Shelter
21 Thor e Flamingo
Notas iniciais
–“Olá, eu sou Dora”
Levei uma pipoca à boca, enquanto assistia aquele desenho. Estava esparramada no sofá, aquele fim de semana era o mais tedioso de todos.
–Oi, sou Sakura – Eu disse, olhando para a TV.
–“Por acaso você viu um trem?” – Perguntou-me Dora, ao lado de um macaquinho.
–Não. – Respondi levando mais um punhado de pipoca à boca.
–“Um trem! Um trem! Dora eu adoro trens!” – O macaquinho disse.
Simpatizei com ele, bem bonitinho.
–“Eu também Botas” – A menina tapada respondeu abraçando o macaquinho.
Botas? Nome estranho para um macaco, não?
–“Vocês querem nos ajudar a fazer o trem assoviar?” – Perguntou Dora.
Balancei minha cabeça positivamente.
–“Ótimo, puxe a cordinha e diga TCHUU TCHUU! Repita com a gente!” – Pediu enquanto fazia um gesto com a mão.
Ergui meu braço direito, fechando minha mão como se estivesse segurando uma corda.
–TCHUU TCHUU – Repeti junto com a Dora e o Botas.
–“De novo!” – Pediu ela.
Voltei a repetir o mesmo movimento.
–TCHUU TCHUU – Eu disse mais alto.
Senti algo vibrar no sofá, logo música 21 Guns começou a tocar. Peguei meu celular rapidamente, deslizando meu polegar sobre a tela, atendendo a ligação.
–Adivinha! – Gritou Ino do outro lado da linha.
Quase fiquei surda, se existia pessoa mais escandalosa que Ino, eu quero não conhecer!
–O quê? – Indaguei levando o celular para a outra orelha.
–O Gaara me pediu em namoro! – Exclamou animada.
Franzi o cenho, finalmente ele havia pedido ela em namoro, depois de quatro meses saindo não imaginaria outro desfecho se não namoro. O pior era que desde dia do cinema nunca mais havia visto o ruivo. O engraçado é que todo mundo desapareceu nos quatro meses, Tayuya, Gaara, Sasori... Os ruivos resolveram desaparecer da minha vida! Mas em compensação havia um moreno para encher a minha paciência, completamos quatro meses de namoro e eu havia perdido a conta de quantas vezes havia tentado assassiná-lo. Nesse tempo descobri o quão insuportável, imaturo e rabugento Sasuke pode ser, sem contar o mau humor constante. Vivíamos brigando, mas apesar de tudo eu gostava do moreno, havia conseguido criar um afeto no fundo do meu coração. Bem no fundo. Láááááá no fundo.
–Hn. – Foi a única coisa que eu disse.
Ouvi ela bufar.
–Sasuke está te influenciando demais! – Disse ela expondo sua revolta – Resolveu virar monossílaba também? – Indagou azeda.
Suspirei pesadamente.
–Talvez – Respondi.
–Desisto! – Exclamou impaciente – Mais tarde estarei ai para te ajudar a arrumar as malas.
Franzi o cenho.
–Malas? – Indaguei confusa.
Ela riu.
–Ele não te contou? – Perguntou-me.
–Contou o quê? – Respondi em outra pergunta.
–Até mais tarde – Dito isso, desligou.
Permaneci com o celular na orelha, tentando entender o que a loira havia me dito. Suspirei irritada e joguei o celular de volta ao sofá, antes que eu pudesse me concentrar no desenho que passava na TV, a campainha tocou. Apenas um toque.
Sasuke.
O moreno tinha a mania de tocar a campainha apenas uma vez, ele esperava no máximo dez minutos para que eu atendesse, e se isso não acontecesse, ele desatava a apertar o botão, fazendo a campainha tocar sem parar deixando não só eu irritada, mas os vizinhos também.
Caminhei até a porta, peguei meu taco de beisebol e destranquei a porta. O taco de beisebol seria para o caso dele tentar me arrastar para algum lugar. Essa era a segunda mania de Sasuke, me arrastar para os lugares contra a minha vontade. Por isso eu deixava várias armas em pontos estratégicos da casa; taco de beisebol atrás da porta, taco de golfe no corredor do quarto, amaciador de carne que tinha a forma de um martelo no balcão da cozinha... E assim por diante.
Abri a porta, erguendo o taco de beisebol em minhas mãos. Sasuke olhou para mim, em seguida para o taco de beisebol, arqueou uma sobrancelha.
–Pra que isso? – Apontou para a minha arma.
–Para o caso de querer me arrastar para algum lugar. – Expliquei com um sorriso macabro.
Sasuke revirou os orbes negros.
–Tá, preciso da sua ajuda – Disse ele, passando pela porta cautelosamente.
Fechei a porta atrás de mim, observando Sasuke se jogar em meu sofá, pegando o controle da TV. Terceira mania dele, entrar em minha casa sem pedir licença e se apoderar do controle da TV.
–Da minha ajuda? – Indaguei abaixando o taco.
Ele assentiu.
–Amanhã é o aniversário do dobe, preciso comprar um presente para ele – Disse Sasuke, jogando o controle da TV na mesinha de centro.
Arqueei as sobrancelhas, não sabia que era o aniversário de Naruto. Eu e o loiro passamos a conviver mais juntos, frequentemente almoçávamos juntos a Hinata e Sasuke no restaurante da família dele; Ichiraku’s Konoha. Pois é, mesmo sendo um abestalhado, Naruto era herdeiro de uma das maiores fortunas de Konoha.
–Vai me ajudar? – Perguntou-me Sasuke, levantando do sofá.
Balancei a cabeça negativamente.
–Peça direitinho. – Ordenei.
Sasuke estreitou os olhinhos pretinhos que nem jabuticabas.
–Me ajuda a comprar um presente para o Naruto? – Pediu ele.
Voltei a balançar minha cabeça.
–Peça “por favor” – Sorri sapeca.
Sasuke nunca pedia por favor, ele era do tipo que gostava de ordenar, e isso me irritava.
–Não – Recusou-se orgulhoso.
Dei de ombros.
–Certo – Eu disse.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, eu esperado Sasuke se render e pedir “por favor” e ele recusando-se.
–Porfavor – Pediu rapidamente.
Sorri.
–Quê? – Indaguei fingindo não ouvir.
Ele suspirou, revirando os olhos.
–Por favor, me ajude a comprar um presente para o dobe – Pediu enquanto bagunçava o cabelo, visivelmente irritado.
Eu gargalhei, aumentando a fúria dele, aproximei-me rapidamente do moreno e fiquei nas pontas dos pés, dando-lhe um beijo rápido sobre os lábios.
–Isso mesmo – Murmurei o encarando – Lembre-se que não sigo ordens suas – Toquei a ponta do nariz fino com o meu indicador – Eu mando, você obedece.
Antes que ele me xingasse, sai correndo para o quarto.
*
Sasuke dirigia tranquilamente pelas ruas do centro de Konoha. Havia diversas lojas espalhadas, mas eu não fazia ideia do que Naruto gostava, lembro-me apenas dele ter dito que amava rámen mais do que qualquer coisa do mundo, nesse dia inclusive, Kushina – a mãe de Naruto – deu-lhe um baita sermão, dizendo que não se pode amar algo mais do que a Kami e a mãe. Aquela mulher me dava muito medo, apesar de que eu aparecia um pouco com ela; não na aparência, apesar de ser o sonho de qualquer mulher ser como Kushina, aquela ali tinha beleza para doar, vender, distribuir... Enfim, o jeito temperamental dela era o mesmo que o meu, consequência disso era o que Sasuke e Naruto sofriam.
Eu folheava uma revista de variados, tentando ter uma ideia para o presente do loiro, Naruto era extremamente simples e desleixado, com certeza qualquer coisa que déssemos de presente o agradaria.
Sasuke estacionou em uma vaga na rua, me perguntei em como ele tinha coragem de estacionar seu amável Audi TTS na rua. Pão duro, deveria pagar um estacionamento, bem mais seguro. Desceu do carro, fiz o mesmo, olhei em volta, aquele final de semana estava mais calmo do que qualquer um. Sasuke acendeu um cigarro, tragando e soprando a fumaça cinzenta no ar. Arg!
–Deveria fumar menos – Resmunguei abanando minha mão na frente do meu rosto.
Ele deu de ombros e começou a caminhar despreocupadamente, com as mãos no jeans. Fiquei mais atrás, eu evitava ficar próxima de Sasuke quando ele fumava, minha saúde não me permitia ficar perto de fumantes. Notei o quanto Sasuke chamava a atenção das pessoas, toda garota que passava ao lado dele virava o rosto para olhá-lo, entretanto ele mesmo parecia quase nem notar, estava concentrado demais em ser uma chaminé.
Parei de andar, apenas o observando e nem sei o porquê desse meu comportamento, mas no fundo algo doeu em mim, era como se eu sentisse falta de algo nele. Balancei minha cabeça para os lados, espantando pensamentos desnecessários. Sasuke estava ali, não estava? Então por que essa droga de sensação de saudade? Talvez o jeito dele andar me lembrasse o meu irmão, Taichi. É, eu tinha um irmão mais novo, mas ele morava em Hakui junto com meus pais.
–Vai ficar parada ai até amanhã? – Pude ouvir a voz rouca e levemente arrogante.
Sasuke estava parado a alguns metros de distância, me fitando com as sobrancelhas arqueadas. Virei meu rosto o desprezando. Foi então que notei que havia parado em frente a um Pet Shop. Resolvi ignorar Sasuke, rumando para dentro da loja. Uma mulher rapidamente veio me atender, porém eu disse que estava apenas dando uma olhada.
Caminhei entre as prateleiras lotadas de vários tipos de rações, até que ouvi alguns latidos, talvez lá vendesse animais também.
–Vendem animais? – Perguntei à moça que me seguia insistente.
Ela assentiu sorrindo.
–Me acompanhe – Pediu, passando à frente.
A segui passando pelas as prateleiras até o final, viramos á direita, pude ver uma porta de madeira um pouco distante, seguimos até lá, a moça abriu a porta, os latidos ficaram mais altos. Passei pela a porta e me impressionei com a quantidade de animais que ali tinha.
–Nossa! – Exclamei maravilhada.
Era um terreno bem amplo, havia vários locais com cercados e grades, os animais caminhavam livremente por ali, em uma área havia cachorros, em outra gatos, e uma mais distante havia pássaros.
–Os filhotinhos ficam ali – Disse a mulher, apontando para um local com um cercado de madeira.
Fui até lá, havia vários filhotinhos de cachorro separados por raça. Era cada fofura, tão pequenos e alegres, se eu pudesse levaria todos.
–Ai meu Kami, que fofinhos! –coloquei minha mão dentro do cercado, acariciando os poodles.
–Estão todos à venda – A mulher começou a acariciar um Shar-pei.
Caminhei entre os cercados, vendo cada filhotinho que vinha eufórico em busca de carinho. Cheguei à ala dos Labradores, eram os mais fofinhos, eu queria todos para mim. Percebi que um filhotinho estava mais distante dos outros, era bem quietinho e não se movia.
–Aquele ali parece tristonho – Apontei para o filhotinho.
Ela suspirou.
–Provavelmente será sacrificado – Disse ela, pegando o filhotinho em suas mãos.
Olhei para o cachorrinho, meu coração doeu, os pêlos eram negros e bem sedosos, as orelhinhas estavam caídas, ele não tinha reação alguma.
–Por quê? – Indaguei pegando o filhote em meu colo.
–Ele tem um problema que é difícil resolver – Explicou – Está vendo – Apontou para as patinhas do animal – Ele não tem força para manter-se de pé, os ossos dele são frágeis.
–E não tem tratamento? – Perguntei ninando o filhote.
Ela assentiu.
–Sim, mas é muito caro – Balançou a cabeça negativamente lamentando.
Arqueei as sobrancelhas, envolvi o corpo do pequeno animalzinho em minhas mãos e o ergui na altura do meu rosto. Os pequenos olhos eram negros, assim como seus pelos, era lindo.
–Ei – O balancei suavemente, mudando minha voz, como se estivesse falando com uma criança – Quer vim morar comigo? – Perguntei-lhe.
–Moça, não vai querer levá-lo – A mulher interveio – Ele não vai viver muito, pelo jeito a doença se alastra para todos os ossos do corpo.
Olhei para a mulher, sorri docemente, voltando a envolver o filhote em meu colo.
–Quanto ele custa? – Perguntei-lhe, ignorando totalmente o que ela havia dito.
Ela suspirou.
–Bom – Olhou em direção aos filhotes que tentavam pular a cerca de madeira – Cada um deles são 500 reais – Voltou a olhar para o pequeno em meu colo – Mas ele faremos por 200.
Balancei minha cabeça negativamente.
–Ele é igual a todos ali – Gesticulei os demais filhotes – Vou levá-lo por 500.
Ela arqueou as sobrancelhas visivelmente surpresa, em seguida assentiu concordando.
–Sakura.
Virei meu rosto, Sasuke acabava de entrar no local acompanhado por um homem robusto. Eu sorri e ergui o filhote.
–Olha só Sasuke – Aproximei o cachorrinho dele – Olha como o meu mais novo amiguinho é lindo!
Sasuke arqueou uma sobrancelha, ergueu a mão e tocou o focinho do pequeno animal, que por sua vez dera uma lambida no indicador do moreno.
–Acho que ele gostou de você – Eu disse comovida.
Voltei a virar o cachorrinho para mim, agora minha dúvida era o nome que eu daria a ele. Logo seus olhinhos me lembraram uma pessoa. Olhei para Sasuke, em seguida para o filhote.
–Que tal você se chamar Sasuke? – Sugeri, falando com o filhote.
Sasuke estreitou os olhos, comecei a rir.
–Estou brincando – Mostrei a língua – Ei moça – Virei para a mulher atrás de mim – Pode me ajudar a escolher algumas coisas para ele? – Apontei para o cachorrinho.
Ela assentiu, comecei a caminhar para a saída junto a ela, Sasuke permaneceu lá, olhando para os outros animais. Eu estava animada, faria de tudo para aumentar a estimativa de vida do filhote que eu acabara de comprar. Acabei comprando várias coisas para o pequeno, desde ração especial até casinha de madeira para que ele pudesse dormir. Os gastos foram muito grandes, mas eu não me importava.
–Obrigada, volte sempre – Disse a mulher, enquanto eu me despedia.
Agradeci também, em seguida olhei em direção à porta por onde Sasuke saia junto com o homem e uma gaiola. Arregalei os olhos, a gaiola era enorme, talvez maior do que eu. Sasuke sorria de canto, parecia achar engraçado a minha expressão. Dentro da gaiola havia uma ave de penugem rosada.
–Que porra é essa Sasuke? – Perguntei-lhe querendo uma explicação.
Ele apontou para a gaiola.
–Um Flamingo – Respondeu normalmente.
–Tá, mas pra que você vai querer umFlamingo? – Questionei olhando para a ave dentro da gaiola.
O moreno deu de ombros.
–Presente para o Naruto – Murmurou retirando a carteira do bolso do jeans.
Olhei para a ave, em seguida para Sasuke.
–Vai dar um Flamingo para Naruto? – Indaguei confusa – Por quê?
Ele riu baixo, enquanto retirava seu cartão de crédito dourado da carteira.
–Ele lembra você. – Disse evitando me olhar.
Entreabri minha boca, completamente revoltada. Entreguei o filhote para o homem.
–Segura ele pra mim – Pedi.
Peguei uma vassoura próxima da porta de saída, logo comecei a dar vassouradas em Sasuke, que tentava se proteger com os braços.
–TÁ LOUCA? – Berrava ele.
–TÔ SIM! – Berrei de volta – EU PAREÇO UM FLAMINGO, NÉ!?
Continuei dando vassouradas nele, até que o homem tratou de retirar a vassoura de minhas mãos, então fui forçada a partir para tapas. Mas infelizmente o guardinha que cuidava do Pet Shop ameaçou chamar a polícia, então tive que me conter. Peguei o filhote de volta, ninando-o.
–Pegue as coisas, Sasuke – Ordenei olhando para as milhares coisas que havia comprado para o cachorrinho.
O olhar de Sasuke foi a mesma coisa dele dizer “Não sou obrigado”, porém lancei-lhe um olhar prepotente e ele entendeu que deveria levar as coisas para o carro o mais rápido eu pudesse. Agradeci aos donos do Pet Shop e sai, marchando até o carro. Sasuke vinha logo atrás, carregando a casinha do cachorrinho junto com o enorme pacote de ração. O dono do Pet Shop foi muito prestativo, resolveu ajudar o moreno, trazendo o flamingo.
Colocamos as coisas do filhote no porta-malas, quando Sasuke foi colocar a gaiola do Flamingo, quase o espanquei novamente.
–Ele não pode ir no porta-malas, imbecil! – Vociferei.
Sasuke revirou os olhos.
–E ele vai onde, porra? – Esbravejou ele, colocando gaiola no chão.
–Você comprou, agora aguente! – Gritei – Ele vai dentro do carro!
–Ele não cabe lá dentro, caralho! – Ele gritou em seguida.
–No porta-malas menos ainda! – Bradei.
Sasuke bagunçou o cabelo.
–Tá – O disse por fim – Ele vai dentro do carro – Murmurou.
Assenti concordando.
Ergui o filhote em minhas mãos, encostando a ponta de meu nariz no focinho gelado, sorrindo que nem uma idiota.
–Sakura – Sasuke tocou meu ombro.
–Você é tão fofinho – Eu disse ao cachorrinho.
–Sakura, o Flamingo... – Sasuke voltou a me chamar.
O ignorei.
–Vou te levar para o tio Kiba e... – Continuei falando com o filhote, até ser interrompida por Sasuke babaca.
–Porra! – Gritou ele – O Flamingo fugiu da gaiola!
Olhei para a gaiola vazia.
–PUTA MERDA SASUKE! – Berrei.
Olhamos para adiante, logo consegui ver um pontinho rosa ao longe. Sasuke e eu nos entreolhamos, sem perder tempo começamos a correr.
–PEGUE O FLAMINGO! – Gritei apontando para a ave que começava a bater as asas.
As pessoas paravam na rua, observando eu e Sasuke correr atrás da ave.
–PAREM O FLAMINGO POR FAVOR! – Berrei para as pessoas.
Continuamos correndo atrás do Flamingo, mas já era tarde, ele começava a voar.
–MERDA! – gritou Sasuke dando um soco no ar.
Parei de andar, segurando o cachorrinho firme em meu colo. Normalizei minha respiração, sentindo meu coração acalmar. Olhei para o horizonte e no meio do céu alaranjado um ponto róseo se destacava.
Adeus Flamingo.
*
Sasuke estacionou o carro em frente a enorme clínica. Sai do carro segurando o filhote em minhas mãos, Sasuke me acompanhou. A porta eletrônica abriu, adentrei o local fresco, parando na recepção.
–Boa tarde, eu preciso falar com o doutor Inuzuka – Eu disse com um sorriso simpático.
A recepcionista que insistia em mastigar aquele enorme chiclete rosa com a boca aberta, direcionou os olhos para Sasuke, analisando-o com os olhos verdes musgos devoradores, era como se ela quisesse arrancar um pedaço do moreno. Eu hein.
Pigarreei chamando sua atenção de volta para mim. Ela me olhou completamente desinteressada, como se não tivesse a obrigação de me responder.
–Tem horário marcado? – Perguntou-me, fazendo uma bolinha com o chiclete.
Nojo desgraçado.
Balancei minha cabeça negativamente.
–Ele só pode atendê-la com um horário marcado – Respondeu-me, voltando a olhar para Sasuke.
Sasuke bufou impaciente.
–Diga que Sasuke Uchiha quer falar com ele – Murmurou o moreno contragosto.
A mulher sorriu, pegando o telefone do gancho, discando um número rapidamente. Pode isso Brasil?
Ela disse algumas coisas que eu não consegui entender por causa da gosma rosa que ela mastigava, no fundo eu estava torcendo para que ela engolisse aquele projeto de chiclete, e que grudasse nas tripas.
Desligou o telefone, voltando a olhar para Sasuke, eu nem existia ali.
–Suba as escadas, primeira porta a direita – Deu as coordenadas com um sorriso.
Aquilo é chiclete grudado no aparelho dela?
Peguei na mão de Sasuke e praticamente o arrastei para a escada, ouvindo-o resmungar algumas coisas do tipo “Vai arrancar meu braço puxando desse jeito”; é claro que o ignorei.
Parei na frente da porta de madeira branca, uma placa de metal estava presa na parede, ao lado do batente, onde estava escrito “Dr. Inuzuka”. Dei três batidas, logo ouvi um “entre”. Abri a porta e adentrei a sala. O rapaz de cabelos castanhos e desgrenhados estava sentado à mesa, concentrado em alguns papéis. Ergueu o olhar e a me ver, arregalou levemente os olhos.
–Sakura! – Exclamou ele, levantando.
Eu sorri indo até ele, que me envolveu em um abraço.
–Quanto tempo – Disse ele soltando-me.
–Verdade – Concordei.
Kiba era um grande amigo meu, nos conhecemos pouco depois que cheguei em Konoha, ele foi um dos meus primeiros namorados. Tínhamos um grande afeto um pelo o outro, éramos bons amigos.
–E quem é esse? – Perguntou-me, me tirando dos devaneios
–Ah, ele se chama Sasuke – Respondi olhando para trás.
Kiba sorriu simpático.
–Estou falando desse aqui – Apontou para o filhote em meu colo.
Corei constrangida.
–Ah, é o Thor! – Ergui o pequeno animal recém batizado.
Kiba acariciou o filhote, que reagiu ao contato.
–Agora quem é aquele ali – Gesticulou Sasuke.
O moreno estava emburrado, tentei achar aquilo nada fofo, mas era impossível.
–É o Sasuke – Respondi sorrindo – Meu amigo – Completei.
Vi Sasuke franzir o cenho.
–Prazer – Kiba estendeu-lhe a mão direita.
Sasuke apertou a mão de Kiba, mantendo os olhos em mim. Voltei a ignorá-lo.
–E o que a trás aqui, rosadinha? – Perguntou-me Kiba, apertando minha bochecha.
Voltei a erguer Thor.
–Preciso que me ajude – Eu disse, sentando-me em uma cadeira – Quero que o examine, ele tem um problema que precisa urgente de cuidados, peço para que faça tudo o que estiver ao seu alcance. – Acariciei a cabeça de Thor.
Ele assentiu, entendendo.
–Certo, deixe ele comigo por dois dias, vou fazer vários exames e logo cuidaremos do problema dele – Disse Kiba, estendendo as mãos para pegar o Thor.
Entreguei Thor a ele e em seguida levantei da cadeira. Podia notar que Sasuke estava inquieto demais, certamente queria ir embora, resolvi não prolongar o encontro com Kiba.
–Tenho que ir – Eu disse, voltando a abraçar Kiba – Volto logo – Acariciei a cabeça de Thor.
–Até breve – Despediu-se Kiba, sorrindo.
Assenti.
Caminhei até a porta, Sasuke me seguiu, saímos rapidamente.
–Por que não disse que eu era o seu namorado? – Sasuke quis saber.
Dei de ombros.
–Não vi necessidade. – Respondi enquanto descia a escada.
Senti a mão de Sasuke agarrar meu antebraço, me forçando a parar.
–Não viu necessidade? – Indagou irritado – O cara praticamente te comeu com os olhos!
Arqueei as sobrancelhas.
–Ciúmes, Uchiha? – Perguntei-lhe com um sorriso sarcástico.
Ele bufou soltando o meu braço, voltou a caminhar rumo a saída, eu o acompanhei. Entramos no carro em silêncio, claro que internamente eu me culpava, mas óbvio que eu não ia demonstrar isso ao Uchiha. Ele mantinha-se concentrado na estrada, eu estava viajando na maionese, tanto que nem percebi quando o carro parou. Já havíamos chegado em minha casa.
–Vá buscar as suas coisas – Disse Sasuke, apoiando o braço o volante.
Franzi o cenho.
–Quê? – Indaguei confusa.
–Vamos para o litoral hoje a noite – Respondeu impaciente.
–Fazer o quê? – Perguntei-lhe arqueando as sobrancelhas.
–Vamos para a festa do Naruto. – Respondeu.
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