She is gone
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Encaro o saco negro. Seguro o fecho, no entanto não consigo abri-lo. Não por estar emperrado, mas sim porque não consigo vê-la desse jeito. Não consigo, não posso e muita menos ela me permitiria vê-la em tal situação. Sempre pensei que essa situação ocorreria com nossos lugares trocados. Afinal eu era o agente de campo e ela a diretora. Chauvinista, quase posso ouvi-la dizer.
Sem conseguir vê-la, vou imediatamente para o laboratório de Abby com a desculpa de ver o progresso que ela tem feito, mas a quem eu quero enganar? Eu estou indo lá buscando o conforto de uma amiga. “Não pode esperar para falar, nunca se sabe o que vai acontecer” Abby diz para mim e começa a elogiar não só a mim como o restante da equipe. Eu deveria ter falado antes.
Em Washington quando ela foi promovida a agente eu deveria ter dado a ela os parabéns. Em Paris eu deveria ter dito a ela o que sentia. Quando nos reencontramos eu deveria ter dito que eu não pude esquece-la, embora tenha tentado. E há semanas eu deveria ter sido mais persistente em pergunta-la o que estava acontecendo.
A busca de Mcgee obteve resultado. Pode fazer anos que eu não via o rosto daquela mulher, para falar a verdade eu o vi apenas uma vez, que foi quando entregaram a foto do alvo para Jenny, mas de alguma forma eu reconheci
Assim que eu a vi, eu sabia o que fazer. Tenho uma missão a executar e não me importo com as consequências. Afinal o que mais eu poderia perder?
Usei a chave reserva para entrar. O lugar nunca pareceu tão frio, ou talvez seja simplesmente como eu esteja me sentindo: frio, sozinho, perdido. Vou para o escritório dela, esse era o santuário dela, sento em sua cadeira e começo a mexer em alguns papeis. Foi então que eu encontrei a carta com o querido Jethro. O que ela tinha contra despedidas? Mas ela era Jenny Shepard, não havia outra maneira de fazer as coisas que não fosse o seu jeito.
Quando Svetlana chegou eu estava em pé e assim permaneci. Descobri a verdade, Jenny não conseguiu matá-la, mas a essa altura nada parecia me importar mais. Mike me salvou, ele atirou nela e mais uma vez devo minha vida a ele.
Enquanto vejo a casa dela em chamas, coloco a carta inacabada em meu bolso. Esta era a despedida de Jenny e eu a guardaria como fiz com a primeira e o casaco.
Minha probie teimosa, minha parceira leal, a diretora ambiciosa, a mulher que eu amei. Quando me apaixonei por essa mulher? Pensando bem, nem eu sei como começou e se bem me conheço duvido que terminará, ela será mais um amor em minha memória. Uma mulher que morreu porque eu não estava lá.
Cheguei em meu porão e liguei meu rádio velho, peguei minha garrafa de Bourbon e me sentei, hoje eu não precisaria de um copo. O Bourbon nunca queimou tanto, quanto hoje. A cada gole, a cada piscar de olhos, a imagem da ruiva insolente parecia desaparecer. Fechando os olhos, a única coisa que eu poderia ver eram suas orbes esmeralda. Ao fundo, eu poderia ouvir Willie Nelson cantar melancolicamente:
“She is gone but she was here and her presence is still heavy in the air
What a taste of human love now she's gone and it don't matter anymore
Crossing dreams with our lives it was more than just a woman and a man
It was love without disguise and now my life will never be the same again
She is gone she was here... “
She Is Gone — Willie Nelson
Fale com o autor