Shelter
13 Maldito Uchiha
Notas iniciais
Sasuke e a garota ficaram estáticos. Eu olhava para Sasuke, em seguida para a garota. Apertei a alça da minha bolsa, porém, não deixei vestígios de raiva em minha expressão, era como se eu realmente não tivesse me importado.
–Oh! – Exclamei, levando minha mão direita à boca – Eu não sabia que tinha alguém nesse banheiro! – Ri cínica – Desculpa atrapalhar os pombinhos – Soltei uma breve gargalhada.
Sasuke arqueou uma sobrancelha, a garota sorriu corando de leve. Eu ri baixinho mesmo estando morrendo de ódio por dentro, sentia minha garganta arder, mas chorar eu não ia, não na frente dele. Sasuke mantinha-se indiferente, eu me perguntava como ele tinha coragem de ter brincado comigo daquela maneira, e após isso ficar com outra.
–Finjam que e não apareci – Eu disse, abanando minha mão direita – Beijinhos – Fechei a porta novamente.
Respirei fundo e caminhei rapidamente até a saída do banheiro, voltando para a pista de dança como se nada tivesse acontecido. Empurrei um monte de gente e andei em direção a porta de saída, naquele lugar eu não continuaria. Fiquei zonza e confusa, a música martelava em minha cabeça, e as pessoas me empurravam de um lado para outro, mas por fim consegui chegar à saída, passei pela grade de segurança, e sai porta a fora.
Uma garoa fina caia lentamente, acompanhada de um vento gélido que bagunçava meus cabelos. Encolhi-me de frio, amaldiçoando Deidara e Ino por terem desaparecido.
Comecei a andar sem rumo, não conhecia aquele bairro, não sabia pra onde ir. Não tinha ninguém na rua, provavelmente já era de madrugada. Cruzei meus braços abaixo dos meus seios e comecei a andar pela rua deserta, talvez algum taxi passasse ao meu lado, eu poderia ir para casa tranquila. Pensei em ligar para Deidara, mas lembrei que nem ele e nem Ino haviam levado o celular para a boate.
–M-M-Maldito s-seja S-Sasuke-e Uchih-ha – Murmurei completamente trêmula.
Caminhei por longos minutos, aquela rua parecia não ter fim e para facilitar tudo, eu não fazia nem ideia que bairro era aquele, estava perdida. Eu já estava distante da boate, havia me arrependido de não ter esperado em frente, eu sempre fui uma pessoa de agir por impulso e acabava me ferrando.
Avistei um garoto de bicicleta, vindo em minha direção, estendi o braço, pedindo para que ele parasse, e ele parou.
–P-Por favor – Eu disse – Q-Qual o nome d-desse bairro? – Perguntei ao garoto, ele não devia ter 15 anos.
Ele me olhou dos pés a cabeça e sorriu. Franzi o cenho quando o vi levantar da bicicleta, retirando algo do bolso. Era um canivete.
–Passa o celular – Ordenou, apontando o canivete para mim.
Arregalei os olhos, logo meu celular?
–E-Espera – Pedi – M-Meu celular não, por favor – Já sentia meu coração doer.
–Ou é o celular, ou é a vida – Deu de ombros.
–Vamos fazer um acordo! – Eu disse, abrindo minha bolsa – E-Eu tenho cem reais aqui, apenas cem reais – Revirei minha bolsa, e encontrei minha carteira – Te dou os cem reais, e você deixa o meu celular. – Propus.
Ele assentiu e eu sorri vitoriosa – e aliviada – pelo menos ele era um assaltante comprável. Retirei minha carteira, encontrando a única nota que eu tinha lá dentro. Peguei o dinheiro e estendi para o garoto que pegou imediatamente.
–Obrig... – Quando ia agradecer, ele voltou a apontar o estilete para mim.
–Agora passa o celular. – Ordenou.
Arregalei os olhos, mas não teve jeito, tive que entregar o celular, em seguida ele saiu andando tranquilamente em sua bicicleta. Eu fiquei parada no meio da rua, observando-o partir com tudo o que eu tinha.
–E agora? O que falta para minha madrugada ser um desastre? – Indaguei olhando para o céu completamente escuro, sentindo a garoa fina cair sobre mim.
Senti um pingo mais grosso de água cair em meu rosto, eu já estava completamente molhada, não seria possível que fosse chover logo naquele momento.
–Não Kami, não faça isso comigo! – Implorei.
E então a chuva começou a cair, as gotas de água eram grossas, logo fiquei completamente encharcada. Aquele era o pior dia da minha vida.
–Por quê? – E me perguntava, cambaleando pela estrada molhada – Por que comigo? Já não bastava eu ter cabelo rosa, Kami? – Indaguei, sentindo a água escorrer pelos meus cabelos.
Meus pés doíam, e eu tive a maldita ideia de retirar meus sapatos de salto, a dor ficou pior.
–Talk to me softly... There is something in your eyes…– Cantarolava baixinho, enquanto continuava a caminhar debaixo de chuva – Don’t hang your head in sorrow… And please don’t… Cry…
Sentia as lágrimas escorrer pela minha face molhada, eram lágrimas de ódio, tudo aquilo era culpa do maldito Uchiha, e eu jurei que ia fazê-lo pagar cada gotinha de chuva que caia sobre mim.
Continuei caminhando sem rumo, até que notei que um Porsche vermelho me acompanhava, até por fim parar ao meu lado, fiquei tensa, talvez fosse um maníaco estuprador que iria me jogar dentro daquele carro e fazer de mim sua escrava sexual.
–Sakura – Aquela voz era muito familiar.
Um guarda chuva surgiu acima da minha cabeça, e eu fui puxada contra um corpo quentinho.
–Sakura, o que aconteceu? – Perguntou a pessoa aflita.
Ergui meu rosto e olhei para Gaara, eu devia estar parecendo uma panda a essas alturas.
–Me leva embora – Eu disse num fio de voz.
–Claro – Disse ele, me puxando junto de si, até o carro.
Abriu a porta do carro para mim, e eu entrei rapidamente, sentando-me no banco de couro. Gaara fechou o guarda chuva, em seguida entrando no carro rapidamente. Deu partida e o carro começou a se locomover rapidamente pelas ruas. Fechei meus olhos, encostando minha cabeça no banco confortável.
–Como veio parar aqui? – Perguntou Gaara depois de alguns minutos de silêncio.
–Eu... – Tentei arrumar alguma desculpa aceitável que o convencesse, mas eu estava cansada demais para inventar algo – Eu estava em uma boate, não achei um taxi, resolvi ir embora a pé. – Virei meu rosto para olhá-lo.
–Há essa hora? – Olhou para o painel do carro, o relógio digital marcava 02h25 da manhã.
–O que você está fazendo nessa hora também? – Franzi o cenho.
–Estava no bar com alguns amigos – Respondeu desviando o olhar para mim – Ainda bem que não aconteceu nada de grave com você – Murmurou voltando a olhar a estrada.
–Fui assaltada – Eu disse, soltando um breve suspiro.
O carro parou, Gaara havia estacionado.
–Te machucaram? – Perguntou preocupado, soltando o cinto de segurança.
–Não – Balancei a cabeça negativamente – Estou bem.
Ele suspirou aliviado.
–Vamos para a delegacia – Voltou a ligar o carro.
–Nem pensar – Recusei – Estou cansada, olha o meu estado – Estiquei os braços como se pedindo para que ele me analisasse – E eu tenho outro celular, aquele era o reserva – Dei de ombros.
Gaara me fitou por alguns instantes, provavelmente me achava louca, eu não conseguia decifrar aquela expressão. Por fim ele suspirou, e resolveu me levar para minha casa.
*
Gaara estacionou o carro em uma vaga no estacionamento do prédio onde eu morava, eu estava sã e salva, graças ao anjo ruivo.
–Não sei nem como te agradecer – Murmurei olhando um ponto adiante.
–Eu sei – Disse ele.
Arqueei as sobrancelhas.
–Como? – Perguntei voltando meus olhos para o rapaz.
Ele sorriu de canto, e seu rosto aos poucos tomava uma coloração avermelhada. Quase ri, Gaara era realmente muito fofo.
–Ér... – Passou a mão pelo cabelo – Quer ir... Ao cinema comigo? – Convidou-me.
Eu sorri, finalmente ele havia criado coragem para me convidar para sair com ele.
–Claro que sim – Respondi animada.
Ele sorriu tímido, e assentiu.
–Domingo? – Indagou.
–Às 19h00 – Eu disse, enquanto me curvava em sua direção.
Gaara franziu o cenho, notando a minha aproximação.
–Obrigada – Murmurei, depositando um beijo em sua bochecha direita.
Voltei a me afastar, Gaara estava ainda mais corado. Abri a porta do carro e sai. Sentia minhas pernas fracas, agradecia a Kami por não ter ninguém no estacionamento, nem no elevador, e nem no corredor, se minhas vizinhas me vissem naquele estado deplorável, certamente eu seria o assunto da semana. Peguei a chave da minha casa no vaso da planta desconhecida e abri a porta do meu apartamento. Joguei minha bolsa no tapete e me joguei no sofá, eu estava tão exausta que me menos de um minuto acabei por adormecer.
*
Abri meus olhos lentamente, sentia meu corpo pesado, meus pés doíam, sem falar no pescoço que estava me matando, consequência de eu ter dormido no sofá. Apoiei minhas mãos no estofado e ergui meu corpo, tomando cuidado para não mexer o pescoço, a dor era quase insuportável.
A campainha tocou, suspirei pesadamente e levantei do sofá com certa dificuldade, caminhei lentamente até a porta, sem mexer a cabeça. Destranquei e abri, me deparando com duas criaturas loiras na porta.
–Sua testa de marquise filha de uma mãe! – Esbravejou Ino, se jogando pra cima de mim.
–NÃO! – Berrei já sentindo meu pescoço latejar.
Era tarde, a loira já tinha se pendurado em mim. Comecei a gritar de dor, xingando Ino dos piores nomes existentes, tentando fazê-la me soltar.
–Vocês são tão estranhas, francamente – Resmungou Deidara, carrancudo, empurrando Ino e eu para poder entrar na minha casa.
Ino finalmente me soltou e a dor começava a aliviar.
–Onde vocês se meteram ontem? – Perguntei já começando a ficar revoltada – Procurei você sua vaca loira por toda a boate! – Apontei meu dedo indicador para Ino.
Ela fez uma careta, me analisando dos pés a cabeça.
–Você está péssima – Disse enquanto se jogava no meu sofá – Eu e a Karin estávamos te procurando, mas ai uns garotos puxou eu e ela... – Sorriu maliciosa – Não vão querer saber o que aconteceu depois.
Revirei os olhos.
–Pelo menos pegou um boy, né? – Disse Deidara, emburrado.
–O que aconteceu dessa vez, bicha? – Perguntei olhando-o.
O loiro fez biquinho, cruzando os braços. Deidara era tão lindo, eu vivia pensando em uma forma de trancá-lo em meu quarto, amarrá-lo na cama e abusar daquele corpinho, mas óbvio que eu não faria isso, eu tinha amor à minha vida.
–Meu boy me deu um bolo – Respondeu ele, com a mesma face carrancuda.
–E você comeu? – Perguntei começando a gargalhar incontrolavelmente.
Ino e Deidara permaneciam em silêncio, olhando para mim como se eu fosse retardada.
–Ai ai... – Suspirei parando de rir – Nossa gente foi uma piada. – Resmunguei. Deidara revirou os olhos.
–Estranha – Murmurou – Pegou alguém? – Indagou olhando para mim.
Engoli em seco, não sabia se seria uma boa ideia contar sobre o que aconteceu entre Sasuke e eu, mas talvez eles pudessem me ajudar na vingança. Eu iria e vingar de alguma forma, eu precisava dar o troco. Por fim, resolvi contar toda a história, desde o surgimento de Sasori, até minha chegada no apartamento. Percebi que Ino não gostou muito de saber que Gaara me trouxe até a minha casa, por um momento pensei que ela fosse me bater, mas não passou de uma cara feia, só faltava estar escrito na testa dela “ciúmes”.
Deidara por sua vez caiu na gargalhada, rindo da minha desgraça ali, na minha cara. Um ótimo amigo, sem dúvidas.
–Nem para agarrar um boy você presta – Dizia ele em meio aos risos.
Fiquei irritada e ataquei uma almofada na cara dele.
–Pelo menos não ganhei um bolo – Retruquei. Ele parou de rir, voltando a fechar a cara.
–Quero me vingar do Sasuke – Eu disse depois de alguns segundos de silêncio.
–Acha mesmo que vai conseguir? – Indagou Ino – Ele é esperto, não cai fácil.
Franzi o cenho, ela estava duvidando da minha capacidade?
–Está dizendo que eu não vou conseguir? – Indaguei estreitando os olhos. Ino deu de ombros.
–Acho difícil – Disse ela, com um sorriso desafiador.
–Veremos – Murmurei irritada.
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