Shingeki no Kyojin — A Grande Guerra Titã.
21 A dama de ferro.
Os titãs irracionais se aproximavam da grande multidão de civis da Resistência, que recuavam com temor dos monstros gigantescos.
Crianças eram pisoteadas, mulheres seguravam seus filhos com força nos braços e homens se empurravam, com o objetivo de sobreviver.
Um dos titãs se aproximou e abriu a enorme boca em direção a uma mulher com um bebê de colo, que paralisou ao sentir o hálito quente. Os olhos se preencheram de lágrimas, e com hesitação, ela ergueu o bebê para cima, oferecendo-o como um sacrifício.
O titã se aproximou, abriu a boca e ignorou por completo a criança. Agarrou agressivamente a mulher pelo tronco, fazendo o bebê cair e ficar para trás enquanto ela gritava por ajuda.
— M-Me salvem, por favor! Me salvem!
Ela não entendia porque seu bebê foi poupado, mas chorava e clamava por sua vida. Sentiu a pressão dos dedos do monstro, que ao apertá-la, destruiu-na por completo e a engoliu.
— Não se separem! — gritava Emma, vendo o caos se instaurando na retaguarda.
A multidão, que antes formava uma seta em linha reta com uma rota pré-definida, se dispersava para lugares diferentes, na medida que os titãs entravam. Era natural: pais em desespero para protegerem sua família, pessoas correndo por suas vidas.
Os titãs esmagavam muitos deles, como se... estivessem atrás de eliminar o máximo de pessoas possível, muitos deles sequer comiam.
— Atenção, soldados! — gritou Helos, chamando atenção dos seus homens — Toda força para o sul!
Os soldados da Resistência gritaram em resposta, e viraram seus canhões e mosquetes para a retaguarda, onde os titãs destruíam os civis da comunidade.
Um desses gigantes olhou profundamente para Helos, sempre tão frio e imponente. Imediatamente ele foi esmagado por uma bola de canhão, e esse destino foi se repetindo para cada um daqueles que assolavam os marleyanos, com o máximo de cuidado para não acertar os civis.
— Eu não entendo... — Emma dizia, inerte. Parecia paralisada, e estava com lágrimas nos olhos — temos cinco dos nove titãs originais ao norte! Eu entendo que temos os civis como prioridade, mas nos deixar sem defesa naquele ponto?
— Ainda tem muitos deles dentro da comunidade. Especialmente Derick e o eldiano. — prosseguiu Helos, com as mãos nas costas. — Esses titãs estão sendo manipulados diretamente pelo Titã Fundador. Basta ver que eles não estão aqui por fome, estão apenas destruindo o máximo de marleyanos que conseguem. Eles foram soltos no distrito vizinho, e aquelas pobres pessoas foram obrigadas a correr em nossa direção por Karl Fritz. — finalizou, quando mais um dos titãs irracionais caiu. — Mesmo limitado pela idade, numa corda de força, não temos a menor chance contra o rei de Eldia. Então o que podemos fazer é deixar Marley viva a partir dessas pessoas, e principalmente... roubar o Titã Quadrúpede!
Emma ficou em silêncio por longos segundos, mas pareceu concordar. Voltou seus olhos ao norte, enquanto os homens de Helos voltavam a corrigir aos poucos a rota de fuga dos civis. Era o titã de Garric, bem distante, segurando aquela enorme lança titânica. Não... agora era o inimigo, um monstro que deve ser abatido.
De cavalo, o jovem mensageiro finalmente achava a pessoa que tanto procurou: Derick. Era um homem alto, de pele escura e cabelo negro, junto a olhos ônix.
— Senhor Derick! — gritou o mensageiro, saindo do cavalo.
Derick já estava correndo em paralelo à multidão, e quando viu o mensageiro, estendeu seus braços e buscou a maleta.
— Me dê a injeção. Rápido!
— Sim, senhor!
Puxou o objeto, e tanto Derick quanto o garoto correram contra aquela multidão, que buscava a fuga, enquanto eles iam em busca de algo maior. Se aprofundavam nos corredores de um estabelecimento pequeno e caindo aos pedaços, descendo as escadarias e acendendo uma das tochas que deveriam luminar o local.
O porão era completamente vazio, com um único objeto em seu centro: uma dama de ferro, fechada por correntes. Era um objeto popular e pesado de tortura, basicamente uma tumba lacrada. Sua porta era tomada por espinhos, e a vítima deveria ficar lá dentro, sendo penetrada até a morte – algo que não acontecia a um portador de titã.
— Tire as correntes! — ordenou Derick, e o mensageiro obedeceu.
As correntes foram caindo, de uma em uma. Derick se aproximou da dama de ferro, abriu-a e teve uma visão pesadíssima, a qual já estava acostumado a ver.
Pietro lá estava, amarrado e desnutrido. Suas costelas já eram visíveis, e o olhar cheio de otimismo e esperança agora era vago, morto por dentro. Todo seu corpo tinha buracos pelos espinhos, que agora eram preenchidos por vapor e começavam um longo processo de regeneração.
— Chegou a sua hora, demônio.
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