Shatter Me

21 Estilhaço de Compreensão I


Notas iniciais
HAPPY NEW YEAR! Desculpe a demora! Esse capítulo está sendo planejado para ser postado à muito tempo, mas o destino não anda ajudando. BEEEEMMM. Hoje é dia de ENEM, então me desejem sorte. Boa leitura.

Lucy:

—Obrigado por me trazer de volta. — Digo ao tigre que sorri calorosamente.

—Bá! Era minha obrigação depois de sequestra-la e deixar todo mundo morrendo de preocupação.

—Falando em morrer de preocupação, Ty, cadê o Dan?

Percebi que ele estava prestes a mentir para mim pela maneira que olhou tudo a sua volta.

—Não adianta tentar mentir pra você, não é? — Riu ele, esfregando os cabelos.

—Não. Desembucha.

—É só que...

—Finalmente chegaram. — A voz de Sting é calma e Tyler, salvo pelo gongo, se despede.

—Até. — Diz e desaparece.

—Mentiroso de uma figa! Vou ficar um ano sem usar a sua chave, Tyler! — Resmunguei.

Só então voltei a minha atenção ao loiro que, distraidamente, balançava no balanço que ele mesmo havia feito para as crianças. Não ia muito longe do chão e não ligava, tampouco, para isso. Estava se distraindo.

—O que está fazendo aqui fora? — Consigo perguntar, apertando o casaco que tinha ganhado no mundo dos espíritos.

—Levei Lisanna até o trem e não tive a menor vontade de entrar e escutar as vozes lamentosas das fadas pedindo explicações.

—Pode explicar a mim, pelo menos, o que o fez agir assim?

—Ah sim, claro. — E parou o balanço. — Quer? Já me cansei dele.

Fui até lá, interessada nas suas palavras.

—Bem. Quer saber exatamente porque fiz isso?

—Sim.

Ele esperou que estivesse bem firme e deu um empurrão firme em mim. Esperei que explicasse:

—Lisanna acabou lembrando o meu antigo eu. — Justificou e não pude ver seus olhos. — Aquele ser decadente e sem expectativas. Perdido como um passarinho de asa quebrada.

—E então você a ajudou?

—Apesar de tudo o que já aconteceu? Claro. — Virei e mesmo com o cabelo levado pelo vento da balançada, pude ver seu sorriso. — Eu me sinto tão bem Lucy.

—É nisso que dá fazer coisas altruístas. — Sugiro e ele ri, por sua vez.

—Ei? Está com ciúmes? — Indaga este, parando-me e se abaixando para ficar na minha altura.

—Estou é? — Eu seguro seu rosto e beijou-o como tive vontade de fazer quando ele saiu do quarto daquela maneira perturbada. Este loiro cafajeste simplesmente retribui, levantando-me do balanço e rindo enquanto eu me segurava em seus ombros.

—Com ou sem ciúmes, isso é ótimo Lu. — Suspira ele.

—Vamos entrar? Estou morta de frio! — Espirro e ele simplesmente gargalha disso. Já que estou em seu colo, soco seu peito para que ele pare.

Como se fosse machuca-lo.

—Acho que você não sentiria muito mais frio perto de mim.

—Palhaço!

—Sabe o que estou lembrando Lucy? Naquela época em que a gente não se suportava. Em que eu era metido e que você era chatinha, sabe? Ou quando a gente negava que sentia algo um pelo outro.

—Não que você tenha ficado muito humilde, ultimamente.

Seus olhos azuis faiscaram em desafio.

—E alguém anda ficando muito prepotente, desde então.

Rimos disso e finalmente vou ao chão, onde o encaro:

—O que foi?

—Que tal um pouco de musica quando entrarmos? Faz tempo que não fazemos nada... Divertido. — Sugeriu ele.

—Se você colocar para tocar Trouble Maker juro que chuto até a morte. — Resmungo, tremendo e vejo um certo loiro gargalhar animadamente.

—Não. — Disse, passando seus braços sobre a minha cintura. — Pensei em algo mais calmo e gostoso.

Eu arqueei as sobrancelhas:

—Desde quando você ficou romântico?

—Desde que pensei que nunca mais pudéssemos fazer nada a não ser viver na cama. — Gracejou ele e me senti mal por ter perguntado.

—Está tudo bem agora. — Digo a ele na porta, fazendo o mesmo assentir. Estico os pés e o beijo calmamente, sentindo ele se retesar ao corresponder. — Eu te amo, ok?

—Eu também te amo, moranguinho. — Sussurra, com a voz rude e ornamental. Tão sexy quanto apenas o Eucliffe pode ser.

Assim que entramos escuto algo quebrando. Uma louça talvez.

Sting ignorou isso e os sonoros gritos clamando seu nome. Havia resmungos e gemidos junto, mas assim que passei por ali, tudo se silenciou com a musica.

Todo som desapareceu ante o som dos violinos. Olhei surpresa para o loiro, que me esperava, com a mão estendida. Fui até ele quase aos tropeços e dancei com o rei dragão, enquanto sua magia fluía sobre o meu corpo e pela sala, agitando tudo o que tinha matéria.

Os violinos gritantes agitavam-se, minuindo e aumentando o tom e o volume, fazendo-nos cambalear por entre os moveis. Foi então que percebi. Sting não estava consciente, estava novamente no mundo dos dragões, pois seus olhos de azuis tornaram-se verde turquesa, assustadoramente opacos.

Uma lagrima caiu deles, quando por fim a sinfonia ficou lenta e calma. Tirei a minha mão de seu ombro e a levei até onde a lagrima estava escorrendo. Era o dragão dentro dele agindo, eu podia senti-lo ali.

Era... Weisslogia.

—Olá. — A musica encobre a minha voz, mas os olhos desfocados e magnéticos movem-se para mim nesse mesmo instante. — Você é o pai de Sting, não?

Um sorriso triste e melancólico ficou presente nos lábios deste:

Você é tão perceptiva. — Gemeu ele com doçura. — Você é a garota da fita vermelha. Você ainda o ama? — Surpreende ao perguntar, mas não tanto quanto eu.

—Porque deixaria de ama-lo?

Ele suspira novamente, fechando os olhos. Outras lagrimas caem vagarosamente.

Perdoe-me. — Sussurrou. — Eu causei tudo isso. Ele é meu filho... Meu pequeno garotinho, nunca quis... Nunca quis que... Ele virasse o rei.

­—Sting é tão forte. Ele é feliz. — Digo, quando giramos. Por um segundo consigo ver sua verdadeira face.

Forte? Feliz? — Disse debilmente. Seus olhos piscaram entre azuis e verdes e percebi que não teríamos mais tempo para a dança. — Sabe o que está por vir? Para vocês?

—Não. — Vocifero, injuriada. — O que acontecerá?

Algo inacreditável acontece.

Sinto toda a força do dragão assolar o meu corpo. A forte e indescritivelmente assombrosa força de Sting faz toda a casa tremer violentamente, como se estivesse prestes a ser destruída. Doí permanecer segurando sua mão e seu rosto, mesmo que as lagrimas caindo só demonstrem desespero e ingratidão.

—Sting! — Exclamo, por instinto. Sem me lembrar que ele está dormindo dentro de si mesmo. Afogado em Weisslogia. — Pare! Pare!

O tremor se torna mais forte e os gritos da cozinha superam, aos poucos o som da sinfonia no ultimo volume do aparelho de som.

Sangue escorre de seus lábios.

—Você vai mata-lo! Pare! — Imploro, sem me importar com os ferimentos que sofria.

Uma nova onda de magia inundou toda casa e todos os presentes e os dragões presos na cozinha agonizaram, gritando e gemendo, caídos no chão. Era uma loucura.

—Sting...? — Geme Rogue, com as mãos na cabeça. Seus olhos estão profundamente vermelhos e seus lábios perderam totalmente a cor. — Lucy? O que está acontecendo? Porque estou vendo isso? — Ele indaga, entre lagrimas cristalinas. — Por que... Tenho de mata-lo?

—Rogue-kun! Afaste-se daqui! Corra! — Grito, mas o tremor continua e ele mal pode cambalear para a porta. — Eu ordeno que pare! Vai nos matar, Weisslogia!

Shi... Criança. — Responde. — Desse jeito ninguém sentirá mais dor.

—Abram-te! Seis pilares do céu! — Exclamo, sentindo o ultimo pingo de força se extinguir.

Ao redor de mim e de Sting um enorme circulo de magia dourado brilha e dele saem seis pontas, uma para cada rei celestial. Eles aparecem de mãos dadas e assim que abrem os olhos, já sabem o que deve ser feito.

A musica voltou ao seu começo novamente.

—Eu, rei da terra, ordeno que pare. — Disse Tyler, soltando-me de Sting e o jogando contra o chão. Senti que eles destruiriam tudo e no outro segundo estávamos nós oito na neve, imutáveis e complexos. — Você não é Weisslogia! Quem é?! — Grita Tyler, assim que o corpo do loiro se mexe e levanta, encarando-o com lagrimas.

Porque você fez isso?! — Gritou a voz de Sting a mim. Havia tanta dor ali que desabei no chão, tremendo. — Não há mais salvação para nenhum de nós dois! Ele virá e nós matará!

—Silêncio, verme. — Brando calmamente Reiji, girando sua lança. Ela abaixou e prendeu a mão de Sting ao chão. Os gritos foram medonhos.

—Porque está fazendo todos sofrerem? — Indagou rispidamente Lyko, prendendo a outra mão da mesma maneira.

—O que é você? — Ray perguntou, suavemente, sem coragem de fazer o devido, mas Tyler o fez por ela. Ele prendeu o pé esquerdo de Sting ao chão.

—O que quer dizer?! — Ralhou furiosamente Mouse, terminando o serviço.

Percebi que Daniel estava parado, perplexo, sem mover um músculo.

—Chega. — Pediu ele, finalmente. —Deixem-me cuidar desse dragão. — Implorou a Tyler que tinha perdido qualquer brilho de compaixão nos olhos.

Neve e sangue se misturavam no corpo de Sting e ele já não fazia nenhum som. Mas suas lagrimas rolavam sem parar, desesperadamente.

Keith... — Sussurrou Dan, tristemente. — Não vê que o que está fazendo? Você vai aniquilar Sting, se continuar. Por favor, vá.

Sting fechou os olhos e por um segundo parou até mesmo de respirar. O espirito do dragão colocou a mão junto ao pescoço do loiro e sussurrou algo que não pude escutar. Vi uma lagrima cintilar e cair pela face do espirito do dragão e depois disso, o meu Sting estava de volta.

—Ah! — Geme ele. — Porque estão fazendo isso comigo? — Perguntou surpreso. Vou até ele, soluçando. Os seis celestiais tiram as lanças do loiro, que suspira com pura exaustão.

Deito sua cabeça em meu colo, alisando as mexam sedosas e suaves do dragão rei. Ray, a coelha, tratou de curar os ferimentos dos outros reis e a serpente e o cavalo se encaravam firmemente. Havia angustia em suas expressões, como também receio e dor.

—Lucy... — Murmurou ele, segurando minha mão. — Tive um sonho estranho. O que... O que eu fiz?

—Está tudo bem agora. — Acalmo-o — Está sentindo alguma dor?

—Não. Estou bem. — E tenta se levar, para a apreensão de todos. Eu o observo também atentamente e vejo Lyko se aproximar.

—Eu vou cuidar da mente de todos, mestra. Deseja...

—Não mexa na minha, por favor.

—Claro. — Disse e vi-o desaparecer. Sabia que em poucos minutos tudo estaria de volta à normalidade.

—Lu. — Chamou Sting novamente e me deparei com sua expressão docemente confusa. — Aconteceu alguma coisa? Porque eles todos estão aqui?

—Eles me trouxeram do mundo celestial, Sting. — Explico, mesmo que omitindo muitas coisas. — Nós encontramos você aqui deitado.

—Ah. — Ele pareceu confuso. — Não me lembro de ter vindo para casa.

Tyler pareceu inquieto e suspirou:

—Se está tudo bem, estamos indo. — Disse segurando a mão da coelha que corou e olhou-o. — Tenho certeza que tudo ficará mais claro depois de vocês entrarem e se sentarem. — Assegurou e assenti.

Sting parecia perdido, mas mesmo assim tratou de se levantar e me ajudar a fazer o mesmo.

—Hey, Lu! — Chamou quando eu ia diretamente para a porta. Assim que virei me deparei com o mesmo a alguns centímetros de mim, com sua respiração congelando contra o clima frio. — Me perdoa?

—Pelo que? — Sussurro.

—Eu ajudei a Lisanna sem dizer nada. Pensei que...

—Eu estivesse com ciúmes? — Ele corou um pouco. Realmente não se lembrava que já tínhamos conversado sobre isso.

—É. — Completou e desviou seus lindos olhos azuis dos meus, com as bochechas mais coradas ainda.

—Você está parecendo uma menininha, Sting Eucliffe. — Brinco e ele faz bico.

—Droga! Pensei que você estava fula de vida comigo! — Ele indaga, ofendido. Eu o encaro e depois disso nenhum de nós consegue conter uma risada.

—Viu. Está tudo melhor agora. — Sussurro e ele assente, com um sorriso iluminado no rosto. — Vamos entrar e ver se todos já se acalmaram. — Seguro sua mão e o puxo para dentro, na calmaria.

Assim que abri a porta deparamos com Rogue sentado na escada, com a sua melhor expressão de poucos amigos.

—Droga Hector, eu desmaiei na escada! — Rosnou ele enquanto o moreno ria disso na sala, com Minerva deitada de olhos fechados num travesseiro sobre suas pernas. Rufus estava igualmente adormecido no outro sofá, com um braço sobre os olhos.

—Como vocês saíram da barreira? — Pergunto, abismada.

—Poxa Lucy! Somos a Sabertooth! — Rogue rebateu, vindo em nossa direção. Sting observava tudo em silêncio, mirando as fadas deitadas no chão de maneira estranha do outro lado da barreira.

—Você me colocou para dormir Hector? — Perguntou, com o tom de voz baixo. O moreno apenas observou-o com seus olhos dourados parecendo, definitivamente, um lobo faminto. Então suspirou e sorriu, mentindo:

—Claro. Achei que fiz todo o bosque cair no sono. — Disse como se isso não fosse quase nada. Encontra partida, enrolou uma pequena mexa dos cabelos oleados da sua noiva e continuou observando-nos, faminto.

—Você devia pelo menos ter perguntado se as pessoas ao redor queriam ser adormecidas com sua magia. — Rufus disse, com os olhos brilhando de ódio. Minha mente não consegue se concentrar em nada.

Hector estava no controle da situação desde quando?

—Bem, parece que ninguém se feriu gravemente. — Digo, mirando os magos da Fairy Tail totalmente inconscientes. Tudo parecia normal. O quanto sabia Hector?

—Pelo menos os ânimos não estão mais exaltados. — Sting disse, sentando-se no único assento vago do sofá ao lado do mestre da Saber. Chamou-me com a mão e tive de me sentar sobre a suas pernas, um pouco constrangida até. — E então? Cadê as meninas?

—Lá em cima. — Rogue disse, sentando se no encosto do sofá de Rufus. — Elas ficaram preocupadas quando você sumiu, Lucy. Não pude fazer nada porque não conseguia sentir a sua magia em lugar algum e tentar contatar Sting só ia piorar as coisas.

—É mesmo. — Admito.

—Pelo menos todos vocês estão mais serenos. — O Lohr continua. — Pensei que mais pessoas iam ficar em coma igual ao Ignell.

Não entendi porque, mas todos nós caímos na risada subitamente.

Parecia que nada havia acontecido e eu desejava, profundamente chocada, que ainda continuasse assim.

Mizuki:

—Que?

—É que... A revista simplesmente pediu uma edição especial com vocês. — Disse à menina que representava a revista. Eu realmente a encarei de uma maneira que nem que ela quisesse poderia aguentar.

—Ah é? — Sorrio sarcasticamente, mas sinto o medo que todos eles sentem de mim.

—Mizuki! — Sirene brandiu, ainda com o pequeno Yukio no carrinho ao nosso lado. Mirei-lhe com cansaço e ela sorriu, tentado me induzir a escuta-los. Infelizmente, dá certo:

—Continuem.

—Bem... Onde está Hector-sama? — Perguntou ela e sorri:

—Ele está resolvendo alguns problemas pessoais. E antes que você pergunte mais, nenhum outro membro da equipe principal está aqui além de mim.

—Ué! Por quê?

—Como eu já disse, problemas pessoais.

Para que ninguém ficasse se intrometendo na conversa optei por ir ao escritório de Hector. As luzes estavam pela metade e isso deixava o lugar muito mais confortável e aconchegante. Os moveis na penumbra mal deixavam os visitantes se acostumarem com o ambiente.

—Hey Si, posso ficar com o Yukio? — Pediu Aoi, entrando inesperadamente.

—Claro. — A morena disse. Logo, a pequena rainha estava fora do escritório com nosso bebe.

Um problema a menos.

—Vem cá. — Chamo a morena e esta sorri, mostrando a língua. Ela senta no meu colo, observando suavemente os repórteres e fotógrafos.

—Não temos como nos comunicar com nenhum deles. — A voz dela é suave — Infelizmente, nem queremos atrapalha-los.

Toda a equipe ficou em silêncio.

—Talvez amanhã. — Digo por fim.

Sting:

—Devemos solta-los né? — Lucy murmura.

Inclino-me e beijo o topo da sua cabeça. Minerva ao menos tinha acordado.

—Claro. — Concordo. — Vocês dois vão ficar com as meninas lá em cima? — Pergunto ao ver Rufus e Rogue se levantarem.

—Obviamente. — O moreno ralha, mas consigo sentir o seu sorriso.

—Fechem as portas para que eu consiga fazer a barreira, ok?

—Pode deixar.

Assim que eles sobem as escadas correndo e sorrio disso a Hector, que apenas continua a murmurar coisas a sua amada. Carrego Lucy para o sofá agora desocupado, e lá deito-me em seu colo, para que ela acaricie meus cabelos.

—Acho que vou colocar a barreira. — Sussurro e ela assente.

Depois de colocar a barreira levantei-me um pouco, chegando mais perto dela para beijar-lhe os lábios.

É algo indescritível. Amar alguém como a amo.

Sinto que meu corpo inteiro deseja-la. Meu corpo inteiro clamava por seu espirito e seu sabor. Sua magia e seu aroma.

Ergo-me mais um pouco e entrego-me mais um pouco a ela, sem me concentrar em nada além daquele beijo. Percebo que ela nota isso e aproveito para me levantar aos poucos, sem desperdiçar o contato. No fim, Lucy está novamente abaixo de mim, tentando sufocar gemidos.

—Eu te amo. — Geme ela, entre os beijos que ínsito em lhe dar. Com isso, ataco seus lábios com mais fervor e desejo, sem me importar com quem quer que nos visse.

—Também te amo. — Sussurro, arfando. Estava apoiado nas almofadas macias do sofá. Virei rapidamente para o lado e me deparei com Hector e Minerva de olhos fechados, deitados no sofá.

Percebi que Lucy estava me mirando, ou esperando.

—Esperando?

Ela meneia a cabeça e mordo seu pescoço bem de leve, só pra vê-la se arrepiar. Eu recebo um empurrão por causa disso, mas meu riso contagia-a.

Então tudo recomeça.

James:

—Eu vou sair pra tomar um ar. — Digo aos quatro que ficam no quarto. Vejo Toshiro e Hermione assentirem pelos dois adormecidos.

Assim que saio vejo forte campo de força ser colocado na porta. Tento, inutilmente, encostar-me a ela e voltar lá para dentro, mas queimo minha mão nesse instante.

—Merda. — Digo e Hermione fita a barreira surpresa.

—James! E agora?

—Sei lá. — Respondo. Então escuto passos por perto e vejo os magos da Fairy Tail subirem, um a um, para seus quartos.

Depois de um tempo vejo Wendy e seu rosto molhado de lagrimas acaba com qualquer rastro de raiva que me incendiava até então. Sem que ninguém percebesse, puxei-lhe comigo até a porta mais próxima sem barreira, o banheiro.

Entramos silenciosos, sendo que ela mal podia me dirigir o olhar:

—Perdoe-me. — Sussurro, erguendo seu queixo para ver seus olhos. Estão brilhantes e inspiradores, apesar de tudo.

Sigo meus instintos e a beijo calmamente, sem sequer me importar com a sua resposta. Logo estávamos reconciliados, nos braços um do outro. Mas mesmo assim ainda senti suas lagrimas salgadas, sentia-as nos meus lábios e afastei-me, surpreso:

—Wendy? O que houve?

Ela negou antes de me abraçar apertado. Estava inconsolável e eu tinha certeza de que era o responsável disso tudo.

—É serio. Desculpe o modo com que eu agi com você. Alois estava chorando e eu descontei o que Natsu fez em você, sendo que nenhum de nós tinha nada a ver com o acontecido e...

—Será que você não percebe que nunca mais vou poder te ver? — Ela ralha, com tanto ardor que miro-a, surpreso.

—O que?

—Nunca mais, James. Hector-sama nos expulsou desse lugar! Para sempre! Sabe o que isso quer dizer?

Entendi porque ela chorava tanto. Aquele deveria ser... Nosso ultimo beijo.

—Escute. — Sussurro, segurando seu rosto entre as minhas mãos. Não sei como consegui me controlar até esse ponto. — Não importa o que aconteça, entendeu? Nós tivemos uma historia junto, mas... Agora é agora de nos separarmos.

Ela fungou, então continuei, sentindo meu peito estremecer:

—Eu... Eu realmente te amo, Wendy Marvell. É uma droga, porque tentar esquecer os seus beijos nunca vai acontecer. — A Dragon Slayer segura as minhas mãos tremulas. — Por que... Sei que você vai ser mais feliz com outra pessoa. Outro que... Não seja inimigo declarado da sua guilda.

—James...

—Eu te deixo livre de mim e do meu fardo. — Sussurro. — Mas quero que você se lembre com carinho de mim, tudo bem?

Então eu a abracei novamente, tentando memorizar o cheiro de seus cabelos e o calor de sua pele. A maciez de seus cabelos e o gosto de seus lábios uma ultima vez.

—Eu te amo James Cheney. — Ela gemeu, antes de sair do cômodo e me deixar totalmente desolado.

Espero até que tudo fique silencioso e saio do cômodo, sem me importar que as pessoas que saiam de seus quartos com suas malas vejam as minhas lagrimas. Sento-me ao lado da porta do quarto e vejo Hermione e Alois, recém-acordado pelo visto, ali, tentando conversar comigo:

—Jay! Fale com a gente! — Insistia ela, enquanto eu soluçava penosamente. Tudo o que eu queria era desaparecer da face da terra. Ficar inconsciente por tempo tanto tempo que essa dor nem sentido mais faria.

—James. — Eu ouvi a voz de Alois, densa. — Wendy... O que aconteceu entre vocês? Por favor, você precisa dizer algo.

Sozinho e sentado no chão do casa de Sting Eucliffe, meu tio, eu vi o meu primeiro amor descer as escadas para longe. E soube, naquele minuto em que ela também soluçava, que talvez nunca me recuperasse disso.

Rufus:

Quando a barreira simplesmente desapareceu, vi Rogue abrir a porta lentamente e se abaixar. Logo depois James estava em seus braços, soluçando como uma pequena criança. Nanami foi ao seu encontro, acariciando os cabelos negros do rapaz.

Eu me remoí de remorso. Era culpa nossa, droga.

Como tínhamos esquecido de James e Wendy?

—Oh Jay... — Minha irmã disse em tom lamurioso. O dragão negro colocou-o na cama de Sting e todos nós tentamos concertar o irreparável. Nunca vi um garoto soluçar tanto desde Juliette morreu. — Querido...

—Doí tanto mãe. — Geme ele, agarrado a ela. — Eu... Só quero esquecer tudo, mãe... Por favor... — Ela o segura forte, tentando acalma-lo.

Eu puxo Rogue para fora do quarto e ele vem, suspirando.

—Droga. — É a primeira coisa que ele diz.

—Ninguém pensou nisso. — Sussurro.

—Claro que não. — Resmungou o moreno. — E olhe as consequências.

Eu o encarei rapidamente e vi lagrimas se formando em seus olhos.

Culpa.

—Você mesmo sabe que só o tempo pode curar isso. Só podemos tentar ajudar de alguma forma, aliviando isso.

Ele morde os lábios, mas sabe que estou certo.

—Vou fazer um chá para ele. — Digo por fim, suspirando. — Tente não piorar as coisas.

A ultima coisa que escuto dele é um longo suspiro cansado. Desço as escadas calmamente e me deparo com Sting e Lucy adormecidos e Hector deixando Minerva no sofá, também sonolenta.

—O que houve? Você botou todos pra dormir novamente?

—Sim. — Falou ele. — Se alguém perdesse o controle nem mesmo eu pararia Sting. O que houve, Rufus? — Perguntou quando me viu colocar um pouco de chá na chaleira de Lucy.

—James e Wendy. — Digo por fim e a ficha dele cai.

—Ah não. Oh... Como fomos insensíveis.

—Exatamente.

O lacrima reluz e estalo os dedos, ativando-o.

—Rufus! Te achamos em boa hora. — Mizuki relaxou, dizendo estas palavras. — Tem um pessoal de uma revista aqui, querendo nos entrevistar e coisa parecida.

—Diga para virem daqui a dois dias. — É o que digo, simplesmente.

A luz se apaga e procura qualquer coisa calmamente nas gavetas, achando, finalmente, camomila. Arrumei tudo numa bandeja e caminhei escada acima, ainda escutando o choro do garoto.

Senti que aquilo demoraria a passar.

Stan:

—21... 22... 23... — Sussurra, tentando ocupar minha mente com o exercício físico que fazia.

Estou a três dias sem ver Zef e isso me preocupa.

—24? — Diz a voz dele e paro as flexões no ato, esticando o pescoço para vê-lo.

—Oh.

—Só isso? Oh? — Ele desdenha, mas noto que ainda parece abatido.

Seus olhos talvez nunca voltem ao que eram:

—Tudo bem?

—Ah, claro. — Responde, simplesmente. — Descobri algumas coisas importantes. Acho que você vai gostar. Bem... Que tal tomarmos um chá aqui nessa cidadezinha?

Encaro-o confuso, mas ainda assim troco minhas roupas amarrotadas por uma camisa de linho limpa e uma calça jeans de joelhos esfolados. Ele ri da minha escolha, porque parecia vestido como alguém da corte.

Caminhamos despreocupadamente pela cidade, até que ele me conduziu para um café modesto, com duas mesas do lado de fora. Nós sentamos ao ar livre, onde fiquei observando o movimento migratório dos últimos pássaros. O inverno não tardaria a chegar nessa cidade como havia chegado à Fujima.

—O que descobriu? — Perguntei, logo depois que um rapaz de doze anos anotou nossos pedidos modestos.

—Que Natsu Dragnell é o ser mais controlável do mundo. — Riu ele.

—O que?

—Eu o controlei, Radios. Estava há quase um quilometro da casa e mesmo assim, possui sua mente até o ponto que ele caiu desmaiado no chão. — Seu sorriso se alargou por um instante. — Não pensei que ninguém perceberia, mas também não acreditei quando vi Sting Eucliffe dar a maior surra nele.

—E agora? Os Dragon Slayers se separaram não?

—Exatamente. — Concluiu empolgado. — E agora todos ficaram tão vulneráveis. Estou até com pena deles.

—O que faremos? — Noto como o brilho insano volta, por breves minutos.

O meu chá preto foi servido, assim como o café expresso dele. Vi-o aspirar à fragrância amarga do liquido antes de bebê-lo. Ainda bebendo o meu pedido, não tirei os olhos do moreno:

—Vamos chamar isso de batalha da arena.

Keith:

Acordei abismado e assustado, com a respiração ofegante e triste. No fim, eu só havia piorado as coisas.

—O que farei, Mestre? — Gemi, com a cabeça latejando. — Zeref vai mata-lo! Precisamos trazê-lo para cá! — Insisti.

—Você já interveio demais, Keith de Weisslogia. — Disse sua voz grave. — Não me obrigue a coloca-lo para dormir novamente. — Acnologia parecia furioso e suspirei, derrotado.

—Terei de observar mesmo?

—É a sua punição por desrespeitar as regras.

Sting:

Depois que as fadas se foram todos, com exceção de James e Nanami, limpamos a casa. Estávamos em silêncio pelo garoto e nada do que fizéssemos iria tirar a culpa que tínhamos.

Por causa da neve, apenas Hector saiu da casa, acompanhado do aflito Dr. Natan. O pobre homem estava doloridamente preocupado com sua amada. O jantar foi feito num clima totalmente fúnebre.

James se recuperou, aparentemente, na manhã seguinte. Mesmo assim, todas as meninas trataram de mima-lo e isso o animou muito, tanto que, logo pela tarde, ele desejou ir até a guilda buscar um livro do acervo.

Então, houve uma longa e cansativa discussão sobre sair ou não sair da casa. A decisão, minha e de Rogue foi de sair, mas alertas e juntos, prevenindo qualquer ataque.

Para minha surpresa, assim que chegamos à guilda um homem veio me fazendo dezenas de perguntas diferentes.

—Hãn? O que está acontecendo? — Pergunto a Hector que geme, cansado.

—Eles querem colocar vocês na edição especial da revista Mago&Mago. Fazer fotos e essas coisas mais. Achei que isso os distrairia.

Rogue ficou carrancudo, mas depois que viu James rindo de Alois, aceitou melhor a ideia de permanecer o dia todo fazendo fotos.

No fim, fomos todos separados.

E, como eu tenho estado com muita sorte, eu cai, simplesmente com Rogue.

—O que vocês querem que a gente faça? — O moreno pergunta, enquanto eu deixava as blusas de frio numa cadeira.

—Pensamos em algo mais...

—Esse idiota aqui é casado. Não estraguem a pouca reputação que ele conseguiu. — Digo passando o braço pelo ombro de Rogue. Ele rosnou enquanto eu ria e escutei o click da maquina nesse segundo.

—Natural. — Completou o fotografo, com um sorriso.

—Ah. Pode ser.

—Esqueçam que estamos aqui.

Nos entreolhamos e sorrimos, frustrados. O quarto estava cheio de roupas diferentes e, enquanto eu tirava a camisa e ia até os cabides escutei o click da maquina diversas vezes.

Do nada começou a tocar uma musica de rock da época em que eu e o Rogue éramos fãs assíduos e fanáticos. Logo estávamos cantarolando a musica, tocando guitarra imaginaria e fingindo sermos astros.

Eu mal podia ficar parado.

Fui colocando roupas, fazendo poses variadas e rindo de Rogue, quando ele tentava fazer o mesmo. Definitivamente, sou um talento nato.

—Acho melhor vocês colocarem ele com a mulher. — Gracejo e o moreno joga um gorro de ursinho em mim.

Então começou a tocar uma musica muito agitada e com uma batida muito contagiante. Só que nós dois estávamos de terno e tentar fazer passinhos de terno é uma droga.

Então começamos a brincar de ser rappers. Nunca vi Rogue brincar tanto, ele parecia tão... Criança.

Enquanto imitávamos os cantores, tentando passos antigos e desorganizados, nem percebemos Lucy e Nanami na porta. Somente quando Rogue terminou de se vestir de bombeiro que as ouvimos rir.

—Hey! — Indaguei, mas elas logo desapareceram.

Foi então que fizemos uma pausa.

Sai daquela sala com um uniforme militar cheio de botões e coisas parecidas. Estava sem camisa por baixo e varias das garotas que estavam trabalhando nos corredores pararam para me ver.

Lucy estava esperando, obviamente. Estávamos combinando, estranhamente.

—Tenente? — Chamei e ela se virou, batendo uma prancheta na mão.

—Coronel idiota. — Fala, batendo a mesma na minha cabeça. Roubo um beijo depois disso.

—O que achou de mim?

—Impecável, como sempre. — Aproximei-me dela e percebi que a saia era, realmente, bem curta.

—Você está de short por baixo né? — Indago, deslizando a mão para baixo.

—Sting!

—O que?

—Idiota! — E levei mais uma pancada.

Então nos trocaram novamente. Dessa vez, fui para numa sala com uma cama com Minerva. Nós dois trocamos um olhar serio e percebemos que aquilo seria divertido, embora só quem nos conhecesse soubesse.

—Muito bem vocês dois, a cama é de vocês. — Disse a responsável pela sessão.

A morena deitou-se na cama, já que estava apenas de corpete e um short curtíssimo. Virei de costas para a câmera e deixei o uniforme que eu vestia cair vagarosamente, revelando minhas costas nuas e o cós da calça abaixo do comum. Naturalmente me fizeram rolar na cama após isso.

Por fim, quase cochilei.

Nossa ultima foto foi minha, escondido das cobertas da cintura para baixo, com a morena agarrada aos meus ombros, depositando marcas vermelhas de batom sobre a arena desnuda. Eu a segurei pelo queixo e ela sorriu, implicante, antes que eu rosnasse e o ultimo click soasse.

Com cada pessoa foi diferente.

Dei uma de menino rebelde com Rufus e de irmão mais velho com Nanami. Fui o treinador malvado com Mizuki e o ricaço com Hector. Só esperava que Lucy não me matasse pelas marcas de beijo.

Eu a encontrei depois de longas três horas.

Estávamos sozinhos numa sala onde, estranhamente, nossas coroas estavam sobe uma mesa. Estava normalmente vestido e ela, imponente como sempre, estava parecendo uma daquelas jovem ídolo adolescente, com roupas chamativas, brilhantes e curtas.

—Hum. — Sussurro ao vê-la e a mesma senta-se na mesa, brincando com a minha coroa.

—Acho que essa ultima sessão vai ser a de roupa intima.

—Sessão do que?

—Quase nudez. — Ela informa, mexendo no cabelo.

—Como você sabe?

—Minerva me contou. E depois Nanami e Rogue fizeram o mesmo.

—Argh! Não quero fazer isso. — Relutei. — Só você pode me ver seminu.

—Sting, você fica seminu quase toda hora.

Eh?! Fico nada!

—Suas roupas normais não são muito... — E gesticulou, movendo a mão no meu tórax. — Bem, elas não cobrem o seu tanquinho.

—Mas!

—Isso é estar seminu.

—Nos conceitos de quem?

—Nos de todo mundo, Sting! — A loira ralha, descontente. — Agora você vai ficar com vergonha?

—Não é isso! Sabe-se lá o que as pessoas vão fazer com as minhas fotos seminu!

—Ai meus espíritos Sting!

Então os fotógrafos apareceram e nos flagraram nessa discussão. Nunca tinha visto pessoas tão assustadas na vida, porém continuamos:

—Como você vai me garantir que nada de ruim acontecerá com a minha imagem? — Indago por fim, batendo as mãos na mesa, ao lado de suas coxas.

—Imaturo. — Murmura a voz do tigre celestial na minha cabeça. Lucy arqueia a sobrancelha a mim com isso.

—Terminou?

Suspiro por fim.

—Vamos fazer isso logo. — Digo, suspirando por fim, retirando a camisa por cima da cabeça. Lucy sorria maliciosamente para isso, passando a língua nos lábios.

Notas finais
Desculpe, novamente e novamente, a demora. Atualmente, tenho escrito pouco e lido muito e não acho que seja de todo ruim. Agora planejo tentar terminar a historia até o fim do ano, estourando. Querendo ou não, já se passou muito tempo e é meu objetivo pessoal terminar, mesmo que ninguém mais leia. Obrigado pela atenção.