She Wolf
21 Capítulo 21 - UM DIA DIFERENTE!
Notas iniciais
SAUDADESSSSSSSSSSSS ENORMESSSSS!!! *prontofaleimesmo*
Como foram de passagem de Ano hein?? Divertiram-se? Espero que sim.
Eu preciso mesmo dizer que A_DO_REI, cada um dos comentários que vcs, meus amores, deixaram no capitulo anterior??? *olhoslagrimejantes* Custei a me recuperar da emoção de receber tantos recados amáveis e carinhosos...OBRIGADA DE CORAÇÃO!!!
AGRADEÇO mto mesmo a todas que comentaram em Masked Desire! Adorei vê-las por lá =)
A vcs, minhas fiéis escudeiras, entrego MEU AMOR!!
Bjs,
Key.
A primeira coisa que percebi ao abrir meus olhos foi a dor latejante em minhas têmporas, resultado da noite mal dormida.
Fechei-os novamente, tentando relaxar e, quem sabe assim fazer a dor sumir, mas as lembranças da noite passada voltaram com força e eu gemi frustrada.
A lembrança da tristeza nos olhos de Paul, diante da minha negativa após seu pedido, se abateu sobre mim como uma onda bravia de um mar revolto. Eu odiava ter sido tão fria, quando ele ao contrário era sempre receptivo e caloroso a tudo que se referia a nós.
A verdade é que ele me pegou de surpresa, eu não esperava que ele fosse me pedir pra vivermos juntos, pelo menos não tão cedo! Nós mal tínhamos iniciado um relacionamento, mas eu também sabia que em se tratando dele, as coisas não poderiam ser diferentes; Paul era sempre impetuoso e determinado, para ele a coisa toda era bem simples, ele me amava e confiava nos meus sentimentos por ele, por isso, a proposta era apenas mais um passo para ele dentro daquilo que já tínhamos, era o caminho natural a seguir.
Balancei a cabeça de um lado pro outro e ela protestou veemente, levei minhas mãos a ela, para mantê-la no lugar, quietinha.
Eu não sabia o que fazer para dar um fim ao mal estar que se instalou entre nós depois disso. Como eu o faria entender que não podíamos nos precipitar dessa maneira? Nossos sentimentos eram certos, mas nossas vidas de Lobisomens não! Por agora ele estava comigo, mas e amanhã? E depois de amanhã? Eu não queria pensar nisso, era como uma tortura chinesa, já era bem difícil acreditar que ele ainda estava ali pra mim, viver com a incerteza de perdê-lo era um desafio e uma agonia com a qual eu tentava conviver durante todos os minutos da minha vida.
O que eu não daria para poder fazê-lo entender meu ponto vista! O que eu não daria pra poder acreditar que nosso relacionamento seria longo e duradouro. Eu queria ter a mesma certeza e a confiança que ele tinha, mas a realidade de nossas vidas teimava em me manter distante e sempre alerta para o pior. E o pior que poderia acontecer seria ele acordar hoje, sair de casa pra vir me ver e, durante o trajeto cruzar com alguma garota que despertaria nele o impulso do Imprinting, fazendo com que ele me esquece com a velocidade da luz.
A dor de cabeça intensificou-se, meu peito apertou-se dolorosamente diante dessa possibilidade.
Soltei minha cabeça devagar, eu precisava me levantar e tomar alguma coisa antes que ela explodisse, literalmente, lentamente sentei em minha cama e olhei para o rádio relógio em meu criado mudo, ele marcava meio dia! Eu tinha dormido demais, na verdade eu tinha dormido pouco, só conseguindo apagar mesmo, quando o dia já ia longe, vencida pelo cansaço e pelas dúvidas sem solução que rondavam meu cérebro.
Fui até a cozinha, onde minha mãe preparava o almoço.
- Bom dia Bela Adormecida! – ela me cumprimento alegre, assim que notou minha presença.
- Bom dia mãe! – respondi com esforço, segurando a cabeça entre as mãos.
- Noite difícil? – questionou-me, capturando a nota de sofrimento em minha voz.
- O mesmo de sempre... – informei, dando de ombros, o gesto me arrancou um gemido dolorido, sentei na cadeira mais próxima, rezando pra que eu não tivesse que dar nem mais um passo.
- Aqui, tome isso – ela disse vindo em meu socorro, estendendo as mãos com um analgésico e um copo de água – você se sentirá melhor logo, logo – ela prometeu carinhosa.
- Deus lhe ouça! – murmurei baixinho.
- Ele sempre ouve as mães! – ela confidenciou, piscando um olho e sorrindo pra mim.
Eu sorri de volta, já me sentindo um pouco melhor só por estar ali com ela. Esperei alguns minutos e logo o remédio começou a surtir efeito, graças ao meu metabolismo lupino que dissolvia drogas rapidamente.
-Onde está Seth? – perguntei já quase totalmente recuperada.
- Adivinha? – ela disse me olhando sobre o ombro enquanto mexia em uma panela no fogão.
- Dormindo! – disse confiante que tinha acertado. Ela apenas sorriu em confirmação.
- A senhora precisa de ajuda com alguma coisa? – perguntei me pondo de pé.
- Não querida, estou terminando aqui, obrigada – ela disse serena.
- O.K, então vou tomar um banho e depois chamarei Seth pro almoço – disse saindo da cozinha, parei na porta e me virei para ela novamente – Mãe, você se incomoda se eu chamar Paul para almoçar com a gente? – questionei-a, de repente me senti ansiosa para vê-lo.
- Lógico que não. Será ótimo se ele vir – ela disse sorrindo contente.
Antes de ir pro banho liguei para casa dele. Sua mãe atendeu ao telefone no terceiro toque, depois de cumprimentá-la perguntei por ele, só para descobrir que ele ainda estava dormindo, pedia a ela que transmitisse um recado, que eu o estava convidando para o almoço, caso ele acordasse nos próximos minutos, despedi-me dela, meio triste pela incerteza da vinda dele ou não.
Tomei um banho relaxante, o que ajudou a espantar de vez a dor de cabeça, depois de vestida fui até o quarto de Seth e levei algo em torno de 10 minutos para convencer meu irmão a levantar e vir almoçar conosco.
- Paul virá? – minha mãe perguntou curiosa, assim que voltei pra cozinha.
- Acho que não, ele ainda estava dormindo quando liguei – eu disse, sem conseguir disfarçar a tristeza em minha voz.
- Oba, sobra mais pra mim! Já posso atacar? – perguntou Seth, visivelmente ansioso para abocanhar a comida com urgência.
- Pode sim meu filho, mas, por favor, tenha modos – minha mãe pediu assim que o viu levar a mão a travessa de arroz animadamente.
Eu ri da careta dele, seu esforço para controlar a afobação era divertido de se ver. O almoço estava delicioso, rimos muito com meu irmão contando suas peripécias juvenis.
Seth era sempre espontâneo e divertido, o que me fazia lembrar a sua pouca idade, ainda assim, ele tinha certa maturidade, o que me assombrava as vezes. Saber que ele era um Lobisomem não conseguia afastar de mim, a sensação de que eu devia cuidar dele, olhei-o mais atentamente e percebi as mudanças sutis em suas feições suaves e bonitas, ele tinha o corpo mais musculoso agora, mas seus traços infantis ainda estavam ali, seus olhos brilhantes, seu sorriso fácil, a covinha em sua bochecha que ficava mais pronunciada quando ele sorria abertamente.
Meu coração latejou diante da idéia de todos os riscos que ele corria nessa vida de Guardião, isso não era justo, nem com ele nem com minha mãe, aliás, não era justo com nenhum de nós; termos que arriscar nossas vidas por causa da existência de criaturas nocivas, aberrações da natureza que se impunham a humanidade como as pragas que eram, era algo cruel a meu ver.
Afastei esses pensamentos quando senti o olhar de minha mãe pousado sobre mim. Sua sobrancelha erguida, numa interrogação muda. Sorri calmamente, tranqüilizando-a.
Depois de Seth e eu arrumarmos a cozinha, fomos para sala assistir TV, ele deitou-se no sofá, a cabeça repousada no colo de nossa mãe, enquanto eu me sentava na poltrona em frente á eles.
Duas horas disso e, eu já estava ficando preocupada que Paul não viesse me ver. Talvez ele tivesse ficado mais magoado do que eu havia julgado, então eu teria que tomar a iniciativa de ir até ele e tentar, mais uma vez, explicar minhas razões para não aceitar seu pedido. Eu cogitava seriamente essa possibilidade quando uma batida na porta se vez ouvir.
Pulei rápida do meu lugar correndo para atender, um sorriso de alívio tomou conta do meu rosto quando o vi parado ali.
- Oi – cumprimentei-o feliz, ficando na ponta dos pés para beijá-lo delicadamente no rosto.
Olhei-o atentamente, buscando sinais de stress ou desgosto por nossa última conversa, mas aparentemente ele tinha superado, seu rosto estava tranqüilo.
- Oi – ele respondeu sorrindo, talvez ele tivesse mesmo superado a outra noite, eu respirei aliviada e peguei sua mão puxando-o para dentro.
- Boa Tarde Sra. Clearwater, e aí Seth? – ele cumprimentou minha família alegremente enquanto seguia atrás de mim – Desculpem não ter vindo para o almoço, mas é que acordei tem pouco tempo, então – ele disse olhando para minha mãe reverente.
Meu irmão acenou e sorriu para ele, antes de fechar seus olhos e começar a cochilar.
- Sem problemas, desde já você fica convidado para o próximo domingo, assim você coloca seu relógio para despertar mais cedo – ela disse sorrindo para ele calma.
- E desde já eu aceito e agradeço – ele disse sorrindo, sentando-se na poltrona onde eu havia estado minutos atrás, depois ficou me observando enquanto eu me acomodava no braço da poltrona para ficar mais próxima a ele.
- Encontrei sua mãe dia desses, e ela me contou que Sara está vindo passar uma temporada com vocês – minha mãe falou puxando conversa.
- Sim, eles chegam essa semana, estamos todos na maior expectativa, minha mãe mal cabe em si de tanta ansiedade – ele disse, pousando a mão em meu joelho e acariciando-o inconscientemente.
- Imagino que sim, ainda mais agora com o netinho, deve ser uma felicidade imensa – ela disse sorrindo compreensiva – Mal posso esperar para ter os meus próprios netos – disse pensativa.
Meu corpo retesou involuntariamente diante das palavras dela, mas o toque da mão de Paul se fez mais firme, tranqüilizando-me quase que instantaneamente, abaixei meus olhos para encontrar os dele, que me fitavam calmos e sorri em agradecimento.
- Jared me ligou, pouco antes de eu sair de casa para vir pra cá, ele e Kim nos convidaram para dar uma volta, você quer ir? – Ele inquiriu.
Ponderei sobre o convite alguns minutos antes de responder, eu preferia estar sozinha com ele, mas sabia que ele sentia falta dos amigos.
- Vamos sim. Aonde eles pretendem ir? Preciso me trocar? – perguntei avaliando criticamente meu Jeans, tênis e camiseta.
- Não , você está linda como sempre – ele disse, dando um tapinha no meu joelho e pondo-se de pé – Vem, vamos encontrá-los antes que eles decidam ir e nos deixar pra trás – disse.
Levantei e fui até minha mãe, beijando-a no rosto carinhosamente.
- Divirtam-se crianças – ela disse despedindo-se de nós com um sorriso.
- Você ainda não me disse onde estamos indo – eu insisti, assim que descemos a varanda.
- Por que eu não sei – ele disse dando de ombros – Mas descobriremos logo, eles estão vindo aí – ele disse apontando para o carro de Jared, que acaba de virar na esquina, parando em seguida em frente a minha casa.
- Entrem – Jared disse sem cerimônia.
Paul abriu a porta do carro para eu entrar, acomodando-se ao meu lado em seguida.
Kim virou-se para nós do banco do carona, sorrindo timidamente, e nós retribuímos seu sorriso.
- Então, vocês já decidiram para onde iremos? – Paul dirigiu sua pergunta ao amigo, tão logo o carro se pôs em movimento.
- Pensamos em matar um pouco de tempo no bar do Joe, tudo bem pra vocês? – Jared questionou-nos.
- Por mim está ótimo – Paul concordou, olhando-me calmo, esperando minha confirmação.
- Por mim também – concordei tranqüila, desde que tínhamos voltado de Seattle, não tínhamos ainda socializado com ninguém, eu mal conhecia Kim, namorada de Jared, apesar de sempre vê-los juntos, o máximo que eu a ouvia falar era “oi”.
A timidez dela era gritante, eu sabia que ela conhecia minha condição no bando, assim como ela, com certeza, devia saber boa parte da minha história com Sam e agora com Paul.
Assim que entramos no bar, fomos tragados pela atmosfera alegre e enevoada do ambiente, a música, um pouco alta para meus sensíveis ouvidos de lobo, preenchia o lugar e alguns freqüentadores mais ousados, provavelmente encorajados pelo álcool, arriscavam uns passos estranhos ao redor das mesas que ocupavam. Paul segurava minha mão enquanto procurava uma mesa desocupada para sentarmos, quando achou uma vazia me guiou até lá, Jared e Kim nos seguiam de perto.
Depois que ocupamos nossos lugares, Winona, uma garota morena e baixinha, que havia se formado um ano antes de nós no colégio, veio nos atender, eu tinha ouvido boatos de que Jared já tinha ficado com ela um tempo atrás, e ouvi também que ela havia flertado com Paul quase na mesma época.
- Olá, pessoal, fazia tempo que vocês não apareciam por aqui! – ela constatou lançando um sorriso, mais que radiante, na direção de Paul e Jared – então o que posso fazer por vocês? – ela ofereceu numa voz sugestiva.
Olhei para Kim, que retorcia nervosa, suas mãos postas sobre a mesa, franzi minha testa ao reconhecer que ela também havia notado o tom sedutor que Winona tentará imprimir em suas últimas palavras, fiquei feliz em perceber que eu não estava imaginado coisas, por isso, dei-lhe um sorriso encorajador, antes de fitar Paul que, num gesto calculado trouxe nossas mãos, que permaneciam grudadas, para cima da mesa, acariciando-a suavemente com o polegar virando o rosto para mim em seguida.
- O que você quer? – perguntou carinhoso.
- Um suco de laranja – respondi sorrindo para ele, consciente e feliz por seu gesto.
— Dois sucos de laranja para nós – ele disse sorrindo, virando-se para encarar uma Winona que fitava nossas mãos juntas com olhos arregalados, antes de finalmente desviá-los para o bloco que trazia nas mãos e anotar nosso pedido, virando-se em seguida para o par a nossa frente.
Seguindo o exemplo de Paul, Jared pegou a mão de Kim, ele beijou seus dedos trêmulos antes de perguntar-lhe o que ela desejava beber, ao que ela respondeu num murmúrio que só ele pode ouvir, e logo ele acrescentou mais dois sucos de laranjas ao pedido.
Agora mais relaxada com a partida da garçonete, Kim arriscou sorrir para mim, e eu pude notar como ela ficava bonita quando o fazia. Era fácil perceber, o porquê de Jared ser tão apaixonado por ela, ainda que não tivesse sofrido o Imprinting, mais cedo ou mais tarde ele a notaria, só um cego não veria o quanto ela era atraente, com toda sua aura de mistério e fragilidade envolvendo-a completamente, fazendo-a parecer saída de um daqueles filmes antigos, onde donzelas em perigo mantinham sempre um olhar sonhador para dedicar ao cavalheiro que á salvaria no fim da estória. Sua beleza exótica, com os olhos um pouco mais puxados cercados por cílios longos e espessos, contrastava com o nariz um pouco largo talvez, mas que entrava em perfeita sincronia com a boca de lábios cheios e curvos, os dentes brancos concluíam o conjunto da obra, e seu rosto de pele lisa e morena era emoldurado por longos cabelos brilhantes e negros como a noite que lhe caiam macios pelos ombros estreitos, não havia nada fora de lugar nela, seu corpo, aparentemente magro, era dono de curvas graciosas que a tornavam muito feminina.
Mas, ainda assim, sendo detentora de toda essa beleza, percebi que ela era insegura, talvez ela não tivesse consciência de si, ou quem sabe, sua timidez não lhe permitia acreditar que pudesse atrair um cara como Jared que, apesar de ser um chato na maior parte do tempo para mim, era dono de uma beleza e um charme muito evidentes, isso eu não podia negar.
Decidi que me esforçaria para conhecer Kim melhor, talvez se fizéssemos amizade, eu poderia fazê-la sentir-se melhor com ela mesma e com seu relacionamento. Feliz com decisão retribui seu sorriso.
- Então Kim, agora que você está formada, o que pensa fazer? Faculdade talvez? – iniciei uma conversa, enquanto Winona voltava com nossos sucos e os deposita á mesa, saindo em seguida.
- Ainda não decidi – ela disse, dando de ombros levemente, olhando-me timidamente por baixo dos cílios.
- Enquanto minha doce Kim não decidi o que fazer, vamos fazer um brinde aos Guardiões de La Pusch, que terão uma longa jornada de trabalho essa noite – Jared propôs alegremente, erguendo seu copo para nós, todos acompanhamos seu gesto, tocando levemente os copos uns nos outros.
- Nem acredito que Sam nos deu folga ontem – Paul confessou – Ele tem arranco nosso couro, literalmente, nessa última semana. Confesso que estava chegando ao meu limite já – falou.
- Tá bom que eu acredito que justo você, não ficou eufórico com a possibilidade de encarar algum sanguessuga por esses dias – Jared provocou sarcástico.
- O que você quer dizer com isso? – perguntei curiosa.
- Ah, qual é Leah! Você sabe que seu namorado aí mal consegue se segurar quando alcança um rastro fresco do inimigo, ele chega a salivar antecipadamente que eu sei, aliás, todos nós sabemos o quanto Paul anseia em pôr fim a vida miserável de uma dessas aberrações – ele disse sorrindo e olhando para Paul maliciosamente.
- Certo Jared! Você me conhece melhor que minha namorada – Paul debochou — mas vai dizer que você também não anseia por um confronto hein? – Paul rebateu, rindo diante do brilho febril que se apoderou dos olhos do amigo.
- Cara, eu não vejo a hora disso acontecer, quero encontrar logo esse desgraçado que vem rondando nossa floresta, e dar cabo dele de uma vez por todas – ele afirmou categórico, dando uma pancada na mesa, que mesmo leve, fez nossos copos tremerem, e pra não destoar da cena, Kim também estremeceu, encolhendo-se um pouco.
- Desculpe tê-la assustado amor – Jared apressou-se em abraçá-la carinhosamente, arrependido de seu rompante de valentia.
Paul e eu sorrimos um pro outro, cúmplices.
- Que tal uma partida de sinuca? Vamos jogar em duplas, casal contra casal, que tal? – Paul sugeriu sorrindo, pronto para apaziguar os ânimos.
- Tô dentro – Jared aceitou logo e Kim apenas sorriu concordando.
Foi no mínimo divertido jogar com eles, Paul e Jared provocavam um ao outro o tempo todo, e Kim e eu apenas riamos dos dois, que apesar de saberem tratar-se apenas de uma brincadeira, levavam a sério suas jogadas arquitetando estratégias para vencerem um ao outro.
Cansadas Kim e eu declaramos empate, depois da quarta partida seguida, com o placar marcando 2x2, e concordamos voltar num próximo dia para uma revanche, antes de seguirmos de volta a mesa deixando-os jogando sozinhos.
-Deve ser bom fazer parte do bando não é? – Kim questionou-me, inda parecendo um pouco desconfortável, mas se esforçando para não sê-lo.
- Há um preço muito alto a pagar – eu disse séria – no meu caso pelo menos – minha voz assumindo o tom amargo de sempre, quando eu tinha que tocar nesse assunto.
- Mas pelo menos você está sempre com Paul, isso deve contar para alguma coisa – ela observou sabiamente – Se algo acontecer você estará lá para ajudá-lo, já eu tenho que ficar esperando em casa, aflita, sem saber se ele voltará para mim – ela confessou o que eu julguei ser um dos seus piores temores.
- Nada irá acontecer, eu ficarei de olho nele por você certo? – prometi sorrindo confiante para ela.
Ela apenas sorriu de volta em aceitação, ficando visivelmente mais tranqüila. Eu sabia que não poderia cumprir minha promessa de protegê-lo á risca, até por que, muitas vezes nem estávamos no mesmo grupo de patrulha, mas se isso a ajudasse a ficar mais calma, eu mentiria sempre, sem remorsos.
- Leah, eu posso lhe fazer uma pergunta? – ela questionou, olhando-me séria, enquanto seu rosto ruborizava em expectativa e seus dedos torciam-se involuntariamente.
- Lógico que sim, pergunte o que quiser – instiguei-a, curiosa em saber o que se passava na mente dela.
- Bom você namorou Sam um longo tempo, e agora está com Paul... – ela começou atrapalhando-se um pouco com as palavras, tomou o resto do suco antes de prosseguir – O que estou tentando dizer é que, bem, você tem experiência com os homens, certo? – ela inquiriu me fitando constrangida, eu mantive meu olhar impassível, resolvida a me manifestar só depois que ela terminasse – Você já fez amor com algum deles? Já fez com Paul pelo menos? – ela concluiu, ficando ainda mais vermelha, como se fosse humanamente possível, enquanto aguardava minha resposta.
Eu olhei-a fixamente, bom aquilo tinha me pego de surpresa, confesso, mas se esse era o tipo de conversa que ela se propunha a ter, por mim, tudo bem.
- Já sim – confirmei calma – Mas por que você está me perguntando isso? – perguntei com toda suavidade que eu supunha fosse preciso pra arrancar algo dela.
Ela remexeu-se na cadeira, agora desconfortável com o tema que ela mesma havia levantado.
- É que eu e Jared... – ela olhou ao redor, preocupada que alguém além de mim estivesse ouvindo, mirou seus olhos nos meus e murmurou – nós nunca fizemos – confidenciou, sua voz sussurrada era um misto de tristeza e constrangimento.
- Mas você quer? – inquiri encarando-a atentamente.
- Eu adoraria – ela confirmou corando violentamente – Mas morro de medo! – disse nervosa.
Eu olhei para onde os rapazes estavam ainda concentrados na disputa, antes de fitá-la séria, ouvi claramente o riso de Jared diante de alguma provocação feita por Paul, e não o conseguia imaginar sendo deliberadamente cafajeste com Kim.
- Do que exatamente você tem medo? – eu quis saber, talvez ali estivesse minha chance de ajudá-la afinal.
- Ah, tenho medo de tanta coisa – suas feições desabando desanimadas – medo que ele me deixe logo depois, medo que ele não goste de mim desse jeito, medo de não ser boa o bastante para satisfazê-lo – ela afundava na cadeira mais e mais enquanto revelava seus temores.
- Ele explicou a você sobre o imprinting? – perguntei, e ela confirmou com um aceno de cabeça, seus olhos fixos na mesa – Então seu medo de ser abandona já pode ser descartado de cara – ela meio que ergueu seus olhos para mim esperando – E sobre ser desejável bem, você tem apenas que aprender a se olhar mais no espelho sabe? Você é muito bonita Kim, qualquer cara adoraria tomar o lugar de Jared – disse convicta, ela me olhou com desconfiança – Se você não acredita em mim, então dê uma olhadinha naquele cara sentado no bar, ele não tirou os olhos de você desde que voltamos para a mesa – falei, apontando discretamente o lugar, onde o cara estava, com um meneio de cabeça.
Ela virou-se discretamente olhando sobre o ombro o lugar que indiquei, e depois olhou para mim ruborizada, quando o cara acenou para ela erguendo seu copo num convite claro para que ela o acompanha-se.
-Entendeu o que eu disse? Você é mais bonita do que se julga, só precisa ser mais confiante nisso, e sobre o lance de satisfazê-lo ou não – parei, em minha mente rondava a conversa que Paul e eu tivemos na noite anterior, quando ele me perguntou se sempre seria bom o sexo entre nós, e olhando-o agora reclinado sobre a mesa concentrado em sua próxima jogada, senti meu corpo todo aquecer involuntariamente — bom, só o que posso dizer é que a pratica leva a perfeição, então... – conclui dando-lhe um sorriso malicioso, que ela entendeu na hora.
- Você faz parecer tão fácil – ela disse aborrecida.
- Por que é fácil – eu confirmei – Mas para que dê certo, é preciso que os dois queiram, não faça nada só para agradá-lo, ou por sentir-se pressionada, assim não rola – aconselhei.
- Jared não me pressiona, eu é que sou assim mesmo, cheia de neuras – ela disse como se estive se desculpando.
- Pois então está na hora de você tomar as rédeas disso – eu disse com segurança — não deixe seus medos guiarem sua vida, seja mais confiante, você tem um homem lindo, que te adora, você é bonita, jovem, cheia de vida, e quando sentir-se totalmente pronta tenho certeza que tomará a decisão certa a esse respeito – finalizei olhando-a confiante, eu mesma deveria aproveitar o conselho e pô-lo em prática, mas meu caso era diferente do dela, minha insegurança residia em não saber até quando Paul me amaria.
Ela fechou os olhos e respirou profundamente antes de abri-los novamente e me encarar.
- Você está certa – ela afirmou serena – Estou feliz por ter falado com você sobre isso, você não faz idéia do quanto me ajudou. Obrigada por isso – disse sorrindo agradecida.
- Não por isso, quando quiser conversar me procure, não se acanhe, terei prazer em ajudá-la sempre, combinado? – sugeri alegre.
- Combinado – confirmou o brilho de seu sorriso alcançando seus olhos.
- O que é que vocês duas estão combinando aí? Posso saber? – Jared perguntou, jogando-se na cadeira ao lado da dela, e olhando desconfiado de uma para outra.
Eu pisquei para ela, que sorrindo virou-se para ele, fazendo um carinho em seu rosto.
- Coisas de meninas – ela disse simplesmente, antes de beijá-lo suavemente, surpreendendo-o.
Ela nunca, antes, foi capaz de demonstrar seu afeto por ele assim, em público, o máximo que ela se permitia era um abraço.
- Tudo bem, se você diz – ele concordou feliz com a súbita mudança dela.
- Onde está Paul? – perguntei olhando ao redor.
- Ele foi ao banheiro, esfriar a cabeça depois de perder de lavada – ele disse rindo da própria piada.
- Você é um grande mentiroso Jared, diga a elas a verdade, quem ganhou de quem? – Paul exigiu parando logo atrás da cadeira dele.
- Oh cara, você poderia ao menos, deixar que minha garota acreditasse que namora um campeão de sinuca né? – falou derrotado.
Nós rimos da careta que ele fez.
- Acho que já está na hora de irmos – Paul anunciou.
- O.K, só preciso de um minuto – eu disse me levantando e passando por ele, tocando sua mão antes de me encaminhar até o banheiro.
Eu estava a dois passos da porta quando meu trajeto foi bloqueado por um cara que saia da porta do banheiro masculino que ficava ao lado.
Eu parei me encostando na parede para dar-lhe passagem, mas assim que me viu ele também parou me encarando.
- Ora, ora, se não é a bela Leah parada bem aqui como uma visão do Paraíso! – ele disse, e eu reconheci Will, um carinha do colégio, conhecido por sua arrogância e seu caráter duvidoso.
- Olá Will – cumprimentei-o, apenas para ser educada, forçando passagem para o banheiro feminino.
- Pra que a presa benzinho? – ele perguntou segurando meu braço com força.
Seu gesto ousado me pegou de surpresa, e por um instante fiquei sem ação, até que alguém parado logo atrás de mim se fez ouvir.
- Algum problema Leah? – olhei sobre o ombro, apesar de falar comigo suavemente, os olhos de Paul estavam cravados em Will, eu sabia que um mero “sim” da minha parte, seria o bastante para que ele partisse o cara em dois, mas eu não queria confusão.
- Está tudo bem Paul, Will estava apenas me cumprimentando – eu disse, desafiando Will a me desmentir, o que, apesar de ser o que queria, não o fez, evidentemente pensando melhor depois de dar mais uma espiada no semblante carregado do meu namorado.
Ele baixou a mão que mantinha meu braço preso, e antes que eu pudesse retomar meu caminho vi Paul aproximar-se perigosamente dele, sem desviar os olhos um milímetro se quer.
- Dá próxima vez que você pensar em tocá-la assegure-se de que seu plano de saúde cubra amputações – A ameaça de Paul, apesar de ser proferida num tom baixo e controlado, fez Will estremecer visivelmente.
- Desculpe cara, não tive a intenção de ofender ninguém – ele disse num fio de voz.
- Apenas siga seu caminho Will – Paul cuspiu as palavras na cara dele, antes que esse saísse apressadamente.
Eu entrei no banheiro e menos de dois minutos depois saí, para encontrar um Paul pacientemente esperando por mim do lado de fora, com os braços cruzados sobre o peito e o semblante ainda carrancudo.
- Já podemos ir – anunciei.
Ele olhou para mim, suas feições suavizaram um pouco quando ele me viu, pegando minha mão na sua, ele nos guiou de volta a mesa para chamarmos Jared e Kim para irmos.
- O que aconteceu lá? – Jared quis saber assim que saímos do bar.
- Nada demais, só o Will bancando o idiota de sempre – eu disse rancorosa, pondo fim ao assunto.
Ele nos deixou na minha casa, eu tinha que me trocar antes de pegar no turno da patrulha. Despedi-me de Kim com um aceno e um sorriso cúmplice que ela retribuiu.
Paul ficou esperando por mim na varanda, assim que troquei meus jeans e camiseta, por short e top, calcei uma rasteirinha e fui ao encontro dele.
Nós seguimos em silêncio até sua casa, fomos direto para o quarto em cima da garagem, onde Paul ligou a TV, para me distrair enquanto ele pegava uma bermuda e ia até o banheiro para trocar-se.
Quando ele emergiu do banheiro ainda trazia no rosto traços de sua frustração recente, rapidamente me coloquei de pé indo até ele, peguei as roupas que ele trazia na mão e joguei-as displicentemente na cadeira ao lado da cômoda, pousei minhas mãos em sua cintura e ergui o rosto para poder encará-lo.
- Sabia que você não me beijo ainda hoje? – questionei-o forçando uma carinha triste.
- Sério? Desculpe então – ele disse baixando a cabeça e roçando seus lábios nos meus antes de afastá-los 2 segundos depois, me olhando complacente.
- Certo Paul, nós podemos fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil, você escolhe – eu disse, firmando meu olhar no dele, deslizando meus dedos por suas costelas e indo para suas costas, puxando-o para mais perto de mim.
Seus olhos foram os primeiros a se renderem, seguidos de seus lábios que se apossaram dos meus com volúpia, suas mãos firmaram-se em minha cintura, apertando com força meu corpo junto ao seu, como se tentasse fundi-los. Sua língua deslizou para dentro da minha boca, voraz, travando uma luta com a minha para ver quem satisfazia quem primeiro.
Afastei minha boca da dele, em busca de ar.
-Assim é que se faz – eu disse maliciosa – Você até que aprende rápido para um garoto — provoquei sorrindo.
Um lampejo de ultraje e diversão cruzou seus olhos antes de ele me empurrar pra cama e se jogar sobre mim.
- Vou mostrar a você o quanto esse garoto aqui já aprendeu – sua ameaça desencadeou uma onda de desejo tão inesperada que cheguei a perder o fôlego um segundo antes de sua boca tomar a minha mais uma vez.
Suas mãos ágeis percorriam meu corpo, deixando um rastro incendiário por onde passavam, só percebi que estava sem o top, quando uma dorzinha prazerosa irradiou do meu seio esquerdo, me fazendo notar que ele tinha meu mamilo preso entre os dentes enquanto passava a ponta da língua nele, seus dedos infiltraram-se sob a bainha do meu short, encontrando a maciez da minha nádega onde se afundaram, puxando meu corpo para mais junto dele, e aí percebi que sua excitação evidente rivalizava com a minha, ele fazia questão de esfregar-se em mim o tempo todo.
Seus lábios buscaram os meus mais uma vez antes que eles descessem mordiscando e lambendo meu pescoço, meu colo, meu estomago, seus dentes arranhavam minha barriga enquanto seus dedos desabotoavam meu short, ele baixou-o o suficiente para expor minha calcinha de cetim preta, a umidade e o calor concentrado entre minhas pernas era uma lembrança aflitiva do meu desejo por ele, que precisava ser aplacada logo, antes que eu entrasse em combustão espontânea.
Ele me beijo delicadamente, por cima da calcinha, antes de erguer seus olhos para mim, e só quando ele sorriu, foi que eu me dei conta que estava irremediavelmente perdida.
Mas então, ele levantou-se de um salto e saiu caminhando calmamente para o banheiro, me olhou sobre o ombro quando alcançou a porta.
- Se vista rápido, nós já estamos atrasados para encontrar os outros – disse tranqüilo fechando a porta atrás de si.
Hein!?? O que?? Era isso então?? Meus pensamentos confusos entraram em batalha com meu desejo absurdamente negligenciado por meu namorado espertinho e vingativo. Ele estava me punindo por não ter aceitado seu pedido para vir viver com ele. Aquilo fora uma “mostra” do que eu estava “perdendo”. Maldito!
Vesti meu top novamente e fechei meu short, assim que ele desocupou o banheiro eu entrei batendo a porta com mais força do que o necessário, a frustração era tanta que meu corpo todo estava dolorido. Respirei fundo antes de jogar água fria no rosto, pulsos e nuca; refiz meu rabo de cavalo, já mais controlada, sai para encontrá-lo.
Ele me esperava em pé junto á porta do quarto.
- Você está pronta? – o duplo sentido em suas palavras fez a frustração retornar com força, fuzilei-o com os olhos passando por ele pisando firme, e descendo as escadas sem esperá-lo.
- Ei, me espere – sua voz risonha me alcançou antes que eu chegasse ao portão – Nós precisamos mesmo nos apressar, mas também não é pra tanto – ele ironizou.
- Oh, não! Faço questão que você chegue logo e inteiro para a divisão da patrulha – rosnei.
Sua risada cristalina ressoou pela Floresta assim que a adentramos. Ele me agarrou por trás me fazendo parar e me girando em seus braços para que pudesse me encarar, um sorriso divertido estampado em sua face.
- Me solta seu... – não pude completar minha frase por que ele me beijou, se aproveitando mais uma vez da minha distração.
- Nada de xingamentos, nem palavras duras mocinha – ele ralhou brincalhão – se você se comportar direitinho eu prometo recompensá-la mais tarde – ele disse piscando pra mim.
Minha fúria foi parcialmente aplacada com o beijo, mas ainda havia uma centelha ali.
- você sabe que isso terá volta não é? – eu disse estreitando meus olhos.
- Isso é uma ameaça? – perguntou sorrindo ainda mais.
- Entenda como quiser – eu disse dando de ombros, retomando meu caminho, enquanto o ouvia rir atrás de mim.
Encontramos nossos companheiros de vigília alguns minutos depois, meu mau humor evidente, chamou atenção deles tão logo pisei na clareira.
- Vocês estão atrasados – a constatação veio de Sam e era dirigida a nós dois.
- A culpa foi dela, Leah se distrai muito facilmente – Paul declarou, numa voz tão inocente que me fez sentir ainda mais frustrada, se é que era possível.
- E aí Leah? – Jared me cumprimentou jovial, então ele foi o primeiro a receber meu olhar raivoso do tipo “Mantenha Distância” – O que aconteceu com ela? – ele perguntou virando-se para Paul com um sorriso maroto no rosto.
- Ela só acabou de provar um pouco do próprio veneno – ele disse divertido, me dando as costas quando o mirei com um olhar matador.
Ouvi algumas risadinhas abafadas, enquanto me encaminhava para trás das arvores e deixava a transformação ocorrer, logo depois foi à vez deles, quando já estávamos todos reunidos na forma de lobos, Sam dividiu os grupos, e antes que eu partisse com Jared para cobrir a fronteira sul Paul aproximou-se de mim, cutucando meu ombro com o focinho carinhosamente, seus olhos grandes e escuros pareciam pedir desculpas.
Eu me empertiguei virei minha cara pro outro lado e passei por ele orgulhosa, dando-lhe por fim uma rabanada com minha cola em seu focinho.
Um rosnado, em forma de riso ressoou atrás de mim, antes que eu o perdesse totalmente de vista.
Notas finais
Nos vemos na semana que vem...
Bjos.
K.
Fale com o autor