She Looks So Perfect
26 Capítulo XXVI: Gran It (agarre-a)
Notas iniciais
Ponto de vista: Rachel Berry.
Você se considera forte? Digo, já fez algo que outra pessoa nunca conseguiria, passou por uma situação em que para qualquer outra pessoa seria uma coisa boba, mas que para você foi a coisa mais difícil de se fazer e mesmo assim você já enfrentou aquilo e sobreviveu? Como uma criança que é maltratada pelos pais e mesmo assim não consegue ter ódio. Ou como a perda de uma pessoa especial. Já parou para pensar que existe sete bilhões de pessoas no mundo e que todas, todas elas têm os seus medos, as suas inseguranças, os seus sonhos, as suas decepções e que todas, todas elas ao menos uma vez teve que ser forte, teve que se levantar, após ter caído. Me pergunto como eles conseguem, eu sei que existe pessoas que são mais frágeis, pessoas que precisam de mais atenção, de mais cuidado e que as vezes depois de muito ter caído sucumbem à falta de humanidade de alguns, ou a falta de atenção de outros. Mas não temos ideia de quantas vezes essa mesma pessoa teve que se levantar sem ajuda, não temos ideia do tamanho da dor da pessoa desconhecida ou até mesmo da que conhecemos há um bom tempo, não temos ideia porque estamos ocupados com as nossas próprias dores, com os nossos próprios medos e o nosso próprio egoísmo. Eu sempre quis ser alguém que inspira, alguém que ajuda, mas como? Como podemos sendo que somos também pessoas feridas e magoadas por um mundo que se torna cada dia mais individualista.
Eu sou uma garota forte. Todos somos pessoas fortes. Eu sempre tive o meu futuro milimetricamente planejado, a música faz parte do meu corpo, da minha alma desde que eu nasci e isso é quem eu sou. Rachel Barbra Berry nasceu para ser uma estrela, nasceu para cantar, interpretar, dramatizar, comer, respirar, para viver a música. Eu nasci para estar no foco de um holofote, para encantar com a minha voz, porque tudo de mim é música. A música, o teatro é exatamente quem eu sou. Não existe plano B, não existe um segundo caminho, uma segunda opção, você entende? Eu não sou Rachel Berry se não for sobre um holofote, enquanto derramo meu coração através das melodias das músicas. A cada música leva um pedaço da minha alma, mas de fato, Rachel Berry é o suficiente? Era o suficiente para inspirar ao menos uma pessoa, para ajudar alguém que precisa?
Olhar para aquele pedaço de papel estava me deixando paranoica. É a minha inscrição para NYADA, é o meu futuro, é quem eu sou em um pedaço de papel, papel esse que decidirá a minha vida. Suspirei dobrando o papel e o colocando no seu envelope. Como um papel pode decidir toda a sua vida dali em diante? Inclinei meu rosto para minha esquerda encarando um par de olhos verdes me analisando, seus olhos pareciam querer entender o que se passava comigo. Hoje ela não estava no seu divino uniforme de líder de torcida e sim com um vestido um pouco acima dos joelhos e um cardigã por cima a deixando ainda mais encantadora. O meu último ano no ensino médio e ele tinha se tornado uma loucura, mas eu nunca imaginaria que Quinn Fabray seria essa loucura. Sorri para loira tendo a certeza que dos meus olhos transbordava amor e admiração.
O que era o sorriso de Quinn. Os dentes brancos e bem alinhados, os lábios finos e rosados e tão saborosos. A loira tinha um sorriso lindo em minha direção, mas em seus olhos ainda tinha um quê de interrogação. Movi a cabeça para cima e para baixo, indicando que estava tudo bem. Não precisávamos de palavras para saber como estávamos. Você já sentiu o quão louco é estar caindo por uma pessoa? Está caindo todos os dias, sentindo a lei da gravidade te puxando aquela pessoa? Meu Deus, era a sensação mais paradoxal que eu já havia sentindo. É como sentir-se correndo e está deitada sem nem ao menos se mover. Como sentir as partículas de suor escorrendo pela sua nuca e nem mesmo suando está.
Era se perder totalmente na alma da outra pessoa, se perder no sorriso, nos olhos, na risada, na voz, nas manias e se encontrar exatamente na bagunça daqueles sentimentos. É frio na barriga, suor nas mãos, sorrisos involuntários. Era dor e felicidade. Medo e coragem. O amor é a definição perfeita de paradoxo, era algo tão incoerente e ao mesmo tempo totalmente coerente. Eu poderia olhar para Quinn o resto da minha vida, eu queria olhar para Quinn o resto da minha vida. Eu queria a sensação crescente de rir apenas por estar ao seu lado. A excitação crescente toda vez em que eu vou vê-la, as benditas borboletas fazendo a festa todas as vezes que seus lábios encostam nos meus. O coração acelerado em cada eu te amo, eu queria todas as sensações que Lucy Quinn Fabray provocava em mim. O barulho do sinal da escola me tirou da minha linha de raciocínio e eu me levantei assim como os outros deixando minha prova de literatura inglesa na mesa do professor.
Era hora do almoço e eu ia para baixo das arquibancadas, era lá que eu e Quinn almoçávamos quando dava. Fazia uma semana desde o nosso aniversario de namoro. Sorri encarando a minha aliança no dedo anelar. Eu ainda sentia todos os toques de Quinn aquela noite e devo dizer que depois daquela noite nada mais aconteceu, Quinn estava se dedicando a sua recuperação total até as nacionais e eu estava claramente empenhada a ganhar desta vez, assim como estava no ano passado, mas agora é diferente. O burburinho dos alunos todos falando ao mesmo tempo me fez acelerar ainda mais os passos, tudo o que eu menos queria agora era levar uma raspadinha, se bem que raramente acontece agora.
Eu ganhei o grande gramado do campo de futebol não vendo nenhum dos meus amigos do Glee clube por ali. Enfiei as mãos dentro dos bolsos do meu casaco e me aproximei de onde Quinn e eu ficávamos, ali era distante de tudo. Dava de ver o grande campo por entre as arquibancadas, mas quem estava no campo não nos veria. Me sentei sacando o celular do bolso respondendo as mensagens de Kurt, ele ainda não havia desistido de saber com quem eu estava namorando.
Ergui os olhos vendo Quinn se aproximar com o meu sorriso no rosto, os cabelos bem mais curtos agora milimetricamente arrumado. Suspirei. Eu era totalmente trouxa por aquela mulher.
— Ei – Meu Deus, Quinn ainda me matarei com esse sorriso, era tão doce, tão raro.
— Ei – Minha cara era de pateta provavelmente.
Separei as pernas para que Quinn se acomodasse entre elas e a loira me ofereceu uma garrafinha de suco. Seus lábios selaram com os meus rapidamente e eu quase reclamei por não ter recebido um beijo direito.
— Estamos preocupados com Noah.
Eu já disse que o cheiro de Quinn era de longe o mais gostoso que existe?
— Ele anda distante de nós e pelo que fiquei sabendo de Finn ele está apenas na matéria de geografia da Europa, podemos ajudar ele se o orgulho ou a cabeça dura dele não for um empecilho – Murmurei apoiando meu queixo em seu ombro.
Toquei delicadamente sua barriga por cima do vestido brincando com a ponta do seu cardigã.
— Eu vou conversar com ele, talvez ele me escute – Quinn inclinou a cabeça focando seus olhos nos meus.
— Você é ótima em convencer as pessoas – Ri deixando um rápido selinho em seus lábios.
— Sou é? – O sorriso nunca saia de seus lábios e eu me via ainda mais encantada por Quinn.
— Você é tão linda – Murmurei encantada com todos os traços que formavam Quinn Fabray.
O resultado foi excepcional, Quinn corou maravilhosamente e os seus dentes fez do seu lábio inferior prisioneira.
— Não me deixe sem graça – Rio baixo, seus lábios tocaram a minha bochecha deixando o lugar quente.
— Eu falo sério, princesa – Quinn rio gostosamente sabendo que eu a chamei de princesa para implicar – Você é o ser mais lindo que os meus olhos vão ser capaz de ver – Molhei os lábios com a ponta da língua, as famosas sensações que Quinn me causava aparecendo.
Ali embaixo das arquibancadas, escondida de todas as pessoas, aquele era o nosso mundo, o mundo onde eu e Quinn somos apenas duas garotas onde o amor começa e tem fim.
— Eu me sinto impressionada com a capacidade de me apaixonar ainda mais todos os dias por você – Quinn confidenciou ainda corada pelo elogia.
— Sabe que eu também – Sorri entrelaçando nossas mãos.
Quinn passou a brincar com a aliança em meu dedo.
— É engraçado, não é? — Apertei ainda mais o corpo de Quinn contra o meu – Olha onde estamos – Quinn parecia divagar consigo mesmo e eu ri baixinho – O destino brincou com nós de maneira que nem mesmo podíamos imaginar e a única coisa que consigo imaginar é.… por que demorou tanto? Somos um clichê – O cheiro do shampoo de Quinn invadia minhas narinas me forçando a fechar os olhos.
— No final das contas, tudo tem seu tempo para acontecer – Afastei seu cabelo deixando sua nuca a meu dispor – Eu poderia ter esperado o tempo que fosse preciso por você, para te ter exatamente aqui, nos meus braços – Beijei sua nuca.
Quinn suspirou e ergueu nossas mãos entrelaçadas até sua boca, deixando um beijo delicado na aliança.
— Estava pensando em contar para mamãe – Quinn ergueu os ombros e eu suspirei.
Eu sabia o pavor de Quinn em relação a aceitação, sabia o quão difícil aquilo era para ela. Apertei seus dedos entre os meus.
— Não precisamos apressar nada, Quinnie – Falei simplesmente e não precisávamos.
— Não, Rachel – Quinn negou e respirou fundo antes de continuar – Eu não quero me manter escondida, não dela, prometemos desde que Russel saiu de nossas vidas que seriamos honestas uma com a outra – Quinn me encarou – Eu quero isso – Eu assenti.
Quinn selou nossos lábios desta vez em um selinho demorado. Era sempre a mesma sensação, mas sempre como se fosse algo nunca experimentado. Os seus lábios sugaram o meu inferior lentamente e eu levei minha mão até sua nuca quando sua língua pediu passagem. Nossas línguas dançavam em perfeita sincronia, sempre procurando se tocar, se conhecer, reconhecer, explorando o local como se fosse novo, com delicadeza, maestria, da nossa maneira, no nosso encaixe.
Beijei a ponto do seu nariz quando o ar nos faltou, seguindo até sua bochecha, novamente os seus lábios, seu queixo, eu não conseguia me manter longe de Quinn Fabray, mas você me entenderia se tivesse uma mulher dessas totalmente entregue a você, seu cheiro delicado e único, com aquele sorriso de matar e aquele corpo que por Deus, só de pensar me deixava louca.
— When I look into your eyes (quando eu olho em seus olhos)— Cantei baixinho em seu ouvido.
Quinn se arrepiou e eu sorri.
—It’s like watching the night sky (é como observar o céu de noite)— Os olhos de Quinn encontraram os meus e eu acho que era possível que ela escutasse o meu coração batendo exageradamente — Or a beautiful Sunrise (ou um belo amanhecer)— Quinn rio, selando nossos lábios rapidamente — There’s so much they hold and just like them old stars (eles carregam tantas coisas e como as estrelas antigas)— Toquei seu rosto desenhando sua bochecha com as pontas dos meus dedos, eu era totalmente fascinada por Quinn — I see that you’ve come so far to be right where you are ( vejo que você evoluiu muito por estar bem aonde está).
— How old is your soul? (Qual a idade da sua alma?)— Quinn praticamente sussurrou e eu não sei porque ela tinha tanto medo da sua voz, era tão suave e delicada, tão linda- How old is your soul? (eu não desistirei de nós).
Era sua promessa, eram os seus olhos me dizendo que não soltaria minha mão.
— Even if the skies get rough (mesmo que os céus fiquem violentos)— Nossas vozes se entrelaçaram assim como nossas mãos, como o encaixe de nossas bocas, perfeitamente e estranhamente sincronizada.
— I’m giving you all my love (estou lhe dando todo o meu amor)— Deixei a frase morrer e a sensação gostosa, aquele gostinho de felicidade na ponta da língua sabe?!
— Eu amo tanto você, Rachel – Eu sabia, eu via. Todo o amor transbordava pelos seus olhos, pela sua voz, pelas palavras não ditas se misturando com o meu.
— Eu amo você, princesa – Beijei sua têmpora esquerda no mesmo momento em que seu celular bipou em seu bolso.
Apoie meu queixo em seu ombro enquanto Quinn abria a sua caixa de mensagem. Eu estava quase fechando os olhos por causa das noites mal dormidas pensando em algo para ND.
— Oh meu Deus – Quinn se impulsionou para levantar, sem muito sucesso.
— Meu Deus, Quinn, vá com calma você ainda não se recuperou totalmente – A ajudei levantar.
— Descobriram, Rachel.
Eu senti meu sangue gelar e o meu corpo todo tencionar quando ouvi a palavra “descobriram” saindo da boca de Quinn. A loira a minha frente tinha expressão de horror, a boca levemente aberta ainda em choque e minha mente não raciocinava além do “descobriram”.
— Como... como assim? – Falhei miseravelmente em não gaguejar.
— Não sobre nós, sobre Santana e Brittany – A loira pegou sua bolsa e os meus olhos se possível se arregalaram ainda mais.
Oh meu Deus...
— Santana – Murmurei pensando em como a latina estava. Não que eu me importasse com ela de fato.
— Brittany disse que ela saiu correndo e não conseguiu acha-la, as pessoas disseram coisas horríveis e Brittany, meu Deus.
Eu segurei o pulso de Quinn fazendo ela se virar para mim, eu via o medo em seus olhos, eu também estava.
— Vai ficar tudo bem, okay? – Quinn nada falou – Vai ficar tudo bem, Quinn. Eu vou procurar Santana, ache Brittany e quando eu achar a latina te mandarei uma mensagem – Quinn assentiu freneticamente, segurei seu rosto entre minhas mãos fazendo Quinn me olhar diretamente nos meus olhos – Elas vão ficar bem, nós também vamos, só não se esqueça que eu amo você – Quinn assentiu parecendo voltar a realidade.
— Você me avisa quando encontrá-la? – Assenti em resposta – Tudo bem. Eu amo você – Me deu um selinho e logo me deu as costas saindo às pressas.
...
Eu já tinha passado pela sala do Glee e nada da latina, os alunos todos dentro de suas salas fazendo dos corredores um silencio quase que absoluto. Minhas mãos alcançaram a maçaneta da porta do banheiro feminino do Willian McKinley e no mesmo instante meus ouvidos capturaram risadas. A minha frente tinha Hanna e a outra eu não sabia quem era.
— Rachel! – Hanna parecia genuinamente feliz com a minha presença.
— Hanna – A minha empolgação não era tanta.
Olhei para as cabines discretamente e eu percebi que tanto Hanna como a garota ao seu lado me olhavam curiosamente.
— Lembra que eu te falei da Emily? – Hanna caminhou até parar ao meu lado.
Forcei a minha mente a lembrar de quando Hanna havia me falado de Emily o que não foi difícil. Hanna era uma líder de torcida e eu me admirava o fato de que ela falava comigo sem nenhum problema aparente.
— Oh, claro – Sorri para a garota e os meus olhos foram atraídos pelo som de uma das cabines.
Mas infelizmente quem saiu de lá não fora Santana. Resmunguei baixinho e então foquei em no que Hanna estava falando.
— É um prazer finalmente conhece-la, Rachel – Emily levantou a mão direita em um aceno e eu não tinha percebido quão bonita ela era.
Eu estaria confusa se não tivesse com a cabeça em achar Santana.
— Me desculpem meninas, mas eu tenho que ir.
Me virei antes mesmo de ouvir elas responderem. Pense, Rachel. Onde Santana estaria? E como em um estralo o vestuário das líderes de torcida me veio à mente. Forcei os meus pés a caminharem um pouco mais rápido e o medo de ser pega por Sue, ou pelo diretor Figgins me consumindo aos poucos. Eu sabia do medo que a latina estaria agora. O medo do julgamento de todos e ter sido arrancada do armário deve ter sido demais para a latina. Mas quem não via que ela e Brittany tinha algo a mais do que uma amizade estava sendo boba e eu diria até mesmo que cego, o amor das duas poderia ser visto a quilômetros de distância.
Abri a porta do vestiário e não tinha um ser ali. Grunhi totalmente frustrada dando meia volta, tomando novamente os corredores do Willian McKinley com o celular em mãos pronto para mandar uma mensagem a Quinn quando o corredor familiar que dava até o auditório trouxe a esperança de que talvez a latina estivesse ali. Empurrei uma das portas duplas e suspirei em alivio quando encontre a latina curvado sobre o piano no palco. Não sei se ela não tinha me visto, mas se viu não fez questão de me expulsar. Caminhei suavemente até o palco enquanto saquei o celular do meu bolso e digitei uma rápida mensagem a Quinn e quando eu ganhei os degraus e tive uma visão melhor da latina foi como levar um soco no estomago. Vê-la ali tão abatida era algo que eu sabia que eu vivenciaria poucas vezes na minha vida.
A latina tinha a testa apoiada nas teclas do piano, os seus ombros erguidos. Não havia indicio de que ela estava chorando, mas de longe percebia-se que ali não era a vadia líder de torcida que amava exercer o poder que tinha no topo da pirâmide em qualquer um que ousasse lhe desafiar. Sentei-me no banco ao lado de Santana ouvindo a mesma suspirar fortemente até erguer a coluna e ajeitar a postura. Eu olhei para as teclas e então para a latina.
Estranho. Era assim que se definia a situação, ao menos para mim. Porque eu estava ao lado de uma pessoa a qual eu não tenho muita aproximação e se tenho hoje é por namorar Quinn, mas era ainda mais estranho o fato de me sentir ligada a aquela morena, a mesma que junta a minha namorada já fizeram dos meus dias na escola um inferno. E o que eu diria a ela? Ficava aqui até Quinn aparecer em repleto silencio?
— Eles descobriram, Rachel.
A voz da latina soou quebrada me tirando dos meus devaneios. Eu assenti afirmando que já sabia, meus olhos acompanhando a lagrima solitária que passava pela sua bochecha.
— Eles descobriram e disseram coisas horríveis, eu não consigo – Santana fungou – Eu não consigo ser forte o suficiente para enfrentar todos eles, por Deus eles são cruéis – A voz dela se misturava a fragilidade e a raiva, no típico temperamento de Santana.
— Eu sei – Seus olhos buscaram os meus – Eles são cruéis e não tem um pingo de piedade, eles buscam as coisas mais baixa para te atingir, mas você não pode ceder a eles Santana, porque é só isso o que eles são, pessoas baixas que pouco provável vão conseguir sair de Lima – Dei de ombros.
O silencio foi o espaço que fez entre mim e latina, os seus olhos ainda estavam nos meus procurando algo que eu não imaginava o que era, depois de um bom período eu desvie os meus olhos deslizando meus dedos pelas teclas do piano. Para algumas pessoas o preconceito dentro de si mesmo é a maior batalha a ser vencida, para outros a opinião de terceiros vale mais do que o coração gritante dentro de si, acho os demônios de Santana era os dois.
— Como você consegue? – Ergui meus olhos até as orbitas castanhas de Santana.
(N/a: Recomendo que escutem Photgraph do meu amorzinho Ed ♥ )
Eu ri baixinho e sem mesmo perceber iniciei a melodia de photograph. Eu tinha objetivos. Objetivos maiores do que essa escola. Não que no final do dia eu não me sentisse para baixo e até mesmo duvidava da minha própria capacidade, mas tem algo que eu chamo de um novo dia. Quando acordo e então eu posso dar mais um passo em direção ao que quero, mesmo que tenha diversas pessoas me empurrando para trás. Apesar de tudo eu tinha apoio familiar e eu tinha a mim mesma. Eu prezava por mim mesma, eu me amo e sei que sou muito mais do que essa pequena cidade de Lima. Não é querendo soar prepotente, mas se eu não me amasse e soubesse o quão capaz eu sou e que fui abençoada a estar mais um dia correndo atrás do que quero já é o suficiente.
— Eu só sei que sou melhor do que eles dizem que sou. Sei exatamente o que quero, porque quero e sei o que me faz feliz, o que me completa. Você sabe o que te faz feliz Santana – A morena mordeu o lábio inferior – Se agarre a isso e então nada mais vai importar tanto.
Creio eu que o passo seguinte da latina foi totalmente impulsivo porque em três segundos a morena se lançou em meus braços me pegando totalmente desprevenida. Franzi o cenho abraçando a morena de volta, mas não podia deixar de achar aquilo tão esquisito, quanto bizarro. A latina ofegou e minha mãe esquerda desceu livremente pelas suas costas em movimentos de sobe e desce. Eu não sabia muito o que fazer pela Lopes e a posição era totalmente desconfortável, mas a latina parecia não querer quebrar o contato. Não seria eu que o faria. Ergui os olhos a tempo de ver as duas loiras tão importantes para nós entrar no auditória. Brittany parecia que havia chorado por horas, os olhos vermelhos assim como a ponta do nariz.
— Agarre o que te faz feliz – Sussurrei para a latina antes de soltá-la.
A morena olhou para o lado encontrando os azuis de Brittany. Seus olhos por um momento voltaram aos meus e eu raramente sabia ler a latina, ou talvez dificilmente a latina deixava se mostrar verdadeiramente. Empatia. Foi o que eu vi antes de ela se levantar em um pulo e correr até a loira maior. A cena era tão linda de se ver. A loira maior tirou Santana do chão em um abraço apertado enquanto o pescoço de Santana se enterrava no da loira. Diversos eu te amos saindo da boca da maior em sussurros. Então como sempre em algum tipo de lei física, cósmica, ou o que quer que seja que for que envolvia a mim e Quinn Fabray fez sua mágica. Os seus olhos estavam cristalinos, seus lábios entreabertos em uma respiração que eu queria que estivesse próxima a mim.
Como se lesse meus pensamentos, a garota de cabelos loiros e cheirosos se aproximou em passos contidos, naquela postura totalmente Quinn Fabray, mas com o meu pequeno sorriso instalado no canto direitos dos lábios que também eram meus. Quinn ocupou o lugar de Santana. Os meus sentidos ficaram eufóricos demais, pois por um leve momento uma vertigem me atingiu, ao mesmo tempo que o perfume de flores, o cheiro de baunilha vindo dos cabelos de Quinn e o seu aroma natura me atingiram em cheio. Inclinei meu rosto até ter o lindo par de olhos verdes- avelãs se encontrarem ao meus.
Sabe quando dizem que quando você encontra a pessoa certa não precisamos de palavras, nem conhece-la por completo? É exatamente assim. Nada nunca vai ser igual, nada nunca vai poder ser comparado a aquele amor. Você pode ter diversos amores durante uma vida inteira, mas nunca vai ser daquele jeito. Não vai ser o errado completamente certo, não vai ser a sincronia bizarra e nem mesmo a euforia por estar perto. Na minha vida nunca irá existir alguém que amará mais Quinn Fabray do que eu posso ama-la. Não do meu jeito doentio, irracional e impulsivo, porque eu sei que ninguém me fará sentir como aquela garota durona e perfeita. Então se você por um acaso achar o seu diferente, mesmo que parado em pé, rodeado por outras pessoas, corra até ela sem se importar se vai te chamar de louca, ou te bater, só a agarre. Nos dias de hoje onde tudo parece banal demais, você não pode deixar sua felicidade escorrer por entre os seus dedos por causa de outras pessoas, seja teimosa, seja a louca para a sociedade, a aluada para quem não te entende, a estranha para as pessoas que não tem a capacidade de aceitar os seus gostos, mas seja você, seja feliz. Não se importe de errar, de amar, de rir por bobagem, de cantar Johnny Cash na rua. Não se importe se amar tanto uma pessoa a ponto de doer. Não se ela for a certa.
— Elas vão ficar bem, não é? – Me aproximei um pouco mais.
Se importe em agarrar a sua felicidade, o que te deixa idiotamente feliz.
— Nós vamos ficar bem, Quinnie.
O meu sorriso apareceu em seus lábios avermelhados me deixando ainda mais com vontade de beijá-la.
Nunca esquece de agarrar a sua felicidade.
Loving can hurt sometimes
But it's the only thing that I know.
— Photograph, Ed Sheeran.
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