Shatter Me

26 Estilhaço de Dor II


Notas iniciais
Oi! Cá estou novamente. Sinto pela demora, mas prometi a mim mesma que só adiantaria pra vocês se tivesse ou terminado ou começado a parte mais demorada do capítulo. Sim, eu comecei a parte mais demorada, porque acho que ainda vou levar umas duas semanas - minhas últimas livres - para terminar definitivamente esse capítulo gigantesco e trabalhoso. Obrigado por terem esperado compreensivamente tanto tempo. Boa leitura!

Stan:

Um grito foi o que me despertou. Um grito infantil, agudo, terrivelmente dolorido.

Levantei das cobertas esquecendo-me que meu corpo não estava devidamente preparado para tal esforço brusco e caí no chão, parando o impacto com as mãos, apenas. Um gemido escapou dos meus lábios e sangue me veio da garganta, como que eu realmente estivesse ferido.

Mirei as minhas mãos agora enfaixadas e tossi mais sangue, enjoado. Outro grito assolou meus ouvidos, diferente, raivoso até. Tentei novamente me por em pé e falhei, desastrosamente.

Senti alguém puxar-me para a cama e uma dor terrível se instalou em mim novamente. Gemi, contrariado, pedindo para que parasse e vi, finalmente, Zeref sobre mim. Seus cabelos negros estavam desgrenhados e cheios de neve e ele parecia cansado, fraco e com menos horas de sono do que jamais tivera na vida.

—Você não deveria ter levantado. — Sorriu ele, irônico. Senti a preocupação no seu tom e tentei não parecer tão ruim quanto devia estar.

—Escutei gritos. — Consegui dizer.

Eles estão aqui. — Murmurou com galante ardor. Tentei novamente me levantar e este, com a mão no meu peito, forçou-me para baixo. Grunhi de dor. — Eu os trouxe por você. — Segredou, com notas de desdém na voz. — Foi o primeiro que conseguiu sair vivo da minha técnica e precisa de cuidados médicos mais que urgentes.

—Então eles não são parte do plano?

—São, claro. — E balançou a mão, como se não tivesse importância. — Duvido que a menina consiga cura-lo, mas o rebelde vai faze-lo, tenho certeza.

—Rebelde?

—Chama-se Alois. É a reencarnação de Apollo, acredito. Mas ele sabe quem somos, apesar de não entender o que estou fazendo. Acredito que só ele possa ter descoberto a verdade.

—Como?

—É uma ótima pergunta. — E com um estalar de dedos, pude ver o autômato Klaus puxar para dentro do quarto uma figura esguia, magrinha e sem nenhuma qualidade de guerreiro. Um garoto novo demais para ser o que era, ou para ser sequestrado por nós. — Alois, certo? Sabe quem sou?

Ele, loiro e de olhos verdes esmeraldinos, cuspiu sangue no chão, mordendo os lábios. Será que sabia que estava sendo usado ou pressentia o perigo que advinha do moreno?

—Como não saberia? — Resmungou, com os olhos faiscando. — Onde ele está?! — Gritou, extasiado. — Onde Radios está?!

Zeref olhou-me, virando-se para mim e atraindo a atenção do rapaz. Seus olhos arregalados reconheceram a minha aparência e percebi que ele deveria saber muito mais que o necessário. Os olhos do mago negro se estreitaram:

—Então o reconhece. — Anuiu, reincidente — Faria o favor de cuidar dele antes que morra? — Pediu, carinhosamente. O rapaz olhou-me novamente, irritadiço, e cuspiu a mim:

—Porque está com ele? Ferindo-nos? Porque não voltou para o seu irmão?

—Por favor, cale-o. — Pedi.

—Por quê? — Gritou mais alto. — Rogue não lhe fez nada! Ele sofreu tanto com a perda do bebê! Como eu sofri também!

—Cale-o. — Repeti.

—Não merece que cuide de você. Hipócrita! — Gritou mais alto e com um aceno de mão, Zef o fez ficar calado.

—Escute garoto. Se quiser continuar vivo, ou ao menos, com pouca dor, obedeça-me. Cuide dele. Agora.

—Nem que para isso precisasse da minha vida. Nunca cuidarei dele!

Zef bateu palmas e escutei mais passos e mais gritos. O loiro ficou automaticamente pálido, com súbito reconhecimento:

—O que? Pegou-a também?!

—Wendy é a peça chave da minha ópera. Como você. — Vi a garota de cabelos azulados espernear, chorando bastante. O primeiro grito devia ter sido dela, aparentemente. — Cure-o, ou ela sofrera as consequências disso.

—Não fará nada a ela. — Rosnou.

—Não? — E com o mexer de um dedo o autômato de Wendy, Keith, a jogou no chão com tanta força que escutei seu corpo inteiro estalar. O som foi ensurdecedor ante seus gritos. — Rápido. — Repetiu ao loiro que agora derramava súbitas lagrimas de angustia. Assim que conseguiu soltar-se, correu até mim, com os olhos transbordando de um verde límpido e desolado.

Permaneci deitado enquanto ele examinava-me com seus poderes curativos. Hora ou outra Zef vinha para perto ver-me, e logo se afastava. Wendy foi retirada da nossa presença pouco depois dele começar a me curar, gemendo. Eu sentia a fúria e a discordância lutando no seu ser.

Toquei seu braço. Imediatamente parando, Alois virou-se para ver meus olhos, sem compreender. Sorri:

—Meus erros não podem mais serem reparados, garoto. — Sussurrei. — O que fiz a meu irmão, é consequência do que fizeram a mim, por ele. Não fui eu quem machucou a mulher dele, acredite. E teria impedido se pudesse, mas as consequências disso poderiam ser piores das que vivemos. — Respirei fundo, sem conseguir mais falar. Senti sangue querer explodir para fora da minha boca. — Tudo o que estamos fazendo, é por vingança.

—Vingança de quem? — Perguntou.

—Seu pai adotivo, acredito, não explicou o que fizeram com os meus poderes, certo? — E quando ele assentiu, continuei — Retiraram meus poderes e os dividiram à Rogue e Sting. — Parecendo choca-lo, descrevi — Não odeio o meu irmão, mas não posso perdoar que tenham preferido matar-me para que ele fosse mais forte.

—Mas você está vivo.

—Graças ao meu mestre. Antes dele eu não era nada, era pior que o nada. — A dor começou a cessar gradativamente. — Você deve pensar que não, mas fiz sacrifícios piores que a dor de Rogue, alguns abomináveis, hediondos. Mas eu sabia que se não os fizesse, algo ainda pior se abateria.

—Sacrifícios? Do que...?

—Não é bom entrar em detalhes. — Disse e vi a sombra de Zeref aparecer, examinando-me. Seus olhos pareciam mais suaves dessa vez. — Eu corria risco de vida?

—Certamente que sim. — Respondeu o loiro, com exatidão de medico. — Muitos dos seus órgãos vitais estavam com danos estruturais e parte de seus ossos estavam trincados. O que, realmente, você fez? Lutou contra um gigante?

—Não sei. — Instaurei meu olhar ao nada e fiquei analisando o porquê também. Aquela técnica era mesmo tão poderosa?

—Só poderei fazer isso por hoje. — Explicou-me depois de sentar-se na cama, exausto. — Não estou na minha melhor forma e ainda por cima, usei quase todo meu poder tentando fugir. Pelo menos, você não vai morrer de hemorragia. — E quando tentei levantar ele franziu o cenho. — Nada de movimentos bruscos! Seja lá o que tem em mente, esqueça. Tem de ficar em repouso absoluto ou então vai desfazer tudo o que fiz.

—Obrigado.

—Já que te salvei, poderia me explicar o que pretendem fazer conosco?

Sorri, notando o moreno caminhar até nós dois. Ao seu lado, Keith de Weisslogia movia-se, tão opaco e humano quanto o verdadeiro. As semelhanças dele com Sting Eucliffe eram visíveis e o garoto pareceu estranhar tal fato, mas nada comentou.

—Está na hora de descansar. — Zef diz casualmente. O autômato arrasta o God Slayer pelo quarto e enquanto ele se debate mando o meu invento ser mais gentil.

Lucy:

Assim que vi Sting soube que Alois estava perdido. E ouvir James soluçar, pedindo para falar com ele só piorou as coisas. Ver os olhos do loiro lacrimejarem quando ele começou a falar com Rogue não ajudou.

—Lucy. — Chamou Sting e nossos olhares se encontraram, desesperados. — Amor, não quero que fique nervosa. Vou busca-lo. Não quero que você se sinta angustiada. — Ele segurou minha mão tremula e senti meus olhos prestes a transbordar. — Vou resolver tudo.

—Sting... — Choraminguei. Ele conseguiu me colocar sentada e ajoelhou-se, beijando minhas mãos tremulas. A primeira lágrima angustiada de mãe caiu e ele teve que conter as suas, de pai que tinha. — Por favor... — Senti seus lábios antes de conseguir pensar em prosseguir. Senti seu medo, pavor e angustia, identificando-me com ela.

—Eu te amo. — Sussurrou, descolando nossos lábios. Abracei-o antes que partisse.

—Precisamos trazer James. — Nanami disse, confortando-me após a saída do meu noivo.

—E Hector. — Completou o moreno.

A maga das flores serviu-me com chá, e notei como ela parecia mais calma que eu. Observei-os se moverem unidos, completos, e em poucos minutos, já tinham avisado todos. Hector estava a caminho com Hermione e Minerva, como Rufus e Yukino, e Mizuki e Sirene, como também o pequeno Yukio.

Acabei, no silencio da minha preocupação, parando para pensar nos reais motivos que alguém teria para sequestrar Alois. Ele não tinha inimigos. Um garoto em fase de crescimento mental e em seu poderio.

Os ataques, até então, tinha afetado a nós, que tínhamos dragões no ventre. Não eles. Alois nem mesmo é nosso filho de sangue. Porque sequestra-lo? Porque tira-lo de nós?

—Rogue, traga James o mais rápido possível para cá. — Sussurrei, sem encontrar mais voz entre as minhas lagrimas. — Não acho que Alois está simplesmente perdido. — Vejo seus olhos vermelhos carmim perdidos em uma serie de hipóteses, notando a veracidade da minha afirmação. — É mais seguro para ele. — Assegurei e ele assentiu, hipnotizado.

Foi quando vi Hector que a ficha realmente caiu. Hermione chorava muito, culpando-se por algo imprevisível. Eu mesma a abracei logo que a vi, sussurrando que tinha tanta culpa quanto ela, ou muito mais, na verdade. A morena, ao lado, olhou-nos piedosamente, mas ajudou a colocar a pequena no sofá e acariciou seus cabelos para que ela se acalmasse.

Rufus e a albina chegaram depois, apressados. Ele se ajoelhou e beijou minhas mãos, dizendo que logo, meu filho estaria em meus braços, para que eu o apertasse o quanto quisesse. Sorri, sem conseguir verdadeiramente acreditar. Yukino me abraçou angustiada e fiquei em seus braços por vários minutos, até que adormeci, cansada demais por pensar no meu filhote, lá longe, sofrendo por nossa causa.

Hector:

Todos saíram, menos Lucy e Sirene com Yukio. A loira desabou no sofá depois que Nanami colocou uma dose a mais de camomila no chá, o que foi engenhoso da parte dela. Com Lucy despreocupada e Sirene me ajudando com as mínimas informações que conseguimos, passamos o resto da noite sentados, amaldiçoando ter de ficar ali.

Quando Lucy acordou, lá pelas onze e meia, até mesmo Sirene havia desabado num dos quarto lá em cima.

—Hector? Onde estão todos?

—Ainda procurando. — Suspirei. Ela pareceu compreender e uma fagulha de força se passou por seus olhos.

—Vou ir também. — E quando ela segurou o molho de chaves brilhantes senti uma vibração magica anormal vindo dele. Afastei a mão dela com um aceno e no segundo em que a toquei, uma onda de magia transpassou por meu corpo como um choque. Ambos nos afastamos assustados e ela sentou, com os olhos arregalados. — O... O que? O que foi isso?

—Não sei. — E quando ela tentou usar da minha incapacidade instintiva para pegar as chaves de volta, aumentei o tom. —Não pense em usar as chaves! — Ordenei.

—Preciso ajudar os outros! Encontrar-me com Sting e...

—Você não vai. — Relutei perplexo. Assimilando sozinho a triste verdade. — É perigoso demais.

—Não é! Só irei...

—Lucy! Escute-me! — Implorei. — Não sei como dizer isso ou se é verdade. E também não entendo como Sting não perceberia, se for o caso...

—Do que você está falando, Hector?

—Acho que você está gravida novamente. — Falo o mais calmamente que posso. A surpresa a faz sentar na cadeira novamente.

Seus olhos castanhos ficam cheios de agua e não sei se é de tristeza ou alegria, mas quando ela começa a soluçar, penso seriamente senão deveria ter esperado Sting voltar para dar a noticia a ele também:

—Lucy? Por quê...?

—É uma ótima noticia. — Ela murmurou, tremendo. — Eu pensei que... Jamais poderia pensar em ter filhos novamente. — As lagrimas caíram desesperadamente. — Os reis disseram que uma segunda gravidez para magas celestiais é perigosa e Sting... Ele... Como vou contar isso a ele? Com Alois desaparecido?

—Não conte. — Escutei as palavras escaparem. — Eu cuidarei para que ninguém perceba e tomarei conta de você enquanto eles procuram. Não posso deixar que algo aconteça com essa criança, não novamente.

—Obrigado Hector. — Ela sorriu.

—Agora trate de descansar. — Suspirei. — Não quero meu afilhado sentindo angustia. — E foi à única vez, naquela hora, que escutei alguém rindo.

Rogue:

Depois de longas horas procurando Alois, percebemos que nada adiantaria e que pela manhã poderia ser um pouco melhor. Nanami e eu estávamos cansados e totalmente exauridos emocionalmente, pensando em como nos sentiríamos se o mesmo ocorresse com James.

Assim que chegamos à casa de Sting notamos como tudo parecia escuro e frio. Ele estava no sofá, calado, e Hector ao seu lado, tentando anima-lo. Lucy estava adormecida no outro, com um livro sobre a barriga e logo o loiro foi para junto dela, preocupando-se ainda mais. Conseguia sentir que ele só queria ficar em paz e coisas assim o machucavam muito mais do que imaginávamos.

Quando ela acordou, depois que ele a puxou para seus braços e deitou-se com esta por cima, ele deu os primeiros indícios de sua fragilidade. As lagrimas escorreram sem pudor algum e a própria maga estelar, assustada, beijou-o, tentando acalmar seus soluços.

Aquilo era de partir o coração.

Stan:

—Zef, pare de andar de um lado para outro. — Resmungo, jogando um travesseiro em sua direção. — Mal consigo pregar o olho desse jeito.

Ele fuzilou-me e antes que o travesseiro chegasse ao chão, ele o chutou e o mandou de volta para cama. Isso me fez sentar e observa-lo com mais cuidado. O moreno estava terrivelmente cansado, mas mesmo assim, não queria descansar.

—Não vai me acontecer nada. — Segredei. — Não com os pivetes aqui. Venha para cá.

—Você não sabe do que está falado. — Grunhiu de volta, nervoso. — A cada dia que passa Radios, mais quero estar perto de você. Mais quero seu corpo, como há séculos não desejo ninguém. Meu medo não é de te matar, é de te ver sofrer e eu não poder fazer nada para remediar isso, como nunca posso.

—São pensamentos infundados. — Relutei. — Sei que essa é sua verdade universal há muito tempo, mas as coisas agora são diferentes. Já tinha estado com alguém como eu antes?

Alguém como você? — Repetiu, enojado sem motivo.

—Um homem. — Solucionei, sem estresse. — Já tinha gostado de um cara antes?

—Não. — Confessou e suas passadas ficaram mais intensas. — Outro motivo para me deixar acordado. Já fiz isso uma vez. O que me impediria de te machucar novamente?

—Nada. Mas não importa, importa? — Sorri com escarnio. — Você quase me matou mesmo.

Ele pareceu ofendido e parou de zanzar como maluco pelo cômodo. Um quarto escuro e digno dele, como sempre.

—Você devia estar descansando e não me dando lições de moral. — Sussurrou, beijando-me. Ri disso em seguida:

—Como se eu conseguisse dormir, com você por aqui.

—Radios, o que é isso? — Zeref perguntou, puxando as cobertas do meu corpo. Foi então que vi e entendi o porquê de repouso absoluto. O simples esforço de sentar fez com que uma das minhas costelas transpassasse a carne, mas só havia sangue e não dor. — Merda, Radios. — Resmungou, enquanto trazia os dois prisioneiros para a sala com extrema urgência.

Ri disso, sem ligar para a dor que começava a invadir todos os meus músculos. E daí que eu estava frágil a esse ponto, se realmente tivesse ficado forte?

Alois:

Estava sujo de sangue, de pele morta e poeira, deitado num chão duro e desconfortável de todo. Minha cela era mais fria que o quarto de Radios, mas era melhor que os corredores.

Não consigo ver Wendy, porém escutou-a a noite toda, chorando intensamente com tanto medo que mal consegue me dirigir à palavra. Tenho tentado entrar em contato com James, mas minha mente parece ter sido bloqueada e meus sonhos, aprisionados pelo poder de seu pai.

Estou com os joelhos ralados e grande parte dos meus músculos doloridos. Mal consigo descansar sem torturar-me por ajudar o inimigo.

Radios parecia confortável nessa situação, mesmo com as minhas acusações e percebi como Zef olha-o. É como se ele fosse realmente agora importante, rachado, sendo que deseja preserva-lo o máximo que pode. Não consigo entender de onde pode ter vindo esse sentimento.

Quando finalmente começava a adormecer, fui arrastado novamente para o quarto deles. Pelas altas janelas vi o novo dia começar a raiar e então me senti um pouco mais desesperado do que tinha o direito de estar. Engoli tal sentimento rapidamente, vendo como Wendy parecia muito mais abatida do que eu. Decidi que deveria tentar ajuda-la, por ela e por James, como também, entenderia finalmente Radios e o obrigaria a revelar parte do plano.

Meu plano foi para o ralo assim que vi Radios em pé. Seus olhos carmim estavam restaurados e idênticos ao do tio quando estava furioso. Ele parecia ter rejuvenescido dez anos e ter o equivalente te força de um treinamento de vinte. Não parecia nada humano, ou ao menos, normal. Quando sorriu a mim, tudo o que pude fazer foi tentar parecer sereno, calmo e implacavelmente frio:

—Vocês parecem cansados, depois de cuidarem de mim e agradeço por isso. — Ele caminha até nós dois e quando tento sair do seu alcance, sinto os autômatos mais pesados ficarem, mais que o normal. — Esses autômatos são meus, na verdade. Emprestei a Zeref por algum tempo, já que ele me jogou num buraco de caos e desordem. Fiquem obedientes e lhes prometo ser atencioso e assim responder todo o tipo de questão.

—Qualquer tipo? — Sussurro e ele sorri ainda mais.

—Responderei a mais obvia agora, se quiser. — E vi entre as cobertas o outro moreno, recostado sobre os travesseiros. Seus olhos estavam fechados e sua expressão, pra lá de serena. Exibia um tímido sorriso, inocente até demais. — Depois que tiraram meus poderes, Alois, eu vagueei sozinho pelo mundo. Sem lembranças, amigos ou comida. Passei fome e frio por dias seguidos, sem saber quem era ou que havia acontecido comigo. Dias depois, encontrei-me com Zef e ele apiedou-se de mim e cuidou de mim.

—Quanto tempo você conviveu com Bernard?

—Dois ou três anos. — Confessou, dando de ombros ligeiramente. — É assim que descobriu a minha existência? Por ele?

—Ele se chama James agora. — Digo, embora relutante. — É meu melhor amigo.

—Entendo. — Sinto um sorriso abrir-se, sem ódio ou rancor. — Ele sempre foi um bom garoto, era bondoso demais para ter o pai que tem, acredito.

—Nisso concordamos. — Aludi.

—Meu mestre deu-me muito mais coisas do você pode imaginar. Deu-me minha vida de volta e poderes que nem sabia que poderia ter.

—Como os autômatos?

—É uma parte dele, concordo, mas não todo ele, admito.

—O que pretendem fazer conosco? — Pronunciou roucamente Wendy, com os olhos ainda vermelhos.

—Queremos trazer os seus amigos para cá. — Respondeu ele simplesmente, aproximando-se dela e mexendo em seus cabelos. Um ar melancólico tomou-o. — Você se parece com alguém que não conheci, mas que amo.

—Como?

E balançou a cabeça, com as madeixas bicolores esparramando-se em si mesmas, e relutou em dizer:

—Não queria ter de fazer isso, mas... — O brilho dourado que tomou seus olhos fez com que eu segurasse a mão da azulada, mas perto de mim agora. — São ordens e não posso desobedecê-lo.

—Porque você o ama? — Sussurrei, sem voz aparente.

—Exatamente. — Confessou e antes que eu visse algo mais que seu sorriso irônico, nem ao menos senti um forte tapa na nuca que o autômato semelhante ao meu pai deu-me.

Sting:

Nenhuma busca deu resultado.

Logo na terceira semana, estávamos tão cansados e tristes que decidimos ficar apenas em casa, como fazíamos em dias normais. A equipe principal estava reunida em volta da minha mesa e as meninas, tentando reanimar Lucy, conversavam sobre coisas de mulheres.

Tinha comigo um pergaminho antigo, com runas antigas que havia aprendido no templo do dragão, esperando receber dele alguma pista ou sabedoria, sem resultado. Hector parecia em suma, muito preocupado com Lucy e Hermione, em especial, e deixei que parte da minha preocupação para com elas fosse para ele.

Tive minha própria cota de preocupações em dias.

—Sting, está na hora de tomarmos providencias drásticas. — Mizuki disse, reparando como eu ando distraído. Deixei que o pergaminho se enrolasse em meus dedos e olhei-o nos olhos. Aquele brilho arroxeado que quase nunca se via nele, fora numa batalha, estava presente.

—O que quer que eu faça? — Elevei a voz, insatisfeito. — Não consigo acha-lo. Não importa o tipo de magia que eu use, que dragão eu tente. Não consigo.

—Deve haver uma maneira. — Insistiu.

—As chaves não respondem. — Comecei. — Não consigo usar meus poderes e por consequência, Rogue também não. Você não pode senti-lo a menos que ele tenha morrido. — Suspiro, cansado. Lucy passou os braços sobre os meus ombros, igualmente cansada. — Nenhum de nós parece útil numa situação dessas. As suas medidas drásticas podem ser perigosas, e não estamos em condições de arriscar nada.

—Sting está certo, Mizuki. — Minerva concordou e então olhou a pequena Hermione, desmaiada no sofá por tantas horas de insônia. Ryuu estava em seus braços, inerme depois de dúzias de xícaras de chá.

Olhei para a minha noiva e em seguida puxei pela mão, trouxe-a até mim. Lucy parecia ter mudado em algumas semanas. Havia algo diferente, eu sabia, mas não conseguia identificar especificamente o que era. Ela parecia muito abatida.

—Seja qual for à decisão que tomem, acatarei a ela. — Respondi por fim, levantando-me com ela em meus braços. Eu precisava dormir.

Morrer por alguns minutos e por fim, descansar.

—Não acha que devemos opinar? — Sussurrou a mim, complacente.

—Não consigo pensar em nada Lucy. — Afirmo. — Estou tão cansado de ser inútil. Não consigo encontrar meu filho, mesmo com toda a força que presumo ter. Preferiria morrer agora e tê-lo por perto a ter de passar por isso mais alguns dias.

—Você não deveria falar assim. — Rebateu com as orbes chocolates cheias de agua. — Não conseguiríamos viver sem ti, Sting. Eu não conseguiria. Nunca mais repita que vai me deixar. — Pediu, chorosa. Percebi a besteira que havia feito.

—Desculpe amor. — Sussurrei, colocando-a na cama. — Eu não consigo dormir ou pensar ou fazer outra coisa que não me culpar por tudo isso. Preciso de ajuda. Por favor, ajude-me. — Implorei, despencando na cama, semimorto. Senti suas mãos assim que comecei a soluçar.

Assim que as lagrimas começaram a cair, senti seus lábios se colarem aos meus tão recíprocos e suaves que me dei ao trabalho de soluçar e pedir perdão antes de intensificar o contato.

Ela gemeu quando tirei a minha camisa, sentando-a no meu colo. Levou seus braços até meus ombros e dali, soprou e mordeu meu pescoço.

Esqueci de coisas indispensáveis. Entreguei-me ao desespero e ao ardor que sentia por ela, por todas as vezes que desejei seu corpo e não pude satisfazer-me, que a havia perdido para uma tristeza ou lamuria.

Por favor, me faça esquecer. — Implorei, quando nossos lábios voltaram a se encontrar.

Percebi que precisava de carinho e atenção. Que me sentia solitário e vazio, um completo pedaço de nada no universo até agora.

Lucy beijou-me dessa vez, notando a minha surpresa quando ela inverteu nossas posições, levando-me a ficar sobre ela. Usas mãos deslizavam pelos meus cabelos, puxando-os levemente e fazendo com que a minha pele se arrepiasse por causa disso. Por um breve instante lembrei-me da primeira vez que nossos lábios se tocaram num momento como esse, de cru desespero.

Escutei-a sussurrar algo, mas as palavras perderam o sentido quando nossos lábios se encontraram novamente. Entrelaçados, afundamos mais um no outro, sem que nem mesmo ar separasse nossos corpos mais. Pude sorrir ao vê-la corada e arfando, depois que encerrei o contato, fazendo uma expressão ainda mais fofa ao parecer irritada.

Beijei-a sem pudor, arrastando minhas mãos em pelas suas roupas casuais, tentado a rasga-las. Porque isso parece tão errado enquanto é tão certo?

—Sting! — Chamou Rogue, com desespero na voz. Interrompendo o beijo suavemente, sem sair daquela posição, observei-o aparecer ante a minha porta até então fechada e sua expressão assustada foi suficiente para me deixar nervoso. — Rápido! — Reclama, exaltado.

Dou um ultimo beijo em Lucy antes de pular da cama e correr ao lado do moreno. Senti o poder antes de ver o que ele fazia.

Era como nos meus sonhos, aquela presença intensa de dor e desespero, que inundava meus pensamentos de coisas ruins e tenebrosas.

Venha até mim, se o deseja de volta. Você sabe quem sou, sente-me e viu-me em outras memorias.

Traga-me sua guilda, Sting Eucliffe e lute ao lado de seu irmão e da parceira dele e da sua. Mostre-me que a dor tem sentido em sua força e assim, caso sobreviva, o darei de volta, quase ileso.

Já lhe dei provas, não é? Eu mesmo ataquei sua namorada, meu caro e não gosto de ser passado para trás. Alois não vai gostar de tais atos seus.

Então, apresse-se. Você tem quatro dias para me encontrar.

Sei que você tem um bom rastreador ao seu lado.

Até lá”

Olhei Rogue e Hector, ambos chocados. Vi, pelo canto do olho, Minerva subir, possivelmente até Lucy e então desabei numa cadeira, com as mãos na cabeça. Levar toda a Sabertooth incluía Charlotti, Lily e Yukio, que não tinham nada a ver com a historia e possivelmente poderia se ferir gravemente.

Nesse instante, Shiro e Kuro entraram, reclamando do frio e do silencio. Ethan estava com eles, o seu cheiro destacando-se no dos dois amantes.

—Sting? — Chamou o albino, receoso. — O que houve? Vocês parecem ter visto um fantasma.

—Ou coisa pior. — Deduziram o moreno e o medico juntos.

—O que houve? — Insistiu o mais novo, com audácia.

—Leia. — Respondi, com extremo cansaço. O mundo pesou um pouco mais quando a discussão começou na mesa.

Meus olhos se perderam na janela, incomodados com algo. James estava da mesma maneira, percebi e ambos levantamos juntos, sem uma única palavra. Enquanto o moreno caminhava, corri sentindo a magia familiar próxima.

—Alois? — Chamei, notando como o moreno parecia à beira das lagrimas. Alguns flocos de neve caíram nesse mesmo instante, suaves como um beijo. — Estou indo te buscar, filho. Só... Aguente mais um pouco, está bem? — Falo, vendo como James soluça dolorosamente.

—Ele... Não consigo senti-lo tio! É como se alguém tivesse desfeito a conexão, como se ele estivesse...

—James, se algo realmente tivesse acontecido com ele, os sequestradores não se dariam ao trabalho de nós levar até eles. Tenho certeza que o doparam.

—Porque?

—Sentiu isso? — Disse a ele, estendendo minhas mãos ao ar, onde os últimos resquícios da magia dele desapareciam. — É algo que se faz durante o sono. Uma forma de autoproteção que ensinei a ele logo que começamos a treinar. Ele está bem, diz-me, mas não consegue fazer mais que isso. — Aproximei-me dele, colocando a mão sobre seus cabelos negros e acariciando-os.

Uma brisa fria passou por nós dois, congelando-nos lentamente:

—Você vai fazer todo o possível para trazê-lo de volta, não vai?

—É possível que sim.

—Mesmo que isso signifique enfrentar Radios? — Murmurou. — Na pior das hipóteses.

—Sim. — Confidenciei. — Acha que eu deveria contar a verdade ao seu pai antes de irmos? Não sei se voltarei vivo dessa batalha.

—Isso é loucura! Como pode pensar em não voltar?! — Resmungou ele.

—Deixa-los em segurança e voltar para casa são coisas bem diferentes Jay. Estarei satisfeito se a primeira for cumprida.

—Tio... Isso...

—Se você pudesse ver o que tenho visto, entender-me-ia. — Voltei-me para o balanço ao lado e caminhei calmamente até ele. Vi o deus negro seguir-me com os olhos e chamei-o com a mão, confortável no brinquedo que antes era do seu melhor amigo. — Preciso que você e prometa que, não imporá o que aconteça, não irá intervir na batalha.

—Mas e se...

—Jure então. — Pedi, suspirando — Não importa o que faça comigo ou com os outros. Não interfira.

—Eu juro. — Grunhiu, contrariado.

—Agora, tenho mais uma missão para você.

—Mais uma o que? — E ele estremeceu visivelmente depois de uma baforada de vento frio e do meu sorriso.

Minerva:

Essas ultimas semanas foram duras para todos. Minha pequena Hermione tem estado com insônia permanente desde então, como também Sting. Lucy anda dormindo apenas porque Hector tem ordenado isso, mesmo que o dragão branco tenha ficado morrendo de ciúmes por causa da estranha aproximação que eles andam tendo.

Reparei isso logo nos primeiros dias e briguei com Hector, quando ele se permitiu sair de perto dela, uma semana e meia depois. Ele ficou bastante irritado por eu ter cogitado a ideia dele me trair e disse, sem meias palavras, que eu deveria estar agradecida por cuidar da minha melhor amiga num momento delicado desses. E quando eu questionei a delicadeza da situação simplesmente completou que ela estava gravida e que qualquer ajuda já faria Sting ficar menos enciumado.

Obviamente eu o amei mais por isso, porque ele se importou com alguém importante para mim, sem que eu precisasse pedir ou algo do tipo. Até me disse depois que aquela criança seria nossa afilhada.

Todos têm andando tão focados em procurar Alois em todos os cantos que não notam as mudanças sutis que andam acontecendo com Lucy. Seus olhos parecem ter ganhado mais vida e seus sorrisos, mínimos, são mais puros. Ela, sem perceber, acaricia a barriga e às vezes, conversa com o pequeno, quando está muito nervosa pela demora do noivo.

A maga celestial explicou-me o que Sting havia dito e como aquilo a assustava, agora que gerava o bebe. Isso me afligiu mais que o fato do loiro não ter sentido o bebe e eu, nunca em minha vida, havia sentido tamanha amabilidade vinda de um ser ou tanto poder numa coisa tão pequenina. Lucy acredita que deva estar beira das semanas, apenas. Isso me assustou ainda mais, na verdade.

A carta surpresa do sequestrador me assustou e decidi tentar contar a noticia à Lucy, a fim de instrui-la a convencer Sting de que precisamos trocar de lugar.

Ela escutou silenciosamente cada uma das minhas palavras e quando propus trocarmos de lugar percebi uma sombra de bondade se passar pelos seus olhos:

—Não, Mi-chan. Não posso deixa-lo dessa maneira.

—Lucy! Isso é loucura! — Insisti, magoada.

—Sei que isso vai te magoar, mas o machucaria ainda mais. — Respondeu, convidando-me para sentar ao seu lado. — Se o amo, devo ficar ao seu lado, não importa no que seja.

—Mas não deve arriscar a vida de vocês dois por isso! — Rebati, enraivecida. — Hector não permitirá isso, tampouco eu! E se ele insistir, eu mesma contarei, você querendo ou não.

—Sei que vocês dois estão preocupados e agradeço isso, de coração. Mas não pude ser útil nas buscas de informações ou nada do tipo. Só pude ficar em casa, como se um grande mal pudesse me abater subitamente. — Ia interromper, mas ela frisou, calmamente. — Não quero que me protejam mais que isso, porque está me sufocando! E se algo acontecer a Alois por negligencia minha, jamais poderei me perdoar, como também a Sting. É o meu dever ficar ao lado deles e protegê-los, com meu sangue se for preciso.

—Isso é loucura, Lucy. — Repito. — Se metade das coisas que Sting disse a você forem verdade, não acredito que tenha força ou imunidade o suficiente para aguentar uma batalha e, acredite em mim, as dores serão indescritíveis! Terríveis do momento em que tentar usar magia, ao momento que parar de usa-la, de cansaço.

—Como sabe de tudo isso? — Inquiriu, desconfiada.

Olhei-a nos olhos e suspirei, com a dor voltando lentamente com súbitas facadas de consciência:

—Estava gravida durante o torneio. — Confessei, para seu choque. Percebi que Sting havia omitido essa informação dela. — Lutei e perdi o bebe num mesmo dia. Dois dias depois, perdi o outro.

—Deus! Eram gêmeos! — Ela choramingou. Senti que ela ficou muito mais preocupada nesse instante.

—Você tem que avisar o Sting. Precisa. — Implorei.

—Eu já tentei. — Falou, com lagrimas nos olhos — Não posso suportar a ideia de perder Alois por uma falha minha.

—Não é falha!

Rogue bateu na porta antes que entrar, e nesse meio tempo, escutei os primeiros soluços da loira, que parecia ter compreendido algo que jamais nos falaria:

—Tudo bem? — Adentrou o quarto, ligeiramente preocupado com a cunhada. Virou-se para chamar ajuda, mas como eu, sentiu a forte energia do dragão branco o interromper. Ele entrou no quarto sem fazer sons, mas seu poder abalava as janelas e ressoava em todos os cantos sem que ele se incomodasse muito. Veio até Lucy e segurou sua mão, para depois aperta-la em seus braços quando ela se jogou neles, assustada.

Seus olhos azuis estavam opacos, sem vida, e sua postura parecia dolorida. Não estava majestoso, como antes, apenas... Humano e cansado.

Shii... — Murmurou, carinhosamente. Seus cabelos loiros misturavam-se com os de Lucy. Vi-o enxugar as primeiras lagrimas dela quando saia do quarto. — Tudo bem, meu amor. — Escutei-o dizer, quando fechei a porta. — Eu darei um jeito nisso.

Sting:

Vê-la chorar foi a pior coisa que poderia ter acontecido. Sei o quanto ela é forte e quanto esconde as lagrimas por pensar que elas a fazem fraca. Sei que ela chegou a mesma conclusão que cheguei.

—Lucy, Minerva te contou não é? — Ela assentiu, soluçando um pouco mais.

—Estou com medo, Sting. — Confessou, apavorada. — Aqueles sonhos... Tudo... Vai acontecer não vai?

—Não permitirei que ninguém se machuque, meu amor. Prometo-te isso. — Mais lagrimas caem, independente de minhas palavras. — Escute, Alois está bem.

—Como você sabe disso?

—Ele tentou se comunicar conosco, mas parece fraco demais para isso.

—É tudo culpa nossa, não é? — Soluçou.

—Minha, na verdade. — Suspirei, tentando deixa-la menos apavorada. — São as minhas falhas que a machucam. Se tivesse feito algo antes, se tivesse procurado mais pelo nosso agressor nada disso teria acontecido.

—Mas não estava em condições de fazê-lo.

—E quando tive, ignorei-as. — Seus soluços ficaram mais forte e convictos dessa vez. — Eu vou arrumar essa bagunça e trarei nosso filho para casa. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para isso, tenha certeza!

—Você não percebe que é isso que me preocupa. — Murmurou, encolhendo-se novamente em meus braços, choramingando sem parar. — Preciso que me prometa que não fará nada absurdo.

—Não posso fazer isso. — Sussurro, sem querer assusta-la mais. — Posso prometer não correr muitos riscos e deixa-la a salvo. Mais que isso...

Nos deixar a salvo. — Completou, ainda entre diminutos soluços.

—Nos deixar a salvo. — Repito e a coloco sobre meu peito, tentando acalma-la e nina-la.

Lucy adormeceu depois de duas longas horas. Antes disso, consegui convencê-la a tomar um banho e comer algo, coisas que fiz de má vontade quando ela fez a mesma chantagem comigo. Eu a cobri e vi, suspirando cansadamente, Ryuu e Lecter se aproximarem.

—O que houve, Sting-kun? — Perguntou o gato de pelos rubis. Desviei o olhar e joguei a cabeça para trás, sentindo-me febril por alguns instantes.

—Já sabem da mensagem?

Quando ambos assentiram peguei-os em meu colo. Ryuu, quieto, chorava mais do que o normal e Lecter continuou silencioso e inquisidor:

—Vou resolver isso. — Prometi mais uma vez. — Agora vão descansar.

—Mas papai...!

—Logo estarei de volta. — Garanti acariciando os pelos de ambos. — Cuidem da mamãe. Tudo bem?

—Não! — Responderam em uníssono.

—Por favor, não façam isso ficar mais difícil do que já para mim. — Gemo.

—Desculpe, papai. — O menor disse, soluçando.

—Queremos ajuda-los, Sting-kun!

—Eu os amo com todas as minhas forças, Lec e Ryuu. É a única vez que lhes peço algo e pode ser a ultima. Acalmem a mamãe se ela acordar e eu não estiver aqui, tudo bem? — Pedi, pegando as chaves disfarçadamente.

—Pode deixar, Sting-kun. — Meu amigo peludinho disse, abraçando-me com força. — Sabemos que você o trará de volta.

—Obrigado pela confiança, pessoal. — Acomodei-os na cama, beijando a cabeça de cada um deles. — Amo vocês.

—Nós também te amamos, papai. — Sussurrou num choramingo Ryuu, aconchegando-se nos braços da loira.

Saí do quarto e encostei as chaves ao meu peito, fraco:

—Preciso de ajuda. — Sussurrei a chave do espirito imperial do dragão. — Por favor...

E um instante depois vi-me numa sala do trono, onde todos os ditos reis estavam reunidos.

—Vejam. O rei dragão veio fazer-nos uma visita. — A rainha das aguas, Mouse, disse com leve escarnio.

—E também fazer um pedido.

—Pedido? — Tyler pronunciou e consegui dar um sorriso cansado.

Lucy:

Acordei dolorida e com Sting entre meus braços. Ele parecia muito cansado e abatido, como se carregasse o mundo nos ombros e estivesse cada vez mais difícil suportar.

Talvez ele carregue mesmo.

Acariciei seus cabelos, notando como estavam mais longos e como ele tendia a não corta-los mais. Davam-lhe um olhar serio e matreiro, usual. Combinavam com sua armadura e coroa, mas também lhe davam um ar mais velho e superior quando caiam em seus olhos e o irritavam.

Preciso ser forte e ajuda-lo. Preciso ser a antiga Lucy durona novamente:

—Hey, Sting? — Sussurrei. O relógio marcava seis horas da manhã. Assim que chamei vi alguém sentado numa poltrona, bem de frente para nós dois. Emudeci ao ver Tyler sorrir e pedir silêncio. Quando saí do choque, mirei um travesseiro em sua cabeça.

—Bom dia. — Sorriu ainda mais largamente o tigre imperial. — Venha comigo, Lucy. Tenho certeza que Sting não aguenta mais fingir que está dormindo. — Gracejou e vi o loiro de olhos abertos, mirando-o irritado.

—Muito engraçado. — Rebateu, enterrando a cabeça nos travesseiros.

—Porque tenho de ir? — Indaguei, segurando a mão do meu primeiro rei e companheiro.

—Porque o noivo não deve ver a noiva no dia do casamento! — Respondeu Mouse, animada. Estava já no mundo dos espíritos.

—Vamos ajuda-la a se arrumar! — Disse Aries, com vários vestidos num cabide. — Alias, Tyler-kun, você também tem que ir ajudar Sting-kun! Vá!

—Mas eu...!

—Ty, vamos resolver as coisas por aqui. — Rachel falou, quando ele ia rebater. — Pode ir.

—Certo. — E desapareceu, enquanto caminhava para longe de nós.

—Bem! — Falei alto o bastante para todas elas me darem atenção. — O que está acontecendo aqui?!

—Bem, você não está noiva? — Aquarius indagou e assenti, levemente. — Não é quando que se está noiva que se casa?

—Casar? Me casar? Agora?

—Ele não te disse nada? — Mouse perguntou, apoiada em meu ombro. Neguei rindo:

—É bem o estilo dele. — Confessei. — O que vocês tem em mente para mim?

—Acredite, — Aries disse rindo, jogando em mim os vestidos brancos. — não fazemos a menor ideia.

Sting:

—Serio, você não está nervoso? — Tyler indagou, com divertimento. Estava deitado na minha cama e remexia nos travesseiros, entediado.

—Não. Eu só... — Vi Daniel sentado na ponta da cama e suspirei. — Olá.

—Você parece melhor que antes, Sting. Mais animado, pelo menos.

—Eu vou me casar, não é como se...

—Fosse se casar. — Disse o espirito do cavalo, Reiji. Liko estava ao seu lado, com a expressão curiosa. — Antes que pergunte todos fomos expulsos de nossos castelos. Coisa de meninas, disseram. Como se eu fosse atrapalhar.

Reiji. — Sussurrou o albino, irritado.

—Discussão de casal, ai vamos nós. — Murmurou Tyler a Dan, que sorriu.

—Olha aqui... — E parou, quando passei por ele e fui até a janela. — Espera ai! Você não está pensando em usar essa roupa não é?

Mirei o meu terno branco com a minha gravara normal e cinza. Não vi nada de tão ruim naquilo.

—Acha mesmo que deixarei você se casar dessa maneira com a maga celestial mais poderosa de todos os tempos? — Crispou ele, levando os outros a rirem.

Dessa vez, ele tem razão. — Daniel concordou e vi Tyler gargalhar.

—O que vão fazer comigo?

—A pergunta certa seria... — Comentou Lyko, jogado na poltrona — O que ele não vai fazer com você.

Stan:

Ver os dois entubados foi uma doce ironia para Zeref. Seus olhos brilhavam e ele ria, animado.

Observei-o alguns passos atrás, sem qualquer reação. Observei-o vir até mim e pronunciar palavras que não faziam sentido. Coisas que ignorei.

—O que houve com você? — Perguntou — Arrependeu-se das suas escolhas?

Mirei-o com estupor e virei-me de costas, caminhando lentamente para fora daquele buraco escuro e remoto que ele insiste em chamar de cômodo. Pelo caminho, despi a camisa e os sapatos, incômodos, sendo que seus passos seguiam-me onde quer que eu fosse. Cheguei ao quarto já escutando sua voz chamar-me, impaciente, enquanto eu tirava o cinto e a calça de uma só vez.

O banheiro ficava acoplado ao quarto e me tranquei nele, totalmente despido. A porta de madeira foi esmurrada, mas ignorei:

—Radios!

—Vá para o inferno! — Disse de volta, entrando na banheira gigantesca que ali havia. A agua fria arrepiou a minha pele, mas novamente ignorei as sensações conturbadas do meu corpo recém-desperto.

Imerso por completo na agua fria e cristalina, ignorei as batidas que faziam o liquido tremer e inundei meus pensamentos com coisas inacabadas e ruins. Deixei que o ar faltasse aos meus pulmões e engoli a agua em vez de ar.

Só então senti a onda de poder se apossar de mim.

Num estalo de dedos, toda a agua desapareceu e as batidas finalmente cessaram e o moreno entrou no cômodo. Estava com a expressão mais satisfeita que eu vi em dias.

—Então você despertou, finalmente. — Zef disse, notando a minha expressão neutra. — Há muito tempo esteve adormecido, meu querido.

—Eu sei. — Respondi, levantando-me sem mínimo pudor. — Temos mais dois dias livres. O que você deseja fazer mesmo?

O que você acha que eu desejo fazer?

Sting:

—Eu juro por tudo que é sagrado Reiji se a Lucy rir de mim darei a maior surra de todos os tempo em você. — Resmunguei, enquanto saia da casa pela janela. Os ornamentos que ele fizera para mim a partir das roupas de Dan estavam me incomodando um pouco. Eu me senti um pequeno boneco nas mãos de uma menininha engraçadinha e malvada. — Isso pinica!

—Por favor, pare de ser tão infantil. — Disse ele, caminhando na neve com um casaco negro elegante e sem muitos enfeites. — Um rei deve parecer real de vez em quando.

—Eu não...

—Escute, você só está nervoso. É normal. — Daniel disse. Parecia que era o único que me escutava no meio daquela bagunça. Estava com um terno inteiramente negro, mas deixou recair sobre si alguns dos ornamentos obrigatórios do espirito do cavalo. A capa vermelha com bordados de dragões voando e cuspindo fogo até me deixou mais confortável com a minha coroa e o brasão que me foi instituído de ultimo momento. — Acredito que Lucy vai estar deslumbrante.

—Acredito que esteja. — Murmurei.

Olhei ao redor.

Lyko estava sentado no balanço, com um livro pequeno de couro, distraído. Usava um conjunto de terno carmesim e calça creme, com uma capa negra e uma coroa da mesma cor nos cabelos esbranquiçados. Tyler afinava um violino delicadamente, com a coroa de flores azuis nos cabelos e as roupas do mesmo da neve para completar, com os detalhes no mesmo tom das flores.

—Isso não é um Ré, Tyler. — Avisou o outro no balanço. Deixou o livro ali e pegou o instrumento do outro, levemente e o afinou como bem queria, tocando uma musica suave e triste. — Isso é uma nota correta.

—Obrigado. — Ele respondeu, com súbita ironia. — Demorou até para você vir pega-lo de mim.

—Estava me matando por dentro. — Ri disso, notando como o ruivo acompanhava a melodia do albino com os lábios, cantarolando as notas suavemente, numa harmonia digna de deuses. — Vamos Reiji, onde está aquele seu agudo perfeito? — Incentivou.

O som deles dois juntos fez meus pelos se arrepiarem e a tortura de esperar mais alguns minutos me assolou novamente, fazendo com que eu ficasse ainda mais inquieto com aqueles adornos malditos.

Tyler e Daniel passaram a conversar longe, perto da porta e reparei que eles olhavam para dentro incessantemente.

Foi quando senti um cheiro diferente, algo que nunca tinha sentido antes. Uma essência de flores que nunca antes tinham se mistura perto de mim:

—Dan vai uni-los, como fez com os antepassados da Lucy, Layla e Regulus. — A voz de Lyko era suave enquanto ele fazia um acorde diminuto para suavizar o meu súbito tremor nas mãos.

—Vamos lá, Sting. Você já enfrentou o Tyler! Não vai desmaiar agora. — Gracejou Reiji, quando o moreno vinha até mim.

—Preparado? — O espirito do dragão perguntou e apenas mexi a cabeça, afirmando. Respirei fundo, o coração agitado como nunca antes.

—Não.

—Já basta. Vocês dois. — E virou-se para os parceiros cavalo e serpente. — Toquem a musica que tocaram para Layla, ok? — Eles assentiram e vi um violino nas mãos do ruivo também.

No quintal cheio de neve, o eco dos violinos ganhou volume perto das arvores, uma delicada melodia apreciada até pelos animais adormecidos. Virei-me de costas para a porta, respirando fundo: duas, três, quatro vezes. Sinto que estou sendo levado pelas lembranças dessas pessoas, vendo coisas num passado distante.

Vejo um jardim salpicado de flores que parecem cor de ouro. Todos os bancos estão espalhados fora do castelo, que se projeta ao fundo do belo jardim. Vejo os parceiros violinistas juntos e sentados, cada um com o seu sorriso satisfeito, noto como parecem apaixonados também. Vejo Tyler de braços dados com uma moça muito mais nova que ele, quase sua gêmea e o sorriso que ele dá quando ela ralha com ele por algo. Daniel está ao longe, além das flores e das pessoas, mirando o céu infinito e sem nuvens, com a futura Aries ao seu lado, sentada no chão sem se importar com o vestido.

Todos eles parecem tão humanos e não noto, logo de cara, Leo. Ele fala algo com os músicos e estes se preparam, para que só então eu veja Regulus. Era tão alto quanto eu, com os mesmos cabelos loiros e os olhos azuis. A musica dele fazia toda a plateia estremecer, tamanha magnitude, mas ele parecia nervoso e consegui notar que ele não havia dormido muito.

Layla entrou em seguida, com a musica que era tocada para mim nesse instante. Quem a trás é um velho senhor grisalho, com uma coroa muito mais simples que a do futuro esposo dela. Ela é a minha Lucy em outra era. Por gerações, nenhum traço se perdeu.

Volto ao jardim nevado e a melodia parecia continuar da mesma maneira. Olhei a expressão surpresa de Dan e os sorrisos refinados dos músicos. Vi as outras duas rainhas ao lado, ambas com buques azuis. Respirei fundo novamente, tentando não esquecer nada do que tinha de dizer a ela.

Foi quando senti sua mão puxar a minha. Virei-me assustado e vi uma mulher loira de olhos castanhos sorrir para mim, num vestido justo e levemente volumoso, tradicional. O corpete era totalmente bordado com diamantes, acredito e eles sobem até os ombros, sem parecer decotado. O véu caía delicadamente ante seus ombros e vi pequenas flores bordadas nele, extremamente delicadas.

Não consegui olha-la nos olhos num primeiro momento. Atendi Tyler e o abracei, notando que ele queria me dizer algo:

—Cuide bem dela. — Sussurrou e assenti, dando tapas fortes em suas costas.

E virei-me para tentar vê-la novamente. Levantei o véu com extrema delicadeza, e vi a suavidade e harmonia do seu rosto, tão belo sem muitos enfeites. Seus olhos brilhavam com súbitas lagrimas e beijei sua bochecha, sentindo as minhas lagrimas virem também.

Nós dois sabíamos o porquê disso.

—Você é mesmo Sting Eucliffe? — Sussurrou, no meu ouvido quando a abracei. Ri disso e ela acompanhou-me, sem parecer notar a minha tremedeira.

—Vocês dois são mesmo duas crianças. — Ralhou Daniel, encantado. Entrelaçamos nossos dedos e miramo-lo, decididos e prontos. — Acredito vocês dois já foram devidamente instruídos de como vou proceder.

—Estamos. — Respondemos em uníssono.

—Ótimo. — A musica baixou, mas continuou tocando. — Eu, espirito dos dragões, represento nossos irmãos antepassados e desejo unir, numa união sagrada, esse dragão e essa maga celestial, aqui presentes. Por eras, o casamento de dois magos com magia semelhante foi proibido, mas agora não há mais barreiras a serem superadas, a não ser os obstáculos que eles mesmos decidem enfrentar. — A neve começou a cair novamente, em nuance com a melodia. — Alguns séculos atrás, uni dois jovens como vocês, rei e rainha. Eles se amavam, porém não chegam nem perto do amor que você, Lucy, e você, Sting, sentem um pelo outro. É por isso que... Eu não temo por nenhum mal que venha contra essa união.

Olhei a maga celestial ao meu lado e desejei que nossos amigos pudessem ver isso, todavia, senti que precisava fazer isso por nós dois. Que eu me culparia eternamente se algo nos acontecesse e pelo menos, não estivéssemos realmente unidos.

—Vocês dois se uniram por mero acaso do destino. — Começou o moreno, seus longos cabelos negros bagunçados pelo vento. — E eu, como companheiro de ambos, termino de uni-los, desde agora até todo o sempre.

Viro-me de frente para a loira, respirando fundo mais uma vez:

—Lucy...

—Espere! — Tyler interrompe, com fervor. — Esqueceram-se disso. — Anunciou, entregando a cada um de nós uma pequena caixa de veludo. Arqueei a sobrancelha, desconfiado, mas aceitei a minha rapidamente, notando como Lucy parecia sorrir ainda mais com esse gesto.

Abro e vejo um anel pequeno e delicado, com uma pedra azul brilhante no centro, simples e adorável. Sorrio satisfeito e miro os olhos petrificados e encantados da minha futura esposa, brilhantes e amáveis, que refinavam ainda mais sua expressão jovial e doce. Abaixo a cabeça em leve agradecimento aos espíritos e recebo sorrisos e incentivos mudos em troca, coisas que nunca esperaria.

A brisa fria passa novamente pelo jardim, movendo as poucas folhas nas arvores e levantando o cheiro naturalmente aromático da floresta. Entrelacei meus dedos aos da loira e obtive sua atenção, agora igualmente calma. Inclinei-me um pouco para ela e beijei levemente seu rosto, tentando não desfazer esse momento agradável e natural.

—Sabe que isso tudo é por você, não sabe? — Sussurro, deixando minha voz embargar no desejo e na felicidade. —Que nós todos amamos você até mais do que deveríamos. Que eu te amo mais que deveria. Eu daria o mundo para você Lucy, se isso a fizesse feliz; enfrentaria quaisquer coisas e qualquer um para salva-la, não importando se minha vida corre ou não risco. — Respiro fundo, tentando não atropelar as palavras. — Entregaria minha alma para salva-la. Meu sangue para deixa-la mais forte. Faria o impossível virar possível em minhas mãos. — Acaricio seu rosto, tirando um pequeno floco de neve que se estalara ali. — Quero passar o resto dos meus dias ao seu lado. Quero estar ao seu lado quando mais ninguém estiver. Quando nada mais fizer sentido, além de nós dois. Quero... Quero ser seu, Lucy Heartphilia. Para todo e todo sempre, seu.

Oh! — Fizeram as duas rainhas, atrás de nós. Fecho os olhos, sentindo o meu rosto queimar e o toque das mãos frias da loira no meu pescoço, quando, ao abrir os olhos, surpreendido, sinto-a puxar-me para um beijo. Apenas o leve roçar de nossos lábios um no outro.

—Não entendo como você faz isso. — Escuto sua voz sussurrar, meio embargada pelo sua vontade de chorar.

—Eu faria coisas muito mais complicadas se isso significasse te ver sorrindo. — Confessei, com as bochechas corando novamente. Deixo a caixa de veludo cair na neve quando puxo seus corpo para perto. — Eu te amo. — Sussurro, apenas para ela. — Amo-te mais que a lua ama o sol. Mais do que Urano ama Gaia. Mais do que... Consigo colocar em palavras e gestos, em beijos e abraços. Muito mais que isso.

Ela fecha os olhos, contendo as lagrimas emocionadas e deito meu rosto na curva de seu pescoço, aspirando seu novo perfume. Soluçando, esta me tira dali, pronta para falar.

—Você é um idiota por me fazer chorar no nosso casamento. — Ela soluça doloridamente e a abraço, com força. Concordo com sussurros e sendo que a loira continua. —Mas é o meu idiota. Não entendo como consegue vir e de uma hora para outra preencher tudo que estava vazio em mim, como se tornou o que eu mais queria e precisava. Eu nunca consegui realmente acreditar em amor verdadeiro até que entrou na minha vida, Eucliffe, e como minha mãe garantia, apenas um seria tudo o que eu precisava. — Respirando mais fundo, continuou. — Ela era muito sábia, sabia? Geralmente me dizia que se algo acontecesse a ela, alguma hora alguém apareceria para cuidar de mim melhor que ela. Que seria a rainha e a princesinha dessa pessoa, completos um para o outro como jamais se lia nas historias. — Uma lágrima tímida escorreu pelos seus cílios perfeitos e contive um soluço. —Não acho que exista outra razão para eu estar viva que não seja ficar ao seu lado. E morrer ao seu lado não me parece tão ruim também... — Sussurra.

—Lucy...

—Porque a única certeza que tenho é a do nosso amor. Então... Por favor, continue amando-me como ama. Continue fazendo-me essencial para ti. Continue sendo quem é... — Eu a paro, com um beijo.

Puxo sua cintura para mais perto e a ergo em meus braços, para que não precise me abaixar e perder nenhum segundo desse contato. A Heartphilia agarra meus cabelos e parece ter a mesma urgência que tenho, o desespero das confissões. Penso que jamais serei mais feliz que esse dia e gravo na memoria cada mínimo detalhe dele, que logo vai se desvanecer.

—Eu te amo. — Falamos, roucos, em uníssono. Seu rosto estava na altura do meu, os olhos brilhantes como nunca antes.

—Isso realmente foi bonito. — Escuto Tyler dizer baixinho quando coloco a minha futura esposa novamente no chão. Pego a caixinha de veludo da neve e abro-a, puxando a mão dela.

—Vocês sabem que esses anéis equivalem a um compromisso a nível supremo não? — Gracejou Mouse quando deixei de hesitar.

—Não há nada maior que meu amor por ela. — Exclamo colocando o anel em seu dedo anelar, beijando sua mão em seguida. — Recebe isto em sinal do meu amor, da minha paciência e da minha fidelidade.

Oh Sting! — Ela riu, corando novamente. Tyler fez o favor de abaixar-se e pegar a dela. —Não é só um anel. — Ela diz, por fim, mirando a pedra rubi com amabilidade. — É um anel igual ao que meu pai usava. Sei que ele ficaria feliz de me ver contigo.

Pronto. Você conseguiu.

As lagrimas caem desesperadamente dos meus olhos e desejo ardentemente que nossos familiares mortos estivessem aqui, para ver a nossa união. Meu pai, Weisslogia, minha irmã e minha mãe que jamais conheci, como também os pais falecidos da minha amada. Queria que eles abençoassem nosso futuro e nos instruíssem em como proceder.

—Eu queria que eles estivessem aqui. — Murmuro, quando ela coloca o anel em mim.

—Recebe este anel, em sinal da união das nossas famílias, das nossas almas e do nosso futuro. — Suspira a sua voz, doce e carente. — E eles estão aqui, amor. Seu pai e sua irmã sempre estarão com você, estão olhando por você onde quer que estejam. — Acalma-me e limpa as minhas lagrimas.

—Às vezes acredito que eles te mandaram para mim. Para me fazer feliz sem que estejam aqui. — Expliquei, entrelaçando nossos dedos — E eu posso estar certo.

—Realmente, acho que está. — A maga celestial sorri.

Toco seu rosto e noto como ela sorri, contendo as lagrimas que não segurei. Inclino-me e a beijo, suavemente, entrelaçando a minha ultima parte humana a ela e deixando que meus instintos de dragão fiquem mais fortes.

—Agora venham. — Dan interrompe, bruscamente. Paro o contato suave e displicentemente e miro-o, inquisidor. — A ultima parte da cerimonia não pode ser feita aqui.

—Ah. — Exclamo totalmente esquecido.

—E também, temos algumas coisinhas a explicar, agora que não podem mais voltar a trás com isso. — O loiro ao seu lado diz, rindo da expressão enjoada da sua mestra.

—Porque acho que não vamos gostar disso? — Perguntou-me ela e rio, alegre demais para desanima-la.

—Eu te protejo Sra. Eucliffe. — Disse em seu ouvido baixinho. Ela corou com isso, sorrindo.

—Assim espero. — Aperto mais seus dedos contra os meus e logo estamos no mundo celestial, onde a festa parece apenas começar.

Notas finais
Bem, sinto por ter extrapolado no tamanho, mas era necessário. Por favor, me informem os meus erros, porque na atual condição do meu computador, pude corrigir o que deu e não tudo o que eu gostaria. Finalmente, quero agradecer a todos os leitores que direta ou indiretamente contribuirão para que eu me motivasse a postar esse capítulo: Especialmente Milo Rocha ( Oi!), Priscila Guerrero, Lare e a LunaR, que estão sempre por aqui, volta e meia as minhas demoras. Dedico esse capítulo a você que já comentou, e que eu esqueci de citar e a você também que lê, fantasminha. Finalmente, se você está com alguma dúvida sobre a fic, por favor, sinta-se a vontade de me mandar uma MP ou até mesmo um review em qualquer que seja o capítulo que alegremente o responderei - dando ou não spoillers da trama- seja você um leitor fantasminha ou não. Não me importarei de responder. Bem! É só isso. O que foi mais surpreendente nesse capítulo? O que mais chocou? Amy B
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.