She Falls Asleep

20 Capítulo 20


Notas iniciais
É isso aí, galera... Chegamos ao último capítulo de She Falls Asleep. Mais uma vez, me desculpo por estar sem corretor ortográfico. Ignorem meus erros de digitação, fiz o melhor pra rever o capítulo antes de postar mas pode ser que algum tenha escapado. A letra no final da fic é de 'She Falls Asleep', da banda McFLY, que deu nome à fic. Boa leitura!

O coração de Nico acelerou enquanto ele observava Thalia arranjando seus poucos pertences em uma pequena mala.

Pouco podia acreditar que estavam prestes a deixar Londres, e tudo devido a um acontecimento tão insignificante para qualquer outro que teria passado despercebido se não fosse a curiosidade de Nico. Duas manhãs atrás, enquanto comia metade de um pão com manteiga nas cozinhas do palácio, escutou as cozinheiras comentando sobre a partida de uma criada.

– Afrodite está arrasada... — Uma delas comentou, e, enfim, conseguiram a atenção de Nico. Ele não era tão próximo de Afrodite como Annabeth, mas ela fora sua conselheira durante tantos anos, e se estava tristonha com a partida de alguém, a criada só poderia se tratar de Annabeth. Nico apressou-se em dirigir-se aos cômodos de Afrodite antes que os expediente oficial dos criados se iniciasse. A mulher abriu a porta logo que seu punho foi de encontro com a madeira.

Nico não teve de insistir muito para que Afrodite cedesse. Ela estava magoada, mas não perturbada. Era quase que como se soubesse que sua tristeza era bem justificada e que logo encontraria paz em si para aceitar a situação, portanto, Nico apenas a pressionou, dizendo que sabia tratar-se de Annabeth. Em seus interiores, ele estava apavorado. Se Annabeth houvesse partido... Para onde teria ido? Se não quisesse trabalhar mais no palácio, ela teria contado a ele. Nico temia que os motivos de Annabeth fossem muito mais sérios, e que a situação era mais séria do que deixava transparecer.

Afrodite lhe contou sobre Annabeth. Disse-lhe que o herdeiro de sangue ao trono estava a caminho de Londres, e que Percy fora dispensado de seus serviços para com a Coroa, o que implicava num futuro novo para o jovem. Não foi difícil para que Nico juntasse as peças do quebra-cabeça: Perseu Jackson deixaria seu mundo para trás, e Annabeth havia se comprometido a fazer o mesmo por ele. Sentiu-se traído, no início. Não queria acreditar que Annabeth partira sem ao menos se despedir dele, sem ao menos um adeus. No entanto, Afrodite logo tratou de levantar-se e ir até o criado-mudo ao lado de sua cama de solteiro.

– Ela pediu que eu lhe entregasse isso. — Afrodite fungou, os olhos marrons cheios de lágrimas. A mulher observou Nico agarrar o envelope, e ela passou a mão pelos cabelos escuros dele antes de deixá-lo sozinho para que lesse a correspondência com privacidade. — Ela o ama, Nico. Procure compreender. Quando uma garota que pouco tinha o que comer encontra um amor tão grande... Não há nada que não sacrifique por ele.

Nico suspirou enquanto abria o envelope. Levou o papel de carta ao seu nariz. Tinha o perfume dela. A caligrafia de Annabeth era fina e inclinada, e a carta não era maior do que ele esperava.

Meu amado Nico,

Gostaria de iniciar esta carta lhe oferecendo minhas sinceras desculpas. Sei que lhe devo mais do que mil vidas poderiam quitar, e que não seria a primeira vez que peço seu benevolente perdão, mas preciso que saiba que, apesar de tê-lo feito dezenas de vezes, nunca foi minha intenção magoar-lhe. Sem mais delongas, peço desculpas por partir.

Sempre acreditei que minhas aflições em toda minha vivência seguravam em seu propósito um destino que me abrisse portas no futuro. Mesmo como uma garota boba e magrela enfiada naquele uniforme cor-de-rosa de serva, procurei sonhar. Sonhava com a minha família, na maioria das noites, e me perguntava serenamente se, um dia, eu teria a oportunidade de formar uma. Graças aos deuses, fui abençoada com a chance de perdoar meus pais e rever meus irmãos, mas, com o passar dos anos, perdi qualquer esperança de que eu teria a oportunidade de construir um lar com alguém que amasse, visto que o homem que desejei sempre esteve atrás de janelas de vidro e paredes enfeitadas.

Por um longo período que seguiu nossa mudança para o palácio, duvidei até em meus mais íntimos momentos que eu realmente teria o escape para qual meu destino havia me preparado. Conformar-se com uma vida dormente e de escrúpulos era o que toda garota pobre deveria fazer, e, conforme via nos olhos de Perseu o futuro Rei da Inglaterra, preparei-me para o momento que teria de deixá-lo ir, assim como tudo que sempre quis.

Não sei explicar-lhe o motivo, mas sempre soube que todas as minhas vontades estavam alinhadas às dele. Era difícil aceitar que teria de encolher-me à uma existência de plena negação... Até que, sem justificativa alguma, fui presenteada com o amanhã que nunca acreditei que chegaria. Meu futuro não era mais o futuro de um país, e não era mais o futuro de políticos. Meu futuro era o de um homem livre, e eu o aceitei, Nico.

Não minto ao dizer que amo você com todo o meu coração, Nico. Não consigo imaginar os últimos sete anos sem sua amizade, sem sua companhia... Lembre-se que penso em você todos os dias, com um sorriso no rosto, por ter tido a oportunidade de cativar uma pessoa tão pura como você. Sei que peço muito, mas procure entender meus motivos. Eu nunca fui seu futuro, Nico, não importa o quanto você me amou. Espero que, daqui para frente, você se lembre de mim como uma parte feliz de sua vida, e não com ressentimento. Se houver qualquer parte de você que se arrependa de ter me conhecido, quero que saiba que entendo, mas que sei que encontrará o seu caminho, meu amigo, que não é junto do meu, e é por isso que mantenho meu destino um segredo.

Annabeth

Nico imaginou, após despedir-se de Annabeth -- fosse pessoalmente ou não -- que seu coração o asfixiaria de agonia, e que ele sempre traria ressentimento em si com relação à ela... Porém, pela primeira vez desde que se apaixonara por ela, foi fácil deixá-la ir. Ainda sentiria falta dela, e ainda velaria pelos seus sentimentos de um dia desejar construir uma vida com ela, mas... Enfim, parecia ter a resolução de que precisara. As correntes imaginárias que o prendiam ao palácio desapareceram; desde que Annabeth recusara seu pedido de casamento há tempos atrás, sabia que não a teria, nunca da maneira que desejava, e agora, sabia como aceitar o fato. Ao partir, Annabeth lhe dera a chance de ter um segundo começo, em outro lugar, com outras pessoas, pessoas que ele estava destinado a conhecer. Ele teria uma segunda chance.

Despediu-se de Afrodite com um longo abraço e um beijo na bochecha. Ela lhe disse que estava orgulhosa dele, e ele sorriu. Estava orgulhoso de si mesmo também. Para o seu próprio bem, queimou a carta de Annabeth em uma lareira de um dos quartos dos serviçais, e pensou em sua querida amiga com um sorriso a brincar em seus lábios, como ela havia dito que faria. Momentos depois, conversou com o responsável pelos funcionários reais e entregou sua demissão. Despediu-se do Palácio de Buckingham e de toda aquela gente ocupada e formal por arrumar seus pertences numa pequena bolsa de couro. Sentiu por abandonar os cavalos, mas sabia que, mesmo sem ele, continuariam sendo muito bem cuidados.

Caminhou até a pensão de Connor Stoll com uma calma que há tempos não tinha. Talvez, o que sentisse por Thalia nunca fosse passar de desejo e admiração, mas ele sabia que ela também merecia uma segunda chance, e, para isso, os dois teriam de ir embora. Pela primeira vez em sua vida, a ideia de partir parecia deliciosa. Talvez, Annabeth tivesse mesmo razão, e estava na hora de os dois encontrarem seus próprios futuros.

XXX

– Acha que algum dia vão me perdoar? — Annabeth fungou. O mar estava calmo, e ela abraçava o torso de Percy com força enquanto o navio gentilmente abria caminho dentre as ondas. A luz da lua e das estrelas era forte o suficiente para que não precisassem acender lampiões. Haviam partido da Inglaterra fazia algumas horas. A jornada deles demoraria pouco menos de dois meses, e ao chegar a Nova York, imediatamente se mobilizariam para sua nova casa, comprada há tempos atrás, quando Percy pensou que teria de mandar sua amada sozinha para o Novo Mundo.

Antes de partir definitivamente do palácio, Annabeth escrevera uma carta para seus pais e irmãos e outra para Nico. Sabia que poderiam voltar para visitá-los, mas seria muito trabalhoso, especialmente se Nico partisse para outro lugar, assim como Annabeth esperava que ele o fizesse. Em pura sinceridade, ela queria que ele escapasse de um passado de servidão e pobreza em Londres e encontrasse outro caminho. Por mais que soubesse que amava sua família, Annabeth havia se acostumado à ausência dela. Ficar sem vê-los por longos períodos de tempo já era usual, e ela conseguiria aguentar a saudade. O problema seria sua consciência pesada: e se eles a ressentissem? E se não a perdoassem? A vida era dela, ela sabia, muito obrigada, porém, ao partir, não estaria Annabeth fazendo o mesmo que seus pais fizeram a ela quando era uma menina, ao dar-lhe embora?

Percy havia decidido voltar para a Europa em um ano para visitar Sally no exílio, e, talvez, enquanto ele estivesse no sul com sua mãe, ela poderia tentar explicar-se para os pais e para os amigos (se os encontrasse). Seu amado havia sido mais sortudo que ela naquele quesito: Percy fora forçado a gostar de muitos de seus amigos da nobreza e não teria que sentir falta de nenhum deles, e foi ainda mais afortunado quando Poseidon aceitara o convite de ir para os Estados Unidos com eles. Poseidon moraria em uma residência próxima a deles aonde continuaria com a prática da Medicina, como era de sua vontade.

Annabeth estava num misto de ansiedade e medo. Ânsia por, enfim, ter a chance que ela sempre pensara em ser impossível: poderia casar-se por amor, e acordar ao lado do homem de sua vida todos os dias. Por outro lado, medo pelas terras que desbravariam. Ela nunca havia saído de Londres até aquele dia, e agora, moraria em outro continente. Conheceria novas pessoas, teria um novo estilo de vida, e pela primeira vez em dezoito anos de existência, não serviria aos outros, e sim, a si mesma. Seria um desafio, um desafio que abriria muitas portas, e Annabeth estava certa de que levaria um tempo para que se acostumasse.

– Você não precisará de seu perdão. — Percy empurrou um cacho loiro da face dela para atrás de sua orelha gentilmente enquanto falava. — Querem que você seja feliz tanto quanto eu. E não partiremos para sempre. Podemos voltar para visitá-los sempre que você quiser.

– Você promete?

– Prometo. — Percy a beijou lentamente, e os dois só se separaram quando precisaram respirar por ar. Annabeth encostou sua cabeça novamente contra o peito dele. Pelo que pareceram horas, ficaram naquela exata posição a observar o oceano e seu suave e tranquilizador som. Os únicos passageiros da embarcação, além dos dois, eram Poseidon, o capitão do navio e seu ajudante, e os três adormeceram.

Foi Percy quem quebrou o silêncio.

– Só resta me uma dúvida.. E apenas você pode colocar um fim nela. — Annabeth olhou para Percy e franziu o cenho quando ele falou. O que poderia ele duvidar? E o que ela poderia ter a ver com ela? — Você, Annabeth Chase, vai me dar a honra de mudar seu sobrenome?

– Eu... — Annabeth murmurou confusa. Mudar o sobrenome dela? Como? Porque? Estava prestes a questioná-lo quando, enfim, percebeu do que estava falando. Ele queria... Queria casar-se com ela. Annabeth sempre soube que aquele momento chegaria, mas ainda assim, Percy não falhou em surpreendê-la, e o fez de uma maneira em que ela nunca desconfiasse. — É claro que sim. Nunca gostei muito do meu mesmo. Jackson é muito mais apropriado.

Percy sorriu o maior sorriso que Annabeth já havia visto antes de beijá-la. Ela sabia que ainda teria muitos medos e muitas inseguranças, mas que nunca mais estaria sozinha. Seguiria a jornada de sua vida ao lado da pessoa que mais amava, e, sim, teria a oportunidade de construir sua família. Por um instante, lembrou-se da menina magrela de onze anos de tantos anos atrás, que implorava para que seu pai não a abandonasse e que vira a luz no fim do túnel ao segurar a mão de um menino invocado de cabelo preto e olhos verdes. Se voltasse no tempo, nunca imaginaria que aquele garotinho não só seria seu salvador, mas ela seria a salvadora dele, também.

Please save me
I've been waiting,
Been aching far too long

Notas finais
Antes que me matem pelo capítulo simples e pequeno, estou pensando sim em fazer um Epílogo mas não vou prometer nada. Gosto de acabar histórias com esse gosto de 'quero mais'. De qualquer forma, espero que tenham gostado. MUITO OBRIGADA por todos que acompanharam, favoritaram, deixaram comentários e tiveram paciência de continuar com a fic até aqui. Até a próxima! Beijos, Ju.