Sherlock Holmes e o Sumiço da Caixa Espanhola

14 Um Pedido para Watson [Manhã de Visitas–Parte II]


Notas iniciais
Bem, este capítulo seria junto com o anterior e como resolvi dividi-lo, ficou um pouco menor, mas mesmo assim, BOA LEITURA! =)

— Não admitirei que esteja apaixonado. – Holmes falou por fim desgostoso.

— O que você quer dizer afinal? Que está ou não está apaixonado?! – Watson ficava impaciente – Espere! – Watson falou num sobressalto para em seguida começar a rir – Esta é uma verdade espelhada?! Não acredito nisso. Então você acaba de confessar que está caidinho pela Rita?!

Holmes sentou-se na cama aflito, com seu olhar agitado.

— Preciso de um cachimbo! Aliás, não pensei que fosse se lembrar desta minha velha brincadeira com meu irmão Mycroft... Costumávamos escrever em código: se iniciássemos um relato com uma consoante, todo o texto significaria o contrário do que estivesse realmente escrito... – Sherlock falava vagamente distraindo-se com seu pensamento, mas logo despertou e falou indignado:

— Não estou caído por ninguém.

— Ah, claro que não. Olhe só para você. Mergulharia pelado no rio Tâmisa se ela mandasse. – Watson abriu um jornal que estava em cima da mesinha.

— Isso não é algo que lhe interesse, certo?

— Gostaria de deixar claro apenas, que não precisa se preocupar com suas questões emocionais, Holmes. Apenas sinta-as e não se comporte como um adolescente medroso.

Sherlock pigarreou incomodado.

— Não insulte minha inteligência. Não estou me comportando como um adolescente medroso.

Watson continuou como se o amigo não tivesse falado.

— Sua mente ágil continuará pronta para qualquer caso, meu caro, o mais grotesco deles, o mais complexo para resolução.

Watson falando isso se levantou e empurrou sem muito cuidado o Sherlock de forma que ele deitasse na cama.

— Au! Seu--

— Desabotoe sua camisa. – Watson falou sério — Preciso trabalhar Holmes, não vou ser seu psicólogo... Até porque você não ouve ninguém. – Watson colocou uma luva e abriu o curativo com cuidado- Hum, parte do ferimento está cicatrizado, mas os pontos ainda não podem ser removidos... Esta área ainda está inflamada. – Falou passando o dedo levemente – Isto doi? – perguntou pressionando suas costelas.

Sherlock fez uma careta e respondeu com a voz rouca:

— Sim.

De pronto, Watson limpou o ferimento e o local da cirurgia. Pôde perceber que um líquido morno ainda escorria e refez todo o curativo. Pegou sua prancheta, fez algumas anotações e falou:

— Não posso dar alta à você, Holmes. Não está cicatrizado ainda. Há áreas inflamadas e suas costelas não estão boas. Precisa de mais repouso. A bala atingiu fundo.

Sherlock revirou os olhos.

— Não suporto mais ficar aqui enclausurado! Preciso de meu violino, minhas anotações, minhas fórmulas e meu cach--

— Nada de fumo e até mais Holmes. Por estes dias, será incerta minha presença aqui, mas estará em mãos de médicos confiáveis.

— Espere Watson. – Holmes falou sentando-se lentamente na cama.

Watson virou-se para ele e o detetive falou.

— Preciso que me faça um favor.

Watson arqueou uma sobrancelha.

— Não tenho tempo agora Holmes.

— Vá até a mansão de Pablo Valdéz e investigue tudo por lá. Quero confirmar minhas hipóteses. Preciso saber se existe algum indício da caixa.

Watson o encarou.

— Farei o possível. Mas não lhe garanto nada.

— E não destrua as pistas, por favor.

— Tomarei cuidado!

— Ah, então irá!

— Eu não disse isso. – Watson respondeu entre dentes.

— Você afirmou que tomará cuidado o que indica obviamente que fará o que lhe pedi.

— Não afirmei nada Holmes! – Watson falou exasperado jogando um travesseiro no outro.

— Mas deve concordar que se for, tomará cuidado. – Sherlock pegou o travesseiro com um sorriso de lado.

— Não concordo!

— Ah, então é mera escolha de termos...

— Não sei!

— Você mesmo disse isso!

— Certo. Concordo, mas não afirmo nada. – Watson ficava vermelho de raiva, porém não iria se dar por vencido.

— Ora, isso não tem lógica alguma. Ou você concorda, o que o leva automaticamente a afirmar, ou você não concorda, negando o fato obviamente.

— Holmes, vá se ferrar. – Foi a última coisa que Watson pronunciou antes de deixar o local, fumaçando de raiva e pisando mais firme do que o normal com sua perna manca.

Sherlock sorriu após a saída de Watson, mas logo voltou à sua seriedade, pensativo. Olhou para o travesseiro que segurava e jogou-o de lado; deitou-se na cama com as mãos por baixo da cabeça e passou a encarar o teto. Esperaria agora por notícias sobre a investigação na mansão, pois sabia que seu amigo iria ajudá-lo.

Notas finais
Opiniões.... ? Até os reviews! ;)