She Is A Stupid Boy.

6 Um beijo de boa noite.


Notas iniciais
Baby goodnight,jaljayo goodnight~ Keureom nan dancing, dancing, dancing in the moonlight~ ♪
A inspiração de uma BANA maluca tinha que vir de algum lado. keke~
Enjoy. ♥

Os acontecimentos que se seguiram ao encontro dentro da sala de arrumações foram muito rápidos. Com a mesma rapidez que Baekho entrou na sala, saiu dela, levando JR e Aron consigo. Ren não sabia dizer se os dois últimos estavam metidos em problemas, mas provavelmente não estavam, uma vez que Jonghyun era o “líder” do grupo.

Se não fosse por Minhyun, o loiro não fazia a mínima idéia do que poderia ter acontecido. Na verdade, tudo o que tinha acontecido no primeiro dia de aulas tinha sido culpa daquele novato. Mas de qualquer forma, se ele não estivesse do seu lado naquela hora, era bem provável que Minki não tivesse aguentado nem se manter de pé. Só não entendia o porquê do seu ex-namorado ter aparecido do nada para o salvar. Desde quando é que ele se preocupava com o loiro? Nem quando namoraram ele mostrou algum tipo preocupação e agora que tinha voltado estava tentando dar uma de herói?

De qualquer forma, não eram todos os dias que Ren demonstrava emoções ao ver alguém, mesmo que esse alguém o defendesse. Minhyun estava particularmente interessado pelo garoto que havia entrado na sala por último. Não estava interessado por ele, estava interessado em saber o que havia entre ele e o seu dongsaeng.

– Ren... – Começou por dizer o moreno quando estavam sentados no refeitório para almoçar. Desde o que tinha acontecido de manhã que ainda não tinham trocado uma palavra. – Aquele garoto que...

– O que tem ele? – Perguntou o mais novo, impaciente. Minhyun ainda não tinha terminado a frase mas ele já sabia de quem se tratava.

– Quem era? – Perguntou, tentando não deixar transparecer a sua estranha inquietação.

– Não era ninguém. – Respondeu o outro sem sequer parar para pensar.

– Ninguém? – Minhyun insistiu, fazendo Ren suspirar.

– Ele já foi alguém... Alguém importante. – Ao dizer isso, Ren fez com que Minhyun, que fingia não dar muita importância ao assunto, o olhasse com curiosidade.–Mas agora ele não é mais nada.

– Não é mais nada? Não foi isso que pareceu. – Ren apenas respondeu com um “Hum” e ambos ficaram em silêncio pelo que pareceu serem longos minutos. – Dongho? É esse o nome dele? – Perguntou o moreno, olhando atentamente para o loiro dessa vez, vendo-o encolher-se no lugar onde estava. Ren apenas balançou a cabeça positivamente, sem encarar Minhyun, que ficou sem saber o que dizer. Terminaram de almoçar em silêncio e foram para as aulas.

As aulas da tarde demoraram séculos a passarem, parecia que nunca mais acabavam. Ren escondeu-se durante todos os intervalos mas, dessa vez, Minhyun não foi atrás dele. O mais novo precisava pensar, precisava ficar sozinho e, como o outro tinha notado, Ren também precisava não voltar a ser visto por um dos três sunbaes com quem tinham tido aquele agradável encontro de manhã. Tentou evitar confusões com o seu novo colega de quarto e resolveu ficar sozinho, por mais que isso lhe custasse.

Ren, que desconhecia outros esconderijos pelo colégio, passou todos os intervalos fechado na sala de arrumações. E, para a sua surpresa, Minhyun não apareceu nem uma vez para lhe encher a paciência. Ele queria ficar sozinho mas ao mesmo tempo sentia-se triste quando via que mais um intervalo tinha passado e que o seu hyung não tinha se dado ao trabalho de ir à sua procura. “Eu não faço falta à ninguém, nem ao idiota do Minhyun.”, pensava a “Cinderella”, como JR costumava dizer.

Por fim, as aulas acabaram por chegar ao fim, às 18h30. Todos os alunos tinham 1h30 livres, depois 1h00 para jantaram e às 22h já deveriam ter tomado banho e estarem prontos para uma boa noite de sono. Já fazia muito tempo desde a última vez que Ren tinha dormido no colégio e essa idéia começava a assustá-lo à medida que se os ponteiros do relógio se aproximavam da hora de dormir. E como já se sabe, quando nós não queremos um coisa, ela acontece ainda mais rápido do que deveria e dessa vez não foi diferente.

Quando chegou no quarto, Minhyun já lá estava, deitado na sua cama lendo um livro qualquer. O mais velho deveria ter passado todo o seu tempo livre arrumando as coisas que tinham trazido porque as prateleiras já estavam todas cheias de coisas e ao abrir o guarda-roupa para tirar o seu pijama, pôde ver que todas as peças que tinha trazido já se encontravam lá.

– Onde esteve? – Perguntou Minhyun, fechando o livro e pondo-o em cima do colo.

– Desde quando é que eu te devo satisfações? – Respondeu com uma pergunta, com um tom indiferente na voz.

– Não quer dizer, não diz, mas não precisa responder assim. – O moreno encolheu os ombros e voltou a ler o seu livro.

Ren nada disse, apenas saiu do quarto com o seu pijama e a sua toalha, dirigindo-se para os balneários masculinos, onde todos os rapazes do colégio haviam tomado banho e trocado de roupa há alguns minutos atrás. Ao verificar que estava completamente vazio, supirou aliviado. Não haveria ninguém ali para chateá-lo, para olhá-lo dos pés à cabeça ou para fazer propostas indecentes. Estava sozinho. E, naquele colégio, enquanto estivesse sozinho, estaria bem.

Pousou a sua roupa de dormir em cima de um dos bancos e começou a despir-se. Poucos segundos depois já estava dentro de um dos boxes do balneário. Depois de um dia como aquele, era ótimo sentir a água quente, quase a queimar a sua pele, era reconfortante. Logo começou a cantar a primeira música que lhe veio à cabeça, como sempre fazia. E a sua voz misturada com o vapor que embaçava os vidros do box impediu-o de perceber que já não estava mais sozinho ali.

E mesmo depois de ter se calado, de ter saído do box e de ter se vestido, só foi capaz de perceber a presença do outro quando virou-se para ir embora, assustando-se e recuando um passo ou dois.

Ali estava ele, encostado na porta do box ao lado do que Ren tinha estado, a poucos metros de distância, a olhá-lo atentamente, com uma expressão indefinida no rosto. O loiro não lembrava-se de ter reparado nele de manhã e agora que estavam tão perto, era impossível não reparar. Estava tal e qual como se lembrava. Bem, talvez tivesse alterado minimamente a cor do cabelo, mas fora isso, estava idêntico ao garoto pelo qual Ren tinha se apaixonado anos antes.

– Dongho... – Disse o loiro num fio de voz, sentindo as suas pernas fraquejarem, o medo tomou conta do seu corpo. Há quanto tempo estaria ele ali? O que ele queria?

– Tu ainda não perdeste o hábito de cantar no banho. – Disse o outro, sorrindo de canto. – E continuas a tomar banho separado dos outros. – Aproximou-se de Ren.

– Sabes que desde que... – A sua voz sumiu e não foi capaz de continuar.

– Desde que o quê, Ren? – Perguntou Dongho, vendo que o outro estava demorando muito para continuar a frase, aproximando-se ainda mais do mais novo, quase acabando com o espaço que havia entre eles. – Huh? Continue o que estava dizendo. – Pediu, fazendo Ren balançar a cabeça negativamente. – Continue, por favor. – Já estavam próximos o suficientemente para que conseguissem até sentir a respiração um do outro.

– Desde que tu foste embora... – A sua voz sumiu outra vez, Baekho estava acabando com a sua linha de raciocínio e ele estava odiando isso. – Desde que tu foste embora as coisas... As coisas ficaram ainda piores para mim.

– Eu imagino que sim, meu amor...

– Não me chame assim. – Pediu Ren, baixando a cabeça e balançando-a negativamente. Já podia sentir as lágrimas a escorregarem pelo seu rosto. Por que estava sendo tão difícil manter o controle nesse dia?

– Por que não? Tu costumavas gostar... – Baekho, com uma das mãos, fez Ren levantar a cabeça e olhá-lo nos olhos. Havia tanta mágoa, tanta dor, tanta tristeza naquele olhar... E raiva, muita raiva. E por causa disso, por uma fração de segundos, Dongho até sentiu remorços por tê-lo deixado. – Eu senti tantas saudades tuas, Ren, tantas... – Colou a sua testa à do mais novo e roçou levemente o seu nariz no dele. – E eu sei que tu também sentiste a minha falta.

– Tu não devias ter voltado, eu estava bem sem ti. – Tentou afastar o sunbae, mas em vão.

– Eu digo que senti saudades e é assim que tu me respondes? Eu mantenho JR longe de ti e é assim que me agradeces? – O mais velho segurou em Ren com força, prendendo-o contra a parede. Então era isso. Aquele seu ato heróico tinha um preço.

– Hyung... – O outro estava machucando-o e Ren tentou chamar a atenção dele sobre isso mas Baekho soltou-o antes que fosse preciso fazer qualquer queixa.

E quando o loiro pensou que Dongho tinha ficado suficientemente chateado para deixá-lo em paz, o último segurou-o pela cintura e colou o seu corpo ao dele, atacando o pescoço branco de Ren, beijando-o e deixando várias marcas de mordidas. Se ele tinha saudades de Ren? Hum... Talvez não tivesse. Mas tinha saudades daquilo, tinha saudades de ter alguém para se divertir, saudades de ter alguém que lhe fizesse as vontades todas só porque estava perdido de amor. Sabia que as palavras do hoobae tinham sido ditas da boca pra fora, mas sabia também que ele já não o queria mais como antes. Mas isso agora não importava. Ren era fraco e sensível, não conseguiria resistir.

– H-Hyung, eu não quero... – Ouviu a voz desesperada de Ren perto do seu ouvido.

– Eu sei que tu queres, eu sei que tu sentiste saudades disto. – Introduziu as mãos dentro do pijama do mais novo e começou a arranhá-lo com força e sentiu um prazer enorme ao ouvir Ren gemer de dor.

– P-Por favor, hyung... Por favor, pare. – O loiro tentou afastar o outro mais uma vez, mas não conseguiu. Já estava desesperado, todos os alunos já deveriam estar nos seus quartos e ele estava ali sozinho com Baekho. Tinha consciência de que o mais velho não prestaria a mínima atenção aos seus pedidos, uma vez que ele já tinha começado esse jogo, não iria parar. Mas ele não queria, realmente não queria continuar e então uma idéia passou pela sua cabeça: gritar. Não tinha muitas esperanças de que isso resultasse, mas talvez assustasse o outro garoto que já começava a tentar tirar as suas roupas. – Socorro! Socorro! – Ren gritou com todas as forças que tinha, que eram quase nulas. Conseguiu fazer o mais velho parar, mas não de susto. Pelo contrário, Baekho começou a rir da situação.

– Tu achas mesmo que alguém vai te ouvir? – Dongho riu ainda mas, aumentando a raiva do mais novo que teve vontade de bater nele como se a sua vida dependesse disso. Vontade não lhe faltou, mas sabia que seria uma batalha perdida. – E tu ficas tão sexy quando entras em pânico. – Dito isto, voltou a beijar o corpo alheio deixando-o sem saber o que mais poderia fazer para sair daquela situação.

Ren não conseguia acreditar que depois de tanto tempo sem se verem, Baekho iria selar o reencontro daquela forma. Tudo bem que isso era bem o gênero dele, mas o mais velho poderia ter tentado ser mais romântico, mais carinhoso, quem sabe assim o loiro se rendesse de forma espontânea. Mas não, mesmo depois daquele tempo, Dongho continuava a tratá-lo daquela forma, como se de um objeto de tratasse. “Eu só peço que isso acabe logo”, pensou Ren que se sentia exausto de ter tentado empurrar o outro tantas vezes sem sucesso. Não valia a pena resistir, o sunbae ficava irritado com atitudes assim e tornava tudo ainda mais doloroso e difícil para Ren.

– Ren...? – Ouviu uma voz familiar o chamar.

– Minhyun... – Disse Ren em voz baixa. Minhyun? Sim, era a voz dele, sem dúvida alguma. O seu anjo da guarda tinha concedido mais um pedido seu, Minhyun tinha vindo lhe ajudar.

– Ótimo! – Disse Baekho ao perceber da presença do outro dentro do balneário, soltando o loiro. O garoto olhou para os lados sem saber o que fazer, não poderia ser pego ali com Ren. – Escute bem, Choi Minki, é bom que ninguém saiba o que aconteceu aqui, entendeu? Invente uma desculpa qualquer mas não se atreva a mencionar o meu nome. – Disse isso com o dedo indicador apontado em direção ao rosto do mais novo.

– Minhyun-yah! – Gritou Ren ao ver Dongho entrar em um dos boxes numa tentativa de se esconder.

– Ren? – Perguntou Minhyun, mais uma vez, Ren pôde ouvir os seus passos rápidos a se aproximarem. – Ren?! – Disse o recém chegado ao ver o garoto desamparado, sentado em um dos bancos, com o pijama todo amassado e cheio de marcas no rosto. – O que aconteceu aqui? – Perguntou após ter passado alguns segundos parado, sem saber o que fazer. – Tu estás bem? – Minhyun já estava ao lado do loiro, a envolver-lhe com os braços. Ren respondeu balançando a cabeça positivamente, apenas. Não queria falar, não queria ouvir mais perguntas, só queria sair dali. Escostou a cabeça no ombro do garoto ao seu lado e esboçou um pequeno sorriso. Era engraçada a forma como Minhyun o fazia sentir seguro mesmo quando o Tigre Branco estava ali ao lado.

–x-x-x-x-x She Is A Stupid Boy x-x-x-x-x-

– Não vai mesmo me dizer o que aconteceu? – Perguntou Minhyun.

Não tinha sido preciso um grande esforço da sua parte para tirar Ren do balneário masculino, apesar de o mais novo ter praticamente se arrastado pelos corredores. Mas, como não podia deixar de ser, havia algo que o preocupava: Se o loiro tivesse dito duas palavras desde que tinha sido socorrido por Minhyun, tinha sido muito. E o fato dele não falar só contribuia para deixar o mais velho cada vez mais intrigado.

– Eu não quero falar sobre isso. – Disse Ren, chateado com a insistência. – Agora vai dormir. – Disse, áspero, culpando-se logo em seguida. Se não fosse pelo idiota à sua frente, sabe-se lá o que poderia ter lhe acontecido. Na verdade, até sabia, mas não queria pensar nisso.

Minhyun encolheu os ombros e foi se deitar. Não iria culpar Ren pela forma como falava com ele depois de o ter encontrado, afinal de contas ainda não sabia o que tinha acontecido. Pouco tempo depois de ter se aconchegado entre os cobertores, pôde ouvir barulhos das portas e gavetas do guarda-roupa a serem abertas. Era Ren que estava procurando alguma coisa.

– Está na sua mala. – Disse Minhyun, sem se mexer. – E a mala está embaixo da cama. – Segundos depois de ter dito isto, ouviu o barulho da mala sendo arrastada para o meio do quarto e do zíper sendo aberto. Mais um pouco e ouviu Ren fechar o zíper e empurrar a mala para onde estava.

– Como sabia o que eu estava procurando? – Já com a Hyunnie nos braços, Ren olhou o outro, desconfiado.

– Eu não sabia, Ren. – Respondeu Minhyun e sorriu, mesmo que o loiro não conseguisse ver.

– Hum. – Foi a resposta.

Depois disto, Ren também foi se deitar. Não sabia dizer porquê tinha resolvido trazer a girafa de pelúcia na mala, até porque se ficasse com raiva de Minhyun, o próprio estaria ali e poderia arcar com as consequências de seus atos. Mas tinha começado a se afeiçoar à girafinha, até tinha passado a dormir com ela desde que a tinha apelidado de “Hyunnie”.

Ren cobriu-se todo com o cobertor e agarrou-se com força à Hyunnie. Queria dormir, queria que aquele pesadelo passasse logo. Mas por outro lado, não queria que o dia acabasse, não queria ter de voltar a encarar Dongho e os outros. Queria voltar para casa, para o seu quarto, para o seu mundo, para perto da Minnie e da Kiki. Queria, mas não podia. Não queria que o garoto deitado na cama ao lado pensasse que ele era um anormal.

Tentou dormir. Tentou contar carneirinhos, ursinhos, porquinhos-da-índia, girafinhas... Até duendes! Mas não adiantou. Estava assustado demais para conseguir adormecer, o cobertor nessa noite não estava funcionando como um escudo intransponível. A imagem de Baekho a um centímetro de distância do seu rosto não largava a sua mente.Sabia que se fechasse os olhos durante mais tempo acabaria por ter pesadelos acordado, pesadelos horríveis.

Foi então que uma idéia genial – ou não tão genial assim – lhe passou pela cabeça. Não tinha a certeza se iria resultar, mas no momento não conseguiu pensar em outra coisa. Minhyun, que estava numa das primeiras fases do sono, aquela em que nós estamos meio dormindo, meio acordados, em que ainda temos alguma noção do que se passa à nossa volta, sentiu algo o envolver por trás. Soube logo o que era e tinha a certeza de que mesmo se dividisse o quarto com mais dez pessoas, saberia. Nunca tinha sido tocado daquela forma, mas os braços finos e frios do outro eram inconfundíveis.

– Ren... – Resmungou, fazendo Minki soltá-lo.

– Te acordei? – E ao virar-se para olhar o menor, Minhyun pôde ver os enormes olhos castanhos dele abertos, o olhando timidamente. Ren o olhava como se estivesse a espera de uma punição pelo que tinha acabado de fazer, como se estivesse a espera de que seu hyung o repreendesse de alguma forma.

– Não, não... – Respondeu Minhyun, bocejando em seguida e, inconscientemente, pousou a mão na cintura fina do outro. – O que está fazendo aqui? – Perguntou, mesmo sabendo qual seria a resposta.

– Eu não consigo dormir. – Disse Ren, fazendo um beicinho adorável.

– Hum... – Minhyun voltou a fechar os olhos e puxou Ren para mais perto de si. – E o que é que te faz pensar que a minha cama é melhor que a tua?

– Não sei... – Respondeu o loiro e ambos ficaram em silêncio durante alguns segundos até que ele resolveu continuar. – Aqui eu estou com o Minhyun verdadeiro.

– O Minhyun verdadeiro?– O moreno perguntou sorrindo. – Desde quando é que existe um falso?

– Desde que eu passei a chamar a girafa de Hyunnie. – O mais novo falou aquilo como se dissesse algo óbvio.

– Por que é que tu escolheste uma girafa? Não podia ter sido um animal mais fofo? Sei lá, um leãozinho, um ursinho... – Disse o maior, fingindo estar ofendido.

– Ah, as girafas são mais parecidas contigo... São altas e magras e...

– Parecem uns postes? É isso que queres dizer?

– Não é nada disso! – Ren deu um pequeno empurrão em Minhyun. – As girafas têm uma figura elegante.

– Elegante, hum... Soa melhor assim. – Minhyun sentiu Ren agarrar-se ao seu pijama e sorriu. – E por que é que tu dormes com o Minhyun falso? – Quanto à isso, o moreno estava realmente curioso.

– Porque... Hum... Não faça perguntas assim tão difíceis. – Disse Ren com uma voz manhosa.

– Tá bom. – Minhyun bocejou outra vez.

Quando é que ele iria imaginar que Ren, por iniciativa própria, iria se deitar ao seu lado? E que, além disso, daria o seu nome à um dos seus ursinhos de pelúcia? E que dormiria com esse mesmo ursinho? Talvez Ren gostasse dele... Nem que fosse só um pouquinho, mas gostava.

– Hyung... – Ouviu a voz cheia de aegyo de Ren. Era a primeira vez que o mais novo o chamava assim e Minhyun sentiu o seu coração esquentar.

– Hum? – Respondeu sorrindo, mesmo que o outro não conseguisse ver.

– Antes de Jonghyun dizer aquilo... Tu já sabias, não sabias?

– Sabia o quê? – Perguntou, mesmo já imaginando do que se tratava.

– Que eu era, e sou, um rapaz. – O seu tom de voz soou preocupado.

– Sim, eu já sabia. – Minhyun pôde ouvir um suspiro aliviado do outro. – Mas eu confesso que ainda tinha esperanças. – O moreno riu da sua própria afirmação. Era verdade. Mesmo com todas as forças do universo lhe dizendo que Ren era um homem, ainda custava acreditar.

– Esperanças? O que queres dizer com...

– Eu queria acreditar que tu eras uma garota. – Minhyun sentiu Ren apertar o seu pijama com força. – Mas não te preocupes, eu aceito-te assim como és. – O garoto usou a mão que até então estava pousada na cintura de Ren para acariciar os fios loiros deste que sorriu ao ouvir a última afirmação.

Ren poderia ter ficado tremendamente irritado com o que Minhyun tinha dito sobre “ter esperanças de que ele não fosse um rapaz”, mas não conseguiu. Quantos colegas de quarto seriam capazes de ir à sua procura durante a noite sujeitos a uma punição das piores? E quantos dividiriam a cama com ele sem reclamar? E quantos o aceitariam da forma como era? Bobo, infantil, bipolar, colecionador de ursinhos de pelúcia, amigo dos duendes, leitor de histórias da Walt Disney... Minhyun era, sem sombra de dúvidas, um presente enviado pelo seu anjinho da guarda, um belo presente, por sinal.

Minhyun voltou a pousar a mão sobre a cintura de Ren, puxando-o, delicadamente, para mais perto mais uma vez. Era como se ele quisesse acabar com qualquer distância que ainda houvesse entre eles, e, por incrível que pareça, o pequeno estava adorando a sensação de proteção que os braços do outro a envolver-lhe causavam. Diferente do seu, Minhyun tinha um corpo quente e apesar de ser tão magro como o próprio Ren, era confortável. O loiro tinha a impressão de que não se importaria nem um pouco em dormir ali, com o outro, todos os dias. Qual era o problema? Os amigos podiam dormir juntos, não podiam? Porque era isso que eles eram, amigos, nada mais do que isso... Só amigos.

– Minhyun-sshi... – Ren quebrou o silêncio de longos minutos, torcendo para que o outro não tivesse dormido.

– Sim? – Ele tinha a voz sonolenta, mas estava acordado.

– Hoje de manhã, quando eu estava na sala de arrumações e tu foste lá atrás de mim... Lembras?

– O que é que tem?

– Eu queria agradecer... Agradecer por não ter me ouvido, por não ter ido embora... Obrigado por não desistir de mim. – E dessa vez foi Ren que tentou aproximar-se ainda mais de Minhyun, torcendo para que aquele abraço em que se via envolvido não acabasse tão cedo.

– Pabo... Não tens que me agradecer por isso. – Disse o mais velho sorrindo.

Por que ele haveria de desistir da sua princesinha? Mesmo com todas aquelas mudanças de humor, Ren o fazia sentir bem como nunca ninguém havia feito antes. Além disso, sentia-se extremamente útil toda vez que o mais novo precisava da sua ajuda, mesmo que não admitisse ou nem sequer agradecesse. Agora sentia-se mais do que lisonjeado. Além de Ren ter colocado o seu nome num boneco de pelúcia, também estava ali, agarrado ao seu pijama e a agradecer-lhe pelo que tinha feito de manhã, algo que Minhyun nunca imaginou que pudesse vir a acontecer. “O que mais eu posso esperar dessa criança?”, pensou. Ren era mesmo uma caixinha de surpresas e isso era ótimo. O mais alto sentia que mesmo que discutissem todos os dias, acabariam por se perdoar silenciosamente e isso o tranquilizava.

– E tu vais mesmo dormir aqui?

– Eu queria... Por quê? Tu não queres que eu durma aqui contigo? – Perguntou, envergonhado.

– Não é isso, é só para tu mudares de lugar. – Respondeu, deixando Ren confuso.

– Como assim? – Perguntou, mas antes de ter uma resposta, em questão de segundos, Minhyun o puxou para cima de si, logo voltando a deitá-lo ao seu lado.

Tinham mudado de lugar na cama, só isso. E o loiro sentiu-se bem como há muito não se sentia. Minhyun o havia colocado no lado que estava encostado à parede, ficando na ponta da cama. Aquilo tinha sido um sinal de carinho, de proteção por parte do outro e agora mais do que nunca sentia-se protegido. Dongho nunca havia agido daquela forma, nunca. Ele não queria saber onde ou como Ren ia dormir. De que é que isso importava afinal? O que era importante já tinha sido feito, agora ele que dormisse como bem entendesse.

– Hyung? – Ouviu Ren o chamar novamente.

– O que foi agora, Ren? – Minhyun bocejou pela terceira vez. – Tu não dormes hoje? – Ele não tinha falado de forma rude mas sentiu o menor encolher-se. – Vá, diz, o que é que tu queres, huh?

– Eu só queria... – A vergonha tomou conta do garoto e deliberou se haveria ou não de continuar. – Eu só queria um beijinho de boa noite... Pode ser?

– Claro que pode, é como a princesa quiser. – E antes que Ren conseguisse perceber exatamente o que o outro queria dizer com aquilo, sentiu a respiração de Minhyun bem próxima e a mão dele subir até o seu rosto. A próxima coisa que sentiu foi os lábios quentes do mais velho sobre os dele.

Um beijo.

Bem, não propriamente um beijo, apenas um selo para fechar aquele dia com chave de ouro.

Minhyun não tentou mais nada. Não tentou mover os seus lábios contra os do outro, não tentou aprofundar aquele contato. Simplesmente permaneceu ali, encostado ao loiro, a espera de algo que o fizesse parar aquele beijo ingênuo, sem segundas intenções.

Sentiu as mãos de Ren no seu peito, empurrando-o com delicadeza. Foi quando afastou-se um pouco dele e imaginou o quão vermelho deveria estar. Parecia que aquele simples toque havia durado uma eternidade, mas, ao mesmo tempo, parecia que tinha sido apenas um flash e, por um instante, o moreno sentiu-se arrependido. Teria ido longe demais? Até que ponto gostava de Ren para fazer aquilo com ele? Afinal de contas, eram só amigos... Não eram? E Ren? Teria gostado daquilo? Teria ficado com raiva? Como falariam amanhã?

O mais novo não parecia querer pronunciar-se sobre o que tinha acabado de acontecer, apenas aninhou-se entre os braços de Minhyun e tentou não pensar nisso. Estava tão envergonhado quanto o mais alto, que resolveu contrariar a regra em que era sempre Ren a quebrar o silêncio.

– Boa noite, Ren. – Disse, apertando ligeiramente a cintura do outro. – Durma bem.


Notas finais
Um pouco mais de ação, que tal? kekeke~
O que acharam? Tá horrível, não tá? Tell me, tell me, tell me now~~~ ;___;
De qualquer forma, espero que continuem amando a fic. ♥♥