She Wolf
1 She Wolf
Notas iniciais
Ela veio, usava um vestido, ele era branco, um tecido fino, quase que um robe, as alças eram finas, como tiras, tinha um decote em V, a renda caia sobre a sua pele.
Os raios lunares batiam em sua face, que parecia ter sido esculpida por anjos, branca, cabelos longos e ruivos, olhos azuis cintilantes, tenho a plena convicção que se alguém a fitasse por muito tempo, poderia correr o grave risco de ser hipnotizado pelo belo par de olhos dela, seus lábios tinham um rosado natural, porém nesta noite em especial, eles estavam avermelhados.
Seu vestido, estava manchado, era vermelho, era intenso, pude perceber o cheiro, era sangue.
“A noite deve ter sido agitada. ” Murmurei ao seu ouvido, e ela grunhiu em aprovação.
“Foi muito mais do que só agitada, foi intensa. ” Ela murmurou de volta.
“Ia perguntar se teve cuidado, para não chamar atenção” Parei meu olhar sobre a bainha de seu vestido e subi para encontrar seus olhos, “ Porém a julgar pelo o estado de sua roupa, acho que já tenho minha resposta. ” Completei, lançando lhe um olhar severo.
“Por favor, não venha bancar o meu pai” Ela revirou os olhos, mas não se afastou de mim “ Sei me cuidar, e sei proteger nosso segredo, se estou assim” Parou e olhou para si própria “ A culpa é de minha presa idiota, que achou, em algum momento delirante, que poderia escapar. ” Explicou-se.
“Eu apenas ainda tenho assunto a resolver na cidade, detestaria ter que deixá-los por conta de sua falta de atenção. ” Rosnei.
“Não se preocupe, se tivermos que ir embora, não serei eu a culpada. ” Ela murmurou ofendida e se afastou alguns metros de mim.
“Apenas, por favor, tente controlar-se.” Pedi, tentando ainda, manter a compostura.
“Me controlar? Mais do que já estou me controlando? ” Sua voz soou descontente.
“Sim, mais. ” Falo, um pouco mais alto do que o necessário, admito. “Sempre mais, poderia colocar em sua cabeça, que os humanos não podem nem ao menos suspeitar do que realmente somos? ” Pergunto, cansado, será que ela nunca irá entender?
“Eu sei que eles não podem descobrir, apenas não entendo o porquê” Seus olhos brilham, querendo uma resposta “Somos claramente mais poderosos, rápidos e fortes. Então qual a razão de sempre nós escondermos? Se somos tudo o que eles deviam temer? ” Ela fita meus olhos. Tão tenaz.
“Você ainda é muito jovem, ainda não consegue compreender, são leis antigas, acordos antigos, não podemos quebrar, ninguém pode. ” Explico-lhe, pelas as minhas contas, essa deve ser a décima vez que lhe conto essa mesma história.
“Isso eu já sei. As leis antigas devem ser respeitadas, por todos os seres sobrenaturais. ” Bom, pelo menos isso ela respeita e entende.
“Exato. ” Murmuro satisfeito.
“Porém, nós somos os únicos que as respeitamos. Os protegidos da lua, não as respeitam. ” Ela reclama descontente, e volta ao seu assunto preferido.
“Já disse que nada podemos fazer em relação a isso. Se eles não respeitam as leis antigas, esse problema é deles, não nosso. ” Murmuro cansado. “Agora poderia, por favor, parar de confrontar minhas ordens. ” Falo um pouco mais alto e minha voz sai onipotente.
Ela abaixa a cabeça, em sinal de desculpas.
“Agora entre, limpe-se e vista-se. Logo o sol nascerá e preciso fazer algumas visitas na cidade, e quero que você vá comigo. ” Murmuro, agora mais calmo, porém ainda onipotente.
“Sim senhor” Isso é tudo o que ela diz, antes de entrar na casa antiga. Ao se afastar, observo seus passos, confiantes, firmes, porém suaves, ela realmente foi uma ótima aquisição, ele gostará dela. Uma pena o fato de que ela terá que morrer. Sacrifícios são necessários.
Ainda passo mais algumas horas observando a lua, sinto seu poder em mim, ela me chama, ela grita, porém, preciso me controlar, apenas mais alguns dias, e tudo acabara.
Retorno para a casa, quando os raios solares já iluminam quase que toda a extensão do horizonte.
Ao entrar, caminho até meu escritório, escuto Annabel dormir no andar de cima, sua respiração está pesada, bom ela dorme profundamente.
Cuido de alguns papeis até o sol tomar realmente conta do mundo.
Quando a manha chega ao seu meio, escuto Annabel descer as escadas, os mesmos passos, confiantes.
Saio do escritório e a encontro na cozinha, sentada na cadeira, com os braços apoiados em cima da mesa, seus dedos hábeis, mechem com uma colher em um pote de doce.
“Bom dia” Murmuro caminhando em sua direção e beijando-lhe a têmpora.
“Bom dia” Sua voz é calma e relaxada. Resultado de seu sono calmo e tranquilo. “Que horas iremos sair? ” Ela me questiona.
“Ao entardecer. ” Respondo em meio a alguns goles de água.
“Hum. ” Ela sussurra. “Devo me vestir como? ” Ela indaga.
“Use algo simples, porém bonito. Meu parceiro tem uma vida elevada, costumes elevados e....”
“Já entendi, ele é rico, e devo me vestir elegantemente. ” Ela me interrompe.
“Exato. ” Murmuro.
Segundos depois ela levanta-se e caminha em direção a biblioteca, onde ela passa quase todo o dia.
Perto do entardecer, a vejo sair e caminhar para seu quarto, de onde ela só sai horas mais tarde.
Quando estava prestes a lhe chamar, por conta de sua demora.
Escuto seus passos, olho para a escada e a vejo.
Ela estava linda, o vestido, de novo branco, caia sobre sua pele, ele era longo e liso, sem detalhes, apenas alguns pequenos desenhos em renda na parte superior a seus seios, que foram muito bem cobertos pelo decote em V.
Sua maquiagem, era simples, porém linda, lábios cobertos por um batom vermelho, ele estava deslumbrante. Deslumbrante para a morte.
“Está linda” Falo ainda fascinado.
“Obrigada, achei que tinha exagerado. ” Ela murmura envergonhada.
“Venha, vamos, estamos atrasados. ” Digo e ela desce os degraus calmamente, porém com uma classe indescritível.
Caminhamos em direção a saída da casa, fecho as portas enquanto ela entra no carro, depois caminho em sua direção, entro no carro e dou partida.
Ela sorri, está animada, será que ela estaria assim se soubesse que está indo para a sua morte?
Paro o carro em frente a um grande portão, peço para ela descer e a acompanho em direção a uma pequena guarita que ali tinha.
“Viemos ver o senhor Agoston” Falo ao ser dentro da pequena guarita.
Ele me olha, parece contrariado, porém nada fala, dá um telefone, creio que para confirmar que falo a verdade, depois abre o grande portão e entramos.
“Porque estamos na casa de um protegido da lua? ” Annabel questiona enquanto andamos em direção a grande mansão a nossa frente.
“Negócios. ” Repondo.
“Com a raça deles? ” Annabel não consegue acreditar. “ Que tipo de negócio pode ter com eles? ” Ela questiona novamente.
“Logo saberá, por enquanto, calada. ” Mando e ela se cala, quase que instantaneamente, contrariada.
Ao chegarmos a porta da mansão, o mordomo nos deixa entrar, seu olhar é tão curioso quanto o de Annabel.
Somos levados até a sala de estar, onde meu sócio nos espera.
“ Sineus” Ele me cumprimenta cordialmente.
“Kunai” cumprimento de volta.
“Mas que moça tão bela” Kunai fala fitando Annabel, que aperta meu braço, em sinal de que, não gosta nem um pouco de ter um protegido da lua, lhe fitando e muito menos lhe cantando.
“Ela se chama Annabel. ” Falo, não a peço para ser gentil, ou dar-lhe a mão, sei que isso seria o seu limite, e preciso dela calma, só assim a noite terminará como eu imaginei.
“Um nome lindo, para uma moça linda. ” Kunai murmura. “ Sentem-se.” Ele pede e sento-me ao seu lado e Annabel senta-se em uma poltrona ao meu lado.
“Kunai, podemos fazer isso rápido, quero ir embora. ” Peço e ele sorri.
“Calma, meu velho amigo. ”
“Não sou seu amigo. ” Rosno e ele ri.
“Como quiser. ” Ele fala, e com um leve aceno de cabeça, seu mordomo, rapidamente, injeta algo em Annabel, que no susto do momento, não teve tempo para reação.
“O que quer com ela? ” Pergunto a fitando fechar os olhos.
“Você sabe muito bem. ” Kunai fala “ Melhor ficar, ela logo acordará e sinceramente não acho que posso lhe explicar tudo. ” Ele fala ao levantar-se, o acompanho até uma espécie de porão, tem uma pequena cama de hospital, onde Annabel é colocada e amarrada.
O silêncio predomina aquele lugar, tem teias de aranhas em toda a parte, a luz das lamparinas não ajuda a enxergar melhor.
Minutos se passaram, e Annabel logo começa a acordar.
“O que houve? ” É a primeira coisa que ela questiona ao recobrar a consciência.
“Você explica ou eu? ” Kunai indaga ansioso.
Suspiro cansado.
“Estamos no porão da casa de Kunai, a trouxemos para cá. ” Falo.
“Por que? ” Ela indaga “Estou amarrada? ” Annabel percebe e tenta soltar-se, em vão.
“Não se mecha, toda vez que se meche, um pouco de prata é injetado em seu corpo, isso pode matá-la. ” A informo e ela olha para o aparelho ao seu lado, ligado a ela.
“O que estão fazendo comigo? ” Annabel pergunta, seu olhar é suplicante.
“Vamos matar você. ” Kunai fala de repente. Rosno em desaprovação “Quer dizer, eu vou matar você, Sineus só lhe trouxe para mim. ” Kunai termina.
“Mestre, porquê me trouxe para ele? ” Suas palavras saem confusas e magoadas.
“Fui mandado fazer isso. ” Respondo e suspiro. “Não tive como refutar. ”
“Você me trouxe até aqui para morrer? ” Annabel pergunta, suas palavras transmitem dor e desespero.
“Annabel, não torne isto mais difícil do que já está sendo. ” Peço.
“Diga o porquê. ” Ela exige raivosa.
“Kunai lhe dirá. ” Respondo, sem me importar por sua grosseria anterior.
“Você é especial, seu sangue é especial. ” Ele começa ao ser fitado por Annabel. “Alguns seres querem usar seu sangue para nós aniquilar, não podemos deixar. ”
“O que? Explique melhor. ” Annabel grita desesperada.
“Kunai, você pode fazer melhor que isso. ” O provoco.
“Annabel, você nunca quis saber o motivo de em suas caçadas sempre sentir a necessidade de beber o sangue de sua caça do que comê-la? ” Kunai questiona e Annabel balança a cabeça confusa. “ Você é uma hibrida, a única que existe, no mundo todo. A única que sobreviveu, e isso torna você forte, até demais, você é perigosa, deve ser destruída. Bom pelo menos foi o que o conselho decidiu. ” Kunai explica.
“E onde você entra nisso? ” Ela indaga fitando a mim, que ainda permanecia calado.
“O conselho mandou-me achar você, cuidar de você, até ter sua confiança integral. Depois eu teria que esperar, até eles acharem um protegido da lua que tivesse coragem para lhe matar. ” Revelo.
“E acharam, a alguns anos, um protegido da lua, o mais forte de todos, foi convocado, porém ele não aceitou, disse que não era justo você morrer, já que não quis nascer assim. Ele se recusou a lhe matar. ” Kunai fala. “O nome dele era Adark. ” Ele continua.
“Depois desse incidente, Adark sumiu no mundo, e Kunai foi convocado para a tarefa. ” Continuo.
“E aqui estamos nós. Na noite de sua morte. ” Kunai dá um sorriso torto.
“Acha que pode me matar? ” Annabel questiona Kunai, seria.
“Tenho certeza. ” Kunai responde ainda sorrindo.
“Pois você está errado. ” Annabel fala “ Sabe qual é o seu problema? ” Ela continua.
“Qual? ” Kunai indaga chegando perto, perto demais de Annabel.
“Te falta convicção. ” Annabel diz “ E um pouco mais de velocidade. ” E em um rápido movimento, as correntes se quebram e Annabel pula em Kunai, que tenta se soltar, porém nada consegue fazer, segundos depois sua cabeça está do outro lado da sala, e seu corpo é jogado aos meus pés.
“Como, como fez isso? ” Indago, confuso e atordoado.
“Aprendi com o melhor. ” Annabel responde me fitando, seus olhos transmitem mágoa e dor.
“Annabel, fui forçado a fazer isso. ” Tento explicar.
“Poderia ter me ajudado, poderia ter feito o que aquele protegido da lua fez, me protegido. Mas preferiu me trazer para a morte. ” Ela fala, cheia de raiva e dor.
Engulo em seco, não a nada que possa fazer, ela irá me matar, nada mudará isso.
“Me faça um favor. ” Peço “ Me mate, acabe com isso. ” Imploro e seus olhos brilham.
“Será um prazer. ” Então ela está a centímetros de mim, e com um rápido movimento minha cabeça é arrancada, e tudo finalmente acaba.
NARRADOR POV
Annabel cai sobre o sangue de Sineus, e chora, chora por ter sido traída, chora por saber a real verdade sobre ela, e chora, sobretudo, por ter matado o único que ela realmente amou.
Minutos depois, ela se levanta, grunhidos no andar de cima da casa a fazem acordar, ela sabe que precisa sair e logo.
Anda pela pequena sala, e acha uma porta, a abre e vê uma floresta, ela olha para trás vê os dois corpos no chão, os barulhos ficam mais altos, ela não tem opção, então ela corre.
Corre o mais rápido que pode, ela some da li, vai para o mais longe que pode, ela gostaria de sumir.
Chega à casa onde estava hospedado, com Sineus.
A lembrança de Sineus faz seu coração doer, ela o amava, e ele a traiu.
Rapidamente ela entra na casa, arruma uma mochila, apenas com o essencial, ela sabe que vão atrás dela, e ela precisa sumir, e desta vez, terá que ser mais rápida ainda.
Depois de pegar tudo o que precisa e sair da casa, ela pega outro carro de Sineus, e parti.
No começo, Annabel não sabia para onde iria, porém depois de dias de fuga, ela se recorda de um nome.
Adark.
Se aquele protegido da lua se recusou a matá-la, talvez ele a ajude, bom não custa tentar.
Os dias passaram e se tornaram meses, os meses se tornaram anos, até que em uma pequena cidade, Annabel encontra um protegido da lua, e resolve ousar.
“Você conhece algum protegido da lua, chamado Adark? ” – Annabel questiona ao protegido a sua frente, ele a fita e primeiro parece curioso.
Nos anos de fuga, Annabel tinha mudado sua alimentação e forma de viver, ainda caçava como filha da lua é claro, porém passava a maior parte vivendo como protegida da lua.
“Talvez, quem é você e o quer com ele? ” O jovem protegido indaga.
“Ele me salvou um dia, no passado, quero saber o porquê. ” Annabel responde.
A expressão do jovem relaxa um pouco e ele sorri.
“Venha vou levar você até eles. ” O jovem fala confundindo Annabel.
“Eles? ” Ela indaga.
“Sim, Adark e Sophie. ” A jovem fala.
“Adark e Sophie? ” Annabel repete sem entender. Quem é Sophie?
“Sim, os mestres supremos dos protegidos da lua, os nossos reis. ” O jovem responde. “Vem comigo? ” Ele indaga ainda sorrindo.
Annabel para por alguns segundos, ela passou anos viajando atrás daquele que a salvará, agora estava prestes a conhece-lo.
Ela respirou fundo e sorriu em resposta.
“Leve-me até eles. ” Então Annabel segue o jovem rapaz, com a certeza, de que pela primeira vez, ela realmente poderá confiar em alguém, e finalmente saberá quem ela é realmente.
Notas finais
Ele está vindo, está chegando, seu exército está sendo formado.
Cuidado mortal, é melhor rezar para ele não encontrar você.
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