Shinedown - The Dark Triumph
9 Capítulo 8: Sacrifice
Os dias se passavam muito parecidos com os outros: Hermione passava a manhã fazendo serviços junto com as outras prisioneiras, limpava o chão e as paredes, costurava alguns trapos para que elas próprias usassem, cavava mais alguns buracos no jardim. Maugrim não a incomodara mais, e, com a chegada de mais algumas garotas, ficava mais fácil se misturar, ela não era mais uma novidade para ele, ou talvez porque James tivesse dado uma boa lição nele. Boa parte das garotas era chamada à noite, e a maioria para serviços não convencionais. Uma vez na semana ocorria o evento, e todas vestiam o mesmo traje e máscaras. “É porque o rosto delas é irrelevante. Saber que são rebeldes é o suficiente para eles” dissera James quando ela perguntara numa noite o porquê de cobrirem o rosto.
Ele pedia que ela fosse ao seu quarto todas as noites e em algumas tardes, quando ocorria o evento, ele a acompanhava, mas, em nenhuma das situações ele chegara a fazer qualquer coisa que se esperava que fizesse quando se chamava uma garota. Na maioria do tempo, ela lia alguns livros de magia avançada, fascinantes, que nunca nem ouvira falar, escritos em runas antigas, até aprendera uma nova escrita para ler alguns deles. Também começou a treiná-la para fazer magia sem varinha, mas, até então, nem uma pena ela havia conseguido mover.
Na noite de hoje haveria mais uma noite daquelas, e assim que Hermione se banhou, se vestiu (um vestido de manga comprida e decotado nas costas roxo escuro) e colocou uma máscara que lhe cobria todo o rosto, seguiu a fila de garotas e entrou no saguão. James já a esperava, sentado num sofá de couro negro e bebendo algo que ela não identificou, vestindo preto e couro, como de costume. Ela se poupava de olhar ao seu redor, sabendo que ficaria enjoada quando reparasse nas cenas, então não desviava o olhar do dele.
—Tem vindo muito aqui ultimamente, James. – Dissera um comensal, enquanto ela se aproximava, visivelmente bêbado ao lado dele, mas que mal tirava os olhos das garotas de dançavam. Hermione não reconheceu o comensal e se postou ao lado de James, no braço do sofá.
– Antes nunca tinha o visto aqui. Descobriu que é igual a todo homem e que tem suas necessidades? – O homem o continuara provocando, James o olhou pelo canto do olho e se levantou, puxando Hermione pela mão, mas sem antes dizer:
— Não sei se sou como todo homem, mas como você eu não sou.
Subiram as escadas até seu quarto, sem encontrar com mais ninguém, com ele ainda a puxando e abrira a porta do aposento. Hermione tirou sua máscara e a colocou sobre o baú e ele tirara o paletó, ficando com a camisa preta com os botões abertos até a metade. O livro que ela tinha começado a ler na noite anterior estava sobre a escrivaninha e ele fez menção para que ela voltasse a seu trabalho, mas, antes disso, sua curiosidade falou mais alto e perguntou:
— Então você não costumava a ir a estes eventos? – James franziu o cenho com a pergunta, se voltando para ela. – Aquele comensal disse que nunca tinha te visto lá, e ele parece ser do tipo frequentador desses lugares.
James a olhou por um momento e disse que realmente não ia. Quando ela perguntou o motivo, ele deu os ombros. Estava com uma postura diferente do que tinha antes.
— Não há nada que me interesse lá. – Ele disse, se sentando numa poltrona. – E não sou homossexual, caso você tenha pensado. – Ele acrescentou e fez um sorriso escapar pelos lábios da garota.
— Não pensei em nada. – Ela dissera, se sentando também. Depois de uns dias ele insistira para que ela se sentisse mais à vontade quando estivessem sozinhos e não o ficasse esperando que a convidasse para sentar, beber algo, etc. – Só estranhei o jeito que você ficou quando ele te disse isso. E.…é incomum encontrar alguém que seja como você nessas situações e bem... – Hermione tentava falar, mas corava e não sabia bem o que dizer.
— Já que sua curiosidade é tamanha que não consegue ordenar seus pensamentos, eu explico: Não há nada que me interesse lá porque eu já encontrei uma mulher que amo. E não vou traí-la. – Pontuou ele, e, pegando mais um livro, o abriu e começou a ler. Hermione não ia falar mais nada e, ainda corada por ter perguntado essas coisas, pegou seu livro também e voltou aos estudos.
Ela não percebeu, mas James tirara uma foto do meio de seu livro e a olhara por alguns momentos.
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Ron estava sozinho em seu quarto, juntando em sua mochila que sempre o acompanhava algumas roupas, sacos de dormir e o máximo de Kit’s de Destruição Instantânea (Bombas Explosivas de Dragão, Detonador de Fogomaldito, Pó Escurecedor Instantâneo do Peru e O Incrível Gás Petrificante) que George havia feito. O irmão estava com Carlinhos, escondidos tentando fabricar novos equipamentos mágicos, com a morte de Fred, eles acabaram voltando os logros e brincadeiras para equipamentos de batalha, sem embalagens coloridas e doces divertidos. Ele desceu até a cozinha e pegou alguns biscoitos, peixe enlatado e suco de abóbora. Com tudo pronto, foi dar uma última olhada na casa: pouco antes de subir, Justin o informara que Anna Abbot havia lhes deixado, agradecera em uma carta o que foi feito, mas que iria embora com a irmã e a mãe para a América do Sul. Ron nem lera a carta e a jogara na lareira assim que Justin deixara a sala. Não demoraria até que todos tivessem a mesma ideia e sobrasse apenas ele, lutando sem mais ninguém. Abrira a porta do quarto da irmã e dera uma última olhada nela, que dormia profundamente. Lembrara de logo depois que a batalha em Hogwarts tinha acontecido, de quando acordava com os gritos dela, que sonhava com Harry de olhos vermelhos a agarrando para a escuridão e do olhar preocupado que Hermione dava a ele quando acontecia. Não que nem ele nem Hermione não sofressem com pesadelos, mas sempre achou que, por eles estarem juntos, tinham algo além de pesadelos para sonhar, talvez com o futuro deles, num lugar de paz com dois filhos e almoços em família.
Voltou ao seu quarto e decidira levar o desiluminador, lembrando o que ele havia lhe dado quando ficara longe dos amigos durante a caça às Horcruxes. Com a varinha, miniaturizou sua mochila, mais alguns Kit’s e os guardou no bolso da calça. Antes que pudesse amanhecer, saíra do Largo, após checar se não havia nenhuma ameaça e se transformara num falcão peregrino. Toda vez que se transformava, lembrava-se de agradecer por Sirius e Lupin terem deixado instruções sobre Animagia escondidas, em caso de necessidade. Infelizmente, apenas ele e Luna conseguiram, o que deixara Hermione irritadíssima por não conseguir na primeira tentativa. Como material de poções era escasso, só fizeram isto uma vez, mas prometera para si mesmo que, assim que ele a tivesse de volta, fariam novamente, e se preciso de novo, até que ela conseguisse.
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Todos os alunos haviam sido convocados a ficarem acordados naquela noite, assim como os professores. Todos estavam nos jardins de Hogwarts, sombrios, iluminados por varinhas, ao redor de uma grossa tora de madeira e cercada por mais galhos no chão. Umbridge se postava ao lado de Filch e dos Carrow. Atrás deles haviam mais comensais mascarados que tinham uma arca de madeira gasta aos seus pés, de tamanho suficiente para caber um adulto deitado e encolhido. Se antes usar máscaras para os comensais era por estarem do outro lado da lei, hoje era uma tradição, com o significado que que por trás daquela máscara havia um leal servo, em nome de uma ideologia em comum. Sabia-se que quanto mais adornos tivesse, mais respeitado era o comensal. Os dali eram intermediários, embora, ao fundo, tivesse alguns com máscaras lisas, apenas com uma fenda simples para os olhos.
A noite estava fria e o ar gelado machucava os pulmões de Minerva quando respirou fundo. Ela, Slughorn, Binns, Flitwick e os demais professores estavam alinhados do mesmo lado que os alunos, um pouco mais a frente. Ninguém tinha ideia do que estava para acontecer quando a diretora anunciara uma celebração importante na manhã daquele dia.
— Queridos alunos, leais servos e professores! – Saudou Umbridge, orgulhosa. – Estamos aqui nesta noite para testemunhar a mudança definitiva na educação bruxa. Todos nós já estudamos o que foi ofertado ao nosso povo pelos trouxas. Muitos de nossos ancestrais sobreviveram ao período negro de caça às bruxas, apesar de que outros não tiveram essa sorte. Mesmo com esse obstáculo, continuamos nos escondendo, como insetos, desses monstros. Sempre na surdina, como se o que fizemos fosse algo digno de vergonha, e não uma razão para nos erguermos em direção à supremacia! Mas hoje, um novo período se iniciará: chega de ameaças, chega de se esconder dessa sociedade, chega de contaminar o sangue puro dos bruxos com essa monstruosidade!
Ninguém se movia. Alguns pareciam assustados, outros, inspirados, porém todos ansiosos. Minerva e Horace trocaram olhares apreensivos. Dolores fizera sinal para que os comensais abrissem a arca. Retiraram dali algo que parecia um ser humano, muito magro, e que mal se movia. Minerva apertou os olhos e pode ver que se tratava de uma garota de mais ou menos 14 anos, com cabelos cacheados negros. Ela estava praticamente nua, usando apenas um trapo ainda menos digno que um elfo doméstico usaria.
— Esta criatura indigna de pertencer ao nosso mundo é Clarissa, irmã de Romilda Vane, uma fugitiva, que esteve na batalha em que o Lorde triunfou. Hoje será feito o que nós bruxos devemos fazer com os trouxas, os sangues-ruins, que outrora, fizeram o mesmo conosco. Espero que goste do veneno que a sua raça usou contra nós! – Dissera Umbridge e os comensais a trouxeram mais para perto da tora de madeira circundada de gravetos. Quando, com um aceno de varinha, ela foi amarrada, levantou o seu rosto, lavado por lágrimas. A única força que ela teve naquele momento foi derramar estas lágrimas.
Antes que Umbridge fizesse outro aceno de varinha, Minerva saiu de seu lugar e correu para ficar entre ela e a garota amarrada:
— Não faça isso, Dolores! Eu lhe imploro! Não condene uma garota inocente, ela não tem culpa de nada daquilo que disse sobre os trouxas! Ela não merece isso, e os estudantes também não merecem assistir a essa barbárie! – disse Minerva, com os olhos úmidos, mas a voz firme. Umbridge rira sarcástica e perversamente. Dois dos comensais se adiantaram em alguns passos.
— Minerva, nenhum dos seus dramas irá parar o progresso do mundo bruxo. Estes jovens devem testemunhar este momento, devem estar preparados para tudo que o Lorde submeter. Agora, saia da frente, não quer que seus últimos dias aqui em Hogwarts sejam marcados por sua prisão nas masmorras, ou quer?
— Do que está falando? Últimos dias? – Perguntara confusa, sentindo sua cabeça rodar. Olhara de relance para Horace, que estava branco como papel. Virara seus olhos para Filch e seus olhos se encheram de felicidade, abrindo o maior sorriso que já vira em seu rosto. Por maior que fosse a sua ingenuidade, nunca pensou que Voldemort fosse expulsar os professores de Hogwarts, pensava que talvez ele tivesse um sentimento de nostalgia para com eles, já que havia estudado e tivera tanto apreço pela escola. Mas ela estava errada, dava-se conta disso agora. Ele não tinha nenhum sentimento.
— Ah, eu não contei a vocês, deixaria para dizer depois da celebração! Bom, já que fui obrigada a adiantar, comunico que todos os professores estão convidados a se retirar da escola. Demorou algumas semanas para que eu e o Lorde encontrássemos bruxos talentosos e fiéis, mas, agora já podemos anunciar que estes jovens terão uma educação a altura do novo mundo. Sem mudanças, sem evolução! – Respondera, sorrindo com os olhos mais perversos do que nunca os vira. Minerva olhou os alunos e todos pareciam chocados. Não vira aquela divisão massiva dos que apoiavam e dos que temiam, via apenas o choque, de que todo realmente mudara, de que es figuras conhecidas dali não estariam mais com eles e que seriam mandados para sabe-se lá onde.
— Essa mudança é o melhor para Hogwarts, e tenho certeza de que nossos alunos concordarão. Teremos seguranças patrulhando os corredores ao invés de alunos monitores. E eles são todos capazes de fazer magia, diferente deste inútil que foi mantido aqui por tanto tempo. – Dissera, e fizera o sorriso de Filch sumir. Ele balbuciara algo, sem entender, mas Umbridge logo o cortara. – Já ficara tempo demais por aqui, muito mais tempo do que merecera sendo um aborto, um incapaz de fazer mágica! Pode ser sangue puro, mas nunca será um bruxo!
— Mas... mas e tudo que eu fiz? De...de...desde a primeira vez que a Sra. esteve aqui! Eu sempre fiquei ao lado da Sra.! -falara ele, tremendo.
— Pois isto não é lealdade, não é servir aos ideais do Lorde! Isto é medo, seu aborto! E nós não precisamos de covardes aqui! – Dissera Umbridge e os comensais o agarraram e o levaram da vista de Minerva. – Para que não haja mais interrupções. – Umbridge fez outro sinal, e mais comensais se aproximaram.
Quando Minerva se dera conta, fora também arrancada da frente da diretora que sorria, e puxada por dois comensais até sumir da vista dos presentes, mas ainda pode ouvir quando ela gritara “Incêndio”, de ver o clarão do fogo, de ouvir os gritos de perplexidade dos alunos e da garota que ardia em chamas, de ouvir o choro de alguns e sentir o medo de todos que estavam ali.
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