Shingeki No Kyojin - Attack On Titan! Dias de Medo
1 Capítulo 1 - Missão Dada...
Notas iniciais
“Só mais uma missão” – Pensou Peg. Enquanto se dirigia a sala do Comandante. – “Que merda esses filhos da puta tem na cabeça? Não são capazes de fazer nada sozinhos...”.
Peg era a capitã do grupo 12. Uma das diversas subdivisões da Tropa de Exploração, eram pequenas equipes que realizavam missões de diversos tipos. O grupo de Peg tinha 16 membros. Todos bem treinados e sempre prontos para missões. Aquele grupo existia há quase um ano, e por isso sempre estavam em sincronia. Pe era o Cabo de Peg. Cabo seria como o vice-líder, por isso, quando era necessário, o grupo se dividia em dois. Alguns iam com a capitã e outros com o Cabo.
O grupo costumava a ficar na Muralha de Maria, mais depois que ela fora destruída, quatro anos antes, eles tiveram que recuar para a Muralha Rose. No momento Peg cavalgara com seu grupo incansavelmente até chegar à Muralha Central, Sina. Ela ainda não sabia o porquê. Mas, tinha sido uma longa cavalgada até lá, por isso ela deixou seus soldados com Pe, e entrou na Quartel da Policia Militar, pronta para receber ordens. Como já conhecia o sistema, ela sabia que a missão seria simples, algo que qualquer outro esquadrão podia fazer, mas eles insistiam em chamar o Grupo Peg. Veja bem, nem tudo é um mar de rosas, o governo da Humanidade era influenciado pelos nobres, e por isso, caso houvesse algum nobre que precisasse de um favor, o governo atendia. E para os nobres, por mais inútil que fosse a situação, se chamava os melhores. Na teoria, os melhores eram os soldados da Policia Militar, mas era uma parte do órgão tão corrupto, que seria inútil pedir algo que envolvesse sair da muralha Sina. Logo chamavam a Tropa de Exploração, que na pratica lidavam com as piores situações, da melhor maneira. Eram os melhores. E o grupo 12 merecia destaque. Tinham realizado missões difíceis com maestria, e por isso ganharam respeito entre o povo. Infelizmente, seriam obrigados a cumprir missões para nobre, e missões ridículas.
O maior problema, para Peg, era o fato de que eles podiam estar em uma missão realmente importante, como a que estava o Grupo 7. Esse era considerado o Grupo de Elite da Tropa de Exploração. Tinham dez ou onze membros, e só iam para missões arriscadas e perigosas. Peg não gostava muito deles, não, eles não eram metidos. Mas sem perceber acabavam se exaltando quanto a sua superioridade. Os outros grupos davam muita moral á eles, e dava para sentir o ego deles inflamando. Peg até sentia inveja, mas primeiramente ela sabia que isso não era bom. Se o grupo 7 um dia falhasse, muita gente perderia a esperança. E isso era ruim.
A capitã do grupo 12 chegou à frente de uma porta de madeira, pintada com um tom de branco quase rosado. Ficava em um corredor que dava para um grande pátio. O símbolo da Policia Militar estava estampado na porta, antes de entrar, ela suspirou fundo.
“Animo! Vai ver é realmente uma missão importante.” – Disse para si mesma. Ela refletiu, por um segundo, o quanto isso era irônico. E teve que contar uma gargalhada. Por fim, abriu a porta e entrou.
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–Entendeu? – Perguntou o comandante. Estava sentado frente a sua mesa de madeira escura. Ao seu lado estava a Tenente Mira, uma mulher bastante insuportável. Tinha um comprido rabo de cavalo, e óculos redondos. Era magrinha e parecia muito frágil para ser uma soldada. Já o capitão era um homem grande, seu rosto era largo e forte. Tinha sobrancelhas espessas e um cabelo bem cortado. A sala tinha alguns outros soldados, que conversavam baixinho entre si. Peg estava com papeis nas mãos, lendo enquanto ouvia as ordens. Ela era bem diferente dos dois superiores a sua frente. Ela tinha cabelos longos e negros, que se enrolavam nas pontas. Sua pele era tão branca quanto a neve, e seus olhos eram azuis esverdeados. Tinha um belo corpo, e sempre se orgulhou de suas coxas grossas, acentuadas pelo uniforme justo. Durante o treinamento, superar assédios tinha sido bem difícil. Ela havia chegado à liderança tão rapidamente que muitas começaram a dizer que ela estava seduzindo os superiores para ter cargos. Mas todos entenderam que não era por isso, assim que viram ela contra um titã de verdade. Peg não só era linda e sexy, como também valia por cem soldados juntos! Movia-se rápida usando os propulsores e era bastante ágil. Golpeava de forma certeira, e os titãs mal reagiam quando ela chagava, pois não tinham tempo.
–Senhor – Perguntou Peg, em um tom calmo, ainda sem tirar os olhos dos mapas e papeis – Porque não chamam algum grupo menos qualificado para uma missão tão simples.
–Como ousa? – Gritou Mira, fazendo todos os outros da sala se calar. – VOCÊS SOLDADOS SÓ SERVEM PARA OBEDECER AS ORDENS E NÃO PARA DISCUTI-LAS!
O Comandante cerrava os dentes, seus olhos estavam fechados, mas sua fúria era visível!
–Quem... você... acha que é?! – Perguntou. – Não espere que eu deixe você me questionar na frente dos meus soldados. QUER SER PUNIDA POR DESACATO?
Antes que Peg pudesse resolver, um barulho de “Toc Toc” se ouviu, e o Tenente Remo entrou na sala. Ele era um homem de quase quarenta anos. Mas seu rosto era bastante jovem, ele não tinha barba e falava sempre com empolgação. Era alguém bem focado e um soldado muito inteligente e hábil. Isso o levou a ser o braço direito do Comandante. Antes, trabalhava na Tropa de Exploração, mas quando recebeu o convite do próprio comandante não pode recusar, e se enfurnou dentro da Muralha Sina. Seus olhos eram bastante verdes, e isso era o mais visível nele.
–Senhor? – Perguntou, enquanto fazia a reverencia dos soldados. Colocando a mão direita no peite esquerdo.
–Remo, não é uma boa hora... – Disse o Comandante, ainda com a expressão de raiva no rosto.
–Ah, eu percebi... – Disse Remo, se colocando ao lado de Peg – Eu ouvi parte da discussão e não pude deixar de me meter. Sabe, eu entendo muito bem a duvida da Capitã Peg. É normal os outros soldados acharem que nós da Policia Militar ficamos só bebendo e jogando cartas, sem fazer nada. Mas só quem está aqui dentro entende o quanto é complicado nossa rotina, e por isso não podemos sair das Muralhas. Nossa presença aqui é indispensável! Mas essas missões para os mercadores e nobre são de extrema importância para o povo, e como nós, a Elite, não podemos realiza-las, pois isso implica na saída da Muralha Central, nós damos a vocês. Que até mesmo tem mais experiência para realizar esse tipo de ordem. – Remo terminou de falar, e discretamente deu uma piscadela para Peg.
–Esperto... – Disse Mira, em voz baixa, enquanto sorria maliciosamente e arrumava os óculos com o dedo.
O Comandante bufou e voltou a se sentar, seu rosto não estava mais vermelho e poucas gotas de suor escorriam.
–Satisfeita... Capitã? – Perguntou ele.
–Ahn... – Começou Peg, pronta para protestar, mas parou de falar quando sentiu a mão de Remo em seu ombro. – Sim, senhor!
–Ótimo! Agora vá! Antes que se atrase e me prejudique ainda mais. – Ordenou o Comandante, fazendo sinal para que ela se retirasse. Peg o saldou, também colocando a mão direita no peito esquerdo, mesmo que não sentisse respeito por ele, e saiu.
–Eu vou acompanhar ela até a saída. – Disse Remo, fazendo a reverencia e saindo para acompanhar a capitã. Quando fechou a porta a suas costas, ainda ouvir o Comandante resmungar algo como: “Soldados inúteis e insolentes... quem eles pensam que são?!”.
Peg o encarava com um tom serio, na verdade, quase envergonhado. Mas ela era arrogante o suficiente para se esforçar para não demonstrar isso. Eles se encararam por alguns momentos, até que começaram a rir.
–Então, senhor, “nós somos da elite”... Nenhum sermão hoje? – Perguntou ela, em tom sarcástico.
–Ah, cale essa boca e vamos embora! – Disse ele, sorrindo, antes de começarem a andar.
Eles começaram a andar, indo em direção ao pátio, para darem a volta no quartel e saírem, o resto do grupo 12 estava esperando na entrada. Peg mantinha os olhos nas próprias botas, e Remo olhava para ela.
–Peg, você tem que aprender a se controlar. Não vou estar sempre aqui para te salvar de raiva do Comandante! – Disse ele. Peg continuava olhando para o chão, como se o caminho tivesse ficado extremamente interessante. – Você tem que respeitar as ordens, mesmo que sejam ridículas. Você conhece o sistema e...
–Você também conhece o sistema! Porque está dentro dele? – Interrompeu Peg, ainda sem olhar para Remo – Se sabe o quanto a Policia é corrupta e podre, porque está nela?
Peg tentou manter o maximo sua pose. Por dentro ela queria chorar. Remo tinha sido seu Capitão, logo quando ela entrou na Tropa de Exploração. Ele tinha sido como um pai, amigo fiel. Sempre ajudava Peg, e a protegia. Ele a ajudou a se aperfeiçoar nas técnicas de combate e ele mesmo tinha contado a Peg muitos “segredos” sobre o governo. Peg o respeitava suas ideias e sua oposição contra a Policia Militar. Admirava sua vontade de lutar e se manter integro nas horas difíceis, sempre cumpria seus objetivos... A qualquer custo. Mas, suas habilidades e qualidades rapidamente ganharam fama. E ele foi convidado a se unir a Policia pelo próprio Comandante, algo que não recusou. E isso ia contra todos os ideais de Peg, ideias que o próprio Remo tinha ensinado. Era uma traição, que a garota nunca entenderia.
Remo deu um pequeno suspiro. Eles fizeram algumas curvas pelo caminho, não era a primeira vez que tinham uma conversa dessas.
–Eu já te disse, girl. Eu estou aqui pronto para mudar. Olhe, eu sou o braço direito do Comandante, e em pouco tempo, se tudo der certo, eu vou substituir ele! E vou fazer todas as mudanças possíveis para que a Policia Militar retome seus devidos deveres! É só uma questão de tempo... Você sabe que meu sonho sempre foi mudar o sistema. Quando recebi o convite do Comandante, encontrei uma oportunidade perfeita... Se foi um erro aceitar, seria ainda pior ter recusado. Eu não conseguiria dormir. Foi um sacrifico necessário para mim.
Peg ainda não olhava para ele, parecia querer chorar. Isso magoava Remo profundamente, ele amava aquela garota como uma filha! Ela era tão jovem e já estava dentro de um mundo cheio de crueldades.
–Me desculpe por magoar você. – Disse Remo, quando finalmente chegaram ao pátio. O céu estava resplandecente acima deles. A alguns metros, podiam ver os membros do grupo 12 conversando ao portão, simplesmente esperando ordens de sua capitã – Eu prometo que um dia vou retribuir tudo o que já fiz. As coisas vão mudar, posso te prometer isso.
Peg olhou para Remo, as lagrimas brotavam nos olhos da garota. Que o abraçou.
–Eu... Eu entendo... – Disse ela.
–Certo! –Disse ele quando ela o soltou. Ele era uns dez centímetros mais alto, por isso tinha que olhar para baixo para encara-la. – Olhe, eu também vou para a Muralha Rose. Tenho que encontrar alguns lideres por lá! Por isso vamos nos ver logo.
Peg abriu um pequeno sorriso ao ouvir isso. Era estranho, mas só perto de Remo ela lembrava que só tinha dezessete anos. Ela sempre tinha que ser uma líder obstinada perto dos outros, que esquecia que era emocionalmente frágil.
–Tome cuidado, e não se esqueça de manter o respeito perto dos seus superiores. Eles podem te banir ou até te matar! – Continuou ele – Se não fizer por si mesma faça pelo seu grupo, eles precisam de você. E você por mim! Eu também preciso de você.
Ele abriu um sorriso. E Peg teve que se conter para não chorar de verdade.
–Sim, senhor! – Disse ela, fazendo a reverencia do exercito e sorrindo. Remo começou a se retirar, mas antes passou a mão delicadamente no rosto da garota.
–Vamos nos ver logo! – Concluiu ele, acenando de costas. Peg notou um pequeno rasgo no ombro direito dele, perto do símbolo da Policia Militar, estampado no casaco laranja.
“Descuidado...” – Pensou Peg, rapidamente ela se dirigiu para onde seu grupo estava. Pronta para dar a má noticia de que eles teriam uma cansativa, e inútil, missão pela frente. Porque o céu estava tão lindo para um dia que nenhum deles poderia aproveitar sua beleza?
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