Sherlock Holmes e a Expedição Perdida
7 Em Busca de Pistas
Notas iniciais
Depois das poucas descobertas e da conversa com o Sr. Borges rumo aos mistérios, o trio seguiu em busca de mais pistas, como Sherlock havia planejado naquele dia mais cedo. O detetive, Watson e Rita logo caminhavam mata adentro atrás de indícios do desaparecimento da expedição de Marcos Ribeiro e do homem que meses atrás buscava pela tribo. Enquanto caminhavam, ora refletiam ora conversavam:
– Não temos muito o que pensar, Sherlock. – Começou Watson afastando uns galhos secos do caminho com sua espada. Holmes seguia logo atrás afastando também o que conseguia facilitando o caminho para Rita que estava em seu encalço.
–Explique-se, Watson. – Falou Holmes um pouco ofegante.
– Segundo o que pude perceber, o louco que ameaçou o Sr. Borges tentava encontrar alguma cura para a filha... – Explicou o doutor Watson relembrando o recente relato.
– Esto faz sentido. – Rita pensou alto – Sherlock, alguma coisa matou a filha daquele homem e o motivo está acá, nestas tierras. – A espanhola pulou um fino riacho.
– Sim, isto está claro para mim. O tal homem passou a viver em função desta cura e algo me diz que não mediu consequências para isto. – Sherlock continuou enquanto caminhava agora com gotículas de suor escorrendo pelo corpo.
– Quizás ele tenga se sentido culpado por não ter conseguido salvar a filha e... Enlouqueceu. – Rita retomou pensando na dor da perda.
– Concordo com você, Rita. – Watson expôs retirando o chapéu e enxugando as gotas de suor do seu rosto – Mas ele me pareceu bastante agressivo no relato do Sr. Borges e isto só o torna suspeito... Onde devemos parar, Holmes? Este sol é escaldante, homem! – Concluiu ofegante.
Sherlock segurou a mão de Rita enquanto esta levantando o vestido atravessava um pequeno barranco, e falou em seguida:
– Justamente, meu caro. Só o torna suspeito. – Holmes falou rápido observando as plantas ao seu redor sem soltar uma das mãos de Rita – Tudo isto que vocês disseram eu já concluí desde que conversávamos ainda com o Sr. Borges--
– Nossa, como você é modesto, Holmes. – Watson o interrompeu enquanto Rita riu discretamente.
– Sei que não sou modesto, meu caro. Poupe-me de suas ironias – Sherlock respondeu asperamente e no momento em que fez menção de continuar, Watson o interrompeu novamente:
– Não entendo... – Começou falando enquanto cortava mais galhos e a sua frente – como Rita... – Olhou de relance para ela que riu novamente – o aguenta, meu amigo! – Watson cansava e parou por instantes apoiando-se na espada cravada ao chão.
– Não me venha com esta agora, Watson! E não coloque Rita nestas suas baboseiras. – Sherlock receava que seu amigo tivesse razão.
– No o leve a mal, mi amor. – Rita sorriu em meio a um grande suspiro a fim de recuperar o ar.
Watson piscou maroto para Rita antes de continuar enquanto Sherlock apoiava-se nos joelhos:
– Se eu fosse a Rita o largav--
– Ah, mas que ÓTIMO que não é! – Sherlock o interrompeu irritado – EU que o devia largar aqui no meio desta mata sob este sol de 50 graus!
Watson riu abertamente.
– Caro Holmes, eu só precisava me distrair um pouco e oxigenar meu cérebro. – O doutor e amigo confessou simples – Você já devia se acostumar. – E olhou o detetive com um misto de apreensão e divertimento.
– Ora, seu... – Holmes o empurrou desequilibrando-o do apoio na espada.
– No se preocupe con as brincadeiras de Watson, Sherlock – Rita posicionou-se de frente para o detetive olhando-o de maneira gentil e persuasiva – Vocês son amigos de longas datas... – Continuou à medida que desabotoava alguns botões da camisa do detetive tocando-o levemente – Así está melhor?
Sherlock Holmes não conseguiu responder apenas encarando-a a centímetros de si.
Ela, por sua vez, retomou o assunto principal:
– Pienso como un grupo inteiro simplesmente se perdeu ou... Morreu sem deixar nenhuma pista... – Afastou-se alguns passos.
Watson estalou os dedos para o amigo em sinal de atenção.
– Bem, vocês estão se esquecendo de um detalhe ou de mais algumas pessoas. – Sherlock focou-se no assunto – Um grupo de expedição não pode ter sumido de repente e é aí que o ameaçador homem de meses atrás torna-se o principal suspeito. O Sr. Borges nos falou que o grupo estava com ele e depois não foram mais vistos. – O detetive, inconscientemente, retomou sua postura altiva e austera de sempre – Além do jovem intérprete, o Marcos Ribeiro, que deve saber de algo que não sabemos sobre toda esta Expedição.
– Isso mesmo, Holmes. Lembro-me que Borges falou ainda que Ribeiro era do grupo daquele homem. – Watson refletiu.
– Verdad, Sherlock. Temos que nos aproximar deste Marcos Ribeiro. Ele pode ser útil. Perigoso, porém útil. – Rita sugeriu.
– Tudo indica também que, como percebemos, o tal homem da Expedição perdida pode ser o suposto falecido marido daquela mulher.
– Sim... Estella Lavoie. – Completou Watson pensativo.
– Exatamente. O caçador a quem a Sra. Lavoie se referiu como marido. – Holmes assegurou — Só pode ser ele.
– Creo que es melhor continuarmos e voltarmos ainda enquanto estiver claro, mi amor. – Rita mirou o céu percebendo o sol mais ameno.
– Sim. Vamos. Para encontrarmos algumas pistas é só questão de tempo. – Sherlock pensou alto.
– E espero que não seja muito tempo. – Watson prosseguiu abrindo caminho.
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