Sheikah
21 Epílogo - Doutor Gostosão
3 anos depois
POV Paya
Minha pele arde levemente com o sol quente que me banha. O som das ondas quebrando na areia ritmicamente reduz a velocidade dos meus pensamentos, e a brisa que sopra de tempos em tempos contrasta com o queimar da luz do dia de uma maneira agradável.
Marin tinha razão: Koholint realmente é um pequeno paraíso.
Pena que é tão longe de Hyrule.
Mas não por muito mais tempo.
Deitada na areia e mais relaxada do que eu imaginava ser possível uma pessoa ficar, me permito afundar em gratidão pela oportunidade de estar aqui. Minha mente vaga, relembrando os últimos anos e os caminhos que me trouxeram até essa situação.
Depois do casamento e coroação de Link e Zelda, todos retornamos para nossos respectivos vilarejos e rotinas. Vovó e Deen foram para Hateno, para que Purah pudesse usar a runa anti-envelhecimento nela.
— Por que você nunca deixou ela fazer isso antes? — questionei na época, curiosa.
— Me parecia antinatural — vovó deu de ombros. — Ainda parece, na verdade. Mas as deusas me deram uma segunda chance de estar com Deen… e eu não quero desperdiçar. Ele abdicou de tanta coisa por mim… me parece equilibrado fazer o grande sacrifício de ficar jovem mais uma vez — ela riu, irônica.
Se eu soubesse as consequências do grande sacrifício, talvez eu tivesse me oposto ao plano.
Porque se eu já achava estranho Purah ser apenas poucos anos mais velha do que eu fisicamente, eu não tinha ideia de como seria ter uma avó ainda mais jovem, com 23 ou 24 anos.
E com uma libido de adolescente.
Tentando colocar em dia cem anos de saudade e desejo atrasado.
— Eu não aguento mais, Tauro — confessei poucas semanas depois, em pânico. — É todo dia, com frequência mais de uma vez por dia. Eu preciso sair de lá, eu preciso dormir.
Tauro gargalhou, rindo do absurdo da situação.
Àquela altura, nem nós tínhamos consumado o relacionamento daquela maneira ainda. Não houvera oportunidade nem espaço para isso a princípio, e depois eu só estava traumatizada com os desenvolvimentos do relacionamento deles.
— Eu tenho uma ideia — ele sugeriu. — Você já conversou com sua avó sobre como vai ficar a liderança dos Sheikah agora?
— NÃO TEVE COMO, TAURO. Eu mal consigo olhar na cara dela!
— Acho que o que vou dizer vai te motivar a procurá-la. Estive com Zelda e Link há alguns dias. Zelda gostaria de estreitar a relação de Hyrule com os outros reinos e vilarejos distantes que Link e eu conhecemos durante nossos anos de viagem. Ela ainda vai levar o projeto ao Conselho, mas me ofereceu o cargo de Diplomata — já que eu tenho facilidade em construir pontes com outras pessoas.
— Você vai deixar Hyrule? — minha garganta se fechou com a ansiedade.
— Calma, deixa eu terminar — ele riu. — Sua avó tinha te oferecido a chance de abdicar do cargo de líder Sheikah. E, bem, agora ela é jovem de novo… tenho certeza de que poderia retomar a posição sem maiores problemas — quando ela conseguir voltar a focar em outros assuntos fora… bem, você entendeu. E você disse que estava em dúvida entre abdicar ou não porque ama a cultura Sheikah. Então eu tive uma ideia.
Inclino a cabeça, intrigada com sua linha de raciocínio.
— Talvez vocês pudessem dividir as funções? — ele sugere. — Acho que ela não tem planos de deixar Kakariko. Impa poderia retomar a posição administrativa e de conselheira do vilarejo. E você poderia assumir tarefas diplomáticas, assim como eu. Levando a cultura Sheikah para novas terras… mantendo sua história viva. E, de quebra, poderíamos viajar juntos.
Ele me encarou, os olhos brilhando com expectativa.
Meu coração se acelerou com a possibilidade, uma energia gostosa correndo pelo meu corpo ao simples pensamento de poder experienciar isso.
— Será que ela concordaria? — perguntei, mal conseguindo conter minha animação.
— Não vejo por que não! — ele concluiu sorrindo. Então seu olhar ficou mais intenso e ele completou, sua voz subitamente mais pesada: — E eu adoraria passar um tempo a sós com você, senhorita Paya.
Se eu tinha alguma reticência em falar com vovó sobre a ideia, naquele momento a decisão foi tomada.
Tauro tinha razão. Vovó não só concordou com a sugestão, como se emocionou com a perspectiva de a cultura Sheikah se espalhar para terras além de Hyrule. O Conselho aprovou o projeto, e Tauro e eu começamos nossas expedições para terras distantes.
E fico feliz em dizer que vovó estava errada sobre Tauro.
Ele é gentil, sim. Mas sabe exatamente quando e como não ser gentil. E definitivamente sabe usar cada um dos músculos daquele corpo. E, por Hylia, as palavras.
Não é somente em situações sociais e diplomáticas que ele sabe precisamente o que dizer.
Rapidamente, eu entendi o desespero que acometeu vovó e Deen — ainda é estranho pensar nele como meu avô; ele não parece se incomodar com a falta do título, no entanto — após o reencontro. Nas primeiras semanas de viagem em missão, Tauro e eu fomos bem improdutivos em relação aos deveres reais.
O grande projeto de Purah de criar dispositivos para facilitar a comunicação entre as pessoas tem tomado cada vez mais forma. Não é incomum ver pessoas com versões menores e simplificadas do Purah Pad em Hyrule. Uma vez popularizado nas terras do reino, ela se tornou ambiciosa e quis expandir a cobertura das Torres de transmissão, aumentando seu alcance.
Então, no último ano, Tauro e eu temos visitado diferentes vilarejos e reinos para oferecer a construção das Torres e iniciar o comércio dos Purah Pads.
Apesar de a função de Teletransporte não ter sido incluída nos pequenos dispositivos aos quais o povo tem acesso, dada a energia que ela consome, as Torres ainda têm essa função. E passaram a funcionar como estações de viagem — principalmente para as terras além de Hyrule.
Foi assim que chegamos em Koholint há algumas semanas.
A ilha é um dos pontos mais remotos que já visitamos. Vindo diretamente para ela, da maneira tradicional, são quase seis meses de viagem partindo de Hyrule.
Agora, com a construção da Torre aqui quase finalizada, serão segundos de distância. O comércio local está muito animado com a perspectiva de uma clientela maior e mais frequente.
Tauro passou a manhã de hoje vistoriando as obras, que devem ser finalizadas nos próximos dias. Eu decidi tirar o dia de folga. Sabendo que iremos retornar em breve — provavelmente estreando a Torre — resolvi me permitir aproveitar um dia na praia, sem fazer nada.
Mas só passei protetor solar quando cheguei — esqueci de reaplicá-lo ao longo da manhã; então não me surpreendo ao ouvir Tauro resmungar, preocupado:
— Você está toda vermelha, Paya! Ficou a manhã inteira aqui? — abro os olhos e me apoio nos cotovelos, ficando meio sentada, enquanto ele agacha ao meu lado.
Balanço a cabeça sorrindo, sem arrependimento nenhum. Em pouco tempo eu aprendi que amo praias, e não perco a oportunidade de me indulgenciar em banhos de sol sempre que é possível.
— Isso vai arder mais tarde — ele pontua.
Olho para meu corpo, que está levemente rosado — não vermelho como ele colocou. Encosto em minha coxa, testando a hipótese, e sinto apenas uma leve sensibilidade a mais — e não o prenúncio de um ardor exacerbado.
— Acho que eu tenho algum bálsamo de aloe vera no chalé… — ele conversa sozinho. — Talvez, se você passar agora, seja possível evitar que…
Colo meus lábios nos seus, interrompendo sua sentença.
Tauro se distrai facilmente, então logo seus dedos estão enroscados em meu cabelo, me puxando para mais perto.
Me afasto apenas para dizer, provocando-o:
— Talvez você devesse passá-lo em mim — digo, encarando seus olhos castanhos. E fico satisfeita ao sentir suas mãos se fechando sobre mim com mais força quando completo, com a voz carregada daquele tom imoral que eu sei que ele adora: — …doutor Gostosão.
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