Notas iniciais
Depois desse mega feriado prolongado, 2º capítulo.

– Sherlock, Sherlock.

Eu ouvia alguém me chamar ao fundo, lembrei que estava sozinho em casa. Quem poderia ser? O som estava longe, mas ao mesmo tempo muito perto. Apertei os olhos, desviando a atenção para toda a extensão do quarto. O que estava acontecendo?

– Acorde, Sherlock. Você está sonhando.

Fui surpreendido por Watson, que me segurava pelos ombros me chacoalhando. Segurei o braço do fiel escudeiro, como num impulso, e sentei de forma correta sobre a poltrona, percebi uma leve dor nas costas. Merda! Adormeci aqui.

– Você está sonhando, Sherlock. E não quero te dizer…

– Calado!

Interrompi John para que ele não concluísse sua frase. Eu estava receoso quanto ao que viria a seguir. Quando acordado, eu tinha perfeitamente controle sobre mim e poderia enganar qualquer um, mas quando dormindo, ali eu estava inteiramente vulnerável.

– Sonhando com ela novamente, hum?

E sem atender o meu pedido, Watson continuou, sabendo que iria me irritar, fazia por prazer. Fiquei curioso quanto ao que tinha dito, para que John desconfiasse que fosse com A Mulher que eu estava sonhando, mas me restringi ao silêncio. Ele provavelmente entenderia minha preocupação, mas não deixaria barato. Fui salvo pelo toque do seu celular. Dr. Watson caminhou até seu quarto, falando com quem estava do outro lado da linha.

E realmente, a preocupação me tomou por completo. Fazia muito tempo que não via A Mulher, fazia muito tempo que não ouvia sua voz. Estaria ela viva? O que estaria fazendo agora? Será que pensava em mim? Balancei a cabeça negativamente como quem quer espantar os maus pensamentos. Merda! Minha mente me vence às vezes.

___

Duas semana depois -

Os dias se passaram, durante duas semanas apenas dois casos realmente interessantes surgiram pela porta. Um dos casos partiu de Lestrade, que me procurou para solucionar um crime quebra cabeça, que foi resolvido em alguns dias. No final das contas mais uma vitória para Scotland Yard, e para mim aquela deliciosa sensação de satisfação. Eu não trocaria essa sensação por nada.

Passei por St. Bartholomew’s Hospital, queria checar algumas amostras de sangue que alguns dias fazia experimentos, já que os casos estavam escassos, e o cano da cozinha onde concentrava meu laboratório havia decidido se romper.

Adentrei o ambiente onde Molly dedicava sua atenção, estudava um cadáver sobre a mesa. Nem se deu ao trabalho de desviar a atenção a minha presença. Estranhei.
Cheguei perto do corpo, gelado e fétido. Analisei alguns pontos daquele homem e permaneci calado. Minha mente formulava resultados.

Me virei de costas, decidi não atormentar Hooper e me encaminhei para o microscópio. Percebi pelo reflexo do vidro a frente que Molly desviou seu olhar para mim. Sorri por dentro.

O silêncio na sala reinava, o único ruído se dava quando Molly colocava seus instrumentos cirúrgicos sobre a bandeja de metal ou eu trocava os vidros para analise de sangue. Embora gostasse da calmaria aquilo me soava estranho. Molly Hooper sempre aparentou tímida, quieta, mas não exatamente como naquela situação. Nem um cumprimento, um comentário, pedido de ajuda ou somente um sorriso.

Meus pensamentos foram invadidos pelo barulho da porta de entrada se abrindo. Era John.

– Sherlock…

Watson vinha em minha direção, mas parou na metade do caminho quando avistou Molly. Ergueu o braço em sinal de cumprimento.

– Oi, Molly. Como estamos hoje?

Ela o sorriu de volta, tirou a mascara descartável que cobria seu rosto e respondeu bem simpática.

– Oi, dr. Watson. Estou bem. Obrigada.

A patologista voltou sua atenção ao cadáver e John veio até mim.

– Sherlock...O que está fazendo?

Arqueei uma sobrancelha, pensei em que forma responder aquela pergunta estúpida de John. Pousei as mãos sobre a mesa, cada uma na lateral do microscópio, desviei a atenção para a figura parada ao meu lado e retruquei.

– Sério? Você me parecia inteligente antes.

Watson bufou, mas no fundo concordou. Sua pergunta era mesmo estúpida. Pegou alguns vidros com amostras de sangue e analisou a olho nu. Começou a falar novamente.

– Você deveria ter ido ontem no bar. Todos estavam presentes, menos você. Aquela sargento Sally, parceira de Lestrade, estava presente, comemorou o fato de você não...

Rapidamente desviei a atenção para John, bati forte um dos vidros de analise sobre a mesa, fazendo espatifar em pedaços. A ideia de que Watson pudesse ter dito algo com relação aos meus sonhos me veio a mente, eu definitivamente estava certo.

___

Três horas atrás

Observava pela janela da sala, Baker Street, tão movimentada quanto qualquer outro dia. Fechei os olhos, ouvia soar todos os barulhos da rua, podia distinguir a maioria. Agarrei meu punho atrás de minhas costas, movimentava a cabeça de acordo com cada ruído de carro, passos, pássaros, gritos, falatórios, ou até mesmo os segundos que o semáforo trocava de verde para amarelo e então vermelho. Fui interrompido.

– Sherlock, trouxe donuts e seu café. Aqui está.

John parecia muito mais solicito do que normalmente, não que ele não fosse, mas eu percebi um certo interesse, como se buscasse me agradar. Apertei os olhos e busquei observar por um momento. Suas olheiras denunciavam a noite mal dormida, e o cheiro de cerveja exalando de seu corpo dizia que teria bebido de mais. Ele abriu um largo sorriso, esperando que recebesse sua gentileza. Aceitei. Peguei o donuts, a caneca com café, e coloquei sobre a escrivaninha. Watson pareceu murchar, desfez o sorriso e saiu sem dizer nada.

Não se passaram nem meia hora até que ele voltasse novamente com sua suspeita gentileza.

– Sherlock, mandei lavar aquele punhado de roupas que já fazia aniversário em seu cesto. E pode ficar tranquilo, que irei buscar também.

E aquele sorriso surgiu novamente. Merda. O que diabos John tem? Algo está estranho. Permaneci calado, eu provavelmente me arrependeria de toda aquela gentileza.

___

Hora atual

– Não…

John olhou surpreso, percebi ele engolir a seco. Me coloquei de pé a sua frente, olhando aquela figura pequena por baixo de meus olhos. John apertou os olhos, os lábios e deixou escapar.

– Merda.

– Você contou do sonho para eles, John?

Permaneci sério, esperando que nesse momento pudesse estar errado. Eu não me importava com muita coisa, mas me importava com minhas aparentementes fraquezas, embora fossem poucas. Sonhar e ainda por cima com A Mulher, era uma das minhas maiores.

– Sherlock, me desculpe, mas eu bebi um pouco a além do que deveria. Lestrade pedida canecas de chopp sem parar, e….

– Quem ouviu?

John recuou dois passos, cobrindo a mesa de instrumentos cirúrgicos, parecendo querer me poupar de ver aqueles objetos. Novamente engoliu a seco e deixou soar de forma baixa.

– A mesa toda.

– Filho da puta.

Notas finais
Me ajudem, gente, vamos. rs Próximos capítulos, juro, mais de Irene Adler... haha...