Sheikah
9 Sobre decisões e consequências
POV Impa
Zelda se aproxima de mim cabisbaixa, seu rosto distorcido pela decepção. Uma pequena poça se forma sob seus pés, tendo acabado de sair das águas da fonte da coragem em Faron.
— Não deu certo, Impa — seu tom de voz, desolado.
Por ter completado 13 anos há algumas semanas, Zelda pôde dar início às peregrinações a algumas das fontes sagradas de Hyrule. Com exceção daquela localizada em Lanayru, que só permite visitantes mais velhos e maduros, as fontes de Coragem e Poder — em Faron e Eldin, respectivamente — já podem ser acessadas pela princesa em sua busca para despertar seus poderes.
Zelda passou as últimas quatro horas meditando na pequena lagoa, em concentração máxima. No entanto, aparentemente, seus esforços foram em vão.
— Não tem problema, querida — abro os braços para aconchegá-la. — Foi a primeira visita. Provavelmente levarão algumas tentativas até que você consiga.
Ainda em meu abraço, Zelda dá de ombros, como se não acreditasse muito neste cenário.
— É — diz, simplesmente.
Ela se afasta, mas mantenho meu braço ao redor dos seus ombros enquanto caminhamos para fora da fonte, onde os outros integrantes da nossa comitiva nos aguardam. A atmosfera que nos recebe é de expectativa.
— E aí? — Bo pergunta, ansioso.
Balanço a cabeça em negativa discretamente. Imediatamente o ar se torna denso, preocupado. Link — parte do grupo por exigência do rei — está ligeiramente afastado e encara Zelda curioso, com o cenho franzido; no entanto, não diz nada.
Deen se aproxima de nós e faz um carinho no topo da cabeça de Zelda, bagunçando seu cabelo.
— Fique tranquila, princesa. Se fosse fácil não ia ter graça. Sobre o que os bardos cantariam depois? "E então ela foi na primeira fonte e resolveu todos os problemas na primeira tentativa"? — ele canta, brincando.— Não seria muito épico, seria?
— Acho que não — Zelda ri baixinho.
Olho para Deen, agradecida. Ele abre um sorriso discreto para mim, e eu espelho sua expressão.
Desde o dia em que nos abrimos sobre nossos passados, Deen abandonou os flertes descarados. Agora, quando nos cruzamos pelos corredores do Castelo, ele apenas acena, sorri e segue seu caminho. Durante os treinamentos, ele não tenta mais tocar em mim sob falsos pretextos; também deixou de fazer comentários imorais. A animosidade entre nós se reduziu a pó, sendo substituída por uma estranha camaradagem e entendimento. Além disso, nunca mais o vi acompanhado de outras mulheres ou turistas.
E agora eu me sinto ainda mais tímida e desconcertada em sua presença do que antes.
Quando ele era explícito com suas intenções, eu sabia o que esperar. Sabia como me defender, como me fechar, me proteger. Mas agora ele diz coisas como:
— Aqui, deixa que eu carrego sua bolsa de volta ao acampamento. Está pesada demais — e sorri, gentil.
E eu faço o quê com isso?!
Então eu apenas aceno, sem saber como reagir, entrego minha mochila para ele e caminhamos em silêncio até onde estão nossas barracas e montarias.
— Bom, senhores, se partirmos agora chegaremos ao Posto Avançado logo depois do anoitecer — Deen anuncia enquanto prende minha bolsa em meu cavalo.
Todos aquiescemos e nos preparamos para a jornada rapidamente. Após poucos minutos, estamos a caminho. O Posto Avançado, uma pequena aldeia que fica aos pés de uma grande muralha de pedra, é habitado majoritariamente por soldados Hylians. Posicionado a um terço de nosso trajeto total de volta ao Castelo, será uma de nossas paradas para descanso.
Não estou muito ansiosa para estar lá novamente. Pernoitamos neste vilarejo há duas noites; não posso dizer que consegui descansar efetivamente ali, no entanto. Não fomos recebidos com hostilidade, mas também não houve simpatia.
Os soldados nos encaravam com uma leve antipatia, emanando uma energia pesada que me deixou alerta imediatamente. Em geral, nós seguimos aos cronogramas de Deen sem questionar. Naquela manhã seguinte, porém, eu acordei todos assim que o céu clareou e nos coloquei de volta à estrada com urgência — sob o pretexto de "chegar à Fonte o mais rápido possível".
Por um instante me questiono se, talvez, não foi apenas uma má-interpretação da minha parte. Talvez eu estivesse contaminada com o nervosismo de Zelda naquele dia. Mas, assim que chegamos no Posto Avançado, sou invadida pelo sentimento de malquerença mais uma vez. A atmosfera está densa e — apesar de saber que isso é impossível — até mesmo o ar me parece ligeiramente mais escuro.
Inconscientemente, meus olhos procuram por Deen, que está um pouco à frente nos liderando. Sua postura parece estar um pouco mais rígida do que o normal, e seus ombros, tensos. No entanto, olhando ao redor, vejo que Bo e Nik estão conversando animadamente. Link está estoico — como sempre —, e Zelda parece apenas afundada no próprio sofrimento.
Aumento um pouco a velocidade para parear com Deen.
— Ei — chamo sua atenção, discretamente. Ele volta o olhar na minha direção; seu rosto está sério, os lábios pressionados em uma linha fina. — Será que é uma boa ideia pararmos aqui?
— Por que não seria? Você percebeu algo de estranho? — Deen franze o cenho, tenso.
— Eu… não sei. Deve ser coisa da minha cabeça.
— O que houve, Impa?
Abaixo minha voz ainda mais antes de continuar.
— Parece que não somos bem-vindos aqui. Você não notou os olhares de aversão que os soldados locais dispensaram a nós?
Deen trinca os dentes, o tendão em seu pescoço saltando levemente. E então… aquiesce, muito discretamente.
— Sim. Mas não corremos perigo, pode ficar tranquila. A princesa está segura aqui.
Cerro os olhos, confusa.
— Você notou, então? O que está acontecendo, Deen?
Ele fica em silêncio; apenas o trotar dos cavalos e as vozes distantes de Nik e Bo soam na noite.
Paramos diante da hospedaria onde descansaremos. Desmontamos dos cavalos e, enquanto pegamos nossas bolsas, Deen se aproxima de mim. Quando fala novamente, sua voz é baixa, de modo que apenas eu o ouço:
— Agora não. Me encontre na fonte da praça central depois que todos já estiverem dormindo.
Aquiesço, intrigada.
Pagamos por nossos quartos e eu me dirijo junto à Zelda para o aposento que dividiremos. Já está bem tarde; ela parece exausta e, em pouco tempo, já está mergulhada em um sono profundo, embora inquieto.
Apoio-me no beiral da janela, aguardando até que a cidade esteja menos movimentada. Daqui, é possível enxergar a fonte onde Deen indicou que nos encontrássemos. Poucos soldados ainda caminham pelas ruas, se recolhendo após mais um dia de trabalho. Alguns, ao notar que estão sendo observados, viram o rosto em minha direção. Quando seus olhos se cruzam com os meus, seus rostos se distorcem em desprezo. Chocada, assisto a um deles cuspir no chão.
Fico reticente em deixar Zelda sozinha em meio a tanta animosidade. Deen, no entanto, pareceu muito certo de sua segurança nesse estranho vilarejo. Portanto, após algumas horas, saio do quarto em silêncio — pedindo à Hylia que nada aconteça à princesa.
Caminho rapidamente pelas vias desertas até chegar à fonte na praça central. Deen está sentado nela, me aguardando. Ao me ver, se levanta rapidamente.
— Por que tanto mistério? — minha voz, um sussurro.
Ele não responde: apenas acena para que eu o acompanhe.
Caminhamos em silêncio na direção oeste. Quando estamos na metade do caminho até uma a gigantesca construção elevada de pedra, ele indica para que desviemos para a direita.
— O que é esse… essa… coisa? — questiono, sem palavras para descrever o monumento diante de nós.
— É conhecido como o "Grande Planalto". As lendas sugerem que o reino de Hyrule foi fundado nesta região — Deen explica, sucinto. — Venha, vamos por aqui. Poderemos falar mais tranquilamente na floresta.
Seguimos por entre o mato até chegarmos a uma grande árvore, a vários metros de distância da estrada por onde viemos. Deen se senta aos seus pés e, após alguns segundos de hesitação, eu me sento ao seu lado, virada de maneira que possa observá-lo enquanto falamos.
— Estou preocupada com Zelda. Ela ficou sozinha no quarto.
Deen balança a cabeça e ri, exasperado.
— É mais provável que ela esteja mais segura agora que você não está ali, Impa.
— O que você quer dizer com isso?
Pausando por alguns instantes, ele procura por palavras.
— Você passou a vida inteira em Kakariko. Foi criada entre os nossos — ele declara.
— Entre os nossos…? O povo Sheikah, você quer dizer?
— Exatamente. Quando falamos sobre isso pela última vez, você não conhecia nossa história. Ainda é o caso?
Aquiesço.
— Eu cheguei a procurar por informações nas bibliotecas do Castelo nas tardes em que passei ali com Zelda; não consegui encontrar muita coisa.
Deen revira os olhos, parecendo não estar impressionado.
— Com certeza não haveria registros — ele dá de ombros. — Quem ganha a guerra conta a história, não é mesmo?
— Guerra?
— Assim como o sol e a lua são fundamentais para os ciclos dos dias, a cooperação entre a realeza de Hyrule e os Sheikah sempre foi um pilar da estabilidade e do desenvolvimento do reino.
"Em teoria, nós somos Hylians também. No entanto, somos mais ágeis, sagazes, corajosos. Adquirimos força e mobilidade com mais facilidade do que Hylians comuns, assim como conhecimento. Temos a habilidade de realizar magias e manipular os elementos.
"Não se sabe ao certo o porquê desta distinção. As lendas sugerem que as deusas nos criaram para auxiliarmos, em tempos de paz, na prosperidade do reino; e na sua proteção e segurança, em tempos de guerra — afinal, somos soldados natos. Alguns, céticos, acreditam que a distinção se deva somente ao fato de que documentamos todas as nossas técnicas e descobertas de forma metódica, as repassamos de geração em geração e treinamos os nossos desde muito jovens. E outros… bem, outros acreditam que isso se deve à seleção… ‘natural’."
Um frio percorre a minha espinha ao vê-lo ilustrar o termo "natural" com aspas.
— Como assim, Deen?
— Alguns acreditam que, ao longo de milênios, a realeza expulsava os soldados Sheikah que não atendessem às expectativas.
— "Expulsava" como em…?
Deen apenas passa o dedo sobre a garganta, ilustrando o que realmente acontecia. Meus olhos se arregalam em choque.
— Estes são apenas boatos, claro. Não há registros de que algo assim tenha acontecido: apenas o que foi transmitido no boca-a-boca — ele prossegue. — De qualquer maneira, hoje existe essa distinção entre nós e os Hylians "comuns". Por conta de nossas habilidades, em tempos de guerra, os Sheikah eram conhecidos como "a sombra da realeza". Além de lutarmos nas linhas de frente, também auxiliávamos nas estratégias e na… inteligência.
— "Faremos o que for necessário para garantir a ordem e a estabilidade no reino" — repito minhas palavras daquele primeiro dia, agora entendendo-as com uma dimensão muito maior.
— Exatamente — Deen aquiesce. — Qualquer coisa, incluindo torturas e assassinatos. Nós sujávamos nossas mãos para que as da realeza pudessem permanecer imaculadas.
"Durante muito tempo, este arranjo funcionou bem para ambos os lados. Éramos muito bem pagos pelos nossos serviços, tínhamos influência e uma posição de prestígio na corte real — tudo isso, sem ter que lidar com o povo. Recebíamos grandes patrocínios para pesquisas e desenvolvimento tecnológico.
"Não se sabe ao certo o que houve. Alguns dizem que começamos a desenvolver armas de destruição em massa sem que a realeza soubesse. Eu, particularmente, acho difícil de acreditar: as Bestas Divinas ilustradas nos registros são colossais; seria impossível esconder algo desta escala. Mas, tendo sido o desenvolvimento secreto ou não, quando houve a iminência da Calamidade de 10 mil anos atrás, precisamos compartilhar tudo isso com a família real — afinal, manter a segurança no reino sempre foi nossa prioridade.
"Quando Ganon despertou daquela vez, os Guardiões e as Bestas Divinas foram essenciais para que ele caísse logo no início do ataque. As baixas foram mínimas, e o Herói e a Princesa da época conseguiram resolver o problema sem maiores dificuldades. Nossa tecnologia destruiu qualquer ameaça tão facilmente que não houve nada impedindo seu caminho.
"Foi fácil demais.
"Uma vez baixada a poeira e todos os problemas sanados e distantes, a realeza começou a se preocupar com o tanto de poder que nós, Sheikah, tínhamos em mão. Pela primeira vez na história registrada, não tínhamos apenas o poder de nossos corpos. Poderíamos facilmente subjugar a família real e tomar o poder.
"Mas... não acredito que o faríamos. Como eu já disse, a possibilidade de trabalhar a partir das sombras sempre foi vista como um benefício para os Sheikah. A sede por poder não é intrínseca a nós. A realeza não quis saber, no entanto. Começamos a ser vistos como ameaça, mesmo pelo povo comum. As histórias do que realmente acontecia nos calabouços do Castelo, guardadas a sete-chaves por tantos milênios, de repente viraram boatos comuns nas ruas e vilarejos.
"Começamos a ser presos, acusados de crimes aleatórios. A insatisfação e a revolta começou a crescer entre nós. Então, o líder da tribo e conselheiro real na época, o mestre Maz Koshia, se reuniu com o rei para discutir todos estes infortúnios. A esperança era a de solucionar tudo sem maiores problemas.
"No entanto… Maz Koshia foi condenado por traição e desapareceu. Alguns de nós acreditam que seu corpo está escondido em algum lugar no Grande Planalto. Em seguida, os Sheikah também foram todos condenados por associação. Os com maior poder ou influência foram mortos em praça pública; o restante, exilado.
"Alguns — os mais pacíficos dentre nós — acabaram abdicando completamente da tecnologia e se reuniram em uma área reclusa de Hyrule. Eventualmente, este local se tornou o vilarejo Kakariko. Outros viraram nômades e se espalharam pelos quatro cantos do reino. Por conta das histórias sobre nós espalhadas pela realeza, não fomos aceitos em nenhum outro vilarejo; então passamos a viver em isolamento. Mantivemos a história viva — apesar de ser impossível saber hoje quanto dela ainda é fidedigna."
— É por isso… por isso que os soldados Hylians estão sendo hostis conosco?
— Sim. Mesmo após milhares de anos, nossa fama de traidores e assassinos inescrupulosos ainda nos persegue. Os Hylians não lidaram bem com a decisão do rei de retomar o contato conosco e nos abrir as portas da Cidade do Castelo. Mas, bem, você sabe como o rei Rhoam acredita em todas as histórias e lendas. Ele decidiu que, sem os Sheikah, a batalha contra Ganon já estaria perdida antes mesmo de começar. Então ele ignorou todos os protestos e seguiu com os acordos.
Aceno, sem saber o que dizer diante da história. Aturdida, sinto como se um véu tivesse sido retirado de meus olhos, desnudando a história e levando embora minha inocência. Pondero sobre como o ego e as decisões de meia-dúzia de soberanos podem impactar de tal maneira as vidas de tantas pessoas ao longo de milhares de anos.
E, preocupada, me questiono onde diabos eu estou me enfiando.
. . .
Chegamos de volta à Cidade do Castelo alguns dias depois. O sol já se pôs, e o céu está escurecendo quando nos aproximamos dos portões de entrada da cidade.
É muito comum ver viajantes e turistas entrando e saindo da cidade. Dessa forma, a princípio, não vejo nada de incomum no pequeno grupo de jovens que se aproxima da cidade junto conosco, pouco a frente.
No entanto, como nós estamos à cavalo, e o grupo, a pé, logo os ultrapassamos. E, quando passamos ao lado deles, noto que todos os garotos — a maior parte deles não parece ter nem 15 anos — têm cabelos brancos: são Sheikah. Seus corpos, completamente emaciados. Apesar de seus rostos estarem animados e seus olhos esperançosos, meu estômago se revira em repulsa ao presenciar a cena.
Procuro por Deen, que também estava observando os jovens. Ele vira a cabeça em minha direção, e seus olhos parecem dizer "Viu só?" — suas sobrancelhas levemente erguidas e seus lábios apertados em uma linha fina. Ele dá de ombros e seguimos em frente, para deixar Zelda de volta ao Castelo e reportar os avanços — nenhum — ao rei.
Link, Bo e Nik se despedem de nós e permanecem na cidade, voltando para suas casas.
Nenhuma palavra é trocada no restante do trajeto. Deixamos nossos cavalos na entrada do Castelo e nos dirigimos direto para a sala do trono. O rei está ali, sentado naquela cadeira ridiculamente grande, conversando com algum funcionário. Ao nos ver, ele o dispensa e volta sua atenção para Zelda.
— E então? — pergunta, direto, sem se preocupar em nos cumprimentar.
Zelda não consegue tirar os olhos do chão, apertando suas mãos uma na outra, e apenas acena em negativa. O rei fica em silêncio por alguns instantes.
— Nada? Nem uma mera faísca? — ele pressiona e seu tom é ameaçador.
— Sinto muito, papai — Zelda diz, sua voz quase inaudível. — Eu… eu vou me esforçar mais.
— Você quer dizer que não está se esforçando o suficiente?
Zelda levanta os olhos, assustada.
— Não, eu… eu… — ela tenta se defender, mas não consegue formar uma frase completa.
— Foi só a primeira tentativa, Majestade — Deen intervém; seu tom tão duro quanto o do rei. — É um processo. Existem inúmeras maneiras de alguém conseguir acessar seus poderes. É algo único para cada pessoa e não deve ser apressado. Todos somos testemunhas de que Zelda está se esforçando o máximo possível, testando todos os caminhos possíveis. Ela vai conseguir, eventualmente.
— E se esse eventualmente não for rápido o suficiente? — rebate o rei, sem se deixar abalar.
— Então seria uma tragédia — digo, incapaz de esconder o desprezo em minha voz. — Não acredito que as deusas deixarão chegar a isso. Zelda vai conseguir cumprir seu destino; isso foi profetizado junto com o retorno de Ganon, não foi?
O rei trinca os dentes, claramente descontente com nosso posicionamento. Mas aquiesce, confirmando minha questão.
— Podem se retirar — ordena, simplesmente.
Contrariados, fazemos uma reverência, e saímos sem olhar para trás — com exceção de Zelda, que não consegue evitar olhar seu pai a cada poucos passos.
Caminho com ela de volta a seu quarto, para colocá-la para dormir. Assim que ela está deitada e coberta, me abaixo para dar um beijo em sua testa. Antes que eu possa assoprar as velas do castiçal ao lado da cama, ouço sua voz baixinha me chamando:
— Impa — sua voz treme, insegura. — Você… você acredita mesmo que eu vou conseguir cumprir meu destino?
Seus olhos verdes arregalados me prendem, desesperados, exigindo uma resposta.
Honestamente? Não faço ideia.
Mas me forço a sorrir e digo:
— Eu tenho certeza, querida. Você é capaz de qualquer coisa.
Uma lágrima escorre por sua bochecha.
— Mamãe dizia a mesma coisa — ela admite, envergonhada, limpando o rosto.
— Viu só? E ela era muito sábia, não era? — sorrio, tentando animá-la.
Zelda balança a cabeça, concordando, feliz.
— Ela era muito inteligente. Muito mesmo.
— Então! No tempo certo tudo vai se ajeitar, Zelda. Continue se esforçando e logo você colherá os frutos. Agora durma. Cansada você não vai conseguir nada — provoco.
Ela ri e fecha os olhos. Apago as velas e me encaminho para a porta. Quando estendo a mão para a maçaneta, Zelda diz, ainda de olhos fechados:
— Obrigada, Impa. Antes de você aparecer eu estava quase desistindo… você… você me salvou. Obrigada.
Balanço a cabeça, mesmo sabendo que ela não pode me ver. Sinto como se uma mão apertasse minha garganta e meus olhos queimam.
— É um prazer, querida.
Saio do quarto e fecho a porta atrás de mim.
— Quer ir beber alguma coisa? — me sobressalto ao ouvir a voz de Deen, que estava encostado na parede ao lado da porta; me aguardando, aparentemente.
Espero alguns segundos para meu coração e respiração voltarem ao normal depois do susto. Então respondo, exausta:
— Por favor.
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