Shikashi, Watashi Wa...
12 Uma confusão no jantar
Notas iniciais
Eu não planejava demorar tanto para escrever, espero que me perdoem por isso
Enjoy the chapter ^^
Boa leitura
O fim de semana poderia passar tranquilamente sem nenhum tipo de problema.
Mas isso não teria graça.
Sábado,
Um incidente na Soul Society fez com que hollows modificados viessem ao Mundo Real. O departamento tecnológico mandou um capitão (Shiro-chan, como sempre) e dois tenentes (Rangiku e Renji) para ajuda-lo, ou para atrapalhá-lo, a trazer as criaturas de volta, em segurança. O capitão do juubantai e o fukutaichou do rokubantai, junto com Kurosaki Ichigo, capturaram-nos; mas por onde andava a tenente do pequeno taichou?
A moça estava fazendo compras na cidade com Kuchiki Rukia, que teve que deixa-la sozinha por causa de sua amiga, Inoue Orihime.
A ruiva estava muito mal por ter gritado com seu vizinho-professor-amigo (não necessariamente nessa ordem), e por quem ela se sente apaixonada.
A mais baixa escuta o que a outra tinha para dizer e tenta consolá-la do seu jeito. Enquanto isso, do lado de fora da casa, Ichigo, depois que os shinigamis foram embora e Rangiku o deixou pensativo, encontrou-se com Schiffer Ulquiorra também pensativo. Este conta que veio pedir uma explicação e o ruivo, como sempre, nem desconfia dos sentimentos confusos e nebulosos que Ulquiorra parece sentir por Orihime.
O casal de namorados resolve deixa-los sozinhos para conversar e Rukia não conta o verdadeiro motivo da conversa quando o namorado pergunta.
Orihime tenta expor seus sentimentos, mas uma parte de sua consciência que estava misturada com o medo de não ser correspondida e de perder sua amizade por uma coisa tão tola, faz com que ela recue e diga algo sem nenhum nexo. Ulquiorra pareceu entender, mas uma pequena duvida insistia em ficar por causa das palavras da diretora.
Para esse casal, que talvez nem assim deva ser chamado (ou não), o sábado chegou ao fim com cada um em suas próprias casas; uma “frase” deixou a ruiva pensativa, mesmo sem saber se tinha ouvido ou se era apenas imaginação.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, o sábado ainda estava longe do fim.
O que mais duas pessoas que se amam poderiam fazer?
–-
Domingo,
O dia amanhece, para o desespero de Ichigo, mas também será um momento de alegria, porque Rukia virá jantar em sua casa e se tornará sua namorada oficialmente. A única coisa que o deixa preocupado é o seu pai, mais precisamente, como serão as atitudes dele durante a ocasião especial.
–-
Ichigo acordou bem cedo no domingo, às seis da manhã, para ser exato.
A inquietude com o jantar estava o consumindo tanto que o sono fora embora de vez.
“Talvez um banho me ajude a relaxar um pouco”, pensou ele se levantado da cama.
O ruivo abriu seu guarda-roupa e sentiu um aroma bem fraquinho, mas que era suave e delicado. “Cheiro de Rukia”. O perfume dela o deixou mais calmo, mas ao mesmo tempo, sentiu uma saudade enorme de sua baixinha.
Assim que pegou uma camisa e uma calça, andou até a escrivaninha e pegou a caixinha; viu novamente as duas alianças. Ideia dela. Rukia achou melhor trocar as alianças na hora do jantar e ele concordou com o que ela disse.
Antes de ir para o banheiro, Ichigo foi até a janela e abriu-a. O sol ainda não tinha nascido e uma brisa soprou em seu rosto, fazendo-o estremecer um pouco, enquanto via um gatinho branco andando sobre o muro sem perder o equilíbrio.
Ele olhou para o relógio novamente. Os ponteiros não andaram muito: ainda era 06:25. O garoto suspirou e foi para o banheiro tomando cuidado para não fazer barulho e acordar seu pai ou suas irmãs.
Lá dentro, ele trancou a porta e começou a se despir, e quando já estava completamente nu entrou no box. Assim que abriu a torneira, sentiu a água morna cair, causando um arrepio. Nesse momento, qualquer garota gostaria de ser a água, para tocar nesse corpinho magro, porém musculoso.
O líquido molhava seus cabelos alaranjados e chamativos, escorrendo para os ombros largos e para os braços fortes de tanto empunhar sua zanpakutou. Depois de lavar as madeixas, ele pegou a bucha com o sabonete e esfregou sobre seu abdômen e peitoral bem definidos que dariam inveja a qualquer rapaz e deixaria qualquer garota louca de desejo. Também lavou as costas e as pernas torneadas, por correr pelos céus de Karakura, e o resto do corpo.
Assim que se lavou por completo, desligou o chuveiro e se secou. Pôs uma camiseta branca escrita “What’s up people?” e uma calça jeans preta um pouco colada. Depois foi para frente do espelho ajeitar os cabelos lisos, mas espetados; escovou os dentes e saiu do banheiro, indo em direção à cozinha.
O relógio de parede marcava 06:50. Ichigo passou pela cozinha e bebeu um copo d’água, depois foi para a sala assistir televisão.
Depois de mais ou menos 15 minutos, Yuzu apareceu.
Ichigo’s POV:
— Ohayou, oni-san. Por que já está de pé tão cedo? – disse Yuzu, se espreguiçando.
— Ah, eu perdi o sono.
— Hum. Vou preparar o café da manhã. Quando ficar pronto eu venho te chamar tá?
— Tá bom.
— E não precisa ficar preocupado com o jantar. Eu vou fazer o meu melhor para tudo ficar perfeito. A Karin-chan e o papai também não vão te decepcionar ou fazer você passar vergonha. – disse ela me tranquilizando. – Tenho certeza que a Rukia-chan vai se sentir bem na nossa família.
— Ah, e-eu não estou preocupado, eu disse tentando não transparecer a preocupação.
— Hai, hai. Bom, to indo para a cozinha.
Será que está tão na cara assim? Ainda são sete horas da manhã. Faltam doze horas para ela chegar. O que eu vou fazer nesse meio tempo? Tomara que hoje não tenha nenhum hollow para atrapalhar.
— OHAYOOOOU!! ICHIGOOO!! Itte-te-te... minha mão... – meu pai tentou me socar, mas acabou acertando a mão na madeira do sofá.
— Pai! Isso é jeito de se dar “bom dia”? – perguntei a ele, já impaciente.
— Pelo menos você melhorou bastante. Antes você nem conseguia ao menos desviar do meu braço.
— Tsc. Pai idiota.
— Que horas que sua “namorada” vai vir, hein? – disse ele dando ênfase na palavra namorada.
— Às 19:00.
— Já que está de pé, eu posso te dar uns conselhos e alguns avisos sobre namoro. Isso me lembra da época que conheci sua mãe... meus hormônios vieram à tona e eu sempre tinha vontade de...
— Tá bom, pai. Não preciso saber de perversões logo pela manhã. E eu e a Rukia não estamos fazendo nada de errado para você ficar contando suas histórias com a mamãe.
— Mas isso faz parte da sua adolescência. Na sua idade, eu já namorava um monte de garotas e... – Não estava com a mínima vontade de ficar ouvindo as besteiras e os “vícios” do meu pai quando ele ainda não era velho, então me levantei do sofá e fui para a cozinha.
Nem cheguei a entrar na cozinha, mas recebi uma voadora do meu pai em minhas costas.
— O que você tá fazendo?
— Te ensinando um pouco de respeito.
— Ora seu...
E nossa luta começou pela primeira vez nessa semana. Mas que belo jeito de se começar uma semana.
— Otoo-san, onii-san. Yamero!!
— Não adianta, Yuzu. Eles não vão parar. Deixa esses dois idiotas de lado e venha tomar o seu café da manhã antes que ele esfrie.
— Oe! Eu ouvi isso! – eu e meu pai dissemos juntos.
— Então parem com criancices e venham comer, oras – eu já estava me levantando, mas meu pai me deu uma chave de braço.
— Como você disse Karin-chan. Não adianta. Mas eles vão acabar se machucando desse jeito.
— Fazer o quê? Esse é o único jeito deles mostrarem afeto um pelo outro.
— Pai! Quer parar com isso? Eu tenho que ficar vivo para quando a Rukia vier aqui em casa mais tarde!
— Ah, é verdade. Já estava esquecendo.
Me levantei um pouco zonzo e depois me sentei na cadeira para comer as panquecas que a Yuzu tinha feito.
— Já estão frias.
— Não reclama Ichigo! Você e o papai demoraram tanto que é claro que a comida esfriou! – disse Karin levando o prato vazio para a pia. – Ah, to indo treinar. Volto para o almoço.
— Espere por mim Karin-chan. Vou ao mercado fazer umas compras para encher a geladeira.
10 minutos depois...
— Bom, Ichigo. Tô indo para o consultório trabalhar.
— Juízo, hein.
— E você acha que o seu pai vai fazer algo errado?
— “Magina...” Tchau, pai. Tenha um bom trabalho – disse já o empurrando porta afora.
“Ufa, finalmente o velho saiu. Nem sei como podemos ser pai e filho. Agora, o que eu faço?”
Orihime’s POV:
Kuchiki-san já está de pé. Será que ela ao menos dormiu um pouco?
São 07:30 da manhã e ela já esta a todo vapor.
Minha cabeça já está girando um pouco só de vê-la andando de um lado para o outro, experimentando os sapatos novos, descendo até a lavanderia para pegar o vestido lavado e passado e voltando para o quarto novamente. Se a Rangiku-san não tivesse vindo ontem, Kuchiki-san não teria nada de especial para vestir no jantar.
Flashback’s on (narração em 3ª pessoa):
As duas estão andando pela cidade, elas entram em uma loja e saem carregadas de sacolas, obviamente da loira.
Rangiku já tinha comprado todas as roupas, joias, doces e outras coisas possíveis de se imaginar. De repente, ela teve a ideia de comprar uma roupa para Rukia usar na casa do Ichigo.
A baixinha não queria aceitar nada, porque toda vez que a amiga via uma roupa, Rukia não gostava nem um pouco, ora o modelo ora a cor; mas mesmo assim entrou experimentou alguns vestidos.
A maioria deles, não ficou boa. Ou ficava largo e comprido demais, era muito infantil ou agarrado em demasiado. Depois de tanto tira e põe, finalmente encontraram algo que ficava fofo e ao mesmo tempo bastante feminino, mas Rangiku pegou para ela.
Saíram da última loja carregando, no mínimo, seis sacolas em cada mão (6 sacolas x 4 braços = 24 sacolas; pouquinho né?).
Rukia já estava ficando cansada de carregar as coisas da fukutaichou e ia pedir para ir embora, mas de repente, a moça a puxa para dentro de uma livraria:
“Matsumoto fukutaichou, o que viemos fazer aqui? Não sabia que gostava de ler”, perguntou ela, surpresa.
“Eu gosto sim, mas não sou fã daqueles livros chatos que a Ise fukutaichou tanto lê. Aquilo é cansativo demais. Gosto de livros como esse aqui” Rangiku foi andando até encontrar o que queria; quando achou, mostrou para Rukia.
Na capa da obra, havia a foto de um casal, praticamente nu. O homem estava com o peitoral, bem definido, a mostra; a mulher, que está atrás dele, envolve sua barriga tanquinho em um abraço enquanto beija seu pescoço.
“Rangiku-san!”
“Que foi? Parece até que nunca leu uma história com essa aqui”, disse ela folheando as páginas. “Não sabe o que tá perdendo. Acho que vou levar esse aqui também. Conhecimento nunca é demais.”
Mas esse tipo de conhecimento é dispensável. Rukia ficou vermelha ao ler a outra capa.
“Isso não é um livro! Tá mais para perversão em papel!”
“É claro que não. Escuta esse trecho: ‘Foi dito por alguém que não há ordem ou momento exatos entre o abraço, o beijo e as pressões ou arranhões com as unhas ou dedos, mas que todas essas coisas devem ser feitas, de um modo geral, antes que a união sexual se concretize, ao passo que as pancadas e a emissão dos vários sons devem ocorrer durante a união.’ Viu só? Não é nada demais”
“Só um pouco obsceno, talvez.”
“Na sua cabeça. Relaxa, se quiser ler, eu posso te emprestar. Vai ser bom você aprender algo e por em prática com o Ichigo-kun, não acha?”
“N-não, melhor não.”
“Você quem sabe. Mas eu vou levar para mim, se mudar de ideia...” ela disse com um sorrisinho perverso no rosto.
“E-eu não vou precisar. Eu sei me virar sozinha!” ô_ô’ Opa, ela não disse isso.
“Então quer dizer que a senhorita é bem experiente, né? E eu que achava que você era bastante bobinha nesses assuntos. Depois eu que sou pervertida por ler romances como esse aqui. Vai, me conta tudo. Com quem foi?”
“NÃO! Quer dizer, eu nunca fiz nada disso antes! Rangiku-san! Eu to querendo dizer, que eu não me preocupo com essas coisas, se tiver que acontecer, que assim seja! Se bem que o Ichigo não iria tentar nada também. Será... Por que a gente tá falando nisso?”
“Se é assim...”
As duas foram até o caixa pagar os livros. Assim que efetuou a compra, Rangiku deu um jeitinho e pegou mais uma sacola, acenou para o atendente e saiu da loja com Rukia. Elas ainda precisavam encontrar algum vestido especial para o jantar.
Flashback’s off.
Inoue’s POV:
— Kuchiki-san! Quem te deu isso? – ou será que ela comprou para ela mesma ler?
— Ai não! Isso é da Rangiku-san! Eu juro! Ela disse que ia comprar para ler e disse que se eu quisesse, poderia me emprestar. É claro que eu disse que não queria, mas aí, sem eu perceber, ela o colocou dentro da caixa de sapatos e... eu não vou ler isso! – como ela tá vermelha! A Rangiku-san não tem jeito mesmo, ou será que... não.
— Calma, Kuchiki-san! Respira um pouco. Puxa o ar e solta. Isso mesmo. Não precisa ficar assim, eu sei que você e o Kurosaki-kun estão namorando. Não tem nada demais em querer saber sobre isso – coloquei o livro em suas mãos –, só não esperava que vocês fossem tão ligeiros.
— Calma! NÃO! Eu... eu... foi ela. Isso é dela.
— Mas você vai ler?
— É claro que não! Por Kami-sama! Tenho que devolver essa coisa. Se você tá pensando assim de mim, imagina o Ichigo então se ele descobrir! Ele vai achar que eu tenho a mente depravada!
— Ou que você, além de ser uma shinigami, tem o poder de fazer outros homens se apaixonarem. Que nem aquela deusa grega, a Afrodite.
— Inoue? Você viajou um pouco agora. Mas esquece isso, por favor. Que tal irmos para a cozinha preparar o café da manhã?
— Hum. Já sei o que podemos preparar: missoshiro com bastante wakame, inhame, cenoura e mel. Se quiser, tem tsukemono de rabanete, que é doce e salgado ao mesmo tempo.
— Isso fica bom? Não vai dar dor de barriga depois?
— Claro que não. É uma delicia. Vem que eu te ensino.
— O-ok.
10 horas mais tarde.
17:30, Soul Society:
— Matsumoto fukutaichou, é verdade o que o Renji disse? A irmã do Kuchiki taichou está namorando o shinigami daikou, Kurosaki Ichigo? – perguntou o fukutaichou do 3° bantai curioso e um pouco alterado devido ao sakê.
— Shh! Não fale tão alto, os outros vão ouvir.
— Então é verdade o que ele disse? – Shuuhei entrou na conversa também.
— Sim, é verdade, mas não vão espalhar pra todo mundo. Se o Kuchiki taichou ouvir... não quero estar perto.
— Nem eu! – responderam os dois em uníssono.
Meia hora depois, os três saíram do restaurante-bar, praticamente bêbados e enxergando as coisas em dobro. Foram andando até os seus aposentos, riam com o cambalear de um ou outro e falavam coisas sem sentido. Se num domingo a tarde já estão nessa situação, imagina como estariam no dia seguinte.
A única mulher entre eles pensou ter visto ao longe, o taichou do 6° bantai, só que devido a bebedeira, ela não percebeu que o capitão estava bem mais próximo do que parecia:
— Lembrem-se não digam nada da Rukia ao Kuchiki taichou – porém ela não controlou seu tom de voz muito bem e ele acabou ouvindo.
— O que eu não posso ficar sabendo?
— Kuchiki taichou!
— Então? Não me faça repetir.
— Rangiku-san! Diga alguma coisa!
— Dizer o que? Que a Rukia-chan está namorando o I... nhmnhmnmh! – duas mãos apareceram rapidamente e tamparam a boca da jovem.
— Ela não quis dizer nada não. Olha só para ela, coitada. Bebeu demais essa noite. Vamos leva-la de volta para o quarto, não é mesmo, Shuuhei?
— Ah, s-sim Kira fukutaichou.
O loiro a pegou no colo e quando estava prestes a dar o primeiro passo:
— Não dei permissão para vocês saírem daqui – a reiatsu do taichou ficou um pouco alterada, fazendo os dois rapazes sentirem uma forte pressão em seus joelhos e fazendo também a outra desmaiar de vez.
— Rangiku-san! Ah, será que não é melhor a gente contar, Shuuhei? – sussurrou Kira, ficando preocupado com a situação.
— Acho que não temos outra opção. Quer que eu fale?
— Hum, pode ser, já que eu a estou carregando.
Hisagi se virou para o homem de longos cabelos negros a sua frente, respirou fundo e, mesmo temendo o que poderia acontecer, disse em um só golpe:
— Sua irmã, Kuchiki Rukia, está namorando o shinigami daikou, Kurosaki Ichigo.
De início, Byakuya não disse nada, por alguns segundos pensou nas palavras do jovem a sua frente. Mas em seguida, uma frase surgiu em sua voz imponente, uma acusação nada agradável de se ouvir:
— Tem ideia do que acabou de proferir, Hisagi Shuuhei? Não precisa responder. Não vou ficar aqui e ouvir essas blasfêmias a respeito do meu nome.
Por mais que essas palavras tenham doído em Shuuhei, ninguém merece ser chamado de mentiroso, este se sentiu aliviado por ter ouvido apenas isso e ficou mais aliviado assim que o taichou foi embora.
— O que será que vai acontecer agora, Kira-kun? – o oficial do kyuu bantai perguntou agora, sentindo sua respiração normalizar.
— Não sei, mas vamos levar a Matsumoto-san para o quarto dela. A presença do Kuchiki taichou fez com que ela desmaiasse – o loiro respondeu ajeitando a garota em seus braços já dormentes.
— Mas isso porque ela bebeu mais que nós dois juntos, essa tarde.
— Não sei como. Se eu fizesse isso, seria internado no hospital do 4° bantai.
Um pouco longe dali:
Por dentro, Byakuya estava se explodindo de raiva por ter descoberto algo dessa magnitude. Ainda não sabia se acreditava ou se esquecia o que tinha escutado; mas a primeira coisa que ele fez, foi usar seu shunpo para ir até o 12° esquadrão, pedir um favor para o Mayuri-san. Depois de conseguir o que queria, pediu permissão ao Yama-jii para ir até o Mundo Real resolver um “problema de família”, que foi concedido.
–-
Casa do Ichigo, 18:30
*toc*, toc*, toc*
— Já vai! – gritou Yuzu correndo em direção à porta – Olá! Rukia-chan! Você está muito bonita, entre.
— Olá Yuzu-chan. Obrigada, você também está bastante bonita.
— Você acha? Hihi, obrigada. Vou chamar o onii-san, a Karin-chan e o papai. Sente-se, o jantar fica pronto em meia hora.
Rukia’s POV:
Entrei na casa, e o cheiro delicioso de comida invadiu minhas narinas e incitaram o meu estômago. Tirei o casaco e a irmã do Ichigo pendurou-o no cabideiro atrás da porta.
— Olá Yuzu-chan. Obrigada, você também está bastante bonita.
— Você acha? Hihi, obrigada. Vou chamar o onii-san, a Karin-chan e o papai. Sente-se, o jantar fica pronto em meia hora.
— Tá bom.
Me sentei na poltrona e senti meus pés relaxarem. Sapatos de salto me deixam mais alta, mas são muito desconfortáveis também.
O vestido que a Rangiku-san escolheu me surpreendeu. É a coisa mais linda que meus olhos já viram, espero que o Ichigo goste. Ainda bem que deu para usa-lo. É estranho como o inverno chegou ao fim mais cedo este ano.
— Olá, baixinha.
— Baixinha é a... Ichigo? É você mesmo?
— Não, eu sou o Papai Noel. Resolvi vir mais cedo este ano. É claro que sou o Ichigo!
O sarcasmo de sempre. É ele.
— Você tá bonito. – ele está vestindo uma camisa branca de manga comprida com dois botões abertos, por dentro da camisa, dá para ver algo como uma regata preta; também está usando uma calça jeans azul escura (o que é estranho, já que ele sempre usa algo mais colorido).
— Obrigado. Você também está muito li...
— Konbawa! Rukia-chan, há quanto tempo! Você está bem bonita! Meu filho aqui tem um bom gosto para garotas, não é filhão?
— Pai! Achei que você ia se comportar, pelo menos essa noite.
— Só a estou cumprimentando, oras.
— Ei, não comecem a discutir. Está deixando sua namorada sem graça, Ichi-nii.
— Tem razão, Karin. Me desculpe Rukia.
Ficamos na sala conversando. Respondi todas as perguntas que a família dele queria saber. Algumas delas, me deixaram envergonhada (quantas vezes nos beijamos, por exemplo); outras me deram vontade de rir, como “quando nos conhecemos”. Estava me divertindo bastante escutando as histórias do pai dele, as coisas que aconteciam na clínica de vez em quando, os jogos de futebol da Karin e as trapalhadas de seus amigos, até que a outra irmã dele nos chamou para jantar.
— Temos a noite toda para conversar, mas agora vamos comer – disse ela de um jeito que a fez parecer um tanto maternal.
–-
Byakuya POV:
“Onde é mesmo a casa daquele shinigami daikou? Deve ser aqui ao lado dessa clínica, tem o sobrenome dele”
Fui andando em direção a casa dele para acostumar com o gigai e as roupas novas. “Que frescura para vir até o Mundo Real”
“Kurosaki Ichigo, se for verdade o que foi dito a seu respeito, é bom que tenha uma boa explicação para isso.”
–-
Casa do Ichigo, 20:17
Depois de comer o jantar, que estava delicioso, como sempre, as meninas foram para a sala e Ichigo ficou na cozinha para ter uma conversa séria com o seu pai.
— Pai, eu quero fazer uma coisa e espero que aceite minha decisão.
— O que é Ichigo?
— Vou pedir a Rukia em namoro.
— Que notícia ótima! Já está com as alianças? É claro que sim, que cabeça a minha. Vem vamos logo para a sala. Suas irmãs não vão perder isso, né?
— Yuzu, Karin, podem abaixar o volume da televisão? – pediu Isshin todo radiante.
— Pronto.
— Rukia, pode vir até aqui um pouquinho? – disse Ichigo nervoso ao lembrar do dia em que ele a pediu em namoro.
— Rukia, eu sei que já fiz isso duas vezes, mas uma terceira vez não mata ninguém e se você não quiser aceitar, eu vou entender.
— Para de enrolar, bakamono.
Ichigo fechou a cara e se ajoelhou na frente dela.
*toc*, toc, toc*
— Quem será que é? – disse o garoto bufando.
— Vou ver.
Yuzu foi até a porta e abriu-a.
Rukia e Ichigo ficaram mais brancos que fantasma.
Karin e Isshin se entreolharam sem entender a reação dos dois.
— Ni-nii-sama?
— Byakuya?!
–-
— É aqui que mora o Kurosaki Ichigo? – disse Byakuya seriamente.
— É sim. O senhor é professor ou algum amigo dele? – perguntou Yuzu um pouco receosa. – Quer entrar?
— Ni-nii-sama?
— Byakuya?!
— Vocês o conhecem? – disse Karin olhando em direção ao irmão – ele é seu irmão Rukia-chan?
Rukia mal ouviu o que Karin perguntou. Ela apenas continuou olhando o homem de cabelos pretos entrar dentro da casa do seu namorado.
Byakuya olhou para todos os rostos ali presentes. “Tsc, não posso matar todos esses humanos, mesmo que eles sejam a família daquele ali”, pensou ao ver Ichigo de joelhos, que ficou de pé rapidamente, e Rukia à sua frente mais branca que o normal.
— Kuchiki Rukia. Que eu me lembre, sua missão era proteger esta cidade ao invés de ficar de namoro com esse... Kurosaki Ichigo.
— Psiu! Pai, Yuzu, Karin – chamou Ichigo baixinho – não é melhor a gente deixa-los sozinhos? Isso é conversa de irmãos.
— É claro que sim, onii-san. Vamos Karin, papai. Nada de ficar bisbilhotando a conversa dos outros.
Os quatro foram para a cozinha sem fazer barulho, mas antes que Ichigo pudesse fechar a porta:
— Kurosaki Ichigo, você fica aqui.
— N-não precisa Byakuya. A conversa é entre irmãos, certo? Eu, com certeza, não me encaixo nesse grupo. Vou lá na cozinha preparar um chazinho para vocês e já volto.
— Fica. Aqui. – Disse, não, ameaçou Byakuya.
— Ha-hai.
Do outro lado da porta, Isshin e Yuzu estavam com um copo na orelha tentando ouvir o que eles estavam conversando.
— Depois sou eu que quero ficar bisbilhotando, né Yuzu? Você e o papai são os mais curiosos – disse Karin sarcasticamente.
— Shh! Desse jeito não dá pra ouvir o que eles dizem meninas... só um pouquinho, eles estão falando alguma coisa.
— Que barulho foi esse?
— Parece até que derrubaram o sofá. Agora parece que a televisão bateu na parede.
— Papai, o que tá acontecendo lá?
— Não sei, mas espero que eles não destruam a sala.
Do outro lado da porta...
— É desse jeito que eu descubro que vocês estão juntos? Por três tenentes que mal conseguiam se aguentar em pé de tanto beber? Que decepção.
— Mas nii-sa...
— Não me interrompa. Você não merece o sobrenome que tem. O que você está fazendo, viola as regras da nossa família-modelo.
— Mas você disse que...
— Não importa o que eu disse ou o que eu fiz, se é o que você está pensando. A sua irmã era diferente e não tem nada a ver com isso.
— Eu tenho que ficar ouvindo mesmo?
— Não te dei permissão para falar, só diga algo quando eu me dirigir a você, caso queira continuar inteiro.
— Nii-sama! Não fale assim com o Ichigo!
— Que tom é esse? – a pressão da reiatsu do capitão ficou um pouco pesada, o que fez, de algum jeito, o sofá se afastar dele e a televisão voar contra a parede.
— Byakuya! Se você veio aqui para estragar o jantar, ótimo! Se veio para me matar, melhor ainda! Vamos para algum lugar onde eu possa lutar contra você, mas deixe minha casa fora disso! Olha o que você fez com a mobília!
— Isso nem pode ser chamado de mobília. É apenas lixo.
— Ora seu...
— Parem com isso! Não posso deixar vocês se matarem. Nii-sama, eu não sou mais uma criança. Eu cresci, mesmo eu continuando baixinha; eu já vivi muito mais tempo que ele – Rukia apontou para Ichigo – mas nunca encontrei alguém que me amasse de verdade como mulher. Não acha que eu mereço viver minha vida nem que seja só um pouquinho?
— Rukia...
— Ichigo, eu já deixo você falar, mas antes, quero te pedir desculpas. Eu deveria ter contado isso para o meu irmão antes, mas nunca pensei que ele descobriria pela Matsumoto – Rukia ficou com vontade de esgana-la – e agora, aqui estamos nós. – ela se virou para encarar o irmão, que permanecia estranhamente calado – Nii-sama, eu o amo muito. Sei que faz pouco tempo que nos conhecemos, mas sinto que já o conheço há muito mais; é como se nossos passados tivessem sido ligados por algum laço e, este mesmo, fez com que nos reencontrássemos aqui. Por isso eu peço que me deixe ficar com ele. Por favor, nii-sama, não negue o meu único pedido.
Rukia ficou esperando uma resposta do tão amado nii-sama.
— Não posso permitir que vocês namorem – ela estava prestes a falar algo, mas se calou ao ver o mínimo cerrar de olhos do outro – Tenho dois motivos para isso: Primeiro: Isso é contra as regras da família Kuchiki, já disse isso e torno a repetir; Segundo: Nem em cem anos, esse garoto conseguirá ser homem o suficiente, ou fará parte, para compreender os princípios de nossa linhagem.
— Esses motivos são tão... toscos, que me faltam palavras para descrever. Caramba, Byakuya! Era melhor ter dito logo que não me quer como parte de sua família que ficava mais bonito ao invés de ficar fazendo drama! Desse jeito você vai poder trabalhar em uma novela mexicana, se quiser.
— Cuidado com o que diz, Kurosaki.
— Byakuya! Quer parar de me ameaçar por um minuto?! (Ahn... não?) Não ligo que queira me ver bem longe – Ichigo puxou Rukia para si –, mas será que você não pensa na felicidade dela? Eu sei que você já foi casado com a irmã da Rukia, mas não se lembra nem um pouco de como era ter alguém que se ama e que também te ama? Como era bom ter um amor recíproco?
Ichigo achou que seria morto com o que disse, tanto que segurou a mão da garota ao seu lado com um pouco de força e esperou seu fim. Mas por sorte ou outra coisa, o capitão apenas suspirou para dizer em seguida:
— Você ao menos sabe o que é amor para dizer essas coisas para mim?
As palavras o deixaram confuso e agradecido. Estaria imaginando? Não, ele não brincaria com algo assim.
— Sei. E é o que sinto por essa baixinha aqui.
Rukia ficou emocionada com o que ouviu.
Não é sempre que alguém enfrenta o seu irmão e diz que a ama na frente dele.
— Nii-sama, é por isso que quero que você me deixe ficar com ele. Ichigo jamais me abandonaria ou me deixaria triste.
Byakuya não respondeu nada.
20:46 – a sala continuou calada.
20:48 – na cozinha, os três já estavam impacientes, curiosos com a decisão e meio sem entender que história era essa de um querer matar o outro.
20:51 – Ichigo estava prestes a surtar só por ficar olhando a cara do Byakuya, que nem parecia respirar de tão imóvel que estava.
— Se vocês prometerem que não vão contar para ninguém, talvez eu os deixe ficar juntos.
Que alegria! Eles se abraçaram de felicidade e assim que se soltaram, a baixinha abraçou seu irmão, agradecendo mentalmente, centenas de vezes. A única coisa que Rukia e Ichigo não fizeram, foram se beijar na frente dele – o medo ainda estava rondando o casal.
— Eu disse “talvez”.
— Pelo menos é melhor que ouvir “não” – disse Ichigo sorrindo.
— Onii-sama, não se preocupe comigo, eu vou ficar bem.
— Quem disse que é por preocupação que eu não iria deixar vocês ficarem juntos.
— Byakuya, você tá falando demais. Nós vamos namorar sim e ponto final.
O homem de cabelos negros olhou para o Kurosaki com uma expressão do tipo: “Se disser mais alguma coisa, eu corto você em dois; você nem vai saber de onde veio o golpe”. Ichigo apenas revirou os olhos, sem se importar se perderia um braço ou uma perna ou os dois.
— Byakuya, tem mais uma coisa. Antes de você chegar e atrapalhar tudo, eu estava prestes a pedi-la em namoro. Se me permite, vou continuar de onde parei.
Rukia prendeu a respiração. Ichigo é a primeira pessoa que tem coragem de enfrentar seu nii-sama desse jeito.
— Rukia, não vou fazer mais nada para te impedir de cometer essa besteira. Como você mesmo disse, a vida é sua; mas se você se arrepender, não diga que eu não avisei.
–-
A noite continuou mais calma depois de Byakuya ir embora e, pouco a pouco, tudo foi voltando ao normal. A sala estava bastante destruída, mas ele disse que ia pagar por todos os danos, já que eram coisas baratas.
— Ichigo, já está na hora de eu ir embora – Rukia disse se levantando do sofá.
Ela se despediu das irmãs e do pai dele. Agradeceu e pediu desculpas por tudo.
— Não se preocupe com isso. Você não poderia saber que o seu irmão iria aparecer aqui, disse Isshin.
— Sim, mas eu não sabia que ele era tão ciumento e possessivo assim. Pode deixar que eu vou pagar por sua sala destruída. Não quero que fiquem com essa impressão sobre mim ou ele.
— Hahaha! Você já é como uma filha para mim, mas espero que o seu irmão não faça mais nada de perigoso.
— Também espero.
— Filho leve-a até a casa dela e não apronte nada, hein?! Vou ficar de olho em voc... Itte-te-te – Ichigo deu um tapa na cabeça do pai.
— Tá bom! Não me siga que eu não vou fazer nada demais!
O ruivo pegou dois casacos: colocou um sobre si e outro sobre os ombros da baixinha; colocaram seus sapatos, saíram da sala e conversaram um pouco enquanto iam andando.
— Você podia ficar mais um pouco.
— Melhor não. O nii-sama já causou problemas demais e amanhã temos aula, se lembra?
— É verdade. Nem acredito que o fim de semana já acabou.
— Hum. – Rukia estava com um pouco de frio, mas não queria pedir para ele emprestar o casaco ou abraça-la.
— Você está com frio? – perguntou ele olhando para a garota que tremia os lábios.
— S-só um pouquinho, mas e-estou bem.
— Vem cá – o ruivo tirou o casaco grosso e pôs sobre Rukia e depois passou um braço em seu ombro puxando-a num abraço bem quentinho e aconchegante – Melhorou?
— Sim, mas você não tá com frio?
— Eu vou ficar bem.
Eles andaram até a casa de Orihime. Quando chegaram na porta, ela não queria entrar porque queria ficar mais um tempinho com seu ruivinho. Eles deram as mãos e ficaram se olhando. Ambos podiam sentir as alianças colocadas nos dedos anelares direitos.
A troca de olhares foi ficando cada vez mais perto, até que as testas se tocaram e os dois sentiam a respiração quente bater em seus rostos.
Rukia fechou os olhos lentamente e, em seguida, sentiu os lábios macios do seu namorado tocarem os seus; o ósculo ficou mais intenso quando as línguas se encontraram e começaram a se massagear dentro das bocas; ela o abraçava pela cintura enquanto Ichigo acariciava seu rosto com uma das mãos e mexia em seus cabelos com a outra.
Antes de se separarem, Rukia o beijou uma, duas, uma terceira vez e deu um passo para trás.
— Oyasuminasai, Ichigo – disse ela retirando o casaco dele e o devolvendo – Obrigada por me trazer até aqui.
— Sempre que quiser, meu amor – a garota de olhos violeta ficou com as bochechas rosadas.
— Até amanhã. Eu te amo, meu namorado.
Ichigo não pode deixar de sorrir com o que ela disse e repondeu: — Também te amo, baixinha.
Continua...
Rukia no jantar ^^
Notas finais
Será que eu mereço reviews? <- Me gusta!
Beijos e até o próximo.
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