zero você sabe, por isso não quero guardar as maiores desgraças da minha vida comigo, muito menos as pessoas que as causaram.
–Sabe, os nossos pais eles... – Apesar de saber que o outro tinha razão nunca conseguia deixar de tentar amenizar o problema que havia entre ele e a família.
–São dois cretinos. – Completou Undertaker ríspido – Todos eles.
A moça agora encarava os próprios pés ressentida, odiava sempre trazer de volta os problemas do passado, apesar de achar que estes ainda precisavam ser resolvidos, tentava seguir a filosofia do mais velho. Pois por mais que doesse, durante os quatro anos que passara sozinha na casa com seus pais, eles não deram o mínimo sinal de mudança, ainda mais depois da partida de Undy.
–Assim que eu sair deste lugar, vou te tirar daquele inferno. – Prometeu ele segurando as mãos da morena.
–Deixa isso pra lá... – Falou ela, fingindo não se importar em viver com seus pais – Vamos logo, agora quero lhe dar o melhor presente que uma irmã pode comprar!
O último mimo que trouxera estava em uma caixa razoavelmente grande em um lindo embrulho. Entregou ao outro que como uma criança tomara-o as pressas de Lyz. Colocou-o em seu colo, e estava prestes a abrir quando ela o advertiu.
–Não tire toda a tampa, apenas levante uma pequena fresta onde possa enxergar para dentro. – Instruiu tão ansiosa quanto ele.
–Por que tanto mistério? – Indagou enquanto espiava no interior. De inicio não reconhecera o que havia ali, mas assim que decifrou o que era, pôs a tampa novamente e olhou para a jovem.
–Elyza... QUE PORRA É ESSA?! – Questionou sem nem saber mais o que dizer.
–AHHH eu sabia que ia gostar!!! – Respondeu com uma enorme felicidade estampada em seu rosto.
–Onde foi que você conseguiu isso? – Perguntou abobado.
–Até parece que você não me conhece!
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–Você não trouxe nem pijama? – Indagou o grisalho.
–Já disse que não sabia que precisaria passar a noite em algum lugar. – Defendeu-se a morena enquanto fuçava nas gavetas do irmão procurando algo para vestir – Isso serve...
–É a minha melhor camisa! – Xingou já deitado.
–Agora é a minha melhor camisola. – Falou saltitando até a cama jogando-se sobre o mais velho – Além do mais você usa é uniforme.
–Que seja. Vamos dormir estou morto. – Resmungou já quase adormecendo, enquanto Lyz lhe pentelhava.
–Undy... – Sussurrou – Nós ainda não falamos sobre o Grell.
–Pergunte o que quer saber. – Respondeu de costas para ela tentando dormir.
–Posso perguntar qualquer coisa?
–Aham...
–Vocês dormem assim? – Indagou enquanto fazia uma “conchinha” com o irmão – Qual o tipo de sexo preferido dele? Que posição vocês fazem? Ele já fez oral em você? Quem é o passivo?
–Espera! Espera! Eu achei que você fosse perguntar outras coisas! – Falou virando-se de frente para Elyza – Como eu o conheci? O que mais gosto nele? Como ele é? E por que raios eu seria o passivo?!
–Até parece que você não me conhece!!! Por que eu iria querer saber sobre essas coisas?! Você sabe que eu sou direta, vou somente no que me interessa. – Disse forçando uma gargalhada maldosa – E você poderia ser o uke, por que pelo que eu sei...
–Tá bom! Eu também sei... – Respondeu virando-se outra vez – Sim; Os dois; Várias; Não; Ele. Agora chega, vamos dormir.
–Você que manda maninho... – Concordou contente de saber o que queria. Claro, amanhã daria um jeito de faze-lo contar em detalhes, mas isso seria amanhã.
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