She Talks to Angels
1 Único — A Melodia de Vênus
Notas iniciais
Mas eu não estou perdida, eu não fui encontrada
❄
"Ela tem que morrer."
Os olhos castanhos de Anna aclaravam o vazio que existia em suas ações. Dentre muitos semblantes, ele notara a atenção cínica que ela dava para o ferro que recém arrancara das paredes. A ruiva estudava Sam com prudência. E ali, ao observar o confronto de ambos, ele notara o que nunca pensara que a essência angelical de Anna emanaria: a aflição. A mágoa pelo que estava disposta a cometer.
E, sem delongas, Anna golpeou o caçador inábil de intercessões e transfixou a extremidade da barra de ferro no centro do peito de Sam.
Dean, que se mantivera concentrado nos atos da ruiva, bradou. Bradou tão alto que o próprio Uriel afastou os olhos dele para prestar atenção em Anna. O corpo desprovendo-se da cor de Sammy despencou no chão.
"Eu sinto muito. Sinto muito mesmo." Anna lastimou para Mary, que adotara o aspecto atônito perante aquela obscuridade. Sequer compreendia. Seu precioso Sammy estava morto.
Mas a ruiva realmente estava desfazendo-se em parcelas por dentro — acabara de matar a pessoa que salvou sua vida. A única coisa que Anna julgara era a necessidade em selar aquilo. Sam Winchester deveria estar morto. Ela tinha que impedir que ele cedesse para Lúcifer.
Da abertura feita outrora quando barrou o pai dos irmãos na armação de madeira, rompeu o corpo de John, agora alimentado pela graça de Miguel. Mary assistiu cada movimento do Winchester, minuciosa. Até o arcanjo sustar atrás da ruiva.
"Anna."
E ela se virou. Esbarrou tão subitamente com o recipiente que Miguel consumiu e deu ênfase para um choque alarmante. Congelou.
"Miguel..."
Sentiu o toque gélido do arcanjo arder em chamas. A dor que sentira era demasiadamente lancinante e seu receptáculo se fragmentou em cinzas em um tempo muito mais curto do que presumira.
A princípio, tudo tornou-se negro.
Ainda não havia se desfeito integralmente de sua consciência, ou ela simplesmente continuava emanando vigor. Enquanto parecia cair de um precipício sem fim para a negrume abundante, imagens das recordações anteriores vagueavam pela sua mente. Não tinha uma composição física. Percebera isso há pouco. Talvez estivesse arcando pela punição disposta para seus feitos.
Mas, lá no fundo, notara uma claridade aguda para qual partia com voracidade. Aos poucos, Anna era consumida pela luz. Arcava da percepção cegada por ela.
A única coisa que distinguira foi uma voz.
"Eu a perdoo."
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