Shatter Me

19 Estilhaço de Ira Desmedida I


Notas iniciais
PERDOEM-ME! (De joelhos.) Não percebi que o tempo passava tão rápido e que fazia tanto tempo que os havia deixado. Mas prometo que ficarei mais ativa! Aproveitem e matem a curiosidade. Boa leitura, anjos. Amy B.

Sting:

Daniel estava ali, com meia asa da armadura ainda aberta sobre ele e Natsu, que jazia inconsciente deitado. O moreno estava realmente bem ferido, com grande parte da armadura deteriorada e acabada.

Parecia ofegante e chocado, transtornado por algo que não compreendia.

—Sting... — Sussurra ele quando abaixo a espada e a coloco no gelo. O chão treme novamente.

—Saia dai. — Digo, o mais calmamente que posso.

—Sei que ele é ser humano abominável. Sei que o que ele fez a Lucy realmente é imperdoável. Mas mesmo assim, não posso deixar que o mate.

—Daniel. Sua armadura está destruída, metade dela não poderá ser consertada. Além do que, nossas forças são diferentes. Sou muito mais poderoso que você ou qualquer espirito da Lucy. Portanto, afaste-se.

Ele tosse, cuspindo um pouco de sangue:

—Não vou. Já imaginou o que poderá acontecer se matá-lo? Você vai ser preso, Sting. Nunca mais verá Lucy. E também, não poderá protegê-la, nunca mais.

Pondero e ele tem razão.

Mas ignoro isso.

—Não me importa. Eu tenho razão Daniel. Ele tentou estuprar Lucy na minha casa e ainda resmungou a mim que era um substituto. Que Lucy era dele e não minha. — Respiro fundo e elevo a voz — Acha que alguém como ele merece viver? Depois de tudo o que ele já fez a Lucy?

—Sting...

—Que me importa os seus sentimentos estúpidos. Se pensar em deixar minha mestra sozinha porá causa desse idiota, eu mesmo irei mata-lo, Eucliffe. — Reiji aparece, com sua lança vermelha apontada para mim. Ele está afrente de Dan, protegendo-o.

—Saia. Isso não é assunto seu.

—Não é? A sua próxima atitude vai mudar a vida de todos nós. A minha, a sua, a da nossa mestra e a do...

—Silêncio, Reiji. — Lyko aparecendo ao lado do mesmo. Seu olhar fez o outro parar rapidamente o que ia falar. Eles começam a discutir com olhares e resmungo:

—Será que posso matar Natsu Dragnell ou está difícil?

—Sinto muito Sting, mas terá de passar por mim antes. — Aparecendo ao meu lado está o espirito do tigre imperial, Tyler. Seus cabelos loiros são bagunçados pelo vento. Ele apoia o cotovelo no meu ombro. — Vamos, insista. Quero ver se está forte o bastante para terminarmos o que começamos um dia.

Porra, ele não está me cantando né? Por favor, Sting. Controle-se em seu objetivo.

—Espero que esteja pronto. — Olho-o fixamente e vejo-o recuar lentamente.

—Estive esperando esse momento por algum tempo, sabe? Um contra um?

—Quatro contra um seria mais justo. — Reivindico.

Ele sorri.

—Como queira, Lorde supremo entre os dragões humanos. — E se afasta a passos lentos, em direção aos outros reis espirituais. Eles se entreolham e os dois mais afrente — Tyler e Reiji — sorriem, enquanto Lyko cura Daniel e restaura quase completamente sua armadura.

—Acho que deveria trazer todos os espíritos possíveis. Não estou mais com paciência para brincadeira. — Sorrio, sentindo meus ouvidos apitarem de tanto poder.

Lucy:

Isso não pode estar acontecendo.

Por favor, que isso não esteja acontecendo.

—Rogue... — Consigo sussurrar.

O moreno tira seus olhos de Sting por um momento e me mira:

—Não posso para-lo. — Insisti. — A menos que você queira que eu fique em coma.

—Não posso deixa-los lutando... — Choramingo e ele me olha piedosamente, com a expressão triste.

Rogue pousou a mão na minha cabeça.

Olho novamente a luta.

Sting enfrenta quatro dos meus seis espíritos mais poderosos juntos, mas não parece cansado, ou mesmo que está passando dificuldades por causa disso. Ele até parece estar se segurando.

Tyler avança com uma lança e quase atinge Sting, que desvia para o lado e o chuta, na minha direção. O espirito caí, atordoado e corro até ele, sem me importar que a batalha ainda esteja sendo travada logo a frente.

—Lucy...

—Tyler. — Chamo seu nome, vendo-o parecer mais forte.

—Não devia ter encostado em mim agora eu...

—Tudo bem... — Sinto lagrimas nos olhos. Eles estavam lutando por minha causa. Porque eu havia sido fraca e não havia podido me defender. Começo a chorar, com o rosto do espirito do tigre sobre o meu colo. As lagrimas caem e escorrem vagarosamente pelo seu rosto, parecendo um caminho difuso, que não podia ser alterado pela neve.

Ele estende a mão e limpa uma lágrima nova, que teima a cair. Seu toque é quente, mesmo sobre a neve em que está deitado e rogo-lhe, sem dizer nada, que pare. Que todos eles parem nesse segundo.

Escuto um baque surdo de alguém despencando na neve e o som se segue mais duas vezes até que, finalmente vejo Sting se aproximar de mim e de Tyler.

Seus olhos são como joias preciosas e brilhantes, praticamente inquebráveis. Estão fixos em mim e também na mão do tigre em meu rosto. Recusavam-se a parecer calmos.

—Sting... — Sussurro.

—Você vai ficar doente se ajoelhando na neve com essa roupa. — Sting apenas tira a capa e coloca-a sobre meus ombros, parecendo mais formal do que deveria. Mais lagrimas escorrem.

Tyler faz suas as mãos limparem-nas novamente e soluço, tão desolada quando deveria. O espirito levanta-se, finalmente, olha o dragão e depois se esvai em fumaça magia, como os outros que antes lutavam. Natsu continua jogado na grama onde estava.

Sting mirou-me novamente.

Ele parecia tão... Cansado.

—Por favor... — Consigo gemer, entre soluços e lagrimas agora mais límpidas. Este me carrega, roçando seus lábios em meus cabelos. Apenas... Quero dizer que o amo e que estou totalmente agradecida por ele ter me defendido, por não ter brigado comigo e por ter sido o homem que amo.

—Vou tentar acalmar Lucy. — Sua voz soa terna e sagaz — Espero que não nos interrompam.

E assim, depois que pisco os olhos, estamos no quarto.

Sting me deita na cama e suspira, com a sua própria magia se desfazendo calmamente. Ele detém uma expressão seria, e totalmente fria.

—Onde ele a tocou, Lucy? — É o que pergunta, sem o mínimo calor na voz,

—Ele... — Começo e vejo a expressão dele finalmente se suavizar quando engasgo e passo a chorar mais.

—Certo, desculpe. — Diz, vindo para perto de mim, — A culpa é dele, não sua. Mas preciso cuidar de você, meu amor. — Sussurra, ternamente.

—Eu devia ter sido mais forte. — Resmungo, corando de desapontamento e vergonha.

—Você não poderia. Lembra-se do que Ethan disse? Você poderia levantar, mas não se esforçar muito e treinar. Não poderia usar a força. Além disso, é o meu dever proteger você. — Responde em tom calmo e serio. — Agora eu preciso relaxar um pouco, Lucy. Senão... É bem provável que eu perca a cabeça novamente.

—Então se deite. — Sussurro.

Ele não faz isso, como eu já esperava.

Vai até a janela e mira a paisagem branca e fria que ali se formava a sua frente. Detinha a suave e triste expressão de conhecimento, como seu soubesse de algo que, em algum momento, iria matar a si mesmo ou a mim.

—Eu tenho... Tenho tido lampejos de sonhos, Lucy. — Revela.

—Que tipo de... — Tento me levantar e sinto uma dor vacilante no ombro, onde Natsu havia me agarrado. Sting não percebe, não de imediato.

—Não deveria ter nem começado a te falar. — Revela ele, aproximando em dois passos da cama que dividíamos. Ele puxa os lençóis quando engatinha, sentando-se ao meu lado. — Realmente, não estava a fim de te preocupar ainda mais.

—O que está escondendo?

—Tyler e os outros três que lutei hoje haviam me dito antes que... Que era arriscado que tentássemos ter outro filho. Que para a sua segurança, não poderíamos mais tentar ter bebês.

Era como se meu peito estivesse sendo triturado. Uma dor intensa e brutal. Lagrimas se formam e ele inclina-se para falar no meu ouvido.

—Isso aconteceu naquela noite que te pedi em casamento. Antes de eu voltar e de fazermos amor nessa cama de manhã. Eu ignorei as regras e quando você piorou subitamente naquele dia à noite, pensei que já poderiam ser efeitos dos...

—Dos...

Ele ponderou antes de continuar:

—Dos seus sintomas. Mas eu estava errado. Realmente errado, pois não acho que, você ficaria gravida tão rapidamente de novo.

—Mas e se...

—Se isso acontecer? Eu cuidarei de vocês dois. Seja do que for. — Se inclina e beija os meus lábios, tão calmamente que esqueço parte do que aconteceu pela manhã. O beijo forçado, o desespero que ele representou.

—Eu nunca consigo dizer... Dizer o quanto te amo. O quanto quero que dê certo o nosso relacionamento. Como quero ser sua família e o seu tudo.

—Você já é tudo isso, Lucy. — Confirma. — E eu... Eu não tenho como te agradecer tudo que já fez por mim. Olhe para mim antes e depois de você. Sem você e seu amor, Lu, eu não seria nada.

—Seja o que os deuses quiserem. — Murmuro, quando sinto seu corpo tão perto e quente, como se sua energia vibrasse novamente ante a minha. Como se nossas almas se encontrassem.

Ele me beija e simplesmente deixo que cada célula do meu corpo clame pela sua atenção e seu amor.

Rogue:

—Não posso. — Alois responde a Erza que suplicava em vão.

—Alois-kun! — Wendy pediu também e o loiro assumiu uma postura mais seria, cada um dos olhos de uma cor.

Não posso fazer isso, mesmo que quisesse. Ele feriu uma das pessoas que amo. É imperdoável.

—Ele...

—Se quiser, cure ele você mesma. — James diz, totalmente friamente. Ele detém a mesma expressão de Alois. Nunca imaginei que ele agiria assim com Wendy ainda mais...

—Vocês dois. — Digo involuntariamente seco — Vão para a cozinha.

Nenhum deles me questiona e vejo James ajudar Alois a se recompor, quando ele pende a cabeça para baixo e parece perder o controle.

Vejo que James diz algo no ouvido de Alois e ele próprio quase cai de joelhos. Se encarando, vejo que eles sentam nas cadeiras da mesa. Hermione ajoelha-se perto do loiro e tenta acalma-lo, mas é tudo em vão.

Olho Natsu novamente.

Os ferimentos externos são poucos, deixando apenas vermelhidão que logo ficará roxa. Mas tenho certeza que os amigos dele estão preocupados com os ferimentos internos, pois o mesmo não acorda. Nem depois de Wendy tentar cura-lo.

Alguém bate na porta.

—Entre. — Falo alto o bastante para ser ouvido, mesmo na confusão.

—Que tempestade. — Ethan diz, sorrindo. Ao lado dele, nobremente vestido estão Toshiro e Kuro, parecendo mortos de frio. O albino tremia nos braços do moreno. Ethan também parecia ser atormentado pelas baixas temperaturas. —O que houve? — Perguntou, quando viu Natsu deitado no chão.

—Natsu tentou estuprar a Lucy. — Nanami responde, sentada nas escadas. Sua expressão pelo menos estava mais calma.

O som da pasta no chão é tudo o que escuto antes de ver Kuro segurar Toshiro. O rei branco tenta gritar algo, mas o rei negro beija-o impedindo-lhe deliberadamente depois de joga-lo contra a parede para deixa-lo ali preso contra seu corpo. Caminho para fora dali e sento-me ao lado da minha esposa, vendo os dois discutirem silenciosamente.

—Ethan, sinta-se a vontade para cuidar de Natsu. — Suspiro, calmamente. — Alois não se sente a vontade para tal.

—Por Deus. — Sussurrou. — Lucy... Ela está bem?

—Está com Sting. Ele cuidará dela, tenha certeza. — Ele assentiu e pegou a pasta. Trocamos o mesmo olhar serio e ele geme como se estivesse contrariando todos os seus princípios.

—Se Sting o deixou vivo, deve ter bons motivos para isso. — Tira o sobretudo e arruma os cabelos negros para longe dos olhos e dos óculos. — Se não for muita pretensão, será que ele poderia me atender, depois disso?

—Se você for sortudo o bastante. — Respondo, trazendo Nanami para perto de mim e beijando seus cabelos.

O médico faz jus a seu status. Ele orienta atentamente Wendy, enquanto monitorava habilmente o comportamento e as reações do Dragnell. Os membros da Fairy Tail estavam sentados no sofá, em volta dele e este parecia cada vez mais parecido com um membro da guilda. Da minha guilda, pelo menos.

Alguém que não permite que um dos nossos seja ferido tão brutalmente.

—Isso é tudo que posso fazer. Seria melhor se o levassem para um quarto, para que ele descanse. — Concluiu, levantando-se. —Vou monitora-lo, depois de verificar o estado mental de Alois e o físico de Lucy e Sting.

—Doutor. — Disse o velho Makarov. — Obrigado pelo que fez pelo meu filho.

—Humildemente falando, senhor, acho que deveria ensinar muito mais que boas maneiras a ele. Lucy não estava em condições de sofrer o que quer que ele tenha feito. Acredito que ele tenha realmente muito mais sorte do que sabe, pois ainda respira e tem a mim cuidando dele. Portanto, não agradeça. A vida dele, a partir de agora, não será nada fácil.

Olho Toshiro e Kuro e vejo as expressões surpresas de ambos. Até mesmo eu estou chocado com tal resposta.

—Rogue-san, eu poderia usar o lacrima da casa? Tenho de avisar a minha noiva que não voltarei cedo hoje. — Ele pede depois de se virar e vir até mim perto da escada.

—Eu o ajudarei com isso, Ethan-domo. — Nanami diz, levantando-se num pulo. Talvez ela precise se distrair com algo, mesmo.

—Rogue, Lucy-nee estava bem da ultima vez que você a viu? — Perguntou o albino, depois de ter se acalmado. Kuro ainda estava perto, segurando não só sua mão, como sua cintura.

—Toshiro. — Ele repreende, mas ergo a mão antes que ele continue:

—Sinceramente, Natsu tem sorte de estar vivo. Eu não deixaria alguém como ele vivo depois do estado que a Lucy estava.

—Ele chegou a...? — O rei negro indaga, sem completar.

—Não, pelo que vi. Mas... Lucy é sensível. Sabe como está frágil por causa do incidente. Sting ficou louco. Nunca o vi usar tanta magia ou ficar tão furioso com uma pessoa.

—E Alois?

—Lá. Ele se recusou terminantemente a curar o homem que machucou a mãe dele e agora está ali com Hermione e James, tentando parar de chorar por um segredo que nem mesmo James pode me contar.

—Como as coisas foram ficar assim? — O mais jovem pergunta, mirando o rapaz que havia deitado a cabeça em seu ombro e depois a mim. Seus olhos prateados cheios de lagrimas. — Já não basta tudo o que ela vem sofrendo? E Sting também! Eles não...

—Shiro. Já chega. — Kuro sussurra e este fica em silêncio, passando há choramingar alguns minutos.

Levanto-me e me dirijo até a cozinha.

Os meninos e Nanami agora tentam acalmar Alois, que apenas quando me vê para de pigarrear um pouco.

Ele sabe exatamente o que vou perguntar.

—Pra quem você vai explicar? Para mim ou para seus pais? — É tudo o que digo antes dele começar a pigarrear novamente e mais alto dessa vez.

—Pai... — O moreno contradiz, com os paradoxos de tons e expressões contrastando entre si. — É melhor não...

—James... Não podemos esconder isso por mais tempos. — Hermione diz, com a expressão injuriada.

—Ah, você acha que agora é o momento apropriado? — O outro diz.

Só então percebo que o assunto é delicado demais.

—Tudo bem. Alois vá para o meu quarto e deite. Se descansar talvez se sinta melhor. — Digo e Nanami assenti.

—Rogue-kun irei com ele. — Hermione diz. Seus cabelos na cor do por do sol estavam desalinhados sobre a trança que ela havia feito.

Ela ajuda o rapaz loiro a se manter em pé e depois caminha com ele, subindo juntos as escadas. Espero que tenham mais juízo que Sting nessa idade.

Porque, nessa época de traumas incuráveis, só há uma coisa que pode afogar totalmente as magoas de um homem estilhaçado.

Sexo.

Sempre disse a Sting que ele era novo demais e que, de nada adiantava extravasar com isso. Foi inútil. Ele via em qualquer garota o rosto de Juliette, sentia seu cheiro nele mesmo e isso o matava a cada segundo.

Uma tortura fúnebre.

E mesmo sabendo do que havia acontecido comigo, ele prontamente me ignorou.

Minerva e Hector.

Mais historias de magoas ressentidas e mau planejamento.

—Rogue? — A minha mulher chama, vendo-me mirar a escada e pensar, divagando.

—Não é nada. Só estava... Pensando no passado.

—Sim... Não precisa se preocupar. — Ethan diz e só então lembro-me dele ali. — Ly. Nada de ruim vai acontecer, não precisa se preocupar. Mesmo que eu quisesse, a tempestade não me deixaria voltar para casa.

—Entendo. — Vejo-a. Tinha os cabelos na belíssima cor caramelada que combinava perfeitamente com os olhos verdes límpidos. — Mas mesmo assim... Tenho medo de que...

—Alyanne querer vir ao mundo hoje? No meio da maior tempestade do ano?

—Exatamente. — Concordou ela, em tom murcho. — Se a tempestade melhorar, você vem para casa correndo?

—Eu vou, juro. — Ela sorri. — Eu te amo, Lys.

—Também te amo, Ethan. — E a luz do cristal se apaga completamente.

—Ela é linda, doutor. — A Lohr diz, caridosamente.

—Está amedrontada e me sinto um péssimo noivo e pai por isso. — Olho-o com o mesmo sorriso dolorido.

—Sei muito bem o que é isso.

—Rogue-san... Não me diga que...

—Lucy e Sting não foram os únicos a perder um membro na família, mas foram os mais castigados por causa disso. — Respondo.

Oh... Eu não sabia. Sinto se alguma vez fui indelicado quanto a isso. — Desculpa-se e olho a minha esposa, que apenas assente. — Eu poderia examina-la, se quiser. Alguns traumas ainda ficam por causa disso e... É sempre bom tratar deles logo. — Nanami mira-me e vejo uma pequena faísca de preocupação em seus olhos.

Meneio a cabeça, solenemente:

—Obrigado.

Percebo que tudo parece densamente calmo agora e olho de relance para trás, onde Makarov, Gildarts e Laxus subiam as escadas sem barulho.

Vou atrás deles, num súbito ímpeto de impedi-los. Estou ao lado de Laxus quando Makarov chega perto da porta do meu quarto:

—Pare! — Sussurro a ele — Pare agora.

—O vovô só...

A porta do quarto de Sting abre com um estrondo e vejo o mesmo me encarar, como se me perguntasse porque eu os havia deixado subir. Encaro seus olhos azuis e suspiro, tamanha a minha decadência.

—Pouparam-me o trabalho de descer, obrigado. — Fala, com a voz solene pelo descaso. — Hermione não vai deixar Alois hoje, imagino. Então pedirei a Toshiro e Kuro para buscar Hector; conveniente, Rogue?

—Ele trará Minerva, Mizuki e Rufus.

—De fato, bem conveniente. Por ora, nada temos a tratar, senhores. Rogue. — Eu passo pelas fadas rapidamente e antes que eles possam protestar, fecho a porta atrás de mim.

Vejo Sting desalinhar os cabelos nervosamente e suspiro a isso:

—Devia tê-los expulsado. — Digo, depois que vejo Lucy acordada e sentada numa das cadeiras perto da janela.

—Hector deve, pelo menos, estar ciente. — Insiste a loira ao noivo. O mesmo mira-me:

—Concordo com Rogue. — Admite. — Já excederam a minha boa hospitalidade.

—Sting!

—Lucy, olhe o estado em que você está! Que eu estou! Acha que isso é viver bem?

Os dois se encaram por ínfimos segundos e, sem ao menos quebrar o clima, acrescento:

—Mas talvez precisemos de pessoas na retaguarda. — O dragão branco ergue as sobrancelhas. Lucy ri baixo e eu sorrio quando o vejo relaxar.

—Deuses, vocês são imorais.

Eu ri, anestesiado e Lucy segue-me, com as bochechas coradas.

Então aproximo-me da loira, pegando a sua mão e notando como estava tremula. Beijo seus dedos e ela suspira, tão frágil que acaba me lembrando da minha amada.

—Sinto muito por não ter podido te ajudar. Ou ao menos...

—Tudo bem... Eu me sinto melhor.

—Ethan quer examina-la, quando se sentir a vontade e também deseja conversar com você, Sting. — O loiro assente, sem ser surpreendido.

—Se eu não soubesse que ele vai ser pai, apostaria que estaria tentando me roubar da Lucy. — Ralha o mesmo e rio disso assustadoramente.

—Sting! Que coisa malvada de se dizer! — Lucy contrapõe.

—Ah é? Quer dizer que você não ficou tranquila quando te contei que ele estava noivo né? — A maga estelar pega um travesseiro e acerta o noivo que ri disso, em seguida. — Viu? Estou certo, como sempre.

—O que está acontecendo ai dentro? — Nanami pergunta, na porta.

—Vou abrir! — Digo, ainda rindo alvoraçado.

A Lohr entra abismada e parece ainda mais surpresa quando vê Sting de bruços na cama tendo um ataque de risos:

—Achei que estavam discutindo, não rindo. — Ela fala, sentando-se ao lado da loira, que estava emburrada.

Eu me juntei a Sting na cama, e toda vez que nos mirávamos riamos. Só paramos quando Lucy disse isso:

— Já terminaram?

—Ainda não acredito que estão rindo por isso. — A minha esposa resmunga, jogando suas lindas madeixas para trás.

— O nosso tipo de humor é totalmente diferente, senhora Cheney.

—Quanto tempo faz que não nos reunimos só nós quatro para conversar e rir, hein? — Pergunto.

—Bastante na verdade. — Lucy responde. — Devíamos chamar Hector e os outros.

—Ou podemos fazer nossa própria algazarra sozinhos. — Sting propõe, com um sorriso provocador.

—A pergunta certa é, exatamente como você vai fazer isto? — Pergunta a maga das flores.

—Minha casa, minhas regras. — E levantou-se da cama, colocando a mão na parede e ramificando uma quantidade absurda de magia nessa.

Quem sabe o que pode acontecer? Afinal, é de Sting Eucliffe que estamos falando.

Nanami:

Rogue me carregou no ultimo segundo. Os moveis do quarto encolheram e desapareceram, no mesmo momento em que as paredes ficaram escuras.

—Sting, o que...?! — Lucy estremece nos braços do mesmo, surpresa.

—Ok, podem ficar sossegados, sei o que faço.

—Certeza? — Rogue pergunta, por sua vez.

O loiro estala a língua, indiferente e apenas senta-se no chão, com a loira agarrada ao seu pescoço de olhos arregalados.

—Verão, quarto. — Ele diz, calmamente.

Meus sentidos piram por um segundo. Uma onda abrasadora de magia da natureza começa a emergir das paredes e do chão.

No chão, grama recém-cortada surge, com seu cheiro inebriante e sensível, apenas preenchendo todo o chão. As paredes ficaram da cor do céu, com as nuvens brancas e totalmente lindas.

Parecia que estávamos ao ar livre perto, no jardim da guilda com o vento quente do verão soprando nossos cabelos.

—Isso...! — Rogue ri, desconcertado. — É incrível!

—É perfeito. — Murmuro, depois de que o moreno coloca meus pés no chão e a grama os faz pinicar gentilmente. Eu me sinto tão bem...

Flores crescem ao redor da parede e exalam um perfume divino.

—É lindo. — É a vez de Lucy dizer e Sting beija-lhe calmamente. Ela simplesmente o puxa e eles rolam na grama, apaixonadamente.

—Parece que a grama não é apenas para ser pisada, certo? — O homem de olhos rubis sussurra a mim, entrelaçando nossos dedos e me carregando, colocando-me entre ele e o “céu”.

Eu o beijo e depois escuro alguém rindo. Desentrelaço nossos lábios e vejo Sting rindo com Lucy, naturalmente feliz.

—Não acho uma boa ideia se beijarem perto do céu. — Ele diz.

—Blé! — Mostro a língua para ele, fazendo Rogue rir disso.

—Mas então... O que faremos? — Meu mundo pergunta, ainda comigo entrelaça ao seu corpo.

—Cara, parece que temos trinta anos! — O dragão branco resmunga, desesperadamente. — O que gente da nossa idade faz?

—Bebe até cair? — Indago e ele sorri.

—Isso também. — Sempre que vejo Sting sorrindo lembro-me de quando ele inventou de brincar de verdade ou desafio na guilda, depois de meio mundo estar bêbado. — Vamos jogar cartas.

Talvez verdade ou desafio não seja assim tão ruim.

Hector:

—Entendo, vou chamar Rufus e Mizuki e já vamos. — Respondo.

—Hector, mais uma coisa. — Toshiro interrompe, antes que eu desligue o lacrima. — Rogue e Nanami entraram no quarto e não saíram mais de lá. E isso já faz umas três horas. Acha que...

—Eles não seriam tão irresponsáveis. — Minerva responde, com um sorriso. A mesma estava sentada na minha mesa, com uma camisola debaixo do sobretudo. — Ou talvez sejam, mas logo estaremos ai, Shiro.

—Obrigado. Fico menos preocupado. — E desligou.

Mirei a morena de pernas torneadas e cruzadas na minha frente. Estava com a belíssima expressão de gata sedutora que tinha antes mesmo de que virasse a mulher da minha vida. Levanto-me um pouco e beijo-a, rapidamente:

—Acho melhor trocar de roupa.

—Isso é só um vestido de seda.

—Realmente podemos chamar esse meio metro de pano de vestido? — Argumento e ela ri.

—Que importa. Algumas coisas são feitas para ser mostradas.

—Realmente, mas creio que a minha cama é um lugar muito mais apropriado do que a casa de Sting.

—Não quer que outro me olhe, é isso?

Respiro fundo:

—Não quero ter que matar alguém por isso, na verdade.

Ela sorri e acaricia meus cabelos longos e naturalmente desgrenhados.

—Vamos logo então?

—Sim. — Ela abotoa novamente o casaco e pula da mesa, tão natural quanto uma gata. Acompanho-a dois passos atrás, arrumando meu próprio casaco.

Estamos lado a lado caminhando até o salão principal da guilda. Rufus ali estava, degustando um pouco de vinho com Yukino e Koichi, que conversavam animadamente sobre algo.

—Rufus! — Chamo e ele desvia seu olhar da conversa que deveria estar deixando-o entediado. — Temos de ir.

—Onde? — Ele remexe o vinho no copo, casualmente.

—Teve um problema na casa de Sting. Pegue Yukino e vamos.

—Eu também? Por quê?

—Não pergunte. — Minerva responde, sorrindo.

A albina levantou-se com o memory maker, e então eles caminharam até a porta conosco, esperando que respondêssemos do lado de fora.

Assim que saímos o vento nos açoitou logo no primeiro momento. Bufei irritado, abotoando ainda mais o casaco.

—E então? O que aconteceu? — Yukino perguntou, arrumando o cachecol de Rufus solicitamente.

—Natsu tentou estuprar Lucy. — Sussurro e mesmo assim eles ficam chocados e revoltados.

—Como ele ousa?! — Disseram juntos e ergui a mão, calmamente.

—Estamos indo conversar diplomacia na casa de Sting.

—Acho que nosso tipo de diplomacia vai ser brusca. — Yukino resmunga, injuriada.

—Creio que Natsu deve estar semi-morto ou enterrado.

—Pode ser que sim, mas precisamos ir logo. — Concluo, começando a caminhar.

Eles me seguem e sinto as mãos de Minerva ficarem em um dos meus bolsos. Puxo-a para perto e caminhamos juntos, meio entrelaçados. Não demoramos muito para chegar na casa de Sting, ainda mais porque se demorássemos iriamos congelar na tempestade.

Assim que chegamos e entramos, ainda que cobertos com uma leve camada de neve, noto que apenas os membros da Fairy Tail estavam na sala ou na cozinha. O clima estava denso e um silencio tênue estava no ar.

O medico amigo de Toshiro estava na cozinha, sentado na mesa sozinho, com uma grande xícara de café e anotando algo em alguns papeis. Parecia concentrado e decidimos subir direto e não incomoda-lo.

Yukino já estava sem o casaco e Rufus, como o bom cavalheiro que é, estava segurando-o. Quando chegamos a porta do ultimo quarto escutamos barulhos estranhos e sons ainda mais perturbadores.

—Sting? — Chamo, abrindo a porta destrancada. Rufus também percebe, de imediato o objeto vindo até nós e surpreendentemente, corta o mesmo com extrema rapidez e precisão.

Penas voam em cima de mim e engasgo com as mesmas, tossindo e brandindo a Rufus algumas também.

—O que é isso?! — Minerva pergunta, surpresa.

—Rufus! O que você fez?

—Mas que raio?! Quem jogou um travesseiro na gente? — Ele ralhou e um coro de risadas invadiu o cômodo em que entravamos. Observo um Sting sem camisa jogando a cabeça para trás, sem se conter e Rogue batendo os pés no chão de tanta graça que devia ter a cena.

Estávamos cheios de penas.

—Alguém me deve um travesseiro de penas, ok? — Lucy diz e sorrio a ela, assentindo concordando.

—Vejo que estão rindo.

—Mas ainda não entendo o porquê, devido à situação em que estamos. — Rufus diz e Nanami mira-o, calmamente.

—Estamos tentando esquecer.

—Esquecer? Realmente? — É a vez de Yukino se pronunciar.

—Claro. — Rogue diz, parecendo meio entristecido, pelo menos. — É menos doloroso. — E sorriu.

—Beber e jogar cartas é uma das formas antigas de se esquecer algo, crianças. — O Lohr diz, tirando o casaco e jogando-o perto da porta.

—Concordo com Rufus. — A morena ao meu lado concorda tirando, mortalmente bela, o casaco. As curvas transpareceram naquele momento, no fino vestido de seda purpuro.

—Gente o que é isso?! — Lucy exclama, rindo. Sting cochicha algo em seu ouvido eles dois riem juntos.

—Ok. Sobre o que vocês estavam falando? — Yukino pergunta, sentando-se no colo do noivo.

—Sting queria brincar de verdade ou desafio.

—As crianças de cinco anos brincam disso hoje em dia. — Argumenta Nanami em discordância e todos concordamos com ela.

—Hector, lembra quando eramos pequenos e saímos fazendo brincadeiras pela cidade? — Sting diz e rio disso, divertido. Apesar deu não ser tão pequeno assim, obviamente.

—Ele trapaceava e deixava a gente para trás. — Lembrou-se o moreno ao lado, sorrindo.

—Eu tinha de cuidar da Minerva, esqueceram?

—Sabemos muito bem como você cuidava dela, Hector. — Rufus contrapõe, com um de seus sorriso maliciosos.

As duas mais novas integrantes do grupo ficam confusas:

—Do que estão falando? — Perguntam em uníssono.

—Vocês nunca ouviram a historia do aniversario de debutante da Minerva? — Foi a vez da albina perguntar, surpresa. Suspirei densamente e Sting riu:

—É verdade. Nunca te contei como Hector era chamado quando eu tinha lá meus quinze anos?

—Não.

—Está preparada para essa informação?

—E porque eu não estaria, Sting? — A loira pergunta e este mira-me, pendendo a cabeça para o lado. Reviro os olhos e Minerva recosta-se a minha frente, pousando a cabeça no meu peito.

—Ok, não me responsabilizarei por isto. Ele era chamado de caçador de menininhas. — A mesma mirou o namorado acusadoramente, surpresa.

—Mesmo?

—Mesmo. Mas voltando ao aniversario da Mi-chan, imagine essa gatona ai como uma garotinha pequenininha. Até menor que a Hermione.

—E também sem essas curvas ai. — Yukino riu, juntamente com Rogue, o infame.

—Ok, não poderia ter esquecido esse detalhe, obrigado Yukino. Voltando, uma Minerva mais lisa que uma tabua de passar roupa num vestido bufante cheio de purpurina rosa. — Continuou o rei dragão em tom divertido. Espero que ele não se esqueça de que não fui o único que aprontou naquela noite. — Pois bem, ela dançou a primeira valsa com o mestre Jiemma, mas a segunda foi concedida a Hector e eu fui forçado a tocar uma musica lenta em ambas às ocasiões.

—Ah, pobre de você. — Interrompo.

—Silêncio pervertido! — A maga estelar interrompe, apontando o dedo indicador para mim e depois virando-se para o namorado. — Continue, Sting!

—Muito bem! Hector estava dançando com a Mi-chan e quando todos menos esperávamos vemos-o beijando-a no meio do salão. Adivinhe o que aconteceu?

—Um escândalo?

—Por ai. — Rufus interrompe rindo. — Imagine todos nós na guilda, mais ou menos com catorze e quinze anos fugindo do mestre Jiemma que estava atrás do Hector. E imagine as coisas doidas que aconteceram depois disso.

—Tipo... — Lucy pergunta. Yukino trocou um olhar com Rogue e eles deram sorrisos cúmplices.

—Eu e a Yukino meio que ficamos nessa noite. — Ele comenta e a Lohr parece abismada.

—Yuu-chan? — Ela se virou para o esposo e ele lhe beijou os lábios.

—Eu não te conhecia amor.

—Humpt. — O Lohr resmungou enquanto a albina ria dele.

—Vou esquecer que vi você com a Jolie naquela noite, Ru. — A maga das águas diz e o mesmo olha-a surpreso.

—Como você... — Ele cora.

—Eu sei de muita coisa, okay?

—Vish. Alguém vai dormir no sofá essa noite. — Sting começa e tenho a coisa certa para manda-lo calar a boca.

—E também deveríamos nos esquecer de quem saiu arrastando a Kin para um canto, Sting?

—Opa opa! Tira o meu da reta! — Ele resmungou e Lucy pareceu desconfiada.

—Sting...

—Serio, Lucy. Metade das garotas da cidade já deram em cima de mim e nem por isso eu fiquei com elas. Só que... Eu tinha toma umas taças de vinho com a Kin naquela noite, já que estava abandonado.

—Desculpa esfarrapada. — Contrabalanceei, franzindo o cenho.

—Diz isso o cara que desapareceu misteriosamente dois dias seguidos da cidade.

—Quem disse que desapareci? Vocês é que não sabiam onde eu estava. — E beijo o pescoço nu de Minerva, que corou absurdamente nesse momento.

—Não me diga que...

—Cara! Você poderia ter morrido! — O loiro fala.

—Eu tinha meus truques. — Respondi e a morena em meus braços apenas estremece.

—Vou fingir que não escutei isso. — Ela me diz e rio em seu ouvido.

—Acho que deveríamos contar alguma historia embaraçosa do Sting, o que acha, mestre? — Rogue pergunta e dou um dos meus melhores sorriso maliciosos.

—Eu tenho uma boa.

—Não vai me dizer que é aquela... — Rufus olha-o de soslaio, divertido.

—Aquela? — Lucy murmura confusa e o seu namorado apenas beija-lhe a testa, tentando dispersa-la.

—Não ouse, Hector!

—Sting gostava de se vestir de menina quando era menor!

—Hector! — Gritou o mesmo e todos nós caímos na gargalhada.

—Ele usava maria-chiquinhas Lucy. — A futura senhora Lohr diz e rimos ainda mais.

—Traidores!

—Sting... Não precisava esconder isso. Eu não ia...

—Rir? — Ele a beija nesse momento, quando ela volta a gargalhar dele e de sua coloração avermelhada.

—Serio, antes que comecemos a falar mais do passado, que tal um Uísque? — Rogue pergunta e concordo, maneando a cabeça.

—Acho que as coisas vão começar a ficar melhores agora.

Notas finais
Bem. Cá está.