She Wolf
24 Capítulo 24 - TORNANDO PIOR O QUE JÁ ESTAVA RUIM!
Notas iniciais
Que saudades!!
Todas Bem?? Ótimo! Nem vou me prolongar aqui, por que, como o titulo sugere as coias não vão muito bem pro nosso casal... Não quero retê-las aqui, então...
ENJOY!
Nos vemos ao final ;)
Se no início eu julgava que seria difícil conviver com Paul, agora eu tinha certeza que era impossível viver sem ele.
Depois de nosso breve encontro pela manhã ele me evitou o resto do dia, e tenho que confessar que não me esforcei muito para mudar a situação, simplesmente por que eu achava que se o procurasse e ele insistisse no assunto de me deixar para trás as coisas entre nós ficariam piores.
A verdade é que éramos os dois, cabeças duras demais, cada um defendendo seu ponto de vista, nenhum nem outro daria o braço a torcer, fim de papo.
Passei em sua casa, á caminho da reunião com o bando, só para descobrir que ele já tinha ido sem esperar por mim. Para não perder a viagem aproveitei para ver Benjamim.
- Como estão às coisas Leah? – Sara sempre perspicaz, avaliava-me atentamente.
- Bem – respondi, forçando um sorriso.
- Você e meu irmão brigaram? – ela insistiu, juntando do chão o chocalho que Ben havia arremessado.
- Não – neguei rápida, mas diante de seu olhar incrédulo recapitulei – Nós só não estamos de acordo sobre certo assunto, então... Mas logo resolveremos isso, não se preocupe – tentei tranqüilizá-la, sem muito sucesso.
- Ouça Leah, eu sei que não tenho o direito de me meter nos assuntos de vocês – ela começou, e prosseguiu diante do meu silêncio – Mas preciso dizer uma coisa a você, como amiga não como irmã do seu namorado, você se importa? – seus olhos carinhosos e preocupados fitaram os meus em expectativa.
- Por favor – pedi.
- Eu conheço Paul melhor do que ninguém, e vi o quanto ele amadureceu nos últimos tempos. Não sei como aconteceu, mas talvez o fato de estar com você tenha alguma coisa haver com isso – ela ajeitou-se melhor no sofá, para acomodar o filho sonolento nos braços – O fato é que ele cresceu, está mais responsável, centrado e, irremediavelmente apaixonado por você. Isso é nítido, então, seja lá o que for que esteja acontecendo nesse momento com vocês, saiba que irá passar, por que ele, apesar do seu temperamento difícil, a ama verdadeiramente, por isso lhe digo, seja paciente com ele, às vezes o amor nos deixa cegos para as coisas óbvias, às vezes transformamos algo mínimo em uma coisa gigantesca, mas é sempre com a intenção de proteger a quem amamos. Pense nisso – ela concluiu fitando-me com intensidade.
Eu suspirei profundamente, absorvendo cada palavra que ela tinha dito; refletindo sobre cada ponto exposto por ela; ponderando tudo.
- Obrigada Sara – sorri-lhe agradecida – Eu pensarei no que você me disse. Só quero que saibas que também tenho um imenso carinho por seu irmão. Ele é muito importante em minha vida, e me esforçarei ao máximo para ser merecedora do amor dele por mim – conclui séria.
Logo depois, despedi-me dela e segui para a clareira para me reuni aos outros, assim que cheguei varri o lugar com um olhar e encontrei o objeto da minha busca sentado em um tronco, o rosto sério, ouvindo atentamente alguma coisa que Jake falava. Caminhei até eles.
- Oi – cumprimentei-os suave.
- Oi – Paul devolveu meu cumprimento, sem o entusiasmo costumeiro.
Eu meio que vacilei, mas lembrei-me de minha conversa com Sara, e resolvi dar-lhe espaço para extravasar seu ressentimento.
Jake acenou para mim e saiu discretamente, deixando-nos a sós.
- Passei em sua casa – falei, sentando-me ao seu lado, onde antes Jacob havia estado.
- Eu saí mais cedo, precisa resolver umas coisas antes de vir para cá – ele disse tenso, sem olhar para mim – Desculpe – seu tom baixo estava desprovido de calor, o que me deixava nervosa e irritada.
- Tudo bem – comecei a cutucar o tronco com minhas unhas, num gesto inconsciente de irritação – Aproveitei para ver Benjamim e conversar um pouco com Sara — eu me negava a deixar a conversar morrer ali, com o seu patético pedido de desculpas.
- Que bom – sua voz se sobressaindo sobre o ruído monótono das minhas unhas descascando a arvore – Você está bem? – seus olhos fixos no movimento dos meus dedos.
- Tirando o fato do que você passou o dia me ignorando, estou ótima – disse sarcástica.
- Eu não ignorei você – ele começou, mas diante do meu olhar desafiador mudou o rumo da conversa – Certo, talvez eu o tenha feito, mas foi só por que achei que você precisa de tempo e espaço para pensar sobre sua decisão – disse finalmente voltando seu olhar para o meu.
- Nada mudou – eu disse calma.
- Foi o que imaginei – manteve-se sério – Vamos, Sam acaba de chegar – disse levantando-se e indo para perto dos outros sem esperar por mim.
Cravei minhas unhas mais fundo no tronco, senti uma farpa perfurando minha pele, dei boas vindas à dor que me distraiu por alguns momentos, antes de me levantar também para me reunir á eles.
- Bom pessoal, houve uma pequena alteração no plano estratégico inicial – a voz calma de Sam não combinava com seu olhar nervoso.
Pelo canto do olho busquei Paul, ele manteve seu olhar fixo em Sam. Seus braços cruzados sobre o peito tenso e a boca apertada numa linha fina, não me permitiam ter nenhuma dica do que estava por vir, eu implorei em pensamento para que ele, realmente, não tivesse conseguido demover Sam da idéia de me manter na luta, caso contrário eu não saberia se conseguiria controlar minha revolta.
- Esclareça-nos Oh Sábio Alfa – Jared brincou – Ou você vai nos deixar criar raízes aqui antes de se resolver a nos contar as novidades? – perguntou debochado.
Risinhos, vindo dos mais jovens foram ouvidos e imediatamente abafados pelo olhar sério que Sam lhes lançou antes de prosseguir.
- Sabemos agora que um dos alvos principais desse ataque é a garota Swan – eu bufei e recebi um olhar duro de Jake que fiz questão de ignorar – Por isso teremos que mantê-la longe daqui, e como nossos visitantes conhecem o cheiro dela e o dos Cullen um dos nossos ficará responsável por sua segurança – anunciou olhando entre nós medindo nossas reações a noticia.
- E de quem foi essa idéia genial? – Jared e seu cinismo marcaram presença mais uma vez.
- Tenho certeza que esse será o único jeito de mantê-la a salvo – Jacob se pronunciou pela primeira vez naquela noite, indicando com sua colocação que a idéia partirá dele.
Ele recebeu os olhares aprovadores de uns e irritados de outros, o meu estava incluído nos últimos.
- Quem ficará com ela? – não me surpreendi com o tom esperançoso na voz de Paul.
Fechei meus olhos rezando fervorosamente para que não fosse eu.
- Seth, ele ficará com ela, escondido nas montanhas – Sam informou sério.
Meus olhos arregalaram-se assustados, isso estava ficando pior do que eu tinha imaginado.
- Seth? – repeti , e procurei por meu irmão no circulo, vi-o sorri contente – Mas ele é só um garoto! – constatei nervosa, e recebi um olhar zangado por parte dele – De quem foi a idéia de colocá-lo na montanha com ela? – perguntei me virando irritada para encarar Sam.
Vi, pelo canto do olho, quando Quill olhou reprovadoramente para Jake, voltei-me olhando-o incrédula.
- Foi você? – perguntei revoltada – Por que não vai você bancar a babá daquela insuportável e mimada adoradora de vampiros? – cuspi minhas palavras entre os dentes.
Ele ficou imóvel sustentando meu olhar irado, o único indício de que ele estava vivo era sua respiração pesada saindo pelas narinas dilatadas.
- Eu quero fazer isso, é melhor do que ficar na Reserva – meu irmão pronunciou-se confiante e erguendo o queixo orgulhoso concluiu – E eu já tenho 15 anos não sou nenhum moleque.
- Fique fora disso Seth – pedi raivosa – Você não vai fazer isso – afirmei dando-lhe um olhar ameaçador.
Eu estava pronta para argumentar mais, mas o olhar irritado de Sam prendeu o meu.
- Não é você quem decidi as coisas por aqui Leah. Eu ainda sou o Alfa e digo que Seth ficará com Bella – Sam me interrompeu – E antes que você comece seu discurso, lhe darei o direito de escolher – disse autoritário – Ou Seth fica com Bella ou você fica, e ele vai para o campo de batalha, o que você prefere? – sua sugestão foi lançada num tom desafiador, na verdade qualquer escolha que eu fizesse, eu sairia perdendo.
Meu corpo tremia incontrolável, o calor percorria minha coluna incendiando meu cérebro, meus dentes batiam furiosamente, o ar queimava penetrando meus pulmões. A minha volta os outros esperavam minha resposta em expectativa. Paul havia descruzados os braços e vi suas mãos fechadas em punhos trêmulos, eu sabia que ele preferiria me ter na montanha pajeando Bella do que no campo de batalha, mas infelizmente para ele isso não iria acontecer.
Voltei toda minha fúria contra Jacob Black.
- Se algo acontecer a meu irmão naquela maldita montanha, eu mato você – minhas palavras raivosas saindo com dificuldade dado meu estado alterado pela ira – Vou caçar você, sacrificá-lo como um cão sarnento e depois deixarei seu corpo numa fábrica de sabão, entendeu? – ameacei-o colérica.
- Perfeitamente – retorquiu sério.
O ar carregado diminuiu diante do nosso acordo tácito. Seth manteve seu olhar zangado, eu sabia que o tinha magoado, quando tentei impedi-lo de participar daquilo, mas não havia nada que eu pudesse fazer em relação a isso. Não iria fingir que não estava preocupada só para massagear seu ego juvenil. Já Paul era outra história, e eu teria que lidar com isso outra hora, pensei com desgosto.
- Agora que Leah tomou sua decisão, podemos seguir nossa programação – a voz calma de Sam se vez ouvir novamente – Jake irá ao campo de treino com os Cullen, os demais ficarão de vigília – ele separou os grupos e assim que começamos a dispersar ele me chamou – Leah, quero falar com você – anunciou calmo.
Eu parei e voltei-me para ele, seus olhos focaram-se em alguém atrás de mim.
- Em particular – ele disse sério, olhando sobre o ombro avistei Paul que nos olhava intrigado – Não é nada pessoal Paul, se ela quiser depois poderá lhe contar – disse tranqüilizador, Paul olhou-me uma última vez antes de me dar as costas e juntar-se a seu grupo.
Fiquei esperando, depois que todos haviam partido Sam volto sua atenção para mim.
- O que está acontecendo aqui Leah? – seus olhos sondavam os meus insistentes.
- Ouça Sam, eu me preocupo com meu irmão ok? Odeio vê-lo envolvido em toda essa merda de Lobos e Vampiros – desabafei nervosa – Ele é só um garoto ainda, não importa o que ele diga. Minha mãe morreria se algo acontecesse a ele. – desabafei melindrada.
- Eu sei muito bem disso, eu também me preocupo com ele. Assim como me preocupo com todos os outros – disse sério – Mas acho que ele não correrá grandes riscos estando de guarda na montanha, eu não arriscaria a vida dele desnecessariamente se suspeitasse de algum perigo iminente – esclareceu.
- Eu confio em você – eu disse, lutando para me acalmar.
- Ótimo, por que tê-la contestando todas as minhas decisões está se tornando um problema para mim, e não quero ter que lembrá-la, á todo momento que sou o Alfa. Respeito suas opiniões e seus sentimentos e espero no mínimo que você retribua isso – eu apenas assenti cansada, seus olhos fixaram os meus mais intensamente – Agora me conte, o que está acontecendo entre você e Paul? – suas palavras me pegaram de surpresa.
- Não está acontecendo nada – tentei desviar-me daquele assunto, mas não tive muito sucesso.
- Vamos Leah, eu conheço você e conheço Paul, sei que está acontecendo alguma coisa, senão por que ele viria me procurar logo cedo, para tentar me convencer a deixá-la fora da luta? — essa informação não me surpreendeu, pelo menos não tanto quanto o fato de á estar discutindo com Sam.
- Paul acha que meu temperamento difícil criará problemas durante o confronto – admiti derrotada – Tivemos uma pequena discussão sobre esse assunto ontem à noite. Mas eu achei que tivéssemos superado isso em nossa conversa hoje pela manhã... Pelo jeito deduzi errado não é mesmo? – falei triste.
- Ele só está preocupado com você, assim como você está preocupada com Seth, do mesmo jeito que eu estou preocupado com todos vocês – explicou com sensatez, desviei meus olhos fitando as arvores – Mas para ser sincero, você sempre será a maior das minhas preocupações Leah. Não posso evitar isso, e sei exatamente o que Paul está sentindo... Pensar em você numa luta vai contra nossa natureza protetora, e isso por que assim como tenho guardado na lembrança o amor que nos uniu um tempo atrás, o amor que ele sente por você hoje está falando mais alto – mantive meu olhar distante do dele, a simples menção do fato de que já fomos mais do que simples amigos mexeu comigo, ouvi-lo proclamar o amor de Paul por mim era ainda mais dolorido, as lágrimas ardiam querendo descer, eu lutei contra elas.
- Eu entendo – murmurei sufocada pela angustia.
- Espero que você não se zangue com ele, sua intenção foi a mesma que você teve ao defender Seth ainda a pouco – ele tocou meu braço sutilmente e eu o olhei surpresa – Quero que saibas que estou aqui pra você, como seu amigo, pelos velhos tempos. E lhe direi o mesmo que disse a Paul quando ele me procurou, que se você resolver não lutar eu não exigirei isso de você, mas a decisão é sua. De acordo? – seus dedos fortes pressionaram minha pele, cobrando uma resposta.
- De acordo – afirmei olhando no fundo de seus olhos escuros, e desejei que o tempo voltasse atrás. Que ele continuasse a ser o meu Sam, que esse pesadelo de ser Lobisomem acabasse; que pudéssemos concretizar nossos planos de ir embora, e ter nossa própria família feliz. Porém, um uivo distante me fez voltar á realidade, pisquei para afastar as lágrimas, e antes que pudesse me dar conta do que fazia o abracei e chorei.
- Fique calma Lee-lee, nós cuidaremos de você – sua voz doce só trouxe uma nova torrente de lágrimas, que deixei que caíssem sobre seu peito – Acho melhor você voltar pra casa agora, descanse um pouco... – enquanto ele falava, eu só mexia minha cabeça em negativa, ainda tinha dificuldades para falar.
Depois de alguns minutos, recuperei a calma, afastei-me dele, limpando os olhos da melhor maneira possível, respirei profundamente.
- Desculpe por isso Sam eu só... – comecei a falar, mas um novo soluço escapou do peito, tive que respirar fundo novamente antes de prosseguir – só estou nervosa, com essa situação, prometo me controlar, não me tire da patrulha. Não hoje – supliquei.
Seus olhos perscrutaram meu rosto, avaliando minhas palavras, ele assentiu em seguida.
- Tudo bem, você fica comigo – sentenciou saindo em seguida para transformar-se, eu segui seu exemplo, nos juntos depois e seguimos para nosso posto de vigília.
Tão logo nos pomos a caminho nossas mentes conectadas aos outros captaram as mensagens do treinamento que Jacob assistia, assim como também pude captar os pensamentos tortuosos de Paul, que não se conformava de jeito nenhum com minha decisão, e os apelos de Seth para que eu não voltasse a interferir em sua missão de guarda-costas de Bella Swan. A simples menção dela fez meus pêlos ouriçarem-se de repulsa, o pensamento seguinte a explodir em minha mente atormentada foi “Você prometeu”, olhei pesarosa para Sam que corria ao meu lado, “Sinto muito! Juro que estou tentando!”, falei a guisa de desculpa, antes de acelerar meus passos e me precipitar montanha a cima, indo vasculhar a fronteira Norte.
A noite parecia estender-se infinitamente, pensamentos mil percorriam minha cabeça sem trégua, a todo o momento lembrava a minha conversa com Sam, e a promessa que fiz a ele, lembrei-me também da ameaça que fiz a Jacob, a qual estava mais que disposta a cumprir caso acontecesse algo a Seth. Assim como recordei a distância que se interpunha entre Paul e eu. Pensei em mil e uma maneiras de diminuí-la, mesmo sabendo que não dependeria só de mim, ele também precisa querer o que no momento não parecia fazer parte dos seus planos, dado o número de vezes que o senti repudiar qualquer pensamento meu. Suspirei inconsolável.
Antes de o dia amanhecer completamente fomos chamados para voltar para casa, ainda na clareira esperei pelo retorno de Paul.
- Ele foi direto para casa – meu irmão avisou-me assim que se aproximou de onde eu estava.
Olhei-o ressentida antes de me levantar do tronco, onde mais cedo eu tinha estado sentada ao lado de Paul, meus ombros curvaram-se derrotados, meus olhos queimaram com novas lágrimas que ameaçavam cair.
- Nós vimos sua lembrança da conversa com Sam – minha memória ativada me fez recordar o momento em que eu chorava nos braços do meu ex-namorado, devia ser disso que Seth estava falando, ele estava diante de mim agora – Sinto muito – murmurou triste.
Eu assenti fracamente, depois lhe dei as costas pegando o rumo de casa, ele me seguiu de perto, mas não tentou se aproximar ou falar comigo. Quando passamos perto da casa de Paul eu parei vacilante, busquei algum sinal de movimentação no quarto em cima da garagem, mas não havia nada, continuei meu caminho, cheguei em casa tomei banho e me enfiei na cama. Sozinha... Mais uma vez derrotada por minha estupidez.
***
Acordei poucas horas depois, no meio da manhã, sem conseguir conciliar o sono outra vez chutei as cobertas me vesti e sai de casa decidida a confrontar Paul. Fosse para o bem ou para o mal teríamos ao menos que conversar, eu me recusava a aceitar que as coisas estivessem tão mal assim, eu não tinha feito nada de mais, além de me manter firme em minha decisão de lutar, ele teria que superar isso.
Chegando a sua casa, fui direto para seu quarto, entrei sem bater, com medo que ele me mandasse embora assim que soubesse ser eu batendo a sua porta. Ele ainda dormia um sono agitado, remexendo-se na cama vez que outra. Fiquei parada, em silêncio absoluto, no meio do quarto, olhando-o virar-se de um lado pro outro, possivelmente preso em algum pesadelo. Arrisquei uma aproximação, seu cheiro único despertando em mim um desejo quase irresistível de tomá-lo em meus braços, de beijar sua boca, de sentir suas mãos sobre minha pele.
Limitei-me a sentar na beira da cama e afagar seus cabelos. Ele relaxou imediatamente.
- Paul! – chamei suavemente. Ele virou seu rosto em direção a minha voz, os olhos ainda fechados fortemente – vamos, acorde – pedi, ansiando arrancá-lo daquele tormento.
Lentamente ele despertou, focando seus olhos nos meus, sua mão tocando a minha que ainda mexia em seus cabelos.
- Leah? – murmurou confuso.
- Sou eu – confirmei doce – Acho que você estava tendo um pesadelo – afirmei.
Ele soltou minha mão e sentou-sena cama, esfregando os olhos, só agora se dando conta de que não estava mais dormindo. Assim que voltou a me olhar sua testa estava franzida no que julguei fosse desgosto e reprovação.
- O que você está fazendo aqui? – inquiriu, sua voz rouca pelo sono, soou repreensiva.
- Vim para conversarmos – eu disse fitando-o séria, esperando sua reação.
Ele bufou, jogou as cobertas para o lado e levantou-se da cama, caminhou nu até o banheiro, e bateu a porta depois de entrar.
Bom, pelo menos ele não me mandou embora, refleti angustiada. Agora era esperar pra ver qual o próximo passo. Ouvi a ducha ser ligada e desligada 10 minutos depois, o ouvi secar-se e vestir-se, escutei inclusive seus movimentos escovando os dentes e secando os cabelos, antes de finalmente ele voltar para o quarto.
Seu semblante não me revelava nada além de frustração por me encontrar ainda sentada em sua cama. Ele parou no meio do quarto, e ficou me olhando como se eu fosse uma intrusa, e mesmo percebendo o quanto minha presença lhe parecia insultante, naquele instante, em que eu o olhava mais atentamente, descobri o que me tinha feito ir até ele, eu não queria perdê-lo. Eu o amava! “Oh Meu Deus! Eu o amo!”, reconheci chocada.
Respirei fundo encarando-o de volta.
- Sente-se aqui – pedi, batendo com a mão no espaço ao meu lado.
- Estou bem de pé – disse, erguendo o queixo orgulhoso – O que você quer?
- Quero conversar com você – afirmei sem desviar meus olhos dos seus. Como ele se recusava a sentar decidi não esperar mais — Por que você não me esperou para virmos juntos pra casa? – eu tentava manter minha voz tranqüila, o que era penoso, dado meu estado de nervosismo só comparado ao dele, que caminhava de um lado ao outro do quarto, como se estivesse numa jaula.
- Achei que Sam a traria pra casa – disse me lançando um olhar rancoroso.
- Por favor, Paul... — antes que eu pudesse dizer alguma outra coisa, ele parou diante de mim, seus olhos escurecidos pela raiva fizeram as palavras morrem em minha garganta.
- Você deve achar que sou idiota não é mesmo? – sua voz alterada pela raiva soou alta no pequeno espaço do quarto – Você realmente achou que eu ficaria lá, esperando por você, depois de você ter repassado vezes sem fim as imagens de vocês dois abraços no meio da clareira? – suas palavras gritadas feriam meus ouvidos.
- Você entendeu tudo errado – eu tentei mais uma vez, ele bufou e afastou-se de mim exasperado – Ele só estava tentando me acalmar, por que eu estava desesperada com a idéia de Seth ir para aquela montanha com Bella – eu ainda lutava para me manter calma, não sabia por quanto tempo eu ainda poderia suportar as acusações não ditas, mas refletidas em seus olhos.
- Aposto que sim, e nada mais lógico do que seu ex-namorado para consolar você não é? Afinal ele te conhece tão bem, e pro Inferno tudo o que ele te fez passar; isso não conta pra nada, por que você me pareceu mais do que á vontade nos braços dele! – toda sua amargura e dor vieram à tona, e como se fosse difícil ficar sem quebrar alguma, ele extravasou sua ira esmurrando a porta do banheiro.
Eu pulei assustada, me pondo de pé no instante seguinte, aquele era um Paul desconhecido para mim. Eu já havia presenciado suas explosões de ira em relação aos vampiros, mas comigo nunca tinha chegado a esse ponto, meu instinto dizia para me manter afastada, mas eu me recusava a acreditar que ele pudesse me fazer algum mal, por isso me aproximei dele, cautelosamente, procurando seus olhos, que permaneciam cravados na parede a sua frente.
- Você está enganado – minha voz tremeu devido às lágrimas que eu tentava engolir – Não aconteceu e nem nunca voltará a acontecer nada entre eu e Sam – seus olhos me fitaram entre irônicos e desconfiados, eu me forcei a prossegui – Mas se você prefere acreditar no contrário, eu não posso fazer nada – disse derrotada, e me afastei indo para porta.
- Sabe qual o seu problema Leah? – sua voz ainda irritada ganhou um toque de ironia, o que me fez parar com a mão na maçaneta, mas sem me voltar para olhá-lo – Você não quer esquecê-lo! É cômodo para você manter seu coração fechado para qualquer outro e deixar Sam ocupando esse espaço, assim você não precisa se esforçar para amar novamente, você não precisa lutar pra manter outra pessoa ao seu lado, por que ele está lá. E na pior das hipóteses você terá apenas que deitar com outro cara para satisfazer suas necessidades, já que ele está praticamente casado com sua prima, além do que Sam nem consegue mais olhar pra você como uma mulher – suas palavras eram como chicotas, elas queimaram em meu coração como se ele estivesse em brasas, eu vacilei alguns segundos antes de conseguir abrir a porta, já do lado de fora eu me voltei para ele.
Eu o vi recuar diante do meu olhar magoado, e me obriguei a falar ainda assim.
- Eu nunca menti a você a respeito dos meus sentimentos. Se no principio foi meu desejo que me prendeu a você, com certeza não foi só ele que me manteve do seu lado durante todo esse tempo. Você está tão longe da verdade agora, que nem se quisesse poderia alcançá-la – as lágrimas impediam minhas palavras de saírem mais firmes – Eu me apaixonei por você, simples assim, mas sinto muito se o magoei — dei-lhe as costas e comecei a descer as escadas, mal vendo os degraus, cegada que estava pelas lágrimas que desciam soltas por meu rosto.
- Leah! – seu chamado me fez excitar no último degrau, mas eu preferia morrer a voltar para aquele quarto e continuar a ser insultada por ele. Logo ele, e logo agora que eu conseguia perceber que eu o amava.
Eu corri feito louca, como se o Diabo estivesse atrás de mim. Chegando em casa fui direto para o meu quarto, tranquei a porta e dei vazão às lágrimas. Chorei e solucei até ficar completamente esgotada, e então me entreguei à escuridão que habitava meu peito. Sem forças para mais nada fechei meus olhos, meu último pensamento ainda foi para ele e para o meu coração que acabava se partir em mil pedaços.
Notas finais
Conto com vcs para saber o que acharam tá bom? Então bora lá, deixar seus comentários mais do que desejados!!!
Bom fim de semana!
Bjs,
K.
Fale com o autor