She is Only 18

6 Capítulo 6 - Spend a little time inside of you


Josh’s POV.

Eu nem posso começar a descrever o imenso alívio que senti quando Diana me falou qual era sua idade. Sim, ela era mais nova, mas aceitavelmente mais nova. Mas eu pude perceber que ela tinha ficado desconfortável — e com razão — ao pensar na possibilidade de eu estar sentindo coisas por uma garota de 18 anos. Mas, era óbvio pra mim, se fosse o caso eu entraria no primeiro avião de volta pra casa e não olharia pra trás.

Depois disso, fiquei muito surpreso com a minha ousadia em segurar a mão dela e mantê-la ali, entre as minhas. Mas a surpresa maior foi notar que ela não a tinha afastado. E sentir aquela mão macia e quente entre as minhas me fez sentir feliz e idiota.

Chegamos na casa e eu pedi para que ela se sentasse. Ela me olhou com desconfiança.

— Não vai tirar o John do armário da sala, vai?

Soltei uma gargalhada. Notei que eu ria muito mais facilmente perto dela, seu tom sarcástico era uma das qualidades que eu mais gostava.

— Que pena... Poderia ter pensado nisso antes. – fingi uma expressão de desapontamento. – Fique aí, eu já volto.

Fui até o quarto onde havia dormido dias antes e lembrei das horas a fio que passamos fazendo música e me senti preenchido.

Abri o guarda roupa e tirei um instrumento de lá. Era uma guitarra, uma Fender Mustang 1964. Benjamin havia me contado que Diana era louca pelas Mustangs, pois músicos de suas bandas favoritas (como John, Kurt Cobain, Billy Corgan, Thurston Moore) já a haviam tocado. A dela era uma Jaguar vermelha, que tinha sido presente de Daniel. Estava rezando para que ela não se sentisse ofendida com o presente, achando que eu queria que ela substituísse a sua guitarra favorita, mas eu queria dar a ela uma guitarra rara... Pois seria apropriado. Diana era uma garota rara e estranha.

Peguei a guitarra um pouco ansioso e respirei fundo, indo ao seu encontro no estúdio. Ela estava sentada com um cotovelo apoiado no joelho e a mão segurando o queixo. Me olhou com um pouco de indiferença, então viu a guitarra e franziu o cenho.

— Por favor, não me faça sentir bobo e pegue a guitarra. – pedi.

Ela se levantou lentamente e a pegou, abrindo a bolsa em seguida. E deu um passo para trás, ofegando. Eu ri baixinho. Era gostoso ver alguém reagir dessa forma a um presente meu.

— De... De que ano é essa guitarra? – ela perguntou com a voz trêmula e baixa.

— Estou decepcionado. Achei que você saberia de cara. – ri.

Ela me fulminou com o olhar e eu senti uma espécie de formigamento em um lugar que não ouso dizer.

— É de 1964. – eu disse, cruzando os braços e esperando.

— Por que está me dando isso? – ela perguntou sem olhar para mim.

Essa pergunta me pegou desprevenido. Achava que ela fosse recusar o presente, quebrar a guitarra na minha cabeça, jogá-la pela janela, ou talvez simplesmente a levasse de volta para o lugar de onde ela veio.

— Eu não sei. – disse com sinceridade. – Benjamin havia comentado comigo que você queria muito uma Mustang, e por acaso eu tinha uma desse modelo.

— Pensei que não tivesse trazido nenhum instrumento para cá. – ela disse, finalmente olhando para mim.

— Benjamin...

Rimos. Ela pousou a guitarra delicadamente no sofá e veio na minha direção. Imediatamente senti uma descarga elétrica passar pelos meus braços, eu sempre sentia isso quando ela se aproximava rápido demais.

— Por que está me dando a SUA guitarra? – ela parou perto demais, e se ela não fosse muito mais baixa que eu, nossos narizes estariam se tocando.

Notei a diferença na pergunta. E ela sabia por que eu a havia dado o presente, ela sabia o que significava. Mas eu sabia que ela queria que eu dissesse em voz alta.

— Bom... Seria muito diferente se eu simplesmente tivesse comprado uma para você. E talvez eu queira ser lembrado, da melhor forma possível. Quando você estiver fazendo música.

Ela sorriu e seus olhos brilharam. Eu não havia notado antes (talvez por ter pouca coragem de olhar nos olhos dela), mas eles eram de um castanho muito claro, meio esverdeados, meio amarelados.

— Por que você quer ser lembrado?

Eu senti vontade de revirar os olhos. Eu sabia o que ela estava fazendo, ela estava me obrigando a enfrentar a minha timidez e falar o que ela queria ouvir. Esperta.

— Eu posso dizer, ou posso me jogar pela janela. Escolha difícil.

Ela inclinou a cabeça para trás e deu uma risadinha. Inclinei a cabeça para baixo para poder apreciar mais a beleza daquele gesto e ela corou e parou de rir. Ficou muito séria e em seguida disse:

— Não seja ridículo. Você pode mostrar.

Aquelas palavras bastaram para fazer todo o resto desaparecer. Sem hesitar em momento algum, pus uma mão pela sua cintura e a outra em sua nuca, e a beijei. Ela tremeu brevemente em meus braços, e retribuiu o beijo da melhor forma possível. Suas mãos exigentes puxavam um pouco meu rosto para baixo, então a segurei pela cintura e a coloquei no colo enquanto ela me abraçava com as suas pernas. Aquele gesto me trouxe à realidade por um segundo e parei de beijá-la para olhar para ela.

— Obrigada. – ela disse, séria.

— Pela guitarra, pelo beijo ou pela interrupção?

Ela encostou a testa na minha e suspirou, como se censurasse a minha tentativa inútil de ser engraçado.

— Pelo gesto.

Eu não fazia ideia a que gesto ela se referia, mas não tinha pressa em descobrir. A beijei de novo e me senti inebriado pelo seu gosto e o seu cheiro. E senti que ela me queria cada vez mais próximo, assim como eu a queria mais próxima, e meu coração disparou como um alarme quando me lembrei de sua idade. Parei de beijá-la de novo e ela resmungou.

— Josh, tente não ser tão racional por dois segundos.

Talvez eu devesse deixar de ser racional por um pouco mais do que isso.

Dessa vez ela assumiu o controle do beijo, impaciente. Então entendi a que gesto ela se referia. Ela não falava da guitarra, mas de eu ter dado a ela algo que me pertencia. E eu estava dando a ela muito mais coisas que me pertenciam. O pouco de coragem que tinha, e na hipótese mais dramática, o meu coração.

Quando me dei conta, já a estava levando para o quarto em que havia dormido. O lugar estava bagunçado, havia muitos papeis com letras rabiscadas em cima da escrivaninha. Mas nenhum de nós dois se preocupou com isso. Ela desceu do meu colo e segurou as minhas mãos, levando-as aos lábios. Achei esse um gesto muito estranho, mas ainda assim, tocante. Segurei seu rosto e beijei seus lábios de leve, depois o queixo, o pescoço... Ela suspirava a cada gesto, e quando olhei para seu rosto vi que tinha ganhado o maior presente que podia ganhar. E eu só descobri o quanto queria isso depois de ver a expressão em seu rosto.

Ela estava suspirando, de olhos fechados, com uma expressão de pura paz. A mesma que ela tinha quando tocava música.

Aquilo bastou para tirar o que restava de hesitação em mim. Levantei-me e peguei-a no colo de novo, deitando-a com delicadeza na cama. Ela sorriu para mim com o rosto inteiro e eu a beijei enquanto tirava a sua blusa. Notei que ela tremia a cada toque, e isso me fazia sentir mais confiante. Quando a livrei de sua blusa, ela empurrou meu ombro de leve fazendo com que eu deitasse ao lado dela. Ela passou as suas pernas em minha cintura, puxando a minha camiseta para cima. Sentei na cama para que nossos rostos ficassem nivelados e sorri para ela, agradecido. Ela segurou a minha nuca, me dando um beijo mais intenso, pausando-o em seguida para dizer:

— Eu também quero ser lembrada.