Notas iniciais
Olha quem voltou! Meu Deus gente, ganhei mais favoritos, estou muito feliz! Chamei minha mãe, pai, irmão, o Papa, minha vó, o vô do meu ex namorado, meu cachorro -gente, ele se chama Bob, é tão fofinho- todo mundo veio ver meus favoritos AUHSAUH Mentira, só minha mãe viu. Agradeço a todos, amo os comentários dos meus leitores lindos e maravilhosos, poxa, muito obrigada de verdade! Bem, o que posso dizer desse capítulo enorme de título estranho? Está sem sal, mas espero que agrade pelo menos um pouquinho, certinho? Boa leitura!

Ino soluçava baixinho, era o único som que se ouvia ali. Todos estavam decepcionados e tristes com o fim trágico da cirurgia, o final que nenhum deles – inclusive eu – esperava.

“Ajuda-me Kami... Ajuda-me”

Voltei a pegar o desfibrilador, segurando o equipamento firmemente em minhas mãos. Ino subiu o olhar, lágrimas escorriam pelos olhos azuis molhando a máscara cirúrgica.

–Sak... – Ino preparou-se para dizer algo, mas a interrompi imediatamente.

–Vou tentar pela última vez – Olhei para ela, que limpou as lágrimas com a parte superior da destra.

Pousei o desfibrilador sobre o peito de Sasuke, que já tomara uma coloração avermelhada sobre o local em que os choques foram desferidos.

–220 – Pedi.

O choque foi aplicado.

–360 – Voltei a pedir.

O peito de Sasuke subiu e desceu, mas seu coração não voltara. Suspirei pesadamente, já sentindo meus olhos marejarem, eu nunca havia falhado em cirurgias, eu podia sentir o desespero começar a tomar meu corpo.

E um som começou a soar, era o bip que voltara a tocar.

22... 27... 34... 64... 78... 96...

Arregalei meus olhos, erguendo o rosto para olhar o monitor. A linha reta tomava aos poucos curvas, acompanhando o bip que tocava com frequentes pausas.

–Conseguiu! – Exclamou Rin – Sakura, você conseguiu!

Senti minhas pernas fraquejarem, meu coração pulsava forte em meu peito, e as lágrimas não mais de tristeza, mas sim de alívio, insistiram em escorrer de meus olhos e o sorriso de missão cumprida desenhou-se em meus lábios.

–Conseguimos – Eu disse, voltando meus olhos para Ino, que chorava muito – Nós conseguimos!

*

Após finalmente concluímos a cirurgia, passado o susto, Sasuke foi encaminhado para a UTI, seu estado não era nada animador, muito pelo contrário, era crítico.

–Quanto tempo acha que ele vai ficar desacordado? – Perguntou-me Ino, enquanto acariciava a bochecha de Sasuke.

Voltei meus olhos para o moreno e suspirei pesadamente.

–Não sei – Respondi desanimada – Talvez semanas.

Ino recolheu a mão junto ao corpo e sorriu amarelo.

–Às vezes... – Fez uma pausa respirando fundo – Me sinto culpada.

Franzi o cenho.

–Quê? Por quê? – Perguntei arqueando as sobrancelhas.

–Se eu não tivesse insistido tanto para que ele saísse conosco... – Balançou a cabeça amargurada – Ele não estaria aqui agora.

–Não pense assim – Eu disse de imediato – Não foi sua culpa, você não sabia – Voltei meus olhos para a loira, que já fazia cara de choro – Agora vamos, precisamos almoçar – Passei meu braço direito sobre seus ombros, e comecei conduzi-a até a porta.

Ino assentiu.

–Certo – Concordou com a voz embargada.

*

Os dias passavam rapidamente, Sasuke apresentava uma leve melhora, porém ainda permanecia na UTI, nenhum familiar havia aparecido para saber o estado da saúde de Sasuke, era como se ele fosse sozinho no mundo, sem família ou amigos.

Eram aproximadamente 13h00, o sol brilhava em meio ao céu azul sem nenhuma nuvenzinha impostora para atrapalhá-lo, aquilo sim era maravilhoso.

Ino e eu almoçávamos sentadas em uma das mesas espalhadas pela praça de alimentação do hospital, eu devorava meu X-Bacon, enquanto Ino separava os picles de seu X-Burger, fazendo sua típica cara de nojo.

–Eu já disse mil vezes para o Shikamaru que eu odeio picles – Resmungava ela, completamente revoltada, enquanto pegava um picle de pepino entre o dedo indicador e o polegar – Ai o aloprado faz questão de colocar um monte!

Peguei meu copo com suco natural de laranja, levei a boca, tomando um gole.

–Qual é o problema com picles? – Perguntei voltando a pegar meu X-Bacon – Não acho tão ruim assim.

Ino voltou os olhos para mim, erguendo um picle preso entre os dedos.

–Olha isso – Pediu balançando o picle – Você tem probleminha? – Perguntou enquanto depositava o picle sobre um pequeno prato quadricular de isopor.

Dei uma mordida no meu X-Bacon, mastigando enquanto balançava a cabeça negativamente.

–Você é louca – Eu disse, pegando o suco novamente – É só pedir para outro atendente fazer seu lanche – Tomei outro gole do suco.

Ela assentiu, concordando.

–Vou fazer isso, picles nunca mais! – Disse a loira, limpando as pontas dos dedos em um guardanapo – Mudando de assunto, meu ex me ligou.

–Qual ex? – Perguntei voltando os olhos para Ino.

–Aquele que eu peguei quando estava bêbada – Respondeu levando o canudinho de sua Coca-Cola à boca, bebendo um pouco – Lembra?

–Não – Respondi sincera – Você já esteve bêbada umas quinhentas vezes.

Festa, bebida, Ino... Nunca dá certo.

–Você lembra sim – Insistiu ela – Aquele que me cobriu toda com cauda de chocolate e eu cheguei na sua casa, você estava chapadona pensando que eu estava daquela cor por ter pegado sol demais. – Riu baixo.

Fiz uma careta me lembrando de Ino chegando seminua em minha casa, toda lambuzada de chocolate. Aquela loira já havia passado por cada situação esquisita.

–Shino? – Indaguei tentando me recordar do indivíduo.

Ela arqueou as sobrancelhas.

–Não, e Kami que me livre de encontrar aquele psicopata de novo – Fez o sinal da cruz.

–Realmente aquele cara era estranho – Murmurei.

–Onde já se viu criar uma lagarta dentro da cueca? – Perguntou ela com o semblante sério – Quando eu vi, fiquei até pena da lagarta, ela estava meio branca sabe? Imagina ficar dentro de uma cueca? Sem luz, sem oxigênio... Eu deveria ligar para o IBAMA e meter um processo na cara dele! – Exclamou, balançando a cabeça positivamente – Mas sabe o que mais me revolta? – Perguntou-me.

Balancei a cabeça negativamente.

–Ele ter mandado eu dar um beijinho nela! – Fez uma careta – Deve ser um tesão beijar uma lagarta que vive em uma cueca! Será que ele dá banho nela? – Indagou, erguendo os olhos, pensativa.

–Ai Ino, chega! – Pedi, bebendo um gole do suco, imaginando a cena.

Ino quando começava a falar, era praticamente impossível fazê-la parar.

–Doutora Haruno? – Alguém me chamou.

Rapidamente virei meu corpo na cadeira para ver quem me chamava, me deparando com dois rapazes que eu desconhecia. O rapaz que supostamente me chamara, era alto, os olhos negros estavam fixos nos meus, nos lábios finos desenhava-se um sorriso de canto, um tanto gentil. O cabelo estava preso em um rabo de cavalo baixo que era visível na lateral direita de seu corpo, trajava um blazer por cima de uma camisa listrada na vertical nas cores cinza e branco, ambas as cores se contrastavam, os três primeiros botões estavam abertos, e eu não deixei de notar a fina corrente de ouro que trazia envolta de seu pescoço, onde pendurado estava um pingente, era parecido com um leque Uchiwa, tradicional do Japão, na parte superior a cor vermelha e na extremidade a cor branca, símbolo dos Uchihas, constatei. As mãos enterradas nos bolsos do jeans escuro levemente justo na região das pernas, inclinava-se um pouco em minha direção, me analisando assim como eu o fazia. Olhar para aquele rapaz me fazia lembrar de Sasuke, porém sua feição era mais amigável.

Logo atrás dele, outro rapaz permanecia de braços cruzados, a cara emburrada, parecia sem paciência. Era loiro, o cabelo bem espetado, os olhos azuis estavam estreitos e direcionavam-se diretamente para mim, a pele bronzeada e o corpo com músculos bem definidos, estavam expostos sobre a regata laranja que usava.

–Você é a doutora Haruno, certo? – Perguntou-me o rapaz moreno, com uma voz baixa.

O loiro bufou, mantendo a expressão dura.

–Claro que é ela – Disse o louro, esbanjando impaciência – Quem mais tem cabelo rosa por aqui? – Fez um gesto com as mãos, gesticulando a praça de alimentação.

O moreno revirou os olhos.

–Naruto, espera ai. – Pediu o rapaz com certa tranquilidade, voltando a olhar para mim – Você que cuida do Sasuke Uchiha, pelo que me disseram.

Assenti, arqueando as sobrancelhas, finalmente alguém procurara Sasuke.

–Quem são vocês? – Perguntei olhando para o loiro, em seguida para o moreno.

–Sou Itachi, irmão de Sasuke – Respondeu antes que o loiro pudesse dizer algo que com certeza não seria nome – E esse é Naruto, amigo nosso. – Apresentou-o dando um leve tapa sobre o ombro esquerdo do loiro que fez uma careta.

Levantei da cadeira.

–Bom Itachi, precisamos conversar sobre algumas coisas e... – Eu disse, mas logo fui interrompida por Naruto.

–Depois conversam – Disse ele enquanto pegava um picles do prato de isopor – Ei, vai querer isso? – Perguntou a Ino, erguendo um picles de pepino.

A loira fez uma careta, balançando a cabeça negativamente. Naruto deu de ombros e tomou o prato de isopor em mãos levando o picles à boca, enquanto voltava a olhar para mim e para Itachi.

–E ai – Disse ele mastigando – Vamos ver o teme ou não? – Perguntou levando outro picles à boca.

Itachi e eu nos entreolhamos.

–Vamos – Respondi – Ino, você vem? – Perguntei direcionando meus olhos para a loira que mantinha os olhos em Naruto, que se deliciava com os picles.

–Ér... Não, vou comer meu X-Burger sem picles – Respondeu apontando para o lanche que mal tocara.

Assenti, em seguida virei, fazendo um gesto para que os dois rapazes me seguissem. Saímos da praça de alimentação, pegando o elevador para o terceiro andar, onde ficava o quarto de Sasuke.

–Os seus pais não estão em Konoha? – Perguntei a Itachi, olhando nosso reflexo no espelho na lateral do elevador.

Ele balançou a cabeça negativamente.

–Não – Respondeu – Estão em Yokohama, vão passar o natal e o ano novo lá.

Arqueei as sobrancelhas.

–Eles sabem que Sasuke está na UTI? – Interroguei.

Itachi suspirou.

–Sim. – Respondeu.

A porta do elevador abriu, permaneci parada, olhando para Itachi, não acreditando na frieza dos pais de Sasuke ao ponto de não se importar com o estado da saúde dele – que não era nada boa – e nem sequer visitá-lo.

Naruto saiu do elevador acompanhado por Itachi e eu logo após. Segui caminhando pelo corredor entre os dois que se mantinham em silêncio, apenas o som de nossos passos eram ouvidos no corredor silencioso.

Parei em frente a uma porta branca de madeira, onde na parte superior do batente estava pregada uma placa de metal com os números 75.

–É o quarto dele – Murmurei levando a mão esquerda à maçaneta.

Abri a porta e entramos.

O quarto estava bastante claro, a luz do sol adentrava o local pela fresta entre as persianas horizontais, tudo era tão branco, eu particularmente não gostava muito disso, tudo tão sem vida. Sasuke estava deitado na cama, um lençol cobria seu corpo pálido, tubos de silicone e fios eram interligados dos aparelhos ao corpo de Sasuke, só ouvia-se o bip do monitor cardíaco. Aproximamos-nos lentamente, Itachi parecia receoso, seu rosto tomara uma expressão preocupada. Já Naruto não perdeu tempo, foi até o amigo em passos rápidos, parando ao lado da cama. Itachi parou ao lado de Naruto, enquanto eu fui para o lado oposto ao deles.

Itachi suspirou, levou a mão direita até o ombro esquerdo de Sasuke, apertou de leve.

–Por que isso teve que acontecer contigo garoto? – Lamentou-se, balançando a cabeça amargurado.

Baixei meu olhar, fitando Sasuke. Os machucados já haviam cicatrizado, porém ainda eram visíveis em seu rosto. O cabelo crescera um pouco, deixando a franja um pouco abaixo do queixo. Sua face era serena como a de alguém que dorme tranquilamente.

–Tem ideia de quanto tempo o teme vai ficar desacordado? – Perguntou-me Naruto, mantendo os olhos em Sasuke.

Balancei minha cabeça negativamente.

–Não, pode levar semanas – Respondi – Fizemos uma série de exames em Sasuke, estamos acompanhando essa fase da recuperação, precisamos ver se ele ficará com alguma seqüela.

–Quais as chances dele ficar com alguma seqüela? – Perguntou Itachi, voltando os olhos para mim.

Suspirei pesadamente.

–São maiores que as chances dele não ficar com nenhuma. – Respondi.

Itachi balançou a cabeça, parecia não ter caído na real ainda. Naruto apertava a mão direita de Sasuke, parecia agoniado ao ver o amigo ali, deitado dependendo de aparelhos para viver.

–Amanhã eu voltarei – Murmurou Itachi – Doutora, obrigado – Agradeceu-me.

–É o meu dever – Eu disse.

Itachi sorriu fraco, pousou a mão no ombro de Naruto.

–Vamos – Disse.

Naruto assentiu e soltou a mão de Sasuke.

–Volte logo teme – Murmurou o loiro antes de dar as costas – Até doutora – Despediu-se.

–Até – Respondi.

Itachi fez um aceno de cabeça, em seguida virou-se caminhando em direção a porta, saindo junto a Naruto.

Notas finais
Hei, até a próxima, beijinhos no coração de cada um ♥