She'd Fly
21 Capítulo 20 — Preparação e ilusão.
Notas iniciais
Março de 2009.
Bella.
Eu me acordei repentinamente do meu sono pesado quando a porta do meu quarto foi aberta com tanta força e impetuosidade que acabou batendo na parede. Eu, sem dúvidas alguma, reclamaria com a pessoa desesperada já que eu adorava o meu papel de parede de ondas claras que se embolavam uma nas outras… Costumava achar semelhanças entre elas e os meus pensamentos por vezes.
Acabei abrindo um sorriso quando o corpo pequeno jogou-se em meus braços antes mesmo de eu conseguir me levantar completamente da cama. Era Henry e ele tinha um sorriso infantil e feliz em meus braços como sempre tinha quando decidia que sete horas da manhã não era cedo demais para me acordar. E não seria mesmo se eu tivesse apenas a felicidade de sentir seus bracinhos pequenos envolvendo-se ao redor de meu pescoço no aperto mais forte que ele poderia dar.
Afundei meu rosto em seu cabelo acobreado e inspirei profundamente o cheiro do perfume que eu sempre passava nele quando íamos dormir. Ele insistia que podia dormir em seu quarto já que era um rapaz e um rapaz que se prezasse dormia com a sua mãe. Já era crescido o bastante para não ter medo de escuro, mas, se por um acaso houvesse trovões, ele viria correndo para o meu quarto. Era o que ele dizia.
— Bom dia, meu amor. Como você dormiu? — Indaguei, pegando-o em meus braços e o puxando para a cama junto comigo.
— Bem, mamãe. E a senhora?
— Não dormi com os anjos porque você não estava aqui, meu anjinho. — Respondi e ele sorriu, as bochechas e orelhas começando a ficarem vermelhas.
Henry corava com uma facilidade adorável e os olhos verdes dele sempre eram expressivos e astutos. Para um garotinho de três anos, ele era mais esperto do que qualquer um que eu já tivesse visto por aí. E eu o amava, o amava com todas as forças que existiam dentro de mim. Até cheguei a duvidar que mães sentissem por seus filhos um amor tão intenso quanto eu sentia pelo meu. Era como se ele fosse um pequeno sol e eu girasse ao redor dele, o adorando.
Eu me deixei cair na cama mais uma vez, segurando-o firme contra a lateral de meu peito.
— O que houve com o seu cabelo? — Perguntei jocosamente. — Está parecendo um ninho de passarinhos!
Ele riu alegre e altamente. Eu amava quando ele ria daquele jeito, esbanjando saúde e felicidade. Meu filho era feliz mesmo sua família sendo apenas eu — uma coisa a qual eu tive muito medo de não acontecer pela falta de uma figura masculina dentro da casa. Mas quem se importava com isso? Ele demonstrava ser feliz como nenhum outro garoto era.
Henry levantou o rostinho capcioso e sorridente para mim e eu me inclinei para beijar a sua testa macia e branca. O rosto dele era anguloso com um nariz pequeno e queixo levemente redondo por causa de sua pouca idade, lábios rosados e vermelhos que protegiam dentes pequenos e brancos. Ele parecia bastante com Edward, mas eu evitava pensar sobre isso. Edward que se ferrasse, Henry era meu.
E apenas.
— Podemos assistir O Rei Leão, mamãe? Por favoooor.
Eu sorri em sua direção. Havia alguma coisa que eu conseguia negar a ele? Claro que não. E tinha também o modo como ele pressionava os olhos verdes azulados em minha direção, a testa franzida. Aquela expressão era irresistível e me fazia ter vontade de encher o seu rosto com beijos e repetir que eu o amava umas mil vezes.
Era irracional até, o amor maternal. Nunca pensei que sentiria algo tão… devoto.
— Mas já assistimos ontem. — Reclamei.
— Sim, e o que é que tem assistir hoje de novo, mamãe? Por fa…
— Certo, certo, certo. — Eu o interrompi e me levantei, levando-o junto comigo em meus braços.
Apesar de dar uma de rapaz, Henry havia herdado a minha preguiça, adorava ser carregado nos braços por dentro de casa e eu adorava simplesmente pegá-lo em meus braços. Ele não era muito pesado e a sensação de tê-lo tão junto de mim era reconfortante, lembrava-me do modo como eu envolvia meus braços ao redor de Edward outrora.
Eu sentia falta de Edward como o inferno, sentia falta dele toda vez que eu tinha algum tempo livre e sentia falta dele sempre que via os olhos de Henry me fitar com expectativa e sua inseparável astúcia. Às vezes tudo que eu queria era ligar para ele e implorar para que ele voltasse porque estava difícil sem ele por perto. O meu orgulho passava por cima de todas essas vontades, mas, infelizmente, não era o suficiente para acabar com elas.
Eu estava bem sozinha. Eu tinha a Henry, eu era a privilegiada.
— O que tem para o café da manhã? — Ele perguntou, entrando na cozinha, coçando os olhos.
Henry ainda vestia sua roupa de dormir cheia de animais coloridos e amigáveis, os cabelos estavam só mais um pouco controlados, os cachos acobreados macios e soltos se aquietando, por fim. Quando ele ergueu os bracinhos levemente gordos e curtos, o peguei em meus próprios braços, beijei a sua testa e o coloquei em cima do balcão.
— Eu adoraria comer panquecas de chocolate. — Ele disse.
Eu sorri.
— Só porque é sexta. — Beijei-lhe a bochecha com afeição.
Minhas bochechas estavam molhadas de lágrimas quando eu percebi que aquilo era um sonho super-realista. De repente, tive medo de me afogar nelas tamanho era o fluxo desesperado que elas saíam de meus olhos. Não tentei me deter, no entanto, eu ficaria contente em ser agraciada com a morte. E eu ainda conseguia sentir o corpo pequeno e quente de Henry no círculo de meus braços, abraçando-me de volta e beijando-me a bochecha.
Afundei meu rosto no travesseiro, percebendo que aquilo nunca poderia ser verdade. Era bom demais para Isabella Swan merecer tal coisa. Henry era tão real e a vozinha dele em meu ouvido chamando-me de mamãe estava tatuada em minha mente para sempre… Eu ansiava tanto que aquilo virasse realidade.
Eu sabia que o meu choro estava para lá de descontrolado, mas sabia também que Renée ainda não sonhava sequer em acordar e fazia um tempo que eu estava me controlando perto dela. Minha mãe nunca soube de meu bebê perdido e, se fosse por mim, nunca saberia. Aquela informação só a faria ficar mais perturbada e eu já tinha muita coisa para lidar ultimamente, outro surto de Renée não seria fácil de controlar.
Já bastava os meus.
Enquanto chorava desesperadamente com o rosto enterrado em um travesseiro, perguntei-me por que eu nunca era forte o bastante para deixar as pessoas que eu amava perto de mim. Mesmo só tendo ficado dois meses com ele, eu amava Henry — eu sabia que seria um menino — com todas as poucas forças que eu ainda tinha. Eu o amava o bastante para conseguir enfrentar tudo por ele e com ele.
Percebi, naquela hora, que era extremamente fácil se render a depressão. Era atrativo parar de resistir por tanto tempo e se forçar a ser forte. Eu somente deveria… parar de lutar contra a sensação esmagadora de tristeza que eu sentia. Era mais fácil e eu apenas pouparia Alice de tanta preocupação.
Alice cuidava de mim e de Renée ao mesmo tempo já que eu não estava com vontade de sequer me levantar da cama. Era demais para mim, aquilo era demais para mim, eu repetia várias vezes, o rosto manchado de lágrimas que pareciam não cessar nem por piedade.
Pela primeira vez em minha vida, eu me vi sem perspectiva alguma de melhora porque eu não queria melhorar. Eu queria morrer. Queria tanto que, se Alice ou Esme me deixassem sozinha por alguns segundos, correria até a cozinha e pegaria qualquer coisa que serviria para tirar a vida esdrúxula que eu estava vivendo. Estava tão cansada disso tudo… eu nunca conseguiria me acostumar com aquela dor.
Eu não tinha coragem. Já cheguei a tentar cortar os meus pulsos de madrugada, quando não tinha ninguém me vendo ou escutando. Tinha medo da dor e do que eu encontraria do outro lado… tinha medo do que aconteceria com Renée se ela também perdesse uma filha.
— Bella? — Alice bateu na porta e logo em seguida a adentrou sem muitas delongas. — Bella! — Ela exclamou.
Eu detestava ter de depender de alguém, eu detestava fazer alguém ficar preocupado comigo, mas eu não conseguia simplesmente me reerguer depois de ter perdido o meu bebê. Eu não conseguia, nunca conseguiria! A sensação de perda era intensa demais, ela me sufocava e gritava em minha mente que eu havia perdido o meu bebê. Era quase como se eu o tivesse matado com as minhas próprias mãos.
— Ah, Bella… — Ela sussurrou e se sentou na beirada da minha cama, tocando a minha nuca.
— Me deixe. — Eu teria gritado se tivesse fôlego o bastante.
— Bella, meu amor. — Sua voz estava paciente e seu tom era baixo e amoroso. — Faz um dia inteiro que você está aí, e eu sei que está frio, mas certamente ainda precisamos tomar banho.
— Eu não quero sair daqui. — Chorei. — Eu não quero.
— Você sabe que Edward gostaria que você fizesse isso. — Pela sua voz, eu podia perceber que ela estava à beira das lágrimas também.
Edward.
Aquilo foi demais para mim.
— O Edward que se ferre! — Eu gritei e levantei-me tão rápido que fiquei tonta ao sentar-me na cama. — O Edward… — Mais lágrimas caíram por minhas bochechas. — Não me importa mais! Aquele crápula.
Ela sabia que eu estava mentindo, mas não me falou nada, apenas me olhou com os olhos verdes marejados e me puxou para os seus braços magros que eram menores que os meus. Poderia ser uma visão cômica para quem ainda estivesse com disposição para rir. Eu, ao contrário, não estava. Tudo que eu queria fazer era chorar até ficar inconsciente… a inconsciência era mais acolhedora que a realidade em que eu vivia.
— Bella. — Alice rogou. — Eu não aguento te ver assim.
— Eu não aguento estar assim. — Sussurrei, e minhas palavras saíram abafadas por seu ombro magro.
— Renée precisa de você, Bella. Eu preciso de você. Você se lembra daquela Bella que esbanjava felicidade por aí e era mais saltitante que eu? É dessa que eu preciso. — Ela passou a mão por meu cabelo bagunçado em uma carícia reconfortante. — Eu sei que você é forte o suficiente para superar isso… Ed… Esme me disse que você não chorava quando caía e ralava os joelhos.
— Dói mais que ralar os joelhos. — Chorei com os soluços reverberando o meu corpo tão fortemente que eu tinha que abrir os meus lábios para conseguir respirar. Como um peixe fora d’água.
— Eu sei que sim.Quando eu perdi os meus pais, me lembro de que odiava a ideia de que eu tinha sobrevivido ao acidente de avião e eles, não. Mas, sabe, com tantas outras histórias terríveis que encontrei no Orfanato, percebi que a minha era só mais uma entre elas. É verdade que eu sentia falta de meus pais todos os dias, mas… — Eu a escutei engolir em seco. — Fica mais fácil com o tempo…
Eu balancei o meu rosto molhado de um lado para o outro, negando.
— Fica, sim. — Ela teimou. — E, além do mais, Dean não aceita sair para passear comigo. Ele só aceita você, nunca vi cachorrinho mais petulante. — Reclamou.
Dean estava velho, a Veterinária disse que quando o encontramos, ele estava com bons quatro anos e estava fraco. Mas, quando me viu sair do quarto, já de banho tomado e cabelo controlado, pulou em cima de mim como se estivesse vendo a sua pessoa favorita na terra. No entanto, a pessoa favorita dele era Edward, eu sabia disso porque, quando o via, pulava em cima dele e ficava por perto o máximo que podia.
Eu me abaixei perto dele, usando minhas duas mãos para acariciar as suas costas e a cabecinha dele que se inclinava para perto de mim e lambia o meu rosto enquanto eu me afastava e sorria com a sua empolgação. Ele sempre foi a melhor forma de me convencer a sair de casa ou até mesmo a soltar um sorriso. As coisas eram tão fáceis com Dean…
— Oi, garotão. — Cumprimentei. — Como vai você, hein? — Beijei a parte de cima de sua cabeça e o puxei para os meus braços, abraçando-o. — Senti sua falta.
— Ele certamente sentiu mais. — Alice murmurou.
Minha mãe não havia notado diferença alguma no meu comportamento durante esses dias, ela sequer notou o quanto eu parecia enjoada ou o meu estômago que já tinha crescido minimamente quando eu perdi o bebê. Normalmente, eu só chorava dentro do quarto. Até pensei que a minha displicência fosse chamar a atenção dela, mas, não, ela não notou e eu sabia que os seus maus tempos tinham voltado.
Apesar de se alimentar e sorrir de vez em quando para mim, eu tinha certeza de que ela não se sentia bem. Alice cuidou daquilo por mim na semana em que eu passei trancada em meu quarto, chorando como se a minha vida — ou morte — dependesse daquilo.
— Mas eu pensei que o Edward viesse lhe acompanhar para sair com Dean. — Renée disse, franzindo o cenho quando eu passei pela cozinha.
Eu parei e suspirei com pesar.
— Mãe, o Edward está na Califórnia. — Eu lembrei a ela, tentando fazer minha voz soar composta e neutra quando, na verdade, eu estava desabando por dentro.
— Ah… — Ela parecia confusa. — é mesmo! Eu tinha me esquecido.
Não era a primeira vez que aquilo acontecia e mesmo assim eu nunca me acostumava com os golpes de dor. Ela já havia demonstrado essa perda temporária de memória sempre que estava triste, houve uma vez que ela disse que Charlie estava nos chamando para assistir a um jogo do Chelsea e já estava indo preparar a pipoca com bastante sal — como nós gostávamos. Naquele dia, fazia três anos que meu pai tinha morrido.
— Eu e Dean somos uma companhia melhor que Edward, aquele bundão! — Alice contornou a situação, jogando um braço por meu ombro.
O dia não estava para lá de muito ensolarado quando eu saí com Dean e Alice pela calçada, rumando até o parque que tinha ali perto. As nuvens estavam escuras e pareciam prestes a derramar uma chuva intensa e infindável. Eu não pude deixar de perceber o quanto aquilo se parecia comigo. Eu também estava tão cheia quanto aquelas nuvens, aguentando só mais um pouco para desabar depois.
Dean, no entanto, não parecia daquele jeito. Todos os dias em que eu o havia negligenciado e o deixado trancado em casa só serviram para que ele estivesse com mais ímpeto, forçando-me a correr junto com ele na direção que ele queria. Embora estivesse com uma coleira, era ele quem dizia o caminho. Eu e Alice — que carregava os famosos saquinhos — só nos deixávamos levar por ele.
— O que eu não faço por você, hein? — Alice disse quando Dean decidiu fazer uso dos sacos.
Foi um bom passeio, mas eu não conseguia me abstrair de Henry. Eu o queria junto de mim, queria abraçá-lo e olhar para o seu cabelo acobreado e olhos do mais incrível tom de verde azulado, quase como uma piscina. E aquela sensação de anseio piorava quando eu via as crianças no parque, correndo de um lado para o outro e seus pais os chamando, dizendo para serem mais cuidadosos porque, oh, ali tinha uma pedra!
Eu estava tão cansada de querer e não poder ter.
Em meu bolso, o meu celular tocou e eu quase exclamei, esperançosa, que era um milagre divino Edward estar ligando para mim. Mas não era o nome dele que piscava no visor. Era o de sua mãe juntamente com a foto que ela tinha tirado para colocar em seu contato.
— Esme. — Cumprimentei.
— Bella, minha querida! Eu estava me perguntando se você não queria passar uma manhã e tarde aqui comigo. Essa casa está tão vazia que posso escutar os fantasmas zunindo de um lado para o outro. — Ela disparou.
Eu sorri, olhando para os meus pés que pisavam na grama verde do parque.
— É claro! Talvez eu leve minha mãe também…
— Ótimo! Estou lhe esperando, sim?
— Certo.
Depois que seu filho decidiu ir para a Califórnia, Esme tinha se sentido no direito de cuidar de todos os danos que eu talvez pudesse assumir. No início eu achei realmente uma bobagem porque eu não estava danificada, estava bem e saudável, só com um pouco de saudades, mas ficaria bem. Foi depois que descobrir estar grávida que notei que o seu zelo era um pouco mais coerente, no entanto, teimosamente, sempre fazia questão de me manter longe. Os olhos dela, os cabelos acobreados.… tudo havia sido herdado por ele.
Esme juntamente com Alice insistiram para que eu telefonasse para Edward e dissesse que ele iria ser papai, mas eu estava decidida: Ele voltaria se quisesse, eu não o coagiria com um bebê a voltar. Edward já era grandinho demais para fazer suas próprias escolhas e eu era… Eu era tudo que o meu filho precisava.
Carlisle, por outro lado, apoiou a minha decisão em não o falar nada. Ele era o único que se conformava com a ida de seu filho para a Califórnia e, apesar de tudo, o conhecia melhor. Sabia que Edward foi porque era o seu desejo, voltaria se assim também quisesse. Simplesmente. Quando ele se colocou a meu favor, percebi que, fora as traições e as violações que outrora ele causara a Esme, nunca soube bem o porquê de ele receber tanto ódio de Edward.
Eu andei com Alice até a minha antiga escola e a deixei lá com Dean ao meu lado.
— Me espere chegar para ir embora, sim?
Eu assenti e ela me abraçou, seus braços me apertando com tanta força que o ar pareceu fugir de meus pulmões.
— Você vai ficar bem, Bella, sei que vai.
Quis dizer que talvez ela estivesse me superestimando, quis dizer que eu nunca ficaria completamente bem, uma vez que existia uma coisa chamada memória e ela serve para acabar com a pessoa. Não disse nada disso, apenas sorri e observei-a entrar pelo portão quando eram exatas sete e cinquenta de uma manhã cinzenta e fria.
Para me aquecer, voltei correndo para casa junto com Dean que estava a todo vapor ao meu lado, puxando a coleira para me incentivar a correr mais rápido. A sensação do vento se chocando contra o meu rosto e empurrando os meus cabelos para trás me trouxe uma sensação opressiva de nostalgia.
No último dia de Edward em Seattle eu me recusei a ir a casa dele, deprimida demais para fazer algo sem ser correr e tentar reprimir minhas lágrimas de ressentimento e saudades prévias. Ele foi atrás de mim e sabia exatamente onde eu estava já que eu normalmente corria quando estava chateada ou triste. Não demorou a me encontrar — o que me chateou mais ainda, eu detestava o quanto ele me conhecia.
— Bella. — Ele disse ofegante, sendo puxado por Dean que agia como se estivéssemos brincando de pega-pega. — Espere, Bella, por favor!
Mesmo sabendo que eu conseguia correr mil vezes mais rápido que Edward em seu melhor dia, eu parei, apoiando as minhas mãos nos meus joelhos e ofegando para tentar respirar com regularidade. Eu estava tão frustrada que mal consegui me virar e dar de cara com o rosto adoravelmente suado e corado de Edward.
— O que você quer? — Gritei.
— Eu quero te pedir uma coisa. — Ele disse calmamente.
Naquela hora, eu tive esperanças que ele dissesse algo como “Espere por mim” ou até mesmo “Vá me ver lá na Califórnia” ou qualquer outra droga de frase bonitinha que me serviria de consolo. Mas, não, ele fez minhas esperanças irem de cara à parede, rápido o bastante para que doesse mais que o necessário.
Não houvera sequer um pingo de hesitação em sua maldita voz rouca e ofegante:
— Preciso que tome conta de Dean.
— Tomar conta de Dean? — Eu estava chocada com o pedido. Não por causa de Dean e sim porque esperava algo que me fizesse suspirar de amores por ele novamente.
— Sim. Não posso levá-lo no avião, nem pensei nisso, na verdade… E mesmo assim ele ficaria sozinho o tempo todo em minha casa. E, além do mais, Dean está velho… não sei se aguentaria a viagem. — Ele disparou a falar, procurando meus olhos que fugiam veemente dos seus.
Frustrada e chorosa. Era como eu me sentia.
— Alice não tem paciência e ela estuda… Esme também não tem paciência com ele, então só me resta você.
— É bom saber que eu sou o resto.
— Bella — Ele usou a mão livre para tocar o meu rosto, afastando uma mecha de meu cabelo para o lado. —, não faça assim. Você sabe que não é assim, meu amor.
— Não me chame de “Meu amor” quando você está prestes a ir embora! — Esbravejei, afastando a sua mão de perto de mim.
Ele suspirou e, pela primeira vez em muito tempo, o vi realmente raivoso comigo.
— Eu estou cansado de aguentar os seus chiliques, Isabella!
— Aposto que é por isso que está indo embora! — Arranquei a coleira de Dean da mão dele e corri de volta para a minha casa.
Edward não me seguiu. Sequer tentou. A percepção acabou com todo o esforço mental que eu exercia para tentar prender as lágrimas.
Ele voltou mais tarde, mas as palavras que ele me falou não me eram esperançosas e não me passavam conforto algum, era apenas um remédio simples para uma ferida grave demais. E, mesmo assim, percebi que era impossível seguir em frente com rapidez quando o amava tanto daquele jeito.
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