She Will Be Loved
16 Give Your Heart A Break
Tamborilei os dedos no meu copo de plástico vazio e depois o amassei.
A sala da diretora nunca esteve tão bem frequentada quanto hoje. Pelo menos é o que parecia com cinco pessoas esperando para serem atendidas. Entre elas estava David, com os olhos roxos e o lábio inchado, mesmo já fazendo quatro dias que ele tomou uma surra do Justin.
Inclusive o próprio Justin estava ali com alguns papéis na mão e olhando com raiva para David. Talvez eles se matem e façam um grande favor para mim, quem sabe.
Uma aluna do segundo ano saiu da sala da diretora Thompson, fazendo a mesma sair e olhar no papel quem era o próximo a ser atendido.
– David Johnson. – A diretora falou e olhou para os alunos por cima de seus óculos de grau.
David se levantou e entrou na sala da diretora, que fechou a porta logo em seguida.
– O que houve com o rosto dele? – Uma garota cochichou com a outra. Essa “outra” olhou pra mim e então a garota entendeu. – Ah.
Justin pareceu desconfortável e então pegou o celular no bolso da calça, começando a digitar algo. Cruzei minhas pernas e fingi estar ocupada demais com umfio solto do meu shorts.
É tão estranho não estar conversando com o Justin que seria engraçado se não fosse trágico. Há pouco tempo atrás nós conversávamos sobre tudo, sobre nossas famílias problemáticas e tudo mais.
Antes de eu descobrir que ele estava me enganando, claro.
As garotas que estavam ali começaram a conversar sobre nós dois como se não estivéssemos ali. Apesar de eu estar me acostumando a não me importar, eu me importava um pouco. Ao contrário de Justin, que parecia entretido demais no celular para dar a mínima para essas garotas.
David passou uns bons dez minutos lá dentro antes de sair olhando bravo para mim e para Justin.
– Charlotte Adams. – A diretora falou e olhou na minha direção.
Levantei e entrei na sala dela. A diretora Thompson fechou a porta logo em seguida, apontando para uma poltrona para eu sentar. Me sentei e a diretora sentou na grande cadeira de couro dela.
– Pode falar. – Ela falou antes de ajeitar os óculos.
– Quero me candidatar a uma vaga no Newbridge Boarding School. – Falei.
A diretora me olhou com uma ponta de piedade no olhar.
– Eu sei que a sua colega de quarto entrou e tudo mais. Mas eu sinto muito, a época para reivindicação de vaga já foi. – A diretora falou. – Saberia disso se se preocupasse mais em prestar atenção na aula.
Reprimi a vontade de sacar uma arma e atirar na cara dela.
– Por favor. – Falei. – Você sabe que... Você...
Respirei fundo.
– Eu sei... – A diretora deu força.
– Você sabe que Lucy é como minha única família. – Falei. – Você sabe do drama com o meu pai e tudo mais. Eu só quero uma chance.
A diretora me olhou por uns momentos, antes de preencher uma ficha que estava na frente dela.
– Vou falar com o departamento de admissões da Newbridge. – Falou. – Ver se eles pegam uma inscrição de última hora.
Sorri.
– A carta de aceitação pode demorar um pouco para chegar no seu caso. – A diretora alertou.
– Tudo bem. – Falei.
– Boa sorte Charlotte. – A diretora falou.
Ela andou comigo até a porta, chamando o último nome que eu queria escutar na face da Terra.
– Justin Fletcher. – Chamou.
Justin levantou e passou por mim, sem nem me olhar.
– E Charlotte? – Ouvi a voz da diretora. Me virei e a encarei. A diretora Thompson me olhou de cima a baixo com cara de nojo antes de voltar a olhar para os meus olhos. – Gostei do... Anel.
Vi Justin dar um sorriso vitorioso de dentro da sala da diretora antes da porta se fechar. E eu fiquei parada igual uma idiota, encarando a porta e morta de raiva. Sai do prédio da diretoria e sentei em um banco de madeira no pátio.
– Olá. – Ouvi a voz de David perigosamente próxima do meu ouvido.
Pulei no banco e comecei a tentar acalmar meu coração.
– Que susto, garoto. – Falei e respirei fundo. – O que você quer?
David riu e sentou do meu lado.
– Terminar o que começamos na festa e seu amiguinho atrapalhou. – David falou e colocou a mão na minha perna.
Tirei a mão dele de lá.
– Não vamos terminar nada. – Falei. – Falando nisso, eu te odeio e ficaria muito grata se você saísse da minha vista.
David riu e voltou a colocar a mão dele na minha perna.
– Nós vamos terminar porque eu quero terminar. – David falou sério. – E não vai ser você que vai me impedir.
Senti um gelo percorrer minha espinha.
– Admita Charlotte. – David falou e aproximou seus lábios da minha orelha. – Você quer tanto quanto eu.
Empurrei o peito de David, o fazendo cair do banco. Pensei em sair correndo como uma garotinha, mas David segurou meu braço com força.
Antes que eu pudesse ter qualquer tipo de reação – gritar, correr, matar ele – David me puxou para o chão, selando nossos lábios.
Fechei minha boca com força, impedindo que a língua atrevida de David invadisse minha boca. Comecei a me debater, mas isso parecia não ter qualquer tipo de efeito naquele garoto.
Soquei o rosto dele, o fazendo cair para o lado. Me virei e comecei a me levantar, mas David me puxou de novo, me fazendo cair.
– Opa. – Ouvi a voz de Ryan. – Vão com calma aí.
David me soltou e olhou para Ryan, depois olhou para mim.
– Depois terminamos,docinho. – David disse e levantou do chão, me deixando jogada no chão.
Ryan riu da minha careta de ódio e me ofereceu a mão.
– Quer uma ajuda aí, rebelde sem causa? – Ryan brincou.
Ri sem humor, fazendo Ryan começar a gargalhar. Me levantei do chão ignorando a mão de Ryan.
– Viu o Justin? – Ryan perguntou.
– Diretoria. – Falei e apontei para o prédio.
O sorriso de Ryan desapareceu aos poucos, entortando os lábios e olhando pro chão.
– Ele tá mal. – Ryan falou.
– Não ligo. – Falei e tirei um pouco da grama da minha roupa.
– Eu sei que não. – Ryan falou. – E também sei que a Lucy vai mudar de país.
– É. – Falei. – Eu quero ir com ela, mas preciso que o internato de lá me aceite.
Ryan riu baixo.
– Quero ver como vai se virar quando Lucy for embora e não tiver mais eu e Justin pra livrar sua barra do seu amigo em potencial pra estuprador. – Ryan falou.
Então o destino me jogou um balde de água gelada, exatamente como aconteceu quando Lucy me disse que ia embora.
Ryan, Justin, Josh, Sophie e Anne vão se formar. Vão ir para uma universidade, para longe daqui. E eu vou ficar sozinha se não conseguir entrar para a Newbridge.
Engoli em seco.
– Bom, vou ir atrás dele. – Ryan falou e apontou para a diretoria.
Ryan começou a andar e eu fiquei ali, parada. Quando a fixa finalmente caiu eu corri atrás de Ryan.
– Ryan! – Gritei.
Ryan parou e olhou para mim com as sobrancelhas erguidas.
– Oi? – Respondeu.
– Como assim ele tá mal? – Perguntei. – Do tipo... Ele não vai para uma universidade?
– Mais ou menos. – Ryan falou. – O pai dele ligou para todas as universidades do planeta, provavelmente. Ligou e contou uma rápida história das coisas que Justin fazia quando estava na Inglaterra. Agora nenhuma quer ele tirando, é claro, Oxford, a universidade do pai dele.
Assenti. Ryan se virou para a diretoria de novo, depois voltou a olhar para mim.
– E olha só... – Ryan falou. – Não fui eu que te contei.
Assenti de novo, um pouco fora da realidade.
– Boa sorte com o internato da Irlanda. – Ryan falou e entrou no prédio da diretoria.
Sentei na pequena escada do prédio da diretoria, apoiando minha cabeça em minhas mãos e meus braços nos meus joelhos. Deixei algumas lágrimas escaparem enquanto pensava na minha vida.
Parece que tudo está, de repente, saindo do meu controle.
Não que eu realmente tivesse o controle da minha vida antes de perdê-lo.
Ouvi a porta da diretoria abrir e fechar logo em seguida. Depois ouvi alguns passos até chegar em mim.
– Ei. – Ouvi a voz de Justin e senti alguém empurrar de leve minhas costas. – Tá passando mal?
Limpei as lágrimas que já caiam compulsivamente dos meus olhos.
– Não. – Falei e funguei. Maldição. – Eu estou bem. Só... Só me deixa em paz.
– Você tá chorando? – Justin perguntou.
Limpei as lágrimas de novo.
– Cai fora. – Falei.
Justin sentou do meu lado.
– Eu sei que não sou a sua pessoa favorita no planeta agora, mas pode conversar comigo. – Justin falou.
Não respondi. Justin é a última pessoa que eu quero conversar agora.
Ou não?
– É por causa da Lucy? – Justin perguntou.
Eu estava me sentindo uma criança inútil sendo consolada pelo irmão mais velho.
– Se não falar comigo não tenho como te ajudar, sabia? – Justin falou.
– Eu estou bem. – Falei e limpei mais algumas lágrimas.
– Não está não. – Justin falou com um pouco de raiva. – Quer parar de dizer que está tudo bem quando tudo claramente não está?
Tentei controlar meu choro ou as fungadas vergonhosas.
– Lucy vai embora. – Falei. Justin assentiu. – Você e Ryan também. Josh também. Todo mundo vai embora.
Então o inesperado aconteceu:
Justin me abraçou.
E de um modo um pouco masoquista eu gostei. Pela primeira vez em muito tempo eu me senti verdadeiramente segura, protegida.
– Vai ficar tudo bem. – Justin falou. – Tenho certeza de que você pode ir visitar nas férias.
Me agarrei ainda mais a Justin, me sentindo realmente estúpida por estar cedendo tão fácil. Mas era o que meu coração tonto queria.
Justin beijou meu cabelo.
– Vem cá. – Justin falou e me soltou, me ajudando a levantar do chão.
Caminhamos até o alojamento do segundo ano, indo para o meu quarto. Entramos e eu sentei na minha cama enquanto Justin sentou no chão perto de mim.
– Olha... – Justin começou. – Eu sou péssimo em consolar pessoas então, por favor ignore se eu disser algo bem estúpido.
Ri entre as lágrimas que ainda caiam.
– Às vezes coisas ruins acontecem para podermos valorizar as boas. – Justin falou. – E, no final das contas, as coisas ruins acabam resultando em algo bom.
Limpei as lágrimas de novo.
– Eu sei que a Newbridge vai chamar você. – Justin falou. – Seriam idiotas se não chamassem.
Olhei para ele confusa. Justin riu.
– A diretora me contou. – Justin falou.
Sorri.
– Obrigada. – Falei.
Justin sorriu de volta, me olhando profundamente nos olhos.
– Você sabe, eu estava te devendo uma. – Justin falou.
Mordi minhas bochechas por dentro da boca.
– Aquela noite você disse que podia explicar. – Falei.
Justin respirou fundo e encostou a cabeça na cama.
– Você conhece as pessoas dessa escola. – Justin falou. – Sempre querem foder com os que chegam depois.
Ri pelo nariz.
– Era um dos trotes do quarto ano. – Justin falou. – Eu tinha que escolher entre andar pelado no pátio ou fazer uma menina de idiota.
– Claro, eu sou a idiota. – Falei.
– Me deixa terminar. – Justin falou. – Enfim, eu escolhi uma menina randômica que estava dando bobeira em uma festa.
Eu era a menina randômica dando bobeira em uma festa.
– Eu levei a garota para sair e disse para os idiotas que estavam me forçando a fazer aquilo que ela estava caidinha por mim. – Justin falou. – E isso durou algum tempo, até eu beijá-la. Ai eu disse que não queria mais enganar a garota porque eu estava começando a levar aquele romance falso longe demais. Você sabe, não sabia se estava fazendo porque não queria me dar mal com os garotos idiotas do último ano ou porque eu realmente queria estar com ela.
Olhei para Justin, que encarava um ponto fixo na janela.
– Lance, o capitão do time de futebol americano, começou a me pagar para levar a diante aquela história ridícula. – Justin falou. – E eu até que estava bem com isso, mas tudo mudou quando eu conheci de verdade essa garota, quando eu realmente comecei a me importar.
– Você deve estar bem orgulhoso de você mesmo. – Provoquei. – Realmente conseguiu fazer a tal garota de idiota no final das contas.
Justin riu baixo.
– Na verdade não. – Justin falou. – Eu estraguei tudo no final.
– Ah é. – Falei um pouco irritada já. – A garota descobriu sem plano maquiavélico.
– Eu me apaixonei pela garota. – Justin falou e olhou pra mim.
Notas finais
Nath Facts: MEU AMOOOOORES, fui no show da Demi do dia 30 em São Paulo! OH DEUS, PORQUE TÃO PERFEITA?
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