Ela não sabia dizer como tudo começou, realmente.

Afinal, ela era a primogênita amada de seus pais, e, se se lembrava bem, sempre fora uma garotinha muito boa. Seu pai tendo seis bocas além da sua para alimentar e sendo apenas um simples alfaiate, Annabeth sempre havia feito seu melhor para ajudá-lo, correndo pelas ruas do pequeno vilarejo pedindo esmolas ou até mesmo cantando por algumas moedas, qualquer coisa que ajudasse. Obviamente, muitos usavam sapatos, mas não era sempre que eles quebravam, portanto, Frederick Chase possuía pouquíssimos clientes.

Com tanto pouco dinheiro e tanta família para abrigar, Frederick fora obrigado a gastar todas as economias da família num pequeno casebre longe da cidade, feito de madeira clara. Não havia quartos, apenas uma pequena cozinha, e uma sala de estar grande aonde Frederick, a esposa e os três filhos pequenos dormiam na cama, enquanto Annabeth e seu irmão mais novo, ainda que crescido, Mason, dormiam ao chão. Muitos no reino não considerariam aquilo uma vida e sim uma barbaridade, e já havia passado muitas noites que Atena Chase passara horas chorando de medo de as crianças serem tiradas dela e de seu marido por serem muito pobres e não poderem pagar por um sustento apropriado. Desde que Annabeth nascera, pequenina, rosada e seu cabelo uma penugem loira, Frederick e Atena prometeram que não importasse o número de filhos que viessem a ter, sempre fariam de tudo acima de suas próprias necessidades para que eles não passassem fome ou ao menos tivessem um teto firme para dormir todas as noites.

De certa forma, porém, Annabeth sempre se considerara feliz independente do fato de que algumas noites, ela tinha que ficar sem sopa na janta porque a comida não era suficiente para seus pais e seus irmãos. Não se importava. Em seus aniversários, todos os anos, até o dia que completou 10 anos, ela ganhava um bombom pequeno e redondo de chocolate branco, seu favorito, por ano, e para ela, isso era o suficiente. Pelo menos, até o dia em que chegara em casa de uma caminhada ao redor da vizinhança e sua mãezinha a cumprimentou com um grito de aflição.

- Mamãe? – ela perguntou inocentemente. Seu pai estava apoiado no balcão de madeira velha da cozinha, esfregando o rosto.

- Querida, querida... – Atena repetia, acariciando o rosto em formato de coração de Annabeth. Simplesmente não conseguia dizer mais do que isso, já que as lágrimas inundavam sua voz e seus olhos. – S-Seu irmão.

- Mason? – Annabeth franziu o cenho em preocupação. O garotinho era só um ano mais novo que ela, e dentre seus irmãos era sempre o que dava mais problema aos seus pais. Por outro lado, era quem ela mais amava, apesar de que ela nunca confessaria em voz alta. – O que houve com ele?

- Perdeu-se. – Frederick murmurou. – Saiu de manhã para fazer malabarismos e sumiu. Não voltou para o jantar.

Aquilo era tudo que precisava ouvir. Pôs-se a correr em direção à porta, berrando o nome do irmão desesperadamente e correndo em direção à estrada principal, que estava pouco movimentada àquela hora, mas, se fosse preciso, ela iria até o fim do mundo por seu querido irmão. Não vivia sem Mason, assim como não conseguia imaginar viver num mundo sem seus queridos pais ou seus outros três irmãos. Seus pequenos pés batiam sobre a terra enquanto ela corria, ainda exasperada e sem fôlego. Enfim, avistou o baixinho loiro ao lado de uma chique carruagem, tentando vender os panos bordados de sua mãe.

- Mason! – Ela gritou novamente, apressando-se a agarrar sua mão. Quando olhou para cima, para a janela da carruagem e para os olhos de repulsa que encaravam o seu irmão, viu o homem gordo vestido num terno roxo. Quando seus olhos se encontraram, ele sorriu um sorriso perverso, e não simpático.

- D-Desculpe, senhor. – Annabeth murmurou. – Meu irmão não vai mais te perturbar. Com licença.

Quando já ia virar-se para voltar para casa, ainda segurando a mão do irmão, foi interrompida pelo homem rechonchudo de dentro da carruagem com a simples palavra que saiu de sua boca.

- Espere. – Ele chamou, e Annabeth congelou. Soltou a mão do irmão e segurou seus pequenos ombros.

- Mason, vá pra casa, está bem? – Ela murmurou baixinho. – Eu vou estar lá em quinze minutos, prometo. E não arrume encrenca. Mamãe está super preocupada. O jantar já está pronto.

O garoto pareceu relutante, mas eventualmente concordou, sentindo que a fome era maior do que sua impaciência e orgulho. Pôs-se a correr em direção ao casebre no fim da estrada enquanto Annabeth deu um grande suspiro e aproximou-se da carruagem novamente. O homem sorriu perversamente para ela novamente, e ela engoliu em seco, olhando para seus pés sujos e brincando com seus cachos loiros e longos entre os dedos para aliviar a tensão.

- Qual o seu nome, querida? – O homem perguntou.

- Annabeth Chase, senhor. – Respondeu quase timidamente, e ofereceu ao homem um sorriso educado, já que parecia rico e importante. Quem sabe, se ele gostasse dela e fosse até o casebre para um conserto de seus sapatos, ou até mesmo para engraxa-los, sua família toda não pudesse comer uma vasta refeição naquela noite ou no dia seguinte.

- Annabeth... – O gordo repetiu, botando sua mão para fora da carruagem e segurando o queixo de Annabeth entre seus dedos rechonchudos, examinando-a, satisfeito. – Meu nome é Dionísio, Annabeth. Sou produtor de vinho. Onde você mora?

Um produtor, Annabeth pensou. Não era de se admirar que possuísse muito dinheiro. O cheiro doce vindo de dentro da carruagem de Dionísio era convidativo, e ela balançava a cabeça toda vez que imaginava a si mesma bebendo uma grande taça de suco de uva, seu preferido. A última vez que havia degustado um já fazia mais de anos, quando ela ainda era quase um bebê.

- Moro ali, ao fim da estrada. – Annabeth apontou em direção ao casebre. – Meu pai é alfaiate.

- Um alfaiate? – Dionísio pareceu extremamente interessado, mas a garota não percebeu. – Acho que estes sapatos aqui precisam de um conserto. – Sorriu, e mais uma vez, Annabeth não apreciou. Mas não podia pensar em si mesma, e sim no fato de que sua família jantaria bem pelo menos uma vez naquela semana.

XXX

Depois de que Dionísio visitara o simples casebre dos Chase pela primeira vez, havia voltado várias outras vezes nas próximas semanas. Frederick sabia que não era possível que um homem tão rico e poderoso como ele precisasse de consertos em seus sapatos tantas vezes, mas não protestou. Ganhava dinheiro como não havia desde que Annabeth havia nascido, contudo, percebia que Dionísio havia se interessado em sua primogênita. Como não se interessar, no entanto? Era lindíssima, meiga, e, apesar de todas as dificuldades pelas quais passava, era feliz, porém... Tinha apenas dez anos, faria onze em alguns dias, e ele detestava o pensamento de um homem vil, porém poderoso como Dionísio querer botar as mãos em sua princesa. Atena estava extremamente insatisfeita: apreciava o fato de que finalmente tinham dinheiro para alimentar todos na casa, contudo, ela sabia muito bem o que um homem daqueles queria com uma menininha inocente e bonita como sua filha. Seu único alívio era não ter que escutar as crianças chorando de fome durante a noite, mas sabia que toda aquela mordomia acabaria, e Dionísio iria pedir algo em troca por toda sua hospitalidade.

O dito dia chegou, enfim. Annabeth ajudava a mãe a lavar roupas no minúsculo quintal da casa, seus irmãos brincando de cavar num lamaçal ali perto quando escutaram batidas impacientes sobre a porta da frente. Frederick foi rápido em atendê-la, e abriu passagem para que um incomodado Dionísio passasse.

- Frederick. – Ele disse cordial, mas apressadamente. – Um minuto, por favor?

Atena engoliu em seco, encarando Annabeth enquanto suas mãozinhas pequenas brincavam com as bolhas das roupas de um de seus irmãos, como se fosse a última vez que fosse ver sua amada, inteligente e linda filha. Fez carinho em seus cabelos enquanto observou Frederick dirigindo-se à minúscula cozinha junto de Dionísio para conversar. Suspirou e virou-se para a filha.

- Querida... Vá até a feira pra mim, vai? – Atena disse baixinho, retirando duas moedas de cobre do bolso de seu vestido azul encardido, que usava todos os dias desde depois que se casara. – Pode comprar umas balas de caramelo pra você.

Annabeth deu-lhe um enorme, mas surpreso sorriso, já que não estava acostumada com aquele tipo de comportamento. Agarrou as moedas depois de secar as mãozinhas na blusa e abraçou o pescoço de Atena.

- Obrigada, mamãe. – Annabeth sorriu. – Mas por quê?

- Presente de aniversário adiantado. – Atena mentiu com a voz tremendo, e assim Annabeth, com um gritinho de antecipação, deu a volta na casa e dirigiu-se à feira. Atena esperava que ela demorasse, já que as ruas deveriam estar cheias pelo comércio.

Levantando-se lentamente, Atena grudou seu ouvido contra a parede da casa, suficientemente fina e frágil para que ela ouvisse a conversa de seu marido com Dionísio. Rezava para que nenhum dos meninos a encontrasse naquela situação, ou seria pior, e começariam a questionar perguntas que ela preferia não responder. Seu fôlego prendeu-se em sua garganta e concentrou-se na conversa.

- Acha que sou tolo? – Dionísio basicamente urrou. – Tenho alimentado sua família pelas últimas semanas, Chase, e você deve imaginar que eu pedirei algo em troca.

- Q-Que tipo de troca? – Frederick gaguejou, apavorado. – Não sabia que estava me dando empréstimos, achei que... Estava sendo solidário. Não tenho tanto dinheiro para devolvê-lo...

- Solidário? – Atena podia ouvir a risada de Dionísio. – Escute aqui, seu alfaiatezinho de merda. Só tem uma coisa que você tem, provavelmente a única coisa boa que fez na vida, e que eu quero. Quero sua filha, Annabeth. Você, sua esposa e seus outros filhos têm de agradecer a menina, do contrário, nunca teria tido interesse algum.

- Annabeth? – Frederick questionou incrédulo, e Atena colocou a mão sobre a boca, tentando controlar as lágrimas, apesar de que o pedido de Dionísio não era surreal. Ela sabia que isso aconteceria, mais cedo ou mais tarde. – Não, absolutamente não. Ela é... Muito pequena, Senhor, muito pequena... Vai fazer onze anos em alguns dias. É nossa primogênita, entenda, nossa filha... Se quiser o dinheiro de volta, arrumarei um jeito, mas –

- JÁ DISSE QUE NÃO QUERO SEU DINHEIRO! – Dionísio berrou, e Atena tremeu do lado de fora do casebre, suas pernas tremendo e seus ombros, também. Precisava pensar em algo, rápido... E se fosse atrás de Annabeth na feira, e a escondesse? E se pedisse para que alguma amiga cuidasse dela por um tempo? Não, não podia deixar os meninos sozinhos ali, ou Dionísio poderia fazer-lhes algum mal.

Depois de alguns momentos de silêncio, Dionísio voltou a falar.

- Escute. – Murmurou. – Ela vai ser muito bem cuidada. Vou poder dar-lhe roupas caríssimas, joias, perfumes, brinquedos. Tudo que ela quiser. E você receberá uma quantidade de dinheiro suficiente para alimentar sua família por muito tempo. Tem dois dias para pensar na minha oferta, virei buscar a menina no aniversário dela. Se recusar... Detestaria ter que enterrar você, sua esposa e seus filhos eu mesmo. Passar bem.

A última coisa que Atena escutou foi o barulho alto do bater da porta. Assim que Dionísio saiu, suas pernas trêmulas a levaram até o casebre aonde encontrou Frederick com lágrimas nos olhos e uma cara pensante. Ela apontou um dedo para ele antes que se aproximasse.

- Não. – Ela disse, firme. – Não, não, NÃO!

- Querida... – Frederick murmurou, e Atena distanciou-se mais um pouco.

- Ela é nossa filha, Frederick, nossa filha! – Atena gritava tanto que sua garganta queimava, mas ela não pensava em seu volume no momento. – Quem você pensa que é? Avisei, ah, se avisei, que aceitar dinheiro deste homem não era uma coisa boa! VEJA O QUE FEZ!

- Prefere ver os meninos mortos, Atena, nós dois mortos, também? Para que ele leve Annabeth de nós de um jeito ou de outro? – Frederick questionou. – Ele vai leva-la de uma maneira ou outra, Atena!

Atena congelou-se, as lágrimas caindo como duas cachoeiras de seus olhos, e ela se encostou contra a parede de madeira, chorando contra as palmas de suas mãos. Frederick não se aproximou. Em sua mente, Atena apenas escutava a vozinha de Annabeth dizendo mamãe, o som de sua risada. Lembrou-se de como era linda desde bebê, e como jurara oferecer sua vida antes da dela... Mas amava seus filhos tanto quanto à garotinha. Agora já era tarde... E sabia que no fundo, o marido tinha razão. Se recusassem a oferta de Dionísio, acabariam todos mortos, e, Annabeth, capturada de forma ou outra. Homens ricos eram imunes à lei, portanto era fácil matar uma família de Zé ninguéns. Mas, por outro lado, não ficaria ali, à espera que o homem entrasse pela porta da frente e levasse Annabeth embora. Precisaria ir pra longe, muito longe, e levar o que lhe restava dos filhos com ela, se quisesse ter ao mínimo um pingo de sanidade suficiente para cuidar de seus meninos.

- Eu lhe odeio. – Atena cuspiu no chão na frente de Frederick depois que falou. – Sabia que nunca deveria ter me casado com você, seu porco promíscuo e ambicioso. Vou pegar os meninos, e leva-los embora. Tenha ao menos a decência de nunca mais me procurar, ou farei com que sua carne seja vendida eu mesma.

XXX

Os dois dias que seguiram foram quietíssimos no casebre dos Chase. Annabeth animava-se com o dia de seu aniversário, em que Frederick dissera que a levaria na Casa de Leilões. Surpreendera-se, já que aquele era um lugar só para ricos e poderosos, e a garotinha suspeitava que Dionísio quisesse comprar-lhe um presente. Não compreendia, no entanto, porque sua mãe não dormia mais na cama junto de seu pai e sim ao chão junto dela, apertando seu corpo pequeno. Durante a noite, a ouvira chorar na véspera de seu aniversário, mas não perguntou se havia acontecido alguma coisa. Atena não era uma mulher de muitas palavras.

Na manhã de seu aniversário, antes que qualquer um se levantasse, Frederick a acordou e pediu que se vestisse. O pai, por algum outro motivo que ela não entendia, não conseguia olhá-la no rosto depois de deseja-la parabéns. Ainda animada, Annabeth vestiu-se, já que imaginara que Atena e Frederick haviam discutido: Acontecia, afinal de contas. Antes de saírem para Casa de Leilões, o pai deu-lhe um bombom de chocolate branco, o mesmo que ganhava todo ano, e ela o comeu enquanto iam a pé juntos até a Casa de Leilões. Quando lá chegaram, Annabeth ficou maravilhada: era tudo tão grande, dourado, belo, que ela deixou cair o papel do chocolate ao chão e não se incomodou em pegá-lo. Antes que pudesse observar com atenção os brinquedos nas prateleiras, Frederick a arrastou pelo braço até um dos corredores mais ao fundo, aonde, como previa, encontrou-se com Dionísio, que usava seu terno roxo e apoiava o corpo gordo em uma bengala cor de berinjela. De imediato, o homem tirou um grande bolo de notas do terno, a maior quantia de dinheiro que Annabeth já havia visto, e entregou-a a Frederick. Annabeth sorriu, batendo as palminhas para ela mesma, imaginando que tamanho dinheiro pudesse ser usado para comprar seu presente e ajudar a família.

- Venha, garota. – Dionísio chamou, pegando a mão da menina, mas Annabeth franziu o cenho e voltou a esconder-se ao lado de Frederick.

- Papai? – Annabeth questionou com olhos cheios de medo.

- Você tem que ir, pequena. – Frederick murmurou, os olhos cheios d’água e o coração lotado de pesar. – Vai morar com o Senhor Podium por algum tempo, para que mamãe e papai possam cuidar de seus irmãos.

Annabeth engoliu em seco, lágrimas infantis e desesperadas já caindo de seus olhos.

- Não! – protestou, segurando-se na perna de Frederick. – Papai, não, por favor, não deixa ele me levar!

Dionísio interviu com um sorriso, um daqueles sorrisos perversos que Annabeth tanto detestava. Segurou sua mão novamente, e a garotinha sentiu calafrios – ruins – passando pelo seu corpo pequeno, querendo que estivesse apenas tendo um terrível pesadelo e que acordaria em alguns minutos nos braços seguros de sua mãe. Sua mãe. E se nunca mais a visse novamente? E seus irmãos?

- Não se preocupe, queridinha. – Dionísio disse. – Vou cuidar muito bem de você, e com o dinheiro de que dei para seu pai, sua família será muito mais feliz, prometo –

– Não, papai,não! Por favor, eu amo você! – a garotinha implorou, chorando mais alto. Annabeth não conseguia acreditar que seu pai, seu amado pai, que contava histórias de boa noite, que comprava chocolates em seus aniversários e que a amava tanto houvesse concordado com tamanha absurda ideia. Será que ela não havia sido boa o suficiente? E se Atena não a quisesse também? Fechou os olhos, chorando desesperadamente contra a perna de Frederick, rezando uma familiar canção dos anjos, pedindo por um milagre. Era a mesma canção que sua mãe cantava quando as coisas ficavam difíceis, ou quando a fome era muito insuportável. Naquele momento, Annabeth nunca havia acreditado mais em milagres.

O menino apareceu.

Era bonito, alto, e forte, apesar de provavelmente ter a mesma idade dela. Tinha um cabelo que parecia muito macio, e os olhos mais bonitos que já havia visto. Atena a contara sobre príncipes, e Annabeth acreditava que via um sobre seus olhos naquele instante. Seu príncipe, vindo ao seu socorro. Quando ele disse que era seu aniversário, Annabeth deu um tímido sorriso dentre lágrimas, já que comemoravam a data no mesmo dia, mas permaneceu quieta, com medo de que estivesse sonhando e que o menino, o tal de Perseu, sumisse se ela falasse algo. Quando ele pegou sua mão, depois que o homem alto denominado Poseidon, o pai de seu príncipe, aparecesse, ela soluçou, mas permaneceu quieta novamente quando se lembrou de que Dionísio ainda estava ali. Quando Perseu a arrastava para a saída, ela olhou para trás uma única vez, encontrando os olhos tristes e o rosto lacrimejado de Frederick.

Desta vez, Annabeth não chorou. A mão de Perseu era tão firme, e gentil sobre a dela, que ela pensava mesmo que ele fosse seu príncipe, e que a levaria embora em um lindo corcel, como nas histórias que tanto amava. Sabia que, agora que estava com ele, estaria segura, e acreditava que ele era um menino tão bom, que, quem sabe não deixasse que ela voltasse para sua família? Poderia voltar a viver com seus irmãos, mãe e pai, e tinha fé que seu salvador permitiria, quem sabe.

– Como você chama? – ele perguntou, e ela sentiu seu coração batendo de uma maneira engraçada em seu peito, com uma dorzinha agradável.

- Annabeth. – respondeu da maneira mais animada o possível, sabendo que, não importa o que acontecesse, ela tinha seu príncipe agora, e ele não deixaria que nada de ruim acontecesse com ela.

Notas finais
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