Shelter
6 Ex-noiva
Notas iniciais
Arregalei os olhos segurando o telefone firme em minha mão.
–O... Quê? – Sussurrei sentindo meu coração pulsar loucamente em meu peito.
–Sasuke Uchiha acor...
Desliguei o telefone, batendo contra o gancho com força desnecessária, sem perder tempo sai em disparada para a cozinha, parando na porta. Todos direcionaram os olhos para mim.
–Sakura, o que foi? – Perguntou-me Karin arqueando uma sobrancelha.
–O Sasuke... – Eu disse, interrompendo-me tentando controlar a respiração.
Itachi levantou da cadeira rapidamente.
–O que aconteceu com o Sasuke? – Perguntou vindo em minha direção.
–O Sasuke acordou – Respondi já mais calma.
Pude ver o espanto no rosto de cada um, mas logo a surpresa foi substituída por uma alegria enorme, iniciou-se uma comemoração com direito a palmas e gritos.
–Graças a Kami! – Exclamou Ino, abraçando Sai.
–Vamos lá ver ele galera! – Berrou Naruto eufórico, levantando da cadeira e pulando em direção à porta.
Balancei a cabeça negativamente.
–Nada disso – O barrei na porta – Tratem de ficar aqui, eu vou até lá e volto com notícias. – Eu disse esticando os braços para impedir que Naruto passasse.
Tsunade levantou-se da cadeira.
–Eu acompanharei você – Disse ela vindo em minha direção – E como diretora do hospital, ordeno que permaneçam aqui – Disse ela autoritária, voltando os olhos para os demais – Se todos forem meu hospital vai virar uma baderna, e é o que menos quero.
–Mas eu sou amigo do teme e... – Insistiu Naruto, mas logo se interrompeu ao ver o olhar que Tsunade o lançara.
Ela era bizarra, eu mesma morria de medo dela às vezes. Naruto encolheu-se e sentou-se na cadeira emburrado.
–Vamos – Disse Itachi com a chave de seu carro em mãos.
*
A neve caia lentamente, devia ser a madrugada mais fria do ano, disso eu podia ter certeza.
Tsunade e eu seguíamos Itachi pelo estacionamento, eu praticamente corria para conseguir acompanhar os passos dele. Ele nos conduziu até um Ranger Rover Evoque, branco reluzente. Abriu a porta do motorista e entrou, Tsunade e eu nos entreolhamos e rapidamente entramos no veículo, eu no banco do passageiro. Encolhi-me no banco, com frio, Itachi enfiou a chave na ignição e girou ligando o carro que quase não emitia som.
–Vou ligar o aquecedor – Murmurou clicando em um botão no painel iluminado.
Em alguns instantes o carro estava quente e aconchegante. Itachi mantinha os olhos negros fixos na estrada, sua expressão me despertou a curiosidade, o cenho franzido formando linhas em sua testa, era como se ele estivesse irritado, apertava o volante com força, fazendo as veias de suas mãos ficares visíveis por baixo da pele pálida. Contive minha curiosidade, não queria incomodá-lo questionando-o. E assim permanecemos em absoluto silêncio – o que me causava inquietação – até chegarmos ao hospital.
Soltei o cinto de segurança, ajeitei a touca de lã sobre a minha cabeça, deixei meu cabelo solto que apesar de curto protegia meus ouvidos sensíveis do frio. Coloquei minhas luvas e abotoei o meu casaco que se estendia até a metade das panturrilhas. A porta do carro abriu-se, Itachi estendeu-me a mão destra, agora coberta por uma luva de couro, peguei a mão dele e sai do carro, sentindo os flocos brancos caírem sobre mim.
Corremos para frente do hospital e adentramos o local rapidamente, o frio era quase insuportável, pelo menos pra mim que o odiava. Passamos pela recepção e entramos no elevador, subindo até o segundo andar. Chegando no corredor, havia apenas uma pessoa, uma mulher para ser mais exata, estava sentada no banco de frente para a porta do quarto de Sasuke, a cabeça baixa, o longo cabelo ruivo cobria a lateral de seu rosto e as mãos sobre o colo. Nos aproximamos dela, inclinei-me em sua direção, pousando minha mão em seu ombro.
–Tudo bem? – Indaguei, apertando seu ombro de leve.
Ela ergueu o rosto, aquela moça era belíssima, os olhos eram de um castanho escuro, brilhavam por causa das lágrimas que escorriam pelo seu rosto que estava bem vermelho principalmente na região do nariz e bochechas, provavelmente por ter chorado muito.
–Tayuya – Murmurou Itachi.
Olhei para Itachi que mantinha os olhos fixos na mulher, um olhar frio que eu ainda não conhecia.
– O que você está fazendo aqui? – Perguntou ele com um tom rude em sua voz.
Tayuya o fitou por um breve momento, logo desviando o olhar.
–Vim ver o Sasu... – Disse ela com a voz embargada, mas antes que completasse sua frase, fora interrompida.
–Saia daqui – Ordenou Itachi.
Franzi o cenho, estranhando o comportamento do rapaz.
–P-Por favor... – Sussurrou Tayuya – Deixe-me apenas vê-lo.
Itachi contraiu a mandíbula, levou a mão até o antebraço esquerdo de Tayuya e a ergueu do banco bruscamente, assustando tanto a ela, quanto a mim e Tsunade.
–Não tens o direito de se aproximar dele – Disse o moreno balançando-a.
–E-Está me machucando! – Exclamou ela, soltando-se de Itachi.
Tsunade se pôs entre eles, interferindo rapidamente.
–Ei, sem briga aqui, por favor – Disse ela, olhando para Itachi.
Tayuya deu um passo para trás, afastando-se de Itachi, este por sua vez, escorou contra a parede, mantendo os olhos na ruiva.
Eu estava perplexa, olhava para Itachi e em seguida para Tayuya, completamente perdida.
–Sakura, vai ver o Sasuke, pode deixar que cuidarei dos dois – Tsunade me olhou pelo canto dos olhos, apenas assenti.
Caminhei até a porta do quarto de Sasuke, empurrei a porta com as pontas dos dedos, em seguida adentrei o local. O quarto estava bem aquecido, Sasuke estava do mesmo jeito, deitado na cama, coberto com o lençol, porém seus olhos estavam abertos. Parei ao lado da cama, inclinei-me na direção de Sasuke, os olhos negros opacos estavam perdidos no nada, fixados em algum ponto do teto.
–Sasuke? – Murmurei – Consegue me ouvir? – Perguntei aproximando meu rosto de seu ouvido.
Sasuke moveu os lábios, mas não proferiu nenhuma palavra, aos poucos seus olhos voltaram-se para mim, me fitando por um longo tempo, mas não obtendo reação nenhuma, era como se ele nunca tivesse me visto na vida.
Levei minha mão à dele e apertei de leve.
–Consegue sentir? – Perguntei olhando-o.
Ele ainda me fitava, mas agora sua expressão se tornara confusa, voltou a mover os lábios num sussurro. Aproximei meu rosto um pouco mais, mesmo ele estando com a máscara de oxigênio, eu conseguiria ouvi-lo.
–Mikoto – Sussurrou ele.
A porta abriu, desviei meus olhos dos dele, deparando-me com Tsunade.
–Quem é Mikoto? – Indaguei.
–É a mãe dele – Respondeu-me ela, parando ao lado da cama.
Voltei meus olhos para Sasuke, sentindo um bolo se formar em minha garganta e fiquei assustada com aquilo. A própria mãe não viera visitá-lo e a primeira pessoa de quem ele se lembrava era dela.
Sasuke soltou um resmungo, fechando os olhos com força.
–Ele deve estar sentindo dor, precisamos dar o sedativo – Disse Tsunade erguendo uma seringa que trouxera consigo.
Eu ainda segurava a mão de Sasuke, sem ao menos perceber, até senti-lo mexer os dedos. Tsunade injetou o sedativo no soro de Sasuke, em poucos instantes as pálpebras começaram a se fechar, ocultando os orbes negros, a face do moreno se tornara serena e ele entregou-se ao sono.
Suspirei e soltei a mão dele.
–Vou pedir para que Itachi entre em contato com a mãe dele – Murmurei.
Tsunade assentiu.
–Boa sorte – Desejou-me.
–Vou precisar – Respondi.
Permaneci algum tempo observando-o dormir, logo virei e fui em direção a porta, saindo do quarto, deparando-me com Itachi sentado no banco e Tayuya sentada no chão, um pouco distante de Itachi. O moreno ergueu o rosto, ao me ver, levantou-se.
–Como ele está?! – Perguntou Itachi ansioso.
–Calma, ele está sedado, logo poderá vê-lo – Respondi reprimindo o riso, vê-lo tão agitado era engraçado de certa forma.
Itachi suspirou aliviado, sentando-se no banco novamente. Olhei na direção de Tayuya, ela me olhava, sorri simpática, mas ela não retribuiu, simplesmente voltou a fitar o chão.
–Itachi, precisamos conversar – Eu disse voltando meus olhos para ele – Preciso de um favor.
Ele assentiu.
–Tudo bem – Ele concordou – Mas teremos que conversar depois, enquanto aquela louca estiver aqui – Apontou para Tayuya – Não sairei de perto do quarto do meu irmão.
Tayuya pegou a bolsa de couro vermelha, pendurando em seu braço, levantou do chão, passando a mão direita no jeans, limpando-o.
–Não se preocupe – Disse ela a Itachi – Estou indo embora.
E sem demorar-se, deu as costas, seguindo para a escada, sumindo de nossas vistas.
Itachi bufou e bagunçou o cabelo levemente. Eu encarava-o completamente confusa, ele pareceu perceber.
–Ela era a minha noiva – Murmurou.
Arqueei as sobrancelhas.
–Ah si... – Fui interrompida.
–Ela tentou matar Sasuke – Prosseguiu.
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