She looks to me alright

1 Capítulo 1 - Make you feel better


Notas iniciais
8 anos depois, aqui estou eu. Nunca imaginei que daria sequência à história que comecei em She is Only 18, mas a minha necessidade de especular sobre alguns acontecimentos, além de escrever ficção, me trouxeram de volta.

15 de dezembro de 2019. Diana enxugou o rosto e se olhou no espelho. Seu rosto já mostrava tímidos sinais de idade: com 33 anos ela era considerada no cenário musical estadunidense um misto de Joni Mitchell e Stevie Nicks. Que, por sinal, eram duas das muitas artistas que ela podia dizer que tinha em seus contatos do celular. No Brasil, a lista incluía músicos como Marisa Monte, Carlinhos Brown e Silva. Ainda assim, ela nunca se deixava deslumbrar pelos rumos extraordinários que sua vida tinha tomado. Não conseguia encarar com naturalidade o fato de que ela, de fato, tinha um espaço entre os seus maiores ídolos.

A ida para Los Angeles em 2011 mudou a vida dela de forma definitiva. John Frusciante, como prometido, tinha tomado Diana como pupila e, além do papel de mentor, produziu pelo menos dois dos seus três álbuns até então lançados.

Apesar de nutrirem imenso respeito mútuo e, da parte de Diana, uma gratidão enorme, os projetos pessoais de John com outros artistas e a proximidade de Diana com outros cenários musicais fez com que se afastassem gradualmente. No entanto, ainda ligavam um para o outro em aniversários e nas festas de final de ano.

Seu relacionamento com Josh durou apenas três anos. A rotina corrida dos dois fez com que ficasse cada vez mais difícil conciliar as carreiras de ambos e o namoro até que simplesmente, durante um jantar a dois, eles concordaram que era a hora de se separarem amigavelmente. O término a abalou mais do que se permitia admitir e ela não assumiu nenhuma relação séria com ninguém depois disso. Ela tentava não pensar muito no fato de que ele também não assumiu ninguém.

Fazia dois anos que os dois tinham parado de se comunicar totalmente e agora ela se via em uma situação totalmente desagradável. Cinco minutos antes de entrar no banheiro para lavar o rosto e se acalmar ela se deparou com uma bomba que definitivamente quebrou a internet em um momento em que ninguém esperava que algo tão bombástico ainda fosse acontecer em 2019.

Ela tinha acabado de entrar na sua casa de Los Angeles e estava exausta. As garotas do Warpaint a tinham convidado para participar da produção do novo disco e ela prontamente aceitou, pois era fã do quarteto desde o ano em que conheceu Josh. Inclusive atualmente ela e Jenny Lee Lindberg, a baixista da banda, eram praticamente melhores amigas. Tinha passado o dia inteiro na casa de Emily com as outras garotas e assim que chegou em casa sentou no sofá, colocou os pés pra cima e abriu o Instagram. Foi aí que ela se deparou com a bomba. A conta verificada do Red Hot Chili Peppers tinha acabado de postar um anúncio que a deixou trêmula.

“O Red Hot Chili Peppers anuncia que nós estamos nos separando do nosso guitarrista dos últimos dez anos, Josh Klinghoffer. Josh é um belo músico que nós respeitamos e amamos. Nós somos profundamente gratos pelo tempo com ele, e pelos inúmeros presentes que ele dividiu conosco.”

Diana sentiu o sangue congelar nas veias e parou de ler. Não conseguia acreditar que Josh tinha saído da banda, e o que é mais importante, que ela não tenha ficado sabendo disso antes. Sentiu uma vontade muito grande de chorar, não só pela história que tiveram juntos e que começou com o Josh entrando na banda no lugar de John, mas também pelo imenso amor que ela tinha pelo que ele ajudou a criar com o Red Hot Chili Peppers, que era sua banda favorita.

A presença de Josh nos Chili Peppers não só tinha ajudado a manter viva uma banda com mais de 30 anos de carreira em uma época em que as pessoas basicamente só consumiam música pop, mas também tinha contribuído ativamente para que eles, como um grupo, saíssem da zona de conforto musical e explorassem músicas que nem mesmo o John tinha tocado ao vivo.

Ela não acreditava que isso estava acontecendo. Não conseguia entender as circunstâncias da saída de Josh, é claro, mas não imaginava que alguém fosse substituí-lo a altura. Era como reviver a saída de John. Só que dessa vez ela realmente não conseguia imaginar alguém bom o bastante para substituir o Josh, que por sua vez tinha substituído o John. Seria uma responsabilidade dupla. Quem teria coragem?

Respirou fundo e leu o restante do anúncio. Não precisou de mais de dois segundos para começar a gritar.

— Mas que merda é essa??

O restante do anúncio dizia simplesmente:

“Nós também anunciamos, com imensa alegria e corações preenchidos, que John Frusciante está retornando ao nosso grupo. Obrigado.”

Assim. Simplesmente. Sem mais nem menos. Parecia até brincadeira de primeiro de abril e era exatamente assim que ela se sentia, totalmente trolada. Ela sentiu um misto de emoções que a deixou tonta: Josh saindo, John voltando e ela se sentindo totalmente traída por ambos porque nenhum deles se importou em dividir com ela essa pequena informação.

Bom, mas por que deveriam? Josh não falava mais com ela há dois anos e John, apesar de ainda ser um amigo, não devia satisfações a ela (ou a ninguém, na verdade). Mesmo assim se sentiu um pouco tola. Estava sendo pega de surpresa exatamente como cada um dos fãs da banda nesse momento.

Rolou pelos comentários e não ficou surpresa com as reações: muitos achavam que a conta tinha sido hackeada, outros estavam indignados porque achavam que o Josh tinha sido demitido para o John voltar, outros estavam totalmente eufóricos. Na verdade, a maioria estava totalmente eufórica. Tinha certeza que o seu eu de 2011 também teria ficado. Mas a Diana de 2019 só conseguia pensar em uma coisa:

Como estava o Josh nessa história toda?

Pegou o telefone, mas hesitou. Não sabia se ele queria falar com ela (apesar de o afastamento dos dois não ter sido causado por nenhum tipo de desentendimento), especialmente em um momento que pode estar sendo bastante delicado pra ele. Lembrou também que não tinha mais o número dele entre os seus contatos e quase desistiu de ligar, mas achava que se Josh precisava de apoio, ela deveria estar lá por ele. Mandou uma mensagem para Jenny perguntando se ela tinha o número dele e ela respondeu rapidamente.

“Você já tá sabendo, né? O que você acha que aconteceu?”

“Não faço ideia.” Respondi. “Eu fui pega de surpresa também. Pensei em ligar para o Josh e ver como ele está.”

“Também acho que você devia fazer isso. Ligue agora, eu soube que ele está em Los Angeles no momento.”

Salvei o número e apertei em “ligar”, trêmula. Pensei na possibilidade de ele não atender, mas no terceiro toque a chamada foi atendida.

— Oi, Di. Estava me perguntando que horas você ia ligar. – ele riu. Outra pessoa não perceberia isso, mas notei que a voz dele parecia um pouco cansada. Provavelmente já tinha atendido outras ligações.

— Você tem o meu número? – de repente a ficha disso caiu.

— Claro que tenho o seu número. Nunca deixei de ter o seu número. Isso é um problema?

— Não, só estou surpresa já que faz dois anos que você não entra em contato.

— Bom. – ele deu uma risadinha. – Também faz dois anos que você não entra em contato.

Mesmo sabendo que não estávamos cara a cara eu enrubesci de vergonha. Mas não entrei no jogo.

— Não tinha mais o seu número. Consegui hoje com a Jenny. – deixei minha voz ficar mais suave. – Acabei de saber. Como você está?

Ele respirou fundo, mas não parecia abalado, apenas entediado.

— Ah, estou bem. Acho que agora vou conseguir tirar as aquelas férias que eu vivia dizendo que precisava tirar.

Fechei os olhos e mordi a língua. Não queria lembrar da fase do nosso relacionamento em que começamos a cobrar um do outro que os projetos fossem deixados um pouco de lado para a gente ter mais tempo junto.

— Não queria que fosse dessa forma. A não ser que seja algo que você quisesse. Que tenha sido decisão sua.

— Bom, essas coisas nunca são totalmente decisão nossa. Mas aceito que tenha acontecido, esse não era um emprego qualquer. Eu não estava substituindo um funcionário, eu estava substituindo alguém que era como um irmão pra eles.

— Eu sei, mas você realmente está bem com isso?

Ele pareceu hesitar por dois segundos e respondeu com uma voz excessivamente confiante.

— Sim, eu estou bem. Até porque, vamos combinar que só algo tão extraordinário quanto o John voltar para os Chili Peppers faria você caçar meu número com alguém e entrar em contato.

— Vá se ferrar, Josh. – comecei a rir e ele emendou no meu riso. Depois ficamos em silêncio até que ele falou, simplesmente:

— O que você acha de a gente se encontrar e tomar um café?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.