She Falls Asleep

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Espero que o capítulo dê esperança a vocês, e que não faça com que se desesperem mais! Aaaa (Mais uma vez, coloco a culpa pela demora na escola! And I regret nothing!!!)

– Afrodite... Por favor. — A voz de Perseu soou desumana, fria. Em todos os anos que havia servido na mansão dos Jackson, Afrodite nunca havia visto o moço tão nervoso. Suas mãos tremiam, e até mesmo o peito forte por debaixo das roupas de seda parecia hesitante. Seus olhos verde mar, idênticos ao do pai, traziam tanta tristeza que a mulher quase sentia seu coração partindo-se em dois. — Por favor, diga-me que... Diga-me que não é verdade.

Considerou mentir. A dor que claramente irradiava de Percy, seu menino, o garoto que havia observado crescer era palpável, e sabia que faria qualquer coisa para que ele voltasse a exibir seu charmoso sorriso. Por outro lado, não podia esconder nada dele. Além disso, sabia que Perseu apenas a confrontava porque já havia recebido as notícias da própria Annabeth, e agora, não havia como voltar atrás. Afrodite havia conhecido a dor durante toda a sua vida, mas não conseguia lembrar da última vez que sofrera tanto, nem mesmo quando passara fome nas ruas em sua adolescência.

– Eu... Sinto muito, querido. — Afrodite murmurou, sentindo o nó dolorido em sua garganta se desfazendo em lágrimas quando falou. Não conseguia se obrigar a dizer mais, especialmente quando Percy esfregou a testa com uma das mãos e deixou escapar o mais triste suspiro. Nunca, nem mesmo quando ele não passava de uma criança, ela o havia visto chorar, e assim que ele levantou a cabeça para olhá-la novamente, seu corpo veio rapidamente de encontro ao seu, aonde ele deixou escapar um longo soluço. Pouco tempo depois, a mulher sentiu seu vestido ficar molhado de lágrimas de sal, e pouco podia fazer para confortá-lo além de acariciar suas costas enquanto o abraçava. Ela mesma já havia chorado tanto por Annabeth, mesmo sabendo que a moça não gostava que sofressem por ela.

Ficaram naquela mesma posição pelo que pareceram horas. Os soluços do jovem logo cessaram, e Afrodite logo fez o seu melhor para se recompor. Agradecia aos deuses por Annabeth não estar ali, aliás, se perguntava quando a moça contara ao seu amado sobre o terrível ocorrido nos arredores do palácio, mas imaginava que acabasse de tê-lo feito, o que significava que logo viria procurar por Percy. Um mau pressentimento correu pela espinha de Afrodite, mas antes que pudesse pensar no que ele significava, Percy levantou a cabeça de seu colo, secou os olhos com a parte de trás das mãos; em seu semblante, não trazia nenhum traço de tristeza. Tudo o que Afrodite conseguia ler nele agora era raiva, pura e dura ira.

– Vou matá-lo. — Declarou, e a voz desumana mais uma vez tomou conta dele. Arfava, e as mãos grandes fechavam-se em punhos. Afrodite arregalou os olhos.

– Perseu. — Mordeu o lábio, pronta para contestar.

– Não. — Ele murmurou, virando o rosto para longe dela para encarar o chão. — Vou matá-lo, Afrodite, fazê-lo pagar. Vai se arrepender por ter... Ter... — Percy não conseguia nem pronunciar as palavras, e a mulher conseguiu ver um traço de desesperança passar por sua face.

– Perseu.– Ela insistiu, levantando-se do canto da cama e tocando no seu braço forte. — Não seria o mais sensato a fazer... Não pode se esquecer de que ele é importante, também... Você iria preso, o Rei mandaria lhe cortar a cabeça...

– Pelo amor dos deuses, Afrodite. — Percy passou as mãos pelos cabelos freneticamente, e mais uma vez, a mulher ficou surpresa ao ver seu Perseu, seu menino, tão irado, mesmo que tivesse toda a razão em estar. — Ele... A estuprou. — A palavra saiu da boca dele como o mais feio pecado, e Afrodite encarou o chão. — Violou minha Annabeth, depois de tudo que ela passou! — A voz dele aumentou em volume consideravelmente, e Afrodite rezava para que ninguém escutasse. — Depois de ter sido vendida pela própria família, de ter sido tratada como um pedaço de lixo pela minha mãe, depois de todos esses anos, ela... — Deixou escapar um suspiro cansado, e, devastado, sentou-se ao pé da cama de Annabeth, quase que como entrasse num transe que ela não atreveria interromper. — A culpa é minha... Toda minha. Eu nunca deveria ter trazido ela para cá. Nunca... Se ela tivesse ficado com os meus pais, ela... Ainda seria... — Esfregou os olhos, mas não voltou a chorar. Levantou-se do chão num supetão, e andou em direção à porta.

– Percy... Aonde você está indo? — Afrodite perguntou, ainda mais preocupada. Tinha medo que tomasse alguma ação imprudente, uma ação que pudesse lhe custar muito mais do que seu posto como herdeiro do trono.

– Escrever uma carta ao senhor meu pai. — Percy murmurou com uma expressão quase determinada. — Está mais do que na hora de um homem fazer algo de útil com minhas próprias economias. Com licença.

XXX

– Diabos. — Poseidon murmurou enquanto seus dedos encostavam-se à jugular do rei James Dare, dando outro suspiro cansado quando não encontrou a pulsação do sangue sobre sua pele. Virou-se lentamente para o conselheiro ao seu lado, fazendo que sim. — Está morto. — Quando o homem apressado saiu para dar as notícias, Poseidon pousou a mão sobre a cabeleira branca do homem e mandou-lhe uma prece silenciosa. — Que os deuses lhe recebam com a honra que merece, caro amigo. — Fungou, e tratou de coletar seus pertences e colocá-los de volta em sua maleta de couro. Apesar de ser médico, não gostava de ficar muito perto na presença de cadáveres, e, neste caso, do cadáver de um amigo. Quanto mais próximo do defunto ficasse, mais triste ficaria.

Antes de partir, no entanto, deu uma olhadela rápida pelo enorme aposento. Apesar de estar amuado pela morte do já há muito tempo doente companheiro, Poseidon estava devastado pelo fato de que quem tomaria seu posto seria seu único filho. Desde pequeno, Perseu havia se demonstrado uma criatura extremamente doce e gentil; sabia que o papel de um regente não seria ideal para ele. Além disso, era óbvio que o garoto detestava a ideia de casar-se com alguém que não amava, e ainda por cima, ter de governar um país ao seu lado até o dia de sua morte. Suspirou, preocupado. Agora que o rei havia falecido, o reino esperaria que Perseu pedisse a mão de Rachel em casamento oficialmente, e quando o fizesse, não demoraria a que fosse coroado. Poseidon suspirou, preocupado. Há alguns dias atrás, recebera uma carta do filho, que lhe pedia para que transferisse sua parte das economias da família permanentemente para o seu nome, e o médico se perguntava o porquê de tal ato. A quantia em nome de Perseu que Poseidon havia guardado até agora era para emergências, mesmo que o primogênito possuísse boa vida garantida no trono, o homem sempre quis que a poupança existisse. De maneira ou outra, o motivo para tal pedido ainda não havia sido revelado, e Poseidon desconfiava que Perseu pudesse usá-la para, de certa forma, contornar o dever de ser rei. O filho era responsável, e não fugia de seus deveres, no entanto, sempre havia guardado em si uma tendência para uma rebeldia silenciosa.

Poseidon balançou a cabeça, passando a mão pelos cabelos manchados de grisalho. Não podia negar ao filho o que lhe pertencia, mas pedia aos deuses que seu menino não cometesse nenhum erro.

XXX

– Fisicamente, ela está bem. A musculatura já se recuperou, e não há mais risco de sangramento. — Garantiu o médico, franzindo o cenho enquanto fechava a porta atrás de si. — E não está esperando um bebê.

– Obrigada, doutor. — Percy fez que sim enquanto o médico se afastava pelo corredor, uma grande parte de sua preocupação sendo retirada de seus ombros. Ao menos, Annabeth estava bem fisicamente, e não havia engravidado do imundo homem que cometera o pútrido ato. De forma ou outra, Perseu continuava preocupado. Não conseguia nem começar a imaginar no que passava na cabeça de Annabeth, mesmo que ela houvesse murmurado palavras distantes quando ele lhe perguntava. Sabia que não deveria forçá-la a conversar sobre o assunto, mas ele precisava saber se ela ainda estava lá, se ainda estava presente.

Respirando fundo, abriu a porta do quarto em que Annabeth e Afrodite dormiam e fechou a porta atrás de si. Annabeth estava enrolada em um cobertor de lã, seus olhos cinza sem emoção encarando a paisagem do enorme quintal do palácio como se nada visse, ignorando a belíssima paisagem. Seus longos cachos dourados estavam presos em um coque desajeitado, e profundas olheiras se formavam debaixo de seus belos olhos.

– Nunca mais quero que um médico encoste em mim. — Sua voz saiu entediada, mas Percy era astuto ao perceber a mágoa atrás dela. Caminhou em direção à cama e sentou-se ao seu lado. — Nunca mais. — Ela virou-se para olhá-lo.

– Ok. — Percy fez que sim, querendo que ela se acalmasse. Queria segurar sua mão, mas seus braços estavam escondidos dentro do cobertor. — Nunca mais.

Com a promessa boba, e obviamente vã, Annabeth pareceu relaxar sua aparência rija. Abaixou o olhar, mas logo conseguiu encará-lo novamente; Perseu, no entanto, desviou o olhar. Podia sentir a mágoa que exalava dela quando ela voltou a olhar pela janela. A garganta dele doía com as palavras que queria dizer, mas que não tinha coragem para fazê-lo.

– Meus deuses, Percy. Você nem consegue olhar pra mim. — Annabeth murmurou num tom baixo, e ele exaltou-se. O lábio inferior rosado dela tremia, e mais uma vez, ele foi atingido pela culpa, doentia e corrosiva culpa, que parecia a única coisa que ele conseguia processar pela última quinzena.

– Annie, eu...

– Eu... Eu entendo. Não quero olhar pra mim também. Não depois do que aconteceu. — Uma lágrima correu de seu olho direito contra a sua bochecha, e ela afastou o rosto da mão dele quando ele se aproximou para enxugá-la. -Você pode ir embora, se quiser. — O desespero em sua voz deixava claro que ela não estava sendo sincera. — Rei J-James está morto, e... — Deu um grande suspiro, fungando para afastar o choro. — Logo você estará noivo. Quanto mais cedo me deixar, melhor.

Percy sentiu seu coração partir-se como a mais frágil rocha. Ele e Annabeth já estiveram distantes antes, mas nada se comparava a isto. Sempre soube que este dia chegaria, o dia em que ela não ia querer deixar-se sofrer por causa dele, e estava certa. Não ia deixar que sofresse mais por sua causa. Não ia permitir. Amava Annabeth como nunca pensara ser possível; cada detalhe dela, cada centímetro de seu ser... A amava como se acreditava ser possível em contos e em poemas tolos. Só de pensar que o mais terrível acontecimento havia ocorrido a ela por culpa dele, sentia fortes náuseas e uma vontade de implorar que os deuses o apagasse de sua vida. Como suas divindades não pareciam escutar, ele tomara a decisão por ele mesmo.

Quando enviara a carta ao senhor seu pai antes da morte do rei pedindo para que a generosa quantia a que tinha direito fosse transferida oficialmente para seu nome, não esperava ter resposta tão rápida. Logo, Poseidon havia transferido todos os seus bens para o nome do filho, e com um pesar no coração, Perseu botou seu plano em ação. Precisava que Annabeth fosse para longe, muito longe dele, para que ele não pudesse mais machucá-la. Estava mais do que na hora de deixar de ser um porco egoísta e pensar no que era melhor para a mulher que sabia amar tão intensamente. Não sabia como conseguiria viver sem ela, mas haveria de se acostumar. Tudo para que ela estivesse segura. O dinheiro transferido era mais do que suficiente para que ela começasse uma vida num lugar que ele nunca poderia alcançá-la novamente.

Precisava se despedir.

– Não se esqueça de mim, está bem? — A voz de Annabeth saiu estrangulada por entre seus lábios, e antes que Percy pudesse registrá-la, sentiu o corpo magro dela se jogando contra o dele, seus braços enroscados tão fortemente em volta do seu torso que perdeu o ar. As costas da moça chacoalhavam-se com soluços enquanto a cabeça dela se apoiava em seu peito, e engolindo o nó em sua garganta, Percy teve finalmente a certeza que precisava para que passasse seus últimos momentos sem ela.

– Você foi tudo que eu conheci, Annabeth. — Gentilmente puxou-a para mais perto e deu um longo beijo em seus cabelos perfumados, inalando sua doce, familiar fragrância que já havia se encravado em sua mente como o mais delicioso mantra. Forçou-se a não chorar. Não, se recusava a chorar. Ele precisava ser forte por ela, pelos dois. Ela precisava dele. Precisava dele para ser feliz, mesmo que ele nunca pudesse reencontrá-la. — Você foi tudo que eu conheci. — Repetiu, não se atrevendo a soltá-la enquanto fechava os olhos e prolongava o instante que já lhe escapava das mãos.

– B-Beije-me. — O tom na voz de Annabeth soou tão infantil quando ela de súbito olhou para cima que Perseu foi iluminado pela presença da menina magrela que havia conhecido quando eram crianças. — Pela última vez, Percy... Beije-me... — Antes que mais alguma dolorosa súplica saísse de sua boca, Percy cuidadosamente acariciou sua bochecha para que seus lábios tocassem os dela. Sentiu a dor de uma saudade preliminar e um buraco se formar em seu peito enquanto ela derretia-se contra ele. Dessa vez, ao invés de carregado com medo como na ocasião nos aposentos dele quando ela lhe contara sobre Luke Castellan, ele sentia que transmitia todo o sentimento que tinha por ele num desespero que ele retribuía, sentindo toda as suas lembranças com ela sendo depositadas nos lábios de rosa que tantas vezes havia beijado.

XXX

Thalia sentia sua mão tremer com espasmos fortes. Ainda segurava o punhal de prata pura que havia retirado com pressa de uma das gavetas da enorme escrivaninha do pai de Luke. A manga longa do vestido de cetim amarelo claro que usava estava inteira encharcada em sangue que já começava a oxidar e se tornar marrom, mas ela não conseguia se mexer. Por fim, seus dedos trêmulos se desenroscaram da faca pesada que caiu no tapete tão vermelho quanto o sangue que camuflava, e Thalia conseguiu agradecer mentalmente por ele, ou a arma teria feito barulho contra o chão de pedra.

De barriga para baixo, sobre o tapete, jazia o corpo já pálido e abandonado pelo sopro da vida de Luke Castellan. Seus cabelos cor de areia estavam desgrenhados, e seus olhos, semi-abertos, o que apenas o deixava com aspecto mais assustador. Naquele dia, ele havia usado um traje azul claro, que há tempos já havia sido quase completamente coberto pelo sangue que saía da abertura em suas costas. Enquanto Thalia absorvia os detalhes de suas ações, levou as mãos ao rosto, deixando escapar um gemido de susto quando manchou sua pele branca com o sangue que tinha nas mãos. Finalmente, lágrimas correram de seus olhos azuis elétricos, e ela de imediato ajoelhou-se ao lado do melhor amigo. Os dedos longos da moça deslizaram sobre as pálpebras de Luke para fechá-las, mas fazê-lo só sujou a testa e as sobrancelhas do jovem do próprio sangue; Thalia deu um pulo para trás de supetão, engatinhando para longe do cadáver e se apoiando na parede de pedra gelada do escritório subterrâneo dos Castellan.

Sabia que deveria estar quase amanhecendo, e que logo o avô de Luke desceria para ler as notícias matinais bem ali, aonde a família Castellan depositava todos os seus livros e se sentavam em volta de uma confortável lareira (agora apagada e fria) para seus momentos de leitura ou trabalho. Precisava sair dali, mas não conseguia mexer os pés. Estavam rijos. Gelados. O zumbido em seu ouvido apenas aumentava, dando-lhe uma enxaqueca insuportável. Não podia ter um ataque de Labirintite, não agora. Preciso fugir, lembrou a si mesma, mas seus músculos não respondiam, e seus olhos não se moviam, fixos no corpo sem vida.

Thalia e os pais haviam sido convidados para passar o final de semana na casa de campo dos Castellan, aonde Thalia imaginou que encontraria uma boa chance de falar com o Luke sobre o ocorrido no palácio, sabendo que já havia um discurso pronto em sua mente e que não iria embora sem exigir algumas respostas. Tudo correra bem até a noite que ela combinou um encontro entre os dois ali, no enorme escritório de trabalho do Senhor Castellan. Os adultos já haviam se retirado para dormir já havia tempo, assim como os empregados, e naturalmente, Luke concordou em conversar com a amiga, já que não suspeitava que ela soubesse de nada e gostava de quebrar as regras, já que não era apropriado para que os dois conversassem às cinco da madrugada. Assim que a porta do escritório se fechada atrás deles, no entanto, Thalia sabia que não teriam uma conversa pacífica.

Balançou a cabeça para tentar esquecer-se dos olhos cheios de fúria de Luke; nunca havia visto o amigo tão irado, tão fora de si; era quase que como uma besta tomasse conta de seu corpo e roubasse seu espírito. Estava certa que o monstro foi o mesmo que o possuíra no palácio, um monstro que talvez Luke trouxesse adormecido em seu ser e que ela nunca tivera a chance de ver até aquele momento. Quando Thalia repousou a visão em suas mãos ensanguentadas novamente, no entanto, o alívio momentâneo que tomara seu corpo por ter conseguido soltar o punhal desapareceu, e a adrenalina e o medo correram rápidos pelo seu sangue. Preciso sair daqui, pensou novamente, e cheia de forças provenientes do que o pavor lhe fornecera, conseguiu esgueirar-se pela porta dos fundos do escritório, escondida atrás de uma estante. Sabia que havia uma escada secreta ali que levava até o quintal da casa, pois Luke e ela se escondiam ali quando crianças o tempo todo.

Luke.

Virou-se para trás uma última vez, mas logo fechou a passagem, temendo que o espírito de o que pensava ser seu amigo lhe assombrasse.

Notas finais
E aí, curtiram?
Falei que a Thalia ia se redimir, hehe. Logo mais adiante irei explicar mais sobre a conversa dela com o Luke. Revelarei em breve os planos de Percy pra "salvar" a Annie, mas lembrem-se, o plano pode mudar, hein!
POR FAVOR, peço que DEIXEM SUAS OPINIÕES. Elas significam muito pra mim, e seria rude sair sem deixar um review, né? ;)
Beijos!