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39 Epílogo - Parte 2
Notas iniciais
19 de agosto de 2023
O casamento tinha sido lindo.
A cerimônia tinha acontecido numa capelinha antiga, bastante rústica, e que ficava bem perto da propriedade que tinham comprado alguns meses antes, que era onde a recepção aconteceria. Tanto Benedict quanto Sophie amavam morar na cidade, mas aquele lugar um pouco mais afastado seria perfeito para passarem os fins de semana e também os momentos em que quisessem se desligar das suas responsabilidades. O dono anterior tinha decidido chamar o lugar de “Meu Chalé”, nome que ambos Sophie e Benedict consideravam ridículo…
Até que, numa das primeiras vezes que tinham ficado ali, voltaram para casa implicando um com o outro, cada um dizendo que era seu chalé. Depois disso, tinham decidido que gostavam do nome, nem que fosse porque era divertido irritar as pessoas (e um ao outro) com aquela piada.
E agora estavam oficialmente casados. Se fosse possível explodir de felicidade, ambos teriam. Depois de mais de um ano morando juntos, se sentiam casados, mas finalmente oficializar sua união na frente de seus amigos e família era muito bom. Os dois tinham se emocionado durante a cerimônia e tinham aproveitado que chegaram na casa antes que todos os outros para ter um momento de paz.
— Você está maravilhosa. — Benedict disse assim que eles entraram no quarto.
— Obrigada. — Sophie se aproximou e o beijou. — Você também está lindo.
— Mas você já sabia o que esperar. Quando você apareceu na entrada da igreja, eu fiquei sem fôlego. Tive que reaprender a respirar enquanto você vinha até mim e eu me apaixonava de novo. — ele pegou a mão dela e a colocou sobre o seu peito.
— Eu te amo tanto.
— Te amo também, meu bem. — ele se inclinou para beijá-la de novo, mas o contato não se prolongou.
— Eu tenho uma surpresa pra você.
— Hm, uma surpresa? — Benedict levantou uma sobrancelha, apesar do sorriso estampado no rosto. — Logo no dia do nosso casamento?
— Sim. — ela disse, prensando os lábios para conter um sorriso. — Na verdade, eu já devia ter te dito, mas sua mãe falou tanto do negócio de não nos vermos nem conversarmos no dia antes do casamento que eu achei melhor não desobedecer ela.
— A gente mandou mensagem o dia todo.
— Uma pequena transgressão.
— Com certeza vai ser perdoada.
— Eu espero que sim, porque foi o único dia que eu passei sem ouvir sua voz em mais de um ano. Fiquei com saudade de te ouvir falar.
— Depois de só um dia?
— Claro.
— Qual era a surpresa?
— Primeiro, eu quero pedir desculpas porque eu sei que você ia querer estar lá, mas eu estava nervosa e fiz o que achei mais certo.
— O que houve? — ele estava se preocupando.
— Em segundo lugar — Sophie disse, basicamente o ignorando -, eu não podia te contar isso por telefone e como os eventos foram na quinta e ontem, eu esperei até hoje. — ele assentiu, um pouco confuso. — Lembra que eu estava passando mal na terça e que achamos que era por causa daquela sopa da segunda? — ele assentiu. — Pois é, na quarta eu fiquei bem, mas na quinta de manhã eu passei mal de novo e aí eu vi que minha menstruação estava atrasada e bom…
— Soph? — a voz dele estava cautelosa.
— Quinta eu fiz um teste de gravidez e deu positivo.
— É sério? — os olhos de Benedict se encheram de lágrimas.
— É sim. — os olhos de Sophie ficaram molhados também.
No final de fevereiro daquele ano, Sophie tinha feito um teste de gravidez que deu positivo e ficou meio sem reação. Queria dizer que aquilo não podia estar acontecendo, mas podia, já que ela tinha ido trocar o DIU e eles deviam estar usando camisinha nos primeiros dias, mas simplesmente esqueceram em algumas das vezes e, bem, estavam brincando com as chances.
Antes de conhecer Benedict, Sophie nunca tinha imaginado que poderia ter filhos um dia, então nunca pensou se isso era algo que teria vontade de fazer. Ser completamente responsável por outro ser humano? Ela realmente conseguiria fazer algo como isso? Não conviveu com a mãe, o pai era um merda e sua madrasta (que a maltratou por anos) agora estava presa, então não podia dizer que tinha os melhores exemplos. Que tipo de mãe ela seria?
Estava apenas começando a pensar naquelas questões, mas os dois já tinham combinado que só teriam filhos depois de alguns anos de casados, não depois de dois meses de noivado. Queriam aproveitar um tempo sendo só eles e Sophie acreditava que, quando acontecesse, ela já teria terminado de se acostumar com a ideia, mas, naquele momento, ainda duvidava de suas capacidades de ser uma boa mãe tendo exemplos tão horríveis.
Benedict, por outro lado, ficou animado. Certo, era inesperado, mas, vindo de uma família grande e amorosa, ele queria o mesmo para si. Queria ter filhos e queria que seus filhos tivessem uma relação tão próxima quanto ele e os irmãos tinham, mas, como Sophie não parecia tão animada quanto ele, tentou manter aquilo mais controlado.
E ele entendia porque ela não estava tão animada. Ele seria um pai presente, claro, mas ela seria muito mais afetada por aquela surpresa do que ele. Sophie tinha começado a trabalhar na Bridgerton no início de janeiro e, apesar de o trabalho ser garantido (no sentido de que não a demitiriam porque tinha engravidado dois meses depois de começar a trabalhar lá), uma criança naquele momento atrapalharia o início de sua carreira.
E Sophie teria aquele bebê. Não era bem a hora certa e ela ainda precisava descobrir algumas coisas, mas não podia dizer que era completamente avessa à ideia. Nunca tinha pensado em ter filhos porque nunca tinha encontrado alguém com quem quisesse tê-los, mas agora… quando parava para pensar nisso, lhe agradava bastante a ideia de um serzinho que seria metade ela, metade Benedict. E ela podia não ter tido os melhores exemplos, mas ele tinha tido. Conseguiriam fazer aquilo, desde que estivessem juntos.
E ela disse isso para ele com todas as letras no dia de seu aniversário, cerca de dois dias depois de ter feito o teste.
Ben,
Um ano atrás eu já te amava, mas tentava fugir dos fatos. Tinha medo demais do que podia acontecer se me permitisse viver esse sentimento plenamente, mas agora vejo que todos os meus medos, embora justificáveis, só estavam ficando no meio do que eram as portas abertas de um caminho feliz. Você me ajudou a perceber que eu não queria viver com esses medos e que eles eram bem menores do que qualquer futuro que pudéssemos ter juntos.
Acho que você já viu onde eu quero chegar.
Eu ainda estou assustada e tenho certeza que vou acabar fazendo alguma besteira no meio do caminho, mas também tenho certeza de que você vai estar do meu lado e que nós vamos conseguir consertar e enfrentar o que quer que seja, desde que estejamos juntos.
Ok, acho que já podemos recomeçar, certo?
Ben/papai,
Feliz aniversário! Nós te amamos muito. Obrigada por ser o melhor noivo, futuramente melhor marido e pai e por nos escolher para ser sua família.
Com amor,
Soph e bebê
Nenhum dos dois conseguiu parar de sorrir naquele dia.
Porém, no dia seguinte, foram fazer o exame de sangue para confirmar e descobriram que o primeiro resultado tinha sido um falso positivo.
Os dois ficaram com uma sensação estranha depois de receber o resultado. Apesar do choque inicial e de não ser o que estavam planejando para aquele momento, estavam felizes com a notícia de que teriam um bebê. O exame de sangue ter dado negativo queria dizer que podiam seguir com seu plano original e esperar mais um tempo, mas agora nenhum dos dois estava completamente satisfeito com isso.
Sophie acreditava que devia se sentir aliviada por ter sido um alarme falso, mas não estava. Aquilo só a fez perceber o quanto queria aquilo. O quanto queria um filho. Sim, ela tinha acabado de começar a trabalhar com traduções, sua rotina não seria mais a mesma e eles tinham acabado de noivar, mas…
Não queria esperar alguns anos. E Benedict concordava.
Duas semanas depois, Sophie voltou para a ginecologista e pediu para tirar o DIU. Desde então, eles não se diziam que estavam tentando ter um bebê, só que não estavam usando nenhum método contraceptivo, e que estavam deixando aquela opção em aberto.
E agora tinha acontecido.
— Eu tinha que ir ter certeza. — Sophie disse.
— Eu sei, meu bem. E então? — Benedict perguntou, ansioso.
— Eu fui na médica ontem. — ela disse, segurando as mãos dele. — E está tudo bem.
— Graças a Deus. — ele simplesmente beijou seus lábios.
— Eu gravei um vídeo pra te mostrar depois, mas acho que preciso dizer que tem um detalhezinho.
— Um detalhezinho? — ele pareceu preocupado.
— Eu não vou poder dançar a noite toda como fiquei alardeando desde janeiro. Fui liberada para algumas danças e depois passar o resto da noite sentada ou em pé e parada.
— Sophie…
— Eu sei que isso não parece bom, mas olha, ela disse que é a regra, já que não é para fazer exercícios rigorosos tão no início. E eu ainda fui liberada pra dançar no nosso casamento, apesar de eu achar que o meu marido está meio surtado com a ideia agora que eu disse que não devia.
— Um pouquinho.
— Até lá você tem relaxado. Afinal, você vai estar bebendo por nós dois.
— Meu bem, eu já peço desculpas adiantado porque acho que eu vou roncar horrores.
— E eu aqui pensando que era o sonho de toda noiva não dormir na noite do casamento.
— Acho que não desse jeito.
— Definitivamente não era parte dos meus planos, mas estou disposta a mudá-los. Principalmente porque acho melhor mantermos só entre nós três, por enquanto.
— Eu concordo. — ele disse, apoiando a mão de leve na barriga dela. — Vamos esperar antes de contar para todo mundo de novo.
— É uma boa ideia, mas o que você propõe? Não dá pra esconder nada nessa família por muito tempo.
Ele parou para pensar um momento.
— Vamos passar uns meses aqui. Dizer que decidimos prolongar a lua de mel e simplesmente ignorar a existência das outras pessoas por uns dois meses.
— Você não parece triste com essa ideia.
— Bom, nenhum de nós dois precisa estar em Londres todos os dias e eu realmente gosto de estar aqui. Além disso, gosto de ter você só pra mim.
— Hm… acho que é um pouco tarde pra isso.
— Muito pelo contrário. — ele retrucou. — Tenho tempo para me acostumar com a ideia de te dividir, mas até lá, você é toda minha.
— Toda sua? Não me lembro de ter dito isso.
— Está lá na certidão, logo abaixo da parte que diz que eu sou todo seu.
Sophie sorriu e se aproximou para beijá-lo mais uma vez, mas foi interrompida por uma batida na porta.
— Vocês estão perto de sair daí? — Posy perguntou. — Estão todos se perguntando se os noivos resolveram pular a festa e fugir direto pra lua de mel.
— E você veio investigar? — Sophie perguntou, com um tom divertido.
— Ninguém tinha coragem de vir e possivelmente ouvir alguma coisa e, como morávamos juntas no início do namoro de vocês, acabaram me mandando porque eu já ouvi demais, mas ainda bem que não atrapalhei nada.
— Já estamos indo. — Benedict respondeu.
— Ainda consigo enrolar por mais 10 minutos, mas tentem aparecer logo.
— Você é a melhor madrinha de todos os tempos. — Sophie disse.
— Obrigada, eu tento.
Posy tinha sido a madrinha de casamento de Sophie. Ela tinha criado um laço bastante forte com suas cunhadas e concunhadas, mas, ainda assim, era Posy que Sophie queria ao seu lado. Queria sua irmã ao seu lado enquanto dava aquele passo. Sophie tinha ajudado Posy a evitar punições por algo que ela não tinha feito e tinha lhe entregado em mãos a cópia do testamento de seu pai, mas, ao mesmo tempo, tinha ajudado a condenar Araminta, James e Rita à prisão perpétua e Rosamund, Kai e Mirabelle a 8 anos de prisão. Então, apesar de ter lhe ajudado a não ser presa, estava, ao mesmo tempo, auxiliando na execução da justiça para sua mãe e sua irmã. Elas ainda não tinham exatamente voltado a se falar quando eles noivaram, mas Posy já estava mais aberta à ideia e foi parabenizá-los, o que abriu a porta para que pudessem se reconciliar. E agora elas estavam bem.
Depois da interrupção de Posy, os dois saíram do quarto e foram para o quintal, onde a recepção estava montada. Foram recebidos pelos aplausos dos seus convidados e logo começaram a primeira dança, posicionados num tablado que tinha sido montado para fazer as vezes de pista de dança. A música escolhida por eles para aquele momento era a mesma que tinham dançado no dia em que se conheceram. Enchanted ainda definia perfeitamente aquela noite e o início do relacionamento deles.
— Eu me apaixonei por você quando vi o quão feliz você ficou quando essa música começou a tocar. — Benedict disse baixinho no ouvido dela. — Foi tão espontâneo, tão… você, que eu não consegui evitar.
— Eu te amo. — ela disse, e o beijou novamente.
Depois que a música acabou, anunciaram que o jantar estava servido e foram dar atenção aos seus convidados. A música continuou tocando e a comida sendo distribuída e aos poucos Sophie e Benedict conseguiram falar com todos, além de tirar várias fotos. Se sentaram para jantar e logo depois começaram as rodadas de brindes. Sophie notou o exato momento em que Conrad percebeu que ela estava apenas fingindo beber, mas os dois tiveram uma longa conversa por um olhar e, bom, não havia necessidade de dizer que ele ficaria calado sobre aquilo.
Depois dos brindes, os dois continuaram sentados, apenas observando o movimento e conversando baixinho. Voltariam a dançar um pouco mais tarde, mas Sophie precisava ficar sentada por um tempo. Benedict percebeu Eloise dançando com Phillip e depois com Oliver, o sobrinho dele… que era mais como um filho dos dois, ele tinha que admitir. O irmão de Phillip tinha perdido a guarda das crianças em janeiro daquele ano, deixando-as sob os cuidados dele, e depois desapareceu. Não no sentido policial da coisa, mas no sentido físico e emocional mesmo. Eloise disse que a última vez que ele falou com os filhos foi em março e que, depois disso, não ligou para saber como estavam e também não visitou. Ela acabou se afeiçoando às crianças, assim como o resto da família, que sempre refletia como tinham passado de zero para cinco crianças pequenas em pouco mais de dois anos.
Em breve, seis, Benedict pensou com um sorriso.
Viu também Colin e Penelope dançando e trocando olhares apaixonados. Os dois tinham noivado poucas semanas antes e, desde então, as duas palavras que mais tinham saído da boca de Colin eram “minha” e “noiva”, mas ele não podia julgá-lo. Tinha certeza de que estava exatamente do mesmo jeito no início do ano e que estaria falando “minha esposa” mais vezes do que era socialmente aceitável durante as semanas seguintes. Além disso, estava feliz pela felicidade deles.
Anthony e Kate também dançavam, enquanto Lottie e Amanda (que tinham se tornado inseparáveis) brincavam no parquinho sob a supervisão de Violet e Hyacinth, Gregory estava numa mesa conversando com Phillip e Lucy, a amiga que tinha chamado para ir ao casamento com ele. Daphne estava cochilando em cima do ombro de Simon, o que era completamente compreensível, dado que Amelia, a filhinha deles, tinha acabado de fazer dois meses. Suas tias Billie e Georgie estavam numa mesa com os maridos e com sua avó, Alexandra, que agora morava com Billie e seu marido, George. As três mulheres paparicavam Edmund, que ria com a atenção que lhe era dada pela bisavó e tias-avós.
E então olhou para onde Francesca estava.
— Você notou que a Frannie está mais feliz dançando com o Michael do que quando estava dançando com o John? — ele perguntou, indicando a direção em que a irmã mais nova estava. Ela ria enquanto Michael a girava, dizendo alguma coisa em meio a um sorriso, ao passo em que, enquanto dançava com John, mantinha apenas um sorriso educado no rosto. Alguém poderia associar aquilo a Michael ser um melhor dançarino, mas já tinham visto os dois dançando em outras ocasiões e nunca era assim. Nunca tinha parecido tão… frio.
— Meu Deus, foi óbvio assim? — Sophie fez uma careta.
— Ei. — ele reclamou, batendo de leve com o indicador na ponta do nariz dela.
— Meu amor, você é detalhista, mas eu sou mais observadora. Eu pensei que só eu tinha notado isso, mas, se você percebeu também, quer dizer que outras pessoas podem ter notado. Você acha que tem algo estranho ali?
— Não sei dizer. Já faz mais de dois anos que eles estão juntos, mas como eles moram longe, não temos uma visão deles no dia a dia.
— É verdade. Acho que estamos tentando ver demais numa situação que… — ela parou por um momento, enquanto seu olhar se desviava para os dois, no fundo da pista de dança. — Meu Deus, ele vai beijar ela. Rápido, vamos cortar o bolo.
— Essa é sua solução?
— Precisamos desviar o foco deles.
— Tenho uma ideia melhor.
— Tem?
— Eu posso simplesmente te beijar e te puxar para o meu colo.
— Gosto dessa ideia.
E assim ele fez. Simplesmente a pegou nos braços e a sentou no seu colo, enquanto ela ria. Então ela o beijou, o que terminou de chamar a atenção dos convidados, que começaram a aplaudir. Em algum outro momento de suas vidas, ambos teriam se sentido envergonhados, mas não agora.
Não quando tinham passado por tanta coisa para chegar ali.
Não quando aquilo era tão certo.
Não quando se amavam tanto.
Não quando aquele era o dia mais feliz de suas vidas, que só foi superado pelo nascimento de Alexander Charles Beckett Bridgerton, cerca de 8 meses depois.
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