Notas iniciais
Essa adaptação, tem início logo após o último episódio da primeira temporada já divulgada do anime. Sendo assim, existem '' spoiler's '' revisados do Mangá.

Uma intensa profusão de luz dourada e fulgurante penetrava pela única vidraça do aposento derramando-se sobre a mesa e produzindo uma áurea imparcial nos presentes. A atmosfera era pesada e cada respiração paralela parecia agravar ainda mais a imparcialidade do julgamento do Conselho. Na cabeceira frontal da mesa de mogno esmaltado, encontrava-se um civil atarracado, de barba por fazer e, aparentemente, com metade da altura média dos cidadãos da Muralha Sina.

— Capitão Irwin, tenho algumas perguntas para você sobre o plano executado hoje sob suas ordens. — O homem levava o ar de alguém que já fizera julgamentos demais, levando em conta as profundas olheiras e o modo indiferente de proferir cada palavra. — Se você sabia com absoluta certeza qual era o alvo, por que não pediu pela cooperação da polícia militar?

Do outro lado da mesa, um homem alto com os cabelos louros cuidadosamente penteados para o lado esquerdo e olhos azuis profundos encarava-o com um olhar perscrutador. Parecia avaliar a situação, e considerar se deveria dizer o que imaginava em sua cabeça.

— Chefe do Distrito — respondeu Irwin sem hesitação, falando compassadamente —, não solicitamos ajuda da Brigada Militar pois é impossível saber onde se escondem os cúmplices da Mulher Titã. Para garantir o sucesso dessa missão, somente aqueles cuja inocência fosse comprovada puderam participar.

O inquisidor conservou sua expressão de descrença enquanto se recostava preguiçosamente sobre a cadeira.

— Devo entender que a ‘’ Mulher Titã ‘’, Annie Leonheart, estava se escondendo entre os civis no interior da Muralha. Mesmo assim — sua voz adquiriu um tom desafiador e suas olheiras acentuaram uma preocupação inabalável —, e quanto ao dano considerável que o distrito sofreu durante sua captura?

Na outra extremidade da mesa, Irwin suspirou profundamente e um semblante lamentável pareceu dominar suas feições. Ele falou, depois de uma longa pausa, mas sua voz era melancólica e soturna como se ele estivesse revivendo o caos de horas antes no distrito de Stohess.

— O plano era lidar com ela sem causar danos ao redor. Mas, infelizmente, as coisas fugiram do controle, e propriedades e vidas de civis foram perdidas. Nossa falta de habilidade foi à causa disso, por essa razão peço sinceras desculpas. Por outro lado — seus olhos se abriram lentamente e por um átimo pareceram incendiar com uma paixão interior —, se ela tivesse escapado, e a muralha fosse destruída por seus aliados, isso resultaria em um dano muito maior. Se observarem com atenção, verão que optamos dos males o menor.

O Chefe do Distrito não pareceu se contentar com a resposta, limitou-se a entrelaçar os dedos vagarosamente e flexioná-los em um estalo em conjunto.

— Mas você tem provas que suas ações realmente preveniram o fim da humanidade?

Às costas de Irwin alguns de seus subordinados pareceram sacudir-se irritadiços sob a acusação do Chefe do Distrito. Um olhar esquivo de Irwin foi suficiente para reprimir as atitudes dos oficiais que se imobilizaram de má vontade.

— Vocês não conseguiram retirar nenhuma informação de Annie Leonheart, correto? — desdenhou ele, crispando os lábios finos, mas evitando contato visual direto com o Capitão.

— No momento — indagou Irwin com segurança —, ela está detida sob nossa custódia no subsolo. Visto que seu corpo está coberto com um cristal de dureza particular, é impossível extrair informações dela por enquanto.

— Então... — chiou o homem de forma apática — Em outras palavras, seus esforços foram em vão?

— Não — a voz de Irwin soou clara e súbita em meio ao silêncio sepulcral —, eu não penso dessa forma. Do meu ponto de vista, o fato de termos conseguido capturar um deles já é valioso o suficiente. — Ele fez uma pausa, observando os olhares críticos dos outros militares da sala e do próprio júri conselheiro. — Sim, porque isso prova, sem duvidas, que há pessoas com ela entre nós!

Houve uma breve pausa, onde percebendo que ainda detinha a atenção de todos o Capitão Erwin Smith recomeçou seu discurso improvisado.

— Deixe-nos achá-los e cercá-los — sua voz emanou impregnada de emoção e uma fúria mal reprimida. — Todos os inimigos que estão se escondendo dentro dessa Muralha, cada um deles!

Um homem do lado esquerdo grunhiu desdenhosamente.

Irwin o conhecia por meio de boatos fervorosos dos intitulados seguidores do Culto às Muralhas. Não era prudente, questioná-lo ali, não no momento. Antigamente, a organização era pobre e dispensável, mas de uns tempos para cá, conseguiram influências políticas e um poder religioso que agora estendia-se até a realeza.

Estalos sucessivos dispersaram a resposta do Conselho. Estantes depois, um trôpego de passos ligeiros e vacilantes se tornou claro no corredor e subitamente a porta dianteira abriu-se violentamente.

— Comandante Irwin — um soldado uniformizado de cabelo repartido ao meio e cavanhaque escuro entrou bruscamente na sala —, más notícias!

— Thomas? — anunciou Zoë, franzindo as sobrancelhas e dirigindo ao oficial um olhar incrédulo. — Isso é uma audiência privada!

O soldado meneou ligeiramente a cabeça, dispensando a reprimenda e concentrando-se nos olhos fixos de Irwin, no momento, impassíveis.

Recuperando o fôlego durante a subida íngreme ele curvou-se em uma reverência exagerada e falou em uma espécie de súplica desesperada:

— Senhor, a Muralha Rose foi...

Notas finais
Espero que gostem, o próximo capítulo vem aí com maiores novidades e ações eletrizantes. Ah, e se gostarem, por favor, deixem um comentário...