She Falls Asleep

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Demorei, mas cheguei!
Espero que amem o capítulo assim como eu!

- Nico?

O moço girou a cabeça quando escutou sua voz sendo chamada, mas já sabia de quem a pertencia antes mesmo de olhar: como poderia confundir a voz de Annabeth com qualquer outra? Quando seus olhos encontraram os dela, no entanto, era óbvio que havia algo errado. O rosto delicado de Annabeth estava vermelho, e seus lábios e olhos inchados, indicando que havia chorado recentemente, e por certa duração de tempo. Fora isso, ainda continuava a moça mais bonita do mundo, com seu corpo esculturalmente perfeito, seus olhos cinza e profundos, os cachos dourados que desciam como cascatas pelas suas costas. Deuses, era perfeita, tão perfeita, e sempre tão perto, ainda que tão longe.

- Que aconteceu, Annie? – Ele perguntou preocupado, uma ruga se formando entre suas sobrancelhas quando ela se aproximou com os braços cruzados. Estava vestida em seu usual uniforme cor-de-rosa, o que significava que estava ainda em horário de serviço. Afinal, era uma plena tarde de Domingo, e os criados estavam há horas de distância de serem liberados do serviço.

- É... Eu... – Annabeth balbuciou como sempre fazia quando tinha vergonha do que dizer, ou se estava incerta se deveria confessar o que sentia ou não, apesar de que, na realidade, Nico não precisava que ela falasse nada. Quando eram pequenos, ela normalmente chorava pela sua família, mas conforme foram crescendo e ela, se conformando com a situação, Annabeth direcionava seus assuntos sempre para Percy, e Percy, para Annabeth.

Ser amigo dos dois durante basicamente toda a sua pré-adolescência e adolescência, Nico procurava se acostumar com o fato de que Percy e Annabeth só falavam de um do outro, e que dessa forma, a situação de Nico com Annabeth ficava cada vez mais impossível e inexistente. Apesar de Percy ser rico e nobre e não ter permissão nenhuma para ser visto com uma serva, Annabeth ao menos o amava, coisa que ele pensava que nunca teria, pelo menos não com ela. Infelizmente, ela era a única garota que já quis amar na vida, independente do quanto as outras servas e moças simples de fora se atiravam sobre ele como cadelas. Annabeth era única, tanto em beleza quanto em personalidade, e absolutamente qualquer um que botasse os olhos nela sabia disso, porém, Nico já tinha 21 anos, sendo três anos mais velho que Perseu e Annabeth, e sabia que logo haveria de se casar com outra serva, que lhe desse filhos e uma cama quente. Podia ser um homem simples, porém, não deixaria que a vida o levasse na solidão, mesmo que não pudesse ter a garota que queria.

- O que foi que ele fez, dessa vez? – Nico perguntou pacientemente, levantando-se do monte de feno que ele normalmente se sentava no estábulo quando não tinha nada para fazer.

Enfim, a guarda de Annabeth baixou e uma lágrima silenciosa caiu de seu olho esquerdo enquanto ela dava de ombros, mas logo depois seu corpo tremeu levemente, afinal, ela não era tão boa assim em autocontrole. De forma ou outra, não se aproximou mais de Nico, e ele sabia que tinha que deixar que ela falasse primeiro.

- Ele... Ele... – Annabeth murmurou entre soluços que faziam com que o seu tórax desse pequenos pulinhos. – Ele vai partir. Vai... Mudar-se para o castelo. O... O Rei mandou uma carta. – Assim que terminou de falar, apenas chorou um choro agudo, ainda que baixo. Servos não tinham o direito de fazer barulho, muito menos de chorar no meio do pátio da mansão daquela maneira, portanto, se apressou em abraça-la para que seus soluços fossem mascarados contra o seu peito.

Não sabia muitos detalhes sobre a relação secreta entre Percy e Annabeth, apenas os beijos que trocaram em determinadas situações e o quanto os dois tinham medo do que poderia acontecer se fossem descobertos, mas a julgar pela maneira que Annabeth estava desesperadamente chorando, havia com certeza algo mais que ele não sabia, e Nico não tinha certeza que queria que Annabeth o contasse. Havia coisas que ele preferia não saber.

Segurou-a perto até que seu choro se transformou em pequenos soluços, e, finalmente, se acalmou por completo. Afastou-se dela gentilmente e Annabeth sorriu, já que sabe-se os deuses porque, ela sempre procurava sorrir, por mais terrível que a situação fosse ou parecesse.

- Quando ele vai partir? – Nico perguntou em uma voz baixa, sabendo que, por mais que tivesse inveja de Percy pelos sentimentos de Annabeth, quanto mais tempo ficasse na mansão dos Jackson, mais feliz ela ficaria, então rezava para que sua partida viesse a demorar.

- Não sei. – Annabeth deu de ombros novamente. – Não quis conversar muito sobre o assunto. Mas acredito que não demorará. A carta veio do Rei, não pode ser ignorada.

O rosto de Nico caiu, mas ele fez que sim. Poseidon era muito amigo do Rei, e ignorar um pedido pessoal dele seria ainda pior dessa maneira. Provavelmente, Sallina já havia pedido para que um dos escrivães de Poseidon enviasse uma resposta ao Rei, e conhecendo a fiel família Jackson, a resposta seria que Perseu certamente mudaria para o palácio num futuro próximo. No momento, Nico detestava o amigo. Queria soca-lo, fazê-lo enxergar que era o homem mais sortudo do universo por ter Annabeth, mas não adiantaria, já que sabia que Percy sabia que Annabeth era tudo que ele precisava; entendia os motivos dele, afinal, mesmo que fugisse e levasse Annabeth consigo, o Rei os caçaria e provavelmente acabaria matando os dois, e o Perseu que Nico conhecia nunca deixaria que isso acontecesse. De certa forma, sua ida ao palácio era uma maneira de proteger Annabeth das consequências que uma traição poderia trazer aos olhos de um Rei doente e uma princesa mimada.

Se apenas ele pudesse ajudar de alguma forma... Ele era apenas um garoto de estábulo, não podia mudar a lei e muito menos a vontade do Rei, quem diria a maneira que a sociedade via relacionamentos entre servos e nobres, mas ele podia ao menos tentar oferecer a Annabeth uma coisa que com Perseu, ela nunca teria. Quem sabe, dessa maneira, ela abriria os olhos para a realidade, a realidade óbvia de que as coisas não iriam mudar ao favor dela e de Perseu, ao menos não tão cedo.

- Annie. – Nico falou pacientemente, suas mãos grandes tocando os braços frágeis de Annabeth por um instante. – Quero lhe perguntar uma coisa, e quero que você pense antes de responder. Se precisar de dias, eu vou esperar dias. Apenas... Prometa que vai pensar na minha proposta, está bem?

- Prometo. – Annabeth respondeu quase que de imediato, um tom curioso em sua voz.

- Bem... – Nico limpou a garganta, deslizando suas mãos para que segurassem as dela. Annabeth ainda parecia curiosa, e antes curiosa que desconfortável. As mãos pequenas dela apertaram as dele gentilmente, e ele desejava que no lugar da amizade clara nos olhos dela, ele visse amor, visse o mesmo brilho que estava lá quando ela olhava para Percy. – Sei que as coisas estão muito confusas para você agora, e eu não quero que você se sinta pressionada, mas... Queira sim, queira não, Percy vai partir logo, Annie. E... Eu não quero que você fique sozinha. Você... Merece muito, muito mais do que isso.

O discurso parecia funcionar, já que o sorriso de Annabeth só crescia. Por outro lado, o único sentimento detectável em seu rosto ainda era amizade. Nico já havia conversado sobre o que estava prestes a fazer com Afrodite várias vezes, e a mulher havia sempre repetido o mesmo conselho, “Annabeth escreve certo por linhas tortas”, e que confiava na decisão da garota como o que era certo para ela. E se Annabeth realmente sabia o que era certo para ela, ela certamente iria aceitar a proposta dele. Certo?

- Dessa forma, eu acredito que dentro do possível, consigo fazer o meu melhor para que você seja feliz, independente do que vier. E... Você precisa de alguém para lhe fazer companhia pelo resto de sua vida, para lhe proteger. Sei que você nunca será inteiramente minha, que parte de você sempre será dedicada a Perseu, por mais que ele esteja longe, porém... Quero que você deixe que eu cuide de você. Quero que você se case comigo, Annabeth.

Os olhos cinza de Annabeth se arregalaram e suas bochechas naturalmente rosadas pegaram fogo, mas ela não parecia ter pena dele, o que já era um bom sinal. Nico não queria que seu pedido mudasse nada entre eles se ela recusasse, e rezava para que isso não acontecesse. Seu coração batia forte em seu peito, e ele se perguntava se havia mesmo feito a coisa certa. Afrodite e os outros servos sempre haviam incentivado sua união com Annabeth, e agora, ele só precisaria de sua resposta, e enfim, saberia se poderia ter paz com ela, ou não. Viveria sua vida sabendo que sua esposa estava devotamente apaixonada por outro homem que não podia ter, mas o amor que ele sentia por ela e amizade que ela sentia por ele seriam suficientes, certo?

- Nico, eu... – Annabeth balançou a cabeça, apertando suas mãos mais uma vez. – Eu não acho que possa responder agora, eu... Preciso de um tempo. Para pensar. Mas... Obrigada. Suas intenções... São doces, são nobres. E espero que saiba que você é um homem maravilhoso. Sua mãe ficaria orgulhosa de você.

- Claro, claro. Já disse que pode ter o tempo que precisar. – Nico sorriu. Ao menos, ela queria pensar sobre o assunto. Ela haveria de perceber que casar-se com ele era sua melhor opção, ele esperava que sim. As palavras de Annabeth eram reconfortantes, especialmente quando sua falecida mãe fora mencionada, e parecia que ela realmente pensaria em seu pedido, o que já era de certa forma, um alívio.

Despediram-se logo, já que a voz de Sally ecoou pelo salão da mansão segundos depois, e quando Annabeth pressionou seus lábios contra a bochecha dele, como sempre, Nico enviou uma silenciosa prece aos deuses, que ela realmente visse que ele, ao contrário de Perseu, podia fazer ela feliz.

XXX

A cabeça de Percy pulsava de dor e estresse quando ele saiu do escritório do pai; tinha acabado de conversar com Poseidon e com Sally, e, quase que como sempre, não estava nada satisfeito com o que lhe fora informado.

Basicamente, Sally havia tagarelado por meia hora sobre a data de sua mudança para o palácio, que havia sido estabelecida para daqui um mês. Um mês... Apenas trinta dias, e lhe seria retirada toda sua vida, o que lhe restava de liberdade. Trinta dias, e ele teria de viver cercado de falsos mimos, falsos conselheiros, um Rei doente, uma princesa irritante e mimada, e ainda por cima, longe de seus pais, de sua casa, e, principalmente, de Annabeth. Só de pensar que, quando acordasse, ele não poderia esperar vê-la perambulando em seu uniforme cor-de-rosa, e que provavelmente nunca mais a veria ele tinha náuseas, portanto, tentou prestar atenção no resto das palavras de Sally.

Como se tamanha tortura e mudança de hábito não fossem o suficiente, Sally havia também o comunicado que uma festa de comemoração seria realizada no palácio assim que Percy chegasse, e que todos da nobreza estariam presentes. Enquanto a mãe tagarelava sobre a importância de uma roupa adequada, Perseu e o pai trocaram um olhar semelhante; O garoto sabia que o pai detestava a situação tanto quanto ele, e, se houvesse mesmo como contestar a vontade do Rei, ele estava certo que Poseidon o faria. Respeitava o amigo, mas prezava a felicidade do filho acima de qualquer coisa. Percy frequentemente se perguntava como seria se pudesse apresentar Annabeth a ele como sua amada, sua noiva, deuses, e não uma serva; se pudesse fazê-lo, também tinha certeza que o pai a receberia de braços abertos. Poseidon sempre fora humilde e gentil como Perseu, nunca se importando com o dinheiro ou status social que possuía, e Percy se sentia orgulhoso por ter herdado tamanhas características dele.

Logo que Sally enfim decidira que a roupa que ele usaria seria azul, Percy pediu licença, inventando uma aula de violino que ele não tinha apenas para esfriar a cabeça. Desde que havia comunicado Annabeth sobre a carta do Rei no dia anterior os dois não haviam conversado mais, e seu peito doía ao pensar que também precisava dizer a ela quanto tempo os dois tinham até o dia que fossem separados. Por mais que soubesse que aquela era a coisa certa a fazer, uma grande e crescente vontade dentro dele pulsava, tentando dizer-lhe que ele não tinha que desistir daquela maneira, que ainda havia mais algo que pudesse fazer, e ele não pararia de pensar nessa ínfima possibilidade até o dia que fosse forçado a partir.

Quando entrou nos seus aposentos, ainda de cabeça quente, sentiu seu corpo imediatamente se tornar mais leve quando seus olhos encontraram a imagem de Annabeth limpando os vidros das grandes janelas com um pequeno pano molhado. Ela estava de costas, seus compridos cachos loiros presos com a usual fita de cetim e suas belas, longas pernas expostas pelo uniforme cor-de-rosa.

- Sempre gostei de você nesse uniforme. – Ele comentou com um sorriso, apoiando-se contra a parede e cruzando os braços. – Mesmo quando éramos menores.

Annabeth saiu de sua concentração momentânea quando ele falou, e virou-se rapidamente para olhá-lo. Normalmente, ela faria algum comentário igualmente inocente e daria uma pequena risada, porém, desta vez, apenas virou-se novamente para a janela e voltou a limpar o vidro enquanto falava.

- Então, continue olhando. Só os deuses sabem quanto tempo você tem para me ver no uniforme, não é? Aposto que não têm desses no palácio. – A voz dela saiu amarga, tão incomumente amarga que parecia de outra pessoa. Percy entendia porque ela estava na defensiva, porém, não esperava que ela estivesse na defensiva com relação a ele.

- Annabeth. – Percy murmurou gentilmente, aproximando-se dela num passo lento. Não queria tocá-la, sabendo que ela desviaria de suas mãos. – Por favor. Sei que está magoada, mas... Ao menos... – Ele morreu o lábio inferior. – Ao menos, olhe para mim.

Para a surpresa de Percy, ela o obedeceu. Quando se encararam novamente, os olhos cinza dela agora se encontravam lotados de lágrimas, e ele sabia que ela era muito orgulhosa para deixa-las cair; poucas vezes havia visto Annabeth chorar, mesmo já tendo sofrido tanto. No momento, contudo, desejava que ela demonstrasse por completo o que sentia, para que ele, que já havia feito com que ela passasse por tanta dor, pudesse ao menos tentar ajuda-la da melhor forma que podia.

- Nico me pediu em casamento. – A voz de Annabeth era macia quando chegou aos ouvidos de Percy, mas as palavras queimavam como as mais ardentes faíscas. – Hoje de manhã.

Casamento? Sua Annabeth, que sempre fora sua, sua Annabeth, que havia se oferecido a ele por completo, casando-se com outro homem? Percy estava sendo hipócrita, sabia, porque ele também se casaria com outra mulher, no entanto... Ele não tinha escolha, tinha de se casar, enquanto Annabeth podia recusar o pedido. Só de pensar em Nico, que sempre fora seu querido amigo beijando-a, dividindo o leito com ela, tendo filhos com ela... Com sua Annabeth, tão doce e tão bela Annabeth, oh, deuses, a mais inteligente, amável e linda das moças... Não. Ele não permitiria. Antes, havia pensado que queria que ela fosse feliz, e queria, queria que ela fosse feliz mais do que qualquer outra coisa... E queria que ela fosse feliz com ele próprio. Sabia que estava sendo egoísta, muito egoísta, provavelmente mais do que havia sido sua vida inteira, mas Percy sempre fora possessivo quando se tratava de Annabeth, e agora que ela havia lhe contado sobre o pedido de casamento, ele sentia uma profunda raiva crescer dentro de si, um ciúme-monstro quase insuportável.

- Ainda não dei uma resposta – Annabeth acrescentou, e antes que Percy pudesse se sentir aliviado, prosseguiu, mas não antes de virar-se para a janela e começar o vidro com o pano umedecido novamente. – Afrodite me disse que tenho de aceitar. E... Bom. Acredito que ela esteja certa. – Deu de ombros, e as mãos de Percy começaram a tremer. – Afinal... Não quero viver o resto da minha vida sozinha.

- Annabeth... – Percy começou, e, pelo seu tom de voz nervoso, a moça provavelmente percebeu o que estava para vir, e mais uma vez o interrompeu antes que pudesse acrescentar o que tanto queria falar. Não esperava, no entanto, que Annabeth fosse dizer tanto como diria nos próximos instantes.

- Não, Percy, não. – Annabeth virou-se para ele novamente, jogando o pano molhado no chão com um grande suspiro. – Você perdeu o direito de ter uma opinião nesse assunto quando anunciou que sairia da minha vida, então, por favor, eu não quero escutar. – O discurso de Annabeth começou firme, no entanto, sua voz foi fraquejando a cada vez que abria a boca. Percy permaneceu parado, calado, e sem reação. Já havia visto Annabeth triste e nervosa antes, mas era a primeira vez que ela reagia desta maneira, ainda mais com relação a ele.

- O que te faz pensar que eu escolhi querer sair de sua vida, Annabeth? – Percy rebateu, já que ela estava cansada de saber que apenas estava cumprindo com suas obrigações, e que nenhuma das mudanças que ocorriam eram culpa dele. – O que te faz pensar que estou gostando de abandonar minha casa, minha família, tudo o que eu conheci durante toda a minha vida para me casar com uma princesa mimada e estúpida, que nunca amarei e viver com ela pelo resto da minha existência enquanto... – Fez uma pausa, sabendo que o que diria em seguida era uma grande informação. – Enquanto o amor da minha vida, a garota que eu amei desde que nem tinha idade para amar, a mulher mais bela e mais inteligente que já conheci tem de ficar presa aqui, sofrendo? Francamente, Annabeth... Francamente.

O rosto antes severo de Annabeth tornou-se suave, e seus lábios rosados estavam parcialmente abertos e seus olhos cinza arregalados em pura surpresa (E, pelo que parecia, uma surpresa boa).

- Você... Você me ama? – Annabeth perguntou de certa forma timidamente, um sorriso mais largo tomando conta de seu rosto enquanto ela processava as palavras dele.

- Annie... Não quero ser grosseiro, mas... Sempre foi meio óbvio. – Percy sorriu, genuinamente desta vez, enquanto o sorriso de Annabeth também só aumentava. Aproximou-se mais dela e quase que de imediato ela envolveu-o com seus longos braços, e Percy fez o mesmo. Assim que Annabeth enterrou sua cabeça contra o peito largo e forte dele, logo se desencadeou a chorar, soltando as lágrimas que tanto havia segurado na frente dele. Devia ser a terceira vez em sete anos que ele havia testemunhado aquele acontecimento, e o som dos soluços da moça partiam o seu coração.

Ele segurou-a perto, porém, ela acalmou-se sozinha. Quando o fez, ainda apoiada contra o peito de Percy, Annabeth o encarou com uma expressão serena que de imediato transmitiu uma sensação pacífica pelo corpo dele.

- Deuses, Percy... Tenho medo. – Annabeth confessou. – Medo de perdê-lo. Se tive medo de algo na minha vida, foi de perder você... E agora, você vai partir, e... Não sei mais o que fazer. Construí minha vida em torno de você, e fui tola ao pensar que você sempre estaria ao seu lado, deuses, como fui tola... Você nunca foi meu, nunca. – Ela balançou a cabeça em descrença, seus olhos cinza ainda cheios de lágrimas que ela havia conseguido segurar dentre as outras que havia derramado. – Sempre pertenceu à realeza, às suas obrigações... À princesa Rachel... Por mais que queira ser meu, nunca será. Isso me faz mais triste do que pensa. Amo Nico, mas como um querido amigo, não da mesma maneira que amo você... Como se nada mais neste mundo importasse. – Annabeth sentiu suas bochechas pegarem fogo, já que era a primeira vez que confessava seus sentimentos em voz alta.

Percy possuía muitas boas lembranças em seus dezoito anos de vida, porém, não conseguia lembrar quando se sentira tão feliz pela última vez. Escutar Annabeth proferir as palavras de amor a ele era como ouvir a mais doce e serena melodia, e rezava para que essa não fosse a última vez que tamanha e íntima confissão chegasse aos seus ouvidos.

- Realmente, então nada mais importa. – Percy a acalmou com o mais tenro dos sorrisos, uma de suas mãos acariciando a bochecha macia e rosada de Annabeth. – Eu a amo, e você me ama também. Nossos sentimentos são mais fortes do qualquer outra coisa... Incluindo qualquer Rei e quaisquer que sejam suas leis tolas. – Ele procurava soar sério, porém, Annabeth deu uma pequena risada quando ele falou, e antes que pudesse prosseguir um grande discurso que havia planejado, ela ficou na ponta dos pés para beijá-lo com paixão.

- Eu amo você. – Ela murmurou contra seus lábios, e deuses, como era bom poder repetir aqueles sentimentos e escutá-los quantas vezes ela quisesse proferi-los. Percy beijou-a mais uma vez antes de falar mais uma vez, já que aquela última informação não podia ser deixada de fora.

- É exatamente por isso que eu nunca, nunca deixaria você para trás. – Percy sorriu suavemente, se divertindo no momento com a expressão de dúvida no rosto de Annabeth, que franzia o cenho. – Você irá comigo para o palácio.

Notas finais
Alô, Alô Marcianas!
Acho que a maioria de vocês já estava esperando que essa providência do Percy fosse tomada, mas um aviso: a Sally não odeia empregados sem motivo. O passado dela é muito triste, e ela não vai deixar que a Annabeth escape tão facilmente. Ai ai.
Bom, mereço reviews?