Notas iniciais
Obrigada a todos que estão lendo, acompanhando e comentando... Beijos enormes e até o próximo capitulo!

Capitulo 11 – Scars

A rainha bateu a porta atrás de si, assim que entrou em sua mansão. Ela estava furiosa, sentia todo seu ódio correr pelas suas mãos, em direção aos seus dedos, podia sentir toda sua magia correr pela palma da sua mão, então nem segurou a grande bola de energia que surgiu e a jogou contra o primeiro objeto que viu a sua frente, destruindo completamente o espelho que ali estava.

“O que aconteceu?!”, era a voz de Selene no topo da escada. Regina olhou para o espelho e então para a garota, que descia e agora caminhava em sua direção.

“Apenas um início de noite complicado.”, Regina respondeu, caminhando em direção a seu bar particular e se servindo de uma bebida, mas jamais chegou a tomar o primeiro gole. “Eu realmente acho que preciso disso, no momento.”, Regina disse à garota que segurava sua mão, impedindo que ela levasse o copo a boca.

“Não.”, disse a garota em resposta, depositando gentilmente o copo sobre o bar e caminhando com Regina a seu lado. “Você precisa se acalmar e me contar como foi seu encontro com Rumple.”, concluiu Selene, que agora se sentara no sofá da sala de Regina, sendo acompanhada pela mesma.

Regina respirou fundo, se encostou ao banco do sofá e olhou para a garota a seu lado, olhando em seguida para sua barriga e se questionando se de fato ela era uma boa escolha para ser mãe desse bebê.

“O que aconteceu?”, insistiu Selene.

“Bem, não tivemos uma conversa muito amigável. Mas não importa. Essa criança será minha, mesmo que isso implique em ter que jogar outra maldição nessa cidade.”, respondeu a rainha, cerrando o punho. Selene, em resposta, apenas se aproximou dela e tocou em suas mãos, apertando gentilmente seus dedos contra a mão da rainha.

“Não precisará tanto.”, foi tudo o que Selene disse. A rainha apenas a olhou nos olhos e as duas ficaram em silêncio por alguns breves segundos. “Não é a possibilidade de perder esse bebê que te incomoda, não é mesmo?”, perguntou Selene em algum momento.

“Não.”, a rainha respondeu, sendo o mais breve que pôde. “É que eu cansei das coisas ficarem no meu caminho, cansei de tentar fazer as coisas da maneira certa e ainda assim tudo dar errado. Eu criei essa cidade para que me fosse dada a chance de ser feliz, mas eu só encontrei miséria... Por isso eu adotei essa criança... Henry seria minha segunda chance, ele seria meu pequeno príncipe e eu seria eternamente devota a ele... Mas por que eu não fui o bastante? Por que ele teve que ir atrás daquela...”, Regina deu uma pausa, pois queria achar um adjetivo que descrevesse o tamanho da repulsa que ela sentia em relação a Emma, mas em seus pensamentos ela encontrou um banco de dados completamente vazio; como se seu cérebro não fosse capaz de pensar em Emma de outra forma que não fosse: Srta. Swan. Foi então o que ela disse, e não saiu como ela pensou que sairia: não saiu cheio de ódio. Saiu como um suspiro, um suspiro de alívio, como uma confissão – e ela nem percebeu isso. Mas Selene sim: a garota sentiu exatamente o que se passava no coração da Rainha, embora a mesma negasse ou tentasse esconder.

“Deve ser bem difícil, não é mesmo?”, perguntou Selene. Regina franziu o cenho e olhou para a garota, tentando entender o sentido da pergunta. “Viver no escuro por tanto tempo, achando que todas as coisas que você quer são exatamente tudo o que você precisa, quando na realidade as coisas são bem diferentes.”.

“Aonde quer chegar?”, questionou Regina, não gostando muito do rumo da conversa; não gostava de falar de seus sentimentos, pois ela não conseguia lidar com eles.

“Henry foi apenas o começo... Ele abriu as portas para você, ele te permitiu sentir o que é amar, mas talvez por te entender, ou por uma necessidade dele... Ele percebeu que não bastava, vocês dois não se bastavam. Precisava de algo a mais. Então ele foi atrás dela. A salvadora. A única que podia quebrar essa maldição e te fazer enxergar por debaixo de toda essa sua fachada de rainha má.”.

“Você está errada. Não é uma fachada. Eu sou – ou eu fui – essa vilã que todos um dia temeram. Mas não importa, eu não ligo mais pra vingança, eu entendi bem que isso não vai me levar a lugar algum. Eu só não aceito perder, eu não aceito perder o meu filho, principalmente pra Emma; quer dizer, ela passou a vida inteira do garoto longe e agora acha que simplesmente pode chegar aqui e o levar de mim?! Eu que sou a mãe dele!”, disse a rainha, levando a mão a testa e sentindo o peso das preocupações que o dia lhe trouxe. “Eu não vou perder Henry e nem essa criança, não importa o que os outros digam.”.

“Henry não foi embora, você sabe muito bem disso... A única forma de mantê-lo na sua vida é aceitar que Emma vai vir como bagagem.”.

“Como excesso de bagagem, você quer dizer!”, retrucou a rainha, fazendo Selene rir em resposta.

“Chame-a como você bem entender, porque eu sei que bem aí dentro você sabe qual o lugar a que Emma pertence na sua vida.”, Selene respondeu, tocando com um de seus dedos o peito da rainha.

“Você é muito ingênua.”, a rainha disse, balançando a cabeça, e ficou em silêncio, olhando a garota a sua frente. Regina sabia parte de sua história e sabia que de ingênua a garota não tinha nada: ela tinha vivido muito, provavelmente já teria visto e feito coisas terríveis, mas ainda assim agia como se não tivesse passado dos seus 17 anos e como se o mundo não fosse assim tão cruel.

“Talvez. Ou talvez eu veja as coisas da maneira que devem ser vistas.”, Selene respondeu. “Agora me conte como foi seu encontro com Rumple. O que ele disse?”.

“Ele é um imbecil!”, Regina disse em um tom indignado. “Um completo babaca manipulador! Ele me sugeriu uma troca.”, continuou ela.

“Que troca?”, questionou Selene.

“Eu poderia ficar com a criança, se eu fizesse com que o seu lobo matasse Ruby.”.

“A garota que a gente salvou?!”, a voz da garota estava coberta de um horror, mas, sinceramente, ela não poderia esperar menos de um homem como Rumple.

“Exatamente.”, continuou Regina.

“Eu não entendo... Se ele te ajudou a me capturar a fim de salvá-la, por que agora ele a quer morta?”.

“Porque aparentemente ela fica no caminho entre ele e Belle.”, respondeu Regina, agora completamente exausta e querendo simplesmente tomar um banho e esquecer que esse dia existiu.

“Belle?”, indagou a garota, e Regina apenas assentiu e observou enquanto Selene se levantava e caminhava de um lado para o outro.

“Qual é o problema, Selene?”, questionou a rainha.

“Você se lembra de quando eu contei o motivo pelo qual eu fui até a floresta encantada?”, perguntou Selene, sua voz tomada de um nervosismo.

“Sim, você buscava uma forma de parar o demônio que te persegue.”.

“Exatamente. Foi assim que eu conheci Rumple, foi assim que eu fiz um acordo com ele. O coração de uma estrela em troca de proteção. Acontece que eu não cheguei àquela terra sozinha, eu carregava minha filha nos braços, a filha do demônio que ainda me persegue.”.

“Você não me contou essa parte.”, interrompeu Regina, sentindo que a garota escondia mais segredos do que ela esperava.

“É porque isso não importava. Não vim até aqui para recuperar a filha que eu perdi há anos, o seu paradeiro não importava. Mas bem, as coisas mudaram agora.”.

“Por quê? O que mudou agora?”.

“Minha menina, antes de eu entregá-la a sua família nova, eu a nomeei Belle.”, disse Selene, fazendo Regina entender o que ela queria dizer.

“Você acha que a sua filha e Belle são a mesma pessoa?”, questionou Regina.

“É uma hipótese, não é mesmo?! E esse nome, Ruby... Eu conheci um bebê com esse nome. Na verdade, foi muito breve, eu salvei a mãe dela... Bem, não importa agora.”, Selene disse, enrolando uma historia na outra e deixando a rainha bem confusa sobre o que estava acontecendo. “O que Rumplestiltskin tem a ver com a minha menina?”, perguntou Selene, segurando as mãos da rainha, que a olhou por alguns instantes, antes de enfim responder.

“Eu não sei por onde te explicar, Selene...”, começou Regina.

“Bem, tente!”.

“Aconteceu que Rumple enganou Belle: ele disse que poderia salvar Ruby, e por isso ele me ajudou a te capturar, pois eu também tinha prometido que traria a garota. Acontece que...”.

“Acontece que fui eu quem a trouxe de volta!”, interrompeu Selene, indignada. “Você mentiu pro seu filho! E o que diabos Belle teve que dar em troca desse acordo carregado de mentiras?”.

“Belle prometeu voltar a morar com Rumple.”.

“Eles moravam juntos antes?! Essa historia tá ficando cada vez pior.”, disse Selene, começando a sentir enjoada com tudo isso.

“É uma longa história, e sua filha gostava verdadeiramente dele. Acontece que ela conheceu a Ruby... Eu realmente não sei essa parte da história, mas a verdade é que ela sente algo pela garota.”.

“E por isso Rumple quer matá-la?”.

“Basicamente isso.”.

“Eu vou matá-lo primeiro.”, respondeu Selene, caminhado agora de um lado pro outro.

“Ninguém vai matar ninguém aqui!”, Regina interveio. “E se alguém for matar, esse alguém serei eu. Você, por sua vez, vai apenas se concentrar, ficar calma e não se estressar até essa criança nascer. Rumple não vai colocar as mãos em nenhuma das suas filhas.”, disse Regina, caminhado em direção à estrela.

“Como você pode ter certeza?”, Selene perguntou, sentindo seu coração diminuindo no peito, em pensar que Belle estaria presa com aquele monstro.

“Porque Rumple tem um ponto fraco.”.

“E qual é ele?”, questionou Selene.

“Seu filho, nós vamos jogar o jogo dele, deixá-lo pensar que ele tem tudo na palma da mão e então, quando ele menos esperar, nós vamos atingi-lo onde mais dói.”

“Qual é exatamente seu plano?”.

“Achar uma forma de trazer Bae de volta e fazer Rumple esquecer que alguma vez ele já desejou outra coisa que não fosse seu filho.”.

“Pra uma rainha má, esse plano não tem nada de cruel.”, disse Selene, aliviada com o rumo que a conversa tomou. Regina apenas sorriu, antes de responder.

“Eu simpatizo com a dor dele, de certo modo... Apesar de achar que ele não merece esse menino de volta.”, concluiu Regina, e se despediu da estrela, dizendo que tomaria um banho. A garota a acompanhou pelas escadas e se direcionou para o seu quarto, onde passou os minutos restantes, descansando em sua cama.

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“Acho que nem preciso perguntar se você tem planos pra essa noite, não é mesmo?”, era a voz da rainha a sua porta. Selene se sentou e esperou que a rainha continuasse. “Bem, Emma meio que me convidou pra essa festa que vai ter pra Ruby... E eu estava pensando, enquanto eu tomava banho, se você não quer ir...”.

“O convite foi pra nós duas?”, questionou Selene em um sorriso.

“Sim. Foi pra nós duas. Ela quer te conhecer e acha que é uma boa oportunidade de Henry saber que ganhará uma irmãzinha.”, respondeu Regina, torcendo para que Selene quisesse ir, porque no fundo ela também queria ir, queria muito ir. Queria rever o filho e contar para ele sobre a irmã e ver a cara do garoto com a notícia.

“Na verdade eu não estou muito afim, mas você pode ir... Aposto que você quer ver seu filho.”.

“Eu vou odiar ter que chegar lá sozinha, mas quer saber, eu realmente quero ver meu garoto.”.

“E Emma.”, provocou Selene.

“Sabe, a verdade é que eu até quero... Eu quero ver a cara dela quando eu contar a ele sobre a irmãzinha, e provavelmente ele vai adorar a ideia e quem sabe até querer voltar a morar comigo!”.

“É, só pra isso, com certeza.”, completou a garota, em um tom de deboche, deixando a rainha completamente irritada.

“Bem, eu já vou indo. Você tem meus telefones, caso precise.”, disse Regina, se despedindo da garota logo em seguida. Selene correu para a janela, a fim de ver o carro da prefeita sair, e suspirou por alguns instantes, enquanto pensava a respeito de todas as oportunidades que Regina estava perdendo por não se permitir dar espaço para Emma.

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Sua mente estava cheia de medos, por isso ela hesitou tanto antes de entrar no Granny’s e, ao entrar, todos olharam para a prefeita; ela sentiu como se até a música tivesse parado e não se sentiu bem-vinda.

“Boa noite a todos.”, disse a prefeita, e alguns responderam com palavras, outros com sorrisos e Henry caminhou em sua direção, segurando Ruby pela mão.

“Fico feliz que tenha aceitado o convite.”, Ruby disse. “Aceita uma cerveja?”.

“Bem, cerveja não faz bem o meu tipo.”.

“Tem uma primeira vez pra tudo, não é mesmo?”.

“É acho que tem sim.”, disse a prefeita, e seu olhar foi em direção a Emma, que se encontrava sentada em um dos bancos, com seus pais ao seu lado.

“Eu também estou muito feliz que você tenha vindo.”, Henry disse, tomando a atenção da rainha e a tomando em um abraço.

“E eu fico mais feliz por saber disso.”, ela respondeu, dando-lhe um beijo em sua testa. “Senti sua falta.”.

“Eu também senti.”, ele respondeu, enquanto os dois caminhavam para uma das mesas. Regina olhou novamente para a Emma, que agora pedia licença a seus pais e vinha em sua direção.

“Eu disse a você, que um talvez seu, já era muita coisa.”, disse Emma à rainha, que não conseguiu esconder um sorriso com a observação da loira. “Seja bem vinda, Regina.”.

“Obrigada, Emma.”

“Bem, eu vou buscar alguma coisa pra vocês comerem, enquanto vocês conversam sobre... bem, você sabe o quê.”, Emma diz, antes de sair, deixando Henry completamente curioso a respeito.

“Sobre o quê? O que aconteceu?”, perguntou Henry em um tom animado.

“Henry, essa semana eu recebi uma visita de uma pessoa...”.

“Uma pessoa? Que pessoa?”.

“Uma amiga, ela veio de muito distante e ela não está muito bem.”.

“Como assim? O que ela tem?”.

“Ela está muito doente e provavelmente não vai viver muito. Acontece que ela espera um bebê. Uma garotinha.”, Regina disse, e viu que o garoto ficou triste com essa segunda parte da conversa.

“Coitada da criança.”, ele disse baixinho. “Ninguém devia crescer longe da mãe.”, ele continuou, e Regina esticou sua mão sobre a mesa e segurou a mão do filho.

“Eu sei, por isso ela pediu para que eu ficasse com a criança.”.

“E o que você disse?!”

“Bem, eu aceitei.”, ela respondeu, e estava prestes a perguntar o que ele pensava sobre isso, mas não precisou perguntar: o garoto simplesmente se levantou e a abraçou bem forte, dizendo em seu ouvido o quanto ela era incrível em fazer isso. “Era o mínimo que eu podia fazer por ela.”, Regina disse, afastando o filho e vendo o rosto do garoto que ela tanto sentia falta. “Eu queria poder ter sido a mãe exemplar pra você, Henry... Mas eu não pude. Talvez essa criança seja minha segunda chance, talvez ela me ensine a amar melhor.”

“Ou talvez nós dois possamos te ensinar.”, Henry observou a fazendo sorrir. “Eu posso conhecê-la? A mãe da criança?”, continuou Henry, e nesse momento Emma se aproximava dos dois com um prato com algumas fatias de um bolo e um copo de cerveja.

“É ótima ideia, Henry. Vou preparar um jantar amanhã à noite pra você conhecê-la, e Emma, você está convida.”.

“Eu, convidada?”, Emma questionou a Rainha, completamente surpresa com o pedido.

“Sim, eu cozinho.”, disse a Rainha. Emma sorriu, enquanto entregava a ela seu copo de cerveja.

“Bem, eu nunca pensei que eu teria a chance de alguma vez jantar com a prefeita, mas, bem, acho que realmente existe uma primeira vez para tudo, não é mesmo?!”, disse Emma, enquanto a Rainha dava um grande gole em sua cerveja.

“É, talvez esse ditado seja de fato verdadeiro.”, respondeu a rainha, enquanto observava Emma partir.

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Ela desceu as escadas e encontrou Rumple em frente a lareira, o fogo iluminava completamente o rosto do homem. Ele tinha um dos braços apoiados sobre a lareira e olhava fixamente para as chamas, que pareciam dançar em frente a seus olhos.

“Estou pronta.”, disse Belle, e ele se virou para encará-la. Ela estava linda, e ele a olhou de cima a baixo e sorriu para ela.

“Você está linda.”, ele observou e ela agradeceu.

“Podemos ir?”.

“Eu decidi que nós não iremos.”, ele respondeu, caminhando na direção da garota, enquanto se apoiava em sua bengala.

“Desculpa, como assim você decidiu que nós não vamos?”, questionou ela, e o homem soltou uma leve risada, como se debochasse da pergunta dela.

“Bem, não há motivo algum para nós irmos, não é mesmo?”, perguntou ele.

“Eu tenho motivos pra ir!”, disse ela, irritada.

“É, eu sei bem seu motivo, e é por isso que nós não vamos. Então, se quiser voltar para o seu quarto, eu te chamo quando o jantar estiver pronto.”, e dizendo isso ele caminhou em direção à cozinha, mas a voz dela impediu que ele continuasse.

“Eu sempre perguntei como um homem tão poderoso como você não foi capaz de recuperar seu filho...”, Belle disse, seus olhos cheios de lágrimas e seu coração tão pequeno que se perdia em seu peito. Rumple olhou para ela em silêncio, apoiado em sua velha bengala. “Mas agora eu entendi o porquê.”, completou ela, enfim, mas ele permaneceu em silêncio.

Ela então caminhou na direção do homem, ficando bem a sua frente, não secou nenhuma lágrima de seu rosto, apenas o olhou por alguns instantes, antes então de continuar.

“Você não merece que ele volte, você não o merecia antes e ele percebeu isso e te deixou. Eu fiz o mesmo, eu te deixei, você fez com que eu não desejasse ficar, que eu não desejasse voltar e você ainda me dá esses mesmos motivos.”, ela disse, as lágrimas de raiva e de tristeza se confundiam em seu rosto. “Aquele homem que você era, aquele homem que seu filho conheceu e que o amedrontava... Aquele homem ainda existe aí. Aquele homem ainda é você. Você nunca mudou. Jamais mudou. Por quê?”, ela continuou, secando suas lágrimas agora.

“Por que eu mudaria? Esse sou eu. Não posso mudar quem eu sou.”, ele respondeu, e ela balançou a cabeça, completamente atormentada com os seus pensamentos.

“Não é sobre mudar, Rumple. É sobre deixar o passado para trás, é sobre fazer com que ele pare de te consumir, de te possuir. Não percebe que é por isso que você nunca o encontrou? Você ainda está lá, preso ao corpo do mesmo homem que era antes, permitindo que suas feridas jamais cicatrizem. É por isso que você jamais curou sua perna... Você não consegue deixar o passado para trás.”, ela disse, e ele abaixou o olhar para a perna que um dia ele mesmo machucou em uma guerra.

“Você não entende.”, foi tudo o que ele conseguiu dizer.

“Não! Você que não entende! Você que não consegue ver porque sua visão está voltada completamente para trás. Entenda, Rumple. Você já me perdeu, e talvez nunca mais me recupere. Mas talvez, apenas talvez, você possa recuperar Bae, se você entender o porque ele te deixou. E se é difícil pra você entender os motivos pelo qual ele foi embora, então se olhe em um espelho, pois você ainda poderá ver o homem o qual o seu filho tanto temia, refletido em você mesmo. Se você não pode mudar por mim, Rumple, mude por você, mude pelo seu filho...”, ela disse, e subiu as escadas em direção ao seu quarto.

Rumple ficou sozinho, com seus pensamentos e o silêncio daquela casa. Ele caminhou então em direção ao espelho da sala de estar e viu sua imagem refletida ali. Respirou fundo, fechou os olhos e pôde ver claramente, em seus pensamentos, o dia em que Bae o deixou.

Fazia tantos anos agora, mas ele ainda era capaz de sentir a mão do garoto na sua, a voz dele chamando-o pelo nome, o medo de perder o seu filho e a dor da perda. Ele mantinha a bengala por vários motivos, e um deles era que segurar aquela bengala todos os dias o fazia lembrar-se do quão forte ele segurou a mão do garoto antes dele cair em direção ao portal. Todos os dias, então, ele sentia Bae ali, segurando firme a sua mão, a mão do velho Rumple, a mão que Bae não queria segurar.

‘Ela estava certa’, ele pensou, e entendeu que não podia se prender ao passado, se o que ele queria era um futuro. Ele então olhou para a sua perna, depositou sobre ela uma de suas mãos e fechou seus olhos por alguns segundos. Sentiu toda a energia emanar de sua mão e a sentiu correndo pela sua perna, que agora já não mais doía. Ele sorriu, sentindo as lágrimas descer de seu rosto, e deixou a bengala cair ao chão, enquanto subia as escadas em direção ao quarto de Belle, onde a encontrou deitada em sua cama, chorando.

“Belle?”, perguntou ele, esperando que ela o recebesse aos gritos. Ela apenas sentou-se em sua cama e enxugou os olhos.

“Eu já vou descer.”, ela respondeu, e não conseguiu dizer mais nada, pois agora ela o via caminhar em sua direção, sem ajuda de bengala nenhuma.

“Você está livre.”, ele disse. “Você está livre para ir e não precisa mais voltar.”, ele disse a ela, que agora se encontrava em pé a sua frente.

“Você está quebrando o acordo?”, perguntou ela, perplexa.

“Eu estou te liberando do acordo.”, ele a corrigiu. “Eu estou te deixando ir.”, ele disse. Ela o abraçou forte contra o peito.

“Mas por quê?”, ela o questionou, embora soubesse bem a resposta.

“Porque você tem razão. Eu me prendi ao passado e não me permiti escrever um novo futuro. Eu te prendia tanto a mim pois sempre achei que você era meu futuro, mas nem percebi que você era minha âncora. Que de alguma forma me prendia a algo que eu queria ser, não o que eu de fato era. Mas eu vou atrás desse homem, desse homem que meu filho merece que eu seja. Obrigado, Belle.”, ele disse. Ela apenas sorriu para ele e correu em direção às escadas, em direção a Ruby, em direção ao futuro cheio de possibilidades que agora ela sabia que tinha.

Ela estava livre, para ser o que ela queria ser e com quem quisesse. E ele estava livre, para tentar ser tudo o que ele sempre quis ser um dia.

Notas finais
Comentem se achar que merece ou se acharem muito ruim :p