Shark

1 Are you gonna be my love?


Notas iniciais
Yo! Bom, faz um tempinho (bastante tempo 'u') que não posto nada aqui no site. Estive com a vida tão ocupada que 'cês nem imaginam. Então, eu decidi pegar uma história mais ou menos antiga e postá-la.
Esta fic aqui, fofa, fluffy e adorável, foi baseada em uma fanart lindíssima da space-emos (Tumblr), cujo link disponibilizarei nas notas finais, assim como a séria Kylux School!AU que estou dividindo em partes. Eu juro que a terceira parte virá em algum momento... algum... momento.
De qualquer modo, enjoy! ♥

Kylo estava deitado no tapete do quarto de Hux, totalmente alheio ao mundo ao seu redor enquanto encarava a pintura do teto – o padrão curioso de pontos e linhas que o lembravam ao mesmo tempo um céu estrelado e o mapa de algum lugar que ele nunca fora.

O jovem ainda tentava desvendar as curvas milimetricamente calculadas quando Hux surgiu na porta segurando uma bandeja com copos de suco de maçã e biscoitos de chocolate. Eram onze e meia da noite, tarde para um lanche, mas não tão para sentir fome.

— Já terminou os desenhos? – Hux perguntou, a voz sussurrada para não acordar os pais adormecidos no quarto ao lado. Ele pousou a badeja no chão e fechou a porta o mais delicadamente que conseguiu, logo se virando para observar o garoto que agora tinha os olhos desviados do texto para seu rosto. Aquele olhar brilhante de Kylo lhe era mais bonito que as joias no pescoço da sua mãe.

— Terminei a dez minutos atrás, você demorou. – Ele deixou a voz soar manhosa, apenas para ver Hux revirar os olhos e controlar o sorriso que insistia em aparecer quando estavam juntos.

— Então quando quiser, pode ir. – Disse o ruivo, não soando realmente sério. Kylo tentou fingir que estava ofendido, mas ele já visitara o outro muitas vezes para entender que era arriscado entrar e sair furtivamente. O Senhor Hux não aprovasse que o herdeiro do seu império empresarial se misturasse com “gente como o Solo”.

— Já que trouxe dois copos, acho que vou te agraciar com minha presença por mais tempo. – O moreno fez um gesto amplo, como se pedisse para Hux entregá-lo o copo ou o prato de biscoitos. Com um torcer de lábios, este arrastou a bandeja com o pé para mais perto do garoto, assim sentando-se no chão e alcançando a mochila dele, pescando o celular do bolso lateral.

Ao mesmo tempo que o ruivo procurava os fones de ouvido na divisória frontal, Kylo comia o lanche mais que merecido. Os dois foram designados a montar os cartazes para a peça de teatro, e embora Hux tivesse ideias muito criativas para promover a mostra, suas habilidades artísticas se tratando de desenho que não eram arquitetônicos não eram impressionantes. Por esse motivo o jovem filho do mecânico Solo e da deputada Organa foi obrigado a esquecer tudo sobre rascunhos e tentativas e acompanhar o complicado processo de formação de ideias na mente de Hux. Foi um trabalho árduo; contudo, no final da noite eles tinham cinco cartazes diferentes, um melhor que o outro, para no dia seguinte enviar para a gráfico e logo entrega-los para a equipe de divulgação.

Kylo olhou para Hux, e o viu estender um dos fones em sua direção, o outro já acertado em seu ouvido direito. Ele não tinha ideia de qual lista de música Hux havia escolhido, até porque o ruivo nem tinha gosto musical definido. Entretanto, Kylo o havia presenteado com um toca-fitas recheado de músicas consideradas pelo mais novo como “boas” e “fantásticas”.

O rapaz pegou o fone de ouvido e o encaixou em sua orelha assim que terminou um biscoito. Ele bateu as migalhas amarronzadas de sua blusa e acompanhou Hux ao se deitar no chão, no meio da bagunça de cartolina, tesouras, lápis, canetas, réguas e tantos outros instrumentos.

Depois de alguns segundos a música começou, com três acordes simples de piano e o som ritmado da bateria compondo uma harmonia relaxante. Kylo não se lembrava de ter baixado aquela melodia, embora estivesse satisfeito com ela.

Ele fitou o rosto sereno de Hux, dois pares de olhos sustentando uma conexão profunda, mais em paz que em qualquer outro momento da semana. Ambos podiam ficar ali para sempre, parar o tempo e se concentrarem apenas no singelo sentimento que aquecia seus corações.

No momento que a dupla musical cantou o refrão, Hux abriu seus lábios e murmurou uma indagação tão suave que não se pode transcrever suas palavras, até porque Kylo mal o ouviu. No entanto, o mais novo sorriu de volta, acenando com a cabeça em concordância.

Ambos rolaram de lado, mais próximos um do outro. Suas mãos se encontraram primeiro, entrelaçando-se. Os pés calçados se tocaram, seguidos pelas pernas e os quadris, depois a ponta dos narizes em contato vagarosamente, como se seguissem o ritmo da música.

O toque dos lábios macio assim como a espuma do mar se dissolvendo na areia. Os dois nadavam no escuro, a água salobra os rodeava e a lua espelhada não providenciava luz suficiente para que eles pudessem se ver.

Foi um beijo breve, uma antecipação de despedida.

Eles ficaram abraçados até o fim da música, por mais outra e mais uma que se seguiu, todas da mesma banda e com o mesmo sentimento de tranquilidade e amor doce e sincero. Nada era tão simples quanto a emoção, e não se pode viver privando-se da razão. O feitiço acabava à meia-noite, logo Kylo precisava voltar para casa, por mais que não quisesse sair daquele ambiente aconchegante.

O moreno se levantou e deixou seu celular e os fones de ouvido com Hux, afinal eles se veriam no fim de semana de qualquer jeito. Ele pegou sua mochila e passou as pernas pelo parapeito da janela, apoiando os pés na calha de chuva para não perder o equilíbrio e cair do segundo andar. Havia uma árvore anciã cujos galhos se estendiam próximos à janela, e já fazia um tempo que Kylo a usava como hall de entrada e a janela como porta para a casa.

Hux fez um meneio de cabeça quando o outro acenou e desapareceu na escuridão da noite, levando consigo um pedaço de alegria que o ruivo só sentia quando se encontravam.

Ele cobriu os olhos com o antebraço e se deitou novamente, agora com os dois fones em seus ouvidos. Colocou de novo a música que foi a trilha sonora do primeiro e último beijo da noite, afogando-se nas ondas que o puxavam para a escuridão de sentimentos conflitantes, ainda que deleitosos.

Hux nunca cantava, sua voz era grossa e desafinada. Entretanto, naquela noite ele fez uma exceção. Não havia um motivo exato, ele se sentia vazio depois que deixou de ouvir as folhas da árvore se mexendo onde Kylo se apoiara.

De fato, o ruivo mal podia esperar para o fim de semana, a vontade de ver o garoto de olhos brilhantes era diretamente proporcional às vezes que se viam. Era algo perigoso, mas eles não seriam jovens se não se arriscassem.

Hux cochilou no chão mesmo, ao som da voz melodiosa dos cantores e o gosto de suco de maçã dos lábios de Kylo em sua boca.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e expressem uma opinião se quiserem, mesmo que seja para dizer que está super OOC. Que posso fazer? Kylux fora do universo de Star Wars só me faz pensar em coisas românticas e fofinhas :3
Link da fanart: http://space-emos.tumblr.com/post/139664503856/my-late-bday-gift-to-myself-is-this-cheesy-high
Link do Kylux School AU! (1ª parte): https://fanfiction.com.br/historia/680994/Quando_chega_no_limite/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!