Notas iniciais
Final nada clichê.... nada de spoilers por aq... Leiam...

08:26 Pov Adan

Acordo, e pela primeira vez em muito tempo, dormi muito bem. A primeira coisa em que penso é na lista, e em Luce, será que ela está empolgada para fazer a lista? Mas espera um pouco. Eu não dormi em casa? Aonde eu estou? Aqui parece um hospital! o que será que aconteceu? Eu me lembro de deixar a Luce em seu apartamento e vir direto para casa.

O quarto é todo branco, a cama, o criado-mudo dos dois lados da cama, as cortinas ao meu lado esquerdo, as paredes, tudo.

Eu odeio e sempre odiarei quartos de hospitais, como tudo é sem graça, o clima desagradável de ver as enfermeiras, de receber visitas e elas ficam com pena de você por estar ali, como você pensa que vai morrer se não tomar os remédios, o cheiro da lanchonete e como você tem que ser obrigado a comer a gororoba que é a comida de hospital, o soro em você, o medidor de pressão, o bip-bip da máquina que diz se você está vivo ou não. Eu odeio tudo isso. Mas a grande pergunta é: Por que eu estou aqui?

Uma enfermeira entra e me olha assustada.

–Já está acordado! O sedativo não vez muito efeito...-ela abre a porta e chama outra enfermeira.- veja, será que ele ainda está... daquele jeito?

Que jeito? Sedativo? Mas o que eu fiz?

A mais gordinha das duas enfermeiras, a que entrou depois, se senta na minha cama e pergunta suavemente:

–O senhor está melhor?

–Por que eu estou aqui!-grito, sem pensar-me digam!

–Acho melhor o senhor abaixar seu tom de voz, caso não queira ganhar outro sedativo.- Ela estava calma, parecia que não mudaria de humor tão fácil.

A outra enfermeira se aproxima.

–O senhor não lembra? Do que fez, do que disse?

–O que? Digam!

A enfermeira calma diz:

–O senhor teve um ataque de pânico ontem a tarde, com os outros pacientes, você dizia que estavam assaltando uma farmácia, e falava com uma garota, quero dizer parecia que falava com alguém... Eu não me lembro do nome dela...

–Luce -a outra enfermeira disse.

–Isso. Luce liguem para ela, o numero dela é...

–Os pacientes não podem fazer ligações, só para os pais.

–Isso! Liguem para minha mãe. Ela vai me tirar daqui. Está ocorrendo um grande engano aqui. Eu não fiz nada.

–Eu não posso ligar para sua mãe vir tirar você daqui, já que foi ela quem te internou aqui.

–Mas por que diabos ela faria isso? Por que EXATAMENTE eu estou aqui?

–Você é...

–Não diga assim, tão diretamente...

–Mas se eu disser de outra maneira ele não vai entender.

–Não sei se é uma boa ideia, e se ele ter uma ataque como da ultima vez?

–DIGAM!

–Adan, você tem um transtorno mental complexo, você vê, ouve, sente, coisas que não... existem.

–Você é esquizofrênico!

–Não diga assim!

–Já disse, e digo mais, seus remédios não estam fazendo efeito. Essa Luce que você diz, é só invenção da sua cabeça.

–Onde você se formou em enfermagem? Você é péssima tratando pacientes!

–Vocês estam me dizendo que eu inventei tudo!

–Você, sua mente, seu cérebro! Não é sua culpa.

Então tudo isso, foi mentira? Luce, o ônibus, o gazebo, as jogadas de mentira, a casa na árvove? Tudo! Foi ilusão! Como? Foi tudo tão real! Não é possível!

Me levanto da cama.

–Eu tenho que ir embora!

–O senhor não vai a lugar algum. Maria, pegue o sedativo!

–Não, eu tenho que ir embora-ela me segura, até que é bem fortinha.-me solta!

Eu empurrava ela para frente e ela me empurrava para trás. Até que a outra enfermeira chega e me seda.

Eu não posso ficar aqui! Não suporto.

Junto todas as minhas forças e bato a cabeça na quina do criado-mudo.

Chega! Eu não posso ficar mais aqui. Se é que você me entende. Pelo menos eu queria ver minha alucinação uma outra vez, Luce.

Todos os esforços para me fazer voltar são falhos. Eu não quero voltar. Sou eu que decido o que fazer com a minha vida.

Luce, you possessed my heart. No, you possessed my mind.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!