She will be Loved
3 Intro ...
~ Destruído: Adjetivo. Abatido, aniquilado e arruinado. ~
Poucas coisas são capazes de causar tamanha dor em um ser humano quanto um coração partido. Eu desconhecia a sensação até segundos atrás. Ela não precisara dizer o nome, eu sabia exatamente de quem ela estava falando – e então foi a minha vez de ter os olhos rasos d’água.
Sai de dentro d’ela, as mãos tapando o rosto e o corpo tremendo por inteiro – não por um orgasmo ou por excitação, mas por tristeza, por mais dor, mais perdas. Mas merda, eu podia ouvi-la rindo dizer que tudo ficaria bem, inúmeras vezes, eu era capaz de sentir seu cheiro fresco de primavera e de tatear em busca dela em todas as direções, sem sucesso. Ela não estava ali, não estaria mais ali – ela jamais voltaria para os meus braços, para o meu aconchego e minha proteção. Não formaríamos uma família, e nem teríamos catarrentos de cabelos negros e olhos acinzentados correndo pela mansão, não teríamos brigas por ciúmes e não mais avançaríamos um no outro. Não haveriam mais tapas ou lágrimas, não haveriam mais orgasmos carregados de risada e sossego – seguidos de uma noite bem dormida no dormitório dos monitores com ela em meus braços. Nada, absolutamente nada naquele mundo seria capaz de substituí-la em mim. Pansy Parkinson fora de fato a primeira e única mulher que eu me via amando naquele momento de dor.
Mas a outra continuava ali, nua, sentada em minha cama. Suas lágrimas – diferente das minhas – desciam de maneira silenciosa, quase irônica, como se ela estivesse realmente satisfeita com o rumo que as coisas vinham tomando desde então, e foi ali que eu senti uma vontade enorme de revidar.
— Como você pode? _ a raiva denotada em minha voz fazia com que a mesma subisse por um, talvez dois oitavos _ Você é mesmo uma imbecil, achando que tirando ela do caminho eu ficaria com você... Eu jamais ficaria com você, Greengrass.
— Como você ousa? _ ela gritou de volta, sua voz histérica e irreconhecível _ Como você tem a coragem de me acusar desta forma?
— Mas está bastante óbvio para mim sua prostituta mesquinha! _ eu lhe apontei o dedo em revolta _ Você a matou! Esperava que a culpa jamais lhe caísse nos ombros só porque você parece uma criança...
— Eu não pareço uma criança, Draco Malfoy. _ sua voz estava fria, dura, e ela catava suas peças de roupa espalhadas pelo meu quarto, distante de tudo _ Eu sou uma criança. Eu tenho apenas 14 anos, eu acabei de completar 14 anos. Não é porque mantive relações sexuais com você que você pode me achar capaz de tirar a vida de outro ser humano. Eu não sou você, eu jamais seria capaz de segurar uma varinha em ameaça para um gato que fosse.
— Seus 14 anos recém completados nunca foram problema para me satisfazer na cama, pare de agir como uma garota estúpida. Você é completamente inescrupulosa.
— E você é um imbecil, um cego. Pansy não amava você. Pansy amava Vincent. E era com ele que ela rolava as escondidas enquanto você se enroscava comigo. Ou você realmente achou que ela faria diferente...? Ela sim é tudo o que você disse que eu sou. E com toda sinceridade, Draco? A melhor coisa que poderia ter acontecido é que aquele teto maldito caísse em sua cabeça, ela mereceu a morte que teve. E você... você merece o seu fim. Só.
— Você vai morrer sozinha, sua prostituta mirim! Vá viver em meio aos trouxas, seja suja como todos eles, viva escornada em bares, deixando que eles toquem você exatamente como você gosta... Suma da minha vida, sua infeliz. Morra.
— Com todo prazer, meu senhor. _ ela respondeu com ironia _ Talvez mais esta culpa te torne uma pessoa melhor, e alguém que possa finalmente dar gosto e orgulho a alguém. _ e então, girando os calcanhares e sua silhueta semi-nua e perfeita desaparecendo diante dos meus olhos.
Antes que eu pudesse me conter meu corpo se curvou em dor, e minha garganta soltou um berro de desespero, eu levei as mãos aos cabelos violentamente e arranquei alguns tufos enquanto me debatia como um bebê insatisfeito em minha cama. Mal sabia ela o efeito de suas palavras em mim, mal sabia eu o efeito de minhas palavras nela. Mal sabíamos nós, o que a vida reservou a cada um, e a cruz que foi necessária carregarmos para nos redimirmos de nossos erros, de nossos passos em falso e principalmente de nossas palavras ditas aos ventos.
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