Shatter Me
6 Estilhaço de Vínculos Esmagados.
Notas iniciais
Quem achou que eu havia morrido QUASE acertou. Quase mesmo.
É que eu voltei as aulas antes de todo mundo e aulas na etec+fics=Amy quebrada.
Então perdoem-me pela demora e prometo que vocês não vão se arrepender de ter esperado.
Boa leitura e guardem seus lindos ou não, comentarios para os reviews.
PS: Ta cada vez mais legal escrever essa fic, amores. Vocês vão amar, de verdade.
Lucy:
— Sting... – Murmurei quando o vi entrar em choque dentro de casa. Mira levanta-se com Shiro e ambos vão rapidamente até o meu namorado. – O que aconteceu? – Perguntei.
— Atacaram... Novamente Lucy...
— Não me diga que... – A única pessoa da Fairy Tail que eu sabia que estava grávida era... – Levy-chan...
— Levy-chan foi atacada? – Mira estava de olhos arregalados.
— Não só ela... Nanami também está machucada.
— Nanami? – Shiro está surpreso.
— Ela estava grávida de dois meses. – Sting está tremendo tanto que estou com medo.
— Tudo bem? – Foi o que pergunto vendo-o se aproximar de mim, estava coberto de sangue:
— Lucy, estamos indo. – Shiro fala, notoriamente preocupado.
— Sim, estamos indo. – Concordou Mira.
Sting olhou ambos saírem e em seguida ele me puxou da cama para seus braços sem ligar para a porta aberta:
— Sting! – Repliquei, mas foi inútil.
Ele tremia compulsivamente quando entramos juntos na água morna da banheira:
— Mas e a porta...? – Antes que eu pudesse replicar mais, ele girou a mão e a chave virou e nos trancou ali.
Seus lábios se abriram um pouco, mas ele não conseguiu formular uma só palavra:
— Sting... – Sussurrei, vendo-o suspirar:
— Eu fiquei aterrorizado... – Segredou – Quando vi Levy no chão, eu lembrei de você... Eu vi você no lugar dela, Lucy. – Entendi o porquê dele estar tão abalado e chocado. Ainda que eu estivesse sofrendo fisicamente, sobre ele tinha caído toda a carga psicológica.
Se a minha parcela de culpa era grande a dele era quase insuportável.
— Eu sinto muito. – Murmuro sem jeito.
— Não é culpa sua, na verdade, é culpa minha. Como Rufus disse, é um reflexo da minha própria culpa pelo que aconteceu contigo. – Ele passa a mão sobre o pescoço nu e depois sobe até os cabelos lisos e desgrenhados pela situação.
— Está muito ruim?
— Tive de tirar Alois de tanto que ele chorava. – Falou ele, mas parecia que me escondia algo:
— O que você está me escondendo, Sting? – Ele olha fixamente os meus olhos e depois suspira, puxando-me para perto, já que estamos sentados paralelos um ao outro.
— Quando James viu Nanami daquela maneira e Rogue o tirou dali ele falou algo que perturbou demais Alois. – Diz, molhando o topo da cabeça com a mão em concha. – Ele disse que daria seu sangue para que Alois salvasse o seu irmão.
— Dar o sangue?
— Sim. Eu já ouvi falar sobre isso uma vez, no templo. – O Dragão explica calmamente – é um ritual antigo e que foi proibido em todos os templos conhecidos, seja dos Dragões ou dos Deuses. E Alois sabe como usar isso.
— É perigoso?
— Muito. Chamávamos isso de ritual de busca de alma.
Fiquei em silêncio considerando Alois tentar usar algo desse tipo. Pensei em como deveria ter sido doloroso para ele aprendê-lo ou até mesmo sentir a necessidade de usá-lo. James o havia visto fazê-lo ou havia sido curado por ele?
— Eu o proibi de usar magia até segunda ordem. – Sting completa, quase que adivinhando que eu ia falar algo do tipo.
— Eu ia pedir isso. – Sussurrei cansada.
Apenas o topo da minha cabeça estava seco. A água estava agitada pelo fato de Sting ter começado a molhar a sua cabeça avidamente.
— Estou tão cansado disso tudo, Lucy. Estou cansado de ficar em Magnólia e fingir que estou me recuperando quando não estou, definitivamente. Estou cansado de ficar apreensivo por qualquer batida na porta ou de ter pesadelos sempre que fecho os olhos. – Ele tremia e dessa vez engatinhei, mesmo não podendo, em sua direção.
— Eu também. – Confirmo, sentando-me entre as suas pernas e sendo acolhida por seus braços molhados.
— Depois que Hector voltar da Fairy Tail nós vamos para casa. – Segredou ele, inclinando-se para me beijar com fervor.
Sentada sobre suas pernas, puxei-o para conseguir sentir todo o desespero que o preenchia no beijo. Desesperado, entrelaçou suas mãos no meu cabelo inclinando-nos para trás e terminando de agitar a água da banheira mediana.
Depois, arfando, correu com seus lábios pelo meu pescoço:
— Tyler vai me matar se souber que fiz isso. – Riu ele, falando sensualmente no meu ouvido.
Antes que eu pudesse responder, voltamos a nos beijar e, como se fosse alguma obra do destino, refizemos antigas promessas:
— Quero que escute o que eu vou dizer. – Sussurrou, quando eu encostei sua testa na minha ofegante. – Você é e sempre vai ser a coisa mais importante que já aconteceu comigo. Você é minha salvação, Lucy. – Sei que não sou digna de tais palavras, mas simplesmente beijo-o, pois não conseguirei dizer nada a ele. Não conseguirei expressar o meu amor nesse estado lamentável.
— Eu te amo mais do que consigo expressar, Sting. – Murmuro antes de sentir lágrimas brotarem nos meus olhos.
— Eu sei e sinto o mesmo. – Murmurou ele, tirando algumas mexas molhadas do meu rosto.
Senti uma dor ríspida na barriga e a minha expressão dolorida o fez ficar preocupado:
— Vou levá-la de volta para cama. – Diz ele, mas sei que se não fosse pelo meu estado físico ou emocional ele me teria.
— Deixe-me cuidar de você pelo menos uma vez. – Insisti, ignorando a minha lastima e continua agonia.
Esfreguei as minhas mãos sobre seu peito nu tirando as manchas de sangue que ali estavam.
Carinhosamente espalhei sabão no seu rosto e ombros, limpando as impurezas que não podiam ser vistas. Quando terminei o vi sorrir:
— Obrigado. – Bem como ele havia dito, puxou-me novamente aos seus braços e mesmo molhado, levou-me para cama.
— Pegue uma toalha para mim, pelo menos! – Insisti, fazendo-o rir:
— Não sei se vamos precisar disso quando chegarmos na cama. – Refletiu ele, assustando-me:
— Sting!
Leave Me Alone.
Keith:
Tudo parecia estranho a mim agora.
Mesmo não podendo mais perceber totalmente as coisas ao meu redor, eu sentia a confusão completa que Stan havia feito.
Como eu sabia que era ele?
Apenas um rejeitado como aquele imbecil poderia provocar tanto estrago e confusão nessa ilha silenciosa.
— Eu vou matá-lo. – Klaus fala, assustadoramente.
— Se você conseguir achá-lo, Klaus. – Confrontei, calmamente– Aquele rato maldito já deve estar longe.
— Somos sete agora. – Completou-o em tom assustadoramente frio.
— Vou tentar falar com o mestre Acnologia, novamente. – Falei, mas antes que eu pudesse levantar ele me parou.
— É idiotice. – Respondeu ele.
— Mas é melhor que ficar em silêncio.
— Não agora. – Klaus insistiu – Não sabemos o que está realmente acontecendo. Não temos notícias do mago negro faz meses, talvez ele esteja fazendo isso por essa razão. Ele precisa saber a localização do mestre, mas apenas nós dois temos essa informação.
— Acha que ele quis nos atingir?
— Definitivamente.
Rangi os dentes e percebi que ele poderia, e deveria, estar certo.
— Vou esperar mais um mês. – Fechei o punho com força antes de sair a passos duros do chalé onde ficávamos.
Minerva:
— Rufus, cuide das coisas aqui. – Ordenei, terminando de arrumar-me.
— Aonde você vai? – Perguntou ele depois que espalhei melhor o meu batom vermelho nos lábios.
— Onde você acha? – Deixei que isso o consumisse até que ele obtivesse a resposta:
— É perigoso demais, até mesmo para você.
— Não tenho tempo para isso. – Informei muito mais apreensiva que Hector estivesse mal do que com o que poderia acontecer. – É melhor que ninguém saiba que eu saí.
— Estou preocupado demais com a minha irmã para tentar encobri-la, Minerva.
— É compreensível que esteja, mas não sei o que poderá acontecer se souberem que tive de ir buscar Hector.
Ele ficou mudo por alguns instantes, para depois suspirar:
— Apenas volte viva. – Segredou ele, mexendo no cabelo.
— Não duvide disso.
Sai pela porta da frente, sem causar espanto. Muitos paravam e me olhavam, mas seguiam o seu caminho.
A Fairy Tail, mesmo a essa hora da noite, estava com as suas luzes todas acessas. Alguma música estava um pouco alta e agitada, porém podia-se ouvir a gritaria ali de fora.
— Que gritaria... – Murmurei a mim mesma, contrariando uma voz que prometera, há alguns anos atrás, que jamais pisaria em tal lastimada guilda.
Oh, Hector. O que aconteceu?
Abri as portas e vi varias das fadas bebendo ou/e dançando. Laxus Dreyar mirou-me com a sua melhor expressão furiosa:
— O que faz aqui? – Rosnou ele, fazendo com que a minha presença fosse, enfim, notada.
— Vim ver como Hector está. – Respondo, percebendo que a musica estava mais baixa.
Pude ouvir burburinho e senti os poderes, mesmo fracos, de Hector no andar de cima:
— Com licença. – Falei contornando-o e subindo as escadas. Ele tentou, inutilmente, me puxar e me soltei à força, caminhando até onde ele estava. Subi as escadas e aos poucos os poderes do lobo eram mais fortes.
Ele me barrou novamente:
— Você só pode estar de brincadeira. – Resmunguei rangendo os dentes.
— Ninguém ter permissão de entrar.
— Você sabe com quem está falando, Dreyar? – Uma voz atrás do loiro o fez estremecer e se afastar rapidamente num pulo.
Hector.
— Pensei que viria mais cedo. – Segredou o moreno a sorrir, mesmo cansado.
— Tive de despistar o pessoal no hotel, o que não é tão fácil assim. – Segredei, vendo-o puxar-me pela cintura de maneira possessiva. Sua mão esquerda deslizou pela minha blusa de cetim preta e se acomodou na cintura.
Laxus olhou-nos de cima a baixo antes de descer as escadas a bufar. Hector apenas pôs-se a rir:
— Adoro fazer isso. – Segredou-me ele no ouvido esquerdo, numa voz rouca e enfadonha.
Puxei-o para dentro da sala:
— Fiquei preocupada. – Falei vendo que Makarov estava ali. Este, que apenas dirigiu um olhar duro a Hector, desviou os olhos de mim por alguns instantes. – Nanami está se recuperando bem. Sting está cuidando de Lucy sozinho, mas nada com que se preocupar fora isso. Mizuki falou comigo a pouco, disse que estava tudo bem com ele e com as pequenas.
— Fico aliviado que esteja tudo mais calmo. – Suspirou.
— Vocês dois namoram? – Perguntou Makarov e pela primeira vez em anos, vi Hector sentir compaixão por alguém além de nós da Saber:
— Eu a amo. – Respondeu ele, com um sorriso cordial.
A sala estava arrumada com duas bandejas, uma com chá e outra com pequenos pães e doces. Os lacrimas estavam a meia luz e deixavam o ambiente sombrio. Como se eles estivesse guerreando as escondidas, analisei a postura do meu amado e suspirei:
— Tenho algo a contar a vocês dois, como subordinada de Hector. – Falei com toda a postura que pude. Aquilo me trazia um nó à garganta.
— O que? – O velho de cabelo e barbas brancos fala e simplesmente sinto um repuxão no estomago.
— Rufus acha que... Isso foi planejado. – Terminei dizendo, ignorando momentaneamente o bolo que havia se formado na minha garganta. Alguém havia esquematizado os sofrimentos de Lucy e Nanami com antecedência e isso me dá nos nervos.
Elas são importantes para mim:
— Imaginávamos isso também. – Hector fala. – Mas acho que não foi totalmente aleatório Minerva. Foi muito bem planejado, mas tinha alvos específicos.
— Alvos específicos? O que quer dizer com isso?
— Vocês imaginaram que as garotas foram escolhidas por causa da sua fama nas guildas? – O tom de Hector me deixa ainda mais apreensiva. – Lucy e Nanami mal haviam dito as famílias sobre as gestações e o mesmo acontecia com Lissana, pelo que Makarov falou-me.
— Então por quê?
— Elas são esposas, noivas ou namoradas dos magos mais amedrontadores dessa região. São parceiras de Dragon Slayers.
Aquilo me atingiu como se uma lança perfurasse o meu estomago:
— Pense comigo. – Falei, imaginando se não teria mais uma coisa encoberta. – Mirajane é a parceira de Laxus e ainda está bem.
— Ela está certa, Hector. – O velho concorda, deixando o moreno impaciente:
— Então o que pode ser?
— Eles deviam querer apenas as grávidas. – Tentei dizer, mas lembrei do que ele havia dito e completei – Há um meio de descobrir se a pessoa está grávida ou não com magia. É bem raro e só algumas raras pessoas têm conhecimento disso. Minha avó ensinou a mim, mas não sei se conseguirei usá-lo agora. – Falei.
— Então tem a possibilidade de alguém ter descoberto sobre as gestações por magia?
— Pode-se dizer que sim. – Conclui, vendo a expressão de Hector antes de ele começar a andar pela sala.
— E o que faremos quanto a isso? Esse atentado a vida delas não deixou nenhum de nós felizes. Sting e Rogue podem matar qualquer um que achem que o fez.
— Eu sei disso, Natsu e Gazille agiram da mesma maneira.
— Então devemos deixá-los todos juntos. – Falei e isso os deixou surpresos. – Esse atentado também poderia ser feito contra eles. Pode ser um aviso. E o melhor que poderemos fazer é mantê-los seguros e juntos.
— Isso é quase suicídio. – O mestre da Sabertooth fala com os olhos a brilhar.
— Se os deixarmos separados correrá o risco de ambos se acusarem dos ataques, como agora. – Dessa vez ele parou e analisou tudo o que eu dizia. Nós nos conhecemos há tempos. Ele foi o primeiro e único homem que me teve, então sei que ele confia plenamente em mim. Ou eu esperava que sim.
— Onde?
— Quem tem a maior casa dentre eles? – Pergunta o mestre da Fairy Tail e olho acusadoramente para o moreno. Ele sabia de tudo sobre Sting e Rogue, e havia deixado escapar sobre as casas deles.
— Sting deve ter a maior, pelo que sei. – Confessou ele.
Sorri a isso:
— Seria melhor se pudéssemos confirmar isso. – O antigo mestre de Hector fala, notando o qual importante era a minha presença na Saber. O quanto o moreno precisa de mim.
— Eu vou fazer isso por vocês. – Com isso, vejo o lobo negro sorrir calma e docemente, com a expressão já mais tranquila:
— Não diga nada disso a ninguém, Minerva e volte imediatamente para cá quando terminar de fazer as perguntas aos rapazes. E isso, sim, é uma ordem. – Ralhou ele, notando que eu havia desobedecido qualquer aviso sobre segui-lo até a Fairy Tail sobre quaisquer circunstancias.
— Vou tentar não desobedecê-lo mestre. – Terminei falando, sorrindo e saindo do alvoroço que Makarov chamava de guilda.
Show me.
Stan:
Ele estava tocando sua suave melodia da morte e eu estava apreciando-a com ouvidos de defunto e sensatez de criança.
Não era apenas ele.
As almas dos mortos cantavam e assustavam os animais ao nosso redor.
Por pior que possa parecer, não ouse incomodá-lo nessa noite, mesmo sentindo um frio latejante nas juntas e no resto do corpo por estar sem camisa e apenas com uma calça jeans escura.
Nunca poderei chamar aquilo de meditação, porque eu mesmo não consigo decifrar o que é isso.
Vai além de tudo.
Eu posso ver através da sua magia, consigo ver as almas das pessoas presas em seu corpo. Consigo entender, mesmo que por alguns segundos, o desespero de matar Acnologia.
— Eu vou fazer algo e recomendo que você desapareça daqui, senão quiser ficar preso na minha magia.
— Porque você pretende fazer isso numa hora dessas?
— Para que eu não tente matá-lo ou porque eu não quero machucar você agora. – Concluiu ele, de modo autômato. Era como se ele tivesse sido programado para isso.
— E se eu for preso, como poderei sair?
— A última pessoa que passou por isso teve de me chamar pelo meu verdadeiro nome.
— Eu sei o seu nome. – A minha voz saiu rude.
— Então tem uma vantagem contra a minha magia. – Este, com a sua magia, fez com que o vento ficasse mais fraco ao seu redor e que, sem querer, ou não, tirasse o pouco de vida que restava nas coisas a sua volta.
Fui a sua direção, curioso para saber o porquê daquela reação tão extrema por causa da nossa conversa.
Ele havia saído do quarto a passos rápidos, enxugando o rosto com a mão e, correndo, veio parar aqui. Parecia mais uma criança assustada e não o assassino que me treinou:
— Eu vou ficar bem aqui. – Disse a ele, sentando-me e apoiando minhas costas nas suas. O moreno suspirou derrotado, mas não deixou de suprimir o pequeno riso.
— Bons sonhos, Radios. – Murmurou ele por fim e antes que eu pudesse responder já estava caindo para trás, dormente e cansado. Demorei alguns minutos para perder a consciência.
“— Layla! – Gritou a voz irritante de uma criança que corria a passos largos até uma garotinha de cabelos loiros e presos em marias-chiquinhas.
— Zef! – A animação dela me fez despertar e notar que realmente era aquele paspalho do meu parceiro só que apenas dez anos.
Ele tinha o cabelo medianamente longo e preso numa fita. Ele estava vestido com roupas tradicionais e brancas. Alvas como as nuvens fofas do céu.
Ela, por sua vez, vestia-se da mesma cor, com um vestido rendado até os joelhos e que definia lhe o corpo de menina mimada. Ela estava com uma pequena coroa na cabeça.
— Estive te procurando, Layla. – Falou ele, puxando-lhe pela mão antes de beijar a sua bochecha.
Ela corou com tal gesto e sorriu:
— Também estive te procurando. – Contou ela. – Quero que passe à tarde comigo, hoje, Nii-chan. – Zef riu com tal comportamento, mas era obvio que gostava bastante dela.
— Farei o que desejar minha princesinha.
– – – – – – x– – – – –
— Preciso te dizer uma coisa Layla. – Novamente eles juntos, mas parece que um grande fragmento de memória foi cortado porque eles tem quase dezesseis anos.
— Me contar algo? Na véspera do meu debutado?
— Sim. Escute... Eu... – Pude vê-lo com a espada na cintura a suar catastroficamente. Era realmente hilário – Eu te amo. Case-se comigo. – Os olhos castanhos dela ficam arregalados por um instante. Noto que essa não é a expressão que ele deseja pelo seu tom de voz em seguida – Nada mais importa, Layla. Vamos ficar juntos, esquecer tudo e todos desse lugar. Podemos começar de novo. – Ela fecha os olhos e penso se não é para conter as lagrimas.
— Zef... Ah, Zef. – Ela o abraça, mas chora de tristeza. – Não posso ir... Não agora que... – Ao se afastar, ela escuta passos. Ambos escutam.
— Layla? Onde você está? – Uma voz calma chama e isso enfurece o moreno:
— O que ele faz aqui? – Rosnou ele, furioso.
— Ah, achei você. – Era um rapaz loiro e com olhos tão azuis quanto os de Micaela. Ele tinha uma majestosa coroa vermelha na cabeça e suas roupas eram douradas e ofuscantes. – Vosso pai deseja conversar contigo. – Fala com tal pose que deixa o moreno ao lado da loira a bufar.
— Obrigado, Regulus. – Pronunciou–se ela a sorrir, caminhando na direção em que ele havia vindo.
Eles dois ficaram a sós:
— Compreenda uma coisa, cavaleiro. – Falou rudemente Regulus, com um olhar de causar medo até nos pássaros que estavam a sua volta. Sua aura era dourada e vibrante como o outro que trajava. – Se chegar perto de Layla novamente, não serei piedoso o bastante para impedir que Daniel o enfrente.
— Acha que tenho medo daquele estúpido?
— Devia ter medo de mim, como rei.
— Meu dever é zelar por Layla, mesmo que seja atravessando seu peito com uma espada.
— Pois bem, se eu encontrá-lo novamente à espreita com a minha noiva, farei picadinho de você para sempre e queimarei o seu corpo. – Ameaçou por fim o loiro, a caminhar na mesma direção que jovem.
Tudo o que o moreno fez foi mirar o céu e conter as suas primeiras lágrimas, mas elas não demoraram a vir.
– – – – – – x– – – – – –
— Isso não pode estar acontecendo! – Gritou à jovem, com a voz fanhosa. Por trás da porta, o mago negro os escutava.
— Sinto muito, majestade... São notícias dos mensageiros reais dele. Leonard trará o seu corpo.
— Regulus... Oh deuses... Regulus não pode estar morto... Não... – A voz dela desaparecia a cada frase e antes que pudesse ouvir seus soluços, Zef entrou no recinto e dispensou o conselheiro com um aceno de mãos.
Sua amada chorava e doía ainda mais sabendo que era por outro.
— O que houve Layla? – Perguntou ele, vendo-a soluçar agachada na mesa onde seu pai governava aquela parte do reino.
— Regulus está morto... – Gemeu ela e este pôs-se ajoelhado ante ela, limpando suas lagrimas.
— Tudo vai ficar bem... – Aos poucos ele foi se aproximando dela, roubando um beijo que assustou a moça coroada com rosas.
Ela o afastou surpresa, pondo-se de pé num alarme totalmente estranho, tocou seus lábios:
— Meu esposo acabou de perder a vida... – Segredou ela – Eu o amo mais que tudo... – Isso o feriu fatalmente na alma, mas seus olhos não perderam o brilho de imediato. – Como você pode pensar em me beijar numa hora dessas? – As lágrimas brotaram com mais força dos olhos dela e esta saiu correndo da sala, deixando-o ali, sentado e magoado, ferido no fundo de sua alma.
– – – – – – x– – – – – –
— Você anda bem Layla? – Vejo que Zef acompanha a jovem ainda, mesmo que ainda sinta aquela dor profunda e fria toda vez que a vê.
— Os enjôos são menos frequentes. – Segredou ela baixinho, pousando as mãos na barriga de alguns meses. Deveria ser de cinco ou de seis, se não me engano.
— É verdade Leonard, as coisas estão bem melhores. – O cavaleiro fala com um sorriso frio.
— Então o pequeno herdeiro de Regulus está causando problemas? – Um ruivo estupidamente idiota fala, mas noto que ele tem a mesma coroa que Regulus usava.
Isso é quase insuportável ao acompanhante quase silêncioso deles.
Saber que ela estava grávida de outro, que o rejeitou de todas as formas possíveis. Isso o humilhava:
— Se não for uma menina, como suspeito. – Disse ela e antes que pudesse m notar, uma figura negra cobriu o sol e fez com que tudo aquilo que eles diziam perdesse o sentido.
— Acnologia está aqui! – Gritou Zef.
– – – – – – x– – – – –
— Vocês não tem escolha. – O rei que se vestia todo de negro fala.
— Daniel... – Layla fala, com as mãos na barriga. Ele revira os olhos em fúria:
— Eles não podem se opor a nós, Layla. Não é uma escolha deles, é apenas nossa.
— Dan está certo, Nee-chan. – Um loiro fala e este me lembra o rei Dragão por sua pose e tom. – É o melhor para eles.
A loira apenas mirou Zef com pesar, concordando com os dois reis impetuosos:
— Não podem fazer isso conosco! Deixem-nos lutar ao seu lado! – Insistiu o moreno, com lágrimas nos olhos. – Deixem-nos morrer ao seu lado.
— Sinto muito. – A rainha loira fala e isso o deixa muito furioso:
— “Sinto muito”? Depois de todos esses anos, você vem dizer a mim “sinto muito”? – Esbravejou ele, levantando a espada contra ela.
Estava prestes a acontecer.
Leonard se pôs entre eles, impedindo que Layla ou a criança fossem atingidas pelo ataque, mas ele se feriu gravemente e ficou deitado numa poça com seu próprio sangue no chão.
Tremendo, o moreno se afastou sem querer acreditar no que estava acontecendo. Aquilo não podia ser verdade.
Zef começou a chorar, mas seu pavor aumentou quando o loiro se aproximou dele:
— Eu nunca esperei isso de você, meu amigo. – Falou ele com uma aura que assustaria até Keith de Weisslogia. – Tentar machucar Layla numa condição dessa e ferir Leonard desse jeito... – Pude perceber que ele continha lágrimas.
— Prendam-no! – Ordena Daniel em pura fúria.
Zef nada faz.
– – – – – – x– – – – – – –
— Eu deveria... – Dan tenta bater na face do antigo cavaleiro, mas o rei loiro o impede novamente:
— Eu farei isso, vá cuidar de Layla, Daniel. – Diz ele.
— Eu quero...
— Eu falei para você ir. – Com isso, grande parte da cela de pedra tremeu.
Por fim o moreno foi embora e os deixou a sós.
— Eu não te matarei, Zef, pelo amor que a minha irmã tem por você. Deveria, no entanto, pelo que você fez ao Leo. – Pronuncia com calma, andando por toda a cela. – Mas farei algo que te marcará para sempre. Eu vou te amaldiçoar, cavaleiro.
— Você vai o que?
Uma lira podia ser escutada.
— Escute o som da última fagulha de sua memória nessa época, renegado. – Um pentágono feito com sangue estava nas mãos do loiro. Ele murmurou algo inaudível a mim ao moreno e este estremeceu de olhos arregalados:
— Não! Por favor, Tyler! Não! – Gritou, porém o rei riu:
— Que você viva pelas pessoas que mata, cavaleiro negro. Que você seja renegado e humilhado. Que não consiga proteger quem lhe é importante, ou mais, que isso lhe seja negado. Que o amor o fira mais que a sua espada feriu Leonard. Que as trevas e a luz disputem terminantemente o seu corpo, que elas o destruam por dentro sem remorso. Que você passe pelos anos e que descubra que apenas um rei pode matá-lo. Eu te amaldiçôo, Zeref, para todo o sempre. – Por fim, implantou a marca no peito do moreno que gritou a prantos, como se aquilo estivesse queimando a sua pele."
— Pode me tirar daqui, Zeref. – Falei calmamente.
E depois disso, tudo ficou escuro.
Lucy:
— Mi-chan! – Pestanejei alegre.
— Como você anda, Lucy? – Perguntou ela com um sorriso cordial.
— Melhor do que Sting esperava. – Respondi fazendo o loiro rir:
— É. E Hector, Minerva? Tem estado melhor?
— Aparentemente sim. – Percebi que ela nos escondia algo. E resolvi verificar:
— Você está escondendo algo da gente. Pode dizer o que é? – Calmamente, eu ditei essas palavras, vendo ela sorrir:
— Você me pegou.
— Então, o que é? – Intervem Sting, curioso.
— Fizemos um acordo de paz com a Fairy Tail. E eu preciso saber se sua casa suporta mais de quinze pessoas nela.
— Hum, suporta sim. Tem bastante quartos e... Espera, porque está perguntando isso?
— É bem possível que os Dragon Slayers tenham de ficar na sua casa até segunda ordem.
— Até segunda ordem?! – Sting resmunga, irritado. – Você só pode estar brincando!
— Mas porque isso, Mi-chan?
— Hector e Makarov decidiram, depois de perceber que esses ataques poderiam ser apenas um aviso e que os verdadeiros alvos seriam os Dragões e não vocês.
— Hum... Parece mais seguro mesmo. – Confessei e Sting olhou-me incrédulo:
— Acha mesmo que eu ou Rogue aguentaríamos ficar numa mesma casa com os outros Dragon Slayers?
— Mas você faria isso por mim? – Apelei e este suspirou:
— Isso é golpe sujo.
— Mas é para a sua segurança. – Retorqui e Minerva assentiu levemente – Diga ao Hector que se precisar cedemos a nossa casa. – Minha voz saiu suave, mas pude ver um brilho furioso nos olhos do Rei Dragão quanto a isso. Decidi comigo mesma que era melhor esperar Minerva ir embora para conversarmos.
— Bem, não vou importuná-los mais. Ainda tenho de ver Rogue e Nanami. – Falou ela, deslizando os lábios um no outro – Pois bem, estou indo. – Completou e Sting a acompanhou até a porta.
— Boa viagem. – Sussurrei.
Ela não demorou a sair e Sting também não demorou a voltar:
— Quero que me explique porque cedeu a nossa casa tão facilmente. – Ele ralhou, sem ser grosso.
— Você vai querer ficar numa casa desconhecida ou na sua? Ou melhor, se não cedêssemos a nossa casa onde os Dragon Slayer ficariam? Na Fairy Tail, porque são a maioria e iram querer a sua guilda ao invés da nossa?
— Nossa, eu não tinha pensado nisso.
— É obvio que não. – Suspirei.
— Eu preciso dormir isso sim.
— Eu também acho isso. – Concordei e ele veio até a cama que eu estava e aconchegou-se nela com cuidado, puxando meu corpo para o seu.
— É mais quentinho assim. – Foi à única coisa que ele falou antes de me ninar e me colocar para dormir tranquilamente.
Natsu:
— Por favor, Natsu, não faça isso. – Implorou Lisanna.
— Como não vou fazer isso? – Inquiri revoltado.
— Você não pode ir falar com eles. Não depois do que aconteceu. – Insistiu ela.
— Você tem certeza de que foram eles? – Perguntei e ela abaixou os olhos:
— Mas quem mais faria isso comigo? – Lisanna falou com lágrimas nos olhos e tudo o que fiz foi me aproximar de sua cama e depositar meus lábios na sua testa.
— É para o seu bem, acredite em mim. – Completei quando esta começou a soluçar. Por fim, beijei-lhe os lábios com veemência e me afastei, notando que Mira deveria estar na porta para acompanhá-la enquanto eu estivesse fora.
Sai do quarto dela da Fairy Hills, a passos largos e rápidos.
A cidade estava com um ar rotineiro na alvorada da noite. Frio e constante, erguia uma pequena nevoa branca sobre o chão quando finalmente cheguei na casa da Lucy.
As luzes do quarto estavam apagadas e as cortinas fechadas.
Sem hesitar, fui até a porta que levaria aos quartos e bato para fazer barulho o suficiente para que Sting acorde.
Seu ouvido deve ser tão sensível quanto o meu, por isso ele vai acordar logo de primeira:
— Sim? – Eu sabia que ele sentia o meu cheiro, mas ignorei o fato dele tentar esconder isso. Não parecia ter acabado de acordar, estava vestido com uma blusa regata bem cavada nos braços e no pescoço com uma calça de moletom cinza.
— Eu vim conversar.
— Hum... – Murmurou ele, analisando o porquê mentalmente – Entre, mas não faça barulho. Lucy está dormindo agora.
Entrei, tirando os sapatos e reparando que o quarto de cima estava com velas acesas.
— Você estava acordado?
— Acabei de conseguir fazer a Lucy dormir. – Apesar de tudo, senti que poderíamos conversar civilizadamente.
Ou era apenas o cansaço e o nervosismo dessas últimas horas agindo em nossos corpos.
— Você parece acabado. – Alfinetou ele com um sorriso sagaz ao subir primeiro as escadas:
— Você também não está tão bem, Eucliffe.
— É. Estou um caco. – Confirmou e por fim entrei e me sentei em sua mesa, reparando nas várias anotações ali presentes.
Havia anotações referentes ao meu Dragão também:
— O que é isso? – Perguntei, pegando os papeis com receio.
— Eu ando sonhado com isso, então resolvi desenhar.
Perguntei a mim mesmo o porquê, mas então ele falou:
— Porque você veio aqui mesmo? – Ele inquiriu desconfiado. – Tenho certeza que não foi para perguntar a mim se estou bem. – Nunca notei, mas ele tendia a ser muito ameaçador perto da Lucy.
Ou ao menos, tentava ser o macho dominante.
— Vim esclarecer algo.
— O que?
— Vim perguntar o que aconteceu com a Lucy. – Anui a finco vendo-o estremecer momentaneamente. Aquilo o fez perder o pouco brilho desaparecer.
— Quer a minha resposta sincera, Natsu?
— É por isso que vim.
— Sequestraram e machucaram-na.
— Só isso?
— Ela estava grávida de três meses. – Concluiu e isso o fez gemer dolorosamente depois. – E eu não pude fazer nada... Quando a encontrei já era tarde demais... – Vi minha própria frustração representada em sua postura e compreendi que ele falava a verdade.
— Então eu lhe devo desculpas. – Digo, sentando-me a sua frente.
— Sim, você me deve mais do que desculpas. E isso é o mínimo se comparado ao que você fez a ela. Por causa disso Natsu, nunca irei perdoá-lo. Mesmo você sendo um dos meus ídolos de infância, nunca irei perdoar o que você fez a mulher que amo.
— Eu entendo que se sinta assim. – Falo, embora ainda esteja furioso por dentro, compreendo que ele só quer o bem da Lucy, como eu também.
— Não você realmente não entende. – Sorriu ele.
— Então quero que você me explique. Não estou com a mínima pressa.
— É bom que não esteja mesmo. – Sting fala, para depois olhar Lucy. – A noite vai ser longa.
Rogue:
— Nós vamos ficar aqui até quando? – James pergunta levemente irritado.
— Até que a sua mãe tenha condições de ir para casa. Talvez daqui a alguns dias.
Ele bufou e em seguida saiu do quarto a passos rápidos.
Ainda estava irritado com o fato deu tê-lo impedido de gritar a Alois que salvasse Nanami e o bebê.
Ele não sabia o quanto eu me culpava quanto a isso.
— Ro... – Chamou ela, deitada na cama que dividíamos. Olhei-lhe e aparente estar melhor do que estava. – James esteve aqui?
Toda vez que o God Slayer vem ao quarto eu fico pior, física e mentalmente:
— Sim.
— Não é sua culpa. – Murmurou ela, com um sorriso cordial.
— É sim. Mas descanse você ainda está fraca. – Sussurrei, passando a mão sobre sua testa e verificando as horas no relógio. Já eram quase quatro da manhã.
Parece que todos que estão nesse hotel estão com insônia.
— Nii-san foi descansar?
— Sim. Ele estava aqui o tempo todo comigo. – Sentei-me ao lado da cama, segurando a sua mão. – Seu corpo ainda dói?
— Não, mas ainda sinto a sensação de vazio, sabe? É melancólico. – Suspira.
— Tudo isso vai melhorar com o tempo.
— Eu quero ir para casa, Rogue. Não quero mais ficar nessa cidade.
— Vou pedir para James ficar com você enquanto vou falar com Hector que estamos indo. – Disse, beijando sua mão. – Prometo que voltarei logo.
— Obrigado. – Sussurrou ela e beijei seus lábios antes de sair.
Fui até o quarto em que os Gods Slayers estavam e vi Alois chorando nos braços de Hermione, com James a observá-los:
— O que houve? – Perguntei.
— Conte a ele, Alois. – Falou James, mais ofensivamente que o normal.
— James, por favor... – Implorou Hermione.
— Eu quero que ele fale! – Falou o moreno possesso.
— Falar o que? – Inquiri.
— Diga a ele o porquê de você não ter ajudado a minha mãe Alois. – Ordenou James para o meu espanto. Nunca imaginei que ele falaria assim com Alois.
— Eu não podia, Oji–san... Ele... Aquele homem ele... – Começou o loiro, entre múrmuros e gemidos.
— Vamos diga a ele! – Gritou James.
— James já chega! – Ralhou Hermione no mesmo tom.
— Certo! O que está acontecendo aqui?! – Dessa vez elevei o tom e estes ficaram em silêncio por alguns instantes.
— Eu não consigo mais usar magia... – Choramingou Alois, tentando inutilmente curar-se de um corte na mão. Sangue escorria dali. – Eu estou morrendo.
— Isso... É verdade?
— Colocaram alguma magia sobre o corpo dele, Rogue-kun. – A garota fala, com a voz fanhosa.
— É magia negra. – Falou por fim James, já mais calmo.
— Deixe-me ver. – Articulei vendo o loiro se aproximar.
Senti uma presença fraca de magia no seu corpo e identifiquei imediatamente o que era, apesar do susto deles, não era tão ruim assim:
—Vire-se de costas. – Ordenei calmamente, sentindo a minha própria magia ressonar com a que estava em seu corpo. – Clear. – Ordenei, lembrando que no templo do Dragão eu fazia isso todos os dias em Sting.
Às vezes, ficava horas para retirar um fragmento minúsculo de magia em seu organismo.
— Está pronto. – Dei uma tapinha em suas costas, com um sorriso.
— Pronto?
— Isso é normal, considerando que você vive perto de James. Acontecia o mesmo com Sting quando éramos mais novos. E James... Você só precisa ordenar que a magia volte ao seu corpo, e a limpeza no organismo de Alois estará completa.
— Oh... Obrigado.
— Descansem. Está tarde e amanhã acordamos cedo. – Falei, notando que eles deveriam ter acordado no meio da noite por causa disso.
— Hum... – Responderam e depois que sai do quarto me pus a caminhar para fora do hotel e depois para a Fairy Tail.
Eu não tinha medo de andar sozinho à noite, mas sentia um poder diferente por perto e isso me deixou apreensivo. Caminhei mais rápido até o meu destino.
Entrei na guilda festeira e me deparei com algumas pessoas jogando cartas e/ou bebendo. A música estava baixa e era pouco agitada. Alguns estavam até dormindo.
— Pode me dizer onde está Hector Snow? – Perguntei a Erza Scarllet que olhou-me de cima a baixo.
— Venha comigo. – Ela pulou do balcão e andou calmamente, subindo as escadas comigo logo atrás. Laxus fuzilou-me:
— Aqui é maior do que pensei. – Murmurei baixinho fazendo que ele ouvisse como um gracejo cordial.
— Sempre foi dessa maneira. – Contrapôs ela.
Caminhamos até o final de um corredor estreito e pude sentir a magia que Hector exalava até por detrás da porta.
— Você vai entrar também? – Contestei e ela arqueou uma sobrancelha.
— Minerva entrou, porque eu também não poderia? – Com isso, deu um sorrisinho cretino a mim mesmo.
Maldita Minerva. Desde quando estava aqui com ele?
A ruiva abriu a porta e pude ver Minerva sentada ao lado de Hector, que estava à frente de Makarov:
— Obrigado por me avisar que viria, Minerva. – Exclamei, vendo-a sorrir.
— Você estava ocupado.
— Todos nós estamos. – Fui rude e Hector levantou a mão, fazendo-me parar:
— Para que você veio? – Sua voz era, no mínimo, cansada.
— Vim avisar que irei deixar essa cidade amanhã pela manhã. Nanami deseja descansar em casa e não vou obrigá-la.
— Rufus sabe?
— Isso não importa. Levarei comigo Hermione também. – Informei.
— Ela está cansada da missão não é? – Hector se deu ao luxo de sorrir.
— Sim. Alois vai ficar para ir com Sting e Lucy e também não duvido que eles venham conosco. Ou mais tardar, há tarde.
— Já que você está aqui Rogue, faça algo por mim. – O moreno fala – Peça que Mana, Shiro, Kuro e Fumiko, contando Koichi e Kirino entre eles, separem-se e vasculhem a região em busca de algo suspeito. Peça para Yukino verificar o hotel em que vocês estão e que Rufus organize as informações o mais rápido possível.
— Pode deixar. – Falei e automaticamente peguei o pequeno lacrima de comunicação no meu bolso. Ativei-o com um estalo de dedos – Escutem, seus molengas o descanso acabou. – Resmunguei, vendo Koichi e Kuro a me observarem no lacrima. – Os reis, Koichi e Kirino devem verificar toda a região, especialmente a floresta, e Yukino deve verificar o hotel. Rufus vai ser o escrivão.
— Temos permissão para prender alguém suspeito? – Perguntou Mana, com a expressão assassina. Sorri:
— Contanto que não matem ninguém, façam o que quiserem. – Comentei com graça, vendo-os mais animados que o normal.
— O primeiro que encontrar o idiota que machucou a Lucy-nee ganha 1.000.000 de ienes! – Koichi fala animado.
— Aumenta ai, pão duro! – Shiro fala.
— Quem achar o imbecil que machucou a Lucy e a Nanami vai receber 100.000.000 de ienes. Eu mesmo pagarei. – Informei e vi os magos da Fairy Tail olharem-me espantados. – E ganhará um bônus se ele ainda estiver vivo.
O lacrima desligou-se.
— Isso foi golpe sujo, Rogue. – Minerva comenta.
— É apenas uma apostinha infantil, Minerva. – Respondi, já mais tranquilo. – Estou indo para casa para arrumar as minhas coisas.
— Eu tenho uma tarefa especial para você, Rogue. Venha até aqui. – O lobo fala, com um aceno de mão. Fui obedientemente, inclinando a minha cabeça para escutá-lo. – Quero que você cuide das coisas por enquanto. Quando você voltar para a guilda, ordene que todos peguem missões e/ou vigiem cada estranho da cidade. Quero que você interrogue os magos novos e também, envie um comunicado ao templo do Dragão falando que eu confirmei a hipótese. O mestre compreenderá.
— Mais alguma coisa?
— Tente se comunicar com aquela pessoa.
— Você só pode estar de brincadeira. – Resmunguei com um sorriso. – Aquilo lá é mais difícil de achar do que a inteligência do Sting. – Minerva riu com isso:
— Mande uma mensagem a ele falando que vou me casar. Ele virá na hora para interrogar-me. – Segredou ela.
— Collins vai ficar muito puto! – Ri.
— Collins? – Makarov pergunta e nós três o olhamos.
— É um dos três fundadores, contando a mim e a Minerva. – Explicou Hector, sem explicar totalmente. – Faça isso com urgência, Rogue.
— Pode deixar, Snow. – Termine, me retirando.
Sting:
Amanhecia quando me dei conta de que Natsu ainda estava em casa e que tínhamos ficado conversando a noite toda.
— Eu preciso descansar. – Falei, como que o enxotando de casa.
— Eu também. – Levantamos.
— Melhoras a Lisanna e a Levy – Conclui, deixando-o parado na rua.
— O mesmo a Lucy e a sua cunhada.
Fechei a porta depois disso, respirando fundo.
Ele havia escutado a maior parte das coisas calado, mas também dei a ele o direito de falar um pouco. Por fim, concordamos em uma trégua temporária entre nós dois. Pelo bem daqueles que amamos.
Subi as escadas e depois deitei ao lado da Lucy, cansado.
Ignorei o sol que batia no meu rosto.
Klaus:
— Explique a ele, Keith as nossas origens, já que esse idiota se esqueceu. – Ralhei quando Jonas perguntou como havíamos parado naquela ilha.
— Não somos desse mundo. Nascemos em Edolas e fomos trazidos por um portal aberto pelo mestre. Todos nós tínhamos vida, família e amigos lá, mas nosso destino era estar nessa terra.
— Porque fomos trazidos? Se somos Dragões não deveríamos estar livres lá?
— Fomos trazidos para consertar a difusão de tempo que aconteceria por causa de alguns magos de uma guilda quando vissem o mestre depois de seu descanso. Essa difusão aconteceu nove anos atrás, lembra-se? Após a morte de Weisslogia e Skiadrum, quando a presença do mago negro estava começando a despertar.
— Hum...
— Nós consertamos isso, lembra-se? Restauramos a ilha e introduzimos novamente nela a alma da fundadora da guilda. Klaus desfragmentou as memórias deles e também deixou-a livre de qualquer intervenção nossa. Nolan acalmou o fogo que a consumia e Rixon controlou a tempestade.
— Humm, me lembrei disso agora. Eu ajudei a pegar os corpos.
— Imaginei que sim. – Falei.
— O meu Dragon Slayer está no páreo ainda?
— É possível que sim. – Keith responde.
— Então ainda tenho chances de ser o maioral entre nós todos.
— Elas são mínimas, Jonas. – Completei, vendo franzir o cenho:
— Pelo menos tenho esperança. – Resmungou ele, fazendo-me rir.
— Você só teria chance se fugisse da ilha e trapaceasse. – Nolan rebate, indagando com naturalidade:
— Isso é uma competição para você, Nolan? – O mais novo entre nós pergunta, fazendo Keith, por sua vez, ter um pequeno acesso de risos:
— Sempre foi uma competição, Dragão de Ferro. – Ralhou o loiro.
— Então que vença o melhor! – Respondeu ele, erguendo o braço esquerdo para o ar e deixando que seu grito ecoasse pela ilha.
Sting:
— Vamos para casa hoje? – Perguntou-me ela, quando relutei em permanecer deitado. Pelo menos ela já conseguia ficar sentada sem precisar da minha ajuda.
— Já que você concordou com Minerva, acho bom retornarmos para Fujima o quanto antes. – Segredei, deixando as cobertas escorregarem do meu corpo quando me sento ao seu lado.
— E as crianças?
— Vou buscá-las daqui a pouco. Tenho certeza que Ryuu e Lecter devem estar com saudades de ti.
— Tem certeza quanto a Lecter? – Brincou ela e sorri, beijando-lhe a nuca.
— Talvez Lecter fique pouco animado ao vê-la. – Ele inflou as bochechas, mas nada disse. – Acho que Rogue também deve estar indo para Fujima. Nenhum de nós dois suporta a idéia de ficar nessa cidade por muito tempo.
— Eu também não sou muito contra isso. – Informou a loira de olhos chocolates.
— Nada é melhor que a nossa casa. – Segredei em seu ouvido, mordiscando-o depois.
— Concordo plenamente. – Falou Lucy com o ar charmoso e corriqueiro. Talvez a idéia de ir logo para casa a tenha animado.
— Antes da gente ir, quero te contar uma coisa. – Afaguei o seu cabelo, arrumando as mexas que estavam desarrumadas por causa do travesseiro.
— Me falar uma coisa?
— É... Bem... Não é bem uma coisa, é mais um compromisso meu e deu uma pessoa a partir de agora.
— Compromisso seu e deu uma pessoa? Que história é essa Sting?
— Natsu veio aqui ontem a noite. – Comecei calmamente.
— Como é? – Interrompeu-me ela.
— Ele queria conversar.
— E você conversou com ele?
— Se você levar em conta que ando com insônia desde a noite que chegamos aqui, eu conversei. Apesar de tudo o que passamos, eu e ele tivemos uma conversa civilizada.
— É meio difícil de acreditar. – A loira contrapõe, mas também não digo nada sobre ela estar dormindo enquanto nos dois estávamos bem do seu lado.
— Ele me pediu desculpas. – Confidenciei.
— Humm... – Ela fez bico, sem compreender.
— E agora nós somos “amigos”. – Enfatizei as aspas com as mãos, isso lhe fez sorrir:
— Até que as batalhas os separem. – Brincou ela.
— Pode apostar que sim.
Alois:
Em vez de dormir, sai sozinho do quarto e caminhei calmamente até a cobertura do hotel. O vento que batia nas minhas costas era frio e fez a minha pele se arrepiar, mas ignorei isso até o sol tivesse nascido e que, conforme o que eu sabia, deveria ir ver a minha mãe.
Puxa vida! Faz um dia que não vejo o Ryuu-chan e o Lec-kun!
Ainda com o meu pijama branco, desço as escadas até o andar em que todos estavam e corri em direção ao quarto da Yukino. Lá encontrei Ryuu, Lecter e Fro dormindo, juntinhos numa mesma cama de solteiro.
Soltei um suspiro aliviado e me aproximei do Ryuu-chan, pegando ele no colo paternalmente:
— Ei Ryuu-chan... Está na hora de vermos a mamãe... – Sussurrei quando este começou a se espreguiçar em meus braços. Apertei-o forte, com saudade da maciez do seu pelo cor creme.
— Nii-nii? – Murmurou ele, esfregando os olhos com as patinhas. Ryuu era o gatinho mais fofinho que já existiu no mundo.
— Oi, Ryuu-chan. – Apertei as suas orelhas carinhosamente e isso o fez rir:
— A mamãe está melhor? – Era obvio que eles não contavam nada para o Ryuu-chan, então, como eu mesmo não sabia direito resolvi dizer:
— Está sim. Você sabe, a mãe é forte. Já deve estar bem. – Apesar de estar preocupado, escondi isso dele.
— Vamos acordar o Lec-kun? – Perguntou ele, vendo o gato de cor escarlate roncar ao lado do gatinho de fantasia.
— Sim, nós vamos.
Demorei dez minutos para conseguir tirar o Lecter da cama, ainda que com muito esforço e boa vontade:
— Porque você teve que me acordar a essa hora da madrugada, Alois? – Resmungou ele, no mesmo tom irritado que meu pai tinha quando eu aprontava uma pra cima dele.
— Vamos visitar o papai e a mamãe. – Respondeu um Ryuu alegre e isso o fez sorrir:
— Eu já estava com saudade do Sting-kun mesmo. – Disfarçou ele, mas eu sabia que não aguentaria ficar mais nenhum dia longe do meu pai, assim como eu e o Ryuu-chan.
— Vamos comer e depois vamos vê-los. – Falei.
Fui até o meu quarto e os deixei na porta, pegando algumas roupas da minha mala para depois sair correndo em direção ao banheiro. Durante o banho, fiz uma banheira improvisada na pia para que o Ryuu-chan tomasse banho e dessa vez o Lecter não resistiu e por fim, molhamos tudo o que podíamos e não podíamos lá dentro.
Sorte a minha que tinha guardado as minhas roupas e as toalhas numa mochila bem grande e impermeável.
Troquei-me e depois sequei os gatinhos.
Sai com a mochila nas costas, causando estranhamento aos que acordavam agora e me viam, para depois ir rapidamente até a cozinha e pegar duas pequenas caixinhas de leite achocolatado pros gatinhos e uma maça vermelha para mim.
Com Ryuu nos braços e Lecter sobre a minha cabeça, sai do hotel.
Na mochila, nada mais nada menos que as roupas que havia conseguido para meu pai do tio Rogue (o que não foi fácil) algumas também da tia Yukino e algumas bandagens, remédios para dor de barriga, enjôos e febres. Um livro de magia e uma sacola cheia de moedas de ouro, que eu usaria para comprar flores logo na metade do caminho.
Eu sabia o caminho para a casa da minha mãe por causa do casamento. Passei na frente da Fairy Tail e vi o garoto que sempre andava com Natsu Dragneel me encarar de cima a baixo. Ignorei tal ato, mas meu sangue ferveu a isso, tamanha a minha vontade de lutar.
Continuei em linha reta a até a casa da minha mãe, tomando o cuidado de verificar se estava ou não sendo seguido ou qualquer coisa parecida.
Quando cheguei o relógio deveria marcar quase dez horas:
Bati na porta:
— Já vai! – Falou à voz que fez meu coração pular de alegria. Estava calma e serena, parecendo estar tão alegre quanto o normal.
— Mamãe... – Cochichou o Ryuu-chan, com lágrimas nos olhos ao perceber o mesmo que eu.
— Sim? – Meu pai abre a porta e vejo que está sem camisa. – Meninos! – Ele fala alegremente, abraçando-nos sem pestanejar.
— Pai! – Respondo, retribuindo o carinho e apertando-lhe com tanta força quanto podia.
— Vocês vieram sozinhos? – Perguntou ele, surpreso.
— Era o único jeito. Ninguém nos deixava vir. – Completou Lecter, emburrado.
— Fico feliz que estejam bem. – Completou papai, puxando o seu gatinho companheiro para seus braços. – Fiquei com saudades de vocês.
Sorri a isso, já mais calmo do que antes. Se ele estava daquela maneira, para mim, era um sinal de que a minha mãe também estivesse bem:
— Sting? Quem é? – Minha pergunta no andar de cima e o vejo esconder um sorriso.
— São visitas! – Responde ele, sinalizando para que subíssemos em silêncio.
Subi as escadas meio temeroso pelo estado que poderia encontrá-la, mas isso desapareceu quando nos vimos.
Ela estava bem. Realmente muito bem.
A pele já estava na sua tonalidade normal e seus olhos tinham o mesmo brilho enérgico de antes. Seu sorriso não era mais dolorido e seus braços puxaram-me para um abraço apertado.
Comecei a chorar sem vergonha. Depois de tantos dias preocupado, com a idéia de perdê-la ou de nunca mais vê-la como antes me remoendo as idéias:
— Eu te amo, mãe... Te amo... – Sussurrei, quando ela puxou-me ainda mais, fazendo meus joelhos ficarem na cama e que minha cabeça ficasse apoiada no seu ombro.
— Eu também te amo, meu amor. – Gemeu ela, também a chorar.
Eu já havia perdido a minha mãe verdadeira uma vez... Perder minha mãe adotiva seria insuportável. Simplesmente insuportável.
— Vamos para casa logo, Alois. – Segredou ela, fazendo carinho na minha cabeça. Ainda estava soluçando em seu ombro.
— Para casa? – É a vez de Lecter perguntar para o papai, que lhe sorri.
— Para casa, finalmente.
Ryuu começou a rir, jogando-se no colo da minha mãe.
— Vou pegar as minhas coisas no hotel e nos encontramos na estação de trem. – Falei, prevendo que seria contra o meu caminho voltar aqui.
— Certo. Leve isso com você, rapazinho. – Meu pai fala, jogando a mim uma pequena pedra perolada e branca.
— O que é... – Assim que girei a pedra em meus dedos vi-la se transformar em uma pequena faca de dois gumes, com o cabo em couro branco e com ricos detalhes em ouro.
— Era da minha irmã mais nova. Cuide bem dela. – Eu nunca poderei decifrar a expressão que fiz naquele momento. Uma mistura de angustia e confiança tomou conta de mim.
— Eu vou cuidar. Vamos Ryuu-chan?
— Vamos! – O Exceed creme falou e pousou no meu ombro.
Sai da casa a passos rápidos, sem a mochila nas costas e com a pequena perola nas mãos.
Lucy:
— Aquilo foi uma grande e feia mentira, Sting. – Resmunguei, ainda que este estivesse rindo.
— Ele vai tomar muito mais cuidado com a minha faca agora. – Respondei o loiro, com Lecter em sua cabeça.
— Sting-kun é o maior! – O gato ruivo exclama e reviro os olhos:
— A culpa de Sting estar assim é sua Lecter! – Esbravejo de brincadeira e isso faz o Dragão gargalhar verdadeiramente.
— Ei! Não abuse do Lec-kun. – Ele respondeu, manhoso, porém, ainda sem controlar totalmente as risadas. —Vou jogar na mochila do Alois o máximo de roupa para você que puder e nós já vamos. – Assenti com a cabeça, vendo-o colocar o gato de colete azul marinho na mesa e este ficar me olhando intensamente.
— Afinal, o que você teve, hein garota? – Perguntou diretamente o gatinho e mirei o loiro por alguns instantes antes de soltar uma risada abafada:
— Eu fui atacada. – Dei de ombros, tentando mostrar uma indiferença falsa.
— E precisava ficar aqui sozinha com o Sting-kun todo esse tempo? Não deveria ter sido tão grave assim! – Sting levantou-se realmente irado com o tom que seu gatinho havia falado comigo, mas apenas agitei as minhas mãos:
— Lecter, quer ouvir o que realmente aconteceu comigo?
— É obvio.
— Eu estava grávida e quem me atacou me machucou tanto que eu acabei perdendo o bebê.
— Você estava esperando o filho do meu Sting-kun? Um Sting-chan? – Os olhinhos dele se iluminaram e perderam o brilho rapidamente. – Oh... Sinto muito, loira. – Ele pediu, abaixando a cabeça e novamente sorri a isso.
Não estava mais tão frágil, não é?
— Tudo bem, está tudo bem agora.
Após isso ele ficou em silêncio, mirando-me de vez em quando, apenas para desviar o olhar depois. Sting percebeu e nada fez. Talvez quisesse punir Lecter um pouquinho:
— Já arrumei tudo, Lucy. – Informou ele e percebi que ainda estava com a sua camisa.
— Deve ter alguma roupa sua...
— Alois trouxe algumas do Rogue na mochila. Deve ter até para você. – Diz ele, puxando um vestido branco soltinho de um dos bolsos da frente da mochila enquanto puxa uma camisa social e risca de giz para si mesmo.
— Oh... – Estou surpresa. Alois havia pensado nisso também?
— Pode se virar de costas Lec? Não quero que me veja trocando a Lucy. – O Dragão Branco se mostrou um pouco ciumento, mas Lecter fez questão de se virar no mesmo segundo então deduzi que ele ainda se sentia culpado.
Com as mãos livres, retirei as cobertas da minha perna e comecei a desabotoar a camisa de Sting quando ele me parou, beijando-me ardentemente. Minhas mãos deslizaram por seus cabelos.
— Agora vou te ajudar a tirar essa blusa... – Sussurrou, molhando meu pescoço com sua saliva. Ele havia descoberto que este era um dos meus pontos sensíveis? Que beijando tal lugar, conseguia me fazer ficar toda arrepiada?
Em poucos minutos estava apenas com a roupa intima na cama, com ele a olhar-me de maneira sensual:
— Agora tenho de te vestir com um vestido. – Pegou o vestido que estava na mesa e o passou sobre o meu corpo, abotoando nos lugares necessários, sem parar de me beijar, as vezes.
Estou pronta quando ele começa a vestir a blusa.
— Quando chegarmos em casa, eu vou dormir o dia inteiro. – Segredou Sting com um sorriso.
— Eu também. – Murmurei, embora começasse a me lembrar dos momentos da minha rápida gravidez lá.
Mas aquela casa seria tudo para Sting, Alois, Ryuu e Lecter. Não posso simplesmente impedi-los de ser feliz naquela casa maravilhosa.
Eu preciso me conformar. Totalmente, dessa vez.
— Lucy?
— Hum?
— Eu estava perguntando se você consegue andar. Acha que consegue sem doer muito? – Os seus olhos azuis me miram intensamente, preocupados. Estico a minha mão para que este possa segura-la e me levantar. Ele me deu o apoio necessário e me levantei, sem sentir dor alguma. – Parece que está tudo bem, mas acha que consegue andar daqui até a estação de trem?
— Eu sei que se não conseguir no meio do caminho você vai me carregar. – Exclamei calmamente, vendo-o suspirar.
— Sim, eu farei isso.
— Sting-kun, acho melhor você carregar ela. Faz muito pouco tempo. – Lecter insistiu e não o compreendi. Como ele poderia se importar comigo se me odeia.
— Porque acha isso, Lecter?
— Eu acho que ela pode ser mais bem cuidada em casa, quando chegarmos. É muito cedo ainda, Sting-kun. Ela pode tentar se esforçar para caminhar e sentir dores terríveis. – Arregalei os olhos de surpresa. Me parecia o Tyler falando.
— Acho que Lecter está certo. Vou te carregar Lucy. – Informou o loiro, puxando-me da cama para os seus braços.
— Então vamos?
— Finalmente.
Hector:
Eu preciso de uma boa noite de sono e de um banho morno demorado.
— Então estamos acertados? – Cada segundo a mais que ele me prendia ali era um segundo da minha vida que se esvaia. Ainda não tinha feito o ritual com Rogue por causa da falta de tempo e o remédio da Minerva não está mais fazendo tanto efeito quanto fazia antes.
— Parece que sim. – Minerva olha-me e implora com esse olhar que eu termine logo. Ela realmente odeia esse lugar tanto quanto eu.
— Então estou indo. – Levanto-me e o velho faz o mesmo:
— Não querem tomar café na guilda? – Perguntou.
— Agradeço a gentileza, mas eu e Minerva estamos muito cansados da viagem e tudo mais. O fato de eu estar aqui vai contra tudo que poderia ter feito. Agora eu vou para o hotel dormir um dia inteiro, com licença. – Sai com ela ao meu lado, para depois passar-lhe o braço pela cintura.
— Já era hora... Se eu não dormir logo eu vou te matar, Hector. – Sussurrou ela quando começamos a descer as escadas da fita guilda.
— Não me culpe. – Respondo, observando que a guilda estava cheia pela manhã.
Vários dos magos pararam o que estavam fazendo para nos olharem. Aproximei-me de Minerva:
— Quando chegarmos em casa, vou te punir por ter sido tão malcriada e desobediente. – Sussurrou em voz rouca e ela sorriu:
— Se você conseguir, é claro. – Esta bateu no meu peito levemente, mas a dor que senti me fez urrar baixinho.
— Você é uma criminosa. – Falei alto o bastante para fazer alguns magos ficarem de olhos arregalados.
— Vamos então, seu velho tigre. – Ela se soltou dos meus braços e depois me empurrou para fora, sorrindo.
As portas ainda estavam abertas quando nos deparamos com Sting e Lucy passando a nossa frente. Eles conversavam animadamente com Lecter sobre a cabeça de Sting.
— Sting? Lucy? – Resmunguei, quase incrédulo.
— Hector? – Ele falou com a sobrancelha arqueada:
— Mi-chan! – Lucy exclama a acenar.
— Estão indo para casa? – Pergunto, caminhando até eles. Alguns curiosos estavam na porta.
— Exatamente. Não vejo a hora de me jogar na minha cama macia. – Informou-me ele a sorrir.
— Nem me fale. – Minerva comenta, examinando as roupas da Lucy. – Pegou as roupas da Yukino emprestadas?
— Alois fez isso por mim. E a Nana-chan? Está melhor?
— Deve estar, Rogue também está indo para casa com ela e James.
— Você já falou com ele sobre aquilo? – Perguntou o loiro, com os olhos azuis a brilhar.
— Ainda não.
— Ele vai surtar. – Riu.
— Acho que vocês deveriam ter falado antes. – Lucy fala calmamente. – Rogue-kun vai ter um ataque quando souber.
— É por isso que vou pedir a Alois que ele faça comprimidos para estresse. – Informou o Dragão e a morena riu:
— Isso seria divertido.
— Estamos indo. Boa sorte para vocês dois, descansem ou sei lá o que... – Sting falou sorrindo. – Estou indo para casa. Até logo.
— Façam uma boa viagem.
Lucy:
Sting dormia coma cabeça no meu colo, de tão cansado que estava, nem enjoado ficou quando o trem começou a andar:
— Mãe? – Alois chamou, com Ryuu e Lecter adormecidos ao seu lado.
— Sim querido.
— Você se sente melhor agora?
— Sim. Sinto-me melhor de verdade. – Respondo, apesar de não ser tão convincente.
— Porque não me disse sobre o meu irmão? – Isso me pegou de surpresa e a culpa queimou dentro de mim.
— Hector pediu que mantivéssemos segredo.
— Quem faria isso com você? E porquê?
— Não deve ter sido para mim, querido. Era alguém tentando atingir o seu pai.
— Ele ainda não superou, não é?
— Sim. – Sussurrei, esticando minha mão até a dele – Mas eu sei que isso vai passar.
— É tudo tão confuso... Agora que eu estava... – E então se calou, como se encobrisse um segredo.
— Alois? O que você ia dizer?
Ele suspirou pesadamente:
— A tia Nanami estava morrendo, perdendo muito sangue quando o tio Rogue falou que ela estava gravida. O James ficou tão desesperado que... Que... – Ele não conseguiu terminar, puxando Ryuu para seus braços e o acariciando.
— O que aconteceu, Alois? – Perguntei, percebendo que ele me revelaria tudo.
— Ele queria que eu fizesse o ritual de sangue proibido. – Confessou – É quando você usa o sangue ou para trazer de volta ou para banir a alma de alguém. Ele queria que eu trouxesse seu irmãozinho de volta, mas eu não podia mãe... O ritual é proibido por causa de duas coisas. – Começou ele a explicar e percebi que seus olhos se enchiam de lagrimas – A pessoa que o faz corre um risco muito grande de ter a sua própria existência sugada sem perceber e, com isso, ser banido ou reviver a pessoa para quem o sacrifício foi jeito. A segunda coisa é que, uma vez feito, essa pessoa será sempre tentada a faze-lo novamente. E pode ser que na segunda vez, morra.
— Então quer dizer que você já fez uma vez?
— Sim, eu consegui fazer quando era mais novo, antes de entrar na Sabertooth e conhecer vocês. James estava do meu lado quando o fiz.
— Quem você reviveu?
— Revivi um homem chamado Klaus. Minha mãe o amava muito e quando ele adoeceu, tive medo dela mesma adoecer.
— Ele sobrevive até hoje? – Perguntei e notei como aquele garotinho na minha frente era frágil e que tinha medo das suas escolhas passadas.
— É possível que sim. – Ele se encolheu um pouco, tentando esquecer o processo. – Eu sei metade do meu sangue para revivê-lo.
— Nunca mais tente fazer algo parecido, por favor. – Falei, com um sorriso brincalhão. – Você não precisa usar magias proibidas para ser forte, amor. Você é forte do seu jeitinho.
— Obrigado mãe.
Keith:
— Não há nenhum sinal deles na ilha. – Nolan fala a mim, com a expressão rude.
— Irei falar com o mestre. – Informei-o, sabendo que agora era seguro.
— Espere Keith. – Pediu, segurando-me pelo ombro. Virei e notei como seus olhos estavam difusos e diferentes. – Eu achei algo.
— Achou?
— Venha ver. – Chamou, saindo a passos rápidos e comigo na sua cola.
Caminhamos pela floresta aparentemente sem rumo e notei que estávamos fazendo um caminho estranhamente familiar.
— Onde estamos indo?
— Reviver memórias. – Ele confirmou e sinto uma onda abrasadora de ansiedade tomar conta de mim, fazendo meu coração acelerar a cada segundo que passava.
O pequeno chalé pintado de branco desgastado ainda estava em pé. E isso fez meus olhos se encherem de lagrimas.
— Bem vindo de volta ao lar. – Gracejei mordendo os lábios em seguida.
Entrei sozinho na casa, sentindo as mesmas taboas velhas de madeira pintadas de verde musgo. Sentia também o ranger delas quando parei.
Nada dali havia mudado. Absolutamente nada.
Fui até a minha antiga cama, notando que ela ainda estava perto da janela. Ali, no travesseiro murcho por causa da espuma que desapareceu com os anos, estava o meu diário. Ainda trancado e preservado na mesma posição que eu havia deixado.
Fui até a cama e me sentei ali, sem me mexer por alguns segundos, sentindo as lembranças fluírem por todo o meu ser.
As canções sobre Edolas, as pinturas no piso e nas paredes, como também as guerras de travesseiros que fazíamos. Tudo aquilo me amargurou um pouco e por fim, tive a tentação de abrir o diário.
“Aqui é Keith escrevendo.
Faz algum tempo que chegamos na ilha e ainda não sabemos muito bem porque. Apenas sei que usarei essa caderno como um diário e que escreverei tudo nele para que, no futuro, possa relembrar como foi tal época.
Tenho doze anos. Recém completos.
Cabelos loiros e cortados de maneira que quase caiam sobre meus olhos. Eles não são longos, mas teimam em se enrolar nas pontas.
Olhos verdes.
Morava sozinho ao ar livre, caçando e comendo o que a terra trazia. Nunca conheci ninguém que gostasse de mim, na verdade.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!E um dia, enquanto eu caçava um tigre branco de olhos amarelos, fui sugado por um buraco no céu.
Entrei em pânico quando senti meus pés sendo puxados e gritei o mais alto que pude. Quando acordei novamente, estava na praia de um lugar estranho com outras dez crianças.
Agora estamos juntos na única casa que esse lugar tem.”
Sorrio, sentindo as lagrimas caírem.
“Sou um dragão.
Rwar!
Não estou brincando, eu do futuro, sou um dragão.
Não um dragão comum, é obvio, posso controlar a luz. Sou o senhor do dia.
Como eu descobri isso?
Pela manhã o garoto moreno de olhos azuis esquisitos e diferentes disse que sonhou com todos nós. Disse também que tínhamos de ir a um lugar com ele. Eu não gostei disso de imediato, mas fui porque não queria ficar sozinho.
Caminhamos quase um dia inteiro e foi quando vi um monstro gigantesco, com olhos de pantera, escamas de cobra e asas de morcegos voar sobre nós e pousar do nosso lado. Vi que havia mais de um, brancos vermelhos e até mesmo monstros na cor preta.
Entrei em pânico, mas antes que pudesse gritar ou correr, o monstro de escamas brancas disse a mim que viesse até ele.
Obedientemente eu fui e ele me explicou tudo depois de se apresentar.
Seu nome era Weisslogia e ele me disse que éramos feitos da mesma essência, isso é, éramos um mesmo ser só que de mundos diferentes. Ele era daquele mundo e eu de Edolas ou sei lá o que.
Começamos a conversar e ele explicou-me que, conforme o tempo passa-se, eu e as outras crianças não cresceríamos muito. Atingiríamos a maturidade e pararíamos de envelhecer.
Como os dragões de verdade.
Dragões são imortais, eu do futuro e isso quer dizer que eu também serei imortal. Mas não é uma imortalidade completa, pois podemos morrer a qualquer hora.
Weisslogia é legal.
Ele me faz sentir bem. Seus olhos são das cores dos meus e tenho a sensação de que, sempre que eu precisar, Weisslogia vai estar do meu lado.
Ele é a minha família agora.
Somos um e ao mesmo tempo somos dois.
É como se fossemos gêmeos diferentes.”
Começo a soluçar.
“Eu tenho uma missão, eu do futuro.
Meu dever é proteger essa terra, a ilha dos dragões, e também guardar comigo o segredo da existência do dragão mais poderoso de todos, Acnologia.
Eu o vi hoje.
Vi sua transformação completa.
Acnologia tinha os cabelos loiros e os olhos na cor da terra, com o porte de uma pessoa normal. Vi quando ele tomou a última gota de sangue e, conforme seus gritos de dor cessavam, as escamas rompiam a sua pele e apareciam, negras e azuladas, com um pouco de sangue também.
Seus olhos se tornaram negros e antes que eu percebesse todos haviam se ajoelhado. Menos eu e o rapaz de olhos esquisitos e azuis.
Acnologia perguntou o nosso nome com um rugido e sem gaguejar, eu e o outro falamos, duros como pedras no lugar em que estávamos.
Por fim, riu.
Suspirei e quando o olhei novamente, vi-o com um sorriso.
‘Você será o meu escolhido, Keith de Weisslogia. Você será meu mensageiro e também meu guardião’
Weisslogia me cumprimentou depois disso, com todos os outros.
Será que é muita responsabilidade ser o guardião do Dragão mais poderoso do mundo?”
— Não, não é muita responsabilidade Keith-chan. – O paradoxo que havia se formado na minha memória respondeu, contente.
— Não consegue ler sem chorar, Keith? – O rapaz de cabelos ruivos pergunta, com um sorriso cordial e estranho.
— Não com a lembrança de Weisslogia presente a todo o momento.
— Você é o verdadeiro Dragão Branco agora.
— Sempre fui, Nolan de Igneel. Eu sempre o fui. – Uma lágrima solitária caiu no nome de Weisslogia quando abaixei meus olhos a vê-lo.
Notas finais
O que mais as chocou e emocionou?
Ele merece Reviews?
Pois bem, estarei esperando e se, as coisas fluirem como estão, pretendo começar a postar a fic de uma ou de duas em duas semanas.
Deixem a suas opiniões sobre tudo ali em baixo ok?
Beijinhos, Amy-chan.
PS: Qualquer critica a autora será bem aceita. E duvidas também serão respondidas.
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