She's so gone
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P.O.V Rose Granger-Weasley
Apesar da minha mãe não saber, eu já estava acordada quando ela se sentou na minha cama para me acordar. No entanto, como boa apreciadora de dormir que era, deixei-me estar mais um pouco.
— Rose, querida, eu sei que estás acordada – disse Hermione – despacha-te, até parece que não queres ir para Hogwarts.
Isso era um golpe baixo, a minha mãe sabia perfeitamente que eu mal podia esperar que chegasse o dia 1 de Setembro para poder embarcar no comboio que me levaria a Hogwarts. Eu estava desejosa de ter aulas e de ir para a biblioteca e de…
— Rose! – insistiu a minha mãe – Anda lá!
— Já me estou a levantar, não te preocupes!
— Sabes perfeitamente que o comboio não espera por ninguém… Despacha-te! – disse enquanto saía do quarto.
Saltei da cama num instante e comecei a preparar-me. Depois de me ter vestido, confirmei pela centésima vez (sim, centésima, não estou a exagerar) se tinha tudo posto na mala pois não queria que me faltasse nada. Quando desci, os meus pais e o Hugo já estavam na mesa à minha espera para tomar o pequeno-almoço.
— Finalmente Rose!- sussurrou o meu irmão, antes de se atirar à comida. Conhecendo-o como eu conhecia, já devia estar cheio de fome e a minha mãe sempre quis que começássemos a comer todos juntos.
Servi-me de uma torrada e de um copo de sumo de laranja, sem muito apetite já que estava muito nervosa.
—Nam comz mas?
— Ronald! Por favor, não fales enquanto estás a comer!– esta frase era das mais ditas pela minha mãe.
— Deixa lá, mãe! Eu percebi – sim, já eram muitos anos de convivência – E não, pai, não consigo comer mais, estou muito nervosa.
Acho que a minha mãe começou a divagar sobre o mal que fazia não tomar um bom pequeno-almoço, que era a refeição mais importante do dia, mas eu já tinha desligado, a minha mente já estava a pensar na minha vida em Hogwarts e no que eu faria quando chegasse lá. Desde pequena que ouvia as aventuras dos meus familiares dos vários esconderijos de Hogwarts e queria experimentá-los todinhos, desde a Sala das Necessidades à cozinha (este sim, iria visitá-lo muitas vezes).
Entretanto, fomos para o carro. O meu pai tinha tirado a carta numa daquelas escolas para Muggles e estava muito orgulhoso desse feito, por isso gostava de usar o carro o máximo de vezes possível. A viagem foi calma, embora esteja muito entusiasmada para começar a estudar na melhor escola de feitiçaria, eu só sabia que ia ter saudades deste sítio e, por muito que me custe a admitir, do meu irmãozinho chato. Felizmente teria os meus primos lá! O Albus, o meu primo favorito e meu melhor amigo, era da mesma idade que eu, logo este ano também seria o primeiro ano dele e eu estava desejosa das aventuras que iriamos passar nesta escola mágica.
Mal chegamos à estação vimos os nossos primos Potter e eu notei logo que o Albus estava com uma cara muito preocupada, decerto que estava a pensar no que aconteceria se ficasse nos Slytherin. Eu já suspeitava que ele estava determinado a usar verde e prata, mas este era o seu maior medo, já que queria agradar ao tio Harry. Eu já tinha falado com ele sobre isso inúmeras vezes (se bem que eu escondia a minha “previsão” para não o assustar), e apesar de eu ter insistido com ele que ser uma cobra não significava que ele era mau, ele não mudava de opinião.
O Al deixou-se ficar um pouco para trás e eu ia ter com ele, mas depois reparei que o tio Harry foi lá, então voltei para o meu mundo, esperando que não fosse nada de mal. Como seria Hogwarts? Seria uma Gryffindor ou uma Ravenclaw? Toda a minha família achava que eu ia ser mais uma Weasley leoa, mas confesso que sou um pouco indiferente em relação à casa a que pertencemos, não é isso que vai determinar o que somos nem o que podemos vir a ser.
Eu estava um pouco a leste do que se estava a passar na estação, mas notei que o assunto voltou a ser eu ter de ser melhor que Scorpius Malfoy e blá blá blá. O meu pai não se cansava desse preconceito, e se ele suspeitasse que eu tinha uma mini paixoneta por ele (note-se a ironia em “mini”, não me julguem, ele é mesmo giro!), iria deserdar-me nesse instante.
— Ro, vamos – pediu Al, enquanto me dava o braço – tenho de falar contigo…
Fui despedir-me dos meus familiares para depois embarcar no comboio. Queria guardar o momento para sempre, era a primeira vez que me sentia tão independente, tão livre. Finalmente poderia aprender a controlar a minha magia, se bem que já sabia um ou dois feitiços.
Percorremos um longo caminho, e entre sorrisos forçados daqueles que nos queriam bajular por sermos descendentes do “Trio de Ouro”, conseguimos (finalmente) encontrar um compartimento vazio. Ao contrário do meu primo James que adorava ser popular, eu e o Al preferiamos afastar-nos desses interesseiros que só se queriam aproximar de nós por causa de fama e do nome da família.
—Al?
—Hmm
—O que me querias dizer?
—Ah é que…. Ah… Lembras-te quando me afastei para falar com o meu pai? Pois, ele também me falou que a casa a que eu pertencesse não iria mudar nada…
— Vês? – exclamei – E eu aqui preocupada!! Ninguém vai deixar de gostar de ti só porque és de uma casa ou de outra! Não precisas de ter medo…
—Pois, falar é fácil, miss Gryffindor! Tu és segura de ti própria! Já eu…
—Oh! Não digas isso Al! Ninguém deve ser julgado pela casa em que está!
— Não é isso! Toda a nossa família pertence aos Gryffindor e…
— E quê Al? Até parece que és obrigado a ser igual à tua família! Tu és quem és, e a família a que pertences não vai mudar nada!
Ele pareceu extremamente pensativo, mas não disse mais nada. Quem me dera que o mundo mágico aceitasse isso de uma vez por todas.
Ia preparar-me para ler o meu livro “Como tratar lesões mágicas de forma eficaz”, uma paixão que descobri recentemente, quando a porta do nosso compartimento se abriu e de lá surgiu a pessoa mais inesperada.
— Possosentar-mecomvocês? – perguntou rápido, parecia ter estado a guardar coragem para perguntar-nos aquilo.
— Ah… claro – respondeu o meu primo. Eu ainda estava chocada com o acontecimento.
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