She Falls Asleep

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Dedico esse capítulo à linda da Drica Dite, que me deu suas opiniões divas, me aguentou reclamando e me encorajou a demorar menos, rs. Espero que vocês gostem!

- Agora é só uma questão de tempo até que ele faça o pedido. — Sally murmurou,satisfeita, enquanto ela e Poseidon adentravam seus chiques aposentos de visitas no palácio real. Tirou as luvas de couro pretas e de pele de coelho enquanto Poseidon fechava a porta atrás deles e soltava um pequeno suspiro. — Você deu o anel a ele, não é mesmo?

- Sim. — Poseidon assentiu, mas era fácil perceber que não compartilhava o contentamento que sua mulher exalava. Haviam acabado de retornar do sepultamento de Rei James, e desde que prestaram seu respeito ao falecido monarca, Sallina não havia parado de tagarelar sobre a coroação de Perseu e o casamento dele com Rachel Elizabeth Dare. Poseidon havia sentido a raiva e desprezo nos olhos do filho quando lhe entregou a pequena caixa de veludo com o anel de noivado feito sob medida para os dedos rechonchudos da princesa, quase como se o culpasse; o médico aceitava tal sentimento da parte de seu único descendente: Se Poseidon nunca houvesse concebido um filho, ou salvado a vida da princesa, este nunca estaria sendo forçado a casar-se com alguém que não amava, ou a tomar a posição do homem mais importante da Europa.

- Deveria estar satisfeito. — Sally dispensou os empregados depois que penduraram seu casaco de peles com seu usual desprezo, e virou-se para o marido enquanto removia o colar de pedras negras juntamente com os brincos e colocava-os na caixa de joias. — Seu filho vai ser o Rei da Inglaterra em menos de um mês.

- E você deveria se envergonhar. — Poseidon sibilou; normalmente, não se incomodava em contestar a opinião da esposa, mas estava demasiado desapontado consigo mesmo e com ela para não fazê-lo. Além de ter concordado com Percy ter sido prometido a uma garota mesquinha e o empurrado para o cargo de futuro regente, Sally apoiou fiel e exageradamente tal situação, e ele estava farto de escutar as comemorações da mulher sem emitir sua própria opinião. — Por ter empurrado o garoto na posição em que está hoje. Vai casar-se com uma menina mesquinha, fútil, terá de ter filhos com ela, e terá de comandar o país mais poderoso do mundo que conhecemos hoje quando sabe muito bem que nosso menino sempre quis outras coisas. — Antes que pudesse censurar a si mesmo, Poseidon já havia falado mais do que o suficiente. Ele e Sallina sempre discutiam -- principalmente sobre Perseu -- mas há tempos que uma simples conversa não se transformava na parte agressiva daquele tópico.

Sally normalmente esfregaria as têmporas, o chamaria de milhões de nomes sujos ou o ignoraria; desta vez, no entanto, seu rosto se contorceu em um misto de humor com raiva, e ela soltou uma leve gargalhada, quase que como se sentisse pena do marido. Prendeu os cabelos longos e castanhos em um coque e sentou-se de frente para sua penteadeira; sem encarar o cônjuge, voltou a falar.

- Acho engraçado que me culpa por ter colocado Perseu onde está hoje. — Riu mais uma vez enquanto usava pequenos rolos de algodão para remover o pó de arroz das bochechas. — Quem salvou a filha do Rei de pneumonia não fui eu. — Mordeu o lábio inferior com indiferença. — E quem quis fazer um filho também não fui eu, portanto... Não me culpe por garantir que o menino fosse um bom Rei. Não podíamos recusar a proposta, não é mesmo? — Sally virou-se para ele com olhos entediados. — Afinal, ninguém desobedecia o Rei James, que os deuses o tenham.

- Como ousa... — Poseidon preparou-se para apontar o dedo para a esposa por acusá-lo de apenas ter feito o seu trabalho ao salvar Rachel Elizabeth Dare quando era apenas um bebê. Ele era médico, afinal; tinha que cumprir suas responsabilidades para os que precisassem dele.

- Como ouso? — Sally enfim levantou-se do pufe, e foi ela quem apontou o dedo para o marido enquanto dava outra risada sarcástica. — Como ousa você, Poseidon Jackson? Como ousa julgar-me responsável por condenar seu único filho a uma vida que ele não escolheu, quando fez o mesmo comigo? — Ladrou. — Afinal, foi você quem aceitou casar-se comigo quando meus pais me ofereceram, sabendo que eu dedicava minha vida a outro. Foi você, apenas você, que fez questão de assassinar o único homem que amei. O único! — O volume da voz de Sally aumentou de hora para a outra, e Poseidon recuou um passo. Lágrimas se acumularam nos olhos cansados e escuros da mulher, mas ela não parou. — Talvez eu possa refrescar sua memória, querido marido... E lembrar-lhe que quando arrancou meu vestido e fez questão de me estuprar para que todos os criados escutassem, eu fiquei grávida, Poseidon. Grávida deste menino belíssimo, gentil, humilde e inteligente que será o novo Rei da Inglaterra. Durante nove meses, nove longos meses, o carreguei, agradeci aos deuses quando dei a luz a um menino saudável, mesmo que quase tenha morrido para fazê-lo. E nunca, absolutamente nunca, desejei que nosso filho nunca houvesse nascido. Pode dizer o mesmo sobre você?

Quando terminou sua inesperada acusação, Sallina arfava; as lágrimas que tanto escondeu caíram contra suas bochechas; Poseidon não conseguia lembrar a última vez em que a vira em um estado tão frágil, ou se em sua vida já fora tão humilhado como naquele instante. Sally o havia culpado por ter assassinado Paul, o homem que ela amava, durante todo o casamento dos dois, independente de ele tanto insistir que o havia feito cego de amores por ela, um amor que nunca fora correspondido. Quando ela o relembrou do dia em que Perseu havia sido concebido, no entanto, sentiu uma forte e repentina enxaqueca que sempre tinha quando estava nervoso; violar a esposa foi, com certeza, um ato que havia realizado sem pensar claramente, assim como matar Paul. Apesar de ser conhecido por bondade e gentileza, Poseidon possuía um lado que apenas a mulher e seus falecidos pais conheciam: Quando perturbado, tendia a agir sem pensar, muitas vezes trazendo consequências desagradáveis, mas já havia reconhecido e se perdoado pelos seus próprios erros, afinal, fez o melhor para compensar seus atos falhos dando a mulher tudo que ela queria (incluindo privacidade, e que nunca encostasse um dedo nela de novo) e provando à ela que podia ser um bom pai para Perseu. Para a última acusação de Sally, no entanto, Poseidon ficou sem fala: Não podia deixar de confessar que muitas vezes desejara que Perseu nunca houvesse nascido. Amava o filho muito intensamente, e por isso, desejava, algumas vezes, que não houvesse sido carregado ao mundo para que não fosse obrigado a carregar o fardo do trono.

- Eu... — Poseidon murmurou, respirando fundo com as mãos ainda trêmulas, mas não voltou a encontrar o olhar da esposa. — Vou deixar você se trocar, agora. O Duque Apolo dará um jantar em homenagem ao Rei esta noite, e deveremos estar lá para prestar nosso respeito novamente. Com licença.

Sally observou enquanto Poseidon saía do quarto e deixou escapar um suspiro de alívio. Ela podia ser corajosa e quando usava suas palavras, ela tendia a conseguir o que queria, mas se Poseidon perdesse a paciência... Não teria compensado confrontá-lo. Rezou para que os deuses permitissem que ao menos, seu Perseu visse enfim o que era melhor para ele, e tomasse a decisão certa. Apesar de seus esforços, Sally sabia que nunca poderia ignorar o fato de que seu menino amável havia nascido para cargos muito mais admiráveis do que ser um monarca cruel.

XXX

As mãos magras de Thalia tremiam enquanto ela pacientemente esperava em frente às portas dos fundos de um pequeno bar na cidade. Estava frio; tivera de rasgar as mangas de seu vestido por estarem manchadas de sangue, e agora, não tinha nenhum tecido que lhe protegesse os braços. Depois de escapar da casa de campo dos Castellan, anestesiada pelo susto, Thalia fez seu melhor para chamar o mínimo de atenção possível; se fosse reconhecida, seria facilmente arrastada de volta para os pais (que a essa hora da noite já estavam com toda a cavalaria particular atrás dela) e teria que enfrentar o que havia feito. Agora que parava para pensar, fugir só fazia com que parecesse mais culpada. Se houvesse usado sua inteligência, teria queimado o vestido em uma lareira qualquer e voltado para o quarto como se nunca tivesse saído de lá, deixando a culpa para um criminoso que nunca encontrariam. Talvez, se ela confessasse o crime como o ato de defesa própria que realmente foi...

- Aqui, moça. — O idoso trabalhador do bar saiu pela porta, carregando um pano de prato e uma tigela fumegante em mãos. — Foi tudo que pude conseguir. — Os olhos do senhor se inundavam de pena enquanto passou o pote de vidro para as mãos de Thalia. Seu conteúdo era de apenas um caldo ralo com carne seca e poucos legumes de aparência antiga boiando nele.

- Obrigada. Está ótimo. — Thalia fez que sim com um pequeno sorriso, e assim que o senhor desapareceu para dentro do quieto bar, a moça sugou a sopa com avidez; apesar de ter crescido só tendo do bom e do melhor para se alimentar, estava com tanta fome que não percebeu o gosto amargo do caldo e a podridão dos legumes.

Quando seu estômago estava novamente forrado, Thalia enroscou os braços em volta de si mesma; as ruas de Londres estavam surpreendentemente quietas com exceção dos relinchos de poucos cavalos que por ali passavam puxando luxuosas ou simples carruagens. Ficar tão sozinha e tão grande silêncio fez com que Thalia fechasse os olhos e pensasse novamente no que havia acontecido na madrugada anterior.

- Me chamou? — Luke ofereceu a ela um sorriso perverso enquanto entrava no gabinete subterrâneo. Normalmente, Thalia retribuiria o gesto, mas hoje, ver a boca do amigo se curvando de maneira maliciosa fez com que um calafrio ruim percorresse sua espinha. — O que quer fazer? Jogar ovos na fachada da casa e fingir que foram moleques de rua? Queimar os arbustos de minha mãe? — Luke deu uma risadinha baixa, e Thalia procurou se animar. Ele falava de travessuras que fizeram quando eram pequenos, e, quem sabe, isso significasse que realmente fosse uma boa situação para conversar com ele.

- Nada disso. — Thalia permitiu-se dar uma pequena risadinha, apoiando a mão sobre a longa escrivaninha de carvalho aonde o pai de Luke estudava mapas e lia seus livros preferidos. — Na verdade... — Hesitou. — Queria conversar com você sobre uma coisa.

- Que pena. Estou com um humor ótimo para arrumar encrenca hoje. — Luke balançou a cabeça como quem fingia decepção. — Espero que ao menos, o tópico de conversa seja interessante. Ou, no mínimo, mais interessante do que a conversa insuportável da minha mãe no jantar, sobre artrópodes curiosos da América do Sul. Pelo amor dos deuses.

Thalia deixou escapar mais uma pequena risada. Luke conseguia ser charmoso quando queria... Quando esse pensamento passou pela sua cabeça, no entanto, sentiu a bile lhe queimando o esôfago. Como ele teria violado aquela pobre criada? Será que teria usado sua carisma com ela? Será que havia lhe arrastado até os cantos do palácio à força? Será que havia batido nela? Milhões de pensamentos cruzavam a mente de Thalia, fazendo com que lhe faltasse ar por um breve instante. Se ela tivesse interrompido Luke, ou gritado por ajuda... O que teria acontecido com a serva loira? Será que havia se curado? Será que chorava todas as noites antes de dormir?

- Se lembra da festa de comemoração pela chegada de Perseu Jackson ao palácio, não é? — Thalia questionou, esperando encontrar qualquer traço de emoção que denunciasse Luke em seu rosto, mas ele não mudou. Deu de ombros e confirmou com a cabeça com tanto desinteresse que apenas fez com que Thalia ficasse mais nervosa. — Acabamos nos desencontrando lá, e eu... Bebi um pouco de champagne demais, porém... — Balançou a cabeça, sem ter certeza de como colocaria a situação. Os olhos azuis de Luke a encaravam com certa fascinação que ele não compreendia e, na verdade, apenas lhe assustava. — Resolvi caminhar pelos arredores... Encontrei Sallina Jackson gritando com uma serva, e então...

- Thalia, aonde quer chegar? — Luke a interrompeu, cruzando os braços sobre o peito. Estava assustadoramente calmo, e ela não sabia se este fato fazia as coisas melhores ou piores. — Me perdoe se estiver sendo rude, mas aquela festa foi extremamente entediante, e --

- Eu o vi, Luke. — Foi a vez dela de cortar a fala do amigo, e agora, não havia mais volta. A adrenalina que o seu coração bombeava para o resto do corpo lhe deu coragem para deixar escapar o resto das informações mais rápido que ela gostaria. — Vi você com aquela.. Aquela pobre moça! — Arfou, a cena lhe torturando a mente. De volta à realidade, Luke ainda agia como se não escutasse nada do que ela dizia. — Luke, pelo amor dos deuses, você... — Thalia sentiu as lágrimas vindas ao rosto, tão abundantes que mal conseguia respirar. — Você estuprou aquela criada, Luke.

Thalia havia feito o seu melhor para imaginar as milhões de reações possíveis que o seu amigo teria quando ela lhe confrontasse. Imaginou que ele poderia ficar tristonho, ou que poderia ficar nervoso, culpado. Poderia negar o fato e dizer que ela estava muito bêbada para pensar com coerência, podia pedir um bilhão de desculpas; Thalia havia repensado suas reações centenas de vezes, e, ainda assim, a que ele realmente teve a surpreendeu.

Jogou a cabeça para trás e deu um riso de puro desdém.

- Não vejo qual é o problema. — Deu de ombros. — Sou um homem, e aquela mulher, uma criada. Uma criada extremamente atraente. Você é inteligente, Thalia. Sabe que essas empregadas servem para mais do que nos dar de comer e lavar nossas roupas.

Estava atônita. Quase que se beliscou para se certificar de que não estava sonhando; seu melhor amigo nunca seria grosseiro daquela maneira. Diabos, ela... Ela queria casar-se com ele quando era mais nova. Considerava-o cortês, educado, engraçado... Não podia ser. Ele não podia estar sendo sincero.

- Thalia, você esteve fora por muito tempo. — Luke enfatizou, aproximando-se um passo dela. Naturalmente, ela recuou. — E por todo esse tempo, ficou em um internato de boas maneiras para meninas. Não conviveu com homens... Temos desejos que precisam ser satisfeitos antes de nos casarmos... Ou achou que todos nós nos comprometíamos em matrimônio sem ter estado dentro de uma mulher? — Jogou a cabeça para trás, e deixou escapar mais um barulho sarcástico. — Além disso, quem se importa? Era só uma criada. Eu provavelmente não fui o único que usou ela para aqueles fins.

Thalia fez que não; as lágrimas já haviam parado de cair. Sentia o seu coração rachando em longos sulcos, mas o ar lentamente lhe voltava aos pulmões. Sentia-se traída, tão traída como uma mulher que perdia seu marido para outra. Tão traída como as flores quando não beijadas por borboletas na manhã. Tão traída como que perdendo a única pessoa que realmente conhecia seus interiores... A tristeza abria espaço para outro sentimento, no entanto. Um sentimento que Thalia Grace conhecia muito bem... A raiva. Raiva, sempre tão oculta e tão cultivada dentro de si, agora, com oportunidade, retomava sua forma original...

- Você provavelmente já sabe que nossos pais planejam unir as famílias com casamento. — O sorriso de Luke tornou-se ainda maior, e Thalia desconfiou que ele estivesse gostando do sofrimento dela. — E quero que saiba que não precisa se preocupar. Vou ser um marido bom para você, e...

- Não. — Thalia balançou a cabeça com firmeza, dando outro passo para trás. Ao invés de continuar sorrindo sarcasticamente, uma expressão de dúvida passou pelo semblante de Luke. — Você não é Luke Castellan. Não mais. Não o que eu conheci. — A voz dela saiu ríspida, e não magoada. — E seria uma desonra imensa para mim e todas as futuras gerações de minha família se eu ousasse me casar com um animal como você. — Rosnou. Agora, já não tinha mais medo. O rosto de Luke contorceu-se na mesma raiva que ela sentia, e agora, o reconhecia... Era o mesmo tipo de olhar que ele tivera quando ela o viu no palácio a violar a serva.

Thalia sentiu seu corpo enrijecer com as vívidas lembranças. Era surreal que tudo havia acontecido fazia menos de um dia, quando parecia que havia uma eternidade. Logo depois que ela insultou Luke, o homem partiu para cima dela sem pestanejar, e ela sabiamente usou o punhal antes que ele pudesse atacá-la. Perguntava-se o que teria acontecido com ela se ela não o tivesse matado...

De forma ou outra, ela não podia voltar para casa, muito menos para os aposentos de campo de Castellan, ao menos não agora. Sabia que quanto mais tempo ficasse nas ruas, mais culpada pareceria, e apesar de sua incrível capacidade de mentir, Thalia queria tomar responsabilidade pelas suas ações, ainda mais quando foram para defesa própria, mas pela primeira vez em sua curta vida, ela estava com medo das consequências.

XXX

A reunião de Perseu Jackson com o chefe do Bank of England (popularmente conhecido como The Old Lady of Threadneedle Street) foi longa e complexa. Por ser o banco central do Reino Unido, era óbvio que todos os seus funcionários estavam constantemente ocupados, e que Percy teve de marcar um horário por carta antes de lá chegar. Foi atendido pelo gerente com uma cortesia exagerada, da mesma maneira que era recebido em todos os outros lugares que ia. Agora que Rei James havia morrido, era ainda mais óbvio que ele seria o futuro monarca, e o pensamento o incomodava mais agora do que nunca.

- Confirmando seus desejos, Senhor Jackson: Dois terços de sua poupança pessoal serão transferidos para o Banco de Nova York, e um terço dela será aplicado num fundo para emergências no nosso banco, correto? — O gerente questionou pelo que parecia a centésima vez, mas Percy fez que sim. Ao menos, o homem parecia querer ter certeza de que tudo daria certo, e ele também. — E ambas as contas estarão no nome de... Annabeth Chase?

- Sim. — Percy mordeu o lábio inferior. Só de escutar o nome de sua amada, sentia seu coração falhar. Ele estava perto de finalmente conseguir mantê-la em segurança e ter absoluta confiança de que ela teria uma vida digna. Não precisava de suas economias; era uma larga quantidade de dinheiro, sabia disso, mas se ia mesmo ser Rei da Inglaterra, não precisaria daquilo. E mesmo que significasse passar fome, estava mais do que na hora que Annabeth tivesse a vida que merecesse.

- E da quantia de dois terços que vai para o Banco de Nova York, o senhor quer que uma pequena quantia de quatro mil libras seja usada para comprar uma casa modesta em Nova York, e que mais mil libras sejam usadas para o aluguel de um barco para uma viagem até a costa leste americana.

- Exato. — Percy fez que sim, deixando um sorriso tímido brincar em seus lábios enquanto imaginava em sua Annabeth vivendo no federalismo americano. Teria uma casa própria (simples, ainda que bela, como ela sempre quis. Percy sabia que Annabeth não gostava de nada extravagante) com um jardim para que ela mesma pudesse cuidar, como sempre desejara. Só de pensar que a pessoa que mais amava enfim seria libertada de uma vida de sofrimento e escrúpulos, sentia como se pudesse fazer qualquer coisa, incluindo engolir a tarefa de ser Rei e casar-se com uma mulher que desprezava; por mais que seu coração se destruísse de saudade a cada segundo... Sua Annabeth estaria bem. Seria feliz. Seria esposa, um dia. Seria mãe, e com certeza, uma ótima mãe. E, enfim, estaria longe de todos que a prejudicaram, incluindo ele.

Notas finais
E aí, semideuses? Espero que tenham gostado. Como eu disse anteriormente, não se desesperem, as coisas podem mudar.
E eis que conhecemos o outro lado da Sally, hein?
POR FAVOR, DEIXE SUA OPINIÃO! Sair sem dar tchau é falta de educação ;)