Shard of Lies

24 Desistência


— Ela vai te matar. Não vai ser bonito — a Sombra tinha seus momentos de ir e vir. Quando ela vinha, só significava que eu já estava na merda. Bem, não era sem pretexto. Senhora Miuzand era rápida, até demais, e eu simplesmente só conseguia recuar. Não era de se espantar que a Sombra tentasse se aproveitar. A cada um dos implacáveis ataques, ela se remexia pelas minhas veias, fazia meus músculos tremerem.

— Mergulhe, Vincent — é melhor não. Mas eu não vejo outra forma de prosseguir, pra ser sincero. Miuzand parou de falar há um tempo, todo o foco em tirar a cabeça do meu pescoço. Droga. A lâmina dela chocou-se contra a Corta-Relâmpago, que eu aproveitei para criar um clarão. A sombra de Miuzand não durou o suficiente para que eu pudesse acertá-la, mas me deu tempo de fugir.

— Você ainda não cedeu, Vincent. Como consegue? — nem eu sei, Sombra, nem eu sei. Acho que eu só não quero virar uma marionete que nem o Cross.

— Cross realmente colaborou muito mais. Já tem alguma ideia de como vai derrotar essa bruxa Vincent? — bem, ela É imortal. Isso limita as minhas opções. Eu poderia destruir os ossos dela e impedir a ressurreição, mas…

— Eu não deixaria, obviamente. A menos que — que eu mergulhe. Não percebeu que eu não estou com tanta vontade?

— Você já não tem muita escolha. Prefere morrer? — eu estaria morrendo só por culpa sua. Foi por sua causa que eu vim parar aqui, pra início de conversa.

— Vincent, a bruxinha ali já está sendo difícil demais pra você. Como espera assassinar a própria Delula? — Ah, então é isso. Era uma armadilha desde o começo.

— É claro que sim. Nunca passou por mim que você conseguiria invadir o Convento das Bruxas e matar Delula DeWrigg. Bem, não sem a minha ajuda, pelo menos — Você sabia sobre Miuzand, então.

— E sobre a Senhora Olga — Senhora Olga? Então eu senti. O frio. A minha expiração se tornando visível. Mas que merda.

— Está demorando muito, Senhora Miuzand — Olga era uma mulher excepcional. Alta, seus cabelos negros e trançados que iam até a cintura. Sua pele também era escura, tanto quanto a noite. E a aura dela, visível como seu poder, era branca como a neve, graças ao gelo que possuía.

— Está se distraindo, Vincent. Ela vai te matar.

— Perdoe-me, Senhora Olga. Me parece que ele tem alguns truques guardados.

— Quais são as capacidades dele? — Senhora Olga observava os arredores. Seria terrível o momento que ela descobrisse que eu tenho algum controle sobre as sombras.

— Aptidões físicas bem acima da média, furtividade e alguma proficiência em teleporte. Também possui um ataque que pode pulverizar ossos.

— Dá pra ver que não é um oponente comum. Se você tivesse que dar um palpite, onde diria que ele está?

— Ali — e obviamente, ela apontou direto pra mim.

— Mergulhe, Vincent — não, ainda não.

— E por que você não foi verificar? — ela estava erguendo os dois braços unidos acima da cabeça. Parecia que alguém tinha aberto a janela no meio do inverno. Nenhuma lareira, apenas eu e o frio sem misericórdia.

— Porque eu não ataco à distância, Senhora Olga. Meu nome não é Olga Salamandra — ah, mas é claro! Ela liberou todo aquele gelo na pilastra que servia como meu esconderijo.

Eu senti como se o ar de meus pulmões fosse chutado pra longe e alguém arranhasse a minha garganta por dentro. Caí de joelhos no chão, sem forças, sem ar e sem muita esperança. Mas não é a primeira vez que eu fico assim.

— É, realmente — Sombra, sinceramente, agora não é a hora.

— Mergulhe, Vincent — que merda.

— Acho que acabou, Senhora Miuzand — Olga se aproximava de mim sem se preocupar. Eu não conseguia me mover mesmo. Merda. Eu sentia a satisfação da Sombra de Cartola. Mergulhei.