Shelter

29 Surpresa


Notas iniciais
Segundo capítulo da noite! Sobre esse capítulo, não tenho muito a dizer.. Francamente foi o capítulo que menos me agradou, mas prometo que o próximo vai ser muito legal! Até porquê tenho muitas ideias para o 30, e poxa... Tinha me esquecido, já faz 1 ano que escrevo a fanfic, GENTE, SERÁ QUE TERMINO ESSE ANO?! A resposta é... Não sei, quem sabe, né? Tudo é possível, posso simplesmente fazer uma segunda temporada e... Ok, paro por aqui. Boa leitura meus amores, ♥

Levei minha mão à faixa que a pessoa prendia em meu rosto, e rapidamente a arranquei, virando meu corpo. De imediato ergui o bastão, lascando na direção da cabeça da pessoa, que se esquivou rapidamente, no entanto, agarrando o bastão, tentando puxá-lo de minhas mãos. Rapidamente soltei a minha arma, cambaleei para trás, de olhos arregalados, vendo o indivíduo jogar o bastão para o lado, e caminhar em minha direção. Sem perder tempo, corri até a porta de acesso a sala, partindo até o banheiro, onde entrei, vendo a pessoa correr a tempo de conseguir me impedir de fechar a porta.

Senti um impulso contra a porta do banheiro, e quase fui ao chão, no entanto prensei meu corpo contra a madeira, e imediatamente bati a porta, conseguindo trancá-la.

Respirei fundo, sentindo meu coração disparado, minhas mãos trêmulas tentavam digitar o número da polícia, porém de tanto tremer, demorei aproximadamente cinco minutos até conseguir ligar.

–Polícia militar de Konoha. – Uma voz feminina anunciou tranquilamente do outro lado da linha.

–SOCORRO! – Berrei – TEM UM CARA DENTRO DA MINHA CASA!

–O conhece? – Perguntou-me, após alguns segundos em silêncio.

Arqueei uma sobrancelha.

–Não.

–Tem certeza? Viu o rosto dele? – Interrogou.

–Ele está usando uma máscara! – Informei já impaciente – Manda uma viatura, ele vai me matar!

–Qual é o seu endereço?

–Rua do Pikachu Roxo, edifício 7, apartamento 23 – Informei rapidamente, me recostando contra a porta – Por favor, ele quer me matar!

–Perguntou as intenções dele? – Ela indagou – Talvez só queira dar um susto, nada mais.

Franzi o cenho, perplexa.

–Ele me atacou – Deixei bem claro.

–Talvez seja um fã.

–Eu não sou famosa!

Uma batida contra a porta me fez saltar do chão, largando o celular na pia. Olhei para todos os lados do pequeno cômodo, tentando pensar em alguma forma de fugir. A janela era pequena demais para que eu passasse, e mesmo se eu conseguisse passar ali, daria de cara com o asfalto.

Respirei fundo, ouvindo as batidas constantes na porta, o assassino era uma pessoa muito impaciente, nem me deu a oportunidade de pensar em uma forma de matá-lo primeiro.

Olhei em volta, estava completamente trêmula, não podia simplesmente abrir a porta e sair correndo, certamente iria ao chão. Ainda procurando uma forma de sair do banheiro, fixei meu olhar em um cesto de plástico cheio de roupas sujas, e então surgiu uma ideia, que caso não desse certo, eu estaria ferrada, mas teria que tentar.

Peguei o cesto que não era muito leve e retirei a tampa, pousei no chão próximo da porta, e me preparei para destrancá-la. Respirei fundo, contei até três, e abri a porta. O bandido impaciente rapidamente a escancarou, e assim que a porta se abriu, lancei o cesto de roupas contra ele, fazendo todas as peças e o objeto ir de encontro ao rosto do mascarado.

–IAAA! – Soltei um grito de guerra, dando uma de Jackie Chan, metendo a voadora contra o cara.

O mascarado cambaleou para trás, me dando uma boa oportunidade para fugir. Corri para fora do banheiro, e assim que sai, acabei tropeçando no maldito cesto no meio do caminho, espatifando contra o chão.

O bandido riu, me preparei para levantar, no entanto, o assassino agarrou meu tornozelo, me arrastando pelo chão.

–EI! – Bradei, me segurando no sofá – ME SOLTA!

Minha outra perna foi agarrada por ele, que me puxou com força, me fazendo soltar o sofá. Esperneei, tentando chutá-lo, mas o cara parecia nem se importar com as meus chutes. Continuando a me arrastar em direção ao quarto, acabei deduzindo que ele queria simplesmente me estuprar.

Ao passar no corredor que seguia para o meu quarto, vi que uma das minhas armas ainda se mantinha por ali, um taco de golfe, que pareceu passar despercebido pelo cara. Assim que me apossei, agarrei a base com as duas mãos, e tentei virar meu corpo. O bandido chutou a porta do meu quarto, e assim que soltou um de meus pés, simplesmente virei meu corpo, erguendo meu tronco, metendo o taco contra as panturrilhas do assassino.

Ele urrou de dor, caindo no chão, me soltando de imediato. Aproveitei a oportunidade, e assim que me levantei, comecei a meter a porrada nele, espancando-o com o taco de golfe. Ele tentava de todas as formas me impedir, no entanto, assim que o taco foi contra sua cabeça, o vi cessar completamente seus movimentos.

Ótimo, eu tinha matado o cara.

Soltei o taco, completamente horrorizada, vendo sangue manchar meu tapete favorito, aquilo ia dar um trabalho para limpar. Pensei em uma forma de ocultar o cadáver, mas assim que ia tomar uma providência, o vi se remexer, e por impulso dei-lhe mais um chute, percebendo que ele havia morrido novamente.

Corri até o meu guarda-roupas, me enfiando lá dentro, temendo que o cara ressuscitasse e viesse me matar de vez. Permaneci quietinha, olhando pela pequena fresta da porta, observando-o ainda morto no chão do meu quarto.

Demorou aproximadamente quarenta minutos até que a campainha tocasse. Sai do guarda-roupas, saltando o corpo estendido no chão, correndo até a porta, que abri rapidamente, me deparando com três homens: um gorducho, outro grisalho e...

–Shikamaru? – Indaguei arqueando as sobrancelhas – Mas você não é garçom?

–E é pecado ter outro emprego? – Retrucou, enquanto retirava a carteira do bolso, erguendo-a na altura do meu rosto – Polícia militar de Konoha.

Escancarei a porta, deixando-os entrar em meu apartamento.

–Onde está o ladrão? – O grisalho perguntou, sacando a arma.

Apontei para o corredor.

–No quarto. – Respondi, vendo os demais polícias sacarem as armas, e caminharem sorrateiros até o corredor – Eu acho que ele morreu.

–Matou o assassino? – O gorducho perguntou-me, já agarrando suas algemas – Você está presa por homicídio! – Ele gritou se aproximando de mim.

Recuei alguns passos, arregalando os olhos.

–Ele queria me matar! – Justifiquei, correndo do policial – Eu não tive culpa!

–Chouji, depois a prendemos – Shikamaru gritou, fazendo o gorducho parar de supetão – Ajuda aqui que o cara é maromba.

O tal Chouji correu até o corredor, pegando o cadáver pelos pés, arrastando-o até a sala. Os três policiais rodearam o corpo, o grisalho chutou de leve o pé do cadáver, que não se mexeu. Shikamaru agarrou os braços do morto, e o arrastou, deixando-o sentado, recostado contra a parede da sala.

–Ele está respirando – Disse o Nara, agarrado a máscara que ocultava o rosto do não mais morto.

O policial grisalho fez o sinal da cruz, se benzendo. O imitei.

Shikamaru retirou a máscara da cabeça do assassino, e eu pulei, soltando um grito assustada.

–AH MEU KAMI! – Berrei levando as mãos à boca, pasma.

Era o...

–ZAYN MALIK! – Gritou Chouji.

Assim como eu, os outros dois policiais fitaram o cheinho.

–Vocês não ouvem One Direction? – Indagou perplexo – Baby anailon, ai follow, nobody yes... – Cantarolou o policial, com seu inglês perfeito, fazendo uma dancinha esquisita.

–O que tem a ver esse cara com o Zayn? – Inquiriu o grisalho, voltando a fazer o sinal da cruz – Esse ai não é aquele vocalista da banda Kiss? – Apontou – Olha a cara dele pintada.

Na verdade era sangue que escorria da cara do indivíduo, cobrindo praticamente metade de seu rosto.

Shikamaru e eu nos entreolhamos.

–Você o conhece? – Perguntou-me o policial/garçom mais decente.

–Ele é o meu namorado – Resmunguei revirando os olhos.

Sim, o tal ladrão/bandido/assassino era Sasuke, só queria que ele despertasse do desmaio, que eu imediatamente o desmaiaria com um soco.

Chouji e Hidan (acabei descobrindo o nome dele ao ler o bordado em sua farda) me olharam surpresos.

–Espera ai... – Pediu Chouji, se aproximando de mim – Eu te conheço de algum lugar... – Murmurou estreitando os olhos.

Não, não conhece.

–Você é a Hayley Williams! – Berrou quase me surdando (?) – Eu amo as músicas do Paramore!

E lá ia ele cantando novamente, sua própria versão de The Only Exception; péssima, só para constar.

–Ainda acho que ela é Jia, daquele grupo da Coreia – Hidan contrariou.

Mas não estávamos no Japão?

–Impossível – Chouji balançou a cabeça negativamente, e eu concordei.

–Bem possível – Hidan retrucou.

–Eu já disse, é a Williams, conheço os meus ídolos – Assentiu como se concordasse consigo mesmo.

–Jia.

–Hayley.

–Jia – Hidan cerrou os punhos.

–Hayley – Teimou Chouji, dando um passo à frente.

–JIA! – Gritou Hidan, partindo para cima de Chouji.

–HAYLEY! – Gritou o gordo, não se intimidando.

E então começaram a se estapear feito menininhas.

–Consegue ignorar essa visão? – Shikamaru me perguntou.

–Estou tentando – Eu respondi, observando Hidan e Chouji rolando pelo chão.

–Quer fazer um B.O contra o vocalista da banda Zayn? – Shikamaru indagou, apontando para o Uchiha desmaiado.

–O nome dele é Sasuke. – Corrigi.

–Ei, o que tem para comer? – Perguntou Chouji, caminhando tranquilamente na direção da cozinha.

–É JIA! AAAH! – Ouvi o grito de Hidan.

Shikamaru e eu olhamos imediatamente para a direção do grisalho, que brigava... Sozinho. Ele estava rolando no chão, estapeando a si mesmo.

Suspirei pesadamente.

–O que está acontecendo aqui? – Perguntou Ino, surgindo de sei lá onde, junto a Gaara.

–AH KAMI-SAMA! – Gritou Chouji, me fazendo pular assustada.

Olhei para o gorducho, que segurava um saco cheio de pães de mel.

–EI! Esses pães são meus! – Reclamei, e ele nem ligou.

Chouji largou o pacote, correndo na direção de Ino, que arregalou os olhos, recuando alguns passos.

–TAYLOR MOMSEN! – Berrou, flexionando as pernas.

E ele simplesmente pulou em cima de Ino, que foi esmagada. E lá foi Gaara tentar retirar Chouji de cima de Ino.

–Ai... – Ouvi um resmungo.

Olhei na direção de Sasuke, que estava despertando. Abriu seus olhos aos poucos, levando a mão à cabeça, se queixando de dor, até parecia meio atordoado. Agachei próximo a ele.

–Você está bem? – Perguntei preocupada, vendo-o tocar o próprio rosto, observando o sangue tingindo seus dedos.

–Pareço bem porra?! – Retrucou delicado como de costume.

–PARADO AI! – Gritou Shikamaru, sacando a pistola, apontando para Sasuke.

Arregalei os olhos, erguendo minhas mãos de imediato.

–Ele é meu namorad... – Tentei me pronunciar.

–Que porra está fazendo? – Sasuke ergueu as mãos na altura dos ombros – Tá doidão Shikamaru?

Ah que legal, os dois já se conheciam.

–Estou cumprindo o meu dever! – Explicou o Nara, com a arma apontada para Sasuke – A Jia...

–Sou Sakura! – Corrigi, e ele apontou a arma para mim, me fazendo ficar calada.

–Ela ligou para a central, dizendo que você invadiu a casa dela! – Prosseguiu.

Sasuke revirou os olhos.

–Eu ia fazer uma surp...

–AI BRASIL! – Novamente fomos interrompidos por um grito.

Socorro.

Deidara era o recém chegado da vez, parado na porta, olhava assustado para o interior de minha residência. Praticamente desfilando, passou por Hidan... Que ainda estapeava a si mesmo, por Ino esmagada e Chouji que estava sendo removido de cima da loira por Gaara, até parar diante de mim. Arregalou os olhos ao ver o estado de Sasuke.

–MINHA SANTA! – Gritou fazendo ceninha – Jabuticabinha! O que aconteceu?! – Ajoelhou-se, agarrando as pernas de Sasuke.

O moreno me olhou raivoso.

–Essa louca me espancou até me deixar desmaiado – Apontou acusando-me.

Deidara me olhou com ódio, levantando enfurecido.

–Quem você pensa que é para bater no meu homem? – Berrou, apontando o dedo na minha cara.

–O que você...

–Quem é o seu homem Deidara? – Uma voz muito conhecida me interrompeu.

E então tudo aconteceu muito rápido. Vi Chouji ser atirado para o outro lado da sala, batendo toda a banha contra a parede, cambaleando para frente até por cair sobre Hidan, e em outro segundo estava Ino levantando do chão rapidamente, com a cara amassada, partindo para cima de Sai, que acabava de adentrar o meu apartamento, grudando no pescoço do branquelo, que imediatamente ficou roxo.

Como todo mundo veio parar aqui mesmo?

–Seu desgraçado! – Gritava Ino, sufocando Sai, que tentava fazer a loira largar de seu pescoço – Como ousa aparecer aqui depois de meses!

–Solta o meu namorado vadia oxigenada! – Deidara berrou.

Ino parou subitamente, virado o rosto aos poucos para olhar Deidara, que caminhava em sua direção. Ela sorriu macabra, e largou Sai, que caiu contra o chão, quase inconsciente.

–Do que você me chamou? – Indagou Ino, olhando para Deidara irada.

–Vadia oxigen...

E assim, Ino partiu para cima de Deidara, agarrando o cabelo do loiro, que gritava feito mulherzinha, tentando fazê-la largá-lo.

–Certo – Murmurei, olhando para Sasuke, ignorando as confusões no meio da minha sala – Você queria me assassinar? – Perguntei nitidamente magoada.

–Você é louca – Sasuke disse convicto, enquanto levantava do chão, resmungando de dor – Cacete, você é pior que homem para bater! – Respirou fundo, encostando contra a parede – Eu queria fazer uma surpresa para você.

Arregalei levemente os olhos.

–Uma surpresa? – Indaguei pasma – E desde quando você faz surpresas para mim? – Perguntei arqueando uma sobrancelha, desconfiando daquele papinho do Uchiha.

–Depois disso, nunca mais tentarei fazer porra nenhuma! – Disse revoltado.

Sasuke preparou-se para seguir até a porta, porém Shikamaru o impediu.

–Temos que ir para a delegacia. – O policial disse.

–Não precisamos, tudo já está esclarecido! – Imediatamente me opus.

Shikamaru deu de ombros.

–Só estou cumprindo o meu dever. – Justificou.

Sasuke prosseguiu com a sua caminhada, mancando até a porta, o segui junto a Shikamaru, passando por Ino e Deidara, que se estapeavam, e Hidan esmagado por Chouji.

–Chouji, pegue o Hidan, nós iremos para a delegacia – Shikamaru ordenou.

Chouji levantou-se rapidamente, agarrando o tornozelo de Hidan, arrastando-o para a porta.

–Sasuke – Shikamaru chamou, o Uchiha olhou sobre o ombro.

Nara ergueu as algemas.

–Ah, qual é? – Sasuke reclamou, enquanto suas mãos eram presas atrás de seu corpo.

–Só estou cumprindo com o meu...

–Dever – Sasuke e eu completamos, enquanto caminhávamos para o elevador.

(...)

Na delegacia, Sasuke foi interrogado em uma sala, por uma buchuda chamada Anko, que foi muito gentil comigo, pedindo para que eu me acalmasse, mesmo eu estando completamente calma. Após horas trancafiado na sala de investigações, Sasuke saiu junto a Anko e Shikamaru, dizendo que havia sido liberado.

Sasuke permaneceu emburrado por todo o trajeto até o meu apartamento, havíamos pegado um táxi, o que levou mais algumas horas, e sem perceber, já passava das três da manhã.

O táxi parou em frente ao prédio onde eu morava, permaneci alguns segundos dentro do veículo, tentando pensar em algo para falar para Sasuke.

–Pode pagar o táxi? – Perguntei a ele, que me olhou de cenho franzido.

–Não tenho nem um real – Ele disse, tateando os bolsos da calça – Não estou com a minha carteira.

–Ei – Me voltei para o motorista, que me fitou pelo retrovisor – Pode nos dar um desconto? – Pedi descaradamente, olhando para o taxímetro, que marcava 58 reais.

–Caiam fora logo – Resmungou o taxista – Pego contigo depois.

Sorri, abrindo a porta do carro.

–Obrigada Suigetsu! – Agradeci, acenando já fora do carro, que voltava a se locomover.

Sasuke já caminhava até o elevador, o segui imediatamente, entrando também. Ao abrir a porta do meu apartamento, imaginei ver uma completa desordem, no entanto, me deparei com a escuridão e silêncio.

Sasuke entrou logo depois de mim, e sentamos no sofá, fitando a TV desligada.

–Ainda dói muito? – Perguntei a ele, gesticulando o corte em sua testa.

Ele apenas assentiu, revirei os olhos, ele nunca colaborava quando resolvia se revoltar. Levantei do sofá, seguindo até o banheiro e peguei a maleta de primeiros socorros que guardava para caso ocorresse algum acidente em casa, sou precavida, como uma boa e típica médica.

–Irei fazer um curativo – Eu disse, colocando luvas descartáveis.

Sasuke não recusou, sendo assim, peguei uma gaze, encharcando de soro fisiológico, aproximando da testa do moreno. Afastei a franja, e comecei a limpar o ferimento, ouvindo os resmungos do rapaz.

–Caralho, isso está doendo! – Ele reclamou.

Revirei os olhos, prosseguindo com a minha tarefa. Após estar limpo, apliquei um anticéptico, cobri o ferimento com gaze e fixei o curativo com esparadrapo. Por todo o processo Sasuke reclamara de dor, ô moreno mole, viu!

Assim que terminei, retirei as luvas, jogando-as na maleta.

–Obrigado – Ele agradeceu, baixo até demais para o meu gosto.

Apenas assenti, e voltei a fitar um ponto qualquer, pensando sobre todo o ocorrido naquela noite, e Tayuya me veio à cabeça, me perguntei se ela havia conseguido sair da caçamba de lixo, e eu já previa uma visitinha até a delegacia em breve. Assim que ia dar início ao assunto, perguntando sobre a história de Tayuya, vi Sasuke se remexer, olhando para o relógio preso em seu pulso.

–Temos dez minutos – Ele murmurou após um tempo.

–Hein? – Indaguei arqueando uma sobrancelha.

Ele suspirou pesadamente, levantando do sofá.

–Sasuke, ei! – Tentei o impedir, levantando junto a ele.

O Uchiha seguiu para a cozinha, corri até lá, a tempo de vê-lo pegar uma venda preta que estava largada no chão.

–Colabore – Ele disse se aproximando de mim.

Recuei um passo, desconfiada.

–Sasuke, o que você pretende fazer? – Perguntei, ainda recuando.

–Se fosse para eu contar, já teria contado! – Respondeu irritado.

Revirei os olhos, mas a curiosidade me atiçava, eu definitivamente queria saber o que ele estava aprontando. Sasuke colocou a venda sobre meus olhos, amarrando atrás da minha cabeça, tapando completamente a minha visão, segurei em seu braço, completamente desnorteada, já nem me equilibrando sobre meus próprios pés.

Sasuke segurou firme em minha mão, me puxando.

–Ai! – Grunhi, sentindo meu tornozelo bater contra algum móvel – Dá para andar mais devagar Sasuke? – Reclamei.

Ouvi ele bufar.

–Ainda perco a porra da paciência – Ele resmungou, e então o senti me soltar.

Estiquei meus braços, tentando me orientar, no entanto senti um braço laçar a curvatura de meus joelhos, em seguida fui erguida do chão, ficando de cabeça para baixo, sentindo vertigem.

– Me coloca no chão!

Mas ele fingiu não me ouvir, continuou andando. Senti meu estômago contrair, e uma leveza em meu corpo, sensação que sentia ao estar no elevador. Sasuke voltou a se movimentar, e logo fui atirada no banco de um carro.

–Se cavalo! – Gritei, e ele bateu a porta do carro.

Tentei encontrar o cinto de segurança, e antes mesmo de encontrar, Sasuke já o passava em meu corpo, prendendo. Suspirei agoniada por não enxergar nada.

–O que você vai fazer? – Perguntei novamente.

–Eu já disse que é uma surpresa. – Ele respondeu – Para de ficar perguntando.

–Mas eu quero saber! Por favor? – Pedi.

–Dá para você ficar quieta?

–Mas eu quero saber agora! – Insisti, e assim que ergui a mão para retirar a venda, a mão de Sasuke segurou a minha.

–Vou dar meia volta, e não vai ter porcaria de surpresa nenhuma! – Ameaçou.

Fiquei emburrada.

–Sasuke...

–Quer saber? – Gritou, me assustando.

O carro parou, fiquei apreensiva, não queria que ele desistisse da surpresa, mas eu estava muito curiosa, não conseguia me conter. Eu odiava surpresas pelo simples fato de serem surpresas, e a minha curiosidade era praticamente incontrolável, eu não conseguia esperar.

Senti a mão de Sasuke envolver a minha em seguida um recipiente gélido ele me fez segurar. Era uma garrafa.

–Vou ter que recorrer ao plano B... Beba – Ele ordenou, ainda segurando minha mão, me incentivando a aproximar a garrafa de meus lábios.

–Pra quê? – Perguntei desconfiada, afastando o meu rosto.

–Beba logo – Ele disse ríspido, e eu já percebia que ele estava sem o mínimo de paciência.

Sem nem mesmo saber o que iria ingerir, resolvi tomar um gole do líquido, que me pareceu suco de manga, e como o meu paladar aguçado não mentia, era o legítimo Tang. Mas havia um gosto peculiar, como se remédio houvesse sido misturado, deixando um leve azedo no suco.

Sasuke retirou a garrafa de minhas mãos, e ouvi o carro ligar novamente, e logo locomover-se.

–Sasuke – Chamei – O que bebi? – Perguntei, sentindo meu corpo relaxar.

Uma sonolência repentina pairou sobre mim, e eu não acreditava que ele havia me dado um sonífero.

–Eu te... Odeio – Eu disse, com a voz arrastada.

–Vai me amar daqui a algumas horas – Ele retrucou, e eu podia imaginar seu sorriso espertinho.

–Não jogue meu cadáver no mar... – Murmurei divertida.

–Não vou te assassinar – Retrucou provavelmente não achando engraçada a minha piadinha.

A voz dele estava longe, e minha consciência esvanecia aos poucos.

–Prepare-se doutora Haruno. – Disse, e eu senti um leve tremor.

O que ele estava aprontando? Eu não fazia à mínima ideia, a última coisa que senti ainda consciente, foi sua mão pegar a minha, e apertá-la, no entanto, não pude retribuir, o sono já havia me consumido.

Notas finais
Obrigada, beijinhos no core e até a próxima ♥