She Drives Me Crazy
16 Capítulo 16 - Sem danos
Notas iniciais
Bella estava nervosa, mas assim que se sentou na cadeira a raiva tomou lugar. Ela não queria ser mal educada com aquele homem. Ela sabia que tinha culpa por não ter contado a verdade, mas Carlisle podia ter concordado com o fim do acordo e nada daquilo estaria acontecendo.
— Bem, agora que meu filho já sabe... — Começou, mas ela o interrompeu.
— Sim, ele já sabe. Então parece que meu contrato acabou antes do tempo... — Disse se levantando, já cansada daquele assunto.
— Espere um pouco, Bella. Faltam apenas algumas semanas para o fim do contrato. Eu tenho um escritório no centro onde você pode trabalhar. Até o fim do contrato pelo menos. — Disse desejando que ela ficasse. Ele podia ver o bem que ela fazia ao seu filho e não queria que ela partisse. — Depois você pode ir embora, se ainda quiser. — Acrescentou.
— Eu posso falar com ele? — Perguntou.
— Ele não está na casa. — Respondeu com uma preocupação visível.
— Não está ou não quer receber visitas? — Rebateu.
— Não. — Respondeu rapidamente. — Ele realmente não está. Ele tem uma casa de campo. Ele foi para lá.
— Sozinho? E se acontecer alguma coisa? E se... — Preocupou-se e Carlisle a tranquilizou rapidamente.
— Bella, se acalme. Ele não está sozinho. Um amigo meu está com ele. Ele é fisioterapeuta. Edward está bem. — Assegurou.
— Eu não entendo. Se ele não quer que eu fique por perto, por que ainda estou aqui? O acordo que fizemos foi quebrado. Ele sabe que o senhor me pagou. — Disse se levantando.
— O acordo não foi quebrado, Bella. Ele não a mandou embora. — Respondeu. — Isso é diferente.
— Não me mandou embora, mas pediu para me mudar de função. Eu fui contratada para ser assistente do Edward e agora ele me dispensou, assim como fez com as outras. E como o acordo de confidencialidade foi quebrado e eu não terminei o ano...
— Bella, mesmo que você decidisse sair antes do final do contrato, eu cuidaria dá saúde de sua tia. Apesar de como as coisas estão, você trouxe meu filho de volta a vida. — A interrompeu. — Eu sei que você pode não gostar de mim agora, mas eu não sou um monstro
— Se você tivesse simplesmente aceitado que eu não queria seu maldito dinheiro, Edward não teria ouvido aquela conversa e eu poderia ter explicado. Então me desculpe, Carlisle, mas eu acho que você é sim um monstro. Mas está tudo bem, porque eu também sou ruim. O fiz confiar nas pessoas de novo e agora ele está mais machucado do que antes. — Respondeu caminhando até a porta.
— Então você vai ficar? — Perguntou esperançoso.
— Vou, mas apenas porque eu gosto de terminar o que eu começo. — Respondeu batendo a porta.
Ela pegou um táxi e voltou ao apartamento, encontrando Alice jogada no sofá, lendo um livro de administração.
— Como foi? Ele te mandou embora? — Perguntou curiosa.
— Não. Mas honestamente, eu preferia que tivesse mandado. — Respondeu se jogando no sofá ao lado de Alice. Completamente cansada.
— O que acontece? — Preocupou-se
— Edward não pediu para o pai dele me mandar embora. Pediu para que me mudasse de cargo até o final do meu contrato. E eu vou ficar no escritório do doutor Cullen.
— E isso é ruim? — Questionou.
— É claro que é, Alice. Está claro que ele não me mandou embora porque sabe que eu preciso do dinheiro. Eu consigo conviver com a raiva dele, mas não com a pena. — Respondeu cobrindo o rosto com as mãos e murmurando. — Com a pena não.
— Você conseguiu falar com ele?
— Não. Ele não está na casa. — Respondeu ainda com o rosto coberto.
— Já sei. Porque não faz o que a mamãe ensinou?
— O que? Um bolo? — Perguntou, retirando o rosto de entre as mãos, irônica e Alice revirou os olhos.
— Não. Uma carta. Você se lembra quando brigávamos? E nós não conseguíamos pedir desculpas com palavras, porque acabávamos brigando de novo?
— Esme dizia que não se pode brigar por carta. Que o que as palavras faladas não conseguem, as escritas alcançam.
— É isso, Bella. Escreva uma carta pra ele contando toda a verdade. O seu lado dá história. — Explicou.
— E se ele simplesmente jogar fora?
— É uma possibilidade, mas duvido que faça. Ele pode até ficar bravo quando souber que é sua, mas aposto que vai ficar curioso pra saber o que você tem a dizer.
— Ótima ideia, Alice. Vou escrever uma carta. Mas o pai dele não vai entregar. — Respondeu.
— Você ainda tem a chave dá casa? — Perguntou a observando.
— Alice, isso é invasão. — Respondeu arregalando os olhos.
— Não se ninguém descobrir. — Rebateu.
— Você é doida, mas eu te amo. — A abraçou.
As duas conversaram por mais algumas horas, até que Bella foi para o quarto escrever a carta, porém depois de um tempo saiu frustrada.
— Já escreveu? — Alice perguntou surpresa pela rapidez.
— Quem dera. Eu não consigo colocar tudo em uma carta. Eu poderia mandar um manuscrito. — Respondeu pensativa com o queixo apoiado nas mãos.
— É só dizer como se sente, Bella. Não é tão difícil.
— Talvez para você. Eu não costumo dizer como me sinto, Alice. Eu nunca havia dito eu te amo a ninguém fora da família. A ninguém! Porque desde pequena, me ensinaram que era errado me expor assim, mas por alguma razão, eu sentia isso por ele. Eu sentia isso por ele e disse. E agora ele não quer nem me ver. — Respondeu sentindo uma dor no peito.
— Isso é culpa do Charlie, não sua. Não há nada de errado em dizer como se sente, Bella. E se não consegue dizer como se sente em apenas uma carta. Escreva várias. — Respondeu como se fosse simples.
Bella voltou para o quarto e quando finalmente havia acabado de escrever umas 10 cartas, ela escolheu apenas uma para entregar à ele.
Semanas se passaram e ela estava no escritório do Carlisle. Ela faria aquilo que havia dito, terminaria seu contrato e entregaria o maldito cheque para Edward.
— Aqui está, Bella. Seu cheque. — Carlisle entregou o cheque para Bella, que pegou sem nem olhar o valor e enfiou na bolsa. — E sobre sua tia, eu disse que cuidaria dela e é o que estou fazendo. Todas as despesas do hospital, onde ela está se tratando, estão pagas. Obrigado, Bella. — Agradeceu a olhando nos olhos. — Mesmo que você não queira mais me ver, ainda sou muito grato pelo que fez ao meu filho.
— Como ele está? — Perguntou desviando o olhar.
— Bem. A fisioterapia tem dado bons resultados. — Respondeu.
— Isso é bom. Eu tenho que ir agora. Tenho umas coisas para resolver.
— Está bem. E mais uma vez, obrigado, Bella. — Ele agradeceu e ela o olhou pela última vez, lhe dando as costas e passando pela porta.
Entrou em sua picape e dirigiu até seu apartamento com o rádio ligado.
And I told you to be patient
(Eu te disse para ser paciente)
And I told you to be fine
(Eu te disse para ficar bem)
And I told you to be balanced
(Eu te disse para ser equilibrado)
And I told you to be kind
(Eu te disse para ser gentil)
In the morning, I'll be with you
(De manhã, eu estarei com você)
But it will be a different kind
(Mas será de um jeito diferente)
'Cause I'll be holding all the tickets
(Porque eu estarei segurando todos os bilhetes)
And you'll be owning all the fines
(E você vai ficar com todo o prejuízo)
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
— Alice, você tem certeza de que não se importa que eu faça isso? — Perguntou novamente para ter certeza de que a prima não se chatearia.
— Não, Bella! O dinheiro é seu. Você trabalhou por ele e além disso, parece que Esme foi escolhida para um tratamento especial. Com todas as despesas pagas. Ela vai ficar bem. — Respondeu tranquilizando a prima.
— Vai sim. — Ela reafirmou, mesmo sabendo quem estava por trás disso.
— Você vai agora? — Alice perguntou olhando para a carta e as chaves em sua mão.
— Eu tenho que ir. E se ele me odiar depois disso, sei que fiz tudo que podia.
— Ele vai te perdoar. — Disse confiante, segurando sua mão.
— Eu queria acreditar nisso, Alice. Queria mesmo. — Respondeu suspirando ao sair do apartamento.
Entrou em sua caminhonete e dirigiu até a casa. No caminho, Gertrudes começou a dar alguns problemas, mas ela resolveria no dia seguinte. Estacionou em frente a casa e desceu a olhando. Aquele lugar onde havia passado momentos tão felizes.
Antes de invadir, ela decidiu bater na porta, mas ninguém atendeu. Então ela pegou sua chave e entrou.
Assim que passou pela porta, um miado conhecido veio até ela. Era o Peludo.
— Ele te deixou sozinho? — Perguntou para o gato que ronronou para ela. Ela foi até a vasilha de comida dele e a encontrou cheia. Pelo menos havia deixado comida.
Ela foi andando pelo corredor até que chegou ao escritório. A porta estava fechada e ela não conseguiu abrir. Bella decidiu que deixaria a carta e o cheque no quarto dele.
Subiu as escadas e entrou no cômodo. A cama estava arrumada e o carrinho de oxigênio estava ao lado. Ela se sentou na cama, se lembrando das noites que passaram ali, amando um ao outro e fazendo promessas para o futuro. Promessas e futuro que não se cumpririam. Ela deixou a carta e o cheque em cima dá cama e foi em direção a porta, mas quando a abriu, trombou com um corpo muito familiar.
— Mas que diabos... — Edward pulou para trás, assustado.
— Algumas coisas nunca mudam. — Comentou, tentando aliviar o clima.
— O que você faz aqui? Como entrou? — Questionou, enquanto tentava normalizar sua respiração.
— Eu... Eu vim entregar uma coisa. — Respondeu corando. — Eu pensei que você estivesse fora. Eu usei minha chave.
— Eu não vejo nada em suas mãos. — Retrucou mal humorado.
— Está na cama. — Apontou para o embrulho que havia preparado e voltou a olha-lo. — Eu tenho que ir. — Disse se afastando e tentando segurar as lágrimas, que a frieza dele a causavam.
— Bella, espere. — Pediu e seu coração pulou em seu peito.
— Sim? — Respondeu se virando e esperando que pedisse para que ela ficasse. Que dissesse que queria conversar, resolver as coisas, e que nada daquilo importava, porque ele a amava também, mas o golpe que ela recebeu com o que ele disse destruiu essas esperanças:
— Pode devolver a chave, por favor?
— A chave? — Perguntou confusa.
— Sim. A chave dá minha casa. Pelas minhas contas o seu contrato acabou e você recebeu seu dinheiro, então já pode seguir em frente. Sem danos.
— Sem danos? — Perguntou magoada. — Quer saber, eu escrevi uma carta, mas não acho que você precise ler. Sabe, Edward, eu nunca consegui dizer que amava alguém. Nunca havia dito isso a ninguém. A ninguém! Porque desde pequena, me ensinaram que era errado se expor assim, mas por alguma razão eu sentia isso por você. Eu sentia isso por você e te disse. E fazendo isso, eu não só coloquei meu emprego na reta, como a única chance de cura que minha tia tinha, mas eu coloquei também meu coração. Tudo isso pra ficar com você.
— Então você nunca pensou em aceitar o dinheiro? Ou achou que eu fosse burro o bastante para não descobrir? — Perguntou chateado.
— Viu? Você não escuta. Parece que você fecha os ouvidos. Eu acabei de dizer que amo você e você me pergunta se era o dinheiro? — Questionou irritada e ele recuou. — Para de sentir pena de si mesmo por um minuto e pense: será que não tem nada em você que fez com que eu me apaixonasse de verdade? Quer saber? Esquece. Você diz que não suporta o olhar de pena das pessoas, mas você mesmo se olha assim. — Disse passando por ele.
Ela realmente não esperava que ele fosse tão cego ao não notar que ela tinha se entregado de corpo e alma naquela relação. Relação fracassada.
— A propósito, o cheque que seu pai me deu pelos meus serviços está em cima da sua cama, junto com a carta. E é como você disse: sem danos. Aqui está sua chave. — Disse entregando à ele o objeto metálico e saindo, o deixando ali, parado sem saber o que dizer.
Fale com o autor